sábado, 29 de maio de 2021

Black Lips regressam a Portugal este ano para dois concertos


Os norte-americanos Black Lips vão regressar a Portugal ainda este ano. A banda de Atlanta, na Georgia, tem concertos agendados para os próximos dias  22 e 23 de novembro, no LAV, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto, respetivamente.

Sing... In a World That’s Falling Apart, o mais recente álbum do grupo, é o mote para o regresso dos Black Lips a Portugal, depois de uma última passagem pelo Maus Hábitos, no Porto, em 2017. Editado em janeiro de 2020, o nono trabalho de originais dos americanos vê o grupo "no seu estado mais sombrio, mais perigoso e equipado com a melhor coleção de canções" desde a sua formação, que data já de 1999.

Os bilhetes custam 20 euros e já se encontram à venda em https://www.bol.pt/.


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sexta-feira, 28 de maio de 2021

7 ao mês com Mera


Nesta edição do 7 ao mês falámos com João Soares, co-fundador e produtor da label portuense Mera. Para quem anda distraído, a Mera é uma plataforma que assume o seu lugar como editora e promotora da música eletrónica desde 2019, procurando editar nova música recorrente da comunidade do underground e, em simultâneo, criar o espaço e ambiente adequado para promover essa música. A base desta promoção reside no estreitamento das relações entre público e artista, o que por si só, estimula a própria criação e a partilha da mesma. Estas duas vertentes, que identificam o propósito de existência da Mera, são definidas pelas próprias construções provenientes do espólio de cada artista, que influencia sempre o rumo da editora/promotora. Uma característica fundamental é que, a cada edição lançada, acreditam ser imprescindível a apresentação pública, dando sempre a conhecer o trabalho mais recente ao grande público.

Relativamente às escolhas desta edição, os próprios explicam: "Esta seleção circula pelas nossas primeiras fontes de inspiração, que levaram a editora onde está agora e que determinou muito o nosso sentido dentro da música eletrónica. São faixas de alguns produtores que fundaram várias editoras que também nos definiram como potencializador do meio eletrónico no mundo e uns quantos que nos deram uma motivação extra na produção de algumas noites intensas no Porto, e quem sabe, no mundo inteiro".

Dust Devices - Formation

Esta faixa foi o mote para o primeiro lançamento da editora. Depois de meses a pensar em como começar isso de uma vez por todas, o Cláudio Oliveira (Dust Devices) foi um grande impulso para o início do que é agora a discografia da editora. Uma faixa que originou também o primeiro videoclip, realizado pelos Daniel Assunção e Nelson Duarte, co-fundadores da Mera e responsáveis por toda a componente multimédia. 

Spectre Research EP é um projeto que nos aliciou a alma quando o ouvimos. Estamos a falar do trabalho dum artista sonoro que com a sua base técnica de sonoplastia, reverte esse knowledge para a produção musical e cria mundos enormes para viajar entre profundidades de campo diferentes.


Luke Vibert - I Love Acid

Luke Vibert, uma grande inspiração para todas as gerações e para todos os núcleos da música eletrónica. A "I Love Acid" em específico marcou-nos porque foi uma faixa que misturamos muitos nos nossos primeiros tempos como DJs. Quando tocavamos no Café Au Lait ou no Passos Manuel, era sempre uma faixa que nos acompanhava para transmitirmos esse lado do ácido, relacionado com o género ACID na música eletrónica, mas também a cultura dos alucinogénios que, como a música indica, é algo que nos interessa explorar.


Drexciya - Wave Jumper

Escusado fazer apresentações, mas sem dúvida que Jon Stinson e Gerald Donald marcaram toda a geração electro que veio a seguir. Inspirados pela força sonora e visual da água, misturada com história relacionada com a escravidão, que origina no mundo Drexciya, algo inigualável no mundo. Marcou-nos também porque foram os pioneiros no que chamamos hoje de electro. Nunca mais me esqueço de ouvir um set do Dj Lynce, repleto das melhores faixas deles e eu estar a absorver tudo como se estivesse a ouvir música pela primeira vez. Qualquer pessoa apaixonada por electro e techno, tem de conhecer Drexciya.


Sync 24 - Solvent Abuse

Sync 24, o fundador da Cultivated Electronics. Este produtor foi dos primeiros que absorvemos e colamos instantaneamente. Estamos a falar de um dos grandes produtores de electro, que revolucionou o mundo com a sua editora e que ainda hoje continua com os seus lançamentos consistentes que nos deixa certos do que estamos a ouvir. Há uma grande sonoridade associada a eles que não há que enganar. Sem dúvida que a estética da Cultivated é uma inspiração enorme e cada lançamento deles é uma gema para o mundo da música eletrónica.


Assembler Code Jensen Interceptor - Turnin' Headz

Esta faixa, é outra que nos acompanhou continuamente nos vários sets que fizemos pelo Porto. Lembro-me que comprei este vinil, nunca mais parei de o misturar. Levei-o para todas as noites que toquei e foi sempre um ânimo ver o público a reagir a esta faixa.

Jensen Interceptor, dono da editora International Chrome, tem sido um pilar na música electro, ghetto, techno, funk. Surreal a forma como ele consegue produzir tanto em tão pouco tempo, e como ele consegue estreitar as relações entre todo o mundo, com os seus lançamentos e edições em Berlim. Sem dúvida, um artista a ouvir. Em colaboração com o britânico Assembler Code, construíram este tema inesquecível que nunca cansa. 


Textasy - Breakbeat Lizard

Textasy, o grande motivador no que toca ghetto techno, ghetto juke, electro, breakbeat. Com a editora FTP, ele revolucionou a indústria destes géneros musicais, samplados com músicas da nossa infância, de Detroit a Chicago, com os bpms sempre altos, é impossível não dançar. A editora dele definiu uma grande fase das nossas vidas, porque nos levou a absorver de tal maneira o mundo dele, que passamos festas inteiras a partilhar este género musical sem fim. Há uma energia inerente a esta editora, que não como comparar.


Dj Frankie - No Ordinary Love

Para fechar esta rubrica, trago uma faixa do Dj Frankie que se chama "No Ordinary Love". Primeiro, o facto de ser um remix da música da Sade deixou-me logo colado, mas este electro muito próprio do Frankie, fez com que criasse uma relação mais próxima com ele e conseguisse ouvir o espólio musical todo dele. E foi um fascínio. Esta pequena relação, já tinha originado uma data no Porto, em que iríamos partilhar palco com ele e com a Na O Mi, mas infelizmente não aconteceu. Mais uma razão para partilhar este artista, porque de facto fez-nos ver as coisas para além do Porto e quase tivemos a oportunidade de estrear as festas da editora com alguém fora de Portugal.

Ele faz parte dum grupo argentino, a krew63, com o Ray Monero, Thisisperso e muitos mais, que têm uma imagem muito consolidada na música eletrónica que os define imediatamente. Todo o espólio do Dj Frankie é super reconhecível e vale muito a pena ouvi-lo. Esperamos trazê-lo cá no futuro!


Se quiserem conhecer um pouco melhor a Mera, sigam as suas redes sociais (Facebook, Instagram, Bandcamp), onde podem acompanhar os seus novos lançamentos e os seus eventos. O próximo é já amanhã, dia 29 de maio, no Passos Manuel com a performance ABRUPT (Dust Devices e Coletivo Berru).

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quinta-feira, 27 de maio de 2021

Casper Clausen apresenta álbum de estreia a solo no gnration


Casper Clausen estará em Braga este sábado, dia 29 de maio, para um concerto no gnration. A voz dos Efterklang e parte dos Liima apresenta-se na sala do espaço cultural com o novo Better Way, trabalho que assinala a estreia do dinamarquês em longa-duração.  

O álbum, lançado nos primeiros metros de 2021, recebeu o selo da germânica City Slang e assinala a primeira aventura discográfica de Clausen em nome próprio, depois de anos a limar um percurso bem-aventurado enquanto líder dos Efterklang. O disco foi produzido e misturado pelo ex-Spacemen 3 Peter Kember, e serve como carta de amor à cidade de Lisboa, onde o músico se encontra a residir atualmente.

Em janeiro, dias antes de um concerto adiado devido ao novo confinamento geral, Casper desenvolveu, em contexto de residência artística, um espetáculo centrado no álbum que irá apresentar ao vivo. O resultado, que parte das ferramentas new media para criar uma performance híbrida, pode ser conferido no sítio oficial do gnration.

O concerto, que contará com visuais em tempo real de Fátima Moreno, está agendado para as 21h15 e os bilhetes encontram-se disponíveis em bol.pt.  


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STREAM: MALABOOS - Nada Cénico



Em formato 3.0, MALABOOS apresenta o seu verdadeiro e renovado som. O novo álbum Nada Cénico foi lançado hoje e explora a simbiose entre a dureza, crueza e robustez do rock avant-garde com a delicadeza e experimentalismo do art-rock, refletindo as sinergias criadas entre a força da sua juvenilidade com a maturidade ganha na já vasta experiência musical.

Quando não há nada, encontra-se sempre mais do que se estaria à espera. Entre paisagens desprovidas de sentimento mas providas de textura, encontra-se o nosso refúgio. A filosofia destrutiva e pessimista da interpretação é assim camuflada com entoações e melodias cantantes tornando assim este álbum uma fusão de belos riffs, com pesados e marcados beats de bateria. As constastes oscilações de dinâmicas e mudanças abruptas de tempo estabelecem o limbo entre a calma e o caos, sentimentos os quais causam um agradável massacre psicológico.

Nada Cénico enaltece e exagera todos sentimentos humanos, desde os mais banais até aos mais invulgares, tornando-se assim um lugar seguro para a libertação de emoções e da viagem conjunta pela solidão constante presente em nós.

Este álbum é uma tela em branco, fica ao encargo do espectador delinear o seu próprio percurso durante esta viagem atribulada, entre paisagens verdejantes, ao encanto do mar até ao fundo de um escuro poço. Tudo é possível, tudo é válido, tudo e nada coexiste no mesmo universo auditivo, criando assim a possibilidade de uma mancha abstrata no nosso mundo utópico. Assim é, Nada Cénico.

MALABOOS nasceu há 5 anos por Diogo Silva (Guitarra e Voz) e renasce com Ivo Correia (Bateria, Voz e Sintetizador) e Rui Jorge (Baixo), apresentando-se assim em formato trio que é fruto de um entendimento musical e uma ligação pessoal muito vincada. Os dois EP já editados, Plântula e Matuta, permitiram partilhar cartaz e palcos variados com artistas de renome, tais como Mazgani - Festival Sons do Vez; Galo Canta às Duas - Festival de Jazz de Viseu; Capicua/D'Alva/Cais do Sodré Funk Connection - Festival N2; Capitão Fausto - Festival Jovem Ponte da Barca; Fugly/Quelle Dead Gazelle - Festival Ecos do Lima ou Quartet of Woah! - Capote Fest, entre outros.

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quarta-feira, 26 de maio de 2021

STREAM: Black Midi - Cavalcade


Cavalcade, o segundo álbum dos ingleses Black Midi, já se encontra disponível para escuta. O sucessor de Schlagenheim, a aclamada estreia do grupo em longa-duração, está agendado para sair na próxima sexta-feira, dia 28 de maio, em todas as plataformas digitais, mas foi disponibilizado esta quarta-feira, na sua totalidade, através de uma transmissão ao vivo no canal de Youtube da banda.  

Cavalcade começou a ser desenvolvido no final de 2019, meses depois do lançamento de Schlagenheimnos estúdios Hellfire, em Dublin, e conta com a produção de Marta Salogni e John 'Spud' Murphy. O álbum, composto por oito novos temas, foi antecedido por três singles de avanço – “John L”, “Slow” e “Chondromalacia – e inclui dois novos membros na formação, Kaidi Akinnibi (saxofone) e Seth Evans (teclados), que tomam o lugar do guitarrista e fundador Matt Kwasniewski-Kelvin, que deixou o grupo devido a complicações relacionadas com saúde mental.  

A transmissão teve começo pelas 19h e inclui uma breve entrevista aos membros dos Black Midi. Confiram-na em baixo.

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terça-feira, 25 de maio de 2021

Evian Christ e Iglooghost na primeira edição do festival FENDA em Braga


O festival FENDA, em Braga, acontece entre os dias 25 e 27 de Junho e o seu cartaz já é conhecido, como avançou a organização esta terça-feira. Inserido no programa oficial Braga -  Capital da Cultura do Eixo Atlântico 2021, o evento multidisciplinar organizado pelocoletivo Cosmic Burger em parceria com a Câmara Municipal de Braga propõe disseminar a música, a performance e as artes visuais através da intervenção urbana na cidade.

No campo da música, os destaques vão para os britânicos Evian Christ Iglooghost. O primeiro, um dos arquitetos sonoros do maníaco Yeezus, de Kanye Westregressa a Braga (depois de uma última atuação nas Noites Brancas em 2017) para apresentar “um AV set preparado em exclusivo” para o festival. Já Iglooghost, que conta edições pela Brainfeeder de Flying Lotustraz consigo o seu novo álbum Lei Line Eon, magnífica obra que cruza eletrónicas distópicas com improváveis arranjos de câmaraNo contingente nacional, o certame faz-se composto pelos nomes de Catnapp, Ângela Polícia e o coletivo Wav.in

BEK, mynameisnotSEM, Lourenço Providência, LIDIA CAO, Sebastião Peixoto, Nelson Duarte, Tayone, Mariana A Miserável, Júlio Dolbeth, Mariana Malhão, Serafim Mendes e Teresa Arega são os artistas responsáveis pela intervenção artística nas várias ruas, fachadas e montras da cidade. 


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Primavera Sound Barcelona revela alinhamento para 2022


Foi hoje anunciado o certame da próxima edição do festival Primavera Sound em Barcelona, que regressa para uma versão alongada entre os dias 3 e 12 de Junho de 2022.

Após o pousio forçado devido ao adiamento das edições de 2020 e 2021, o vigésimo aniversário do congénere espanhol vai multiplicar a sua duração. Serão 11 dias de concertos sem interrupções que terão o seu epicentro no Parc del Fòrum durante dois fins-de-semana, de 2 a 4 de junho e de 9 a 11 de junho, sendo que no domingo, 12 de junho, o festival encerrará na praia e em festa com o Brunch - On The Beach. No intervalo, de 5 a 8 de junho, o Primavera a la Ciutat abrigará mais de 150 espetáculos em diferentes pontos de Barcelona.

Quanto ao alinhamento, revelado esta terça-feira, sabe-se que o primeiro fim de semana será composto por The Strokes, PavementTyler, The Creator,Tame Impala, Gorillaz e Massive Attack, que já figuravam no cartaz da edições de 2021, e Nick Cave & The Bad Seeds, que vêm para "completar uma lista estelar e intergeracional de cabeças de cartaz". O certame faz-se ainda composto pelo regresso aos palcos dos Bauhaus, de Peter Murphy, Charli XCX, C. TenganaEinstürzende Neubauten, Rina Sawayama, 100 Gecs e, entre outros, Autechre.

O segundo fim de semana aposta numa direção mais pop, com Dua Lipa, Lorde, Megan Thee Stallion e Jorja Smith entre os nomes de maior destaque. The Strokes, Tyler, The Creator, Tame Impala, Gorillaz, Massive Attack, entre outros nomes do primeiro fim de semana, fazem a dobradinha. O cartaz inclui ainda a presença dos Interpol, regresso aos palcos dos Yeah Yeah Yeahs, de Karen O, Playboi Carti, Run the Jewels, Big Thief, Squid, Dry Cleaning, A.G. Cook e Danny L. Harle.

Já o Primavera a la Ciutat garante a presença de Beck, Jamie xx, Disclosure, Interpol, Jorja Smith, Megan Thee Stallion, Charli XCX, King Gizzard & The Lizard Wizard, 100 gecs, Slowdive, Jawbox, Jehnny Beth e Les Savy Fav, além de novidades como The Magnetic Fields, Chet Faker, Sons of Kemet, Bad Gyal, Iceage, Kero Kero Bonito e Kamaal Williams e festas temáticas dedicadas a editoras como a PC Music, Year0001 (na companhia de Yung Lean, Bladee, Ecco2k e Thaiboy Digital), 4AD, City Slang ou a ugandesa Nyege Nyege Tapes.

Nina Kraviz, Amelie Lens, Peggy Gou, entre outros atos de renome do panorama da música eletrónica, encerram o evento na praia de Sant Adrià de Besòs.

O cartaz do NOS Primavera Sound, que acontece de 9 a 12 de junho, deverá ser conhecido na próxima semana.


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segunda-feira, 24 de maio de 2021

Império Pacífico no Lux: o regresso do Exílio


Flagship marca o regresso em 2021 de Império Pacífico, o projeto de Luan Bellussi e Pedro Tavares, num trabalho digital de seis temas, com a colaboração de Noiva e Bitrot. O sucessor de Exílio (2020), lançado com selo da Leitura Tropical, teve apresentação no dia 19 de maio, numa das casas mãe da eletrónica, o Lux Frágil.

A Threshold Magazine esteve presente para assistir ao "confronto entre batidas ásperas e sintetizadores" que caracteriza este projeto e que se tem vindo a revelar como um dos nomes a "destacar do futuro da eletrónica ambiental portuguesa".

Fiquem com a reportagem audiovisual deste evento que decorreu no âmbito da programação da Circuito Lisboa.


Fotografia e vídeo: Virgílio Santos

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Future Islands dão concerto em Lisboa em março de 2022


Os norte-americanos Future Islands vão regressar a Portugal para um concerto em 2022. O Campo Pequeno, em Lisboa, é o local escolhido para acolher a banda de Samuel T. Herring, que atuará no dia 10 de março do próximo ano. O grupo, que já atuou por cinco vezes em Portugal, traz consigo As Long As You Are, sexto álbum de estúdio editado em 2020 pela histórica 4AD

Naturais de Greenville, na Carolina do Norte, mas radicados em Baltimore, o atual quarteto formado em 2006 conquistou maior falatório a nível global em 2014, ano em que apresentou o tema “Seasons (Waiting On You)" no programa televisivo "Live on Letterman", do mítico apresentador americano David Letterman. A canção foi considerada a melhor desse ano para a Pitchfork e projetou o grupo para a estratosfera da nova música alternativa. Desde então, os Future Islands editaram mais dois álbuns: The Far Field (2017) e o último As Long As You Are, que assinala o primeiro registo com o baterista Mike Lowry como membro e  compositor oficial.

Os bilhetes para o concerto em Lisboa estão disponíveis para compra a partir da próxima quarta-feira, dia 26 de maio, a custos que vão dos 28€ aos 34€.


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