sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

[Review] Vivien Le Fay - Ecolalia


Ecolalia | Boring Machines | outubro de 2019
8.0/10

A italiana Vivien Le Fay estreou-se em outubro deste ano nas edições de estúdio a solo com Ecolalia, o seu primeiro exercício de eletrónica minimal inspirado em diversos conceitos artísticos e com uma forte componente na exploração de temáticas como a sociologia, dança e fotografia. Vivien Le Fay está há já algum tempo ligada ao mundo da música sendo que no seu currículo estão inseridas diversas experiências ao redor de géneros como a música noise, hardcore ou a new wave ortodoxa. Contudo, foi na exploração da nova geração da eletrónica tecida por sound designers que Vivien Le Fay encontrou (e muito bem) um novo rumo.

A artista multidisciplinar começou por trabalhar como técnica guitarra para bandas sonoras, enquanto aprofundava o seu conhecimento sobre o espectro sonoro com o trabalho em rádios locais. Esses tempos exposta a novos ambientes serviram para afincar ainda mais a sua veia criativa e altamente sensível. Submersa num mundo de composições ecléticas Viven Le Fay começou a afinar também os primeiros traços estruturais do seu novo projeto a solo. Nesta estreia com Ecolalia - termo que significa a repetição não solicitada de vocalizações feitas por outra pessoa - Vivien Le Fay apresenta seis músicas baseadas na sensação específica em que a comunicação é fragmentada e retorna ao seu estágio primitivo, que também é a condição original do caos. Para lhes dar ainda mais entoação e sentimento a artista gravou o disco na floresta que se situa na base do Monte Vesúvio, incorporando uma atmosfera indubitavelmente negra.

Tingido por momentos de suspense e muitas vezes de indefinição de um estado, Ecolalia submerge o ouvinte, grande parte do tempo, a um estado de hipnose altamente imersivo. O disco inicia através de traços minimais e sobreposições de camadas sonoras no tema "Eve", com Vivien Le Fay a mostrar-nos o seu (chamar-lhe-ia) "ouvido absoluto" para a composição, além de todo um retrato de transformação vocal altamente processada a nível eletrónico. Antecipado através da faixa "Ex self", um tema altamente denso com a eletrónica monocórdica a emergir a um estado de ânsia, Ecolalia é um disco amplamente artístico e absolutamente conquistador. Os pormenores mínimos que vão sendo acrescentados ao som base, trazem um conteúdo enriquecido e uma atmosfera envolvente e poderosa que tornam este Ecolalia, de certa forma, um disco aditivo.



Uma das faixas que sobressai nas primeiras edições é "Each point of a thought", um tema que se pode encaixar no panorama da etheral wave, onde vimos uma Vivien Le Fay a vocalizar uma atmosfera altamente sonhadora, sobreposta a um ritmo decadente e um compasso marcado pelos sintetizadores sinistros que lhe vão dando sucessão. Pura magia a acontecer em cerca de cinco minutos de duração. Não dá bem para comparar a música de Vivien Le Fay ao trabalho de artistas específicos pois o seu rigor criativo aporta uma unicidade ímpar. Outro destaque recai ainda sobre a faixa homónima "Ecolalia", que apresenta uma sample vocal sobreposta aos tons da música ancestral. Além disso e, como não poderia deixar de ser numa grande obra, Ecolalia é acrescido por um admirável final com "Elim", uma faixa moribunda tecida na forma de uma excentricidade contida.  A multi-instrumentalista italiana arrisca em grande neste disco e tece uma obra que merece definitivamente reconhecimento e aclamação entre os lançamentos do ano.

Sempre com a sua essência minimal, encontramos em Ecolalia canções altamente ricas, intensas e com forte exploração a nível da eletrónica. O disco foi gravado em colaboração com Sergio Albano (Amklon) e apresenta um conteúdo altamente desafiador, a aportar sons entrelaçados numa harmonia quase absoluta. Vivien Le Fay estreia-se nesta obra, como muitos artistas gostavam de se estrear: experientes, arrojados, imersivos e acima de tudo, com uma extraordinária maturidade que deixa qualquer ouvinte surpreendido. Ecolalia é definitivamente um disco que não pode ficar de fora dos ouvidos em 2019.



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domingo, 27 de outubro de 2019

STREAM: Vivien Le Fay - Ecolalia


Vivien Le Fay - a artista multidisciplinar italiana que mistura os seus estudos em sociologia, as influências das aulas com Alejandro Jodorowski, aulas de dança e fotografia até que os traços dos diferentes estilos expressivos se percam no seu caminho pessoal estreou-se na última sexta-feira deste mês com o primeiro disco de estúdio, Ecolalia. Este novo registo, que é composto por um total de seis músicas explora o conceito de uma sensação específica em que a comunicação é fragmentada e retorna ao seu estágio primitivo, que também é a condição original do caos.

Apesar disso Ecolalia é tudo menos um disco caótico. Entre traços minimais que funcionam como base Viven Le Fay vai acrescentando, lentamente, novas frases musicais e criando novas camadas onde a repetição de sons fica em grande destaque. Uma peculiaridade que torna este álbum especial encontra-se no facto de ter sido gravado na floresta que se situa na base do Monte Vesúvio, embebendo uma aura sombria que Viven Le Fay manipula ao ponto de se tornar original e cativante. De Ecolalia já tinha sido divulgada anteriormente a poderosa faixa "Ex self". Além desta, destaque para "Each point of a thought", o tema homónimo "Ecolalia" e o encerramento cadavérico presente em "Elim". Discão.

Ecolalia foi editado na passada sexta-feira (25 de outubro) em formato vinil e digital pelo selo Boring Machines. Podem ouvir o disco abaixo e aproveitar para comprar a vossa cópia aqui.


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STREAM: Hermetic Brotherhood of Lux​-​Or - Sex and Dead Cities


A música ritualística, provocativa e obscura dos Hermetic Brotherhood of Lux-Or chega-nos em grande escala com oitavo disco da dupla italiana, Sex And Dead Cities, um ensaio sonoro que nos convida a ingressar num cenário onde viver é difícil se não mesmo insuportável. Neste novo trabalho longa-duração Laura Dem e Mirko Santoru criam ambiências tão depressa intensas e amigáveis, como sinistras, desconfortáveis e focadas em sensações tenebrosas prontas para projetar no ouvinte um ambiente de sufoco. Tudo isto sempre com o mérito e foco artístico que os Hermetic Brotherhood of Lux-Or tão bem têm trabalhado nos últimos anos.

Num total de cinco faixas embebidas em reminiscências industriais e um estado de paranoia psicotrópica Sex And Dead Cities é um álbum psicologicamente denso e, de certa forma conturbador. Um excelente pontapé no vanguardismo da música eletrónica onde se destacam faixas como "The river flows from the incinerator"; o já conhecido tema de avanço "Ruins and shell casings"; "Seven minutes of Nausea" que são literalmente sete minutos de música angustiante e ainda o tema de encerramento "Fear of the living".

Sex and Dead Cities foi editado na passada sexta-feira (25 de outubro) em formato vinil e digital pelo selo Boring Machines. Podem comprar a vossa edição aqui.



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segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Hermetic Brotherhood of Lux-Or - "Ruins and shell casings" (video) [Threshold Premiere]


Hermetic Brotherhood of Lux-Orthe Sardinian duo from Macomer - is back this year with the eighth studio album Sex and Dead Cities which, conceptually speaking, is both a reflection, a meditation and a testimony of an area left to itself to rust, where living it's difficult, if not unbearable. In an environment like this survival becomes a necessity and Hermetic Brotherhood of Lux-Or makes it clear in the five tracks that compose Sex and Dead Cities, including industrial reminiscences, feral screams and psychotropic paranoia.

In order to present this new full-length, Laura Dem and Mirko Santoru are now premiering "Ruins and shell casings", the first single from Sex and Dead Cities that will project you to an atmosphere full of uncomfortable sound explorations, in a rite manifested through obsessive repetition and daze"Ruins and shell casings" - one of those challenging singles including a deep artistic mindset - is now available to explore. The single comes with a new music video bringing some lo-fi footages really intense. You can now watch it first-hand below.


Sex and Dead Cities is out on October 25th through the unflagging Italian label Boring Machines. Pre-order the album here.


Sex and Dead Cities Tracklist:

01. To die in a decayed country
02. The river flows from the incinerator
03. Ruins and shell casings
04. Seven minutes of nausea 

05. Fear of the living

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sábado, 5 de outubro de 2019

Vivien Le Fay anuncia disco de estreia pela Boring Machines


A artista multidisciplinar italiana Vivien Le Fay estreia-se nos discos longa-duração já este mês com o álbum Ecolalia, termo que significa a repetição não solicitada de vocalizações feitas por outra pessoa. O disco é composto por seis experimentos sonoros que abrangem a sua paixão pela música e as fases por que passou até ter encontrado um caminho mais vincado na geração de designers de som eletrónico. O resultado evoca uma produção que é escura e densa, tal como as formações magmáticas e as cinzas pretas na base do vulcão adormecido.

Ecolalia - um disco conceptual baseado nessa sensação específica em que a comunicação é fragmentada e retorna ao seu estágio primitivo, que também é a condição original do caos - traz faixas instrumentais e outras onde descobrimos a voz poderosa, embora aina tímida que Vivien Le Fay aporta. O disco foi gravado em colaboração com Sergio Albano (Amklon) e já é conhecido o primeiro tema de avanço, "Ex self".


Ecolalia tem data de lançamento prevista para 25 de outubro pelo selo italiano Boring Machines. Podem fazer a pre-order do disco aqui.

Ecolalia Tracklist:

01. Eve 
02. Ex self
03. Each point of a thought 
04. Ecchymosis 
05. Ecolalia 
06. Elim

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segunda-feira, 3 de junho de 2019

Cinco Discos, Cinco Críticas #46



Já quase a chegar à concretização do primeiro semestre do ano civil é também tempo de começar a listar as edições que se destacaram entre os incontáveis lançamentos que vão saindo diariamente. Para vos ajudar neste processo voltamos em mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas a recordar alguns dos discos que chegaram às prateleiras nos primeiros cinco meses do ano.

Assim, as opiniões relativas aos mais recentes lançamentos de The Physics House Band - Death Sequence (Unearthy Vision, 2019); NEUNAU - Il Ciclo del Vuoto (Boring Machines, 2019); Von Spar - Under Pressure (BUREAU B, 2019); Злурад - Во благо злу ([addicted label], 2019); e Pile - Green and Gray (Exploding in Sound Records, 2019) podem agora ler-se, abaixo. 


Death Sequence | Unearthly Vision | maio de 2019 

7.8/10 

O quarteto britânico The Physics House Band volta à carga com o seu terceiro registo, um EP de seu nome Death Sequence que conta com quatro faixas de magia em formato sonoro. A identidade destes meninos consiste numa abordagem cativante e aguerrida a géneros como o doom metal, o jazz fusion e o rock progressivo, com todas as sonoridades ecléticas, mudanças de tempo radicais e não-ortodoxas e ambiências extraordinárias de natureza interplanetária que isso traz. O EP coloca o ouvinte frente-a-frente com um alinhamento que começa de forma completamente sufocante, com riffs obscuros e um trabalho de saxofone sombrio, mas que rapidamente faz uso de um jogo de variações entre uma agressividade intrínseca e uma acalmia enganadora, pois a sequência que o alinhamento proporciona dá sempre azo a uma atmosfera de constante tensão que dura cerca de 17 minutos no seu total. 
Certamente uma experiência interessante que os fãs do género irão apreciar imenso, mas que apesar de provar ser um alinhamento aprazível e autossuficiente, acaba por não ser mais que uma antevisão para coisas maiores que ainda estão para vir. De qualquer maneira, acaba por fazer o papel ingrato, mas necessário, de aperitivo de maneira eficaz e memorável.
Ruben Leite




Il Ciclo del Vuoto | Boring Machines | maio de 2019 

8.5/10 

Com foco na pesquisa sonora que inclui uma abordagem arqueológica e museológica, NEUNAU - o projeto artístico do italiano Sergio Maggioni - chegou em maio passado aos destaques do mês com Il Ciclo del Vuoto, um disco de oito temas que promete surpreender os fãs das estéticas da música ambiente, experimental, drone e dos campos do field recordings. Construídos a partir dos mais ínfimos detalhes transmitidos por fontes sonoras, NEUNAU produz nestas faixas uma banda sonora onde a personagem principal é o próprio ruído gerado. Il Ciclo del Vuoto incorpora uma experiência que vai além do simples processo de escuta integral. Além da produção auditiva envolvida, este trabalho também se foca no design visual, com uma capa feita através do velho modelo da tipografia, ou seja, todo o packaging que acompanha Il Ciclo del Vuoto resultou de um processo de impressão à mão com recurso a uma impressora de caracteres dos anos 80, que agora faz parte do museu de tipografia Lodovico Pavoni de Artogne em Valcamonica.
Sem margem para dúvidas este disco trata-se de uma experiência conceptual onde cada batida e ritmo orgânico são pensados em detalhe e cada audição sonora se transforma num mundo explorativo e rico em ambiências amplamente desafiadoras. Desde o homónimo "Il Ciclo del Vuoto" - tema que inaugura o álbum - até "Field Recording from Marna Gallery (bonus track)" - encarregue pela despedida - NEUNAU explora a temática do concreto num trabalho de rigor científico e intensa imaginação artística. Um daqueles discos cuja edição física é obrigatória na coleção.
Sónia Felizardo




Under Pressure | Bureau B | maio de 2019 

8.0/10 

Von Spar é um quarteto alemão formado por Sebastian Blume, Jan Philipp Janzen, Christopher Marquez e Phillip Tielsch. O grupo de Colónia traz-nos em 2019 Under Pressure, quinto e novo registo discográfico, se contarmos com o álbum de homenagem ao clássico dos CAN, Ege Bamyasi, gravado ao vivo com Stephen Malkmus no ano de 2013. 
O sucessor de StreeLife (2014) apresenta-nos nove temas que fogem do registo krautrock habitual dos Von Spar, dando novas roupagens sintéticas à sonoridade do grupo, ao mesmo tempo que se aproxima da pop de cariz eletrónica e dançável. 
Under Pressure conta com a participação de vários convidados, com o principal destaque a ir para a voz de Chris A. Cummings, presente em mais de metade das músicas. Eiko Ishibashi (Kafka's Ibiki, Jim O'Rourke, Merzbow), Vivien Goldman (The Flying Lizards), R. Stevie Moore deixaram também a sua marca neste disco, mas um dos momentos mais importantes é mesmo a presença de Lætitia Sadier (Stereolab) no hit kraut-pop de audição obrigatória, "Extend The Song". Além do tema mencionado em cima, aconselha-se vivamente a audição de "A Dream, Pt2.", tema de influências Nu-Disco, como se tivesse saído do último disco de Todd Terje e "Happiness", onde abundam texturas atmosféricas e refrescantes, as quais combinariam perfeitamente com um sunset de cocktail na mão. 
Under Pressure é um disco alegre, perfeito para os dias mais quentes, com a sua sensibilidade pop e ritmada. As sonoridades aqui presentes não são inovadoras, mas são bem agradáveis e frescas, muito por culpa das distintas colaborações dos artistas convidados.
Rui Gameiro




Во благо злу | [addicted label] | janeiro de 2019 

7.0/10 

Formados em Moscovo, em 2015 os Zlurad (aka Злурад) retratam uma abordagem sonora que explora as vertentes do noisecore/jazzcore e é amplamente destrutiva, ao mesmo tempo que se apetrecha de elementos criativos e de uma visão artística que foge aos padrões das estéticas aceites popularmente. Entre alguns meses despendidos na garagem em ensaios e criação de maquetes os Злурад foram até ao estúdio Orange para gravarem com Nick Samarin (IWKC, Evil Bear Boris) o resultado do tempo investido numa sessão de estúdio, que se corporizou em dois trabalhos longa-duração físicos: O mini CD Ritual (Salami), editado em 2017 com uma duração limitada a 100 cópias, e o CD Во благо злу , título que se pode traduzir em algo como "Uma bênção ou uma maldição (para o bem do mal)" editado em janeiro de 2019 e sobre o qual recai esta crítica. 
Entre os anos que deram sucessão à formação do atual quinteto russo, aos que levaram à materialização do segundo trabalho longa-duração de carreira, Во благо злу, a banda experimentou entre os terrenos do grindcore experimental e improvisado, interruptores de tempo repentinos e riffs estranhos, até ter chegado a um resultado final que incorpora um total de quatro vozes brutais entre uma parafernália de instrumentos a abraçar o caos sonoro. 
Во благо злу não é um disco de audição fácil muito menos um disco desenhado para chegar ao grande público, mas é definitivamente um disco que sabe surpreender um prezado melómano e qualquer ouvinte que não tenha medo de ultrapassar o threshold.
Sónia Felizardo





Green and Gray | Exploding in Sound Records | maio de 2019 

8.5/10 

Os Pile lançaram no mês passado Green and Gray, o seu sétimo longa-duração e a sua mais recente adição numa carreira discográfica que apesar de curta, já é algo vasta. Com 7 LPs e outros tantos singles, a banda que começou como um projeto pessoal de Rick Maguire (o mentor dos Pile) evoluiu para um quarteto atualmente composto por Maguire, Chappy Hull, Alex Molini e Kris Krus. Nas primeiras audições, é possível acharem que Green and Gray é um disco demasiado expansivo para manter algum tipo de coesão. Porém, esse facto deve-se à sonoridade difícil de caracterizar dos Pile, que oscila entre massas de pós-hardcore denso, explosões instrumentais de noise e math rock e momentos mais calmos, expansivos, líricos e introspectivos. Estas oscilações tornam evidentes os vários momentos pelos quais passamos ao escutar Green and Gray, sendo que o álbum começa com aquela que é uma das suas melhores faixas: "Firewood". "No longer burdened by youth / Not burning and open and raw like a wound", é assim que começa Green and Gray, com Maguire a aceitar o fim da sua juventude, pronto a percorrer caminhos mais maduros, mas não menos sinuosos. O resto do álbum é composto por muitos outros distintos momentos de interpretação da lírica escrita por Maguire, de entre os quais destacamos "The Soft Hands of Stephen Miller", faixa na qual Maguire usa o seu tempo de antena para cuspir veneno contra Stephen Miller, o racista de extrema-direita que se tornou num dos principais assessores políticos de Donald Trump ("From a long line of translucent lizards comes our boy Stephen / That inferiority complex passed down generations") e "Bruxist Grin", tema no qual exorciza os demónios que causaram o ataque de pânico que teve dias antes de sair de Boston para ir viver para Nashville ("The moment I panic you replace / The reason I can't help being switched2). 
Green and Gray é uma adição de peso à discografia dos Pile e um sério candidato a concorrer ao top 10 de discos do ano. Para fãs dos Polvo, dos Cloakroom e dos Pixies
Edu Silva 



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sábado, 4 de maio de 2019

Ganzfeld, o novo disco de Von Tesla é editado este mês

Von Tesla, o projeto experimental do músico eletrónico italiano que utiliza hardware físico e digital, além de softwares programáveis, ​​para investigar todos os diferentes aspectos da música dirigida pelas batida vai lançar na próxima semana um novo trabalho de estúdio intitulado de Ganzfeld. Usando ritmos assimétricos e pulsações na base de criação sonora, Von Tesla cria um exercício musical que trascende a compreensão dos ouvintes menos exigentes, pela sua estrutura complexa.

O nome do disco é baseado num fenómeno de percepção causado pela exposição a um campo de estimulação uniforme e não estruturado, intitulado Ganzfeld. Neste novo trabalho Von Tesla tenta alcançar um efeito similar através do uso e experimentação de múltiplas camadas de sons eletrónicos, ao longo 133 minutos. Deste novo trabalho já tinham anteriormente sido divulgados "sensory leakage" e "NM Codex", aos quais se junta agora "Caustic Network".



Ganzfeld é editado no próximo dia 10 de maio pelo selo Boring Machines. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Ganzfeld Tracklist:

01. CD1 - 01. aftermath 
02. CD1 - 02. sensory leakage 
03. CD1 - 03. E-e 
04. CD1 04. e v e r y t h i n g 
05. CD1 05. lighted room 
06. CD1 06. out of the surface 
07. CD1 07. vesica piscis 
08. CD2 01. caustic network 
09. CD2 02. echoes of the end 
10. CD2 03. dream part 
11. CD2 04. NM codex 
12. CD2 05. infinity reveal 
13. CD2 06. feedforward 
14. CD2 07. in the red

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sexta-feira, 26 de abril de 2019

STREAM: NEUNAU - Il Ciclo del Vuoto [Threshold Premiere]


NEUNAU, the artistic project of Sergio Maggioni focused on sound research through an archaeological and museological approach, is going to release a new full-length album, Il Ciclo del Vuoto, next month. This new work comes two years after the debut Neunau EP (Parachute, 2016), and one year after P A S S I (2017), the "Concrete" single (_incisionirupestri_, 2017) and the phonodocumentary - produced by Sergio Maggioni and Pier Enrico Villa - Nel cemento (_incisionirupestri_, 2017).

NEUNAU's sound investigations develop from the smallest details conveyed by a sound source with the aim to produce audio tracks and documentary clips, where the main character is the sound itself, used to tell its own story. The album has been partially revealed beforehand with the release of the track "Nel Vuoto". If you are reading this, you definitely are a lucky person because this is a full experience that goes beyond the simple act of listening to it, and you can experience it in full in an advance premiere streaming, below.

Il Ciclo del Vuoto is set to release on 10th of May via the Italian independent label Boring Machines. You can pre-order the album here.



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sexta-feira, 19 de abril de 2019

A teoria musical dos dTHEd chega às prateleiras em maio


Os dTHEd - o trio que interliga Fabio Ricci (vonneumann, routine), Simone Lanari (Ask The White, Ant Lion, Walden Waltz, Sycamore Age) e Isobel Blank (Ask The White, Ant Lion, Isobi, Vestfalia) aos esquemas mecânicos das máquinas - vão estrear-se este ano nas edições longa-duração com hyperbeatz vol​.​1. O universo musical dos dTHEd é suportado pelo livro Hyperobjects de Timothy Morton, pelo processamento sensorial alternativo e pelo conceito da "neurodiversidade". O resultado é um conjunto de malhas que implementam uma ampla gama de técnicas eletrónicas para criar uma hiper-música de estética pós-humana. 

Composto por um total de oito temas este primeiro disco de carreira do trio italiano é agora apresentado através do tema "ⱴŁηə3", onde as batidas criadas e a ambiência sonora circundante pretendem ir além das possibilidades humanas. A esta estética pós-humana, baseada na atual era da assimetria e na diversidade de padrões os dTHEd definem como hyperbeatz. Aproveitem para ouvir o primeiro resultado deste processo teórico de composição musical ali dentro.


hyperbeatz vol​.​1 tem edição agendada para o próximo dia 10 de maio pelo selo italiano Boring Machines. Podem fazer pre-order do disco aqui.

hyperbeatz vol​.​1 Tracklist:

01. 1. ДnβĦ 
02. ⱴŁηə3 
03. ŞmpŁø-π 
04. ªcçr_mщ 
05. Đæⱶūň 
06. křpp.o|×į 
07. 5ẘrƓn^ 
08. Ƨiănƕηm]đʉ

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segunda-feira, 15 de abril de 2019

NEUNAU lança novo disco em maio

© Tania Bornacin

NEUNAU nasceu em 2015 e é um projeto artístico focado na investigação do som com recurso a uma abordagem arqueológica e museológica. Esta investigação é desenvolvida através de uma captação inicial dos mais pequenos detalhes transmitidos  por fontes sonoras e um estudo posterior onde NEUNAU procura uma potencialidade musical com o objetivo de produzir singles e clipes documentais. O resultado deste projeto vai materializar-se em formato físico, no próximo mês de maio, numa edição em vinil intitulada Il Ciclo del Vuoto.

Este novo trabalho, composto por um total de sete faixas, foi completamente "construído" e produzido por NEUNAU onde através de uma sonoplastia altamente baseada no conceito da máquina é possível identificar a sua essência característica. Para a promoção deste  novo disco já tinha anteriormente sido divulgado um teaser, mas agora podem ver mais outro. Aproveitem para o fazer ali abaixo.


Il Ciclo del Vuoto tem data de lançamento agendada para 10 de maio pelo selo italiano Boring Machines.

Il Ciclo del Vuoto Tracklist:

A1 Il ciclo del vuoto
A2 Nel vuoto
A3 Anomalia 
B4 Movimento I 
B5 Rullo trasportatore 
B6 Nastro trasportatore
B7 Movimento II

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Estas foram as edições de março da Boring Machines


Depois de uma pausa de início de ano a editora italiana Boring Machines regressou às edições com três novidades que foram editadas no início do mês de março e que merecem uma audição cuidada para os fãs das sonoridades que envolvem as fórmulas da música ambiente, drone, experimental e derivados.

A primeira edição é Minus Plus Escapism, o terceiro disco dos Everest Magma, que vem dar sucessão a Modern / Antique (2015) e Gnosis (2016) - ambos editados pela chancela Boring Machines. Este disco, composto por um total de 10 experimentações sonoras e vocais com recurso a violão e alguns efeitos, soa como um registro eletrónico, apesar do seu teor fortemente acústico. Este é um registo extremamente interessante em termos criativos - especialmente por não apresentar nenhuma lírica - pela utilização da voz como instrumento principal e ainda pela incorporação de alguns field e tape recordings no desenvolvimento (ouvir por exemplo "A3" e "A5"). 


Juntamente com o terceiro disco dos Everest Magma, editado a 1 de março, também no primeiro dia do terceiro mês do ano a Boring Machines lançou cá para fora Il Vento Disperderà la Schiuma, o segundo disco de estúdio do produtor italiano Fabio Orsi. Este novo disco - que chega oito anos depois de Wo Ist Behle? (2011) - convida o ouvinte a uma viagem introspetiva entre as ambiências drone da música eletrónica e de cariz experimental. Em Il Vento Disperderà la Schiuma, Fabio Orsi apresenta o último conjunto das gravações que nasceram em Berlim antes do seu regresso à cidade natal, em Puglia. Um impacto entre o norte frio e um desvio dos reflexos mais quentes em três perspetivas sonoras que perduram por cerca de cinquenta minutos.


Para finalizar e, também no primeiro dia do mês de março, a Boring Machines lançou a terceira das três edições que marcaram o terceiro mês do ano no seu catálogo: Bloom Into Night, de BeMyDelay. Be MyDelay nasceu no inverno de 2010 como o projeto a solo de  Marcella R Wilson baseado em efeitos sonoros e loops. Com o tempo ela foi-se aproximando de um tipo de música folclórica lisérgica, entre o estilo britânico folk e west coast até chegar às paisagens psicadélicas que rodeiam Bloom Into Night. Além da instrumentação é também através da voz e das suas texturas irregulares que Marcella configura a marca abrangendo camadas ora macias ora onduladas. Definitivamente a edição de Março mais romântica da editora independente italiana.



Se chegaram até aqui neste artigo poderão estar interessados nisto: A Boring Machines está a disponibilizar um pack promocional, onde podem comprar estes três discos de vinil por apenas 36€. Podem fazê-lo em qualquer uma das páginas do Bandcamp dos referidos trabalhos, ou clicando aqui

Em maio haverá mais novidades. Até lá garantam que seguem a Boring Machines no Bandcamp, onde poderão acompanhar todas as novidades em primeira mão.

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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

STREAM: J​.​H. Guraj - Steadfast on our Sand


J.H. Guraj contribui com algumas músicas para o documentário Steadfast on our Sand de ZimmerFrei que foram editadas de forma independente, no passado mês em vinil pelo selo italiano Boring MachinesSteadfast on our Sand é um documentário sobre a criação de paisagens e controlo da natureza. Um filme hipnótico sobre a comunidade ilhéu e os seus hábitos e tradições contraditórias documentado sobre a natureza artificial e paisagismo.

Agora editado em formato físico, Steadfast on our Sand é um conjunto de quatro faixas de desenvolvimento lento e pervasivo, divididas em dois lados e com uma duração aproximada a 20 minutos, que se encontram disponíveis para audição na íntegra, abaixo.

Steadfast on our Sand (Music for a documentary film by ZimmerFrei) foi editado no passado dia 19 de outubro pelo selo Boring Machines.

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domingo, 1 de julho de 2018

Cinco Discos, Cinco Críticas #38


A finalizar o primeiro semestre do ano destaque para as edições dos ingleses LUMER - com Blood On Suits (Hidden Bay Records); dos norte-americanos sewingneedle - com use error (Aerial Ballet Records); dos holandeses Geomatic - com a reedição de Control Agents (m-tronic, 2018); do português Serpente - com Rituais 101 (Tormenta Eléctrica) e ainda o projeto do italiano Paolo MontiThe Star Pillow, com Symphony for an Intergalactic Brotherhood (Boring Machines). As opiniões a estes cinco registos, podem ler-se abaixo em mais na 38ª edição do Cinco Discos, Cinco Críticas.


Blood On Suits // Hidden Bay Records // junho de 2018 

8.5/10 

Se o post-punk é a vossa vida então têm mesmo de ouvir o novo EP dos ingleses LUMER, quarteto que já anda por aí desde 2016, data em que lançaram o seu EP de estreia, homónimo, pela Warren Records. Agora na casa Hidden Bay Records, em formato cassete, os LUMER trazem mais quatro temas abrasivos que preparam o ouvinte para gastar toda a sua energia. Os LUMER até podem ser novos no panorama, mas a julgar pelos dois EP’s que já lançaram – essencialmente este último – podemos claramente afirmar que este quarteto é um dos nomes que vai marcar a próxima onda do post-punk contemporâneo. Neste Blood On Suits EP a banda vai repescar as sonoridades do shoegaze, do kraut-rock e os ritmos do punk, apresentando uma sonoridade à qual é impossível não sentir imersão instantânea. 
A abrir com "Ours is Treason" a banda de Hull mostra que as raízes do punk/post-punk estão na base do seu trabalho, continuando nesse registo em "Distante Relative", onde podemos também ouvir um trago de noise-rock e a voz de Alex Evans rasgada de emoção e revolta. Ainda naquelas malhas que têm mesmo de ouvir está o single que serviu de apresentação a este novo EP, "Burn/Bleed", que recebe uma transformação muito linda perto dos dois minutos de avanço. O mais interessante nos LUMER é a sua abordagem muito singular – apesar de notarmos as suas influências, o resultado sonoro deste Blood On Suits é bastante único. Post-punk genuíno e do bom, pronto para invadir os tops do ano.
Sónia Felizardo



user error // Aerial Ballet Records // maio de 2018 

7.4/10 

Originais de Chicago, os sewingneedle lançam o seu segundo álbum, user error, assumindo-se como uma banda apologista da era alternativa musical dos anos 80 e 90, para o bem e o para o mal. Com isso quer-se dizer que a sonoridade destes rapazes retira imensas influências de géneros como o post-hardcore, o grunge e o post-punk, resultando numa investida sonora - que cruza trabalho rítmico complexo e guitarras ora sujas, ora melódicas, com letras meio negativistas e abstratas sobre assuntos pessoais e outros assuntos da praxe - exibida ao longo de nove canções que fazem lembrar bandas como os Slint, os Fugazi ou até mesmo Sonic Youth. Nada de extraordinariamente original, portanto. 
Porém, é óbvio desde o início que os sewingneedle não pretendem reinventar a roda, preferindo apenas mandar rock raivoso, dissonante e direto ao assunto e, acreditem que estes meninos conseguem fazer isso e ir um pouco mais além com ideias próprias interessantes. Quanto ao álbum user error em si, é uma prova sólida de que a banda consegue saciar aqueles que procuram um som mais reminiscente daqueles anos vindouros em que a raiva mais contida e taciturna em formato sonoro era rainha e senhora, como notado nos cânticos angustiados do tema homónimo, na vibe pessimista do single "feel good music", na performance mais pulsante na forma de "buddy" e no tema final do alinhamento, com um encanto lento e abatido por sinal, de seu nome "credits".
Ruben Leite



Control Agents // m-tronic // abril de 2018 

8.0/10 

Control Agents é o disco de estreia da dupla holandesa Geomatic - lançado originalmente em 2001 pela Triumvirate - ‎e que recebe, dezassete anos depois, uma nova reimpressão pelo selo francês m-tronic, a 25 de abril de 2018. A dupla, formada em Amesterdão em 1995 e composta por Andrei Vasiljev e Serge Marinec, conta até à data com quatro discos de estúdio e uma intensa capacidade criativa na exploração de ambientes obscuros e industriais, que se refletem na sua discografia de carácter tecnicamente futurista. Caracterizado por um desenvolvimento essencialmente moroso, Control Agents é um disco que não atinge qualquer ouvido, esta é música psicologicamente densa que consegue orientar o ouvinte a um estado mental explorativo, mas que ao nível físico não se repercute pela ausência de ritmos monótonos ou marcados. Este disco retrata na perfeição as novas abordagens da música eletrónica experimental na atualidade, mas com a importância especial de terem sido escritas e composta em 2001, elevando assim o potencial estético e visionário que os Geomatic têm envolto. Control Agents é uma obra digna de audição por qualquer melómano da música eletrónica experimental / industrial / minimal. 

A m-tronic está a disponibilizar para download gratuito este Control Agents, bastando para isso aceder a este link aqui. Esta reedição vem anteceder o quinto álbum de estúdio dos Geomatic, Transcommunication, que é esperado chegar às prateleiras no Inverno.
Sónia Felizardo



Rituais 101 // Tormenta Eléctrica // junho 2018 

8.5/10 

Serpente, Ondness, Sabre ou até mesmo Osso são muitos dos nomes que o compositor e músico Bruno Silva tem utilizado ao longo dos anos enquanto produtor dos mais variados géneros de música situada no espectro do techno underground lisboeta. Quem acompanha o artista sabe o que lhe espera, um espetáculo sonoro que é capaz de causar despertares inilidíveis a nível auditivo e, pode observá-lo, logo desde os cedos trabalhos até ao EP que hoje vamos abordar: Rituais 101, lançado pela Tormenta Eléctrica neste mês de junho, um EP que merece especial atenção pela curta duração mas longa recordação que deixa nos nossos ouvidos. 
Organizado em A Side e B Side, ambos com duas faixas, Rituais 101 é um desafio para a atenção dos mais desatentos e para a audição de qualquer um que "perca" tempo a ouvir, começando logo com a faixa "Sangue de Galo" que nos apresenta uma raiz de break techno, muito sampling e um estudo meticuloso de vários géneros que irão culminar na faixa, num beat forte e potente. Esta é uma faixa introdutória forte, que nos leva a tentar pelo menos perceber o caminho a que conduz o restante EP. Relevância e menção também para "Venda de Altar", talvez a faixa de digestão mais fácil, fazendo lembrar Autechre ou mesmo Richard D. James pela perícia de Serpente no mixing e sampling de tracks. Finalmente, falar de "Fio Obeah" faixa que alia o techno ao dub, criando uma harmonia perfeita e uma faixa excelente. Um disco que merece ser escutado com atenção e que merece ser digerido com cuidado, não fosse esta a serpente mais perigosa que poderá andar pelas ruas do techno underground lisboeta.
Duarte Fortuna



Symphony For Intergalactic Brotherhood // Boring Machines // março de 2018 

8.0/10 

Symphony for an Intergalactic Brotherhood é o mais recente disco do projeto The Star Pillow, que nasceu em 2007 pelas mãos do guitarrista italiano Paolo Monti. Especializado nos campos da música drone-ambient, as texturas exploradas neste disco - com uma duração aproximada a quarenta minutos - apresentam uma série envolvente pelos campos da improvisação, dividida em três partes. O disco foi gravado e composto por Paolo Monti em formato DIY e apresenta um total de três músicas que dividem o álbum entre introdução, desenvolvimento e conclusão, sendo mais uma edição de qualidade do selo italiano Boring Machines
No primeiro tema, "My Dear Elohim", Paolo Monti começa por introduzir ao ouvinte o seu conceito de desenvolvimento arrastado expressando-se num ritmo que, progressivamente, vai adquirindo uma tonalidade mais negra, profunda e igualmente grandiosa. Já em "An Interstellar Handshake" podemos ouvir as suas influências mais clássicas e entrar num estado quase de nirvana, pelo relaxamento estático que o tema proporciona entre corpo e mente. A encerrar, com "From Dust to Stars", Paolo Monti consegue purgar todas as nossas más energias fazendo deste Symphony for an Intergalactic Brotherhood, não apenas um álbum, mas uma completa terapia. 
Sónia Felizardo




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