sábado, 1 de maio de 2021

Kings of Convenience atuam nos coliseus em 2022


Os Kings of Convenience vão regressar a Portugal para dois concertos em 2022. A dupla norueguesa atua no Coliseu do Porto a 16 de maio e no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, a 18 de maio.

O grupo, que já atuou por sete vezes em Portugal (o último concerto foi em 2012, na primeira edição do então Optimus Primavera Sound, no Porto), traz consigo um novo álbum: Peace and Love, o primeiro em 12 anos, está agendado para sair no dia 18 de junho e o seu primeiro avanço, "Rocky Trail", já foi revelado. O álbum sucede o último Declaration of Dependence, de 2009, e foi gravado ao longo de cinco anos em cinco cidades diferentes. 

Formados em 1999, os Kings of Convenience são o projeto de Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe. Quiet Is The New Loud, a estreia do grupo em longa-duração, chegou em 2001 e mereceu  novos tratamentos por parte de Röyksopp, Four Tet ou Andy Votel que, nesse mesmo ano, integraram o alinhamento do álbum de remisturas VersusRiot On An Empty Street, o mais aclamado trabalho da dupla, foi lançado em 2004 e contou com a participação de Feist no tema “I’d Rather Dance With You”.

Os bilhetes para os concertos estão disponíveis para compra a partir da próxima sexta-feira, a preços que  variam entre os 25 e os 40 euros.


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sexta-feira, 30 de abril de 2021

Dalhous quebram silêncio de 5 anos com segundo volume de 'The Composite Moods Collection'


Os escoceses Dalhous estão de regresso com o segundo volume da série The Composite Moods Collection. Point Blank Range saiu esta sexta-feira pela editora alemã Denovali e sucede o anterior volume House Number 44, de 2016.  

Quase uma década após o lançamento de An Ambassador for Laing, que assinalou a estreia do grupo pela extinta Blackest Ever Black, a dupla de Alex Ander e Marc Dall reinterpreta a narrativa estabelecida através de “um olhar inverso para os procedimentos”, lê-se nas notas de lançamento. “Do ponto de vista da doença, a perspectiva está agora virada do avesso, revelando um relato alternativo do olhar do sujeito fotografado em House Number 44”.   

Point Blank Range quebra um silêncio criativo de cinco anos e traz um conjunto de 14 peças eletrónicas reminescentes das trilhas sonora dos filmes de terror alemães e italianos das décadas de 70 e 80. 

O álbum encontra-se disponível nas várias plataformas digitais e pode ser adquirido no seu formato físico, em CD e vinil duplo, no sítio oficial da Denovali.


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Perpétua em entrevista: "Há sempre muita aprendizagem e partilha aqui na banda"

Fotografia de Sofia Teixeira

Primeiro, mostraram a sua "Condição" e, depois, disseram não mais ser preciso Esperar Pra Ver de que são feitos. De Aveiro, chegam Perpétua, uma banda indie emergente que, tal como a água que flui livremente pela cidade dos canais, também ela corre sem amarras entre várias sonoridades. Flutuam do disco para o pop alternativo e do shoegaze e do dreampop vão de encontro ao rock, procurando cruzá-los com a língua portuguesa, num processo que tanto tem de reminiscência de legados, como de rumo ao inexplorado.

No baú, há também espaço para baladas. Dizem-se ainda à descoberta de si mas, embora não saibam onde fica o X do mapa, sabem bem que o caminho se faz pela versatilidade e o amor à música. A lírica canta "experiências normais e mundanas", esbatendo contornos, reais ou surreais, de aguarelas pintadas pelo "conforto, o crescimento e a perda", segundo contam em nota enviada às redações.

O tom é sempre "melancólico e nostálgico, mas esperançoso e expectante". Por ora, as águas são turvas e ainda não se sabe bem quando haverá concertos à vista. Mas houve já oportunidade para uma primeira brisa de contacto com os palcos, no Festival 23 Milhas de Ílhavo, que recordarão para a vida. Entre as salinas de Aveiro e a doçura deste "esforço de germinação", os Perpétua florescem pela voz e as teclas de Beatriz Capote, aliada à guitarra de Diogo Rocha, bem como a bateria de Rúben Teixeira e o baixo de Xumiga, que também fazem os vocais.

Nos Perpétua, convergem influências, percursos e sonhos vários, alguns dos quais o guitarrista Diogo Rocha desvenda em entrevista à Threshold Magazine.

Assim para começar, como é que soubeste que querias fazer vida da música?

Bem, eu desde novo que me lembro de, nas viagens de carro ou mesmo cá em casa, estar sempre rodeado de música. O gosto foi acabando por acontecer dessa forma. Depois, também quis aprender a tocar um instrumento desde muito novinho e foi muito por aí. Mantive-me sempre por perto da música e a música perto de mim... E gostaria de fazer vida dela um dia, mas para já não é essa a prioridade, é irmos fazendo as nossas coisas, lançando os nossos discos e ver no que dá.

Sempre quiseste tocar guitarra?

Eu quando queria aprender um instrumento era o baixo, muito por causa do Roger Waters dos Pink Floyd. Quando era mais novo adorava aquilo e queria muito tocar baixo. Aconselharam-me a começar pela guitarra e depois fazer a transição para o baixo, mas acabei por nunca largar a guitarra.

Achas que um dia destes ainda te aventuras com o baixo?

Muito dificilmente. Como um complemento só.

Queres contar-nos quem são os Perpétua? Como se conheceram?

Nós começámos em 2019. Depois de algumas conversas, decidimos começar e já tínhamos a ideia de fazer um som debaixo daquilo a que normalmente se chama o indie, por assim dizer, ou pop alternativa. Várias referências que temos em comum são, por exemplo, o disco - uns grooves mais de disco - e também o dream pop, com bandas como Slowdive. São estilos, apesar de tudo, bastante estrangeiros, digamos, ou importados, não é? Nós com a decisão de querermos cantar em português também queríamos fazer esse cruzamento: trazer esses estilos para o universo da língua portuguesa que nós conhecemos e também cruzá-los com a tradição da herança ou da pop da música portuguesa dos anos 80. É neste cruzamento que nós nos encontramos, para já.

O Esperar Pra Ver é precisamente um reflexo disso; é um disco que passa por inúmeras sonoridades. É importante para a banda explorar diferentes géneros?

À partida, nós só definimos que íamos tocar o indie - que, só por si, é muito abrangente. Tudo o resto, essas vertentes por que passamos no álbum, desde o disco nos primeiros minutos ao dream pop ou ao pop alternativo, surgiram de uma forma bastante natural. Depois, algumas músicas saíram um bocado mais disco e outras um bocado mais... etéreas, por assim dizer. E foi também talvez pelo facto de ainda estarmos à procura da nossa identidade. Somos quatro pessoas a fazer música juntos pela primeira vez com referências diferentes e, por isso, é normal sair assim um trabalho bastante heterogéneo.

Não nos forçámos a fazer só um estilo de música nem nos esforçámos para que fosse assim tão diferente - simplesmente aconteceu, foi orgânico e nós gostamos dessa versatilidade. E acho que pode ser um bom presságio porque estamos ainda a descobrir quem somos. Não sei se vai ser assim no futuro, se vamos explorar outras coisas, mas, para já, é assim nesta flexibildiade que nós nos orientamos.

Tens alguma música favorita entre todas as do álbum?

Essa é sempre aquela pergunta com rasteira para uma pessoa da banda, não é? [risos]

Por acaso não [risos], é só mesmo uma curiosidade.

Eu gosto muito da primeira, "Perdi A Cor", e da segunda, "Manhãs Longas". Por acaso são as que têm assim uma onda um bocado mais disco. Não sei se é por eu andar particularmente dentro desse universo, atualmente... Também posso falar pelos outros da banda, por exemplo: o Ruben gosta muito da "Dores de Cabeça", a balada do álbum. A Beatriz acho que partilha comigo a "Perdi a Cor" e o Xavier gosta da "Grilos", que é uma das tais que se move no dream pop ou no new wave, por assim dizer.



Como funcionou o processo criativo desta estreia? Foi complicado ou achas que houve uma certa química a nível de colaboração musical?

Nós quando estivemos a compôr sempre foi uma coisa bastante democrática: não há só uma cabeça a pensar e nenhum dos outros tem pudor em dizer o que acha quando estamos a criar. Nós sempre funcionámos muito no formato de estúdio em vez de funcionar no formato de jam, que é bastante mais comum, por norma, nas bandas. Ou seja, alguém apresentava uma ideia - um riff de guitarra, uma malha de baixo ou às vezes até uma letra ou só uma melodia - e começávamos a trabalhá-la logo em estúdio, a fazer maquetes, a experimentar sonoridades, instrumentação e coisas do género. Nesse aspeto, o processo criativo beneficiou bastante da pandemia até, porque o facto de sermos obrigados a estar em casa permitiu-nos dedicar mais tempo a este trabalho de criação e de experimentação na composição das músicas. Se calhar, se funcionássemos em formato jam não podíamos ensaiar juntos e nem sequer podíamos compôr o álbum com tanta urgência, diga-se assim.

Levas alguma aprendizagem da produção deste disco?

Nós aprendemos sempre, não é? Eu aprendo muito com eles e creio que eles também aprendem comigo. Relativamente à questão musical, eu, por acaso, falo com prioridade porque fui eu que desafiei o resto da malta a criar a banda. Também os escolhi porque sabia que eles eram bons e sabia, à partida, que eram melhores que eu e também aprendo qualquer coisa de música com eles [risos].
Mas mesmo no processo de produção... O álbum é produzido por nós, foi gravado, misturado e masterizado por nós. Foram o Ruben e o Xavier que estiveram mais ao leme nessa etapa e nesse aspeto também aprendi muito com eles porque eles são mais interessados pela produção e pela pós-produção do disco e ajudaram bastante.
Mas é como te disse há pouco: nós somos quatro com referências muito diferentes e o todo é sempre mais do que a soma das partes, não é? Então, nós ainda estamos assim um bocadinho a descobrir quem é que somos, quem é que eu sou no contexto da banda e quem é que eles são no contexto da banda, quem é que a banda num todo, por assim dizer. Há sempre muita aprendizagem e muita partilha aqui nos Perpétua.

Guardas alguma memória em especial? Uma aventura que a banda tenha tido ao gravar os videoclips ou algo do género, por exemplo.

Olha, gravar o videoclip da "Condição" - que é o único que lançámos, apesar de já termos outro na calha. Aquilo foi nas salinas de Aveiro, foi muito giro: andámos por lá descalços e escorregávamos às vezes no lodo e picávamo-nos no sal. Foi muito engraçado. Mas pronto, isso é daquelas coisas que só vendo [risos].

Para já, o nosso percurso ainda é muito curto, mas as memórias que guardo com mais carinho são de quando acabámos precisamente de compor a primeira música. Estas primeiras coisas na nossa vida às vezes são muito importantes: a primeira vez que ensaiámos, a primeira vez que acabámos uma música. Porque após tantos meses a falar que íamos fazer uma banda nova, depois de ensaiarmos uma ou duas vezes, quando a primeira música fica pronta, é quase como um consumar da coisa, não é? E, mais tarde, o nosso concerto de apresentação. Tivemos o prazer de fazer a primeira parte do André Henriques na Fábrica das Ideias da Gafanha da Nazaré, que foi a primeira vez que subimos os quatro juntos a palco, estávamos muito ansiosos todos e foi super gratificante. Vou lembrar-me certamente disso para o futuro.


Fotografia por Bernardo Limas

Quão complicado é organizar uma estreia no meio de uma pandemia mundial? Como têm gerido as expectativas?

Bem, o álbum saiu agora no fim do março. Eu ia dizer que já estamos quase no fim, mas não quero arriscar-me a dizer isso para já. Quanto ao primeiro concerto, tivemos a oportunidade de ter uma boa estrutura, a estrutura local que apoia aqui os músicos, que é o 23 Milhas. A área de programação da Câmara Municipal de Ílhavo apoia bastante os artistas locais e, nesse sentido, temos muita sorte em estarmos inseridos neste Munícipio e ter esta ajuda. Se não fosse por eles, certamente não tínhamos tido a oportunidade de fazer o concerto, que foi em novembro, porque grande parte das salas até estavam fechadas. Mas, também, depois de estarmos tanto tempo fechados em estúdio só a compor, tínhamos era muita vontade de tocar, muita vontade de por as coisas cá fora. Já tínhamos posto um single em setembro e queríamos era mostrar-nos. A reação das pessoas também está a ser boa. Talvez o facto de estarem em casa pode motivar a ter interesse em descobrir coisas novas e ouvir o disco.

Assusta-te fazer parte de uma banda emergente perante o atual contexto do setor da cultura?

Bem, isso é uma pergunta com vários pontos. Se eu vivesse da música ou se planeasse viver da música a curto prazo estaria muito preocupado, como toda a gente. Imagino a insegurança que os trabalhadores da cultura estejam a passar. Para mim, não tanto. Se calhar para o Ruben ou para o Xavier, que são efetivamente músicos profissionais. Mas ainda surge um bocado como um hobby, vamos colhendo os frutos aos poucos sem a obrigatoriedade de ter não sei quantos quilos ao fim do mês, percebes? Eu estou a viver esta incerteza com alguma preocupação certamente, mas com expectativa e alguma esperança de que isto possa melhorar e ver o que é que os Perpétua podem dar.

Tens algum palco ou colaboração de sonho?

Cá em Portugal, nós gostávamos muito de tocar no Paredes de Coura. Tenho uma piada, que não é piada, mas eu sempre tive de trabalhar no verão, fazer aqueles part-times de estudantes e nunca pude ir ao festival Paredes de Coura, um festival ao qual já gostava de ir há muito tempo. Então, agora quando fiz Perpétua, disse: "epá, se ainda não fui até agora, a primeira vez que eu for ao Paredes de Coura é quando tocar". Então, tenho essa quase promessa feita a mim próprio que só vou a esse festival quando nos convidarem para ir lá tocar. Esperamos que possa acontecer, adorávamos tocar lá. Acho que encaixávamos bem. Mas, para já, como ainda só pisámos um palco, qualquer palco é um palco de sonho, neste momento, não é? Também com esta incerteza e retomando a pergunta anterior, qualquer palco neste momento é um palco de sonho e, tendo em conta que nós cantamos em português, tendemos a olhar mais para o nosso circuito e nunca muito lá para fora. Não posso falar de palcos estrangeiros porque já sabemos a internacionalização para bandas portuguesas é muito complicada, especialmente se cantarem em português. Mas, em Portugal, o Paredes de Coura é uma referência e também adorávamos tocar no Bons Sons - achamos um festival super giro e acolhedor. Principalmente estes dois.

Já há alguma ideia alinhavada para o sucessor de Esperar Pra Ver ou vão passar assim mais por um processo de reflexão?

Já temos algumas ideias em que podemos pegar para começar a compor o disco [seguinte], mas também queremos ver a receção, como é que as pessoas recebem o disco. Acho que é um misto: nós vamos refletindo sempre à medida que vamos caminhando, não há aqui nenhuma pausa para meditação, por assim dizer. Este processo de criação e de composição é sempre ao mesmo tempo de reflexão e de instrospeção. Para já, estamos mais focados em apresentar o álbum e em promovê-lo, em tocá-lo. Mas já estamos certamente a pensar num sucessor e de que maneira pode surgir.

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SHANGE x LANIAKEA lançam Nothing for There Beyond

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Depois do sucesso do single "headspace REMIXED", SHANGE volta a partilhar o seu mundo com LANIAKEA, mas desta vez para dois temas originais. Nothing For There Beyond é o mais recente projecto que resulta da colaboração entre o multi-instrumentista SHANGE com LANIAKEA. “NFTB01" e "NFTB02", são os dois temas que compõem este EP em que a gravação, produção e masterização ficou a cargo dos seus criadores. 

Uma mistura que foi capaz de juntar o conforto encontrado numa estética IDM com um rasgado perfil pelo caminho do techno. Esta melódica viagem é iniciada por SHANGE, onde revivemos sonoridades características dos singles “EMBRYO” e “HEADSPACE”, e explode com a distinta força heavy e techno de LANIAKEA. O master é da responsabilidade de João Rodrigues no Tema Mastering e o artwork de Marcelo Pestana.

Poderão ouvir Nothing for There Beyond em baixo.

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quinta-feira, 29 de abril de 2021

B Fachada, JP Coimbra ou :PAPERCUTZ no Theatro Circo até junho


No ano em que celebra 106 anos de existência, o Theatro Circo, em Braga, anunciou a agenda de concertos que apresentará entre os próximos meses de abril e junho.

Esta sexta-feira, dia 30 de abril, Cláudia Pascoal apresenta o seu álbum de estreia !, "um disco livre e descomplicado, em que coexistem sem dificuldades vários aspetos da sua personalidade". A 15 de maio, os Gator The Aligator sobem ao palco da sala bracarense para apresentar a "ópera rock" indomável de Mythical Super Bubble, o segundo álbum da banda de Barcelos. Depois de ter visto o seu concerto cancelado, por motivos de pandemia, B Fachada regressa ao Theatro Circo no dia 29 de maio para apresentar o último Rapazes e Raposas, que assinalou o fim de um silêncio criativo que durou mais de seis anos.

O mês de junho arranca com os bracarenses Mão Morta: dias 4 e 5 de junho, em dose dupla, Adolfo Luxúria Canibal e companhia apresentam o mais recente No Fim Era o Frio. Na semana seguinte, a 11, é a vez de :PAPERCUTZ, do produtor Bruno Miguel, mostrar os "novos caminhos da pop alternativa portuguesa". No dia 25 de junho, JP Coimbra apresenta Vibra, disco que combina clássica, eletrónica e deriva ambiental. Para terminar o mês, Marta Ren e o regresso da cantora soul portuguesa aos palcos a 26 de junho.

Os concertos arrancam todos às 19h e os bilhetes já podem ser adquiridos no sítio oficial do Theatro Circo.


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quarta-feira, 28 de abril de 2021

STREAM: Paraguaii - Propeller


Propeller, o quinto trabalho de originais dos Paraguaii traz-nos a disrupção completa e abraça uma nova identidade estética. A surpresa não está no caminho adotado; este estava a ser traçado já há algum tempo. A surpresa está na forma como conseguiram atingir e concretizar os oito temas que fazem de Propeller um trabalho que vai ao âmago da criação da banda.

Imaginemos Propeller como o Kid A da discografia do trio. Onde há sombra, vemos luz e no momento em que vemos luz logo nos aparece o nublado. É para este confronto de opostos que devemos estar preparados. Há momentos de densidade mas também há momentos onde tudo flui com uma suavidade que, ao colocarmos tudo numa balança, vemos os dois pesos a fazer espelho. Tudo é doseado sob uma arquitetura estética, quase mecânica, mas que nunca deixa de soar a um trabalho orgânico.

A eletrónica é palavra de ordem mas desenganem-se: é o Homem que controla a máquina e não o contrário. É precisamente aqui que reside a mestria deste disco: no uso exímio de toda uma componente eletrónica, mais ou menos assumida, mas que atinge o seu pináculo, agora, com Propeller.

É impossível não vermos luzes quando ouvimos o disco. É impossível não imaginar teclados analógicos repletos de cores intermitentes e, acima de tudo, é impossível não imaginar o Homem que controla toda esta parafernália de elementos eletrónicos. Sim, o resultado é muito maior do que a soma de todas as partes.

O segundo single de avanço “All my Feelings Fall in Love” representa a paixão no seu estado puro. A saudade da leveza e a nostalgia que, por vezes, podemos sentir desse mesmo estado.

Propeller mudou tudo. É empolgante, atmosférico, vibrante e comanda-nos através duma pulsação eletrónica que nos vicia. É a renovação que nos eleva à melhor versão de melhor de nós próprios.

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terça-feira, 27 de abril de 2021

Novo projecto de Mynda'Guevara, DJ Firmeza e João Grilo vai ao Teatro do Bairro Alto

 


O projecto que junta Mynda'Guevara, DJ Firmeza e João Grilo vai estrear no próximo dia 6 de maio pelas 19:00 no Teatro do Bairro Alto (TBA) Ritmos de Xperança, espetáculo que promete combinar artistas de diferentes meios e géneros.

Mynda'Guevara vem do bairro da Cova da Moura em Lisboa e ficou conhecida graças à sua expressão forte como mulher afro-descendente na cena do rap em Portugal, carregando no seu nome e na atitude uma sede de revolução ligada ao papel minimizado das mulheres no rap. DJ Firmeza é um dos carismáticos residentes da Quinta do Mocho e fundador da crew Piquenos DJs do Guetto, artista de longa data da Príncipe Discos, editando pela editora lisboeta Alma Do Meu Pai em 2015 e Ardeu em 2018, e DJ de renome com o ponto marcado um pouco por todo o mundo. João Grilo é um pianista e compositor residente no Porto com uma carreira considerável dentro do jazz e da música folk onírica, contando com colaborações com vários artistas nacionais e internacionais, bem como dois álbuns a solo - Como se chama o teu disco, editado em 2016, e HVIT, editado em 2019, ambos pela Porta-Jazz

Em Ritmos de Xperança este trio junta-se a convite do TBA pela primeira vez para apresentar o resultado de um processo de busca de um espaço comum de linguagem. A base deste convite são as novas formas de produzir nova música popular motivadas pela maneira como a identidade se enquadra no seu ambiente, com a diáspora africana em Lisboa a servir como elemento exemplar deste movimento. Em concreto, este projecto promete estabelecer a ponte entre o rap crioulo e politicamente comprometido de Mynda'Guevera, a produção electrónica da Quinta do Mocho para o mundo de DJ Firmeza e a improvisação alicerçada no jazz de João Grilo.

Os Ritmos de Xperança serão apresentados no dia 6 de maio e os bilhetes para esta colaboração promissora já estão à venda.

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Semibreve revela datas para 2021


O Semibreve regressa a Braga entre os dias 29 e 31 de outubro. O formato da 11ª edição do festival dedicado ao melhor da música eletrónica e arte digital será anunciado em breve e terá em conta a atual situação pandémica.

Em 2020, o Semibreve celebrou a sua 10ª edição com um evento híbrido que se dividiu entre o Mosteiro de São Martinho de Tibães e o espaço virtual, através do site do festival. O programa foi composto por peças sonoras exclusivas, mesas redondas, instalações audiovisuais, transmissão de concertos ao vivo, residências artísticas e oficinas por um conjunto de artistas notáveis que incluiu Laurel Halo, Tyondai Braxton, Nik Void, Jessica Ekomane, Klara Lewis, Oliver Coates e Beatriz Ferreyra.  

A organização confirmou também o regresso do EDIGMA Semibreve Award, prémio internacional que visa premiar e estimular a criação artística no domínio da intersecção entre arte e tecnologia. O prémio está aberto a propostas de artistas individuais ou coletivos – podem podem concorrer até 4 de Julho através do site – e tem um prémio de 2500 euros. O EDIGMA Semibreve Scholar, que se foca em trabalhos de cariz académico, também voltará este ano.

Caso os eventos físicos em tempo real sejam permitidos mais uma vez, os portadores do passe para a edição de 2020 terão acesso garantido à edição de 2021.  



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domingo, 25 de abril de 2021

Álbuns de José Afonso lançados entre 1968 e 1981 vão ser reeditados



A obra de José Afonso lançada originalmente entre 1968 e 1981 vai ser alvo de reedição. No dia em que se celebram os 47 anos da Revolução de Abril, a família do músico decidiu, em parceria com a editora Lusitanian Music, avançar com a edição dos 11 álbuns do autor de "Grândola, Vila Morena", indisponíveis há vários anos.

José Afonso lançou Cantares do Andarilho, o seu disco de estreia, em 1968. O álbum foi publicado pela editora Orfeu, de Arnaldo Trindade, e incluía temas os temas “Natal dos Simples” e “Vejam Bem”. Até 1981, editou uma série de álbuns que se tornaram marcos da música popular portuguesa, desde Contos Velhos Rumos Novos (1969) a Fados de Coimbra e Outras Canções (1981)passando por Traz Outro Amigo Também (1970), Cantigas do Maio (1971), Eu Vou Ser Como a Toupeira (1972), Venham Mais Cinco (1973), Coro dos Tribunais (1974), Com as Minhas Tamanquinhas (1976), Enquanto há Força (1978) e Fura Fura (1979).

Segundo comunicado enviado pela família à imprensa, “o projecto prevê uma sequência de edições, nos formatos clássicos (CD e vinil) e no ecossistema digital, lançadas sob um novo selo, agora criado pela Lusitanian para divulgar esta obra única no panorama da música nacional e internacional”. Os 11 discos já haviam sido reeditados pela Orfeu, entre 2012 e 2013, para assinalar os 25 anos da morte do cantor e compositor.

Em Setembro do ano passado, a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) abriu o processo de classificação da obra fonográfica de José Afonso por considerar que representa “valor cultural de significado para a Nação”.


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