quarta-feira, 2 de junho de 2021

STREAM: Daniel Catarino - Isolamento Voluntário?


Editado na passada quinta-feira pela Saliva DivaIsolamento Voluntário? é o novo disco de Daniel Catarino, mas não estava pensado para o ser. As canções foram surgindo quase como diário cronológico do autor alentejano durante a pandemia, com o intuito de escamotear os momentos em que cada uma delas sentiu necessidade de nascer.

"Não tenho mais medo de morrer do que ontem" e "Um cruzeiro sem embarque" abordam dúvidas e receios do início do confinamento, "Candidatura" e "Coração Muito Estreito de Gibraltar" são olhares preocupados com a sobrevivência e a liberdade. "Conversa de Cama / Bom Dia", que é lançada em simultâneo com o disco, resume a esperança e o delírio que se instalaram desde março de 2020. Ao desaguar no caos, este final tanto é epílogo do ontem como prólogo do amanhã.

Se em Sangue Quente Sangue Frio se destacavam os instrumentos acústicos, em Isolamento Voluntário? entramos no campo de um indie rock que pisca o olho ao psicadelismo e à música de intervenção. A isto não são indiferentes as participações do disco: Nuno Markl, Inês Barbosa, Pedro Pestana (10 000 Russos, Tren Go! Sound System), João Baião (Amanita Ponderosa), Joel Fausto (Omitir), Xinês (Awaiting The Vultures), Rapaz Improvisado e Eddie Santos emprestaram à distância as suas vozes e talentos a estas canções em que, à imagem dos trabalhos anteriores, Daniel Catarino usa as palavras para traçar retratos poéticos e viscerais.

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Nick Cave, Pavement e Tame Impala no NOS Primavera Sound 2022


O prometido é devido: voltaremos a dançar em 2022. Depois de ter sido adiada por duas vezes, a nona edição do NOS Primavera Sound terá lugar durante três dias, entre 9 e 11 de junho, no Parque da Cidade do Porto.  

O cartaz, revelado esta quarta-feira, é uma mistura entre nomes que já constavam no alinhamento deste ano e novas adições. Nick Cave and The Bad Seeds, que não entravam nas contas da edição de 2021, são a principal novidade. O grupo australiano, que viu a digressão europeia que o traria a Portugal cancelada, tem reencontro marcado com o Porto depois de uma emotiva passagem pelo festival em 2018. Pavement, Tame Impala, Beck e Gorillaz também encabeçam o alinhamento, que em breve terá mais confirmações, adianta a organização.

Relativamente ao cartaz que tinha sido anunciado para este anoTyler, The Creator, Bad Bunny, Doja Cat e FKA twigs são algumas das baixas mais significativas. Entre as novidades alinhadas para 2022, para além de Nick Cave and The Bad Seeds, contam-se, entre outros, os nomes de Slowdive, Japanese BreakfastBeach Bunny e a cantora luso-americana Sky Ferreira, que volta ao festival onde atuou pela última vez em 2014.

Black Midi, King Krule, C. Tengana, Bad GyalEarl Sweatshirt, JawboxKim GordonCaroline Polacheck, Rina Sawayama, Pabllo VittarAvalon Emerson 100 gecs são outros dos mais de 60 artistas que estarão no Parque da Cidade em 2022. Entre os artistas anunciados estão também os portugueses Pedro MafamaDavid Bruno, Nídia, Montanhas Azuis, Rita Vian e Throes + The ShineConsulta a programação completa aqui.

Tal como aconteceu no ano passado, os bilhetes adquiridos para as edições de 2020 e 2021 são válidos para a edição 2022. Para isso, é obrigatório efectuar a troca do bilhete do NOS Primavera Sound 2020 ou 2021 por um bilhete válido para a edição de 2022. Esta troca deverá ser feita no ponto de venda onde foi adquirido, a partir do dia da abertura da venda para 2022 e até ao dia 31 de Dezembro de 2021, não tendo qualquer custo associado.


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Sensible Soccers e Angélica Salvi nas primeiras confirmações do Festival A Porta

© Ricardo Graça

Leiria vai voltar a dançar, já nos três primeiros fins-de-semana de julho. A ocasião? 

O regresso do Festival A Porta, que traz consigo um contigente maioritariamente nacional, onde se destacam as presenças de Sensible Soccers, Sunflowers e Yakuza. Além destes coletivos, fazem também parte do alinhamento nomes como a harpista Angélica Salvi, a cantautora Arianna Casellas, a colaboração entre Dada Garbeck e Ricardo Martins, a experimentalista vocal Ece Canli, o instrumentista Braima Galissá, o projecto Herlander e o violinista Samuel Martins Coelho

Confirmado está também um ciclo de cinema documental que integrará três filmes do cineasta Pedro Neves. Documentarista e jornalista freelancer, Neves é conhecido pelo seu trabalho especialmente conectado com a representação de histórias ligadas a comunidades e por uma obra marcada por questões sociais e políticas prementes. N’A Porta serão exibidos: Os Esquecidos (2009), Acima das Nossas Possibilidades (2014), filme integrado no Projecto Troika, e a longa metragem Tarrafal (2016).

Com um alinhamento e ocupação de espaço adaptados às novas circunstâncias que se vivem no país, o evento voltará a agregar a música, a criação colaborativa e a activação de espaços e memórias comuns através da cultura, tendo como ponto central a Villa Portela, localizado no coração da cidade, datado do final do século XIX e com mais de 17.000 metros de espaço verde.

Para além da música e da criação artística, A Porta 2021 integrará ainda conversas e um programa para famílias. A sexta edição decorrerá assim nos dias 2, 3, 4, 9, 10, 11, 16, 17 e 18 Julho, com novos detalhes do alinhamento a serem anunciados nas próximas semanas.

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terça-feira, 1 de junho de 2021

Miguel Abras estreia-se a solo com 'Em Nuvens'

Em Nuvens é a estreia de Miguel Abras a solo. A Cafetra Records é o selo responsável pelo lançamento do primeiro álbum em nome próprio do membro dos Putas Bêbadas, disponível desde esta terça-feira no Bandcamp da editora de Lisboa.

O álbum, composto por oito canções de recorte lo-fi, foi produzido, tocado, composto e gravado por Abras, mas inclui um abrangente leque de convidados ilustres: Maria Reis, que editou este ano o EP A Flor da Urtiga, contribui com voz, guitarra, baixo e produção nos temas "A-Dias" e "Cinderela", Simão Simões assina a produção de "Andar à Penda" e Michael Kelley a gravação de "Castanha", registada ao vivo na Galeria Zé dos Bois. A fotografia é da autoria de Lourenço Crespo e o design de Rudi Brito.

O álbum assinala o terceiro lançamento da Cafetra em 2021, que carimbou os últimos trabalhos de Maria Reis e Conjunto Irreal. Confiram-no em baixo.

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ALLVENUES quer juntar Portugal e Galiza num circuito de concertos


A ALLVENUES é uma plataforma online para venues e agentes, com o intuito de formalizar um circuito de pequenas salas de concertos entre o Norte de Portugal e a Galiza. Esta plataforma constitui um meio de comunicação especializado que permite partilhar oportunidades de programação e promoção de eventos. 

Desenhada no ano de 2019, a ALLVENUES representa, mais do que nunca, uma mais-valia para um setor que se encontra extremamente fragilizado. Esta rede imaterial de salas, agentes, músicos e público, tem como propósito fortalecer as sinergias entre estruturas de diferentes cidades na região transfronteiriça do Norte de Portugal e da Galiza, com o objetivo de demonstrar a proximidade e ligação entre estes dois contextos que vivem atualmente cenas independentes. 

Na primeira fase, a decorrer nas próximos semanas, a ALLVENUES irá pôr em prática um programa formativo através de workshops ministrados por profissionais experientes que desenvolvem a sua atividade na indústria da música. O objetivo é capacitar os agentes culturais das pequenas salas de espetáculos com boas práticas do setor e desenvolver as suas competências profissionais, de modo a que correspondam adequadamente às necessidades do seu trabalho. Numa segunda fase, de modo a expor as venues e a apresentar os espaços, será desenvolvido um circuito de concertos nas salas portuguesas e galegas já associadas. 

Com programação e produção ALLVENUES, músicos de Portugal e Espanha terão a oportunidade de se apresentar nestas venues, dando a conhecer a plataforma e as suas vantagens. Esta fase funciona como exemplo da materialização do projeto, sendo o objetivo final que as venues e músicos possam, de forma independente, usufruir das suas potencialidades. Nesta fase, apenas as salas já associadas farão parte do circuito, sendo posteriormente alargada às demais que se queiram associar.  

A ALLVENUES é um projeto apoiado pelo programa europeu Europa Criativa no âmbito da “Cooperação de Pequenas Salas de Concertos”, promovida por um consórcio formado pela A macho alfa, pela espanhola La Melona e pelo Maus Hábitos.

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segunda-feira, 31 de maio de 2021

"lullaby" é o primeiro single de toubkal


the great round ep, o trabalho inaugural de toubkal, será lançado em outubro deste ano, de forma independente em formato físico e digital, sendo composto por 4 temas originais e um tema original exclusivo para formato físico. O primeiro single, denominado "lullaby", é lançado hoje em todas as plataformas digitais.

toubkal - a terra que fala ou aquele que acredita na terra - é a estreia a solo do portuense Bruno Barreira. Este apresenta-nos um indie-folk lento e contemplativo, com ênfase em guitarras acústicas e harmonias de vozes sussurradas. Pianos intimistas, melodias de ambient-guitar e teclados analógicos contribuem para a paisagem sonora criada, evocando assim um imaginário de serenidade e intimidade com o mundo e as pessoas que nos rodeiam. 

Em termos estéticos, toubkal inspira-se em universos criados por artistas como Sufjan Stevens, José González, Patrick Watson, Ben Howard e Noiserv: são várias as obras destes autores que servem de referência e influência para a sua música.

"lullaby" é um agradecimento. As guitarras lentas e as vozes sussurradas desta canção falam-nos de intimidade, de amizade e de podermos crescer com as nossas relações. Falam-nos de nos tornarmos melhores pela presença dos que nos são próximos e de como estes podem expandir o nosso olhar sobre o mundo. Falam-nos da serenidade da partilha e de sonhar em conjunto. "lullaby" é um agradecimento a poder viver tudo isso.

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Bia Maria lança vídeo para "Oliveirinha da Serra II"


A artista Bia Maria lançou na passada sexta-feira o vídeo para "Oliveirinha da Serra II", uma das músicas de Tradição, o seu mais recente EP, lançado em parceria com a MPAGDP, que pretende ser uma homenagem à música portuguesa ao mesmo tempo que afirma um olhar jovem e renovado de uma mesma tradição.

O EP conta com músicas tradicionais interpretadas pela artista, que lhes dá o seu cunho pessoal envolvendo-os em frescura e originalidade, ao mesmo tempo que se mantém fiel à antiguidade, emoção e sentido das canções. Além disso, conta com excertos de gravações de vários projetos da MPAGDP, que fazem a ligação ao que a música tradicional portuguesa tem de mais especial: as histórias passadas de voz em voz ao longo do tempo.

É esta frescura e originalidade que ouvimos em "Oliveirinha da Serra II", e que agora surge materializada num vídeo que tenta representar uma antiguidade inevitavelmente ligada ao presente. A Mulher, ou as Mulheres, interpretadas pela artista, visam simbolizar o sagrado e o profano juntos na Mãe-Terra, que equilibra o mundo com a sua energia feminina. As três personagens transportam-nos para uma época já mais afastada da memória, mas que vive na voz da tradição oral que foi mantida viva diariamente através do canto popular. Assim, o vídeo coloca um olhar crítico no tipo de papéis realizado pela mulher na sociedade, olhar esse que, tal como a música, se apresenta atualizado em relação ao tradicional.

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