segunda-feira, 26 de agosto de 2019

Vodafone Paredes de Coura - 16 de agosto: Entre o rock e o gospel na viagem espacial dos Spiritualized


No terceiro dia do Vodafone Paredes de Coura assistimos em primeiro lugar ao concerto de Jonathan Wilson, finalmente em estreia em Portugal com o seu projeto a solo. O membro da banda atual de Roger Waters apresentou um rock que nos fez recordar nomes icónicos dos anos 70 e 80 como Dire Straits, Bruce Springsteen e Pink Floyd. Deu um bom concerto, focando-se principalmente em faixas do seu último álbum, Rare Birds¸ e não nos deixou esquecer o seu disco Gentle Spirit, de 2011, tendo tocado o brilhante single “Desert Raven”. Wilson mostrou ser um bom músico e guitarrista e fez o nosso dia começar da melhor maneira.

Seguiu-se o concerto dos britânicos Black Midi no palco secundário. São uma das maiores promessas do rock atual, podendo ser comparados a Swans,BattlesDevo e outros nomes do rock e punk mais alternativo, mas têm uma sonoridade própria e distinta. Entraram em palco ao som de uma versão alterada de “Girls Night Out”, de Charli XCX, e partiram de forma imediata e explosiva para “Near DT, MI”, seguida da agressiva e caótica “953”. Mostraram desde o princípio ser habilidosos nos seus instrumentos, com o trabalho do baterista Morgan Simpson a ser especialmente impressionante. Exibiram músicas bastante imprevisíveis e dinâmicas que enganaram vezes sem conta uma grande parte do público nas primeiras filas, que tentava constantemente fazer mosh. Concluiram com “bmbmbm” um concerto barulhento e intenso no qual se afirmaram novamente como um nome a não perder de vista nos próximos tempos.


Os Deerhunter, no palco principal, deram um concerto competente, mas dececionante. Tocaram algumas das suas melhores músicas, como as faixas iniciais do aclamado Microcastle, “Cover Me (Slowly)” e “Agoraphobia”, e “Desire Lines”, mas faltou algo para elevar as versões ao vivo ao nível das gravadas em estúdio. Talvez numa sala fechada, com um equilíbrio e qualidade de som que faça jus às suas composições, consigam transmitir a atmosfera criada pelos seus melhores álbuns. Num momento curioso entre duas canções, o vocalista Bradford Cox mostrou-se fã dos portugueses Nuno Canavarro e Street Kids.

O auge da noite foi atingido pelos Spiritualized de J. Spaceman. O grupo foi acompanhado por um coro gospel que contribuiu para alguns dos momentos mais bonitos do festival. Canções como “Shine a Light” e “A Perfect Miracle” foram elevadas a um novo patamar, com um som denso, etéreo e poderoso a preencher todo o recinto. Nos melhores momentos as canções soaram especialmente grandiosas e épicas, mas nos piores o som do baixo desequilibrou a mistura entre os instrumentos. Desde “I’m Your Man” até ao princípio de “Sail On Through”, a penúltima do alinhamento, as notas menos graves do baixo pouco se ouviram e sempre que eram tocadas sentia-se um vazio na música. Esta falha foi o único aspeto negativo notável num concerto muito bem ensaiado e preparado, mas foi o suficiente para comprometer a sequência de músicas afetadas. Felizmente, o problema sentiu-se pouco na reta final e foi possível aproveitar da melhor maneira uma excelente versão de “Oh Happy Day”, de Edwin Hawkins.


Father John Misty voltou a mostrar a sua enorme presença em palco no mesmo festival onde brilhou em 2015. Acompanhado por nove músicos, com uma secção de sopros muito bem incorporada e uma setlist bastante longa, dançou e cantou com tudo o que tinha. Infelizmente, para quem já o viu ao vivo, não houve nada de novo. A atitude já não tem o mesmo encanto de antigamente e não foi o suficiente para elevar os instantes mais genéricos e mornos da sua discografia. Foi bom ouvir arranjos categóricos de canções como "Hangout at the Gallows", "Disappointing Diamonds Are the Rarest of Them All" e "Nancy From Now On", mas não se sentiu a magia da última vinda a Paredes de Coura.


No After Hours, os Peaking Lights apresentaram uma sonoridade mais eletrónica do que aquilo a que nos habituaram em estúdio. Com ritmos dançáveis e sintetizadores espaciais, deram o melhor concerto dos after parties deste Vodafone Paredes de Coura.

Texto: Rui Santos
Fotografia: Hugo Lima

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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Deerhunter vão a Paredes de Coura


Liderados pelo carismático frontman Bradford Cox, os Deerhunter apresentaram-se em 2001 com singulares misturas de sonoridades experimentais e de pop melancólico. Com o indie rock e o rock experimental de Turn It Up Faggot (2005) e Cryptograms (2007), os Deerhunter atraíram a atenção da indústria musical, mas foi o exuberante Microcastle (2008) que marcou o rumo da banda norte-americana. Apesar do sucesso rapidamente atingido o quarteto continuou a desafiar-se e a procurar novos estilos. Reflexo desse novo percurso são as sonoridades cruas que ouvimos em Monomania (2013) e a delicadeza, porém assertiva, do mais recente álbum Why Hasn’t Everything Already Disappeared?. O oitavo disco de estúdio foilançado no início deste ano e já conta com temas que, segundo a crítica, entram directamente no catálogo de músicas essenciais de 2019, como é o caso de “No One's Sleeping”, “Element” e “Death in the Midsummer”. 
O indie rock experimental dos Deerhunter é a mais recente confirmação para o terceiro dia do festival, 16 de Agosto. O Vodafone Paredes de Coura está de regresso à Praia Fluvial do Taboão entre os dias 14 e 17 de Agosto e conta com os já confirmados The National, Boy Pablo, Acid ArabKamaal WilliamsFather John MistyNew Order, MitskiSpiritualized, ParcelsJulien BakerAlice Phoebe LouPatti SmithKrystal KlearRomare, FlohioCrumb, Yellow Days,Connan Mockasin, Balthazar, Boogarins e First Breath After Coma
Hoje é o último dia para adquirir os passes gerais para a 27.ª edição do festivalpelo preço especial de 84€, a partir de amanhã, dia 1 de Fevereiro, passam a custar94€. Os pontos de venda são bol.pt, Ticketea, See Tickets e locais habituais (FNAC, CTT, El Corte Inglés,...).

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segunda-feira, 5 de março de 2018

Deerhunter de regresso


Os Deerhunter regressam com um novo alinhamento e irão editar um novo álbum ainda este ano, com o primeiro single a ser divulgado no verão.

O sucessor de Fading Frontier será lançado em data ainda incerta, mas contará com o selo de qualidade da 4AD. A banda de Bradford Cox marcou presença na edição de 2016 do Primavera Sound, repetindo a sua presença este ano (mas apenas em Barcelona).



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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

[Review] Deerhunter - Fading Frontier


Fading Frontier // 4AD // outubro de 2015
7.0/10

Dois anos depois do controverso Monomania os Deerhunter regressam agora aos discos de estúdio com Fading Frontier, o seu sétimo trabalho desde a  formação em 2001. Conhecidos pela sua habitual sonoridade punk ambient, característica nos primeiros trabalhos, os Deerhunter sofreram uma evolução até a atualidade que pôs em risco a identidade sonora da banda de Atlanta. Tendo apresentado-se inicialmente numa personalidade mais agressiva, para esconder eventuais inseguranças foi, após conquistarem uma multidão considerável, que os Deerhunter se despiram dos amplificadores do punk-rock para escreverem composições mais complexas e ingressarem numa veia mais dream pop, verificada posteriormente naquele que é o grande clássico Halcyon Digest (2010). Monomania, por sua vez, já não foi tão bem recebido; marcou uma renovada fase da banda onde novas ideias, na composição e estética da música, bem como a mudança de produtor e baixista tiveram uma certa influência. O resultado, um som mais agressivo e a trazer em lembranças Turn It Up Faggot(2005). 

Talvez por isso Fading Frontier tenha surgido como uma esperança para um bom futuro nos  próximos discos dos DeerhunterApresentado por "Snakeskin", uma das músicas mais fracas deste longa duração, a banda de Bradford Cox, além da exploração dos sub-genéros do rock, punk e shoegaze, mostrava ali um caminho para o funk e um hit extremamente banal para as pistas de dança dos dj sets de verão. "Snakeskin" surgiu como primeiro single de avanço, talvez para baixar as expectativas dos habituais ouvintes, ou então, para conquistar territórios novos. 

"All The Same", faixa de abertura deste novo disco, mostra os tão queridos Deerhunter da fase dos clássicos, mais focados nas melodias e texturas que na desarmonia e ruído. "Breaker" e "Duplex Planet" são mais dois bons exemplos dessa preocupação e projetam a confiança daquele que poderá vir a ser um trabalho eficiente. Claro que não são só coisas boas, "Living My Life", por exemplo, apesar de ser um single bastante característico, por si só, não traz nada de novo a Fading Frontier apresentando apenas uma nova abordagem ao dream pop que já se encontra como traço de personalidade musical da banda. Aliás Fading Frontier é um álbum que se encaixa mais no dream pop que noutro subgénero da discografia da banda. Um exemplo disso é "Take Care" que é trabalhado com mais perfeição e carinho apresentando uma grande inspiração em Wondrous Bughouse de Youth Lagoon.

Houve, no entanto, outros singles que perderam qualquer interesse, apesar de mostrarem algo completamente inédito na discografia dos Deerhunter, como por exemplo "Ad Astra". Bradford Cox agarrou nos programas de manipulação vocal e rendeu-se às tecnologias que, na maioria das vezes, fazem muitos artistas atingir o seu nível de incompetência. Este foi um dos casos. Estamos em 2015 e ainda ninguém disse aos Deerhunter que o psych rock é uma seca.

Em suma, Fading Frontier resume como na última década os Deerhunter têm influenciado a indústria musical apresentando, mais que qualquer coisa, uma música artística. Claro que há singles menos bem conseguidos, mas no geral Fading Frontier é um álbum recheado de sentimentos nostálgicos e exploração de novos ambientes, apresentando uma banda que não sabe lidar com a estagnação. Esse ponto positivo é a chave para os Deerhunter não produzirem, no presente, um álbum mau, contudo fá-los conterem-se no lançamento de um álbum que seja significante para as listas dos melhores do ano. Não obstante, vale a pena ouvir.


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sábado, 20 de junho de 2015

Deerhunter podem lançar novo álbum ainda este ano


A banda norte-americana Deerhunter poderá editar ainda este ano o seu sexto álbum de originais, o sucessor de Monomania, de 2013. Um dos espectadores do último concerto de Atlas Sound, projecto a solo de Bradford Cox, também vocalista dos Deerhunter, conversou com o próprio sobre o novo trabalho da banda. Ao que parece, o próximo álbum dos Deerhunter está para muito breve e vai soar aos INXS.
Esperemos que isto seja verdade e enquanto esperamos por novidades, fiquei com um dos melhore temas da banda.

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

Playlist: Músicas para atenuar os desgostos do mundial


O mundial acabou para todos os portugueses mas a música essa, embora bandas se desformem e formem diariamente, continua e prossegue na influência de gerações à semelhança do futebol.

Por isso, e não querendo de todo deitar lágrimas de sofrimento fortes, pretendemos atenuar toda a dor dos portugueses (e dos adeptos do Gana) com a playlist seguinte. 

Tenham um bom final de dia!

1 - Wilco - "Impossible Germany"



2 - The Chameleons - "Tears"



3 - The Smiths - "I Know It's Over"



4 - The Clash - "I'm So Bored With The U.S.A"



5 - Girls - "Broken Dreams Club"



6 - Swans - "God Loves America"



7 - The Stranglers - "No More Heroes"



8 - Linda Martini - "Adeus Tristeza"



9 - Joy Division - "A Means To An End"



10 - Deerhunter - "Death Drag"

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