Se os primeiros são provavelmente aqueles que vocês melhor conhecem — já estão há 15 anos a dar cartas no universo do psych norte-americano — os outros são tudo nomes mais ou menos emergentes da cena alternativa musical.
As Novella são um quinteto londrino que estão a produzir algum do melhor shoegaze condensado com dream pop da actualidade. Recomendamo-vos vivamente que passem os ouvidos pelo Land, o seu novo LP editado ainda este ano.
Os Cheatahs são conhecidos nossos. Tendo tocado o ano passado em Paredes de Coura e aberto para os Placebo, voltam este ano após terem lançado o Sunne e estão em véspera de divulgar Murasaki. Esperamos ouvir malhas de ambos os EPs em Valada este ano.
Por fim, temos os estreantes do shoegaze germânico Jaguwar e os Brahma-Loka, que se encontram em digressão com os Warlocks. Aliás, todas as bandas exceptuando os Cheatahs são estreantes no nosso país.
E a melhor parte é que o cartaz ainda não fechou...
Os Beach House acabaram de anunciar o seu regresso às edições com o lançamento no vindouro Depression Cherry. O álbum sairá no final do verão — dia 28 de Agosto — e contará com a edição da mítica Sub-Pop. A par deste anúncio, os Beach House divulgaram também uma bateria de datas para os EUA e para a Europa.
Notem as datas desde já confirmadas para Lisboa e Porto ainda para este ano: 23 e 24 de Novembro, respectivamente.
Abaixo deixamo-vos com a tracklist do vindouro Depression Cherry e com as datas já divulgadas pelos Beach House.
Depression Cherry:
01 Levitation
02 Sparks
03 Space Song
04 Beyond Love
05 10:37
06 PPP
07 Wildflower
08 Bluebird
09 Days of Candy
Beach House:
08-18 Portland, ME - State Theatre
08-19 Northampton, MA - Pearl Street Nightclub
08-20 Burlington, VT - Higher Ground
08-21 Buffalo, NY - Town Ballroom
08-22 Millvale, PA - Mr. Small’s
08-24 Albany, NY - Upstate Concert Hall
08-25 Providence, RI - Lupo’s Heartbreak Hotel
08-26 New Haven, CT - College Street Music Hall
09-17 Columbus, OH - Newport Music Hall
09-18 Cincinnati, OH - Bogart’s
09-19 Royal Oak, MI - Royal Oak Theatre
09-21 Milwaukee, WI - Pabst Theatre
09-22 Minneapolis, MN - First Avenue
09-25 Omaha, NE - Slowdown
09-26 Lawrence, KS - Liberty Hall
09-27 St. Louis, MO - The Pageant
09-28 Memphis, TN - Minglewood Hall
09-29 Tulsa, OK - Cain’s Ballroom
10-01 Houston, TX - House of Blues
10-02 New Orleans, LA - Civic Theatre
10-03 Birmingham, AL - Saturn
10-04 Nashville, TN - The Ryman Auditorium
10-06 Atlanta, GA - Buckhead Theatre
10-07 Asheville, NC - Orange Peel
10-08 Saxapahaw, NC - Haw River Ballroom
10-24 Belfast, Northern Ireland - Mandela Hall
10-25 Dublin, Ireland - Vicar Street
10-26 Glasgow, Scotland - ABC
10-27 Manchester, England - The Ritz
10-29 Paris, France - Pitchfork Music Festival Paris
Cinemara, o side-project de David Gedge, é a mais recente adição ao cartaz - até então fechado - do NOS Primavera Sound. Gedge, mais conhecido pelo seu trabalho nos icónicos Wedding Present, traz-nos ao Parque da Cidade do Porto os seus Cinerama e a reinterpretação dos temas de Valentina - o derradeiro LP dos Wedding Present - marcando assim os pontos de convergência e confronto entre ambos os seus projectos.
Para ver no Parque da Cidade do Porto, no dia 4 de Junho.
No passado dia 3, estivemos no Hard Club para ver os ChameleonsVox, no primeiro de dois concertos que deram em Portugal nesta "Farewell Tour". A primeira parte do concerto do projecto de Mark Burgess, com o qual ele toca músicas dos Chameleons originais, foi da autoria dos portugueses Sexy and Color. O evento foi organizado pela Muzik is My Oyster.
Os Sexy and Color, com um EP e um álbum na bagagem, apresentaram o seu pop rock provavelmente influenciado por bandas como 30 Seconds to Mars e U2 num concerto que não conseguiu convencer a maior parte das pessoas presentes na sala.
A banda tentou puxar pelo público, mas isso não é suficiente quando a música é má. Apesar de terem algumas boas frases de guitarra, as canções dos Sexy and Color são aborrecidas, genéricas e repetitivas e a voz deixa, várias vezes, muito a desejar. O facto do vocalista ser demasiado teatral também não beneficiou o concerto, muito pelo contrário.
Felizmente, o concerto mais esperado da noite não desiludiu. Os ChameleonsVox tocaram músicas dos três álbuns principais dos Chameleons, algumas das melhores de sempre de pós-punk, e certamente satisfizeram todos os fãs presentes.
A primeira na setlist foi até uma das melhores: "Swamp Thing", de 1986. Seguiram-se canções como "Here Today", "In Answer", "Tears" e "Singing Rule Britannia (While the Walls Close In)", todas tocadas de maneira excepcional pela banda, liderada por um Mark Burgess ainda em boa forma, tanto em relação à voz como à sua presença em palco. As guitarras atmosféricas e as frases de voz catchy puseram o público a dançar e a cantar, especialmente em músicas como "Second Skin" e "Don't Fall", que terminaram respectivamente a primeira parte do concerto e o encore. Neste foram também tocadas "Up the Down Escalator" e "Return of the Roughnecks". Só faltou mesmo a espectacular "In Shreds".
Se o nome da digressão corresponder à verdade e esta for realmente a despedida dos Chameleons, é uma despedida em grande. Se não, então cá estamos à espera deles para mais concertos como este.
O trio é um dos nomes mais sonantes do black metal actual e deixou muitos fãs desesperados quando em 2013 anunciaram a sua separação.
Mas o chamamento do trve black metal e dos seus fãs foi demasiado forte para manter os irlandeses afastados dos palcos. E então, no ano seguinte, os Altar of Plagues voltaram às tours, assumindo um conjunto de datas pela Europa fora.
Esta volátil situação torna, portanto, a nossa presença no Amplifest impreterível.
No mesmo dia em que os Luna nos visitam e no qual há 16 anos atrás desapareceu Adrian Borland — a alma dos Sound — é também de destacar que, exactamente daqui a uma semana, os Chameleons nos visitam mais uma vez.
Bem, não os Chameleons “Chameleons”, mas os Chameleons Vox, uma banda liderada pelo seu eterno frontman Mark Burgess, dedicada à manutenção do legado dos Chameleons.
Mas, quem foram os Chameleons?
Bem…a par dos Sound, os Chameleons serão provavelmente uma das bandas mais significativas do underground do post-punk.
Pode parecer redundante usar o vocábulo "underground" e "post-punk" juntos dado que o post-punk não é, nunca foi, nem será alguma vez um género para a apreciação de massas, mas a verdade é que a banda produziu alguns dos maiores hinos do movimento e, em troca, receberam magras aclamações e parco reconhecimento.
E assim continuaram, com algumas pausas pelo meio, até ao ano de 2003.
Foi nesse ano que os Chameleons desapareceram.
Entretanto, surgiram os Chameleons Vox, liderados por Mark Burgess, o mentor espiritual dos Chameleons.
Cabe a Burgess personificar o legado dos Chameleons.
Através do seu baixo e da sua voz, podemos continuar a ouvir imortais temas como “Less Than Humans”, “Lufthansa” e “Don’t Fall”.
Portugal foi agraciado com duas datas — 3 de Maio no Hard Club e 5 de Maio na Caixa Económica Operária — daquela que supostamente será a última digressão de Burgess e dos Chameleons Vox.
Estamos, portanto, perante a derradeira oportunidade de ver um dos maiores marcos do post-punk bem de perto.
Para alguns será a primeira vez. Para outros, será a segunda ou terceira.
A capital dos EUA foi também o ponto de convergência de Stasia Irons e Catherine Harris-White, duas estudantes universitárias que começaram a trocar discos de jazz e mixtapes de gangsta rap.
Com base nessa troca de influências, surgiu o alter-ego THEESatisfaction e começou a ser formado um corpo de trabalho que culmina com o recém-editado EarthEE, LP que será apresentado ao público na ZDB no dia 23 de Julho e no dia 24 no Milhões de Festa.
Mortuário // Rastilho Records // Fevereiro de 2015
8.6/10
Bizarra: Característica do que é estranho, grotesco ou incomum.
Locomotiva: Máquina a vapor, elétrica, de motor a diesel, de ar comprimido etc., montada sobre rodas e destinada a rebocar um comboio de carros ou de vagões sobre trilhos.
É na junção destas duas palavras, de significados distintos, que reside uma das mais importantes bandas do panorama Industrial português. Com mais de vinte anos de carreira, e já sem ter nada a provar, esta locomotiva mostra que nem sempre velhice é sinónimo de desleixo/relaxamento e apresenta-nos um dos discos mais fortes da sua carreira (se é que há algum fraco).
Mortuário, o sexto álbum de Bizarra Locomotiva, é portador de uma violência enorme (!) tanto no seu conteúdo lírico como na potência dos riffs de guitarra (de Miguel Fonseca) combinados com os vocais de Rui Sidónio. Na "Febre De Ícaro", primeiro tema do disco, vemos isso mesmo: uma sonoridade crua e densa capaz de meter qualquer um a fazer headbang (a intro tambem ajuda). "Hecatombe" é canção para constar num qualquer thriller made in Portugal... estamos prontos para gritar "Orai! Orai!" juntamente com Rui Sidónio, aquando da descida da “estrela de cinco pontas invertidas” para não lhe chamarmos outra coisa.
"Sudário de Escamas" arrepia logo à audição dos primeiros guturais. Estes, conjugados com o hiper-groove de guitarra, os sintetizadores a fazerem de orgão de igreja e a maquinaria imparável no background tornam esta música numa das melhores do disco. O break aos 3:08 acompanhado dos típicos sussurros de Sidónio tornam este tema em algo do outro mundo... ou do submundo, podemos mesmo dizer. À quinta música chegamos a “Intruso”, que é talvez o melhor cover de Peter Gabriel que já ouvi na vida. O clima que já era sombrio, nos anos 70, transforma-se numa densa umbra, em 2015, penetrando-nos peito adentro e deixando-nos com calafrios. Uma espécie de remake bom do Massacre no Texas: o suspense é aumentado mas a história mantem-se fiel à original, mudando-se apenas o estritamente necessário. Só com a música traduzida para o Português é que percebemos o quão assustadora ela é...
"Na Ferida Um Verme" mostra-se como sendo a música mais rápida e mais susceptível a que acontecam mosh pits, ao vivo. Um verdadeiro hino!
A electrónica vem ao de cima no tema seguinte: "Foges-me em Chamas". É a malha mais calma de todo o disco... calma mas não calminha... a ambientalidade negra desvanece-se por completo, chegada a altura do refrão, ganhando tonalidades quase de Death Metal. ("Foges-me em chamas, resgato-te os ossos").
Em suma, este Mortuário é, possivelmente, o disco mais coeso que os Bizarra Locomotiva lançaram em toda a sua carreira, não havendo uma única música que possamos dizer que seja "menos boa". Assustador, negro, demolidor, claustrofóbico... são muitos os adjectivos que se podem aplicar a este trabalho. Uma verdadeira obra-prima da música portuguesa e um dos álbuns a ter em conta para as listas de melhores do ano (pelo menos para quem as faz). A Locomotiva demorou 6 anos a chegar à sua nova paragem mas chegou bem e melhor que nunca... afinal “Devagar se vai ao longe”.
A Operação Crestunfo, em modo de celebração dos seus 2 anos de existência, convidou os americanos Tweak Bird e os conjuntos portugueses Savanna, Equations e Fuzz para o seu aniversário.
Depois dum sumarento primeiro álbum em 2013 - It's Alive - o quarteto anuncia a sua segunda longa duração que será lançada em Agosto. Ainda sem nome, a produção ficou a cargo do músico Ty Segall, para quem abriram o concerto em Portland, há ano e meio. O álbum terá onze faixas (com possibilidade duma décima segunda) e terá o carimbo da Hardly Art Records.
Apesar da vocalista/guitarrista Shana Cleveland alegar que o Ty teve intenções por fuzz em todas as músicas, preferimos acreditar que o surf-rock das La Luz irá manter-se com o seu minimalismo, cujo reverb é suficiente para que a coisa brilhe. Uma ou outra guitarra com fuzz, vá.
Podem ler alguns statements que a Cleveland fez para a SPIN aqui.
Arish Khan (King Khan) e Mark Sultan (BBQ) tinham já o poder
de fazer vibrar ossos quando muitos de nós ainda tinham fraldas para ser
mudadas. Visualizaram bem os cerca de vinte anos que já pesam nas costas deste
duo? É muito. Os dois músicos aventuraram-se, primeiramente, como Spaceshits e
foram dando algumas cambalhotas, tendo, no novo milénio, adoptado o nome The King
Khan & BBQ Show. Ao que parece, o nome tem gerado alguma confusão e
inquietação e, apesar da coisa não se ter oficializado completamente, o par de
músicos tem vindo a preferir Bad News Boys como denominação. E é com este nome
que o quarto álbum da banda é lançado.
Bad News Boys foi produzido pela In The Red Records e conta
com oito faixas orelhudas cuja duração não se estende para lá do necessário. Quem
esperava uma sonoridade diferente ou alguma evolução, não viu as suas
expectativas cumpridas, já que o álbum oferece aquilo a que o duo sempre nos
habituou – um rock com energia e suor, dançável e despreocupado, com pitadinhas
dum punk de garagem e de lembranças revigoradoras dos 70’s. O que mais me
surpreende é a ligeireza com que produzem guitarras e harmonias vocais cuja
simplicidade nunca interfere com o ataque e força das músicas.
O álbum consegue balancear-se entre baladas/peso e sentimento/paródia. "Buy Bye Bhai" é o exemplo de música lenta com nostalgias dos anos 70, procedido
da malha mais pesadona, a "D.F.O", cujo punk transborda secreções fisiológicas, evidentes
no refrão “diarrhea fuck off”. "Never Felt Like This" é, sem dúvida, a mais
profunda e introspectiva, antecedendo "Snacking After Midnight", que quebra o
gelo com um rock n’ roll em modo paródico. Entre as músicas mais lentas e as
mais rápidas, a "Illuminations" consegue manter um equilíbrio, sendo uma das
melhoras melodias do álbum.
A diferença de peso entre as músicas talvez seja a mais
valia de Bad News Boys. Se assim não fosse, poderíamos estar perante um álbum
demasiado flat e cansativo, já que a guitarra anda quase sempre pelos mesmos
territórios.
Depois duma tour com os Black Lips, ficamos à espera da
passagem de The King Khan & BBQ Show por Portugal, para que as suas músicas
façam o que de melhor podem fazer – dar um espectáculo de meter toda a gente a
dançar. Mark Sultan já mostrou o seu interesse em cá vir: “SPAIN/PORTUGAL:is there anyone out there who
can book/coordinate a small tour for me in late MAY? a have had a few people
write me about single shows, and i know people here and there, but just don't
have time to piece it together. if so, thanks! write my inbox.”
O shoegaze enquanto tendência estilística mais ou menos contemporânea — surgiu no final dos anos 80, início dos 90 — tem raízes nesse grande género que é o post-punk.
E se, noutros tempos, os aficionados do shoegaze sentiam que faltava “algo” à sonoridade, eis que algum génio — ou queimado dos cornos — se lembrou de misturar elementos do punk na sonoridade do shoegaze.
Estas alterações ao género traduz-se, essencialmente, na impressão de um ritmo mais dinâmico.
A eliminação da sensação de uma parede sonora contínua, abstracta e quase monocórdica, optando por dar maior volume à percussão, conferir uma maior presença aos vocais (por vezes berrados e não quase sussurados como no shoegaze "tradicional") e as guitarras a permitirem o destaque de riffs principais, linhas concretas que todas as outras cordas devem seguir e complementar.
Em suma, a experiência ficou um pouco menos etérea, mas mais suja.
Esta mistura entre o shoegaze e o punk já não é novidade nenhuma, e é tudo menos alienígena aos ouvidos da maioria dos aficionados de ambos os géneros.
Uma delas são os Spectres e é sobre o seu Dying — o primeiro LP dos Spectres — que vos vamos falar de seguida.
Os Spectres são um colectivo britânico no activo desde 2011 que se define como uma banda de noise rock.
E, de facto, antes de mais nada, os Spectres são uma banda de noise rock.
A distorção, o ruído e a dureza com que se exprimem são traços que estão a ser aguçados desde os tempos de Family.
E este Dying — que sucede ao EP de 2013, o Hunger — é um álbum pesado.
Pesado em conteúdo. Abuso de substâncias, desespero, sujidade, morte, purgatório, insónias, desastres de um quotidiano não muito distintos do nosso, encaixados numa montra ruidosa.
[Dying] It's definitely a reaction to mediocrity. We've done a lot of tours and gigs and played some awful shows with some non-progressive bands. But instead of demoralising us and making us want to give up, it has definitely made us… it is quite angry I suppose. It is a reaction against the mainstream. When we were writing the album, there were a couple of songs that we knew we could polish up and make a bit nicer, but when we came to recording it we just thought that's not us. And by sticking to what we want to do, unlike a lot of bands do who maybe go a bit poppier if they want to reach a wider audience, we've gone the other way and hoped that people will come around to that and enjoy it for that reason. …We're quite cynical. We have a weird outlook on life and we don't take anything for granted. Even when good things happen, we're always like, "When's this going to end?" Plus, we're four really great friends and we talk about everything that's going on, and some of that definitely comes out in the music. We never intended Dying to be a massive hit. We just wrote the album that we wanted to write. There was no one telling us what to do, or saying, "Oh I think that's a bit much". It was all about how far we could push ourselves in the studio.
Em termos instrumentais, o shoegaze é a mais sonante das influências nesta aura de distorção e escuridão que os Spectres arquitectaram para dar forma às diferentes narrativas de Dying.
Os pedais a trabalharem, as agudas guitarras a chorarem no fundo, abafadas por uma densa parede sonora e as vozes denunciam largas horas passadas a ouvir os Swervedriver e o Loveless.
Mas a frenética percussão, a sujidade das cordas e o retratar de um contemporâneo dantesco lembram-nos uns A Place To Bury Strangers.
E poderíamos ver na sonoridade violenta o reflexo de uns Sonic Youth.
O ruído é a base de todos eles e também dos Spectres.
E Dying é o reflexo ruidoso da convergência de todas estas influências: um retrato violento da realidade, coberto de camadas abrasivas de distorção, que começa na balada industrial de “Drag” e acaba na imagem escolhida para a capa do álbum (fun fact: o gajo da capa aparece também no videoclip da “Red Sex” do Vessel).
Alguns poderão argumentar que este álbum, sendo sustentado pelas bases dos grandes, dificilmente poderia falhar, fosse qual fosse o esforço. Discordo redondamente.
Há aqui preocupações estéticas a tomar em grande consideração.
O uso do ruído com significância, como suporte de uma mensagem maior que o próprio álbum — a narração de vários contos abrasivos, sustentada por uma componente instrumental igualmente densa, pesada e ruidosa — é motivo mais que suficiente para múltiplas visitas a Dying.Mas, se mais nada conseguirmos subtrair deste disco, é notável a boa forma do colectivo, a mestria com que estes artesãos manipulam a arte do ruído.
Em suma, Dying não é um disco para meninos. É o diagnóstico feito sem eufemismos a uma existência enferma, escrito com duras palavras e em linhas instrumentais densas e ruidosas. Os fãs do shoegaze mais “tradicional” poderão encontrar aqui algo.
Por mais que a fórmula dos Spectres se distancie dos traços dream pop do movimento,
a “Sea of Trees” constitui motivo mais que suficiente para uma audição do álbum.
Os fãs do post-punk e do punk encontram aqui motivos para uma audição atenta.
O ritmo frenético e as letras duras são marcas familiares dos fãs dos género e uma constante em Dying.
Os fãs de noise rock encontram aqui muitos motivos para ficarem agradados.
Dying é uma das referências do ano no género, por todos os motivos acima supracitados.
Após quatro anos de espera, os My Morning Jacket anunciaram, finalmente, o lançamento de um novo álbum. The Waterfall intitula o conjunto de dez músicas que serão lançados dia 4 de Maio pela ATO Records. "Big Decisions" é o primeiro single que já pode ser ouvido online e que revela não muita transformação instrumental desde o seu último álbum, Circuital. Jim James admite que o novo álbum reflecte um fechar de capítulo de uma fase da sua vida e a imprevisibilidade duma nova que se aproxima.
Entretanto, foi anunciada uma tour mundial que terá início em Maio e que não tem Portugal como local de paragem.
O novo single pode ser ouvido aqui:
Faixas do álbum:
01 Believe (Nobody Knows) 02 Compound Fracture 03 Like a River 04 In Its Infancy (The Waterfall) 05 Get the Point 06 Spring (Among the Living) 07 Thin Line 08 Big Decisions 09 Tropics (Erase Traces) 10 Only Memories Remain