segunda-feira, 11 de novembro de 2019

Holly Herndon mostra o lado humano da tecnologia na Culturgest


Holly Herndon, que atuou em Portugal pela última vez em 2016, aquando da 5ª edição dos festival NOS Primavera Sound, regressa ao país esta semana para apresentar Proto, o terceiro e mais recente álbum de estúdio da cantora-compositora americana que vê na tecnologia uma forma de nos tornarmos mais humanos.

O seu disco anterior, Platform, explorou os limites da voz humana através de uma manipulação digital maximalista, que toma novas proporções com o lançamento do seu sucessor, editado novamente sob a alçada do histórico selo britânico 4AD. Produzido com o auxílio de um ensemble sem fim de vozes e um software de inteligência artificial, que a artista baseada em Berlim apelidou de Spawn, Proto medita sob as temáticas do amor comunal, a tecnologia e o futuro da espécie humana. 

Ao vivo, a produtora apresenta-se ao lado de Mat Dryhurst, que a auxilia na construção visual do espetáculo, e de um grupo variável de vozes.

O concerto acontece na Culturgest, em Lisboa, no dia 14 de novembro e os bilhetes encontram-se disponíveis a custos que vão dos 8 aos 16 euros.

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sexta-feira, 19 de julho de 2019

Holly Herndon e Lubomyr Melnyk na rentrée da Culturgest



A programação da nova temporada da Culturgest arranca a 17 de setembro com o já anunciado concerto de Gabriel Ferrandini, para apresentar o álbum de estreia do baterista em nome próprio, Volúpias, na companhia de Alexander von Schlippenbach. A fundação propõe ainda um programa rico em teatro, dança, performance, conferências, exposições, cinema, programação para escolas e famílias e claro, muita música.  

Em outubro, o pianista ucraniano Lubomyr Melnyk, conhecido pela técnica que o próprio cunhou de "música contínua", apresenta ao vivo, no dia 2, o mais recente álbum Fallen Trees, lançado no final de 2018 pela Erased Tapes. No dia 31, o quarteto de jazz composto por Rodrigo Amado (saxofone tenor), Joe Mcphee (trompete, saxofone soprano), Kent Kessler (contrabaixo) e Chris Corsano (bateria) sobe ao palco do Grande Auditório.  

A produtora norte-americana Holly Herndon, que lançou o soberbo PROTO em maio, vem à Culturgest, a 14 de novembro, para a primeira apresentação do disco em Portugal. O sucessor do excelente Platform (2015), que catapultou a americana para os patamares da mais respeitada e desafiante produção contemporânea, vê a música e compositora explorar novas técnicas e filosofias, conciliando inteligência natural e artificial de um modo tão surreal quanto belo e inspirador.

A 10 de dezembro há um filme-concerto - Híbridos, Os Espíritos do Brasil, com edição vídeo em tempo real dos realizadores Vincent Moon e Priscilla Telmon e música, também ao vivo, do produtor libanês Rabih Beani (eletrónica) e do português Tiago Miranda (efeitos e percussão).

Por fim, a 20 de dezembro, há celebração natalícia com o regresso ao Grande Auditório do trio Montanhas Azuis (Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas), fechando um ciclo iniciado pelos próprios no primeiro concerto de 2019 da Culturgest.

Os bilhetes estão à venda a partir de hoje.


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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Gabriel Ferrandini apresenta Volúpias na Culturgest



Volúpias, o primeiro de Gabriel Ferrandini em nome próprio, será apresentado no Grande Auditório da Culturgest, em Lisboa, no dia 17 de setembro. Resultado de um processo de composição e posterior residência do baterista na ZDB, o disco - lançado há duas semanas pela Clean Feed e escrito por Ferrandini para o seu trio (Pedro Sousa e Hernâni Faustino) - é um exercício intemporal de jazz composto por temas curtos que têm tanto de clássico como de inventivo. 

Em palco, Gabriel Ferrandini será acompanhado por Pedro Sousa, no saxofone tenor, e Hernâni Faustino, no contrabaixo, mas também pelo lendário alemão Alexander von Schlippenbach, que acompanhará o baterista e percussionista ao piano.  

Os bilhetes para o concerto custam entre 6€ (com desconto) e 12€ e estarão disponíveis a partir de terça-feira na Culturgest e na rede Ticketline.


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domingo, 12 de maio de 2019

The Necks, Eiko Ishibashi e Ricardo Dias Gomes para ver esta semana no gnration


No gnration, a semana celebra-se com música dos vários cantos do mundo. Do Japão à Austrália, com passagem pelo Brasil, conheça as propostas que o gnration tem para oferecer durante os próximos dias.

A primeira de duas noites acontece já na próxima quarta-feira, dia 15 de maio, com a estreia dos australianos The Necks no creative hub bracarense. Formado em 1987, o trio composto por Chris Abrahams, Tony Buck e Lloyd Swanton representa a verdadeira essência da improvisação livre - jazz sem barreiras, puro e libertário que se materializa em atuações sem forma pré-concebida. Body (Northern Spy, 2018) é o mais recente álbum do grupo e o sucessor de Unfold (Ideologic Organ), considerado pela Rolling Stone como um dos melhores 20 discos avant de 2017. Mas não são os discos que motivam as digressões dos australianos. Cada concerto é um momento único e irrepetível, inteiramente improvisado e que tem na acústica da sala um fio condutor. 

A banda segue para Lisboa no dia seguinte para uma atuação na Culturgest.



Eiko Ishibashi foi capa do volume de janeiro da revista britânica The Wire, onde surge acompanhada pelo génio de Jim O'Rourke, que a apadrinhou com a gravação do seu último disco. The Dream My Bones Dream, editado no final do ano passado pela respeitada editora norte-americana Drag City, voltou a receber o dedo mágico de O’Rourke (que já tinha produzido dois dos seus trabalhos) e tornou-se num dos mais encantadores discos do ano transacto. Para além das colaborações com o guitarrista e compositor norte-americano, com quem forma os Kafka's Ibiki (juntamente com o baterista japonês Tatsuhisa Yamamoto), o corpo de trabalho da japonesa inclui ainda colaborações com artistas como Merzbow, Oren Ambarchi ou Keiji Haino.

Na sua primeira passagem por Portugal, a compositora e multi-instrumentista japonesa junta-se ao percussionista australiano Joe Talia para duas datas a ter lugar na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, no dia 16, e em Braga, no dia seguinte, para uma performance no gnration

A abrir para a japonesa estará o músico e compositor brasileiro Ricardo Dias Gomes, membro da Banda Cê (que integrou durante 10 anos com Caetano Veloso) que se encontra atualmente a apresentar o seu segundo e mais recente disco a solo, Aa, que o juntou a nomes como Moreno Veloso, Joana Queiroz ou o norte-americano Arto Lindsay.



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domingo, 28 de abril de 2019

Reportagem: Sensible Soccers [Culturgest, Lisboa]


No mesmo dia que o Benfica e o Sporting disputavam a meia final da Taça de Portugal, optei por um estilo diferente de futebol. Este disputava-se na Culturgest e os Sensible Soccers vinham apresentar o seu mais recente disco Aurora.

Apesar de não ter havido pontapés do Bruno Fernandes, músicas novas como “Elias Katana” marcavam golos nos ouvidos dos fãs que, apesar de não se puderem levantar devido aos lugares sentados, abanavam os corpos e batiam os pés o máximo que conseguiam.

A falta de espaço para dançar foi compensada pela incrível acústica da Culturgest, que forneceu os instrumentos aos músicos e o potencial para destacar a sua música com a melhor qualidade possível, algo fundamental dada a complexidade dos instrumentais, em que os riffs de guitarra foram trocados por sintetizadores (mais) ousados e percussões tropicais.

No final, foram ovacionados por uma sala quase lotada de fãs que abraçaram e celebraram a nova vida da banda proveniente do norte de Portugal. 


Texto: Hugo Geada
Fotografia: Vera Marmelo

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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Montanhas Azuis apresentam Ilha de Plástico na Culturgest


Chega em Fevereiro às lojas e aos palcos o disco que junta Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas. Ilha de Plástico, o longa duração a ser editado pela Revolve, sela a colaboração que os três músicos iniciaram no ano passado sob o nome Montanhas Azuis. A primeira oportunidade para o ver ao vivo já está marcada: dia 15 de Fevereiro na Culturgest, em Lisboa. O single de avanço "Faz Faz" já se encontra disponível.   
O combo de Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas remete-nos para sul, para um continente isolado, e para paisagens desconhecidas nos caminhos trilhados pelos três virtuosos. Assim, o grupo cruza os rendilhados bucólicos de Lobo, o expressionismo de Franco e a desenvoltura harmónica de Pernadas num exercício geográfico novo para os membros desta contração de paragens tão distintas. Sintetizadores e guitarras colidem, lentamente, em camadas texturizadas com rugosidade analógica. O que acontece em concerto às mãos deste trio de luxo é perene, e habita esse espaço plena e singularmente. As imagens também estão presentes pelas mãos de Pedro Maia, o guia cinemático desta aventura excursionista.  
Os bilhetes para o concerto de apresentação do álbum custam entre 6€ (com descontos) a 12€ e estão à venda nas bilheteiras da Culturgest e online.

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segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Panda Bear apresenta Buoys na Culturgest


Janeiro marca uma nova etapa para Noah Lennox. O membro fundador dos brilhantes Animal Collective regressa este mês às edições como Panda Bear, o acarinhado moniker do músico sediado em Lisboa que nos deu alguns dos mais importantes discos da pop mais extravagante e progressiva a ser praticada no presente século. Buoys é o sexto trabalho de longa-duração do músico natural de Baltimore, que prossegue assim a sua saga de exploração de um universo muito próprio. 

A pop delicodoce e sonhadora de Buoys terá a sua apresentação ao vivo, pela primeira vez em Portugal, no próximo mês de abril, com uma atuação a ter lugar na Culturgest (Lisboa), no dia 24. O anúncio coincide com o lançamento de um novo tema de avanço, "Token", que recebeu trabalho audiovisual com assinatura Dean Blunt, que o dirigiu. Os bilhetes para o concerto possuem o custo único de 18 euros, podendo ser adquiridos aqui.



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quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Midori Takada em Portugal para três datas

Conceituada compositora e percussionista japonesa, Midori Takada apresenta-se em Portugal pela primeira vez para três concertos de apresentação dos temas de 'Through The Looking Glass' (1981) e 'Lunar Cruise' (1990). 



É já na próxima semana que Midori Takada se apresenta pela primeira vez em Portugal. A conceituada compositora e percussionista japonesa apresentará o seu trabalho em três concertos imperdíveis distribuídos por Braga, Lisboa e Espinho.

A sua música profunda e cristalina estabelece uma ligação espiritual entre a linguagem percussiva asiática e africana, destilando ritmos de todo o mundo num instrumental tão minimalista quanto sonhador. Aos 66 anos e com sensivelmente 40 anos de carreira, a compositora japonesa conta algumas das obras mais importantes do espectro da música ambiente e fourth world, explorado por Jon Hassell, Don Cherry e Brian Eno, dos quais se aponta o belíssimo Through The Looking Glass e a colaboração com Masahiko Satoh em Lunar Cruise, ambos reeditados em 2017 pela WRWTFWW e que deverão ser apresentados na sua passagem por Portugal.

As suas performances teatrais e profundamente espirituais, que têm por base a percussão minimalista, estabeleceram uma reputação incomparável que a levaram a esgotar concertos em salas e festivais por todo o mundo. A combinação harmoniosa entre técnica e virtuosismo, iluminação e movimento coreografado resultam numa experiência auditiva única e transformadora para o público.

A estreia de Midori Takada em Portugal estará distribuida em três datas - primeiro em Braga, no gnration (dia 13), depois em Lisboa, na Culturgest (dia 15) e, por fim, no Auditório de Espinho (dia 17). 

Em Braga, o concerto da compositora insere-se no ciclo gnration@, iniciativa que pretende dinamizar atividades culturais em locais emblemáticos da cidade, neste caso, na beleza ímpar da Capela Imaculada do Seminário Menor, uma capela de arquitetura moderna e um dos ex-libris da cidade. O acesso é exclusivo e gratuito mediante apresentação de bilhete para outro espetáculo de música do trimestre (James Holden, Jessica Moss, OCUPA #3).

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segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Os espíritos animais de James Holden estão de regresso a Portugal

Produtor britânico James Holden regressa a Portugal esta semana para apresentar o novo trabalho, The Animal Spirits, em duas datas únicas em Portugal. Esta quarta, o produtor britânico apresenta-se na Culturgest, em Lisboa, e um dia depois no gnration, em Braga.


James Holden ocupa uma posição cimeira no universo da música eletrónica. Fundador da prestigiada Border Community Records, que deu a conhecer nomes como Nathan Fake ou Luke Abbott, James Holden remisturou temas de New Order, Madonna, Depeche Mode e até Britney Spears, editando três obras aclamadas dotadas de uma grande singularidade. A começar com o estreante The Idiots Are Winning, em 2006, considerado pelo The Guardian como “a estreia mais surpreendente na musica eletrónica desde Music Has The Right to Children dos Boards of Canada”, seguiu-se o surpreendente The Inheritors, em 2013, que viria a receber o galardão de melhor disco do ano pela Resident Advisor. Nesse mesmo ano, junta-se aos Atoms for Peace de Thom York para figurar como suporte na tour norte-americana do supergrupo, onde conhece o baterista londrino Tom Page, dos Rocketnumbernine, que o acompanha até à data. No ano passado, James Holden voltara à carga com o belíssimo disco The Animal Spirits, nome que batiza também a sua live band, formada pelo saxofone de Etienne Jaumet (dos Zombie Zombie), a corneta de Marcus Hamblett (Bear’s Den, Laura Marling), a cantora Liza Bec, o percussionista cósmico Lascelle Gordon e, claro está, a bateria de Tom Page.

É com esta formação que o produtor britânico regressa a Portugal, uns meses depois da excelente atuação no Teatro Municipal Sá de Miranda (aquando da 13ª edição do NEOPOP), para duas datas imperdíveis em Portugal - primeiro na Culturgest, em Lisboa (dia 7), depois no gnration, em Braga (dia 8).

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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Reportagem: Tim Hecker & The Konoyo Ensemble [Culturgest, Lisboa]

Vera Marmelo ©
Tim Hecker 2014 vs. Tim Hecker 2018

A 26 de Outubro de 2014 fui ver Tim Hecker ao portuense Hard Club, e com intenso entusiasmo. Tim Hecker, na altura o meu melhor parceiro em dias de melancolia e noitadas de estudo. E tinha feito quase um ano do lançamento de Virgins (2013), que até hoje para mim se mantém como a melhor coisa electrónica da década corrente, uma obra-prima de ambiente erudito e drone: suberbo agridoce sonoro, ambiciosa técnica e angustiante emoção, é como se fizéssemos um profundo mergulho nocturno, uma sensação de enorme leveza e serenidade enquanto estamos embrulhados de água e negrume por todo o lado, indutor do melhor transe extra-sensorial. Aquela odisseia acústica aperta-nos de uma forma que pouca coisa é capaz… Tipo pós-rock com portátil e mesa de mistura. Se o termo pós-electrónica nunca foi usado, eu declaro já o Tim Hecker o rei desse lindo burgo.

Voltando ao Hard Club: entrei na sala, nevoeiro por todo o lado, escuro como o breu também. E assim se manteve por toda a performance, nem uma ponta de luz se levantou. Uma verdadeira rajada de ruídos brancos e de todas as cores, decibéis poéticos e apocalípticos. Vai-se a ver e ele não tocou nada do seu cardápio editado, o único som que reconheci foi o belo belo belo single para a Adult Swim "Amps, Drugs, Mellotron". Mas não importou, nem uma hora foi mas pude experimentar a eternidade, senti que estava de pontas de pés e o céu abaixo de mim, que a qualquer altura no meio do escuro eu iria ver a luz ao fundo do túnel e estava em paz com isso. Paz, é isso. Tim Hecker, se não encarnava Deus, andou bem perto. Uma verdadeira dádiva. De coração e sorriso rasgados, igual triste igual feliz, fui para casa com os pés mantidos em bicos.


4 anos depois

Vera Marmelo ©

Love Streams, depois Konoyo. Permitam-me ser controverso: ou eu cresci ou Tim Hecker mingou. Não acho o Konoyo assim *tão* bom e o talvez-o-melhor-da-sua-carreira que tudo anda a especular. Tal como não percebo o enorme "meh" que Love Streams recebeu na altura. Na opinião, Konoyo está um pouquinho abaixo de Love Streams, e apesar de ambos serem bons, estão a milhas dos entorses na alma fornecidos por Virgins, Ravedeath, 1972, ou Harmony in Ultraviolet. Inegável que Konoyo é fiel ao seu compositor, muito interessante o uso de instrumentação tradicional japonesa e tem os seus lindíssimos momentos (como "This Life" ou o final de "In Mother Earth Phase"), mas acho que é mais um óptimo portefólio dos talentos de produção do artista que não se materializa num óptimo conceito como álbum (à semelhança do recente Age Of do Oneohtrix Point Never). Sem dúvida mais polido, mais directo e equilibrado, mas há um certo gelo e piloto automático em Konoyo, não chega àquele “sweet spot” de comoção, em vez de entrarmos num mar profundo e levitarmos no som, debatemo-nos com uma parede (não obstante bastante bonita) que se fica a observar.

Com isto em mente, fui ao Culturgest no dia 6 de Outubro de 2018, apesar de tudo bastante curioso por Tim Hecker trazer uma “banda”. Outra vez, a sala envolta em nevoeiro. Dejá-vu. A noite foi aberta com a comparsa de estúdio Kara-Lis Coverdale, com as suas costuras dum esoterismo digital reminiscente do Oneohtrix Point Never e Kaitlyn Aurelia Smith. Coisa de gostar e entreter mas não de pasmar. E com uma enorme fluidez, se fez transição para o divino.

Vera Marmelo ©

Deus lá entrou com os seus apóstolos, e desta vez Deus decidiu de facto tocar os sons de Konoyo: recordo-me de "This Life", "In Death Valley," "Across to Anoyo". Foi assolador e soberbo ouvir o choro dos sopros japoneses e o belicismo do tambor, acompanhado pela sempre-etérea e algo caótica composição de Tim Hecker, que até teve oportunidade de tocar a solo por uns minutos. E foi uma coisa bonita, coisa que voltaria a ver mil vezes, mas senti-me como se a ver uma performance de magia conhecendo já uns quantos truques. Vi, não vivi. A primeira paixão é difícil de bater, mas não deixa de haver amor.

Tim Hecker é Tim Hecker, leva-nos a sítios que poucos conhecem e desafia-nos a ir com ele – e vamos com todo o gosto. No entanto não sei se foi o álbum apresentado, se foi o estar sentado num grande auditório (admitamos a ilógica de tal afectar o resultado emocional), mas não foi nenhum Tim Hecker 2014. Daqui a mais 4 anos haverão outros lançamentos, outros concertos, esperemos que Tim Hecker aprenda novos truques que eu desconheça para me deixar derreado. E se não, vivo bastante bem com isso, e continuarei a amar o gajo, e a confiar nele para me levar aos confins da alma.

Vera Marmelo ©

Texto:
Nuno Jordão
Fotografia: Vera Marmelo

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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Tim Hecker na abertura da temporada da Culturgest


A Culturgest está a preparar uma rentrée muito especial, com o artista sonoro canadiano Tim Hecker a integrar a programação da nova temporada do espaço cultural situado em Lisboa. No seu regresso à capital, onde atuou pela última vez em 2016, Tim Hecker traz novo trabalho e um concerto em conjunto com Kara-Lis Coverdale, que se encarregará também de efetuar a primeira parte, e ainda o ensemble gagaku Tokyo Gakuso, formado por Motonori Miura, Manami Sato e Fumiya Otonashi. Konoyo, o nome do disco em questão, recebe novamente o selo conceituado da Kranky, o núcleo duro por onde Hecker editou algumas das mais importantes obras da música ambient das últimas duas décadas. 

A apresentação do disco acontece dia 4 de outubro no Grande Auditório da Culturgest, e os preços já se encontram disponíveis via ticketline ao preço único de 14 euros.



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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Passatempo: Ganha bilhetes para o filme-concerto de John Parish, Screenplay [IndieLisboa 2018]


John Parish compõe para cinema, teatro e dança contemporânea desde o final dos anos 90. Foi o autor da música de inúmeros filmes, entre os quais Rosie (Patrice Toye, 1998), pelo qual recebeu o Prémio Especial do Júri na Bienal de Bona de Música para Cinema e Televisão. Compôs ainda a música de L’enfant d’en haut (Ursula Meier), filme vencedor do Urso de Prata da Berlinale em 2012. O músico e produtor é também conhecido pelas habituais colaborações com PJ Harvey, tendo também trabalhado com Eels, Giant Sand, Rokia Traoré ou Aldous Harding (de quem produziu o seu álbum de estreia Party, considerado um dos melhores de 2017), entre outros.

No início de maio vem pela primeira vez ao nosso país apresentar Screenplay, álbum e concerto do aclamado compositor, numa iniciativa do IndieLisboa, em colaboração com a Culturgest, e do Hard Club. O concerto apresenta Parish, juntamente com os músicos Marta Collica, Giorgia Poli, Jean-Marc Butty e Jeremy Hogg, e uma projecção de excertos de filmes, alguns deles com uma íntima ligação à história da programação do IndieLisboa.


Durante o concerto, são apresentados os filmes:

L’enfant d’en haut (Ursula Meier, 2012)
Little Black Spiders (Patrice Toye, 2012)
The Farmer’s Wife (Francis Lee, 2012)
She, a Chinese (Xiaolu Guo, 2009)
Plein sud (Sebastien Lifshitz, 2009)
Nowhere Man (Patrice Toye, 2008)
Waltz (Norbert Ter Hall, 2006)
Water (Jennifer Houlton, 2004)
Rosie (Patrice Toye, 1998)

O filme-concerto acontece no Hard Club, no Porto, dia 3 de Maio, às 21h30 e em Lisboa no Grande Auditório da Culturgest, no dia 4 de Maio, às 21h30, integrado na programação do IndieLisboa. Os bilhetes (15€) estão à venda a partir de hoje, nas salas e na Ticketline.

Em parceria com o IndieLisboa, estamos a oferecer 2 entradas duplas para o filme-concerto de John Parish, Screenplay. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.


2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.



3. Preencher o seguinte formulário:



O passatempo termina no dia 2 de maio às 23:59, e os bilhetes serão sorteados de forma aleatória através da plataforma www.random.org. 


Boa sorte!


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Atualizado às 11h00 de 3 de maio de 2018

Os vencedores do passatempo são:
Alberto Martins
Graziela da Costa

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Festival Rescaldo de 10 a 18 de fevereiro na Culturgest


O Festival Rescaldo está de regresso à Culturgest neste mês de fevereiro, cumprindo a sua 10ª edição. Sempre com a missão de apresentar os projetos que mais se evidenciaram nos mundos da eletrónica, da livre improvisação, tanto no rock como no jazz, esta edição vai decorrer uma vez mais no Pequeno Auditório da Fundação e na Garagem. A grande novidade é a inclusão do Panteão Nacional, com a atuação a solo da trompetista Susana Santos Silva.

No programa constam nomes como Marco Franco, baterista dos Memória de Peixe, que agora se aventura a solo no piano, a colaboração entre o dinamarquês Paal Nilssen-Love e o histórico David MaranhaBruno Pernadas em formato quarteto.

Live LowÄlforjsOndnessLuís LopesAna Deus, Jejuno e Pega Monstro são os nomes que compõe a restante programação. Podem consultá-la aqui em baixo.

Sex 10 fevereiro
Marco Franco
Bruno Pernadas Quarteto

Sáb 11 fevereiro
Luís Lopes
Ana Deus

Dom 12 fevereiro - Panteão Nacional
Susana Santos Silva

Sex 17 fevereiro
Live Low
JEJUNO
David Maranha + Paal Nilssen-Love

Sáb 18 fevereiro
Älforjs
Ondness
Pega Monstro

Os bilhetes têm o custo de 6€ para cada noite do evento. 

 

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terça-feira, 22 de novembro de 2016

Carlos Bica & Azul com Frank Möbus e Jim Black na Culturgest a 25 de novembro

Carlos Bica & Azul com Frank Möbus e Jim Black na Culturgest a 25 de novembro
© Vera Marmelo
O trio de Carlos Bica com Frank Möbus e Jim Black está de regresso aos discos, vinte anos após a edição do seu primeiro disco, Azul. O sexto disco dá pelo nome de More than This e foi editado a 10 de novembro com o selo da Clean Feed

Na próxima sexta-feira, 25 de novembro, o trio vai até ao Grande Auditório da Culturgest apresentar este novo trabalho, com início marcado para as 21h30. Os bilhetes têm o custo de 15€.

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terça-feira, 17 de maio de 2016

Ciclo 'Isto é Jazz?' - The Heat Death - 19 de maio


A cena escandinava é uma incessante incubadora de projetos. E se em muitos deles voltamos a encontrar músicos que integram outros grupos já em rodagem, temos a certeza à partida de que cada novo investimento vem acrescentar algo de diferente ao que já se ouviu. 

É o caso de The Heat Death, quinteto que reúne alguma das figuras chave da música criativa e improvisada que tem saído do Norte da Europa, como por exemplo o trombonista Mats Aleklint, o mais completo praticante do seu instrumento desde Roswell Rudd, e o saxofonista Martin Küchen, líder dos Trespass Trio, Angles 9 e All Included.

Apresentam-se como uma formação de música improvisada com um toque de jazz, mas se a definição pode significar muitas coisas, o que ouvimos é literal. Com uma intensidade e uma urgência a fazer lembrar as vertentes mais extremas do rock – não esquecer que estamos na Escandinávia, berço de alguns dos movimentos mais radicais dentro do género - a banda joga com a aparente ausência de composições e estruturas definidas, e quando o dito jazz acontece é como se uma nuvem oferecesse cor à paisagem que temos diante de nós, sem a determinar, mas influenciando a nossa perceção. 

Ou seja, “música improvisada com um toque de jazz” significa, neste caso, que nascem composições espontâneas do caos, que a ordem irrompe da aparentemente desordem, fragilidade e energia consistindo num e no mesmo fator. Só ao alcance de grandes músicos. 

O quinteto vai passar esta quinta feira, 19 de maio, pelo Pequeno Auditório da Culturgest, num espetáculo inserido no Ciclo 'Isto é Jazz?'. Os bilhetes custam 5€ e o concerto tem início às 21h30.

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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Söndörgő visitam a Culturgest a 13 de maio


Os húngaros Söndörgő, mais que uma banda, são uma família que toca música junta. Formada por três irmãos, um primo e um amigo do tempo do liceu, o projeto nasceu numa pequena cidade perto de Budapeste com uma longa tradição sérvia. Praticam a música tradicional dos eslavos do Sul, sérvios e croatas, que permanece viva em pequenas comunidades da Hungria, a maior parte delas isoladas e instaladas ao longo do Danúbio.

Em contraste com a música popular húngara mais conhecida, em que o violino é o instrumento central, os Söndörgő, respeitando a tradição, usam o tambura, uma espécie de bandolim provavelmente de origem turca e característico dos sérvios e croatas. A música é de uma extrema beleza e os membros dos Söndörgő exímios executantes, juntando um enorme respeito pela tradição a uma capacidade técnica perfeita. 

Até agora lançaram dois discos, Tamburising : Lost Music of the Balkans em 2011 e o segundo, Tamburocket : Hungarian Fireworks, em 2014. Aclamados por revistas especializadas como a Songlines Magazine, os dois discos fecharam 2011 e 2014 com presenças em várias listas de melhores álbuns de world music. Têm percorrido a Europa em festivais e concertos. 

A Culturgest persiste em dar a conhecer ao público música tradicional magnífica, quase desconhecida no nosso país. O concerto está marcado para as 21h30, no dia 13 de maio, no Grande Auditório da Culturgest. O preço dos bilhetes é 18€, sendo que para jovens até aos 30 anos e desempregados é 5€.

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domingo, 24 de abril de 2016

Circadia atuam na Culturgest a 6 de maio - Ciclo “Isto é Jazz?” |


Os quatro membros dos Circadia, David Stackenäs, Kim Myhr, Joe Williamson e Tony Buck, têm atividade no jazz e na música improvisada, mas o que fazem em conjunto não se assemelha com nada que possamos encontrar nessas áreas. 

O grupo parte de uma formação acústica relativamente convencional – duas guitarras de caixa, contrabaixo e bateria – para chegar a vários domínios distintos da música experimental. Apesar dos quatro membros do grupo serem mais conhecidos pelas suas incursões no jazz mais criativo e improvisado, o som de Circadia não se assemelha a nenhum dos outros projetos que mantêm.

As influências aqui são diversas, desde a chamada drone music, tanto a atual (trabalhada e gerada maioritariamente a partir de computadores) como a do passado (o minimalismo e a repetição da cena experimental norte-americano dos anos 60, como ouvimos em La Monte Young e no seu Theatre of Eternal Music), ao folk & blues, especialmente da vertente norte-americana, influências assumidas das guitarras de Stackenäs e Myhr. 

Na música do quarteto é possível ouvir ainda ecos da escrita erudita contemporânea : Feldman, Ligeti e até algum Scelsi. 

O concerto vai decorrer no Pequeno Auditório da Culturgest, 6 de maio, às 21h30, com os bilhetes a custarem 5€.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Vashti Bunyan a 31 de Outubro na Culturgest


Com apenas três álbuns gravados ao longo de 44 anos, Vashti Bunyan é uma artista de culto da canção britânica, de uma delicadeza única, com uma voz que anda entre a melodia e os sussurros. A fragilidade e a intimidade da música de Bunyan escondem uma admirável história, onde muita da sua inspiração vem das próprias, por vezes duras, experiências e viagens.

Vashti Bunyan foi descoberta quando tinha 20 anos, em meados da década de 60, pelo manager dos Rolling Stones, Andrew Loog Oldham, logo depois de ter abandonado as Belas Artes para se dedicar à música. Assinou contrato com a Decca e o seu primeiro single, "Some Things Just Stick To Your Mind", escrito por Mick Jagger e Keith Richards, foi um sucesso. A crítica falava de “a nova Marianne Faithful” ou de “Bob Dylan no feminino”.

À fama súbita seguiu-se um período complicado – outros singles não foram editados e Bunyan, sentindo-se desiludida com a indústria musical de Londres, desiste do contrato. Depois de um período a viver debaixo de telas nos arbustos por detrás da Ravensboume College of Art, decide comprar um cavalo e uma carroça e partir, em 1968, com o seu namorado para a Escócia, numa sonhadora tentativa de encontrar uma colónia de artistas criada pelo cantautor folk Donovan na Isle of Skye. Nada encontrou, mas foram as experiências vividas ao longo de dois anos de viagem que inspiraram o seu primeiro álbum, Just Another Diamond Day, produzido por Joe Boyd e que conta com a participação de membros dos grupos The Incredible String Band e Fairport Convention. Quando o álbum é lançado, em 1970, já Bunyan tinha abandonado novamente a cidade, indo primeiro viver com a Incredible String Band para as Borders Escocesas, depois para a Irlanda – uma vez mais com cavalos, carroças, cães e crianças – e voltando à Escócia para viver nas Terras Altas.


O álbum foi um fracasso comercial. Vasthi Bunyan desistiu da música e dedicou-se, nas décadas seguintes, à sua família, em especial aos seus três filhos. Só no final dos anos 90, quando resolveu fazer uma busca na internet pelo seu nome, percebeu que Just Another Diamond Day se tinha tornado um álbum de culto, que havia uma vasta plateia de fãs dispostos a pagar milhares de libras por uma cópia original. O álbum acabou por ser reeditado em 2000, influenciando artistas como Devendra Banhart e Joanna Newsom. Bunyan participou depois em discos de Banhart e Animal Collective, até que, em 2005, 35 anos depois do seu primeiro álbum, grava o aclamado Lookaftering com a Fat Cat Records.




Vashti Bunyan despede-se agora dos discos com Heartleap, um álbum subtil mas ao mesmo tempo intenso, que se move entre memórias, sonhos e momentos de uma maravilhosa tranquilidade. Sabemos que ela nos delicia com a sua música apenas quando tem algo para dizer e que a Culturgest Porto vai receber aquele que será, muito provavelmente, o seu último concerto em Portugal pela mão da Filho Único  e os bilhetes têm o custo de 5€. Vashti Bunyan estará na véspera, dia 30 de Outubro, no Teatro Maria Matos, em Lisboa.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Reportagem: Bill Kouligas - Culturgest [Porto]

No passado dia 3 de setembro, a lisboeta Filho Único organizou mais um concerto no edifício da Culturgest no Porto. Desta vez, foi a estreia de Bill Kouligas — o mentor da PAN — em Portugal.


A PAN, para aqueles que não a conhecem, é uma das labels que mais tem apostado em artistas emergentes da cena IDM. Lee Gamble, Heatsick e Helm são alguns dos figurões que viram o seu trabalho editado pela PAN. A edição mais recente da label é o LP de estreia de M.E.S.H., o Piteous Gate. Mas falemos do homem que está por trás da PAN.


Bill Kouligas — por vezes também conhecido pelo pseudónimo Family Battle Snake — é um artista sonoro radicado em Berlim, a partir de onde tem comandado a PAN e colaborado com numerosos artistas como Sudden Infant, Christian Weber, RLW e Destroy All Monsters. Ao longo deste percurso que teve início mais ou menos no ano de 2007, Kouligas lançou alguns EPs e Splits, remixou algumas faixas e participou em duas sessões da prestigiada Boiler Room no formato DJ Set.


Agora, em 2015, Bill Kouligas decidiu finalmente editar o seu primeiro LP em nome próprio. 
A apresentação desse LP — que, para já, ainda não tem título nem data de lançamento prevista — dá mote a esta tour. Em Portugal, Kouligas passou pela sede da Culturgest no Porto e pelo Museu do Chiado. Foi na Culturgest que a Threshold assistiu à performance do produtor helénico.

Ao longo de sensivelmente uma hora, escutámos aquele que será o novo álbum de Kouligas. E, ao longo de uma hora, a forma do som que Kouligas produziu variou entre o monolítico — com a exaltação de um único elemento sonoro — a repetição — através da sobreposição e multiplicação até à exaustão de um ou mais fragmentos sonoros — e o noise — a mistura de todos os elementos sonoros e sua uniformização através da adição de uma camada suja e corrupta da distorção sonora. A convergência de todas estas linguagens sonoras produziram uma viagem chocante e variada nas suas paisagens. Uma viagem que nos surpreende a cada esquina, que poderíamos perfeitamente confundir com os universos criados por grandes mestres da IDM tais como Tim Hecker, William Basinski e até Andy Stott. Mas Kouligas não se identifica a 100% com apenas uma destas personagens. Diríamos sim que esta viagem acrescenta mais um ponto a esses universos, destacando e convergindo o que de melhor eles contém.


Decisão acertada por parte da Filho Único em escolher uma sala mais acolhedora como é a da Culturgest para esta performance: um momento emotivo de Kouligas no qual apresentaria pela primeira vez ao público o seu vindouro LP. 
Mas agora que está feita a primeira amostra deste belíssimo LP, impõe-se uma sala maior para acolher Bill Kouligas no seu regresso. Uma sala com dimensões proporcionalmente ajustadas às sonoridades deste LP: épicas.

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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Orchestre Tout Puissant Marcel Duchamp atuam na Culturgest a 20 de junho


Tudo começou em novembro de 2006 na Cave 12, uma sala de Genebra dedicada exclusivamente à música dita experimental. O contrabaixista francês Vincent Bertholet recebeu carta-branca, e decidiu formar um grupo de músicos de várias origens e com passados muito diferentes: o baterista, veio de um grupo anarco-punk de escoceses, a vocalista e violinista era animadora de ateliers musicais. Já a marimbista teve um percurso clássico, enquanto o trombonista toca jazz e música improvisada e o guitarrista rock independente. Era para ser uma “one night stand”, acabou por se tornar num projeto musical com quase 10 anos e 3 álbuns já editados .

A este grupo Bertholet chamou Orchestre Tout Puissant Marcel Duchamp. A banda explica o seu nome: “Tout Puissant remete para as big bands do ocidente africano (…) Quanto a Marcel Duchamp, ele foi, na nossa opinião, o primeiro artista punk.” O nome “pode parecer muito pretensioso: na verdade, no entanto, é pura ironia”.

A produção do último álbum do grupo, Rotorotor (2014), ficou a cargo de John Parish. O produtor, conhecido por ter trabalhado com nomes como PJ Harvey, Eels, Giant Sand, Dominique A e Tracy Chapman, conseguiu limar algumas arestas e extrair o melhor de cada um dos músicos. O álbum foi gravado por Ali Chant no Toybox Studio, em Bristol.
Apesar da sua enorme qualidade, este grupo é praticamente desconhecido em Portugal.


Rotorotor é um manifesto de música livre e aventurosa, organizada em canções pop versáteis, sucessivamente lúdicas e ardentes, incandescentes, divertidas e exaltadas, assumindo com simplicidade, uma espécie de tradicionalismo futurista fragmentado, com múltiplas identidades, uma arte conjugada da festa e da guerra, danças nupciais e cânticos de batalha atirados em conjunto para um chão sem fundo.

O concerto está marcado para as 21h30 de 20 de Junho, no Grande Auditório da Culturgest. A entrada custa 15€ sendo que até aos 30 anos custa apenas 5€.

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