quarta-feira, 6 de maio de 2020

Bibio anuncia novo álbum, Sleep on the Wing


Bibio está a preparar o lançamento de um novo trabalho já no próximo mês de junho. Sleep on the Wing é o sucessor de Ribbons, disco editado em abril de 2019, e reafirma a aposta do produtor Stephen Wilkinson nas texturas atmosféricas e na estética mais tradicional da folk. Gravado maioritariamente no ano passado no estúdio caseiro de Bibio nas Midlands, Inglaterra, Sleep on the Wing chega às lojas a 12 de junho com o selo da Warp

Na faixa título já disponibilizada é possível sentir as marcas da medievalidade, num tema onde a guitarra nos guia por sonoridades simples mas contemplativas, acompanhada pela voz suave de Bibio e pelo contributo interessante das flautas. Segundo a press release, a "Sleep in the Wing" foi inspirado por um pássaro, o andorinhão, e sua capacidade de dormir durante o voo.  Ainda sobre o novo tema: 

Lyrically, I feel that the song has two aspects to it. The idea of being in the wake of a loss, and with hope, continuing the life of someone who has passed, through allowing oneself to be inspired by what they did during their lifetime and what they left behind, whether it’s the things they said, the knowledge they shared or the things they made. The other aspect to the song is perhaps more direct, and talks of escaping the city to find peace in the countryside, but the title is more a celebration of dreaming and the liberating power of imagination, not necessarily a physical escape. Music has the power to inspire dreaming and fuel the imagination, and that’s what I’ve always found so addictive about music.

O novo tema teve também direito a um vídeo animado da autoria de Sonnye Lim, a qual acrescentou "I wanted to capture the feeling of a temporary escape from the bustling city. The swift provides a glimpse of a serene, and carefree world". Podem vê-lo em baixo.



Entretanto também já estão disponíveis a tracklist e a artwork de Sleep on the Wing.

Sleep on the Wing:

01 Sleep on the Wing
02 A Couple Swim
03 Lightspout
04 Oakmoss
05 Miss Blennerhassett
06 The Milkyway Over Ratlinghope
07 Awpockes
08 Crocus
09 Otter Shadows
10 Warching Thus, the Heron Is All Pool






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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Os melhores álbuns de 2017


Todos os anos surgem no mercado milhares de discos de vários artistas ao redor de todo o mundo, o que significa que fazer listas é completamente baseado numa pequena amostra do que se ouviu num universo de discos que não se ouviram. Com 2018 mesmo no seu início, chegou o momento ideal para divulgarmos o nosso top de discos internacionais de 2017 que, como todas as outras listas de melhores álbuns, é enviezado pelos discos ouvidos pelos 11 redatores da Threshold. De um levantamento geral ficam abaixo os 25 mais votados.


25. Lapalux - Ruinism 



24. Idles - Brutalism 



23. Elder - Reflections of a Floating World 



22. Blanck Mass - World Eater 



21. Vince Staples - Big Fish Theory 



20. Kendrick Lamar - DAMN 




19. Milo - Who Told You To Think??!!?!?!?! 



18. Brand New - Science Fiction 




17. King Gizzard and the Lizard Wizard - Murder of the Universe 




16. BROCKHAMPTON - Saturation III 




15. Fleet Foxes - Crack-up




14. Amenra - Mass VI 



13. Protomartyr - Relatives in Descent




12. Bibio - Phantom Brickworks




11. GAS - Narkopop 



10. Kelly Lee Owens - Kelly Lee Owens 




9. Alex Cameron - Forced Witness



8. Converge - The Dusk In Us 




7. LCD Soundsystem - American Dream 



6. Igorrr – Savage Sinusoid 







5. Mount Eerie - A Crow Looked at Me 

A Crow Looked at Me é o oitavo álbum de estúdio de Mount Eerie, projeto a solo de Phil Elverum (The Microphones), e retrata, quase em formato documental, a morte da sua mulher, Geneviève Castrée, em junho de 2016. Não é um álbum fácil de se ouvir, mesmo para aqueles que são fãs dos trabalhos anteriores do artista, tanta é a mágoa e o desespero sufocante em que Phil se encontra. Musicalmente bastante simples, apenas com simples acordes de guitarra e algumas incursões de piano, A Crow Looked at Me destaca-se pela sua lírica crua e autêntica. Não há metáforas na voz de Phil, apenas emoções literais e o verdadeiro significado da dor que é perder alguém tão querido. Composto para ele próprio, este álbum é o modo de Phil prestar o seu luto, a única maneira de dar sentido à sua perda. Músicas como "Real Death", "Ravens" e "Swims" são as que mais se destacam. Ora vejam um comovente excerto da última mencionada: "Today our daughter asked me if mama swims/ I told her, "Yes, she does/ And that's probably all she does now". 





4. Slowdive - Slowdive 

Reunidos desde 2014, os Slowdive voltaram finalmente a brindar-nos com um novo disco, que sucede a Pygmalion, editado em 1995. Neste disco homónimo, os britânicos não esquecem o seu legado mas deixam também fortes indicações para o futuro, ao contrário de vários grupos da cena shoegaze que também se reuniram e editaram obras recentemente, como os Ride ou os Swervedriver. As composições do guitarrista Neil Halstead surgem ainda mais maduras, e a voz de Rachel Goswell e as guitarras etéreas continuam a ser capazes de nos envolver de forma calorosa. Destaca-se de igual forma a exímia produção, que é fundamental para que cada tema transmita a sua aura própria, como na mais acelerada “Go Get It” ou na soturna “Falling Ashes”. Uma espera que sem dúvida valeu a pena e que demonstra que o shoegaze não estagnou por completo, cimentando os Slowdive como um dos seus pilares. 





3. Varg - Nordic Flora Series Pt.3: Gore-Tex City 

Podemos considerar Varg um caso à parte da esfera techno. O produtor de nome Jonas Rönnberg possui tanto de excêntrico como de visionário, percorrendo ao longo da sua promissora carreira um espectro variadíssimo de estilos que vai das ambiências mais atmosféricas de Ursviken ao minimalismo das faixas que compõem as suas Nordic Flora Series. É também um dos fundadores da entusiasmante Posh Isolation e um dos nomes charneira da Northern Electronics, por onde lançou Nordic Flora Series Pt. 3: Gore-Tex City. Ao terceiro volume da respetiva série, Varg consegue o disco mais completo da sua carreira ao conjugar um techno apurado e de atmosferas industriais com estratégias fora da caixa e ecléticas que nos surpreendem frequentemente ao longo das suas 13 faixas. Narrativas em spoken word (Chloe Wise), vocais downtempo com boas doses de auto-tune (por Anna Melina), experimentalismos industriais de Drew Mcdowell e Alessandro Cortini e ainda a inesperada colaboração com o conterrâneo e sensação cloud rap Yung Lean fizeram de Gore-Tex City um dos discos mais ambiciosos de 2017. 




2. Chelsea Wolfe - Hiss Spun 

No sexto álbum da sempre consistente Chelsea Wolfe podemos constatar que esta continua onde Abyss ficou, sendo que nesta nova aventura musical deixou as suas influências industriais e eletrónicas mais de lado e deu até agora o mais forte abraço ao Doom Metal na sua discografia. Com convidados especiais como Aaron Turner dos Isis, o guitarrista dos Converge, Kurt Ballou e Troy Van Leeuwen, guitarrista dos Queens of the Stone Age e de A Perfect Circle, estes ajudaram Wolfe a juntar as suas influências góticas e folk numa parede sonora agressiva que consegue preservar a delicadeza emocional da voz da cantora. Músicas como “Spun” ou “16 Psyche” são exemplos perfeitos daquilo que a música desta mulher consegue alcançar, com letras exorcistas que tendem a enfrentar o passado complicado da cantora, tocando em temas sensíveis como o seu passado familiar ou antigos romances. Nestes 48 minutos, Chelsea Wolfe consegue através de grandes contrastes criar um dos álbuns mais fortes e emocionais do ano, provando que continua a ser uma das mais talentosas adições do mundo da música. 





1. Tyler the Creator - Flower Boy 

Resumamos isto nestes termos: Tyler the Creator tem feito por justificar o seu nome artístico. Desde o fim do seu conjunto, os marcantes Odd Future, que Tyler tem criado um burburinho ao seu redor, moldando o seu estilo irreverente desde que lançou Bastard há já quase dez anos, como aliás se nota na evolução em termos líricos e de produção. Munido de features como A$AP Rocky, Estelle e o seu camarada Frank Ocean, e rico em doses substanciais de experimentalismo com psicadélia, neo-soul e funk, Flower Boy mostra-nos um Tyler mais amadurecido, numa faceta mais fulgurante e ecléctica, abordando temas como solidão, depressão e amor, adotando até uma perspectiva mais íntima (incluído com referências à sua própria sexualidade) e apresentando uma experiência muito coesa e louvável do início ao fim.


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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Cinco Discos, Cinco Críticas #32


Nesta edição do Cinco Discos, Cinco Críticas destacamos os mais recentes trabalhos de Bicep - o homónimo LP Bicep -; Jolly Cobra - com o novo EP Chronium Hawk -; Holoscene 85' e o seu EP de estreia Surface; Stephen Wilkinson (Bibio) - que editou recentemente o LP Phantom Brickworks - e por fim os alemães Kadavar - que em setembro meteram cá para fora Rough Times. As opiniões sobre os disco seguem abaixo descritas com a disponibilização dos discos para escuta integral.


Bicep // Ninja Tune // setembro de 2017 
7.5/10 

A dupla irlandesa Bicep, composta por Andy Ferguson e Matt McBriar, apresenta-nos finalmente o seu disco de estreia, após o lançamento de vários singles e EPs desde a sua formação em 2009. Criadores do blogue Feel My Bicep (e da editora homónima) onde partilham pérolas do house, techno e disco, os irlandeses apresentam-nos 12 temas com uma base house mas repletos de influências de outras cenas e idealizados para o dance floor, como demonstrado pela sua visita a Portugal no mais recente NOS Primavera Sound
A produção impecável permite que o ambiente de cada tema seja adequadamente realçado, como em "Opal", claramente influenciada pela cena garage do Reino Unido e a fazer lembrar Caribou, ou na cinemática e etérea "Orca". Outros destaques incluem a batida jungle de "Glue", "Rain", onde a mistura de vocais indianos com uma batida house mais aguçada poderá fazer lembrar Four Tet, e ainda "Aura", que fecha o disco com nova descarga de adrenalina através dos seus belíssimos synths
Alguns dos temas poderiam beneficiar de uma duração mais longa para uma melhor exploração das suas ideias, como "Drift", com os seus synths carregados de tensão, e "Spring", enquanto alguns acabam por ser tiros ao lado, como "Kites", o mais comercial "Vale" ou o downtempo de "Ayr". Ainda assim, Bicep é um portento de energia e um dos discos house mais refrescantes dos últimos tempos.
João Barata




Chronium Hawk // Kung Fu Ninja Records // novembro de 2017
7.0/10

Chronium Hawk é o EP mais recente dos Jolly Cobra, banda norueguesa com um apreço muito denotado pelos suspeitos do costume, isto é, os vovôs do movimento psicadélico/stoner rock Black Sabbath e Hawkwind e que faz por seguir os passos de tais bandas para criar algo próprio. O alinhamento começa com o trabalho de teclado de teor ominoso nos primeiros segundos da faixa "Chromium Hawk Pt.1", que por sua vez dá lugar a uma mão-cheia de riffs prazerosos e solos colossais. 
A partir de "Ain’t Got Nothing", a situação altera-se um bocado, em que o trabalho rítmico torna-se ligeiramente mais vertiginoso. "Greyhound Express" também é outro destaque, graças aos seus riffs mais fuzzy sem perder o fator frenético. "Desert Storm", de teor ligeiramente mais dinâmico, é também bastante bonita, com o seu momento de solo mais ou menos calmito. A faixa final "Chromium Hawk Pt.2" é um fecho de registo sólido, com um momento ambiente psych a servir de acalmia depois da tempestade. Chromium Hawk, apesar de não demonstrar muitas surpresas por aí além, irá certamente revelar um bom serão aos fanáticos do género.
Rúben Leite





Surface EP // self-released // novembro de 2017 
8.0/10

Holoscene 85' é o projeto a solo de Francisco Oliveira, músico do Porto. Após o lançamento de várias músicas desde dezembro do ano passado, chega agora o seu primeiro EP, Surface, um disco de música eletrónica que passa pelo ambiente e pelo IDM. É um lançamento curto, mas dinâmico. Em certos momentos é pouco rítmico e foca-se principalmente em criar um ambiente envolvente e atmosférico, enquanto noutros a percussão eletrónica entra em ação e torna a música quase dançável. Isto é especialmente eficaz em "Acrylic Clear" e na excelente "A Story About Light", que com os seus diferentes sintetizadores e linha de baixo repetitiva e groovy me fez lembrar Boards of Canada. "Surface", faixa de abertura, repleta de melodias bonitas, relaxantes e agradáveis, também se destaca como um dos melhores momentos do EP. A contrastar com ela está "Scentless Silhouette", que fecha o disco muito bem, mas com texturas e sons mais tensos e ruidosos. 
Surface EP é composto por cinco músicas que combinam muito bem umas com as outras e originam uma experiência agradável ao longo de toda a sua duração. Apesar de haver músicas que me cativaram menos que outras, nenhuma me incomodou ou aborreceu. Não é demasiado curto nem longo e recompensa uma audição atenta com os pormenores ou sobreposições de diferentes sons existentes em certos momentos. Holoscene85' é sem dúvida um dos nomes nacionais que mais me agradou este ano e que mais potencial tem.
Rui Santos





Phantom Brickworks // Warp Records // novembro de 2017
8.8/10

Stephen Wilkinson regressou às edições no passado mês de novembro com o surpreendente Phantom Brickworks, o nono disco sob o moniker de Bibio. Editado novamente pela conceituada Warp, Phantom Brickworks traz uma nova etapa ao produtor britânico que ao longo de mais de uma década se dedicou a um projeto frequentemente associado a sonoridades que fundem música electrónica, folk, hip-hop e rock. O mais recente trabalho de Bibio, no entanto, explora paisagens mais atmosféricas e ambiente através de loops idílicos que remetem para o trabalho de William Basinski e Yves Tumor nos temas da sua mais recente compilação. Ao longo dos seus mais de 70 minutos de duração, Phantom Brickworks consegue manter um foco bastante coeso e unificado, passeando entre temas longos cheios de detalhe e minúcia e uma produção caseira que valoriza as propriedades texturais das suas composições. Carregadas de emoção e sentimento, as paisagens que Bibio pinta carregam em si uma certa sensação de solidão, deambulando por cenários bucólicos aparentemente nebulosos e densos que exploram as memórias reais e imaginárias do produtor. Os loops agoniantes e imersivos de "Capel Celyn", por exemplo, servem como uma pequena homenagem à vila rural galesa que em 1965 se transformou em reservatório de água, afogando a sua história de modo a fornecer água para a indústria inglesa. Memórias abandonadas que Bibio recupera e abraça em temas simples mas carregados de significado e emoção, e que fazem deste o seu melhor registo até à data.
Filipe Costa





Rough Times // Nuclear Blast Records // setembro de 2017
7.0/10

Os alemães Kadavar, ao quarto álbum, mostram que tal como as suas belas barbas não param de crescer, a sua discografia também não. Conhecidos pelas suas influências psicadélicas retro dos anos 70, em "Rough Nation" estes optam pelo peso e pela objetividade, evidente pelas músicas mais curtas e a redução dos momentos de improviso. A primeira parte do álbum é marcadamente stoner doom, com a abertura do álbum, música que partilha o nome com o disco, a ser um autêntico pontapé na cara com o baixo de Dragon sedento de fuzz e a intimidante bateria de Tiger a marcar ritmo. No entanto a atmosfera é mudada drasticamente com a chegada dos singles repletos de clichés que não funcionam tão bem como era suposto. "Die Baby Die" ou "Tribulation Nation" são um "travão de mão" para o impulso que a banda tinha formado. No entanto, para quem continuou a audição, os Kadavar guardaram umas surpresas, com o destaque, pessoal, para a balada, "You Found The Best In Me", com influências de Neil Young e de Creedence Clearwater Revival. Apesar da mudança de som neste álbum ser bem-vinda, a inconsistência na qualidade de algumas músicas impedem que este tenha uma avaliação melhor e complica a sua disposição juntamente com os trabalhos mais memoráveis do catálogo da banda.
Hugo Geada



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