domingo, 25 de agosto de 2019

Vodafone Paredes de Coura - 15 de agosto: O encanto de Stella Donnelly e a celebração dos New Order


Dia 15 a música começou no palco Jazz na Relva, com Gobi Bear a substituir Mathilda, indisponível por motivos de saúde. O cantautor subiu sozinho ao palco com a sua guitarra e serviu-se de um pedal de loops para gravar e sobrepor camadas em cada música. Sucedeu-se o concerto dos Melquiades, que apresentaram um rock progressivo bastante trabalhado e tecnicamente exigente.

No recinto vimos em primeiro lugar o trio americano Khruangbin, em estreia no nosso país. A banda do Texas inspirou-se na música tailandesa dos anos 60 e 70 e no funk e soul do Mediterrâneo e do Médio Oriente para compor músicas psicadélicas e exóticas maioritariamente instrumentais. Apresentaram-nas no que foi um concerto muito calmo e relaxante, mas também algo repetitivo. Solos longos e variações dos mesmos riffs de guitarra por cima de ritmos repetidos tornavam-se por vezes cansativos ou aborrecidos. Muitos dos momentos mais arrebatadores surgiram com a incorporação de vozes a acompanhar os instrumentais, como no caso de “August 10”. Foi um concerto agradável e suave, adequado para um fim de tarde solarengo.


Uma das estrelas do dia e do festival foi Stella Donnelly, uma adição tardia ao cartaz devido ao cancelamento dos concertos de Julien Baker e Yellow Days. Com muito humor, uma fantástica presença em palco e excelentes canções, a cantautora galesa e australiana brilhou com um indie pop exuberante e divertido. Interagiu muito com o público e fez piadas entre e durante as suas canções. Foi uma performance incrível, onde cada comentário ou interação realizada pela cantautora acrescentou algo ao concerto, tornando-o especialmente memorável.

Perguntou se havia alguma “cerveja de m…” em Portugal e o público respondeu “Sagres” com entusiasmo. Elogiou os Khruangbin, que ainda tocavam, falou da reação da sua mãe à música “Mosquito” quando esta passou na rádio e citou-a, imitando a pronúncia do País de Gales. Referindo-se a “Bistro”, disse que tocou com uma drum machine uma vez e que, portanto, tinha feito EDM. “Darude, piss off!” Ainda ouve tempo para um “drop the bass” no fim do primeiro verso. De seguida, mostrou uma coreografia cómica durante uma das melhores canções do concerto, “Die” (composta originalmente para ouvir enquanto fazia jogging), referiu a importância de se falar sobre assédio sexual antes de tocar “Boys Will be Boys” e terminou o concerto com a excelente e viciante “Tricks”. Saímos do palco secundário com vontade de repetir a experiência o mais cedo possível e esperamos vê-la num concerto em nome próprio em breve.

Chegámos ao palco principal, onde tocavam os Alvvays, mesmo a tempo de ouvir a espetacular “In Undertow”. Apenas “Archie, Marry Me” teve o mesmo impacto, mas a banda canadiana mostrou-se consistente e habilidosa, exibindo boas canções e navegando entre o indie pop, indie rock e até mesmo shoegaze.


Ouviu-se mais tarde o indie rock dos Car Seat Headrest. Estiveram melhor do que há dois anos, no mesmo palco, mas voltaram a não atingir o encanto do concerto de 2016 no NOS Primavera Sound. A banda de Will Toledo, que passou os primeiros minutos com um teclado ao ombro, abriu o concerto com “Can’t Cool Me Down”, uma música nova. Levantou-se o pó a partir da segunda canção: “Bodys”, de Twin Fantasy. Os fãs estiveram ao rubro e cheios de energia ao som de um dos projetos mais marcantes da música indie atual. “Fill in the Blank”, “Drunk Drivers / Killer Whales” e “Beach Life-In-Death” são autênticos hinos e muitos fãs mostraram saber as letras de cor, cantando-as com grande entusiasmo. Faltou alguma intensidade em palco, mas os Car Seat Headrest conquistaram o público e voltaram a mostrar o poder das suas canções.


Num concerto impressionante, os New Order tocaram um pouco de cada fase da sua carreira. Ouviram-se clássicos como “Temptation”, “Blue Monday”, "Bizarre Love Triangle" e "True Faith", músicas do último álbum, entre elas “Tutti Frutti”, e faixas de discos diferentes, incluindo "Your Silent Face" e "Waiting for the Sirens' Call". Foi uma celebração da obra de uma das bandas mais importantes e influentes da música pop. Já sem Peter Hook no baixo, aos New Order mostraram ainda estar em grande forma e puseram toda a gente dançar durante mais de uma hora. Houve também espaço para recordar os Joy Division, tendo sido tocadas quatro canções do projeto anterior de Bernard Sumner e Stephen Morris. Na primeira metade do concerto ouviu-se “She’s Lost Control” e “Transmission”, com toda a sua pujança e influência punk, e no fim, num encore que serviu de homenagem a Ian Curtis, foram tocadas “Love Will Tear Us Apart” e “Atmosphere”. Estas duas foram especialmente emocionantes e memoráveis. Apesar da voz de Bernard Sumner não ser a melhor ou mais adequada para substituir o vazio deixado por Ian Curtis, foi impossível resistir a estas versões. A acompanhar a banda foram exibidos vídeos com variadas estéticas, alguns deles muito adequados ou peculiares e outros menos criativos, a fazer lembrar presets pouco originais de programas de animação ou VJing.

Estranhamente, foram os portugueses Capitão Fausto a fechar o palco principal. A banda tocou maioritariamente o seu último álbum, A Invenção do Dia Claro, apesar de ter passado por todos os discos. As novas canções, com um som pop rock ligeiro, transportam os ouvintes para um ambiente alegre que relembra bandas sonoras de séries infantis, sem a intensidade das músicas de antigamente. A sua falta foi sentida após o espetáculo impressionante dos New Order. “Teresa” e ainda mais “Santa Ana”, ambas do primeiro álbum da banda, foram as músicas mais cativantes de um concerto que não mostrou o melhor dos Capitão Fausto e seria melhor aproveitado noutro horário.


Texto: Rui Santos
Fotografia: Hugo Lima

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sábado, 24 de agosto de 2019

Baldaya Vintage Fest: 13, 14 e 15 de setembro - concertos, exposições, carros e motas


Lisboa é a cidade que está actualmente no coração da Europa no que toca a eventos, não só de música, mas de tudo o que a Cultura tem asas para abraçar. No entanto, apesar desta cidade ter vivido nos finais dos anos 70 e anos 80 em volta de uma grande cultura do rock, é como se este tivesse desaparecido das headlines. Contudo, esta cidade vibra ao som do rock’n’roll em pequenos espaços ditos alternativos, mas bem movimentados, e nem sempre devidamente noticiados e divulgados nas agendas culturais e media.

A vontade de fazer com que o rock saia para a cidade e para o coração da mesma, ouvir o puro som dos blues, vibrar ao som de acordes de uma música rockabilly, corresponder aos desejos de músicos e amantes deste culto, e trazer esta cultura a todas as pessoas, dita a criação deste festival.

Surgiu assim o Baldaya Vintage Fest, da parceria entre o projecto The Voodoo Club e Twice Twice Baby, com o apoio da Junta de Freguesia de Benfica e do Palácio Baldaya. Esta co-produção parte de motivações comuns: o gosto pelo rock’n’roll, a paixão pelos carros e motas clássicos, e pela subcultura vintage.

O Baldaya Vintage Fest vai decorrer nos dias 13, 14 e 15 de setembro, no palácio Baldaya, Benfica e a entrada é livre.  Vão ser 3 dias cheios de rockabilly, surf rock, blues, pinups, DJs, carros e motos clássicos, exposição de fotografia, tattoos, vintage lifestyle, mercado vintage e muito mais. 

Podem contar com as atuações de Lucky Duckies, Little Orange, Os Cardosos, The Jagwires, T. Perry and the Bombers e A.J. The Rockin’ Trio, assim como um DJ set a cargo de The Voodoo Club. A exposição de fotografia de Carlos Morais Silva inaugura o Baldaya Vintage Fest a 13 de setembro. 

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sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Ka Baird regressa a Portugal em Outubro



A música, compositora e performer norte-americana Ka Baird anunciou o seu regresso regresso a Portugal. Pela primeira vez em nome próprio, depois de uma última atuação no nosso país como opening act da tour de Josephine Foster, o projeto de Kathleen Baird atua no Musicbox, em Lisboa, para apresentar os temas que irão integrar o seu próximo álbum, Respires.  

Fundadora do atual duo de improvisação norte-americano Spires That In The Sunset Rise, Baird notabilizou-se rapidamente como uma das forças vitais da exploração sem formas da América do início da presente década, tendo vindo a atuar em salas como o Museum of Contemporary Art (Chicago), o MoMA PS1 ou o festival holandês Le Guess Who?.

A solo, a americana já editou três discos. Respires é a mais recente expressão de Baird pelos terrenos mais cacofónicos da música dita experimental, e apesar de ainda não ter data prevista de lançamento sabe-se já que voltará a contar com o selo da respeitada editora americana Drag City.

Ao vivo, Ka Baird distingue-se pela multiplicidade de instrumentos, ritmos e bases sonoras utilizadas, num misto entre o eletricónico e o acústico.

Os bilhetes para o concerto, que acontece dia 28 de outubro na sala lisboeta, possuem o custo único de 10 euros e podem ser adquiridos em bol.pt.


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quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Vodafone Paredes de Coura - 14 de agosto: O recital dos The National após a festa disco dos Parcels


Com um dos cartazes mais impressionantes dos últimos anos, o Vodafone Paredes de Coura regressou para mais uma edição nos dias 14 a 17 de agosto. O recinto abriu após as habituais festividades na vila, onde artistas como NO!ON, Salto e The Parkinsons atuaram ao longo de quatro dias. Com a abertura do recinto chegou também uma grande enchente na zona de campismo e a as performances no palco Jazz na Relva, perto do rio, que contou com concertos e as sessões de leitura Vozes da Escrita. No primeiro dia do festival os concertos ocorreram maioritariamente no palco principal, com o palco secundário a abrir apenas para o After Hours.

Chegámos ao recinto a tempo de assistir ao concerto de Julia Jacklin, cantautora australiana que lançou este ano o seu segundo álbum, Crushing. Com uma sonoridade indie folk e uma setlist a incidir principalmente no seu novo disco, a autora de “Pressure to Party” e “Don't Know How to Keep Loving You” deu um típico concerto calmo de final de tarde. Entusiasmou alguns fãs acérrimos presentes nas filas mais próximas do palco e foi a primeira de muitos artistas que ficaram impressionados com o recinto e a quantidade de pessoas presentes, mas deu um concerto banal que não conseguiu captar toda a atenção de grande parte do público.


Os brasileiros Boogarins foram os próximos a subir ao palco. Após o concerto anterior, as variações de intensidade em cada música, as texturas sonoras, os riffs e as performances instrumentais mais apuradas foram refrescantes. A setlist passou por toda a carreira da banda e tanto se ouviram canções do novo álbum, Sombrou Dúvida, entre as quais “Passeio” e a faixa título, como também as mais icónicas de As Plantas que Curam, “Doce” e “Lucifernandis”. Disseram que foi o maior concerto que tocaram e a sua performance esteve à altura do desafio. Já mereciam um grande palco pelos concertos que deram no nosso país nos últimos anos e aproveitaram-no para conquistar novos fãs enquanto deliciavam quem já os conhecia.


Uma das maiores surpresas do festival foi o concerto dos Parcels. A sua sonoridade disco inspirada em bandas como Chic trouxe muita energia e boa disposição ao público, que dançou continuamente numa alegre viagem aos anos 70. Podem não ser originais e explorar apenas um tipo de som, mas os Parcels sabem o que fazem e fazem-no de forma perfeccionista. A mistura dos instrumentos estava especialmente boa, as luzes impecáveis, os músicos bem dispostos e com um grande à vontade ao longo de uma performance extremamente competente. Com guitarradas à Nile Rodgers (e solos muito bem incorporados), harmonias vocais à Bee Gees e melodias memoráveis, a banda passou por músicas como “Lightenup”, “Tieduprightnow” e “Bemyself”, esta com um arranjo diferente da versão em estúdio,  de forma fluída. O público retribuiu com muito entusiasmo e transformou o anfiteatro natural numa pista de dança. Num momento engraçado introduziram uma música com ruído de um rádio, sintonizando diferentes estações. Durante alguns segundos ouviu-se “Encosta-te a Mim” de Jorge Palma, o que levou a algumas gargalhadas e fez parte do público cantar a letra da canção.

A banda mais esperada do dia foi a que fechou o palco principal. Os The National já tocaram inúmeras vezes em Portugal, mas tanto a banda como os fãs se têm mostrado sempre recetivos a mais concertos. Com um novo álbum na bagagem, intitulado I Am Easy to Find, o grupo americano apresentou músicas novas e antigas no melhor e maior espetáculo da noite.


“Don’t Swallow the Cap”, “Bloodbuzz Ohio” (com um som de guitarra espetacular), "The System Only Dreams in Total Darkness" e "Fake Empire" foram alguns dos destaques numa setlist focada nos últimos álbuns da banda. As novas músicas não foram tão bem recebidas como os clássicos mais conhecidos e constituíram, no geral, os momentos menos cativantes do concerto. “Mr. November” também desiludiu, tendo faltado algum poder e agressividade na voz. Em contrapartida, “Rylan”, uma das melhores canções do novo disco, foi uma boa adição ao alinhamento. As versões das músicas que se ouviram contaram com mais distorção do que o habitual, sendo criadas verdadeiras paredes de som que piscavam o olho ao shoegaze. Os acordes e riffs foram mais difíceis de identificar e não deve ter sido um concerto muito acessível a quem não conhecia as canções tocadas.

Matt Berninger interagiu com o público, recebeu um cartaz com um desenho, assinou um vinil, foi às grades durante “Graceless” e referiu a primeira passagem da banda pelo festival, em 2005. A atuação foi finalizada, como tinha que ser, com "Vanderlyle Crybaby Geeks". Ouviram-se as guitarras acústicas e o público cantou a letra em coro num momento emocionante.

Entretanto, no palco secundário, começava a festa dos congoleses KOKOKO!, Com os seus instrumentos peculiares, feitos com lixo encontrado na rua, a banda apresentou uma estética muito própria que passa pelo dance-punk e o electro. Canções contagiantes e divertidas, como “Azo Toke” e “Buka Dansa”, fizeram o público dançar ritmos africanos impacientes e empolgantes. O concerto marcou o final da noite para alguns e o início do after party para outros. A festa continuou com Nuno Lopes, que fechou a noite com o seu DJ set anual.


Texto: Rui Santos
Fotografia: Hugo Lima

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Big Thief apresentam novo disco no Porto e em Lisboa



Os Big Thief estão de regresso a Portugal. Depois de uma última atuação no festival NOS Primavera Sound, em junho, a banda de Adrianne Lenker e Buck Meek volta ao nosso país para os primeiros concertos em nome próprio. 

O anúncio vem no seguimento do novo disco do quarteto americano, que se prepara para lançar o segundo disco do ano no próximo mês de outubro. Two Hands, assim se chama o quarto disco de originais dos Big Thief, sucede o aclamado U.FO.F, lançado no passado mês de maio e que viu a banda juntar-se, pela primeira vez, ao catálogo da conceituada editora britânica 4AD. Descrito como "o gémeo da Terra" de U.F.O.F, o disco foi gravado inteiramente ao vivo nos terrenos áridos de El Paso, Texas, e contém as músicas que Lenker, guitarrista e vocalista da banda, mais se orgulha de ter escrito. "Not" é o seu primeiro avanço e podem escutá-lo mais em baixo.

Os concertos em Portugal acontecem em fevereiro, dias 17 e 18 no LAV, em Lisboa, e no Hard Club, no Porto, respetivamente. O preço para ambos os concertos possui o custo único de 20 euros, e os bilhetes podem ser adquiridos em bol.pt.




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Cass McCombs regressa a Portugal em Novembro


Já há datas para a apresentação nacional de Tip of the Spheres, o mais recente disco de Cass McCombs, editado mundialmente em Fevereiro deste ano. O californiano passa pelo Porto a 7 de Novembro, no auditório do CCOP, pela mão da Lovers & Lollypops, e a 8 no gnration em Braga. Os bilhetes já podem ser adquiridos na bilheteira online e locais habituais.

Considerado um dos mais fascinantes cantautores da sua geração, Cass McCombs tem conquistado, disco após disco, um lugar especial na crítica da especialidade. Com Mangy Love, editado em 2016, foi nomeado como o maior cantautor do seu tempo pelo New York Times, trilhou a lista de melhores do ano da Pitchfork e a tabela de melhor música do Washington Post. Com Tip of The Spheres experimenta-se num novo formato de gravação, mais curto e conciso, adicionando um sentido de urgência e uma solidez às onze canções que o compõem. Aqui, o rock é mais fervoroso, as baladas ainda mais bonitas e as explorações mais confiantes, num desenho sónico que destaca as influências jazz e latinas na sua composição e que continua a rejeitar definições fáceis. Um disco que aprofunda o caminho que McCombs tem vindo a percorrer no cruzamento entre a palavra e a música e que apresenta um novo conjunto de histórias sobre a vida do homem comum. Produzido por Sam Owens (Sam Evian), Tip of the Sphere conta com a participação da banda de suporte que o acompanha: Dan Horne, Otto Hauser e Frank LoCrasto, entre diversas presenças especiais.

Os bilhetes já estão à venda e têm o preço de 15 € para ambas as datas, sendo que no CCOP o preço passa para 20 € no dia do concerto.

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quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Em Setembro, o Estaleiro leva música a Esposende



Há um novo festival em Esposende. O Estaleiro, evento que promete levar música a Esposende, acontece nas instalações do Estaleiro Naval da cidade e conta com a presença de Eric Copeland,  músico americano que integrou, em tempos, a formação dos seminais Black Dice, grupo que, juntamente com os Wolf Eyes, Lightning Bolt ou Ponytail abalaram de forma indelével o circuito alternativo da América de início do século XXI. A solo, Copeland assina uma sólida carreira, explorando os limites da música eletrónica ao longo de mais de uma dezena de lançamentos. Trogg Modal Vol. 2 é o seu mais recente disco, editado em março último pela DFA Records, e sucede o primeiro volume do disco com o mesmo nome, também lançado pelo selo de James Murphy no ano transacto.

O cartaz do evento, que se realiza ao longo de uma única noite, conta ainda com um cardápio luxuoso de intérpretes portugueses, como é o caso do lendário Allen Halloween, ao qual se junta o humor atípico dos nortenhos Conjunto Corona, o impetuoso supergrupo portuense Sereias, os Iguanas de Lourenço Crespo e Leonardo Bindilatti e a dupla Ohxalá para as horas mais tardias.

Os bilhetes para a primeira edição do Estaleiro, dia 28 de setembro, encontram-se disponíveis em breve e em pré-venda ao preço de 10 euros.

O Estaleiro é uma co-produção do NICE - Núcleo de Intervenção Cultural de Esposende e d’A Macho Alfa - Associação Cultural, de Barcelos, com o apoio da Câmara Municipal de Esposende e da Associação Fórum Esposendense.


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segunda-feira, 19 de agosto de 2019

Common, Jay Electronica e Just Blaze na 4ª edição do Festival Iminente



O Festival Iminente está de regresso a Lisboa, e o alinhamento para quarta edição do evento curado por Vhils e pela plataforma Underdogs já é conhecido. Depois de ter passado pelo Rio de Janeiro, Xangai e Londres, o festival volta ao Panorâmico de Monsanto para quatro dias de música, arte e conversas, tudo com vista priveligiada. O evento acontece entre 19 e 22 de setembro.

A matriz urgente e refrescante que carateriza o Iminente mantém-se intacta, e o foco volta a centrar-se na música urbana e nas suas diversas variantes. A estreia nacional do rapper norte-americano Common é um dos grandes destaques desta edição, que este ano leva mais de 100 artistas a Lisboa. Ao autor de Be juntam-se os conterrâneos Jay Electronica e o  parceiro Just Blaze, conhecido pelas suas produções para Jay-Z na era The Blueprint. Para além dos americanos, o Iminente conta ainda com a presença das brasileiras Linn da Quebrada e Badsista, dos cabo-verdeanos Bulimundo e Mayra Andrade, do teclista sírio Rizan Said e dos portugueses Dealema, Pedro Mafama, David Bruno, Odete, Fado Bicha, Shaka Lion, DJ Marfox, entre tantos outros.

Os ingressos para o festival, que este ano disponibiliza apenas bilhetes diários, possuem o custo de 15 euros por dia, e estão disponíveis nos locais habituais a partir do dia 2 de setembro.



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La Zowi e Ms Nina no Theatro Circo em outubro



Em outubro, o Theatro Circo, em Braga, é palco para duas das mais importantes caras da nova música urbana. A cantora e MC catalã La Zowi e a artista multidiscplinar argentina Ms Nina juntam-se para uma noite partilhada na histórica sala bracarense no dia 31 de outubro.  

La Zowi é uma das porta-vozes da nova cena trap catalã, que vê na conterrânea Bad Gyal o seu maior impulsionador. Mas se a última se apoiou numa frota estelar de produtores (Jam City ou El Guincho são apenas alguns dos exemplos), La Zowie juntou esforços com um dos mais emergentes coletivos a sair da catalunha. Falamos da sua relação com a Fractal Fantasy, coletivo pluridiscplinar que serve como plataforma para a promoção de alguma da mais entusiasmante produção contemporânea, e que tem em Sinjin Hawke e Zora Jones os seus cabecilhas. É com a última, aliás, que a catalã ladeia uma cúmplice relação, tendo colaborado com a produtora austríaca em temas essenciais como “Obra de Arte” ou a portentosa “Money Hoe”.   

MS Nina é natural da Argentina, vive atualmente em Espanha e tem vindo a destacar-se como uma das novas faces do neoperreo, subgénero da música reggaeton. A sua carreira é curta, mas a cantora atingiu rapidamente falatório a nível global, escalando para os lugares cimeiros do Spotify a poucos dias do lançamento dos seus temas. Perreando por fuera, llorando por dentro é a mais recente mixtape da argentina, um compêndio curto mas intenso em eletrónicas lascivas, com um discurso contundente que fala sobre sexo e empoderamento feminino.  

Os bilhetes para o espetáculo já se encontram disponíveis e variam entre os 6€ (para detentores do Cartão Quadrilátero) e os 12€. 


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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Falta menos de um mês para o regresso de Hania Rani a Portugal


É já no próximo mês que Hania Rani, pianista e compositora de origem polaca, regressa Portugal para nos mostrar Esja, o seu disco de estreia, editado no passado dia 4 de abril. Os concertos serão em Lisboa (MusicBox) e Porto (CCOP), e acontecem a 4 e 5 de setembro, respetivamente.

O seu álbum de estreia foi recentemente editado com o selo da Gondwana Records, casa de artistas como GoGo Penguin e Portico Quartet, onde as composições de piano representam uma fatia grande do catálogo. Hania Rani destaca-se pela sua interpretação sensível da música, com cada nota sendo cuidadosamente colocada sobre acordes assombrosos, fazendo de Esja uma peça profundamente complexa de música clássica.

Hania Rani regressa ao nosso país pelas mãos da Gig Club e os bilhetes custam 10 € para membros e 15 € para não-membros.

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segunda-feira, 12 de agosto de 2019

O Vai-m'à Banda regressa no final do mês para a sua terceira edição


Gratuito e itinerante, o Vai-m'à Banda é uma celebração da música e destes locais de tão forte tradição na cidade. Num diálogo que pretende contribuir para a preservação das tascas e seus costumes, a música aparece como a melhor desculpa para reunir pessoas onde os cabeças de cartaz são, por um dia, o vinho de malga, o bolo com sardinhas e o caldo verde.

Na terceira edição, o Vai-m’à Banda expande-se e inclui duas novas tascas. Os Amigos da Penha e a Adega dos Caquinhos juntam-se assim às já conhecidas Adega do Ermitão, Tio Júlio, Taberna do Trovador, e Tasca Expresso. A música, essa desculpa perfeita para experenciar todos estes espaços, fica a cargo de Omar Souleyman, Sunflowers, Luís Severo, Benjamim, Calcutá, Chinaskee e DJ Fitz.

Omar Souleyman é já conhecido do público português. Com presenças em grandes festivais mundiais, o sírio traz animação, boa disposição e torna todos os corpos dançantes. O último concerto do dia promete ser um dos pontos altos desta edição. Depois de um 2018 com mais de 100 concertos, os Sunflowers voltam a Guimarães num 2019 menos atribulado, mas não menos enérgico. Conhecidos pelo som vibrante e vigoroso, trazem ao Largo do Trovador Castle Spell enquanto preparam o próximo longa duração. Benjamim encherá com certeza o cimo da montanha da Penha com canções pop carregada de metáforas e melodias. Mostrará o aclamado 1986, fruto de uma parceria com o britânico Barnaby Keen, assim como anteriores registos. Em 2017, Luís Severo fez o arranque da então primeira edição do Vai-m’à Banda num belíssimo concerto na Tasca Expresso. Este ano sobe à Penha (não confundir com Penha de França) e traz consigo O Sol Voltou, lançado em maio deste ano pela Cuca Monga, o seu disco mais “pessoal e confessional”. Chinaskee volta a Guimarães, desta vez a solo e com uma roupagem diferente do habitual. Sem os habituais colegas, traz consigo o teclado e a guitarra, onde vai mostrar trabalhos anteriores e o alguns dos temas do próximo disco BochechasCalcutá é o projeto a solo de Teresa Castro, ex guitarrista de Mighty Sands e baterista de Savage Ohms. Lançou o EP Over Night em 2017 e está agora a gravar o seu primeiro longa duração. Trará à Adega dos Caquinhos a memória e a magia das paisagens desertas da América em que se inspira. O fim da noite ficará nas mãos de DJ Fitz, que  ficará encarregue de fechar esta edição do Vai-m’à Banda.

O evento tem início às 15h de sábado na Tasca Expresso, onde serão distribuídas gratuitamente pulseiras que darão acesso à viagem de teleférico para a Penha a um preço reduzido. O número de pulseiras é limitado pelo que é recomendada pontualidade.

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Je T'Aime - JE T'AIME's new album track by track


The French badass post-punk outfit JE T'AIME recently released their debut baby, Je T'Aime, an astonishing album containing a total of eleven songs ready to conquer the audience and to fuel the most dashing dancefloors. With a raw, dirty, controversial, but highly addictive record JE T'AIME is starting to position themselves as one of the new interesting and promising acts within the Parisian underground scene.

Wanting to know more about this incendiary new record, we asked JE T'AIME to explain us the meaning of each of the songs that make part of this new homonymous record, released last May through Icy Cold Records and Manic Depression Records. Enjoy listening to each song while getting some hints about its lyrics, down below:


01. The Sound 

This first album is a concept album describing a man's descent into hell during a Parisian night filled with excesses of all kinds. It shows how decadence ends up taking over love. This first track presents a young couple dancing in a Parisian gothic evening. The drunkenness of the young man ended up annoying the young woman who decided to leave the evening without him, alone. I love you, but I'm leaving you. 


02. Dance 

With "Dance" we get to the heart of the matter, have fun at all costs, or die. The black sky, filled with white powder, is a reference to the blackouts that have been suffered after too much excess. It's obviously a song about the desire to disconnect from reality and forget everything. Let's dance and then we'll see. 


03. The Flying Dutchman 

Like on a ship caught in a storm, the night rages and our hero begins to lose his footing. "My Lord - I'll do as you command" or "My lord - my life is in your hand" refer to the sadomasochistic relationship between the submissive and the dominant. As with the crew of this ghost ship, our hero wanders through an endless night in search of himself. 


04. A Million Suns 

An explosion of light, like an echo to the song "Dance", it is a call to get lost in drunkenness to have fun with its madness. There will be no tomorrow, so why deprive yourself? Just like "The flying dutchman", this text was written by Maria Facquet


05. Fuck Me 

As sometimes happens in couples, sex ends up disappearing from everyday life. That's the story of this song. Our hero tries to go home, but he can not find his keys. The door opens and he is violently attacked by his wife, desperate by this love situation. She needs to be fucked, simply. 


06. C++ 

This is about cocaine, it's the one talking. It tells the story and explains how it locks people into its reality. The ++ signs symbolize the abuse of this substance, you always want more. Over the last ten years the presence of this substance in parties has increased considerably. Today, cocaine use has become common.


07. Satan's Bitch 

We find our hero here in the middle of the night, lost and completely drugged. The madness begins to take hold of him. He is in a delirium that could be close to schizophrenia or psychotic delirium, he mixes everything up, delirious and sees images all around him. He has become Satan in person and wants revenge for his failed love stories but also for his friendship stories that ended badly, he is alone. On a screen in the distance is shown the film "La maman et la putain".


08. Hide & Seek 

The depressive song from the album. Hide from the light so that you can better disappear. Hiding from the light so that you can love in secret. The sadness of not being able to live a love story out in the open. It is also about guilt in deceiving the person with whom you live. The mirror never lies. 


09. Merry-Go-Round 

I wrote this text to pay tribute to a close friend who committed suicide last year. He was an extremely intelligent and talented person who did not love humanity. I think if he had the power to make the human race disappear he would not have been embarrassed. It's a bit of a gap in the story we're telling, but at the same time this theme remains very close to the universe we're describing in this album. "Merry-go-round", a series of similar activities that can often seem boring. 


10. Spyglass 

An American film shown on a screen. The story of a young loser who falls in love with a pretty cheerleader who loves the best player on the campus football team. It's completely lame and full of clichés. He masturbates by spying on her with a spyglass. I think we wanted to take a breath. This album is quite dark and we are still people who like to have fun and laugh. And then the American campuses of the 80s, the girls on rollers and the superb Cadillacs driven by stupid teenagers, we love it. 


11. Watch Out! 

The hard return to reality. Our hero lost everything, his keys, his wife and even their four-year-old child lost during the evening. The key refers to his life that he completely destroyed on immature whims. We also understand that he was trying to break into music but without ever wanting to pervert himself into commercial music, so he was poor and wonders if he would not have done better to listen to his wife's advice. In truth, this story is only a pretext to talk about love in our album.



If you want to know more about JE T'AIME make sure you follow them on Facebook or Bandcamp, where you can buy their work.


--------------- VERSÃO EM PORTUGUÊS ---------------

A banda de post-punk francesa JE T'AIME lançou em maio o seu primeiro bebé - Je T'Aime - um disco surpreendente composto por um total de onze canções prontas para conquistar o público e incendiar as pistas de dança mais arrojadas. Através de um registro cru, sujo, controverso, mas altamente viciante, os JE T'AIME estão a começar a posicionar-se como um dos novos artistas interessantes e promissores dentro da cena underground de Paris. 

Neste cenário e com o objetivo de saber mais sobre este novo disco incendiário, perguntámos aos JE T'AIME para nos explicarem o significado de cada uma das músicas que fazem parte deste novo disco homónimo, lançado em maio passado através da Icy Cold Records e Manic Depression Records. Divirtam-se a ouvir cada uma das músicas enquanto conhecem melhor as suas letras do disco, abaixo:

01. The Sound

Este primeiro álbum é um disco conceptual que descreve a descida de um homem ao inferno durante uma noite parisiense cheia de excessos de todos os tipos. Isso mostra como a decadência acaba por tomar partido do amor. Esta primeira faixa apresenta um jovem casal a dançar numa noite gótica parisiense. A embriaguez do jovem acabou por irritar a jovem que decidiu deixar a noite sem ele, sozinha. Eu te amo, mas estou-te a deixar.


02. Dance

Com "Dance", chegamos ao cerne da questão: divertimo-nos a todo custo, ou morremos. O céu negro, cheio de pó branco, é uma referência aos apagões que foram sofridos depois de períodos de muito excesso. É obviamente uma música sobre o desejo de se desconectar da realidade e esquecer tudo. Vamos dançar e depois vemos.


03. The Flying Dutchman

Similarmente a navio preso numa tempestade, a noite enfurece-se e o nosso herói começa a perder o equilíbrio. "My Lord - I'll do as you command" or "My lord - my life is in your hand" refere-se à relação sadomasoquista entre o submisso e o dominante. Tal como acontece com a tripulação desta nave fantasma, o nosso herói perambula por uma noite interminável na procura de si mesmo.


04. A Million Suns

Uma explosão de luz, como um eco para a música "Dance", é uma chamada para nos perdermos na embriaguez por forma a nos divertirmos com a sua loucura. Não vai haver amanhã, então porque nos privar? Assim como "The Flying Dutchman", este texto foi escrito por Maria Facquet.


05. Fuck Me

Como às vezes acontece em casais, o sexo acaba desaparecendo da vida quotidiana. Essa é a história desta música. O nosso herói tenta ir para casa, mas ele não consegue encontrar as suas chaves. A porta abre-se e ele é violentamente atacado pela sua esposa, desesperada por essa situação de amor. Ela precisa ser fodida, simplesmente.


06. C++

Esta música é sobre cocaína, é a único a falar. Conta a história e explica como ela bloqueia as pessoas na sua realidade. Os sinais ++ simbolizam o abuso desta substância, tu sempre queres mais. Nos últimos dez anos, a presença desta substância nas festas aumentou consideravelmente. Hoje, o uso de cocaína tornou-se comum.


07. Satan's Bitch

Encontrámos o nosso herói aqui no meio da noite, perdido e completamente drogado. A loucura começa a tomar conta dele. Ele está num delírio que pode estar próximo da esquizofrenia ou do delírio psicótico, ele mistura tudo, delira e vê imagens ao seu redor. Ele tornou-se Satanás pessoalmente e quer vingança pelas suas histórias de amor fracassadas, mas também pelas histórias de amizade que terminaram mal, ele está sozinho. Numa tela na distância é mostrado o filme "La Maman et la Putain".


08. Hide & Seek

A música depressiva do álbum. Esconde-te da luz para que possas desaparecer de forma mais eficaz. Esconde-te da luz para que possas amar em segredo. A tristeza de não poder viver uma história de amor a céu aberto. É também uma música sobre a culpa de enganares a pessoa com quem vives. O espelho nunca mente.


09. Merry-Go-Round

Eu escrevi este texto para prestar homenagem a um amigo próximo que cometeu suicídio no ano passado. Ele era uma pessoa extremamente inteligente e talentosa que não amava a humanidade. Eu acho que se ele tivesse o poder de fazer a raça humana desaparecer, ele não teria ficado envergonhado. É uma lacuna na história que estamos a contar, mas ao mesmo tempo este tema permanece muito próximo do universo que estamos a descrever neste álbum. "Merry-Go-Round", uma série de atividades semelhantes que muitas vezes podem parecer aborrecidas.


10. Spyglass

Um filme americano mostrado num ecrã. A história de um jovem perdido que se apaixona por uma bonita cheerleader que ama o melhor jogador da equipa de futebol do campus. É completamente coxo e cheio de clichés. Ele masturba-se enquanto a espia com uma luneta. Acho que queríamos respirar. Este álbum é bastante escuro e nós ainda somos pessoas que gostam de se divertir e rir. E então os campus americanos dos anos 80, as meninas com rolos e os Cadillacs soberbos dirigidos por adolescentes estúpidos, nós amamos isto.


11. Watch Out!

O difícil retorno à realidade. O nosso herói perdeu tudo, as suas chaves, a sua esposa e até mesmo o seu filho de quatro anos perdeu durante a noite. A chave refere-se à vida que ele destruiu completamente em caprichos imaturos. Nós também entendemos que ele estava a tentar entrar na música, mas sem querer perverter-se na música comercial. Então ele era pobre e questiona-se sobre se não teria feito melhor ao ouvir o conselho da sua esposa. Na verdade, esta história é apenas um pretexto para falarmos sobre o amor no nosso disco.



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