quarta-feira, 6 de maio de 2020

Morreu Florian Schneider, fundador dos Kraftwerk



Morreu Florian Schneider, um dos fundadores do grupo alemão Kraftwerk. A notícia foi confirmada ao jornal britânico The Guardian por um dos seus colaboradores, que avançou que o músico alemão morreu há uma semana, vítima de cancro. Tinha 73 anos.  

Nascido em 1947, em Düsseldorf, Schneider participou desde cedo na comunidade musical mais desalinhada da cidade. Em 1967, forma os Pissoff com Eberhard Kranemann, e três anos depois junta-se a Ralf Hütter no trio rock psicadélico Organisation. A relação com o último daria origem à primeira formação dos Kraftwerk, um dos mais importantes nomes da cultura popular e pioneiros da música eletrónica de dança.  

Depois de lançarem três álbuns como dupla, com algumas colaborações excecionais que incluíram o multi-instrumentista Michael Rother (Harmonia, NEU!), os Kraftwerk expandiram a formação para quatro e lançaram o seminal Autobahn, de 1974, que encetou por uma orientação mais minimalista centrada nas potencialidades do sintetizador. A tendência continuaria com uma influente ronda de discos como Radio-Activity (1975), Trans-Europe Express (1977), The Man-Machine (1978) e Computer World (1981).  “The Model”, tema do disco de 78, conquistou a primeira posição na tabela de singles britânica em 1982.  

Depois de lançar o último álbum com os Kraftwerk, Tour De France, em 2003, e de ingressar numa longa tour de promoção do mesmo (atuaram em Lisboa um ano depois), Schneider deixou o grupo em 2008.  

Para além do importante contributo para a música eletrónica, o grupo que ajudou a fundar é tido como um dos pilares do movimento krautrock, termo popularizado pela imprensa inglesa para descrever, ainda que pejorativamente, a efervescente comunidade experimental alemã da época. 

A faixa-título de Trans-Europe Express foi samplada por Afrika Bambata, em 1982, no seu disco Planet Rock, e podemos escutar o legado da banda nos desenvolvimentos da música house e techno da Detroit de finais dessa década. O tema "V-2 Schneider", de David Bowie, é considerado por muitos como uma homenagem ao grupo. 


   


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sexta-feira, 1 de maio de 2020

Morreu Tony Allen, lenda do afrobeat



Morreu Tony Allen, lenda do afrobeat e órgão pulsante do grupo África 70, de Fela Kuti. A notícia foi avançada esta sexta-feira pelo site de notícias Sahara Reporters. A causa da morte ainda não é conhecida, mas o empresário do do mítico baterista nigeriano, Eric Trosset, afirmou que o óbito não tem qualquer relação com o novo coronavírus. Tinha 79 anos e morreu em Paris, França, onde habitava desde a década de 80.

Foi um dos mais influentes bateristas da cultura popular e esteve na génese do afrobeat, estilo cunhado por Kuti que funde a percussão tradicional iorubá com os ritmos do jazz, do funk e dos princípios da música highlife. Autodidata, começou a tocar bateria aos 18 anos, influenciado pelas palpitações jazz de Max Roach, Art Blakey e Kofi Ghanaba

Na década de 60, conhece o conterrâneo e mítico multi-instrumentista Fela Kuti, que acompanhou na banda de jazz Koola Lobitos, primeiro, e depois nos Africa '70, onde foi baterista e diretor musical até 1979, ano em que se separa do grupo. O peso de Tony Allen na banda era tal que Kuti chegou mesmo a dizer que, sem a sua bateria, o afrobeat não teria existido.

Dos anos sem Kuti conta-se uma muito influente carreira a solo e um sem fim de colaborações – trabalhou com Jimi Tenor, Manu Dibango, Moritz Von Oswald, Jeff Mills, Charlotte Gainsbourg, Flea ou Damon Albarn, com quem formou os The Good, the Bad & the Queen. Rejoice, o seu último disco, saiu no passado mês de fevereiro e juntou-o ao falecido trompetista sul-africano Hugh Masekela.

A última passagem de Tony Allen por Portugal aconteceu na Casa da Música, no Porto, em julho de 2019. O baterista atuou ao lado do dj e produtor americano Jeff Mills, com quem editou Tomorrow Comes The Harvest em 2018. O regresso ao país estava originalmente marcado para o mês de maio, dia 26, no Teatro da Trindade, e em setembro regressaria ao Lisb-On Jardim Sonoro, onde atuou pela última vez em 2017, para mais uma atuação ao lado de Jeff Mills. 




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