sábado, 10 de abril de 2021

Senhor Jorge retratam EP de estreia, faixa-a-faixa


Foi no ano de 2018 que a Igreja da Misericórdia de Viseu serviu de palco e juntou alguns artistas conceituados do panorama nacional, como Rui Sousa (Dada Garbeck), João Pedro Silva (The Lemon Lovers) e Gonçalo Alegre (Galo Cant’às Duas), à voz vivida e emocionante de Jorge Novo, sacristão, fadista por paixão e ex-lapidador de diamantes. 

Foi desse encontro inesperado e feliz, foi dessa surpresa e dos afetos que ela desencadeou, que nasceu o EP sr. jorge, exercício generoso de troca e de diálogo criativo entre universos artísticos que, frequentemente, estão condenados a viverem separados.

O EP dos Senhor Jorge foi hoje editado e, em conversa com o grupo, tivemos a oportunidade de conhecer cada uma das cinco faixas que o constituem. 


 1- “Palhaço”: Letra de Filomena Gigante

Se o ser Humano é um ser social como justificamos o abandono e a solidão? Esta música procura uma justificação, varrendo as mágoas de uma velhice frustrada pelo desprezo. 

As conquistas de uma vida de sucesso podem ser efémeras e desconsideradas. Nesse caso o sentimento que permanece é a desilusão e a vontade de varrer os resquícios de uma vida malograda.


2- “Cobertor”: Letra de João Pedro Silva

A perceção de uma traição pode por si ser desleal e induzir em erro. O Cobertor expressa essa angústia da incerteza e da elevação de um sentimento nobre superior à inquietação da traição, o amor.   

Quando esse amor é profundo, para conforto, pode conter a vontade de repreender. Que muitos procurem esse conforto neste cobertor. 


3- “Tempo”: Letra de João Oliva

Apesar de misterioso, o tempo é destruidor, as histórias que julgamos eternas são efémeras, as alegrias, as tristezas, os tempos vividos que já não são de ninguém, é um fado pesado viver num tempo que já não é nosso. 

A única verdade sobre o tempo é que, seja no passado ou no presente, deve sempre ser um tempo de amor. 


4- “Lembro-me de ti”: Letra de Maria João da Trindade Gomes

A morte de tão concreta e radical deixa em todos nós marcas indubitáveis. Esta música é um memorial em nome de Armando Gomes Novo, pai do Jorge Novo, vocalista que dá nome a este projeto, e em memória dos falecidos amigos que o apresentaram ao fado.

A necessidade de uma despedida justa e digna em forma de música é mais do que um luto, é a esperança de eternizar memórias que são o sustento de alguma felicidade.


5- “A noite”: Letra de João Pedro Silva

Esta música retrata os devaneios delirantes de uma alma boémia, que admite não ter cura, que transborda verdade e fantasia, enquanto se afoga de formas sestras, inveja os que não conhecem a decadência viciante e turva da noite.

+

sexta-feira, 9 de abril de 2021

Dream People em entrevista: "O sonho é o combustível da vida"

© Miguel Dias

Chamam-se Dream People e fazem do sonho a sua essência. Desde o início do ano, têm vindo a causar burburinho no panorama nacional, momento em que lançaram "People Think", primeiro single de Almost Young. Neste ábum, a banda canta a perda da juventude como um sentimento irreparável, que tanto traz a saudade do que viveram como a inquietação pelo desconhecido de amanhã.

Ao som de sonoridades em constante mutação e longe de se cingirem a um só género, a banda flutua entre shoegaze, new wave e dream pop sem amarras. Francisco Taveira dá voz a um "chiaroscuro musical", como descrevem em nota enviada às redações, enquanto Bernardo Sampaio e Nuno Ribeiro embalam a melodia através de guitarras e synths. João Garcia é responsável pelo baixo, enquanto Diogo Teixeira de Abreu se aventura na bateria.

Nasceram em 2019 com o tema "Forever, Too Long". Pelo caminho, reuniram presenças em festivais como Super Bock em Stock e Vodafone Paredes de Coura (Sobe à Vila). No início, aquando do EP Soft Violence, tratavam-se de uns "Putos de Portugal" convictos em tentar fazer da música magia e sustento. Agora, quase jovens, dizem-se muito mais maturos e confortáveis nas desenvolturas sónicas.

A Threshold Magazine esteve ao telefone com João Garcia, baixista da banda, que nos contou tudo sobre a experiência de produção ao lado de Vítor Carraca Teixeira. De Leiria, o multi-instrumentista falou dos passos que deu até chegar ao baixo, desde o conservatório ao desejo pelo rock n' roll. Entre algumas curiosidades sobre o disco, Garcia, que também edita sob o nome Cateto, revelou ainda várias das ambições para o futuro da banda, assentes na esperança de que o futuro será melhor.

Sei que entraste na banda mais recentemente, mas quero perguntar-te se notas diferença desde o início. A nível sonoro, o que mudou desde que os Dream People eram "Putos de Portugal" em Soft Violence?

Eu diria que a sonoridade tem mais maturidade. Apesar de eles terem gravado o Soft Violence em muito poucos dias, a coisa saiu bastante coesa e simples, mas um simples bom, que entra bem, um simples bonito. Mas este novo trabalho foi muito mais elaborado, houve muito, muito trabalho; por trás daquelas músicas estão meses e meses de empenho e está uma coisa muito mais composta. Nós ouvimos e vemos que há mais coisas a acontecer e a batida também é mais dançável.

O próprio Almost Young passou também por um período, digamos, de maturação com a regravação da bateria e do baixo. Foi fácil encarar este processo havendo já um disco quase pronto?

Lembro-me perfeitamente: nós já tínhamos os baixos, soavam bem, estavam um bocadinho estranhos, mas estavam ok. E eu pensava que não íamos regravar baixo e, no fim de tudo, depois de as baterias estarem feitas, eles viraram-se para mim e disseram: “olha, agora vamos gravar os baixos, ok?” [risos]. Eu tinha entrado há pouco tempo e não estava à espera disso, mas claro que encarei o desafio. Tipo, olha, fixe, vamos ter um álbum em que eu já estou a tocar baixo por isso 'bora'. E atirei-me de cabeça. Fiz e dei o meu melhor. Posso dizer que fiz mais de 100 takes quase para cada música [risos]. Foi uma boa experiência, colocou-me logo muito dentro das músicas. Tive de treinar imenso porque tinha de estar no nível de quem já toca aquilo há muito tempo. Foi um desafio muito fixe! Eu gostei muito e também fiquei muito contente com o resultado. Os baixos ficaram muito bem e o Vítor [Carraca Teixeira] também pegou neles e meteu-os a soar incrivelmente bem. E pronto, teve um final feliz! [risos]

Ia perguntar-te agora sobre o processo de produção, com mão de Vítor Carraca Teixeira. Como foi partilhar o estúdio com o produtor? Quais achas que foram as mais-valias desta colaboração?

Bem, o baixo é a única exceção, penso eu, que dá para gravar em casa. Portanto, eu estou em Leiria, na verdade. Gravei as coisas de Leiria e por isso é que fiz tantos takes, para ter a certeza que lhe estava a mandar uma coisa boa. O Vítor foi muito específico com as cordas, com o baixo e com o ruído que eu não podia ter. Houve ali muito trabalho também que ele teve de me explicar sobre como proceder da melhor maneira. É uma pessoa muito profissional, sabe muito do que faz. Então, essa colaboração foi assim… pronto, como é possível hoje em dia [à distância], não é?

Depois, houve uma música que eu tive de ir gravar a casa dele, a "Suburban Lifestyle Dream". Essa aí foi completamente diferente das outras porque o baixo desse tema é um baixo diferente. O som do meu baixo não estava a resultar muito, então, fui lá a casa e ele emprestou-me um baixo. Fizemos três takes e pronto, está feito [risos]. Foi muito diferente daquilo que eu estava a fazer em casa porque ele pegou em mim e tirou de mim a espontaneidade que queria. Pegou no take e meteu os baixos a soar mesmo muito bem. O Vítor é mesmo muito profissional. Gostei muito de trabalhar com ele, sem dúvida!


Em entrevista ao Espalha-Factos, contaram que o disco não foi pré-planeado, que “foi ganhando forma à medida que foi construído”. Que aprendizagens retiraram deste processo de descoberta e como o caracterizam?

Esse processo de descoberta é assim uma coisa do género: nós olhamos para a música e pensamos “epá, falta aqui qualquer coisa”. E às vezes é preciso tirar partes que se calhar gostávamos ou que umas pessoas gostavam e outras não. É preciso haver muito compromisso e, de facto, às vezes é muito aquela coisa de destruir ou recomeçar para fazer melhor.

Aprendemos bastante, sim, porque nós podemos ser espontâneos e fazer assim as músicas todas assim em cinco minutos – [risos] bem, não podemos, mas tu percebes o que eu quero dizer – e depois não evoluíamos daí. No dia seguinte, acordamos e ficamos “espera aí, o que ficava mesmo melhor era este tipo de bateria ou aqui um pormenor, tipo uma pandeireta ou sei lá” [risos]. Então, acho que esse processo de descoberta é algo que ensina mesmo muito, ajuda-nos bastante a evoluir enquanto músicos, até porque se tivermos de ser espontâneos, depois já sabemos melhor o que fazer também. Portanto, é mesmo muito bom. E, se der, é sempre melhor levar o nosso tempo para fazer as coisas e ter a certeza de que aquilo está o melhor possível.

Neste álbum, os Dream People fazem um ninho entre o shoegaze, o dream pop e o new wave. O que vos trouxe a estas sonoridades? Foi algum tipo de influências de géneros que vocês já ouviam?

É assim: enquanto banda, nós temos um nicho de gostos muito parecidos, mas depois também ouvimos coisas muito diferentes. Então, cada um traz assim o seu input, o seu estilo. O shoegaze é algo que todos nós aceitamos – se calhar não é uma coisa que ouvimos todos os dias, mas é um género que nós respeitamos e que gostamos de tocar. É importante não só gostar de ouvir, mas também gostar de tocar. Portanto, os estilos são aquilo que os membros trazem e os outros aceitam, se é algo que gostamos de tocar e assim. É uma escolha em grupo.

Vêem-se a explorar outros géneros num futuro trabalho?

Sim! O Almost Young não tem assim um género extremamente definido. Nota-se que há ali uma diversão do estilo “eu gostava mesmo de fazer assim uma música e outra assado”. A mensagem é parecida, os elementos são os mesmos a tocar – há essa coerência. Mas quanto ao estilo em si, se fôssemos meter etiquetas em cada música, saíam coisas diferentes; as músicas não estão todas no mesmo saco relativamente ao género. E é mesmo essa a vontade que nós temos e a diversão que nós tiramos de fazer estas coisas. Nos próximos trabalhos, o objetivo é nós concordarmos numa coisa mais bem-definida e ambiciosa, mas, de qualquer maneira, sempre enquanto nos divertimos.


Há alguma banda ou artista com quem gostavam de colaborar num próximo trabalho?

Sim, há! Pessoalmente, gostava mesmo muito de colaborar com músicos de Leiria, como os First Breath After Coma ou os Whales. Também o Left, que é incrível. Mas são tudo sonhos, ainda.

Portugal é, e cito o vosso site, “um país onde ser músico é um ato de coragem ou, talvez, loucura”. Como tem sido a experiência?

Tem sido mesmo isso: uma mistura de coragem e loucura [risos]. Nós estamos a surgir numa altura muito estranha em que as coisas não estão normais e não há concertos, por isso, também não há assim muitas maneiras de um músico ter retorno do trabalho que andou a fazer. Andámos a preparar um álbum durante imenso tempo, lançámos o álbum e não temos concertos para o mostrar, que normalmente é o output principal do trabalho dos músicos. Por isso, temos de fazer isto um bocado com aquela perspetiva de futuro e por gosto. E pronto, isso requer tanto de coragem como de loucura [risos] porque, de facto, estamos muito convictos e cheios de força para trabalhar, a acreditar sempre num futuro melhor.

Como começaste na música? Porque é que escolheste o baixo?

Eu pensava que tinha começado na música aos quatro anos, mas, afinal, comecei com para aí seis meses [risos]. Há aqui uma coisa em Leiria chamada “Concertos Para Bebés” e eu comecei aí. Portanto, nesses concertos, acho que os bebés tocam instrumentos ou, pelo menos, batem as mãos nas guitarras e coisas assim [risos]. Depois, fui para o conservatório, aos quatro anos, aprendi guitarra clássica e saí de lá aos 13. Só que eu queria mesmo era ter uma banda, eu queria era rock n’ roll. Não estava para toda aquela formalidade, apesar de que isso é muito fixe. Não estou a desvalorizar – apenas não queria isso. Eu queria mais soltar-me com um instrumento. Comecei a procurar bandas, mas parecia que toda a gente era guitarrista. Então, clássico [risos]: de guitarra passei para baixo. Não comecei com o baixo logo de início, isso é muito raro de acontecer. Fui para uma banda em que era o vocalista e como já tinha essa parte, não podia ser guitarrista e fui para baixista. A partir daí, comprei o meu primeiro baixo e comecei a tocar e a tocar. Eu sou multi-instrumentista, tenho outro projeto a solo [Cateto] no qual faço mais coisas, portanto, o baixo era sempre aquela coisa de “ok, eu sou baixista naquela banda, sou vocalista e também sei tocar guitarra, por isso bora unir isto tudo”.

O baixo, para mim, sempre foi um instrumento de composição e não aquele instrumento que eu treinava todos os dias e no qual queria ter muita técnica. Não, eu queria era um certo som; eu sabia o som que queria. Mas, depois, quando entrei nos Dream People, claro que o foco mudou e agora estou a dar-lhe forte na técnica para não me enganar tantas vezes [risos]. Porque uma coisa é estar em casa a tocar baixo e poder repetir e fazer mais takes, e outra coisa é estar a tocar ao vivo e não se poder enganar. Portanto, é isso.

Dizia o poeta António Gedeão que “o sonho comanda a vida”. Concordas?

O sonho certamente comanda a minha vida [risos]. Claro que não comanda totalmente porque nós podemos sonhar, mas depois também temos que ter os pés assentes na terra, sobreviver todos os dias, ter pão na mesa para comer e tudo isso. Mas, pronto, o sonho é o combustível ou o motor da vida.

Tens alguma mensagem ou conselho para alguém que esteja a iniciar-se na música ou tenha esse sonho?

Tenho. O segredo é mesmo acreditares em ti próprio e trabalhares muito. Se gostas de música e te faz feliz, se quando estás a fazer música, és feliz e gostas do processo, que é o mais importante, então, dedica-te a isso a 100%. Não vai ser fácil, mas vai valer a pena porque o processo te faz feliz.


Almost Young está disponível nas diversas plataformas de streaming desde 12 de março. Podem escutá-lo em baixo.


+

STREAM: Samuel Martins Coelho - Cura


Ficou disponível hoje, em todas as plataformas digitais e em formato k7, Cura, o segundo disco de originais do violinista Samuel Martins Coelho. O registo será apresentado, ao vivo, num concerto a ter lugar no CCOP, no Porto, próximo dia 12 de maio.

Candura, controlo e gentileza são características do segundo álbum a solo de Samuel Martins Coelho. Descrevem também a reunião simbiótica que conduz entre jazz, clássica/contemporânea e folk/country. Os títulos das canções elucidam sobre a reconciliação com a vida em tempos de pandemia – “Cura”, “Respirar”, “Vento”, “Pele”, ou “Terra” – e o que se ouve nelas sente-se como a tensão e a incerteza de um músico que quer sair e crescer.

A carreira de Samuel passou – até ao momento – por diversos projectos e participações, seja como músico ou compositor: em 2019 acusou a vontade de criar em nome próprio e editar um álbum a solo – Partita Para Violino Solo - com o instrumento que o levou a isto tudo, o violino. Dois anos depois, Cura, a estreia na Lovers & Lollypops, é sinónimo de crescer e conforto, seja com o lado material, o violino e a guitarra que o acompanha, seja com aquele que se pode considerar mais espiritual, o da criação e da autorrealização enquanto compositor. 

Essa é a maravilha da partilha de Cura. Um acto contínuo de descoberta e execução, entre Penguin Cafe Orchestra, Max Richter e Jóhann Jóhannsson, em que o músico usa o isolamento e as convivências – ou falta delas - das restrições, para criar uma linguagem clara que se oiça como música de comunidade. Há bondade e gentileza em todos estes sons. Em “Awakening”, o último tema, Samuel Martins Coelho parece querer dizer que a cura chegou finalmente ao fim. Talvez para si, para nós, ela só agora começou.

+

Império Pacífico viajam até Singapura em novo single


Menos de um ano depois de Exílio, a estreia dos Império Pacífico em longa-duração (e um dos melhores lançamentos de 2020 para a nossa redação), o duo composto por funcionário e trash CAN parte para "Singapura", o primeiro avanço do seu próximo álbum, Flagship.

O tema conta com a participação de Noiva, nos sintetizadores, e Bitrot, nos sintetizadores e variações rítmicas, e continua a jornada do grupo pelos terrenos mais airosos da eletrónica de dança, com divagações new age bem definidas e uma certa ligação ao quarto mundismo de John Hassell. O vídeo que o acompanha, estreado esta quinta-feira no Rimas e Batidas, conta com a participação de Ricardo Lourenço e foi descrito como uma "imagem mental de uma viagem rápida à noite”. Confiram-no em baixo.

Os Império Pacífico formaram-se em 2016, ano em que se estrearam nas edições pela Alienação com o EP 180, seguindo-se uma breve mas proveitosa passagem pela Rotten \ Fresh com o homónimo Império Pacífico, de 2017. O álbum de estreia, Exílio, saiu em junho de 2020 pela Variz e mereceu apresentações ao vivo no festival OUT.FEST, no Barreiro, e na Galeria Zé dos Bois, onde abriram para o destabilizador-pop Yves Tumor.

Flagship é uma colaboração com a Leitura Tropical, que sela este lançamento, e está agendado para sair no próximo dia 7 de maio no Bandcamp e restantes plataformas digitais. A mistura e masterização ficou a cargo de Benjamim Castanheira.


+

Omnichord Outtakes estreia vídeos inéditos de Surma, Cabrita e Jerónimo



Versões e temas inéditos gravados em ambiente intimista, é esta a proposta dos Omnichord Outtakes, série de vídeos a serem lançados ao longo do ano nas plataformas da promotora, editora e produtora Omnichord. A primeira série começa a ser divulgada em abril e propõe três novas formas de ouvirmos e vermos Surma, Jerónimo e Cabrita. O primeiro episódio, lançado hoje, apresenta Surma numa versão especial de "Femme Fatale" dos Velvet Underground.

"Não consigo acrescentar muito mais adjectivos que descrevam a importância desta banda, que marcou (e que continua) a marcar uma geração! Inspira-me a todos os níveis... as letras incríveis, a maneira tão particular de compor e de produzir as suas próprias músicas, não ter medo de arriscar! Todos os dias me inspiro em Velvet! São das minhas bandas preferidas desde muito miúda", relata Surma.

+

The Lizard of Oz estreiam-se nas edições com Electric Ivories

© David Rodrigues

Electric Ivories, é esse o título do disco de estreia de The Lizard of Oz, duo colaborativo que conjuga a  eletrónica de Nuno Moita com as improvisações de piano de David Rodrigues. Assumindo-se como "uma homenagem à influência do piano na história da composição musical", instrumento esse intemporal, Electric Ivories procura, ao longo de mais de 2 horas de música e 16 temas, compreender a estética sonora resultante da fusão da eletrónica refinada e orgânica com as ambiências experimentais do piano.

O primeiro avanço deste disco a ser conhecido foi “Patrícia's Lullaby”, tema que tivemos a honra de estrear no nosso site no passado dia 29, em ocasião do Dia do Piano.

Nuno Moita já não é novo nestas lides de composição, apresentando um vasto percurso artístico, da qual fazem parte os projetos Draftank e Quadrado em Loop, colaborações com Vítor Joaquim e André Gonçalves. Além do seu lado mais criativo, Moita está também interligado à atividade editorial, mais concretamente a editoras de eletrónica experimental. Foi um dos fundadores da Grain of Sound,  por onde promoveu Cinza, projeto multimédia que une fotografia e música eletrónica, e é o dono da Black Hole Time Warp, label responsável pela edição de Electric Ivories.

David Rodrigues, por sua vez, é um verdadeiro aficionado do piano, invocando em obras como Unmerry Christmas e Nightmareveillon "os mesmos instintos sónicos e desvirtuosismo nato de uma criança".

Electric Ivories chegou às plataformas digitais no dia 6 de abril e pode ser escutado na íntegra em baixo.



+

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Bills & Aches & Blues: 4AD celebra 40 anos com nova compilação



A 4AD, histórica editora britânica, completou 40 anos de atividade em 2020. De modo a celebrar a data, o selo fundado por Ivo-Watts Russell no início dos anos 80 convidou 18 dos seus artistas e associados a interpretar um tema, à sua escolha, do passado da 4AD, uma experiência que a editora explica estar enraizado no seu espírito colaborativo.

Bills & Aches & Blues (o título é uma referência ao tema “Cherry-Coloured Funk”, dos escoceses Cocteau Twins) reúne novas e velhas caras da 4AD, que oferecem novos pontos de vista aos clássicos da editora que, mais do que uma sonoridade, traçou uma estética de contornos muito distintos. 

Tkay Maidza, U.S. Girls, Aldous Harding, Dry Cleaning, SOHN e Jenny Hval são alguns dos artistas incluídos neste compêndio, que conferem novos tratamentos aos temas de Pixies, The Birthday Party, Deerhunter, Grimes, This Mortal Coil e Lush.  

Mas é no trabalho das The Breeders, de Kim Deal, que o álbum parece conectar os pontos: Tune-Yards, Bradford Cox (Deerhunter) e Big Thief atiram-se aos tesouros da banda americana, enquanto os Bing & Ruth, do compositor David Moore, se atrevem numa interpretação ambiental de “Gigantic”, uma das poucas canções em que Deal toma as dianteiras dos Pixies. As próprias Breeders, que também integram o alinhamento, interpretam o tema “The Dirt Eaters”, dos contemporâneos His Name is Alive.  

A compilação foi publicada na sua totalidade no último dia 2 de abril e encontra-se disponível nas principais plataformas digitais, com edições físicas em CD e vinil previstas para o próximo dia 23 de julho e uma versão de luxo para o fim do ano.   

O primeiro ano de receitas será doado ao Harmony Project, um programa pós-escolar com sede em Los Angeles que visa ajudar crianças de comunidades e escolas sem acesso equitativo à educação artística e musical.


 

+

The Avalanches celebram 20 anos de Since I Left You com edição especial de luxo

The Avalanches celebram 20 anos de Since I Left You com edição especial do álbum


O icónico álbum de estreia dos Avalanches, Since I Left You, terá direito a uma edição  especial de luxo que celebra o seu 20º aniversário, ocorrido em 2020. O seu lançamento, a cargo da XL Recordings, está agendado para dia 4 de junho.

Since I Left You é conhecido por ser composto por centenas de samples que deram origem a 18 faixas extremamente dinâmicas, divertidas e variadas. Esta nova edição irá incluir entre 13 e 21 faixas bónus, dependendo do formato, a maior parte delas remixes realizados por diversos nomes, de Prince Paul (De La Soul e Handsome Boy Modeling School) a MF DOOM, passando por Deakin (Animal Collective) e Stereolab, entre outros.

Esta edição especial, já disponível para reserva, será editada em vinil, CD e formato digital. O primeiro single, "Since I Left You (Prince Paul Remix)", já pode ser ouvido.

+

"God Is A Girl" é novo single de WolfX


"God Is A Girl" é o novo single de WolfX, aka When The Angels Breathe e David Wolf, vocalista e baixista dos She Pleasures HerSelf e Uni_Form. Este é o terceiro tema a contar para o álbum de estreia Wish, com o selo da norte-americana Cleopatra Records, após "Zombies" e "Traffic". Até ao culminar de Wish, há um vídeo da Moopie Film Company Production para cada tema, sendo que o lançamento do disco é o culminar dos singles todos. 

O novo single vem acompanhado de um novo vídeo, tem assinatura do próprio David Wolf,com Madalena Wolfie, fotografia de David Wolf e Nuno Francisco, que também conhecemos como Exploding Boy, baterista dos She Pleasures HerSelf e Uni_form. Ana Cristina Lopes faz aqui um trabalho exemplar no make-up, num vídeo que conta ainda com a participação de Discórdia aka Bárbara Knox das Suicide Girls

A propósito de "God Is A Girl" falámos com WolfX: "Este vídeo é uma homenagem à Mulher, colocando a Mulher no lugar de Deusa. Retrata o idolatrar de um Deus e o quanto nos faz mal idolatrar algo porque tudo o que amamos demais vira-se contra nós, prendendo-nos aos nossos próprios desejos e obsessões”.


No final de março estivemos à conversa com WolfX. Podem conferi-la aqui.


Artigo por: Lucinda Sebastião

+

Como montar uma tour para uma banda? Este curso ajuda a começar



Arranca em abril de 2021 a primeira edição do projeto Capacitação para a Circulação: Autogestão na Produção Musical, uma ação de formação descentralizada que pretende dotar profissionais e curiosos do mundo da música com ferramentas e conhecimentos cruciais para a marcação de tours e gestão de actuações ao vivo de músicos e bandas. Ao longo de cinco meses, a formação orientada por Márcio Laranjeira (Lovers & Lollypops, Tremor, Milhões de Festa, Arda Academy) vai percorrer nove cidades nacionais com o intuito de abrir algumas janelas de oportunidade dentro de um dos sectores mais afectados pela crise sanitária. Aveiro, Braga, Bragança, Coimbra, Funchal, Lisboa, Ponta Delgada, Viana do Castelo e Viseu são os pontos de paragens de uma iniciativa, que decorrerá num conjunto de espaços incontornáveis no quadro do circuito de música independente portuguesa.

Respondendo ao desafio essencial de capacitar novos profissionais para um melhor entendimento sobre o funcionamento e tempos que marcam a programação dos diferentes circuitos culturais portugueses, esta acção de formação percorrerá, passo-a-passo a produção, promoção e contacto inerentes a qualquer projecto de circulação na área da música. Entender as regras formais e informais de funcionamento do chamado “meio da música”, conhecer os tempos que marcam a programação dos diferentes espaços e eventos que compõem o circuito de actuações ao vivo em Portugal e organizar uma estratégica 360 para os artistas são alguns dos pontos cobertos pela acção. 

Destinada a profissionais, curiosos e aos próprios músicos, a formação Capacitação para a Circulação: Autogestão na Produção Musical terá a duração de três horas e será de acesso gratuito. Os interessados deverão inscrever-se através do seguinte email autogestaoproducaomusical@gmail.com. 

Datas e Locais

24 de Abril, Carmo 81, Viseu
21 de Maio, La Bamba, Ponta Delgada
29 de Maio, Aisca, Viana do Castelo
5 de Junho, gnration, Braga
12 de Junho, Salão Brazil, Coimbra
19 de Junho, Barreirinha, Funchal
26 de Junho, Museu Abade Baçal, Bragança
3 de Julho, Gretua, Aveiro
17 de Julho, Casa do Capitão, Lisboa

Tópicos e Conteúdos temáticos: 

- Promoção e agenciamento de artistas
- Panorama do mercado nacional
- Estratégias para trabalho de notoriedade de artistas 
- Carreira Artística: fases e plano de crescimento / desenvolvimento
- Espaços de Apresentação: especificidades
- Programação e Curadoria 
- Apoios à circulação 
- Boas práticas no trabalho com programadores, curadores, agentes e managers



+

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Cinco Discos, Cinco Críticas #66

Cinco Discos, Cinco Críticas #66


Com o primeiro trimestre de 2021 encerrado, tempo de rever algumas edições que passaram pelo posto de escuta. Em mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas acompanhamos desde o lançamento de artistas mais conceituados, como é o caso de TomahawkLana Del Rey  que editaram, respetivamente, Chemtrails Over the Country Club (Interscope) e Tonic Immobility (Ipecac Records) em março passado;  até a aos projetos de nicho onde podemos encontrar Mouse on Mars - com crítica dedicada a AAI (Thrill Jockey); o segundo LP da dupla francesa Hammershøi - Cathédrales (Swiss Dark Nights) e ainda o projeto português 7777 の天使 (dupla que une Swan Palace e DRVGジラ) e que em fevereiro passado lançou o LP de estreia, Seven Angels (Soul Feeder).

As mencionadas edições seguem acompanhadas abaixo pelos respetivos textos críticos, podendo também ser escutadas na versão digital.


Tomahawk Tonic Immobility | Ipecac Records | março de 2021 

6.5/10 

Conhecido como um dos milhentos projetos do irreverente músico das mil vozes Mike Patton, o supergrupo Tomahawk (que inclui também veteranos de bandas como The Jesus Lizard, Melvins e Helmet) retorna aos registos originais com o seu muito aguardado quinto álbum Tonic Immobility
A excentricidade sonora da banda revela-se em pleno no princípio do álbum com um começo forte demonstrado nas faixas "SHHH!" e "Valentine Shine", que revelam também que a banda ainda sabe mandar riffs que têm tanto de pesados como de gingões, e Mike Patton ainda demonstra uma presença imponente enquanto vocalista e frontman. No entanto, e apesar do Tonic Immobility ser relativamente consistente em termos sonoros, o vigor e o fator-surpresa de outrora que têm caracterizado outros projetos com o cunho de Patton - incluindo álbuns dos próprios Tomahawk como Anonymous e Mit Gas - revelam-se um bocado desbotados neste álbum… como que dando a sensação de déjà-vu em que se ouviu essas músicas antes, só que um bocado mais insípidas desta vez. Com isto não se quer dizer que o álbum não tem os seus destaques, como a "Doomsday Fatigue" com uma propensão de banda-sonora para film noir, o afinco presente no single "Business Casual" ou a pseudo-balada "Sidewinder". Apesar de haver poucos pontos fracos, sendo os casos de "Predators and Scavengers", "Recoil" ou "Dog Eat Dog", esses infelizmente parecem ser mais acentuados em comparação. 
Tonic Immobility não irá alienar por aí além os fãs mais acérrimos, mas é decerto um álbum cheio de highs and lows
Ruben Leite




Lana Del Rey - Chemtrails Over the Country Club | Interscope | março de 2021 

7.0/10 

Chemtrails Over the Country Club é o sétimo álbum de Lana del Rey. Neste lançamento, a artista estadunidense viu nas suas mãos o dificílimo trabalho de editar algo equiparável ao antecessor, Norman Fucking Rockwell!, que muitos consideram o melhor trabalho da sua autoria até à data. Ora, para que tal tarefa fosse exequível, Lana decidiu manter Jack Antonoff como seu produtor e jogar um pouco pelo seguro. Vemos neste sétimo álbum uma instrumentalização de soft rock sonhadora e fantasiosa, tal como em Norman Fucking Rockwell!. Contudo, Lana tentou também adotar um pouco das sonoridades vistas em álbuns como Honeymoon, de forma a tentar casar a instrumentalização com a sua lírica nostálgica, introspetiva quanto a temas como o pré/pós dama e fantasias tradicionais americanas. Com esse casamento, Lana tenta tornar a experiência mais íntima, sem se afastar muito das ondas do álbum antecessor. 
Apesar de todas as experiências químicas entre diferentes fases da sua discografia, Lana Del Rey ficou aquém do que conseguiu atingir em Norman Fucking Rockwell!. Continuou uma experiência louvável, com pontos imensamente fortes como a faixa-título ou "Breaking Up Slowly", tendo Jack Antonoff também um grande crédito pela sua produção e pela esmagadora maioria dos instrumentais do álbum. 
No entanto, apesar de todos os prós, continua a tratar-se de uma queda razoavelmente grande para com o álbum anterior, fazendo Lana voltar ao mesmo status que em álbuns como Born to Die ou Honeymoon: a experiência foi agradável, mas não chega ao ponto de poder dizer que irei voltar a ouvir o álbum de uma ponta à outra. 
João Pedro Antunes 




Mouse on Mars AAI | Thrill Jockey | fevereiro de 2021 

7.9/10 

O duo Mouse on Mars, frequentemente acompanhado pelo percussionista Dodo NKishi, tem deixado a sua marca no panorama da IDM desde os anos 90. Com o novo álbum AAI, Anarchic Artificial Intelligence, apresentam-nos o seu trabalho mais conceptual e narrativo. Entre polirritmias dançáveis, samples que poderíamos encontrar em música industrial e diversos sintetizadores, é contada a história da evolução de uma inteligência artificial que se expressa através da fala. A banda vê a tecnologia e as I.A.'s como colaboradoras da humanidade no seu desenvolvimento e é exatamente essa a relação que existiu na criação do disco. As vozes ouvidas em cada faixa têm origem num software que permite a modelação e edição de texto e voz, fornecidas por Louis Chude-Sokei e Yağmur Uçkunkaya
Em faixas IDM com ritmos repetitivos ou ambientes glitchy, as vozes aparecem como narradoras e como instrumentos, distorcidas e manipuladas. Esta transformação de sons que nos são familiares em algo quase alienígena leva-nos para um espaço entre o natural e o artificial que contém um enorme potencial para sons únicos e inesperados. É um campo explorado por Holly Herndon no seu álbum PROTO, onde vozes humanas são acompanhadas pelo canto de uma inteligência artificial, ou Cristobal Tapia de Veer, cujas manipulações de samples vocais têm resultados muito característicos e ocasionalmente sinistros pela sua estranheza. 
Há um pequeno conjunto de músicas que peca pela incorporação da voz não ser especialmente agradável ou criativa, havendo, por exemplo, repetições de sons que se podem tornar incomodativos, mas esta é geralmente harmoniosa. AAI é um álbum que merece toda a atenção de quem procura música eletrónica de carácter experimental, unindo narrativas e questões atuais a música criativa e bem executada.
Rui Santos 




Hammershøi Cathédrales | Swiss Dark Nights | março de 2021 

8.0/10 

Apaixonados pelas caixas de ritmos e sintetizadores em voga nos 80’s, em menos de um ano Anne Dig e Ben Montes - a dupla que dá corpo aos Hammershøi - contrariaram as tendências do mercado e movimentaram-se criativamente por forma a esculpirem dois discos longa duração em pleno período pandémico. Depois da surpreendente estreia com o homónimo Hammershøi, em Cathédrales a dupla volta a evidenciar a sua veia divertida de imersão instantânea, através de nove temas inéditos desenhados para as pistas de dança. 
A música é dançante e marcial, as letras pessoais e intransigentes, prontas para conduzir a um forte período de introspeção, que é o tema principal deste Cathédrales. Do novo álbum nascem também novos hits que aqui se podem encontrar em temas como o convite de inauguração "Je Te Vois", num EBM vincado, ou o estimulante "PTMH", feito para se repetir em loop. Destaque igualmente para temas como o revivalista "Ich hatte einen Freund", o psicótico "Helás!", o hiperativo "Maria S" e a belíssima balada de despedida "Dédales" que apresenta uma das melodias mais bonitas deste Cathédrales e afirma a máquina sonora dos Hammershøi como um produto de consumo prospetivo
Sempre minimais na abordagem é no contraste vocal que os Hammershøi ganham mais brilho. Se, por um lado Anne Dig contagia ouvintes com a sua aura ativamente sedutora, por outro, Ben Montes prende-nos entre correntes com a sua voz militar e autoritária. O resultado é uma mistura aditiva entre techno, EBM, darkwave numa onda minimal sintetizada e expressionista. 
Sónia Felizardo




7777 の天使 - Seven Angels | Soul Feeder | fevereiro de 2021

8.0/10

Através de dois deliciosos tratados de eletrónicas contundentes, os EP's Ski Mask Angels (2019) e Bruised Grills Eternal Tears (2020), os 7777 の天使 analisaram cuidadosamente as várias extremidades da música de dança. A estreia em longa-duração, editada em fevereiro pela plataforma digital Soul Feeder, aponta para outras coordenadas: Seven Angels segue um registo mais convencional de canção, com fundações na voz, na guitarra e na bateria, mas não descura dos ocasionais devaneios gabber que compõem os lançamentos anteriores. 
Depois de uma breve intro feita de sinos, vozes e texturas digitais, "Mask Emoji" dá lugar a uma nebulosa trama de acordes de guitarra, enquanto o que parece ser uma bateria acústica determina, à distância, o compasso para um dos momentos mais explosivos do disco, as vozes de DRVGジラ e Swan Palace a atingir níveis próximos da catarse. Este é, aliás, um dos pontos que melhor define este lançamento: a voz como elemento basilar de composição. Ao contrário dos anteriores EPs, que faziam uso de coros e diálogos retirados de séries de animação, Seven Angels inclui as vozes (ainda que adulterada) do duo em todas as suas faixas. As letras são curtas, inocentes, por vezes imperceptíveis, mas proferem humanidade a um corpo outrora alienígena. 
O álbum fecha com uma nota mais saudosista, o clique do gravador escutado nos metros iniciais de "Nose Ring Memories" a remeter para tempos em que tudo parecia ser mais simples. É também o tema mais despido do duo até à data, encerrando o álbum com um momento de candura adolescente. Afinal, os anjos também têm sentimentos.
Filipe Costa


+

terça-feira, 6 de abril de 2021

Ellen Arkbro estreia-se em Portugal com três concertos no Porto e em Lisboa



É umas das mais promissoras compositoras de hoje e apresenta-se este mês em Portugal para três concertos: Ellen Arkbro atuará no Porto a 24 e 28 de abril – em Serralves, primeiro e na Igreja de Cedofeita, depois – e em Lisboa, a 29, no Teatro do Bairro Alto.

Faz parte de uma geração notável de músicos e compositores com estreitas ligações ao panorama da música experimental de Estocolmo, nomeadamente o Elektronmusikstudion (EMS), o Fylkingen e o Royal College of Music, onde Arkbro se formou, e que tem em Kali Malone, Caterina Barbieri, Mats Erlandsson ou Maria w Horn alguns dos seus maiores representantes. 

O seu álbum de estreia a solo, magistral obra para orgão e sopros, recebeu o selo da editora inglesa Subtext e mereceu a atenção da revista de música experimental britânica The Wire, que o incluiu na lista de melhores lançamentos de 2017. No mais recente Chords, de 2019, Arkbro recorre à síntese digital para expandir as capacidades tonais dos instrumentos acústicos.

É precisamente o último, com foque maior nas guitarras, que Arkbro apresentará nos concertos de Serralves e do Teatro Bairro Alto. Na Igreja de Cedofeita, apresentará uma peça para trio de metais, incluída no primeiro álbum, e um novo trabalho para órgão. 

Os bilhetes para os concertos no Porto possuem o valor de 7,5€. Já em Lisboa, os preços variam entre 3€ e 12€.




+

Kali Malone, Casper Clausen e Rafael Toral no regresso à atividade do gnration


A programação cultural do gnration regressa entre abril e junho e inclui, entre outras propostas, a nova exposição da cineasta Salomé Lamas, a celebração dos oito anos do espaço e a estreia em palco da colaboração entre os percussionistas João Pais Filipe e Pedro Melo Alves. A reposição dos concertos de Casper Clausen e Kali Malone, cancelados devido à pandemia, e a apresentação do Rafael Toral Space Quartet são outros destaques do programa.

As portas do gnration reabrem ao público já esta terça-feira: durante esta semana, e até sábado, será ainda possível visitar na galeria gnration a instalação “The Stage is (a)live”, da artista portuguesa Joana Chicau com o artista norte-americano Renick Bell. Também na galeria gnration, de 17 abril a 30 de junho, poderá ser vista “Invasor Abstracto #3”, exposição coletiva apresentada por membros do coletivo OssoJá na outra galeria do espaço, a galeria INL, Salomé Lamas apresenta uma nova exposição desenvolvida no âmbito do Scale Travels. Até 29 de maio, a cineasta e artista portuguesa dará a conhecer “Gaia”, trabalho resultante de residência artística onde apresentará duas peças.

No programa de música, o gnration dará a conhecer Arcos, o novo disco do compositor português Marco Franco, em concerto agendado para 23 de abril às 21:15. Também a esta hora, a 30 de abril, Chão Maior, ou a super formação composta por Yaw Tembe (composição, trompete), Norberto Lobo (guitarra), Ricardo Martins (bateria), Leonor Arnaut (voz), João Almeida (trompete) e Yuri Antunes (trombone), apresentam Drawing Circles,  disco de estreia que a pandemia impediu de apresentar ao vivo em fevereiro. 

A 7, 8 e 9 de maio, o gnration comemora oito anos de atividade com um programa híbrido – dividido entre o espaço físico e o online – de concertos, conversas, documentários e performances filmadas. 

Casper Clausen, a voz dos dinamarqueses Efterklang e Liima, regressa ao espaço onde esteve pela última vez em janeiro, em residência artística, para apresentar a Better Way, a estreia do artista em longa-duração. O concerto, que iria acontecer a 16 de janeiro, passa a estar agendado para o dia 9 de maio. A 22 desse mês, é a vez de Rafael Toral Space Quartet, quarteto liderado pelo músico Rafael Toral (feedback eletrónico) e composto por Hugo Antunes (contrabaixo), Nuno Mourão (bateria) e Nuno Torres (saxofone alto). 

A 2 de junho, dois dos mais reputados bateristas e percussionistas portugueses estreiam no palco da Blackbox uma nova colaboração. João Pais Filipe e Pedro Melo Alves propõem uma exploração complexa da percussão, partilhando um set híbrido de peles, pratos e gongos. A 9 de junho, os bracarenses Omie Wise dão a conhecer Wind and Blue, o mais recente álbum do grupo desenvolvido no âmbito do programa de apoio à criação artística local Trabalho da Casa.

A fechar o programa de música para o trimestre, e depois de três adiamentos sucessivos, Kali Malone tem nova data para visitar Braga. A 19 de junho, às 18:00 (nova hora), a compositora norte-americana apresentar-se-á ao público em espetáculo já esgotado. 



+

segunda-feira, 5 de abril de 2021

"Nesga de Sol" é o novo single que junta gohu e Tainá


Estreou na passada sexta-feira o novo single de Gohu, "Nesga de Sol", que conta com a participação de Tainá, e que é um verdadeiro postal da cidade de Lisboa. 

Lá no Brasil está o português Gohu, heterónimo artístico do publicitário premiado mundialmente, Hugo Veiga. Gohu, que há quase precisamente um ano lançou o seu primeiro single, que já conta com mais de 200 000 visualizações, e que foi considerado um "grito de alento" pelo jornal Público, o "hino da quarentena" pela MTV, destacado no encerramento do Jornal da Noite da SIC, e nas mais diversas rádios nacionais.

Cá em Portugal, a brasileira Tainá, recém participante do Festival da Canção, artista já bem conhecida no panorama nacional, premiada nos Prémios Play, que já conta com atuações em alguns dos maiores festivais de Verão, e que já conta com o álbum homónimo, estreado em 20219, que conquistou e continua a conquistar o público. Neste momento apresenta-o num formato audiovisual (lançando vídeos todos os meses, até julho), e com recurso ao violão, no seu novo projeto - Pachamama.

Gohu e Tainá, encontraram-se numa esquina da internet para interpretar este single, que fala de uma Primavera pós-enfermo, do poder regenerador dos encontros sociais e do sol. Com a doçura de Tainá e a travessura de gohu, "Nesga de Sol" é um abraço transatlântico. 

+

domingo, 4 de abril de 2021

Neila Invo lançam vídeo do single de estreia "Murder's Prayer"

 

Neila Invo é uma banda darkwave de Nápoles composta por Elletra, Valeria e Claudia, criada em 2019.  A ideia partiu de Elettra (vocals e letras) e Valeria (baixo). Um ano depois, Claudia, já conhecida pela sua atividade nos Ash Code, junta-se à banda nos teclados. A partir desse momento têm vindo a aprimorar todo um trabalho experimental até chegar a uma sonoridade que começa a tomar forma: uma mistura de sintetizadores frios, um baixo profundo e uma voz sideral. No passado dia 2 de abril lançaram o vídeo tema do seu primeiro single "Murder's Prayer". 

A letra é inspirada num sonho de Elettra, onde um serial killer lhe conta sobre a sua primeira "caçada". "Murder's Prayer" surge como a libertação de uma espécie de voz interior, que o incitava a cometer tais atos. 

O vídeo da música, que foi dirigido por Elio De Filippo, com  fotografia de Jessica Squillante, não tem a intenção de seguir o conteúdo da letra, mas é inspirado no nome da banda, que encontra um alienígena na floresta e tenta salvar. A banda pretendeu torná-lo numa espécie de filme amador dos anos 90. 

Roberto Amato dos Geométric Vision, foi o responsável pela mistura da música,  masterizada por Francesco Giuliano (Hive Music). 

O single "Murder's Prayer" encontra-se disponível para compra no Bandcamp de Neila Invo.




*****

Neila Invo is a darkwave band from Naples born in 2019 from an idea of Elettra (vocals and lyrics) and Valeria (bass). A year later, Claudia, already active in the well-known band Ash Code, joins the band at keyboards. From this moment even the minimal experiments are being improved and their current sound – a mix of cold synths, a deep bass and a sidereal voice – starts to take form.

The lyrics of "Murder's Prayer" are inspired by a dream of Elettra (singer), where a serial killer told her about his first "hunt". By "Murder's Prayer" she meant a kind of inner voice, which urged him to perform such acts.

The video of the song, directed by Elio De Filippo with the photography of Jessica Squillante, doesn’t want to follow the content of the text, but it’s inspired by the name of the band. In fact, here they meet a weakened alien in the woods and try to save him. The band didn't want it to look too serious, but would rather make it like a 90s amateur movie.

The song was mixed by Roberto Amato (Geometric Vision) and mastered by Francesco Giuliano (Hive Music).

The single "Murder's Prayer" is available for purchase at Neila Invo's Bandcamp.

+

Trafaria: As narrativas eletrónicas de URB


URB é o projeto de música eletrónica de Miguel Urbano. Com atividade regular entre 2004 e 2007, editou durante este período 2 EP’s e o álbum U_End, com selo da Enough Records, tendo ainda participado em várias coletâneas da editora Thisco Records

Após a licenciatura em Música Eletrónica pela Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco, onde leciona desde 2012, integrou a equipa da Digitópia da Casa da Música, onde participou em inúmeros concertos com o ensemble de música eletrónica Digitópia Collective

Além da sua atividade como músico e produtor em vários projectos musicais, Miguel Urbano tem-se dedicado nos últimos anos ao sound design para filmes e instalações sonoras, através da Ergonoise, empresa de produção musical e sound design, da qual é co-fundador. 

Lançado no inicio de 2021, Trafaria é o seu mais recente EP com influências que vão desde a música ambiental ao Intelligent Dance Music (IDM). Neste trabalho, URB descarta o uso do computador num exercício de performance direta com as máquinas e sintetizadores, misturando assim a sua história como músico e sound designer numa viagem introspetiva.

O videoclip do tema "Intromissão" está disponível para visualização no YouTube, podendo o tema ser escutado e adquirido em outras plataformas digitais (Spotify, Soundcloud, Bandcamp e redes sociais Instagram e Facebook).


+

STREAM: Veil Of Light - Landslide

STREAM: Veil Of Light - Landslide


Estávamos em fevereiro quando a dupla suíça Veil Of Light anunciou o seu retorno às edições de estúdio com Landslide, o terceiro disco de originais. O novo trabalho, que chega às prateleiras dois anos depois de Inflict (Avant Records, 2019) aporta dez novos temas (ao contrário das habituais oito a que nos habituaram) sendo criado através de um equilíbrio astuto entre as atmosferas íntimas inspiradas na coldwave e as melodias cativantes da synthpop. Segundo a nota de imprensa, este é um disco que mostra clara as influências do projeto com junções que incluem as linhas sonoras de New Order e The Klinik numa abordagem eletrónica mais suave. Mais pessoais que outrora os Veil Of Light apresentam-nos um disco melodioso e cativante para se fazer ouvir alto nas tardes solarengas que hão de vir.

Deste novo Landslide já tinham anteriormente sido revelados os temas "The Prayer Wheel" - a mostrar todo um iluminismo dos sintetizadores, numa personalidade conquistadora -; o EBM de traços ligeiros intitulado "Love and Money" e ainda a balada clássica "Suburban War". Além dos mencionados, destaque ainda para o sonhador "Landslide", o motivador "No Return" e ainda o ritmado e psicologicamente denso "Circling Thoughts". O novo disco pode descobrir-se na íntegra abaixo.

Landslide foi editado no passado dia 2 de abril em formato digital e vinil pelo selo italiano Avant! Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


+