É já na próxima sexta-feira que começa a terceira edição do North Music Festival, que pelo segundo ano consecutivo decorre à beira do rio Douro, mais concretamente na Alfândega do Porto. Conhecido como o “primeiro festival de verão do ano”, abre assim em força a época dos festivais e volta a apresentar uma programação para dois dias de animação com uma mistura de nomes consagrados com projetos nacionais emergentes.
A programação de sexta, dia 24 de maio, é composta por Emir Kusturica & The No Smoking Orchestra, Bush, Expensive Soul, Murmur, Skills and The Bunny Crew, Rich & Mendes e DJ Kitten. No sábado, dia 25 de maio, é a vez de Franz Ferdinand, Bastille, Capitão Fausto, Glockenwise, Stone Dead, Cave Story e Moullinex DJ Set.
Os bilhetes diários têm o preço de 35€ e os passes gerais 59€. Já sabem para onde aponta a bússola, agora é só vocês não perderem o norte.
O Festival de Música Urbana – Basqueiral vai para a sua terceira edição e realizar-se-á nos próximos dias 14 e 15 de Junho de 2019. Nesta edição destacam-se várias novidades, começando pela internacionalização do cartaz com a inclusão de duas bandas estrangeiras, K-X-P (Finlândia) e os La Jungle (Bélgica), ambas com novos álbuns acabados de lançar. A estes nomes juntam-se vários nomes de qualidade como Glockenwise, Conjunto Corona, Surma, Cave Story, NERVE, Vaiapraia, Solar Corona, Jorge da Rocha, NU, Acid Acid, Shared Files, Blind the Eye, Palmers e Ritmare.
Outra novidade foi a adição mais um palco, sendo agora quatro. O mais recente, terá o nome de Missa Alternativa, e localizar-se-á numa das salas do Museu de Lamas. Também existiu um reforço da aposta na ramificação artística do Festival, o Basqueirart, com um aumento do número de instalações e performances distribuídas pelos Jardins do Parque e salas do Museu de Lamas, um Mural Participativo de grandes dimensões, uma narrativa em BD a construir durante o decorrer do Festival e a ser partilhada quase em simultâneo nas redes sociais, exposições de fotografia e uma maior envolvência da comunidade. Existirá também um espaço reservado aos mais pequenos, o Basqueiral Júnior, com a estreia da oficina “Música para Bebés”.
No ínicio de Junho (dia 1), vai decorrer um warmup gratuito de promoção do festival no Mercado Municipal de Stª Mª da Feira com os espanhóis Kings of The Beach e os portuenses Sereias. Também haverá um concerto surpresa também no mesmo dia em local que não será revelado (limitado à lotação do autocarro e a portadores do passe geral do festival.
Os bilhetes já se encontram à venda nos locais habituais. Mais informações sobre o festival podem ser vistas aqui.
O enigmático quarteto,Black Midi, rapidamente se tornou uma das grandes apostas da música underground londrina. Apesar da escassa, quase inexistente, presença digital, o rock deBlack Midiganha história graças ao impacto das suas actuações ao vivo.
A banda composta pelo vocalista/guitarrista Geordie Greep, o guitarrista Matt Kelvin, o baixista Cameron Picton e o baterista Morgan Simpson surgiu em 2017, após estudarem juntos na Brit School. A escola que outrora recebeu músicos mais tradicionais como Adele, Amy Winehouse e The Kooks, assistiu ao nascimento do pós-punk experimental de Black Midi. Apesar da sua rápida ascensão, os músicos mantiveram o ar misterioso, longe das redes sociais e dos meios de comunicação social. Donos de um som frenético, acompanhado de ritmos crus e agitados Black Midi tem concerto marcado para o dia 16 de AgostonoVodafone Paredes de Coura.
Cave Story, o trio das Caldas da Rainha, que se tornou um quarteto durante a tour de lançamento do seu primeiro LP West (2016), voltaram ao estúdio para a gravação do segundo álbum Punk Academics (2018). O mais recente disco dos Cave Story nasce a partir de uma celebração do punk: de todas as influências, das bandas e dos artistas que inspiraram o grupo português ao longo dos anos. Gonçalo Formiga, Ricardo Mendes, Pedro Zina e Zé Maldito regressam ao habitat natural da música no dia 15 de Agosto.
A força do rock invade as margens da Praia Fluvial do Taboão com os britânicos Black Midi e os portugueses Cave Story. O Vodafone Paredes de Coura está de regressoentre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid Arab, Kamaal Williams, Father John Misty, New Order, Mitski, Spiritualized, Parcels, Julien Baker, Alice Phoebe Lou, Patti Smith, Krystal Klear, Romare, Flohio, Crumb, Yellow Days, Connan Mockasin,Balthazar, Boogarins, First Breath After Coma, Deerhunter, Jonathan Wilson,Alvvays, Suede, Peaking Lights e Jayda G.
Os passes gerais para a 27.ª edição do Vodafone Paredes de Coura podem ser adquiridos em bol.pt, Ticketea, Seetickets, Festicket e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...) pelo preço de 94€.
A 3ª edição do MIL - Lisbon International Music Network acontece de 27 a 29 de Março, em vários espaços do Cais do Sodré. Confirmados estão mais de 70 dos melhores novos artistas nacionais e de expressão lusófona como é o caso de Blaya, Cave Story, Rubel, Conan Osiris, Conjunto Corona, Filho da Mãe, Ghost Hunt, PAUS, Scúru Fitchádu, Bateu Matou, Fogo Fogo, Melquiades, Môrus, a ex-vocalista dos Buraka Som Sistema Pongo, Pedro Mafama, entre muitos outros.
O espectáculo de abertura da 3ª edição reúne as actuações de Letrux e Lula Pena, terminando com a festa Noite Bacaneza. O espectáculo acontece no dia 27 de Março no B’Leza e dá início à programação artística do festival, que se prolonga até 29 de Março.
O Programa PRO, dirigido a profissionais e estudantes do sector da música, conta com mais de 30 debates, keynotes, masterclasses e diversas oportunidades de formação e networking. Os destaques são deste ano vão para a presença de Simon Reynolds, conceituado crítico de música desde os anos 80 (Melody Maker, The Guardian, Mojo, Uncut, etc), Pete Kember (Sonic Boom), produtor e músico britânico, conhecido pelo seu grupo Spacemen 3, Pena Schmidt, figura incontornável na indústria da música brasileira, Fabiana Batistela, directora do festival SIM São Paulo, Christopher Abric, fundador do La Blogothèque; Christine Nitsch, VP Strategy & Analytics do Soundcloud.
Partir um pouco atrasado para a viagem em direção à cidade onde o rock rola foi o suficiente para chegarmos um pouco tarde ao início de mais um evento do triciclo. E as inevitáveis duas de treta com os amigos à entrada do Circulo Católico de Operários de Barcelos (CCOB) foi o suficiente para ficarmos na fila para a entrada do concerto, a primeira vez que isso nos aconteceu naquele espaço. Percebeu-se naquele momento a razão dos avisos para a compra antecipada dos bilhetes, é que a noite ainda estava a começar e já se sentia uma grande concentração de pessoas.
O som das Savage Ohms já ecoava da sala de concertos para o resto do CCOB, enquanto muitos ainda estavam para entrar, fazendo com que o ambiente da noite prometesse. A banda também prometia, claro, não fossem quatro ninfas de Lisboa que logo nos seus primeiros concertos foram apadrinhadas por Vaiapraia e pelo facto de duas das integrantes estarem ligadas a outros projetos de qualidade (April Marmara e Calcutá). Ao entrarmos na sala com uma pequena parte do concerto já decorrida, deparávamos logo com um cenário quase ritualístico graças à contínua música de influências drone e ambient, alimentadas por sintetizador, baixo, guitarra e bateria, e também acentuado pelo facto de as quatro integrantes serem iluminadas por luzes vermelhas, como se estivéssemos a ser preparados para entrar no submundo. E nem mesmo a ocorrência da primeira falha de luz em pleno concerto fez com que se quebrasse esse ambiente de transe. Apresentaram-se na noite seguinte n`O Salgado Faz Anos FEST, mas esperamos que voltem brevemente a tocar no norte.
Também do sul de Portugal, mais concretamente de Caldas da Rainha, voltaram os Cave Story a uma cidade que lhes é querida. Trouxeram como sempre o seu som alternativo, mas sempre com as lições bem estudadas de como ser bem tocado, não fossem eles os profissionais Punk Academics, sendo esse o mesmo título do último trabalho e o qual vieram apresentar. Como em todos os concertos deles, a atitude e a energia foi sempre constante, até quando a luz voltou novamente a falhar em pleno concerto, continuando o baterista a tocar até a luz retomar. Não se esperava outra atitude de alguém com uma t-shirt do álbum de estreia de Bathory.
“Ainda bem que as baterias não são elétricas” disse o vocalista, mas onde faltava eletricidade enquanto força de energia era mesmo no público, pois apesar de toda a entrega que os Cave Story deram em palco nas suas variantes de rock e punk, o público continuou muitou sereno durante todo o concerto, havendo mesmo uma grande distância de metros entre este e o palco. Havia muitos fotógrafos neste evento, é verdade, mas também não precisavam de um fosso de tamanho igual ao de alguns festivais. Nem mesmo o facto de a última música que tocaram ser a do primeiro single do último trabalho, a curta mas potente “Special Diners”, fez com que os ânimos dos que ouviam se exaltassem.
Por fim, para jogarem em casa estavam os Glockenwise, mas não da mesma forma como se apresentaram no Estádio Cidade de Barcelos no videoclip de "Leeches". Afinal de contas, os anos passaram e agora estão diferentes e vieram dar a conhecer esta última mudança aos conterrâneos que os viram nascer e crescer de perto. Vieram para apresentar o recentemente editado Plástico, que nos alegrou no fim do ano de 2018 e onde afirmam a “vontade de mudar e de ter passos para dar”. A banda intitula-se de trash pop e, apesar de atualmente associarmos imediatamente o nome de plástico a um problema ecológico que em muito contribui para a imundice do planeta, este álbum é tudo menos lixo. Até podia ser um plástico reciclado de outros trabalhos, mas também não é o caso. Eles mudaram é certo, mas não perderam a identidade, muito pelo contrário, apenas cresceram e estão mais maduros. Plástico é um trabalho de excelente qualidade e que é um espelho destes tempos e de uma geração. E para aqueles que são curtos de memória, antes do português de Plástico, os Glockenwise cantavam sempre em inglês. Uma transformação que muitos devem ter estranhado no início, mas que certamente em pouco tempo acabaram por entranhar porque o selo de qualidade continua atual .
Com esta apresentação pudemos comprovar na totalidade de que continuam incríveis como sempre nos habituaram, seja em disco ou ao vivo, isto apesar de agora terem um baterista novo na formação. Neste concerto, o quarteto apresentou-se ainda com mais dois artistas além dos elementos da banda, sendo um deles o Coelho Radioactivo, que também está ligado a muitos outros projetos de referência. Deram um concerto impecável e ainda não percebo como não estão a ser confirmados por todos esses festivais que existem neste país-festival. E sim, o concerto, tal como se esperava, foi todo ele na primeira parte focado em Plástico, mas no encore ainda revisitaram um pouco o passado e apresentaram músicas anteriores ao último trabalho, afinal de contas é sempre bom voltar a casa (Barcelos e CCOB) e recordar velhas memórias. Quanto ao público, apesar de ser o último concerto da noite, este continuava no geral um pouco tímido e apático. Foi pena, os Glockenwise realmente tinham muito para dar e realmente deram tudo. Mas no geral foi uma noite feliz, sendo que o evento esgotou facilmente. E que seja sempre assim.
Posto isto, vale sempre a pena lembrar-vos que este trimestre do triciclo ainda está longe de terminar. Podem sempre visitar Barcelos para outros eventos do triciclo. O ritual de HHY & The Macumbas acontece já este sábado, dia 9 de fevereiro. Com novo álbum, os Wrekmeister Harmonies voltam a Portugal e estreiam-se em Barcelos no dia 15 de fevereiro. O incrível serviço educativo em formato Identidade acontece no dia 9 de março e quem quiser fumar cigarros com o B Fachada pode ir no dia 30 de março para ajudar a terminar em grande mais um ciclo do triciclo.
Os Cave Story vão editar Punk Academics no final desta semana (via Lovers & Lollypops), o sucessor do seu disco de estreia West. O agora quarteto das Caldas da Rainha percorre as lições do DIY, do punk e do hardcore ao longo deste novo registo. Registo esse que serve de estudo das influencias sonoras, mas também das repercussões estéticas, que o punk teve desde os seus primórdios até à actualidade.
Punk Academics foi gravado pelos Cave Story numa pequena casa no Oeste. Nasceu da materialização simbólica da "Punk Rock Academy" de que nos falou Atom & His Package no disco A Society of People Named Elihu. Desta feita com curadoria dos Cave Story.
As primeiras datas de apresentação ao vivo de Punk Academics acontecem dia 28 de setembro no Maus Hábitos, no Porto, concerto integrado no circuito Super Nova, e dia 29 de setembro na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa. A tour nacional continua em outubro e dezembro. Em novembro a banda estará em tour pelo velho continente.
Podem ler a entrevista a Ricardo Mendes (baterista) e Zé Maldito (guitarrista) na íntegra, em baixo.
Do vosso ponto de vista, perspectivas e ideologias, quem são os Cave Story?
Zé - Quem? Somos nós os quatro, não é? (risos) Ricardo - Cave Story já existe como banda há algum tempo, para aí desde 2013 ou 2014, mais coisa menos coisa. Temos o Zé agora na banda, há um ano mais ou menos... Aliás o Zé já estava connosco há mais tempo.
Zé - Desde o primeiro concerto do West, eles gravaram tudo os 3 e depois eu juntei-me ao vivo no concerto de apresentação.
Ricardo - Se calhar foi para por mais texturas, outras camadas... para além de ser mais uma guitarra. Basicamente é isso.
Zé - Se calhar estavas à espera de uma resposta mais filosófica.
Ricardo - O quê? Filosófica?
Zé - Um bocado aquilo que estávamos a falar há bocado na Sporting TV, de porque é que não fazemos música electrónica, por exemplo. Acho que Cave Story é um conjunto de influências ou de ideias que todos partilhamos, de certa maneira.
Ricardo - Sim, é isso.
Zé - Ouvimos todos coisas de pessoas que admiramos e o trabalho de imensa gente.
Ricardo - Não só viradas para aquilo que nós tocamos, tipo hip hop ou assim.
Zé - Acho que é um bom tema de conversa agora neste disco, no que toca a este tipo de perguntas. Porque eles acabaram de fazer o outro disco, começámos a tocar e foi um bocado "Porque é que estamos a tocar rock? Porque é que isto ainda faz sentido?". Depois pensámos "Ok, nós gostamos mesmo de punk, então bora estudar o punk e o rock".
Ricardo - E tentar perceber mais ou menos como é que as coisas se fazem, ou como se faziam nos anos 80, 90, ou até mesmo dos anos 70. Porque nós gostamos muito daquela estética toda do DIY, do it yourself, tudo aquilo que essas bandas de punk emulavam na altura. Fazer as próprias editoras...
O vosso som faz me lembrar bué The Fall, não sei porquê.
Zé - Sim, é uma grande influência.
Ricardo - Uma grande influência sem duvida.
Zé - São pessoas como o Mark E. Smith, a certo ponto nós pensamos "Ya é isso que é mesmo fixe, que nós gostamos. Bora estudar um bocado porque é que as coisas foram feitas assim, o que é que eles ouviam para dar esse som", porque nós às vezes se calhar passamos dias sem ouvir nada que tenha a ver com rock. E depois é "Mas porque é que isto continua a fazer bué sentido? Porque é que gostamos destas músicas que estamos a fazer"... Estamos a tocar e pensamos "Isto é mesmo assim, é isto que faz sentido", é um bocado por aí.
E podiam-nos explicar melhor de onde veio o título Punk Academics?
Ricardo - Pronto, é mais ou menos isso. É um estudo ou então uma interpretação um bocado nossa, das nossas influências e dos artistas que nós gostamos.
Zé - É um bocado assumir essa cena. Nós não estamos a inventar a pólvora, não andamos a inventar um subgénero novo.
Ricardo - Um subgénero ou mesmo assumirmos-nos punk, nós não somos assim.
Há pessoal que anda por aí e diz "Sou bué punk" e não sei quê.
Zé - Ya, não tem nada a ver com isso.
Ricardo - Não tem nada a ver com isso. Acho que é só mesmo um estudo que nós fizemos ao longo das nossas vidas, enquanto músicos, sobre coisas que nós gostamos e dos artistas que nos influenciam bastante, percebes? Porque por exemplo eu pego em Black Flag, que é das minhas bandas favoritas, e eles fizeram a própria editora, as próprias bandas, lançaram outras bandas, faziam os cartazes... Faziam isso tudo. E pelo menos para mim, falta o resto do pessoal, identifico-me bastante com isso.
É como estavam a dizer, identificam-se com aquela estética do it yourself do punk.
Zé - É uma cena mais de atitude no sentido de quais é que foram as repercussões do punk, e não a cena punk, de ser contra tudo. É mesmo do que é que dali resultou, quais foram as consequências daquilo que se veem e fazem sentido ainda hoje. O título mesmo, Punk Academics, veio da música "Punk Rock Academy", não me lembro do nome do gajo agora. Mas foi tipo "Aia este título é mesmo fixe", e depois começámos a pensar sobre isso. O Gonçalo tinha falado e começou a fazer sentido, o que nós estávamos a fazer era estudar de certa maneira as coisas. Não por ser super badass, as músicas não são nada disso. E quando são é sem querer, é porque faz sentido na música.
A música que dá nome ao vosso novo álbum tem 8 minutos. Como é que uma banda de punk faz uma música de 8 minutos?
Zé - É um bocado por aí (risos). Acho que essa pergunta, de certa maneira, responde a ela própria (risos). Como é que chegámos ao ponto de isto ser mesmo só um estudo sobre, não estamos a dar um facto a nada.
Ricardo - Exacto lá está, é aquilo que estavas a dizer há bocado. Não estamos a criar nada de raiz, não é tipo um 'statement' punk. É mais o que é que o punk, ou a escola do punk, nos influenciou como músicos a fazer a nossas próprias coisas.
Zé - Nas primeiras versões da "Punk Academics" havia lá uma parte em que o Gonçalo estava a fazer um solo, ainda estávamos a inventar, e ele estava a fazer um riff de Fall. Não foi de propósito, mas ele estava a fazer um som e eu disse "Man isso é Fall". Isso acontece.
Isso acontece sim, um gajo memoriza aquele riff e depois toca sem dar conta.
Zé - Aquilo provavelmente não era igual, mas era um conjunto de notas parecido. Passava um bocado por Television também.
Ricardo - Eu acho que a "Punk Academics" acaba por ser um bocado a viagem do disco todo. Tens umas partes mais calmas, tens partes que explode, tens muitas dinâmicas percebes? E eu acho que neste disco vai se notar a cena, porque temos músicas mais rápidas...
Zé - Sim, quase todas mais pequenas.
Ricardo - Essa é mesmo a maior.
Zé - No disco as músicas têm tipo 2 minutos, é capaz de haver uma ou duas com 3.
Ricardo - E temos para aí 4 de 1 minuto. Acaba por ser um bocado o segmento do disco, é a dinâmica toda que está presente.
O vídeo de "Punk Academics" tem videojogos antigos, e como vosso nome também vem de um jogo antigo, de que maneira é que os jogos vintage vos inspiram para este projecto?
Zé - Acho que não tem haver objectivamente com o projecto, é a nossa maneira de estar na vida. Gostamos de ver o que há de fixe, não quer dizer que seja de agora ou antigo. Um bocado por aí.
Ricardo - E que não seja só tipo música. Pode ser jogos, pode ser filmes, pode ser qualquer coisa.
Zé - Nós falamos secalhar mais de jogos do que de música. Nós já sabemos mais ou menos e compreendemos que todos os quatro ouvimos perto das mesmas coisas. Quando comentamos não discordamos assim tanto de nada.
Ricardo - Por acaso não.
Zé - E quando há cenas mais estranhas que o Ricardo ouve ou eu oiço, nós já conhecemos esse lado da pessoa. Eu apesar de me ter juntado a eles há pouco tempo, já me dou com vocês para aí há 8 anos.
Quais foram as diferenças na gravação de West para este álbum?
Ricardo - Eu acho que as diferenças honestamente não foram assim tantas, estou a falar no sentido técnico.
De composição.
Ricardo - Sim, de estúdio também. Acho que foi muito no momento como foi o West. E depois como nós temos a nossa própria sala de ensaios, que é o nosso estúdio também, onde gravámos os discos, acabamos por fazer as coisas ao nosso ritmo, com tempo. Guardamos os registos todos, depois eventualmente tentamos fazer alguma composição, ou arranjar outros elementos por cima disso. Porque temos sempre a possibilidade de gravar, editar e compor. Então nesse sentido acho que não houve assim tantas diferenças. Eu acho que o Punk Academics foi gravado num espaço de tempo mais pequeno, no sentido em que nós fomos para a sala de ensaios gravar, ainda não tínhamos as músicas feitas e foi "Vamos fazer músicas, ok? Tá fixe? Vamos gravar já". Isto aconteceu, enquanto no West foi mais "Já temos músicas planeadas então agora vamos gravá-las". E por acaso no Punk Academics foi mais rápido.
Zé - Foi uma cena mais tipo de trabalho mesmo. Ir para lá às 9h, estar lá a tocar, recolher as gravações mais tipo demo. E depois escolher os dias em que gravamos. Mas não sei como é que foi o West, só sei de eles me contarem.
Ricardo - Mas é isso, o West foi assim que aconteceu. Nós fizemos as músicas e depois fomos gravar. Neste aqui não, composemos e gravámos logo a seguir. À excepção da "Special Dinners", essa música foi lançada agora e tinha para aí 4 anos. Nós já tocamos essa música há algum tempo, depois deixámos de tocar. Às tantas apareceu, apanhámos um rascunho marado num computador de alguém e dissemos "Epa lembram-se de quando a gente tocava isto? Isto era bué fixe". Começámos a partir daí e agora é um dos singles. As coisas foram bué naturais.
E como é fazer parte da família Lovers & Lollypops?
Ricardo - Até agora tem sido muito fixe.
Zé - Estamos ao lado de nomes portugueses que nós admiramos. Isso é se calhar a cena mais fixe. Quando pensas nos nomes é fixe, tá ali um legado já bem feito.
Ricardo - Uma cena mesmo muito fixe. O pessoal da Lovers trabalha lá com o Márcio, com o Fua, são pessoas com quem nos damos muito fixe. Mas também nos damos bem com o resto das bandas lá, e até agora temos gostado de trabalhar com eles.
Têm algumas surpresas para os concertos de apresentação do álbum?
Ricardo - Surpresas não sei (risos).
Zé - Epá vamos tentar ser competentes.
Pensam fazer alguma tour internacional com o lançamento de Punk Academics?
Ricardo - Vamos fazer, em novembro. Ou estamos a planear... Já temos muitas datas marcadas, só falta confirmar uma ou outra, ainda está a acontecer. Mas sim, a meio de novembro vamos para a Europa. Vamos tocar em França, Espanha, Itália, Suíça, Polónia, Alemanha e também Holanda.
Isso é fixe. Há cada vez mais bandas portuguesas a fazer tours internacionais.
Ricardo - E eu acho muito bem.
Zé - Não te vais estar a cingir a um público.
Da zona de conforto.
Zé - Sim exacto.
Ricardo - Eu por acaso acho muito piada mesmo à cena de estares num sítio, aconteceu isto, e depois vais para outro sítio e as coisas são completamente diferentes. É bué imprevisível e por acaso acho bué piada a isso.
Zé - E depois são sempre sistemas bué diferentes. Uns é tipo umas pessoas que organizaram o concerto, uns gajos quaisquer. Outra cena é tipo uma sala de espectáculos. É bué fixe para ver que ouvir música é universal, seja qual for o meio.
O pessoal que eu entrevisto normalmente também fala disso. Fazemos sempre aquela pergunta de histórias que têm durante as tours, e eles falam sempre de pessoas diferentes e sistemas diferentes de sítio para sítio. Tipo aqui em Portugal é de uma maneira, na França é de outra, na Alemanha é de outra...
Ricardo - Mas mesmo dentro dos países, as cidades que vais passando são sempre diferentes.
Zé - Os sistemas são sempre diferentes. Nós em Itália tocámos numa cena que era tipo um armazém no meio de... Sei lá, aquilo era mesmo shady, víamos bué prostitutas em todo o lado.
Ricardo - Aquilo era um bar mas parecia um complexo de armazéns.
Zé - Aquilo era mesmo estranho. Nós chegámos lá e ficámos do tipo "O que é que é isto? Onde é nos viemos a meter...", e era muito fixe. E no outro dia a seguir tocámos no meio de Bolonha, num palácio no meio da cidade. É bué fixe na mesma mas foi tipo "Ontem estávamos ali..."
Com prostitutas (risos)
Zé - E aqui agora se calhar também tem mas estão escondidas (risos).
Quais são os vossos planos para o futuro?
Ricardo - Continuar a tocar, fazer o máximo de tours possíveis, tanto nacionais como internacionais.
Zé - Nós ainda não tivemos oportunidade de tocar o disco ao vivo, por isso acho que nós os quatro queremos mesmo tocar isto.
Ricardo - Ya, estamos mesmo entusiasmados. E é continuar a fazer o que temos feito até agora, quando temos oportunidade de continuar também a compor... Mas não somos uma banda que se incomode assim tanto, sencalhar depois disto podemos gravar 2 EP's, quem é que sabe.
Já pensaram em tocar até velhinhos? Estarem os quatro num estúdio...
Ricardo - Epa não sei, logo se vê.
Zé - Nenhum de nós pensa muito nisso, estás a trabalhar, estás a fazer o que gostas. Ainda por cima está relacionado com arte, que é uma cena sempre estranha, bué abstracto sempre. É fazer música.
E para finalizar, o que andam a ouvir ultimamente?
Ricardo - Eu nem sei, o que é que te tinha dito?
Zé - Eu não sei o que tens ouvido.
Ricardo - Diz tu então, eu não faço ideia.
Zé - Agora tenho ouvido bué uma cena que já saiu há alguns tempos que é Rezzett, o álbum novo deles. Muito fixe, eles tiverem a tocar para aí há 2 ou 3 meses em Lisboa na ZDB. Epa tenho ouvido mesmo bué cenas.
Ricardo - Eu por acaso tenho andado a ouvir muito, mas muito hip hop. Imenso. Há alguns tempos um colega meu mostrou-me um documentário de dub chamado Dub Echoes,e o grupo de hip hop que foi entrevistado chama-se Beat Junkies. Eu não conhecia e fui pesquisar. Eram DJ's muito conhecidos tipo o DJ Babu e não sei quê. E arranjei há pouco tempo uma ou duas beat-tapes dele, e é de doidos. Gosto imenso. É um bocado isso que tenho andado a ouvir, hip hop no geral. Amanhã o Mobb Deep vai tocar ao Iminente e eu estou um bocado triste porque não arranjei bilhete (risos).