sexta-feira, 7 de maio de 2021

Festival Out.Fest desdobra-se entre junho e outubro


Após um ano de hiato, forçado por motivos ligados à pandemia de covid-19, o OUT.FEST – Festival Internacional de Música Exploratória do Barreiro regressa para a sua 17ª edição, que este ano se desdobra em dois momentos. 

O primeiro momento, que decorre de 3 a 5 de junho, reparte-se entre o Anfiteatro Paz e Amizade e o Auditório Municipal Augusto Cabrita, no contíguo Parque da Cidade, e acolherá oito espetáculos: três apresentações inseridas no projecto Unearthing The Music, "que desde 2018 tem vindo a descobrir, analisar e compilar a música feita nas margens dos regimes ditatoriais europeus da segunda metade do séc. XX"; um concerto e uma palestra associados ao projeto europeu Remain, "que promove a música experimental europeia com raízes noutras culturas do mundo", e ainda quatro performances por artistas nacionais "virados para o futuro".

Entre os destaques do programa, que inclui apresentações ao vivo de Gala DropSusana Santos Silva e uma colaboração entre Odete e Herlander, está a estreia ao vivo de Antipodal Polyphony, peça-álbum do húngaro Bálint Szabó, ou seja, Gosheven, que irá proporcionar também uma palestra sobre os vários sistemas de afinação alternativos ao cânone ocidental, em particular o do povo polinésio Are'are, das Ilhas Salomão, no qual assentam as premissas composicionais para este trabalho. 

Os bilhetes para este primeiro módulo encontram-se disponíveis em bol.pt e locais habituais a custos que variam entre 10€ (bilhetes diários, disponíveis a partir de 28 de maio) e 25€ (passe global). O acesso à palestra Antipodal Polyphony é gratuito, mediante inscrição prévia para o e-mail outfest@outra.pt. 

Um segundo momento, com programa ainda por anunciar, decorrerá no perído habitual entre 5 e 9 de outubro.



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quinta-feira, 6 de maio de 2021

O obscurantismo e a espiritualidade da música de OQ?

© Adriana Oliveira 

OQ? é um novo projeto experimental de um músico já com uma longa carreira na música, que decide agora lançar-se incognitamente, de modo a poder libertar-se de todas as percepções que o público possa ter do seu trabalho.

O seu universo ímpar desenvolve-se a partir da música electrónica disruptiva, crua e bruta, da tela, do desenho e da improvisação. É obscuro e assim pretende ficar, para que tudo o que surgir no mundo externo à sua performance não lhe pertença e seja da responsabilidade dos receptores. É espiritual, na pretensão de que essa espiritualidade seja o caminho para um bem estar, através da absorção de frequências graves e sons profundos que são consumidos e refletidos pelo corpo.

O EP de estreia de OQ? surgiu após alguns anos com o projeto em aberto, sem o tempo necessário para realmente se abraçar nele. E, não fosse o tempo o que mais tivemos no último ano, também a necessidade do criador se reinventar tornou-se ainda mais imperativa. Criado inteiramente através do seu iPhone, este EP homónimo integra também uma forte componente visual da relação da expressão artística com o espaço urbano.

Disponível em todas as plataformas digitais desde 30 de abril, o EP de OQ? será apresentado ao vivo no próximo dia 13 de maio, no CCOP (Porto).

O tema “Endless Way” foi o primeiro avanço deste trabalho e teve direito a um trabalho audiovisual, realizado por Sofia Erzini, o qual podem assistir em baixo.

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quarta-feira, 5 de maio de 2021

gnration celebra oito anos entre o espaço físico e o online


Em 2021, o gnration, em Braga, celebra oito anos de existência com um programa híbrido, dividido entre o espaço físico e o online, ao longo de três dias. De sexta a domingo, dias 7, 8 e 9 de maio, o gnration oferece um programa de  performances filmadas, conversas, documentários e concertos. 

No programa online, o gnration convidou artistas com práticas distintas para levarem a cabo a direção de arte de um conjunto de quatro performances-vídeo por músicos nacionais: Ermo (performance) e Jonathan Uliel Saldanha (direção de arte), João Pais Filipe/Pedro Melo Alves (performance) e Rodrigo Areias (direção de arte), Susana Santos Silva (performance) e Inês D’Orey (direção de arte), e Gala Drop (performance) e Sara Graça (direção de arte).

Também neste programa, o gnration mostra um pouco mais sobre os pontos cardeais que regrem a sua programação: a aposta na criação artística local no domínio da música, através de um documentário sobre a iniciativa Trabalho da Casa; o programa expositivo, perfilado nos espaços da galeria INL e galeria gnration, com uma conversa com a cineasta e artista visual Salomé Lamas, conduzida por Justin Jaeckle, programador do festival internacional de cinema Doclisboa, e um documentário que dará a conhecer mais sobre o projeto expositivo Invasor Abstracto do coletivo OSSO.

Por último, um alicerce fundamental na comunicação do gnration: a identidade gráfica, criada pelo Studio Dobra e que vigora desde 2014, através de uma peça documental que retrata a matéria gráfica como transposição visual da personalidade do programa artístico.  

No programa presencial, o guitarrista Tó Trips apresentará Surdina, filme-concerto em colaboração com o cineasta Rodrigo Areias. Também no palco da  blackbox, Medusa Unit, coletivo que junta nomes cimeiros da música exploratório nacional, apresentará um concerto que é parte integrante do projeto expositivo Invasor Abstracto. No mesmo dia, o coletivo ativará um conjunto de peças que compõem a exposição com o mesmo nome. 

Ainda na componente presencial do programa de celebração, músicos da cidade reúnem-se numa conversa para uma partilha de experiências sobre a participação no programa de apoio à criação artística local Trabalho da Casa. Já na manhã de sábado, o Circuito – Serviço Educativo da Braga Media Arts promove um workshop e uma visita guiada.

À exceção do filme-concerto Surdina, que tem um custo de 7 euros, todo o programa é gratuito.



Programa:

sexta [gnration e online]
21:00 · documentário – invasor abstrato #3 · online
21:00 · música / cinema – surdina, por tó trips e rodrigo areias · blackbox

sábado [gnration e online]
10:00 / 11:00 / 12:00 · visita guiada · link — visita orientada: gaia, de salomé lamas · galeria inl
10:00 / 14:00 · workshop · link — fora da caixa: the stage is (a)live, de joana chicau e renick bell · sala de formação
15:00 > 17:00 · música / performance – invasor abstrato #3 · vários locais
17:00 · conversa – sobre o trabalho da casa · sala multiusos
18:00 · música – invasor abstrato #3: medusa unit · blackbox
21:00 · documentário – studio dobra x gnration · online
22:00 · música – ermo x jonathan uliel saldanha · online

domingo [online]
15:00 · música – joão pais filipe + pedro melo alves x rodrigo areias · online
16:00 · conversa – scale travels: salomé lamas e justin jaeckle · online
17:00 · música – susana santos silva x inês d’orey · online
18:00 · documentário – 5 anos de trabalho da casa · online 
19:00 · música – gala drop x sara graça · online


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METZ no Porto e em Lisboa em abril de 2022


O trio canadiano está de regresso a Portugal para apresentar o mais recente disco, Atlas Vending. Os concertos de abertura ficam a cargo de Psychic Graveyard. 

A música criada por Alex Edkins, Hayden Menzies e Chris Slorach nunca foi fácil de definir. As primeiras gravações transparecem a energia explosiva do hardcore DIY do início dos anos 90, mas nunca houve um momento em que os temas de METZ soassem a uma homenagem às lendas musicais da sua juventude. 

Com Atlas Vending, a música de METZ continua a transportar-nos para novos territórios de dinâmicas sonoras, melodias imperfeitas e ritmos carregados de suor, mas sem estes deixarem de explorar temas de crescimento e amadurecimento num formato tipicamente suspenso na juventude. 

A passagem por Portugal de METZ acontece nos dias 17 e 18 de abril, com actuações no Hard Club, no Porto e no LAV, em Lisboa, respectivamente. Os bilhetes estão disponíveis por 20€ em bol.pt e locais habituais. 

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7 ao mês com Império Pacífico


Na mais recente edição do 7 ao Mês recebemos os Império Pacífico, dupla criada por Luan Belussi (trash CAN) e Pedro Tavares (funcionário) que se prepara para editar o seu segundo LP, Flagship, na próxima sexta-feira, dia 7 de maio. O seu primeiro avanço, "Singapura", já é conhecido e foi descrito pelos próprios como "uma viagem rápida à noite" pelo circuito urbano de Singapura (podem encontrar o vídeo que o acompanha aqui)

Entre as batidas ásperas e os sintetizadores apaziguantes, os Império Pacífico representam através das suas produções os movimentos da noite sem compromisso, sem etiquetas, apenas o som e uma meta: a dança idílica. Natural de Setúbal mas radicada em Lisboa, a dupla tem vindo a assumir-se como um dos nomes a ter em conta na fluorescente cena eletrónica da capital, sendo o EP Racing Team (2018) ou o álbum de estreia Exílio (2020) provas dessa electrónica por vir e da resistência criada pelo compasso da noite. 

Sobre as escolhas para esta edição, a dupla explica: "Estas 7 músicas (entre muitas outras) são para nós indispensáveis para o desenvolvimento não só do nosso som como dupla, mas também como seres humanos. Fazem parte de discos emblemáticos, uns antigos, outros mais recentes mas certamente todos importantes à sua maneira. Aqui fica um pouco de nós e do que roda nos nossos sistemas de som/earbuds". Encontrem-nas em baixo.

Foodman - Kazunoko

Vimos esta a ser passada em estreia num DJ set do Foodman no Musicbox em 2019 e ficou para sempre presa na nossa cabeça. A cadência simples e ao mesmo tempo aberta deixa muito espaço para a mente fluir e pensar em algo mais. Música de dança assumidamente bem feita. De gente grande. 


LCD Soundsystem - Home

Há momentos, e a última faixa do This Is Happening foi sem dúvidas um deles. Entre viagens e o inevitável sair da casa dos pais, nada ressoava como esta música. É nostálgico recordar essa época a partir daqui, algo que fazia tanto sentido na altura. Mais do que a letra, o registo sonoro emotivo mas descomprometido, meio que intemporal por misturar tantas referências de tantas décadas.


DJ Rashad - Only One (feat. Spinn & Taso)

Ou qualquer uma deste disco. Mítico Rashad (& Crew) não engana, fez/faz parte de todos os telemóveis que já tivemos. Não há segredo: É um dos melhores músicos de sempre. Um dos que nos fez entender que mais do que a música, o som, é dos meios de expressão que menos barreiras tem. Hino é pouco. Clássico. 


Aphex Twin - Milk Man

Aphex Twin, de entre tantas incríveis que ele tem... uma das mais engraçadas. Ouvimos bastante esta na Packt FM quando fizemos ali aqueles pequenos broadcasts no início da quarentena. No universo sonoro onde habitamos, ninguém pode verdadeiramente negar a sua influência, directa ou indirecta. 


DJ Nigga Fox - Hwwambo

Foi nestas primeiras batidas iniciais que encontrámos outro quebra-barreiras que tanta falta fazia. Hipnotizante desde o primeiro hit de drum. Até hoje isto continua a ser um dos discos que mais nos influenciou a criar. Cru, duro, cheio de pica e acima de tudo REAL.
(Pedro) Desde que arranjei isto em vinyl em 2013 que não passo um par de semanas sem voltar às músicas. Isto é um dos melhores discos feitos em Portugal. Não há volta a dar, sem ser pôr o disco a rolar de novo.


Radiohead - Morning Mr Magpie

Se é que podemos dizer que algo desta banda é "underrated", a verdade é que o The King of Limbs passou um pouco ao lado, um breve off-topic do que foi o álbum anterior e o seu sucessor. Mesmo assim, o curto disco teve um impacto muito grande em nós, não tanto por inovar ou ser diferente, mas pelo passo que representava em direção à música electrónica, a um universo mais abrasivo e próximo do Kid A, uma referência da nossa adolescência. Deu-nos uma certa coragem de olhar para mundos mais rítmicos e computorizados, como forma de expressão.


Four Tet - Locked

O início da década passada foi gentil connosco. O Four Tet é mais um artista com um repertório notável e escolher uma faixa nunca é fácil, mas a abertura do Pink ilustra muito bem o que faz o seu som e o apelo que ele tem. A sua forma de elencar os elementos na faixa e gradualmente trazer-nos para estes mundos dançáveis e ricos em detalhe é uma grande fonte de inspiração, seja para como compor uma faixa ou até mesmo pensar a estrutura de um disco, como o Flagship.


Flagship tem o selo da Leitura Tropical e está agendado para sair no dia 7 de maio. Saibam mais sobre o grupo em Facebook, Instagram e Bandcamp.

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terça-feira, 4 de maio de 2021

Rodrigo Amarante anuncia novo álbum e digressão para 2022


Rodrigo Amarante anunciou o lançamento do seu próximo álbum. Drama assinala o segundo trabalho a solo do cantor e compositor brasileiro e está planeado para sair no próximo dia 16 de julho pela editora americana Polivynil, que garante também a reedição do aclamado álbum de estreia Cavalo, de 2014. A acompanhar a nova está também o anúncio do regresso do músico a Portugal, que apresentará o álbum com um espetáculo na Casa da Música, no Porto, a 18 de abril, e em Lisboa, no Capitólio no dia seguinte.

Nasceu no Rio de Janeiro em 1976 e, ao lado de Marcelo Camelo, liderou a formação dos Los Hermanos, autores do célebre tema "Ana Júlia". Antes de enveredar por uma discreta mas aclamada carreira a solo, o músico integrou ainda projetos como a Orquestra Imperial ou os Little Joy, fugaz banda que o juntou aos americanos Fabrizio Moretti (The Strokes) e Binki Shapiro. 

Cavalo, o primeiro álbum do brasileiro radicado em Los Angeles a solo, recebeu justo reconhecimento por parte das publicações internacionais e motivou diversas atuações em território nacional (a última aconteceu na 2ª edição do festival MIMO, em 2017). O seu aguardado sucessor, Drama, assinala a estreia do músico pela americana Polivynil, casa para atos tão distintos como Xiu Xiu, Jeff Rosenstock ou Kero Kero Bonito, e conta com a participação de “Lucky” Paul Taylor na bateria, Todd Dahlhoff no baixo e Andres Renteria na percussão. O trailer que o antecipa, dirigido por Amarante, já pode ser conferido em baixo.

Os bilhetes para os concertos em Portugal vão estar disponíveis a partir da próxima sexta-feira, dia 7 de Maio, às 09h nos locais habituais.


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"At the Doorstep" é o novo single de SaiR


Saiu ontem um novo single de SaiR (Ruben Allen), de nome "At the Doorstep". Para este single o artista convidou para participar o nova-iorquino Puppy Smooth, conhecido pelo seu disco-rap. Para já encontra-se exclusivamente em formato digital no seu Bandcamp, mas irá sair em formato vinil em breve.

Este novo single é lançado meses depois de Light Headed, álbum que saiu em novembro do ano passado e que sucedeu a trabalhos como o seu S/T (2016), Becoming (2019) e Fractions (2020).

Além dos trabalhos mencionados, SaiR também já colaborou com nomes da música nacional como Miguel Ângelo, Rui Maia, Mirror People, Maze (Dealema), Holy Nothing entre vários outros, tanto como convidado para participações como para remisturas.

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segunda-feira, 3 de maio de 2021

Schacke estreia-se pela Posh Isolation com Moments Forever Fading


Depois de ter participado na compilação Under Stars / Shells In Color, em 2020, o dinamarquês Schacke estreia-se pela Posh Isolation com Moments Forever Fading, o primeiro lançamento a solo do produtor pela editora de Copenhaga.

Inspirado numa viagem feita à Coreia do Sul, Moments Forever Fading projeta o membro do coletivo Fast Forward para campos mais meditativos e ambientais, uma "forma mais calma de introspecção e libertação", como enquadram as notas de lançamento disponíveis no Bandcamp. ". Protect Me From What I Want" é o seu primeiro avanço e pode ser ouvido desde já em baixo.

Moments Forever Fading assinala o sexto lançamento da editora de Loke RahbekChristian Stadsgaard em 2021, que este ano já publicou trabalhos de Frederik Valentine, Croatian Amor e Varg2TM.

O EP de quatro faixas está planeado para sair no próximo dia 14 de maio, em cassete e digital, e já se encontra disponível para pré-encomenda.


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Maurice Business estreia-se no catálogo Third Coming Records

Maurice Business estreia-se no catálogo Third Coming Records


Maurice Business estreou-se em nome próprio em junho do ano passado com o EP Songs For The Office (2020, Burning Rose), um conjunto de três música texturizadas entre as andanças da minimal wave com as tonalidades coloridas da dream pop. Apesar do cenário menos propício à expansão do seu nome no mercado, a atenta Third Coming Records colocou-lhe os olhos em vista e, com menos de um ano tecido desde então prepara-se agora para lançar o novo curta-duração do músico, Stock Market Rhythms. O EP, anunciado no último dia do mês de abril vê a luz do dia dentro de três semanas e é composto por quatro temas (um dos quais contará com a participação de Emma Acsdos quais já se pode escutar a primeira faixa de avanço, "Centre Back".

A trabalhar ao redor de atmosferas melancólicas, misturadas com um humor negro Maurice Business apresenta uma visão pessoal da sua mente alvejada que desde início tem mostrado uma certa ligação ao gigante mundo da banca Wall Street, numa energia que sonoramente é canalizada em diferentes espectros para criar sons cativantes, estimulantes e profundamente iminentes. "Centre Back" apresenta um pouco do conceito em aplicação numa faixa desenhada para se ouvir bem alto e colocar as pistas de dança no auge.


Stock Market Rhythms EP tem data de lançamento prevista para 21 de maio pelo selo Third Coming Records no formato físico em cassete e digital. Podem fazer a pre-order do disco aqui.


Stock Market Rhythms Tracklist:

01. Centre Back 
02. Yeah I'm Alright, How about You? 
03. Letter For Her (feat. Emma Acs) 
04. Beam of Light

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domingo, 2 de maio de 2021

Anika (Exploded View) regressa com primeiro tema em oito anos


Anika, cantora e compositora inglesa e uma das metades do duo post-punk Exploed View, está de regresso com o seu primeiro tema a solo em oito anos. “Finger Pies” chegou às plataformas digitais na última semana de abril, em edição partilhada entre a americana Sacred Bones e a inglesa Invada Records (de Geoff Barrow), e o videoclipe que o acompanha, realizado por Sven Gutjahr, já pode ser conferido em baixo.  

Num comunicado enviado à imprensa, Anika explica que “Finder Pies” é “uma música que nunca teve um nome, como um artista que nunca teve um rosto”. “Presa entre papéis, um pau para toda obra”, continua, “ela desliza entre seus dedos como um momento que nunca existiu, ou terá existido? Tantos rostos feitos sob medida para uma infinidade de ocasiões. Paredes construídas entre nós e o mundo exterior. Para proteção. Os passes concedem acesso a outro nível. Então onde está você? Aqueles com todas as chaves, lembre-se, o acesso vem com responsabilidade. No entanto, a responsabilidade foi perdida, como um lenço de papel na chuva, uma batalha sem regras, para salvar a face, explorar a fraqueza, para salvar ser morto, pela geração sem rosto. Bem-vindo ao mundo de ‘Finger Pies’.”  

O primeiro e último álbum a solo de Anika, homónimo, chegou em 2010 pela Invada. A artista radicada em Berlim editou ainda um EP, também homónimo, em 2013 e colaborou com o produtor inglês Shackleton no álbum Behind the Glass, de 2017.   

Em 2018, Anika atuou na oitava edição dos Jardins Efémeros de Viseu.


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Night Princess em entrevista: "O meu processo criativo cai muito numa motivação espontânea"



Night Princess é tudo aquilo que esperamos da cybercultura atual: eletrónica frenética e excêntrica, sem regras em jogo. Este artista português tem causado algum burburinho dentro dos fóruns online devido à sua mistura entre hexd e breakcore, de uma forma hiperativa, barulhenta e distorcida. Um drill-and-bass epilético que joga com as samples em seu favor. Em junho do ano passado, o artista lançou um álbum homónimo sob a alça da Dismiss Yourself, uma das editoras cujo papel se mostrou fundamental para a difusão do hexd. A obra valeu-lhe uma vaga nas nossas 16 revelações nacionais de 2020

Em conversa com Night Princess realizada via chat de Discord - algo um quanto conveniente dada a sua história enquanto artista e a dos movimentos musicais que representa - falámos sobre a sua trajetória artística, planos no futuro, influências musicais e do peso das subculturas online na indústria musical. 

Comecemos com uma pergunta introdutória: como começou toda esta jornada musical? O que te inspirou e o que te fez continuar? 

Night Princess (NP) - Começou provavelmente com a minha curiosidade em brincar com samples. Isso fez-me pegar no Audacity, que foi o primeiro programa que usei para fazer música. Quanto ao que me inspira, os meus amigos, todo o tipo de subculturas que existem pela internet e géneros, como o ambient ou o trance

Existem termos que se originaram em subculturas online, como o hexd ou o hyperpop, que já passaram a ser utilizados tanto em fóruns como em artigos oficiais. Qual é a tua opinião acerca desta constante tentativa de catalogar a música? Sentes que te enquadras em algum destes géneros? 

NP – Dentro desses géneros, acho que só me categorizo dentro do hexd. Trata-se de um género que tenta descrever aquele tipo de música mais bitcrushed. Mas sim, a constante categorização da música é um pouco desnecessária, apesar de também acabar por se tornar inevitável, especialmente com os seguidores de culto do RateYourMusic, que tornam isso mais comum. Toda esta caracterização constante da música acaba por limitá-la, como se fosse algo objetiva quando não o é... Mas nada contra o RateYourMusic! 

Antes de começares a lançar sob o alias de Night Princess, chegaste a usar outros nomes: Internet Dating Club e ʕ•̫͡•ʕ enterprises. O que os distingue do teu alias atual? 

NP - São de géneros diferentes. Eu já abandonei esses projetos há algum tempo e vejo-os como um dos meus primeiros experimentos musicais, nada de sério. Night Princess acabou por surgir do facto de eu ter crescido musicalmente e ter deixado o vaporwave para trás. Este alias tem um estilo mais noturno e child-like, apesar de haver quem tenha descrito o álbum self-titled como emocional. Ainda assim, eu ainda não acho que a minha música se tenha tornado algo demasiado sério ou profissional (apesar de estar a fazer isso para projetos futuros).  

Nos teus trabalhos implementas uma mistura frenética de samples e breaks sob uma atmosfera bastante peculiar. Podes falar-nos do teu processo criativo? 

NP – O self-titled foi feito em, tipo, três noites, no VirtualDJ. Era praticamente tudo improviso e não havia regras em jogo. O meu processo criativo é bastante abstrato, cai muito numa motivação espontânea. 

Já lançaste discos sob a alçada de diversas editoras, como a Girly Girl Music, a Euphonium Records e a Dismiss Yourself. Como é que se deram estas ligações e como é trabalhar com uma editora diferente em cada um dos teus projetos? 

NP – A Girly Girl serviu como output para os meus trabalhos de ambient e foi a primeira label com que interagi; os donos da Euphonium são meus amigos, por isso decidi lançar a compilação SOUL (que se baseia principalmente em faixas inacabadas) por lá; já a Dismiss Yourself é a editora com que estou mesmo a trabalhar agora. Foi com eles que lancei o primeiro álbum de Night Princess e com quem estou a trabalhar para os meus projetos futuros, já mais sérios. Acho que o meu contacto com eles começou apenas porque decidi submeter-lhes o álbum, só porque sim, sem um motivo assim muito forte. Mas correu bem! Depois, claro, acabei por me tornar amigo de algumas pessoas da comunidade. 

Há poucas semanas, tu e o blissful fields (fka assonance) lançaram o single “Burn”, sob o nome coletivo de Lavender Rose. Qual foi a chave para fundirem os vossos estilos musicais nessa faixa e o que podemos esperar desse duo no futuro? 

NP – Pode-se esperar algo diferente. Nós estamos a trabalhar num álbum que está fora da nossa zona de conforto, sendo a chave, talvez, o facto de termos ouvido a música um do outro, permitindo que nos possamos adaptar ao estilo um do outro e fazer isso refletir na nossa música. 

Por fim, que artistas mais tens ouvido nestes últimos tempos? 

NP Kero Kero Bonito, Radiohead, Frank Ocean e Vegyur

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