quinta-feira, 16 de julho de 2020

Soft People anunciam novo disco, 'Absolute Boys'

© Deborah Denker

Três anos depois de terem lançado cá para fora American Man (2017, self-released) os californianos Soft People estão de regresso às edições com Absolute Boys. O novo longa-duração é anunciado juntamente com o segundo tema de avanço "New Moon" que é agora apresentado no formato audiovisual. Se em American Men os Soft People abordaram questões existenciais ao redor de temas como a política americana, o apocalipse climático e a violência, em Absolute Boys a dupla apresenta uma meditação sobre o romantismo queer como uma forma de marchar contra a opressão. Com o novo tema na calha, utilizam a cadência da música, juntamente com a sua estrutura orbital e todo um ambiente visual bizarro para mostrar isso mesmo.

O vídeo para "New Moon" surgiu da paixão que Caleb Nichols nutre pelo vídeo de Blind Melon para a música "No Rain" (1994), onde estrela a infame e muito amada Bee-Girl. Nichols imaginou a história da Bee-Girl contada mais de vinte anos depois: o que ela faria em 2020, durante a quarentena? O resultado é uma paisagem surrealista e estranha que personifica muito os traços da sensibilidade indie pop em que os Soft People têm trabalhado nos últimos anos. Enquanto o novo disco não chega podem absorver o vídeo para "New Moon" abaixo.

Absolute Boys tem lançamento previsto para outubro na alçada Sandwich Kingdom


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quarta-feira, 15 de julho de 2020

Semibreve apresenta edição alternativa para 2020



De 24 a 25 de outubro, o Semibreve regressa para a sua primeira edição digital, convidando os participantes a interagir virtualmente com obras e performances sonoras exclusivas especialmente encomendadas para o evento. Face ao novo contexto gerado pela covid-19, o festival dedicado ao melhor da música eletrónica e artes digitais foi obrigado a pensar numa "edição alternativa, que parte da ideia de reclusão para apresentar um programa diversificado para ser apreciado a uma distância segura".

A edição de 2020 do Semibreve, que este ano celebra dez edições, acontecerá online, através do site do festival, e localmente dentro dos limites do Mosteiro de São Martinho de Tibães, em Braga. O programa será composto por peças sonoras exclusivas, mesas redondas destinadas a discutir música e arte sonora nos dias de hoje, instalações audiovisuais, transmissão de concertos ao vivo, residências artísticas e oficinas.

Jim O'Rourke, Tyondai Braxton, Beatriz Ferreyra, Keith Fullerton Whitman, Jessica Ekomane, Ana da Silva e Kara-Lis Coverdale ocuparão as salas do mosteiros com novas peças especialmente gravadas para o efeito, disponíveis presencialmente para um número limitado de visitantes e online no site do festival entre os dias 24 e 25 de outubro.  


O programa de mesas redondas será filmado profissionalmente e transmitido na Sala do Capítulo, no mosteiro. Ao todo são quatro as conversas que juntarão David Toop, Jessica Ekomane e Nuno Crespo para discutir o Físico e o Virtual no âmbito da criação contemporânea; Chris Watson, Margarida Mendes e Raquel Castro sobre som e ecologia; José Moura , Mike Harding, Nkisi e Rui Miguel Abreu sobre a lógica editorial pós-pandemia; e Nik Void, Alain Mongeau, Pedro Santos e Gonçalo Frota para discutir as implicações performativas da pandemia, com ênfase na música eletrónica e na arte sonora. Um número muito limitado de visitantes poderá participar das sessões no local.

O festival continuará a explorar a noção de reclusão através das residências artísticas de Pedro Maia, Laurel Halo, Klara Lewis, Nik Void e Oliver Coates. Os últimos quatro apresentarão o material resultante da residência, sem audiência, dentro dos muros do mosteiro. Essas apresentações, filmadas em parceria com o Canal180, estarão disponíveis como conteúdo transmitido ao longo do festival.  

O mosteiro também apresentará instalações várias audiovisuais, acolhendo o vencedor do Prémio EDIGMA Semibreve e os vencedores do EDIGMA Semibreve Scholar. Esses trabalhos também serão documentados e apresentados virtualmente.  

Os titulares de passes para a edição 2020 do Semibreve poderão transferir os seus ingressos para a edição de 2021 ou solicitar um reembolso. O acesso ao Mosteiro terá um custo de 4 euros, que será revertido inteiramente para apoiar a renovação e manutenção deste edifício histórico. A inscrição será limitada à capacidade definida pelas autoridades de saúde no momento do festival.

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MONO e A.A. Williams tocam em Portugal no próximo ano


Esbatendo as fronteiras entre o post-rock e a música neoclássica, o quarteto japonês MONO propõe-se, nas suas próprias palavras, a "comunicar o incomunicável". Movendo-se graciosamente entre delicadas melodias, evocativas orquestrações e violentas paredes de som, a música dos MONO captura e reflete as nuances de cada emoção humana – da tristeza à exultação, da serenidade à cólera –, com cada uma das suas composições a desencadear uma intensa viagem introspectiva. Depois de uma série de concertos memoráveis no passado recente, os MONO regressam a Portugal mais uma vez pela mão da Amplificasom, para uma data dupla de apresentação do mais recente álbum.

Antes dos Mono, subirá ao palco A.A. Williams, que mostrará o porquê de Forever Blue ser um dos debuts mais aclamados dos últimos tempos. Com influências desde o post-rock até à dark folk, e fazendo também referências a nomes como PJ Harvey e Emma Ruth Rundle, a assombrosa música da artista londrina soará pela primeira vez ao vivo em Portugal nesta ocasião.

Os concertos terão lugar no Hard Club, na noite de 29 de Março, e no Lisboa Ao Vivo, a 30 de Março. Os bilhetes estarão á venda em breve.


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7 ao mês com Daisy Mortem


A celebrar seis meses da edição de Faits Divers achámos por bem dar foco ao trabalho de um dos mais ecléticos e selvagens grupos dos últimos tempos: a dupla francesa Daisy Mortem. Cindy Blurray e Vampiro Maracas têm forjado no mundo da eletrónica o seu universo musical muito próprio. Com uma dedicação contagiante que incorpora no produto de consumo todo um lado bizarro, ao escutar o trabalho dos Daisy Mortem facilmente somos projetados para uma parede de som experimental que cria uma harmonia concisa num caos constante. 

Absorvidos pela engenharia da fórmula aditiva que os Daisy Mortem têm aprimorado nos últimos anos, quisemos saber de onde veio a fonte de inspiração, não só na música, mas também na formação das suas personas. Assim, para integrar a lista de convidados do 7 ao mês, fomos até França conhecer os Cindy Bluray e Vampiro Maracas através da sua playlist. Pedimos para selecionarem sete artistas e contarem-nos a história por trás. 

Eis o resultado:



Marilyn Manson - Antichrist Superstar (1996) 

Vampiro Maracas: Nós descobrimos este álbum quando tínhamos 14 anos e ficámos completamente seduzidos por ele, pelo sentimento de fruto proibido que tivemos quando o ouvimos. Este álbum evoca imagens tão intensas. É como se sentisses que estás preso numa caverna húmida, à procura de uma saída enquanto o ouves. A maneira como ele e a sua equipa criam uma decoração e um ambiente sonoro totalmente realizados é algo que tentamos reproduzir no nosso trabalho. O álbum é tão invasivo e isso é um crédito ao incrível talento de Marilyn Manson

Cindy Bluray: Depois deste álbum, nós descobrimos os Nine Inch Nails, uma vez que foi o Reznor que produziu o Antichrist Superstar, e provavelmente descobrimos aqui a nossa influência mais profunda. Há tanta honestidade, integridade e exigência artística no seu trabalho que faz com que tu acredites que podes fazer algo de bom neste mundo.





Linn da Quebrada - Pajubá (2017) 

Vampiro Maracas: Eu vi Linn da Quebrada ao vivo quando morava no Porto há alguns anos atrás. Não se comparava a nada do que eu já vi, no melhor sentido possível. Ela desfoca as linhas de várias maneiras, desde as suas canções tropicais e industriais até à sua estética do tipo sirene aterrorizante. Existe essa qualidade bruta e crua nela que eu amo. Graças a ela, pude descobrir o baile funk e uma incrível cena brasileira que não é muito conhecida na Europa. Essas influência podem ser encontradas no nosso trabalho nos temas "Arêtes" e "Gamelle". 





Mr. Bungle - California (1999) 

Cindy Bluray: A maioria dos projetos do Patton tem uma grande influência em mim. A música dele ensinou-me algumas coisas fundamentais: como traduzir sensações cinematográficas em música, como trabalhar em várias cores e cruzamentos inesperados de géneros, como tocar com narração musical e, talvez o mais importante, como fazer uma música com elementos humorísticos sem ser irónico ou cínico. 




SOPHIE - Oil Of Every Pearl's Un-Insides (2018) 

Vampiro Maracas: Na minha opinião, Sophie é uma das artistas mais fascinantes dos últimos anos. Ela elevou com sucesso a música club através das suas produções vanguardistas e experimentais. Ela mudou completamente a maneira como eu produzo, influenciando a utilização de sons de textura, em vez de instrumentos e a forma como eu transformo e desconstruo os sons em vez de usar samples. Quando ouvi a música da Sophie pela primeira vez, foi como passar de 2D para 3D, uma evolução total. Criativamente, é realmente inspirador. 

Cindy Bluray: Eu amo como ela não usou a música do clube e as vibrações brilhantes de uma maneira irónica, mas realmente como uma maneira de expressar algo profundo e bonito. Ela também conseguiu o desafio de fazer não apenas bangers, mas também um álbum narrativo real. 





JPEGMAFIA - Veteran (2018) 

Cindy Bluray: Com os naughtybabysub, um dos meus projetos paralelos, tocámos em Nova York há alguns anos atrás com ele. Então eu fiz uma pequena tour pela França com ele antes da sua explosão no panorama. Eu realmente aprendi profundamente com essa experiência. Todas as noites ele dava tudo, cativava as pessoas. Como alguém que vem do nada e faz tudo de forma DIY, com uma abordagem de vanguarda, mas popular ao mesmo tempo. O Peggy realmente faz-me dedicar mais a ser um artista. Além disso, a abordagem "veterana" de ruídos, amostras e intervalos foi uma grande influência para criar o som de Faits Divers





Bauhaus - Burning From The Inside (1983) 

Vampiro Maracas: Descobri este disco quando tinha 15 anos e estava de férias com o meu tio. Embora seja muito escuro, ainda consigo obter uma vibração energética tão animada dele. Há um lado selvagem e intenso neste álbum que eu amo. Estilisticamente, eles terão criado uma mistura de medieval, gótico e pop com referências super interessantes, como a música deles sobre o Antonin Artaud, um dramaturgo francês de vanguarda. Eu vi-os ao vivo em Portugal há dois anos... foi incrível. A presença elegante e teatral de Peter Murphy no teatro é definitivamente uma grande influência nas nossas apresentações ao vivo. 

Cindy Bluray: O Peter Murphy tem essa intensidade do bruxismo, quase xamânica na sua voz que me influenciou bastante e me ajudou a encontrar a minha maneira de cantar. É mesmo selvagem, cru, possuído. Há algo eternamente vivo na voz dele. 





Mindless Self Indulgence - Frankenstein Girls Will Seem Strangely Sexy (2000) 

Cindy Bluray: Esta é uma das bandas que salvou a minha vida. Essa mistura caótica e histérica de sensualidade, homossexualidade, estupidez, música eletrónica punk-hip-hop da selva emocional foi a minha salvação. Houve um momento na minha vida onde eu literalmente ouvia os MSI todas as manhãs para ter forças para me levantar e tomar banho. Com humor e raiva, há um sentimento invencível que realmente te ajuda a lutar. Além disso, como um cantor bissexual a gozar consigo, foi realmente algo único quando eu era adolescente. Obrigado Jimmy por isso. 




Se quiserem saber mais sobre os Daisy Mortem aproveitem para os seguir através do Facebook ou pela sua página do Bandcamp, onde podem comprar o seu mais recente disco Faits Divers





------------ ENGLISH VERSION ------------ 


In order to celebrate the six-month mark of the Faits Divers, we decided to focus on the work of one of the most eclectic and wildest groups of recent times: the French duo Daisy Mortem. Cindy Bluray and Vampiro Maracas have forged their very own musical universe in the electronics world. With a contagious dedication that incorporates a bizarre side into the consumer product, when listening to the work of Daisy Mortem we are easily projected to an experimental sound wall that creates a concise harmony in constant chaos.

Absorbed by the engineering of the additive formula that Daisy Mortem has improved over the last few years, we wanted to know where the source of inspiration came from, not only in music but also in the formation of their personas. So, to join our 7 ao mês guest list, we went to France to meet Cindy Bluray and Vampiro Maracas through their playlist. We asked them to select seven artists and tell us the story behind it. 

Here is the result:




Marilyn Manson - Antichrist Superstar (1996)

Vampiro Maracas: We discovered this album at 14 years old and we were completely seduced by it, by the forbidden fruit feeling we had when we listened to it. This album evokes such intense imagery; you'll feel like you’re stuck in a humid cave, looking for an exit, while listening to it. The way the team with him creates a fully-realized sonic decor and environment is something we try to reproduce in our work. The album is so invasive and this is a credit to Marilyn Manson's incredible talent. 

Cindy Bluray: After this album blew our mind we discovered Nine Inch Nails, as Reznor produced Antichrist Superstar, and we found probably our deepest influence. There's such honesty, integrity and artistic exigency in his work, that makes you believe you can do something great in this world. 





Linn da Quebrada - Pajubá (2017)

Vampiro Maracas: I saw Linn da Quebrada live when I was living in Porto a few years ago. It was like nothing I'd ever seen, in the best possible sense. She blurs the lines in so many ways, from her songs that are both tropical and industrial to her aesthetic as a terrifying siren. There is this raw and crude quality about her that I love. Thanks to her, I was able to discover baile funk and an incredible Brazilian scene that isn't very well known in Europe. You can see this influence in our songs "Arêtes" and "Gamelle".





Mr. Bungle  - California (1999) 

Cindy Bluray: Most of Patton's projects have a great influence on me. His music taught me a few fundamental things: how to translate cinematographic sensations into music, how to work on multiple colors and unexpected genres crossing, how to play with musical narration, and, maybe the most important, how to do music with humoristic elements without being ironic or cynical. 





SOPHIE - Oil Of Every Pearl’s Un-Insides (2018) 

Vampiro Maracas: In my opinion, Sophie is one of the most fascinating artists of the last few years. She successfully elevated club music with her avant-garde and experimental productions. She completely changed the way I produce, influencing my use of textural sounds instead of instruments, and how I transform and deconstruct the sounds instead of using standard samples. When I first heard Sophie’s music, it was like going from 2D to 3D, a total evolution. Creatively, it’s truly inspiring. 

Cindy Bluray: I love how she didn’t use club music and glittery vibes in an ironic way, but really as a way to express something deep and beautiful. She also succeeds in the challenge to do not only bangers, but a real narrative album. 





JPEGMAFIA – Veteran (2018) 

Cindy Bluray: With naughtybabysub, one of my side projects, we played in New-York a few years ago with him. Then I had a little tour in France with him before he blew up. I really learned deeply from this experience. Each night he was giving everything, captivating people. As someone coming from nothing, doing everything DIY, with a very avant-garde approach but popular at the same time, Peggy really makes me devote deeper into being an artist. Also, the "Veteran" approach of noises, samples and breaks was a big influence to create Faits Divers’s sound.





Bauhaus - Burning From The Inside (1983) 

Vampiro Maracas: I discovered this album when I was 15 years old on vacation with my uncle. Though it’s pretty dark, I still get such a lively energetic vibe from it. There is a wild, intense side to this album that I love. Stylistically, they’ll have a blend of medieval, goth and pop with super interesting references, like their song about Antonin Artaud, an avant-garde French dramatist. I saw them live in Portugal two years ago… it was incredible. Peter Murphy's elegant and theatrical stage presence is definitely a big influence on our live performances. 

Cindy Bluray: Peter Murphy has this witchy, almost shamanic intensity in his voice that influenced me a lot and helped me find my way to sing. It's just wild, raw, possessed. There's something eternally alive in his voice. 





Mindless Self Indulgence - Frankenstein Girls Will Seem Strangely Sexy (2000) 

Cindy Bluray: This is one of the bands that saved my life. This chaotic, hysterical mixture of sexyness, gayness, stupidity, jungle punk hip-hop electronica emocore saved me. There’s a moment I literally listened to MSI every fucking morning to give me the strength to get up and shower. With humor and rage, there’s an invincible feeling that really helps you to fight. Also as a bisexual singer making fun of himself, it’s really something that was unique when I was a teenager. Thanks Jimmy for this. 




If you want to know more about Daisy Mortem make sure you follow them on Facebook or at their Bandcamp page where you can buy the recently Faits Divers.




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terça-feira, 14 de julho de 2020

Tó Trips no regresso dos concertos ao Jardim da Casa das Artes Bissaya Barreto

© Raquel Castro 
Tó Trips é um dos guitarristas portugueses com maior reconhecimento das últimas duas décadas, quer seja na companhia de Pedro Gonçalves, com quem assume os Dead Combo, tal como nos Lulu Blind, nos Santa Maria Gasolina em Teu Ventre, onde foi um dos membro da fase final da banda, ou no projeto colaborativo Timespine, juntamente com Adriana Sá e John Klima.

O artista lisboeta apresenta também um par de registos a solo, sendo o primeiro datado de 2009, Guitarra 66, editado com o selo da Mbari, seguindo-se em 2015 Guitarra Makaka – Danças a um Deus Desconhecido, disco composto por 6 cordas acústicas e uma melancolia virtuosa a experimentar géneros como a morna ou outros incatalogáveis.

Esta visita do guitarrista ao Jardim da Casa das Artes Bissaya Barreto no próximo sábado, 18 de julho, surge poucos dias após o lançamento do seu novo disco de banda-sonora Surdina, filme de Rodrigo Areias. Este novo trabalho com o carimbo da editora Revolve "entrança fado e flamenco, blues e tango”, numa língua só sua e que, “Desencarnado do contexto em que foi criado, permite sentir e sonhar para lá dos sentidos que o permearam”, como critica a jornalista Ana Patrícia Silva.

Os bilhetes têm o custo de 6€ e pode ser aqui adquiridos.

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Gary Olson in interview: "The collaboration seemed natural as we’ve been friends for nearly 20 years"

© Åke Strömer
Gary Olson is the lead singer and songwriter for Ladybug Transistor, a group that has shaped psychedelic and chamber music over the past 25 years, but is now on hold. The experienced indie rocker joined Ole Johannes Åleskjær and his brother Jorn, who met Gary many years ago when the band Loch Ness Mouse crossed paths with Ladybug Transistor on tour, resulting in an album that is a tale of two cities, or rather, two studios; one in Hayland, Norway and the other in Flatbush, Brooklyn.

Over an eight-year period, Gary visited Ole's studio-barn in the idyllic setting near the Swedish border and came up with the basis for the songs the three had written. Gary then took the recordings back to Brooklyn, where he added voices, horns and strings in his studio. The recordings returned to Norway for producer Ole to finish the tracks. By the end of 2019, this set of eleven songs naturally flourished on an album.

We spoke with Gary Olson to understand his motivation to start a "solo" career, how the collaboration with the Norwegian brothers Ole and Åleskjær became a reality and the sensations behind his new record. Read the full interview with Gary Olson below.


You are the lead singer and songwriter of Ladybug Transistor, an influential band when it comes to chamber, psychedelic and indie pop that released many studio albums in the past 25 years. What made you start a solo career?

Gary Olson - Ladybug had a long run and took a very extended break after Clutching Stems. I got busy with making other people’s records and kept on putting my own music on hold. Ole Åleskjær called me one day with the idea of a collaboration and inspired me to focus on writing and singing again. I just needed that little push. In essence it’s not a true “solo” record as it’s written with both Ole and his brother Jorn, but it’s a vehicle for my voice and trumpet so we called it Gary Olson rather than giving it a terrible band name. That also allows us to keep the live presentation flexible whether it’s a duo, trio or full band with strings.

What is your first memory of music?

GO - A lot of hymns as my dad was a Lutheran minister so I was in church every Sunday.  Unfortunately a lot of that music was pretty joyless. For pop music it was mostly disco (The Hustle!) or the Beatles early on. Those Beatles compilations with the red and blue covers.

When it comes to sitting down and writing a song, where do you tend to start?

GO - For this album it was often with a sketch of a song or riff that the Åleskjær brothers would send me in demo form. I’d listen repeatedly on walks in Prospect Park with my headphones on until something formed with words and melody. Things tend to begin phonically with me and find their own way. Sometimes it takes a while for it to all distill.

Where did the idea to record an album with the Norwegian brothers Ole and Åleskjær come from?

GO - Ole proposed the collaboration. It seemed natural as we’ve been friends for nearly 20 years and had always talked about doing something.


Gary Olson artwork
The album was recorded in two different places, Hayland, Norway and Flatbush, Brooklyn. Why does it sound much more American, recalling the sonority of Destroyer and Yo La Tengo, than Nordic?

GO - I don’t know, does it? I would think that a bit of the Norwegian landscape had crept into the record. At the same time I don’t think I’ve ever made an album that sounds like “New York City”. Ladybug was really the opposite of that.

What took you 8 years to finish the record?

GO - Well, that’s a myth. I would have hoped to have recorded an entire trilogy in 8 years! I‘m guessing the confusion stems from the release day of the last Ladybug record which was nearly 9 years ago.

You suggest that this album should be heard “in a moving train facing the window. Close your eyes and feel the sunlight pass between the trees. Open your eyes slowly and realize you've missed your stop, repeat”. Although contemplative, do you consider it a upbeat and optimistic?

GO - Yeah, I guess that was a little pretentious of me! I reckon I was just trying to say it’s best to listen too if you’re a bit relaxed. Maybe a good one to do the dishes to!


Can you tell us something about “Postcard from Lisbon”?

GO - It’s an imaginary postcard from one brother to another sent from a prison. At the time we wrote it I had never been to Lisbon but I nearly got stuck there in March when things began to get bad with the pandemic. In those days when they were cancelling flights to New York so I was considering making it my new home. It was a strange time to be a tourist but I really loved Lisbon. I walked for hours every day!

What is the song that you keep playing on the repeat now?

GO - At this moment I have "Fisherman" by the Congos stuck in my head. I’ve listened to it so many times over the years that I don’t even need to put the record on. Such a unique production by Lee Perry and distinct personality with the singers. The best kind of sensory recall.

Gary Olson was released on May 29th, in CD, LP and digital format via Tapete Records. You can buy the album here


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Two Moons - "Never More" (video) [Threshold Premiere]


Four months after the release of Over, the Italian coldwave group Two Moons is back with a new music video for the track "Never More", inspired by "the strength to go on and never look back", as the singer Emil Moonstone states. Within dense and nostalgic tunes "Never More" brings us a sonic trip where the rhythm is marked by electronic ballad with a "dream-pop" attitude, ready to conquer the soul. The new single is a swat invitation to their world: adverse, ruined, dark, where even a slight glow can bring hope, a world where even nightmares can transfigure, leaving room for light.

Over is the fifth album from Two Moons and it saw the light almost three years after their previous release Cognitive Dissonance (2017), giving them time to mature their "multi-dimensional space from irrefutable roots of cold waves, in which the synths fit guitars dilated, creating geometric evocative sound but at the same time absolutely up to date (if not futuristic)". In the video for "Never More" we can get a little taste of that portrait by watching the band performing while some of the tri-dimensional video effects, alongside the sound, drive us to a deeply intense trip. Be one of the first to watch it below.

Over was released in the 6th of march in both digital and CD formats by Icy Cold Records. You can buy your copy here before it solds out.


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Peripheral Minimal reedita 'Austerton' de Martial Canterel em CD


Austerton, o disco de estreia de Martial Canterel - projeto a solo de Sean McBride (Xeno & Oaklander- vai ser reeditado em formato CD limitado a 300 cópias já no próximo mês de agosto. O artista, que desde 2002 se tem afirmado como uma peça fundamental na cena underground da minimal-wave americana estreou-se nas edições de estúdio em 2003 com Austerton - álbum a perspetivar as suas criações peculiares com fortes vínculos às ondas mínimas e ruídos industriais de personalidade avant-garde. 17 anos depois deste feito a inglesa Peripheral Minimal arriscou e, pela primeira vez na história de carreira, editará uma edição no formato CD.

Composto pelas dez canções que originalmente integraram a primeira edição, a versão em CD de Austerton incluirá ainda um tema não lançado que se identifica sob a nomenclatura "Disappear" e já se pode escutar na íntegra abaixo. Com grande foco na exploração dos sintetizadores analógicos e caixas de ritmo, Austerton traz à memória o trabalho de nomes como Dark Day, Snowy Red, A Blaze Color ou League Of Nations ao longo de onze temas absolutamente imersivos. De carácter explorativo, melódico e extremamente minimal Austerton reflete bem o domínio das técnicas de composição por parte de McBride, juntando-lhe harmonias ora decadentes - que se vinculam com a grave e despreocupada voz - ora iminentemente estimulantes.

A versão em CD de Austerton chega às prateleiras a 14 de agosto na alçada da inglesa Peripheral Minimal. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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segunda-feira, 13 de julho de 2020

Os S. Product estreiam-se nas edições com beats suicidas


Depois do anunciado hiatus dos Sextile, corria o mês de janeiro de 2019, Melissa Scaduto e Brady Keen dedicaram-se a explorar a sua vertente artística através de projetos paralelos. Se por um lado Brady Keen fez emergir em força nas paradas underground o seu alter ego Panther Modern, por outro Melissa Scaduto juntou-se a Kyle Hamon para juntos criarem S. Product. Depois de uns tempos dedicados a aprimorar o conceito, o novo projeto de eletrónica de vertentes negras emerge agora nas playlists com o mais recente EP de estúdio Suicide Beat. Inspirados pelas correntes estéticas dos anos 90 o som dos S. Product vagueia entre as tendências da dance music sendo enriquecido por arranjos contemporâneos que evocam desde o lado mais contemplativo das ondas eletrónicas à face mais rude dos sintetizadores com traços do EBM e synth-punk em evidência.

Deste novo Suicide Beat os S. Product já tinham apresentado anteriormente o vigoroso "Waste Your Time" que, do conjunto dos cinco temas que incorpora o disco, é aquele que mais se aproxima das sonâncias exploradas no EP 3, o último lançamento na alçada dos Sextile. Num disco extremamente dinâmico - que começa por explorar o lado mais negro dos sintetizadores juntamente com o lado macho alfa de Melissa Scaduto, culminando num formato mais adocicado com "Suicide Beat" - os S. Product apresentam um conjunto de cinco faixas energéticas, poderosas e a deixar uma certa curiosidade em aberto para o que se seguirá. Até lá é ir escutando os seus beats suicidas, abaixo.

Suicide Beat foi editado oficialmente na passada sexta-feira (10 de julho) em formato digital pelo selo Terrible Records. Podem comprar a vossa cópia aqui.


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Lore City - "It’s All Happening" (single) [Threshold Premiere]


The American duo Lore City has a new album on the way. Working on the nostalgic atmospheres of ambient music, surrounded by the decay of post-punk style and the celestial aura of the feminine vocals inspired by folk tendencies, Lore City has created their own music world, outside the line of the public eye. It has been six years since they released their second long-player Kill Your Dreams (2014, Already Dead Tapes / 1980 Records) and they are now back with a stunning new LP ready to blow away some of the most sensitive ears. Titled Alchemical Task the album's forty-two minutes reveal songs buried so deep inside the soul, where seclusion and transformation took hold. In quiet atmospheres with a low-rock attitude, Laura Mariposa Williams (vocals, keyboard, guitar) and Eric Angelo Bessel (percussion, keyboard, guitar) give us now the first shiny ray from their third release, with the new single "It's All Happening".

"It's All Happening" is a sweet candle portraying a powerful light that emanates not only a great smell but also a calm and meditational energy. By conjuring some sonic soundscapes and ghost-influenced textures alongside song fragments that shimmer with the vein of an unfathomable unknown - where they reside - Lore City draws an image easily loved and cherished of their own compromise with the electro-dark side of neo-folk. "It's All Happening", the first advance from Alchemical Task can now be streamed below.



About this new Alchemical Task the band states:
"Over there, plans were made to come here, knowing it’s an erasure. A divvying up. Alone and together. In the playing of the game, tied up in knots of forgetting. Yet the wheel always turns back ‘round, opening a remembrance. Archetypal processes maneuvering through infinite combinations, falling into lockstep. A transmutation of energy. The sounds of memory, the colors shimmering, the symbols appearing. Experiencing subjectivity through the daily dulling, we are the universal to-do list. The only way is through - this is our Alchemical Task."

Alchemical Task is expected to be released on October 6, 2020 in vinyl and digital formats via Lore City's own label. You can pre-order the album here.


Alchemical Task Tracklist:

01. Separateness 
02. It’s All Happening 
03. Beacon of Light 
04. Into Your Blue 
05. Beyond Done 
06. Don’t Be Afraid

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[Review] Bärlin - The Dust Of Our Dreams


The Dust Of Our Dreams | L'Autre Distribution | março de 2020
8.5/10

Os gauleses Bärlin têm-se mantido na sombra da celeridade desde que se estrearam nas edições de estúdio com Bärlin (2012). Em 2017, Portugal viveu o fortúnio de receber este grupo magistral numa estreia exclusiva em território nacional (a única até à data) que ainda hoje marca na memória saudosos momentos de puro deleite. Clément Barbier (voz/clarinete), Laurent Macaigne (baixo, voz secundária) e Simon Thomy (bateria, voz secundária) construíram uma máquina de música emotiva, cheia de vida e recheada de um virtuosismo ímpar ao qual já não estamos assim tão habituados nos dias que correm. Nos cinco anos que levaram a esculpir este novo The Dust Of Our Dreams o trio francês aproveitou para almofadar mais a sua aura contagiante num disco pautado pela criatividade e pelos ritmos lentos que, a pouco e pouco, se enriquecem de camadas profundamente intensas. Um pouco de paciência, perseverança e muito profissionalismo à mistura foram os elementos suficientes para criar mais um trabalho conciso com a alçada de qualidade a que nos têm habituado. 

Com uma sonoridade caracterizada entre um low-rock com elementos da jazz-fusion os Bärlin começam por iniciar o terceiro disco de estúdio com "Pagan Rituals", um tema de cariz fortemente instrumental onde e, como já é habitual, o clarinete vem dar as boas vindas à sua aura sentimental que o seu trabalho aporta. A voz de Clément, grave nas tonalidades que emana, junta-se pontualmente à instrumentação para injetar uma trama de desconsolo enquanto o grupo nos vai projetando para uma amálgama de energia que, "violentamente" exploram com o crescendo de ritmos que transmitem. Não é um ritual pagão, mas é um tema absoluto que aporta uma sensibilidade difícil de atingir, mas que os Bärlin aqui moldam tão bem ao longo de cerca de 10 minutos. Se ao vivo são autênticos animais de palco, em estúdio os franceses não se deixam intimidar, conjugando caos e harmonia no mesmo esquema de som. 



The Dust Of Our Dreams começou por ser anunciado corria o mês de dezembro através do tema homónimo "The Dust Of Our Dreams", a segunda faixa do alinhamento. Numa atmosfera enriquecida com elementos minimais e tendências progressivas, os Bärlin tecem um ambiente encantador que trabalha em torno da exploração do tempo, o contraste entre vocais aguçados e graves e um certo efeito de paixão ao qual é difícil ficar alheio. É também nesta música que voltamos a relembrar a voz doce e frágil de Simon Thomy que abre um novo caminho para atmosferas mais badaladas, mas sempre densas. Embora as duas primeiras faixas já se apresentem bastante promissoras é em "The Feast" que The Dust Of Our Dreams reavive na memória o porquê de os Bärlin serem um dos mais interessantes projetos no panorama atual. Entre um início algures sinistro e q.b. clássico - com as artimanhas do clarinete a fazerem-se ecoar forte (um instrumento sempre presente e distinto no seu trabalho) - é, no seu final profundamente intenso e de percussão ritmada, que a energia começa a emanar forte. 


Com uma presença mais madura que nos trabalhos anteriores, em The Dust Of The Dreams os Bärlin voltam a injetar notas sensíveis e memoráveis num corpo musical que, de certa forma, também evoca as sensações catastróficas da existência, numa presença avassaladoramente marcante. Depois da "depressiva", "Glasshouses" - onde também se encontra inerente a delicadeza do ser - os franceses saem-se com uma poderosa "Black Heart" pronta para colocar o ouvinte no chão. Já a aproximarmo-nos da despedida podemos ainda encontrar a pérola "Emerald Sky", o tema mais curto do álbum, mas também um dos mais densos e estimulantes, enquanto nos preparamos para culminar viagem em "Opium Fields". Se até então o caminho parecia belo e envolvente é nesta canção que se encontra a cereja no topo do bolo. "Opium Fields" é um dos temas mais ricos do álbum com uma percussão estimulante, um baixo sisudo, um clarinete em desconsolo e a manejar uma personalidade musical altamente demarcada e ainda uma voz que se esconde por trás do altifalante. 

Ao longo das sete faixas que compõem o seu alinhamento, The Dust Of Our Dreams engloba um universo musical tão mágico quanto escuro, criando um cenário desolado, mas igualmente consistente e engradecido pela poesia sonora que o circunda. Ao apresentarem um preciosismo iminente na exploração de vibrações melancólicas, os Bärlin instilam um ambiente de paixão contagiante do qual é muito fácil sair-se enamorado. Ao terceiro disco de estúdio a banda francesa volta a deixar claro que o segredo para as suas criações inocentemente belas é o entusiasmo e esse, eles claramente sabem aplicar em perfeita harmonia no rock decadente de influências clássicas que, tão bem, nos entregam. The Dust Of Our Dreams é um disco que, embora dificilmente projete os Bärlin para o olhar do grande público, certamente os afirma como um dos mais interessantes atos na exploração da sensibilidade musical ao mais alto nível.


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