sábado, 22 de maio de 2021

Fotogaleria: Concerto Teste-Piloto [Praça da Canção, Coimbra]

Fotogaleria Concerto Teste-Piloto [Praça da Canção, Coimbra]

No segundo sábado do mês - a 8 de maio - voltamos a sentir um pouco mais da emoção de se assistir a concertos ao vivo ao marcar presença em Concerto Teste-Piloto, uma iniciativa da Câmara Municipal de Coimbra que voltou a reviver a arte dos espetáculos ao vivo na Praça da Canção, em Coimbra no plano da candidatura de Coimbra a Capital Europeia da Cultura 2027. 

Com início marcado para as 20h30, o evento arrancou a horas com a abertura ao encargo dos conimbricenses Birds Are Indie. Seguindo na atuação e, também oriundos de Coimbra, subiram a palco os The Twist Connection para apresentarem o último disco de estúdio, Is That Real?. Entre a montagem e desmontagem do espaço de atuação, Portuguese Pedro aproveitou a deixa para originar uma performance dinâmica, entre uma conversa sobre a história do rock & roll e umas músicas tocadas pelo meio, em cenário intimista. O encerramento da noite ficou a cargo dos portugueses Anaquim.

Apesar da lotação não ter esgotado o público que participou garantiu uma noite de grande animação, num evento que marcou pela excelente organização. Dessa noite, além dos registos na memória, ficam agora os apanhados fotográficos na objetiva de Miguel Silva. Eis o resultado:



Fotografia: Miguel Silva

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sexta-feira, 21 de maio de 2021

Space Quartet, de Rafael Toral, apresenta novo álbum no gnration


No próximo sábado, dia 22 de maio, Rafael Toral regressa ao gnration, em Braga, para apresentar Direction, o mais recente álbum do músico português na companhia de Hugo Antunes, Nuno Morão e Nuno Torres.

"Projetado  pela inventividade e clareza do contrabaixista Hugo Antunes, pelas fronteiras e pela batida afiada de Nuno Morão e pela inteligência multilinguística do saxofonista alto Nuno Torres", explicam as notas do lançamento, editado em abril pela CleanFeed, Toral molda um fascinante universo de feedbacks eletrónicos onde se cruzam também as expressões do rock mais ruidoso, da deriva ambiental e das ideias exploradas pelos grandes pensadores da música espacial como Bill Dixon ou Miles Davis. 

O percurso de Rafael Toral pela música e composição remonta já à década de 80. A passagem por grupos tão notáveis como Mler If Dada, Pop Dell'arte ou os americanos Sonic Youth fizeram de Toral um dos mais reconhecidos artistas portugueses no estrangeiro, mas é no seu vasto corpo de trabalho a solo – um dos mais impressionantes da música exploratória nacional – que se encontra o seu verdadeiro talento, com obras tão admiráveis como Violence of Discovery and Calm of Acceptance (2001) ou Wave Field (1995), reeditado em 2018 pela reputada Drag City

O concerto está agendado para as 18h e os bilhetes encontram-se disponíveis em bol.pt ao preço de 7€. No mesmo dia, pelas 16h, o gnration volta a acolher o ciclo de conversas Territórios Periféricos e Criação Contemporânea, que esta semana recebe Paula Mota Garcia para uma conversa sobre a programação artística fora dos grandes polos urbanos do país.


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Silent Shout, terceiro álbum dos The Knife, vai ser reeditado


Em 2006, os The Knife editavam Silent Shout, terceiro álbum de estúdio da dupla sueca e o melhor desse ano para a publicação americana Pitchfork. Agora, quinze anos depois, o disco vai receber uma reedição especial em vinil duplo de cor azul, disponível a partir de 20 de agosto pela Rabid Records.

O anúncio vem no seguimento das comemorações dos 20 anos do grupo, que editou o seu álbum de estreia, homónimo, em 2001, e vem acompanhado de uma transmissão ao vivo de um espetáculo em Gotemburgo, na Suécia, em 2006 (confiram-no em baixo). A banda publicou ainda um vídeo, realizado pelo colaborador de longa-data Andreas Nilsson, para a faixa-título de Silent Shout.  

Uma fascinante obra de eletrónicas viperinas e vozes tão andróginas quanto inteligíveis, Silent Shout assinalou um momento definitivo na carreira dos The Knife. Depois da euforia pop do anterior Deep Cuts, de 2003, os irmãos Olof e Karin Dreijer, que responde também pelo nome Fever Ray, subverteram as estruturas da pop e do techno aos transformarem-nas em expressões combativas de desejo e libertação, uma direção que pautou o percurso do duo até à sua separação, em 2014.  

Em março, os suecos editaram Tomorrow, In A Year pela primeira em vinil. O álbum, originalmente concebido para uma ópera que celebrava o 150º aniversário de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, resultou de uma colaboração com Mount Sims e Planningtorock. A banda disponibilizou também todo o seu catálogo no Bandcamp pela primeira vez.


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DJ Desisto lança novo single, "caçada rio abaixo"

DJ Desisto está de volta às edições discográficas com o lançamento do novíssimo single "caçada rio abaixo", o primeiro com o selo da problemas dos outros. O sucessor do EP Ride or Die (2020) é um daqueles registos que se propõe a criar a banda sonora de um filme que não existe. Neste caso, porém, trata-se de escrever uma banda sonora para uma cidade que existe, nunca existiu e poderia existir. Uma banda sonora para uma São Paulo pré-europeia, modelada pela Mata Atlântica sobre a qual a cidade foi construída, mas com um toque místico/sci-fi.

Neste trabalho, DJ Desisto recorreu principalmente a samplers Casio SK-1 de 1985 para compor. Mais do que uma peculiaridade ou nota de rodapé, este foi um fator determinante, já que esses samplers degradam o seu material de origem e apenas podem gravar até um segundo. DJ Desisto usou esses samplers rústicos para extrair as essências ocultas, as qualidades inabaláveis de um som que nenhuma quantidade de rearranjo pode tirar. Este modo de criação assume-se assim como uma forma de alquimia aprimorada, especificamente por causa das restrições de equipamento, criando música que não é de qualquer época e não é exatamente deste lugar.

"Caçada rio abaixo" é um single que pretende explorar o tempo e o espaço, recorrendo a canções folclóricas tradicionais, batidas industriais e faixas distantes de sintetizadores que habitam um universo próprio de bolso. É também de valor mencionar a consciência social deste registo, mostrando a sua solidarieade e empatia pelas comunidades indígenas Tupi Guarani, que têm vindo a ser expulsas dos seus territórios ao longo do último século, em nome da urbanização das cidades.

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Morreu Yoshi Wada, figura central da improvisação livre estruturada


Morreu Yoshimasa "Yoshi" Wada, uma das mais importantes figuras da improvisação livre estruturada dos últimos 50 anos. A notícia foi avançada no dia 20 de maio pelo filho, Tashi Wada, na sua conta oficial de Twitter. Tinha 77 anos.  

Depois de se formar em escultura, o compositor, que nasceu em Kyoto, no Japão, em 1943, mudou-se para Nova Iorque onde conheceu George Maciunas, fundador do movimento Fluxus. Estudou canto e composição com ilustres da vanguarda como La Monte Young ou Pandit Pran Nath e, a partir da década de 70, começou a desenvolver as suas próprias peças com foco na ressonância e sobretons, que implementavam muitas vezes instrumentos construídos a partir de objetos que o próprio utilizava enquanto canalizador. Wada é também reconhecido pelo seu trabalho para voz e vários tipos de gaita de foles, e desenvolveu uma reputada carreira na área da instalação sonora. 

Os seus únicos discos, Lament for the Rise and Fall of the Elephantine Crocodil (1982) e Off the Wall (1985), foram publicados originalmente pela India NavigationFMP, e reeditados posteriormente sob a alçada da EM Records e da Edition Omega Point, que carimba ainda o registo da instalação The Appointed Cloud (2008). Nos últimos anos, Wada desenvolveu vários trabalhos na companhia do seu filho, que disponibilizou algumas das suas obras no Bandcamp da sua editora Saltern.


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J-K lança EP com dois temas



J-K, desde cedo a bordo da nave roxa, andou mais calado nos últimos 5 anos. Falando apenas quando é mais necessário, participou nas últimas compilações ROXO 07 e Cursed, Vol.1, e não deixou de participar em esporádicas colaborações — como por exemplo com Vasco Completo ou com Mike El Nite em “Caixa Negra”.

Depois de um disco tão ambicioso, um intervalo à medida: o seu último lançamento em nome próprio data de 2016, com o álbum-livro Contos de Espadas. Agora, "Calma" e "Ginsu” revelam-se como o regresso (in)esperado aos lançamentos de J-K com a Monster Jinx, aqui com instrumentais produzidos por Maria e Ghost Wavvves, respetivamente, e ainda acompanhado por Saloio no segundo tema. Há na calha mais música de Jorge por lançar mas das tripas de que a sua música é feita, só quando precisar de deitar cá para fora, sairá.

Este curto EP tem a sua edição selada pela Monster Jinx, em formato digital. O tema "Calma" conta com videoclipe produzido por Maria, artista multifacetado do colectivo roxo. O videoclipe ilustra um episódio de ansiedade transportando o espetador para o espaço mental e/ou físico, numa disfunção lógica representada pela presença de poucos elementos. A câmara roda sobre si mesma numa espécie de espiral mostrando um ambiente vazio quase como se a personagem estivesse dentro do seu próprio vácuo emotivo.

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quinta-feira, 20 de maio de 2021

Cinco Discos, Cinco Críticas #67

Cinco Discos, Cinco Críticas #67


Já quase com a primeira metade de 2021 a ganhar forma começam também a selecionarem-se as mais marcantes obras da temporada. Para ajudar à escolha na sextagésima sétima edição do Cinco Discos, Cincos Críticas fazemos um apanhado que inclui desde os portugueses Unsafe Space Garden - que em abril passado editaram Bro, You Got Something In Your Eye - A Guided Meditation (Discos de Platão); faz viagem até à África Ocidental para conhecer as canções de Witch Camp (Ghana) - I've Forgotten Now Who I Used To Be (Six Degrees Records); passa ainda por Manchester - para conheceer o novo Never The Right Time (Modern Love) de Andy Stott - pela e Dinamarca com Tettix Hexer e o seu reeditado álbum de estreia, The Great Vague (Third Coming Records), antes de voltar a Portugal ao som do disco colaborativo de David & Miguel - Palavras Cruzadas.

As opiniões relativas aos respetivos lançamentos, seguem amplificadas abaixo.



Unsafe Space Garden - Bro, You Got Something In Your Eye - A Guided Meditation | Discos de Platão | abril de 2021 

8.3/10

Bro, You Got Something In Your Eye - A Guided Meditation é o segundo álbum dos Unsafe Space Garden, banda nascida na Serra da Penha, em Guimarães. Com um expandido leque de músicos e colaboradores, os USG mostram-se mais ambiciosos do que nunca, com a mesma criatividade e teatralidade de sempre. 
Sem alguns dos excessos de lançamentos anteriores, a banda mantém toda a sua exuberância e energia contagiante num disco longo, mas continuamente cativante, capaz de nos surpreender a cada música. "BYGSIYE", a faixa introdutória, tem como foco um voice-over que indica de forma humorosa as condições ideais para a audição do álbum, suportado por um instrumental surpreendentemente movimentado. É à volta destas dinâmicas acentuadas que giram várias músicas dos USG - voltamos a encontrá-las nos fortes contrastes de "Split Screen Vision" ou nos piscares de olho ao rock progressivo que ouvimos, por exemplo, nos riffs e estrutura de "Em Defesa Do Sol". Os vocais são igualmente imprescindíveis e "Thoughts Feelings" reflete a variedade de técnicas presentes no disco: diferentes formas de cantar ou falar, o uso de diversos efeitos e as afinadas harmonias vocais. "Mighty Flaws" também merece ser destacada, seja pelos encantadores instrumentos de sopro, a suave secção de ritmo, o piano saltitante ou o ponderado solo de guitarra. 
BYGSIYE é o melhor trabalho dos USG até agora, um álbum muito consistente e bem produzido que assegura a banda como uma das mais originais no panorama da música nacional. Contam com um estilo muito próprio e não têm medo de o explorar e expandir como querem. 
Rui Santos 




Witch Camp (Ghana) - I’ve Forgotten Now Who I Used To Be | Six Degrees Records | março de 2021 

9.0/10

Sem grandes rodeios, I’ve Forgotten Now Who I Used To Be é um álbum de temas interpretados por mulheres que foram escorraçadas para campos de bruxas. Na República do Gana, onde as mulheres podem ser vistas como bruxas por serem inférteis ou por as colheitas terem sido más, estes campos oferecem - contra a vontade do governo do Gana - um asilo necessário para que as alegadas bruxas possam continuar a viver sem serem caçadas. 
I've Forgotten Now Who I Used To Be oferece-nos um vislumbre único sobre essa realidade - estas gravações representam uma paisagem emocional vívida do tormento que assolou estas mulheres, que escolheram ficar anónimas por segurança. As gravações foram feitas por Ian Brennan e Marilena Delli Umuhoza, uma dupla conhecida por ter gravado, nas palavras de Dorian Lynskey para o The Guardian, comunidades perseguidas ou traumatizadas que fizeram a sua música em circunstâncias extremas - exemplos destas comunidades são os prisioneiros de uma instalação de alta segurança em Zomba, no Malawi, ou veteranos da guerra do Vietname. I've Forgotten Now Who I Used To Be é um disco que não é condescendente com o ouvinte, expondo sem medos as realidades da dor através de temas como "I Have Lost All That I Love", "I Trusted My Family", "They Betrayed Me" ou "Only God Can Judge Me" e a força de continuar a viver de canções como "Love, Please" ou "Wizard Drum" - os títulos são a única explicação que é oferecida para cada um destes temas que são instrumentais ou cantados em dialetos pouco falados do Gana. 
Apesar da força e tristeza que por vezes evoca, I've Forgotten Now Who I Used To Be acaba com um assombro: "Left To Live Like An Animal" é o nome dessa experiência pulsante, genial e genuína, mas tenebrosa, desconfortável e pouco familiar - palavras vagas mas talvez as mais certeiras que disponho para descrever aquilo que I've Forgotten Now Who I Used To Be é. 
José Guilherme Almeida 




Andy Stott - Never The Right Time | Modern Love | abril de 2021

7.5/10

O novo álbum de Andy Stott, músico e produtor de Manchester, surgiu no seguimento de uma improvável proposta "para produzir para um artista mainstream", acontecimento que obrigou o produtor a atrasar o seu lançamento, planeado originalmente para 2020, para 2021. 
Editado em abril pela inglesa Modern Love, Never The Right Time, assim se chama o álbum, sucede o anterior EP It Should Be Us, de 2019, e assinala o primeiro trabalho do produtor em formato de longa-duração desde Too Many Voices, de 2016. Alison Skidmore, antiga professora de piano e colaboradora de longa-data, volta a contribuir com novos e emocionais trechos de voz, mas ao invés do complexo trabalho de corte e colagem dos antecessores Luxury Problems ou Faith in Strangers, onde já havia participado, a sua voz mantém-se inalterada, conferindo inteligibilidade a uma obra outrora incorpórea. Ao contrário do anterior Too Many Voices, que parecia apontar para várias direções sem nunca chegar a um consenso, Never The Right Time equilibra a aura sombria de Luxury Problems, mais mecânico e informado pelas propriedades sónicas do dub, e as qualidades dissonantes do sucessor Faith In Strangers, mais experimental e polirrítmico. O tema "The beginning", que serviu de primeiro avanço ao disco, é uma abordagem noir ao conceito clássico de canção pop, evocando Laurel Halo nos tempos de Quarantine, outro álbum que combina atmosfera, desejo de experimentação e sensibilidade pop de modo inventivo. 
Mais do que traçar novas coordenadas, Never The Right Time encerra um capítulo iniciado em 2011 com a parelha de mini-álbuns Passed Me By e We Stay Together, motores de arranque para uma das mais coesas e fascinantes discografias da eletrónica dos últimos dez anos. 
Filipe Costa 




Tettix Hexer - The Great Vague | Third Coming Records | novembro de 2020
 
7.5/10 

O produtor dinamarquês Tettix Hexer estreou-se o ano passado nas edições longa-duração com The Great Vague, disco que esculpiu para o mundo a sua produção afunilada entre o shoegaze expansivo e a eletrónica meridional. 
Editado originalmente em março na versão digital foi, em novembro de 2020 que The Great Vague viu a sua merecida edição física no formato vinil pelas mãos da Third Coming Records em colaboração com a The Big Oil. Composto por oito temas que se propõem a ser uma ode a "todas as músicas extintas e uma ode a todas as músicas que ainda estão por nascer" The Great Vague é um disco que se destaca às primeiras audições pelas as criações rítmicas que aporta. Se, no tema homónimo de abertura somos absorvidos por uma imensidão de estímulos, no percurso sonoro do álbum vamos encontrando filtros ora mais melancólicos e contidos (como ouvimos em "Vehændelse"), ora de sensibilidade devocional como é o caso de "Visible Winds of Spring", um dos mais agridoces temas do disco e, possivelmente, a melhor faixa do disco pelo automático sentimento de imersão que transpõe. Por vezes orgânico e embrionário ("Immutable Interior Design"), outras urbano e alienado ("Lidness Sleep"), a viagem proporcionada por The Great Vague consegue tão depressa absorver como refratar as luzes da noite em temas suaves, distintos e altamente abrangentes. 
Num registo puramente instrumental e vanguardista, Tettix Hexer constrói o seu completo mundo sonoro numa eletrónica característica pelos breakbeats desarticulados, paredes de som enubladas e um design futurista. The Great Vague é uma introdução selvagem à discografia de um nome que se antecipa promissor na produção eletrónica. 
Sónia Felizardo 



David & Miguel - Palavras Cruzadas | Branditmusic | abril de 2021 

7.8/10

Palavras Cruzadas trata-se de uma colaboração entre David Bruno e Miguel Caixeiro (também conhecido como Mike El Nite). 
Neste álbum-paródia, o duo adapta a portugalidade romântica ao século XXI de uma forma foleira, mas no bom sentido. Apesar de se tratar de uma obra razoavelmente pequena (27 minutos), tem uma produção bastante atenta ao pormenor, pedindo emprestado o synthpop dos anos 80 de uma forma sofisticada e retro-modernista, fazendo jus a todo o tema saudosista do sofrimento por amor e provando mais uma vez a competência de David Bruno como produtor (e caso ainda existam dúvidas, basta ouvir Miramar Confidencial ou qualquer coisa dos Conjunto Corona). Também de destacar a incrível química entre os dois músicos em questão, especialmente em faixas como "Sónia", "Inatel" e "H2ON". 
João Pedro Antunes



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Magic Island lança novo álbum, So Wrong

© Iga Drobisz

Magic Island é o alter-ego de Emma Czerny, artista berlinense de raízes canadianas. Nas veias corre-lhe a música pop, não fosse ela uma das figuras mais respeitadas da cena underground da cidade. O seu EP de estreia - Wasted Dawn (2015) – carregado de canções íntimas e vulneráveis, veio conjugar a pop e o seu lado mais lo-fi e experimental com as sonoridades clássicas do R&B dos anos noventa.

O segundo álbum de estúdio de Magic Island, intitulado So Wrong, conta com 14 novas canções que se equilibram entre a leveza e o desalento, lida com a depressão, a ansiedade e o auto-empoderamento feminino. So Wrong assume-se também como uma declaração de amor a Neukölln, bairro berlinense onde reside a artista, o qual se tornou um símbolo para questões sociais, um novo capítulo na história da cidade outrora dividida. De maneira a fundir o virtual com o físico, QR Codes foram espalhados pelas paredes do seu querido bairro, abrindo a porta a um mundo totalmente imersivo que Magic Island, os seus amigos e colaboradores criaram e no qual os ouvintes podem mergulhar.


Czerny, que geralmente prefere gravar as canções no próprio quarto, decidiu contar neste novo trabalho com a produção de Phong Ho, conhecido nos círculos de rap underground alemão.

So Wrong chegou às lojas físicas e digitais a 14 de maio, com a chancela da Mansions and Millions. Escutem-no aqui e agora.


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quarta-feira, 19 de maio de 2021

Eli Keszler anuncia novo álbum, Icons


Eli Keszler anunciou o lançamento do seu próximo álbum. Icons assinala o primeiro lançamento do produtor e percussionista de Nova Iorque em dois anos e está planeado para sair no próximo dia 25 de junho pela editora britânica Lucky Me.

Gravado durante o confinamento, o álbum de onze faixas foi criado a partir de gravações de campo das ruas de Manhattan, que o artista intercalou com aúdios adicionais das viagens que fez pelo estrangeiro. “Com o Icons”, explica Keszler em comunicado, “estive a trabalhar com estas figuras mitológicas que se estão a deteriorar perante os nossos olhos para criar uma música que encontrasse beleza na nossa realidade frágil e instável”. 

"Passei noites a vaguear por Manhattan", continua, "recolhendo gravações da cidade vazia e silenciosa - onde um alarme de carro era ouvido a quarteirões de distância, onde o zumbido da rede elétrica e o choque das engrenagens das bicicletas de repente ocupavam um espaço enorme".

Icons sucede o anterior Stadium, de 2018, que por sua vez foi sucedido pelo EP Empire, em 2019. Além do percurso enquanto reputado percussionista a solo, Eli Keszler conta inúmeras colaborações com ilustres como Laurel Halo, Joe Mcphee ou Oneohtrix Point Never, com quem partilhou palco na digressão do espetáculo Myriad. O seu primeiro avanço, "The Accident", já pode ser conferido em baixo.


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Deena Abdelwahed, Dasha Rush e Marco Franco nos Jardins Efémeros 2021


De 3 a 11 de julho, o evento multidisciplinar Jardins Efémeros, em Viseu, vai regressar para a sua nona edição, que este ano tem epicentro no Parque Aquilino Ribeiro, ao invés do habitual centro histórico da cidade

Esta quarta-feira ficaram a conhecer-se mais alguns dos artistas confirmados para os Jardins Efémeros de 2021. No campo da música e da arte sonora, foi revelado que a produtora e DJ tunisina Deena Abdelwahed (na foto) apresentará, em espetáculo único no país, o mais recente EP Dhakar (2020), que está "a levar a sua  mensagem de volta à pista de dança", explica a organização. 

A compositora, artista visual, corógrafa e DJ russa Dasha Rush também estará em Viseu na companhia do bailarino Valentin Tszin e da artista digital Alex Guevara para apresentar Territoire Éphémères, espetáculo transdisciplinar que promete unificar plataformas artísticas como o áudio, a dança, as artes generativas e a poesia abstrata numa só interação efémera. Bill Fontana, compositor e artista media americano, vai desenvolver com o português Pedro Rebelo uma instalação sonora nos claustros da Catedral de Viseu.

No plano nacional, a organização adianta os nomes de Marco Franco – ex-baterista dos Peste & Sida que acaba de lançar Arcos, o seu mais recente álbum ao piano –, Gala Drop e João Pais Filipe.

Antes, a organização já havia garantido a presença de Lyra Pramuk, Bendik GiskeSuso Saiz e André Gonçalves, Sereias e Chris Watson.


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Lucindo estreia-se na Krut com 'Ghost Fingerz'

 


Ghost Fingerz é a estreia do artista brasileiro Lucindo nas edições discográficas com o selo da Krut, sublabel da conceituada editora belga KRAAK Records. O EP conjura nas suas cinco faixas ambiências hauntológicas, laivos de dream pop, sonorizando uma viagem aos tempos mesopotâmicos. 

Fortemente influenciado pela conceptualidade da Fourth World, Ghost Fingerz é dotado de sensibilidades subtropicais e sombrias, as quais podem ser entendidas como “parte odes aos fantasmas pós-coloniais, parte escapadas urbanas distópicas”.

A capa do EP ficou a cargo de Kristen Livera, enquanto a masterização foi da responsabilidade de Accou. Este trabalho conta ainda com a voz de Lucindo nos temas “Ghost Buddhism” e “Chainloop”.

Ghost Fingerz está disponível em formato digital desde o dia 7 de maio. Podem escutá-lo na sua totalidade em baixo.

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terça-feira, 18 de maio de 2021

A Mera anuncia a estreia da performance ABRUPT


ABRUPT é uma performance audiovisual que será apresentada no palco do auditório do Passos Manuel, no Porto, no próximo dia 22 de maio. Co-criada pelo coletivo berru e o artista sonoro Cláudio Oliveira, e com produção da Mera, ABRUPT materializa o conflito primordial entre a vida e a máquina. Ao longo de 50 minutos, os espectadores são convidados a formar um olhar renovado sobre a essência da vida, o modo como nos desenvolvemos enquanto humanos, e a construção da máquina. 

Estes dois mundos geradores de confronto são muitas vezes vistos como antagónicos. Trata-se, contudo, de uma falácia. ABRUPT dá palco à encenação metafórica do sistema maior que rege a vida. Sistema esse que, como não poderia deixar de ser, foi utilizado na construção da máquina. É nesse limiar entre o que é a essência orgânica da vida e o que é considerado artificial que esta peça se materializa. 

Esta performance nasce do cruzamento artístico de Cláudio Oliveira - cujo projeto Dust Devices foi já editado pela Mera, nomeadamente Spectre Research e Interupt - na vertente sonora, e o coletivo berru - vencedor do Prémio Sonae Media Art em 2019 - na vertente performativa e visual. Responsável pelos figurinos está Patrícia Brito, que colabora com a Mera desde 2020 na concepção de merchandising textil através da marca Tilo

A busca constante de desenvolver uma nova visão das artes plásticas, dentro da música e da performance, é geradora deste convite. Assim, e não muito distinto do que vem a ser a missão da Mera na música eletrónica portuense, abrimos o palco a criadores multidisciplinares com o intuito de aplicarem o seu conhecimento, em uníssono, numa peça inédita. Adequando-se perfeitamente na linguagem e programação da Mera, tanto a nível conceptual como artístico, este evento engloba todas as características que motivam a editora e promotora a progredir na agenda cultural do país.

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Um Corpo Estranho convida A Garota Não no tema "Mavorte”

© Helena Tomás 

“Mavorte” é o novo single de Pedro Franco e João Mota, dupla de Setúbal conhecida como Um Corpo Estranho, e conta com a participação da também setubalense Cátia Mazari Oliveira, responsável pelo projecto A Garota Não.

Segundo o duo, este é um tema pessoal que nasce da análise de relações e vivências passadas, que fala de amor e de perdão mas também de auto-superação. O mote do tema para o vídeo sugeriu-lhes um cenário gerido pelo conflito emocional entre duas pessoas, apesar do ponto de partida da letra se basear num processo de catarse de um conflito interno. O convite feito à Cátia foi natural, não só pela amizade e cumplicidade que existe entre os elementos dos dois projectos sadinos, mas também por, de alguma forma, sentirem que o tema também foi escrito para a sua voz.

A autora de Rua das Marimbas nº7 tem, segundo João Mota e Pedro Franco, o dom de tornar tudo o que canta em algo de muito pessoal, de pesar as palavras e usá-las como arma de arremesso, de uma forma irónica e profundamente emotiva, de uma forma que parece não ter sido dita ainda. Essa força, que pode ou não ser consciente, torna-a numa espécie de anti-heroína, de algo que vem para agitar consciências através da música. O casamento foi fácil. A voz da Cátia já lá estava, só faltava gravá-la.

Sérgio Mendes, que acompanha ambos os projectos desde a sua génese é, uma vez mais, o responsável pela produção. O guitarrista e produtor de A Garota Não produziu também vários trabalhos de Um Corpo Estranho destacando-se Homem Delírio, o último longa duração do duo que volta, desta forma, aos lançamentos com o selo da editora independente Malafamado Records.

O videoclip, produzido pelas produtoras Souza Filmes e Garagem, é da responsabilidade do realizador António Aleixo, vencedor de vários prémios nacionais e internacionais entre os quais um prémio Sophia em 2019.

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Amanda Gonsales une música, teatro e dança em Sacro, espetáculo apresentado em digressão por Portugal

© Rafael Marques

A artista brasileira Amanda Gonsales anunciou uma digressão em Portugal do espetáculo Sacro, que marca a sua estreia como cantora e artista da cena. Os concertos serão realizados em Évora (dias 26, 27 e 28 de maio), Coimbra (04 e 15 de junho), Lisboa (10 e 18 de junho) e Porto (25 de junho). A performance entrecruza as linguagens da música, teatro e dança e é o resultado da pesquisa “Do Escrutínio à Inquisição: um percurso criativo autoetnográfico”, a qual teve início durante o período que a artista viveu em Évora, em 2013. 

O repertório da apresentação será de canções do EP, que foi lançado em 2019, mas teve a digressão suspensa devido à pandemia. No concerto, Amanda vai apresentar um som que transita por diferentes universos. “Trata-se de uma nova sonoridade que explora melodia com letra em português, mas sem a forma tradicional de canção, elementos da música contemporânea, como os caminhos harmónicos e a utilização dos instrumentos, aspectos da música folclórica europeia, principalmente nórdica e ibérica, e referências da música sacra”, explica. 

Numa clara crítica ao período da inquisição, o espetáculo tem Amanda sozinha no palco e conta com a direção de Naomi Silman, preparação vocal de Francesca Della Monica, preparação corporal de Yael Karavan, dramaturgia por Verônica Fabrini e figurino de Isabel Graciano. “Nesta apresentação busco despertar e aguçar outros sentidos, que ampliem o escopo, que provoquem, que impulsionem, que movimentem. Entrelaçando voz e movimento, tenho a canção, a palavra como ponto de partida. Uma provocação. É isso que vim performar”, comenta Amanda. 

Sacro pode ser escutado na íntegra aqui:

Todas as datas da digressão nacional de Amanda Gonsalez podem ser consultadas em baixo:

Évora

26/05 - Festival Artes à Rua:
Local: Espaço Celeiros - R. de Eborim 16, sala 1
Horário: 21h
Entrada por ordem de chegada, 20 lugares.

27/05 - Festival Artes à Rua:
Local: Praça do Giraldo 
Horário: 19h
Entrada Livre

28/05 - Festival Artes à Rua:
Local: Adro da Sé 
Horário: 19h
Entrada Livre

Coimbra

04/06 - Salão da Frida
Local: Rua de Montarroio 67 
Horário: 19 h
Valor dos convites: Contribuição livre

15/06 - Ciclo de Teatro e Artes Performativas - Mimesis
Local: Escadaria do colégio de São Jerónimo na Universidade de Coimbra
Horário: 17h
Entrada gratuita mediante reserva de convites no email: amandagonsalesdearaujo@gmail.com

Lisboa

10/06 - Sarau Delas
Local: Tropismo - R. Correia Teles, 107A
Horário: 19h
Convite: 4€
Reservas pelo número 930 521 770

18/06 - PENHA SCO / galeria de arte
Local: R. Neves Ferreira, 10B
Horário 19h
Convite: 5 euros
Reservas: penhasco.artecoop@gmail.com

Porto

25/06 - Casa d´Artes do Bonfim
Local: R. do Dr. Carlos Passos 59-27
Horário: 19h
Entrada livre, ingresso no chapéu

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segunda-feira, 17 de maio de 2021

Ayankoko regressa à Chinabot com 'Khmu Thidin'

O multi-instrumentista franco-laociano Ayankoko anunciou o lançamento de Khmu Thidin, segundo álbum pela plataforma multidisciplinar Chinabot e o sucessor do aclamado Kia Sao ກ້ຽວ ສາວ, de 2019. 

Agendado para o próximo dia 18 de junho, Khmu Thidin é "uma jubilosa e barulhenta montanha-russa pelo universo sónico" de Ayankoko, alias do músico e compositor David Somphrachanh Vilayleck. O álbum, composto por um extenso alinhamento de 21 faixas, é uma combinação libertária de jazz, eletrónicas glitch, ruídos e guitarras ambiente e reflete a "abordagem espontânea e colaborativa" do artista à composição, que se situa entre o elétrico e o acústico. Khmu Thidin inclui samples do povo Khmu, um dos primeiros habitantes de Laos, e foi inspirado, em parte, nos trabalhos de Nick Drake, Merzbow, Bill Orcutt Derek Bailey.

Khmu Thidin assinala o quinto lançamento da Chinabot em 2021, depois de trabalhos de Bamboo Mystics, Sarah Haras, Neo Geodesia e Jap Kasai, e encontra-se disponível para pré-encomenda no Bandcamp da editora radicada em Londres, em cassete e digital.  O seu primeiro avanço, "Dude", já pode ser conferido em baixo.

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Russian Circles regressam a Portugal em 2022


A banda de Chicago regressa finalmente a Portugal em 2022 para apresentar Blood Year, o novo capítulo de uma colecção já repleta de clássicos como Station, Geneva ou Memorial. Os concertos acontecem a 29 de abril no Porto (Hard Club) e 30 em Lisboa (LAV – Lisboa ao Vivo), tudo pela mão da Amplificasom.

Como um organismo preciso, infalível e sem sinal de desgaste, os Russian Circles percorrem desde há uma década e meia um percurso que os tem firmado como uma presença inapagável em qualquer compêndio da música pesada instrumental. Donos de uma identidade sonora inconfundível e avassaladora, fruto do casamento entre o balanço sísmico do baixo de Brian Cook, a estonteante mestria de Dave Turncrantz na bateria e o labiríntico galopar da guitarra de Mike Sullivan. 

Os bilhetes para o concerto custam 25 € e já se encontram disponíveis aqui.

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