De Montréal, Canadá, chegam-nos os Orchids, sexteto que figura agora na família da EXAG Records. Donos de uma sonoridade que combina as distorções características do shoegaze com texturas sintéticas psicadélicas, os Orchids trazem à baila as memórias dos primeiros trabalhos dos Ride e The Verve. Liderados por Alex Cyprine (ex Quetzal Snakes), a banda canadiana anda há mais de um ano a agitar a cena rock'n'roll de Montreal, tendo mesmo partilhado o palco com Night Beats, High Dials, Scattered Clouds, Priors entre outros.
O primeiro single duplo 'Dead Keys' / 'Another Day' foi editado a 10 de abril em formato LP 7" pelo selo da EXAG Records, e está disponível para escuta no Bandcamp.
Os Thank são um banda oriunda de Leeds, Reino Unido, e dedicam-se ao rock ruidoso, seguindo as pisadas de grupos como os Daughters, The Body, Xiu Xiu, Whatever Brains, entre outros.
Lançaram no passado mês de outubro o seu mais recente EP, Please, em formato vinil de 10" e digital, numa edição conjunta da Buzzhowl e EXAG Records. Please apresenta-se como o sucessor do EP de estreia, Sexghost Heelscape (2017), e foi produzido por Rob Slater e Jamie Lockhart, reunindo quatro faixas novas repletas de "riffs abrasivos, sintetizadores borbulhantes, padrões de bateria a puxar para o disco punk e vocais bem intensos".
A formação dos Thank ganhou um novo membro durante a gravação de Please. Theo Gowans, músico bem conhecido na cena de harsh noise do Reino Unido devido à sua produção hiper prolífica sob o pseudónimo de Territorial Gobbing, passou a ser parte integrante do grupo. Gowans ficou então responsável pela componente electrónica dos Thank, enquanto Lewis Millward e Cameron Moitt oscilam entre a guitarra, baixo e sintetizadores. Freddy Vinehill-Cliffe (Beige Palace) é quem dá voz aos temas dos Thank, sendo também responsável pelas composição das letras da banda, abordando assuntos como a culpa católica, mortes na família, as suas experiências em terapia, sexo, lealdade e traição.
"Think Less" foi o primeiro avanço de Please e teve direito a vídeo, o qual pode ser visto em cima.
Leopard Skull, é assim que Harm Pauwels, multi-instrumentalisma de Ghent, Bélgica, se apresenta a solo no mundo da música. Deu os primeiros passos em 2014, quando gravou os seus três primeiros temas e foi convidado a dar o primeiro concerto no Incubate Showcase Festival, na Holanda. Partindo destas canções, Leopard Skull começou a estar mais atitvo, ora a tocar em garagens locais e eventos da cena psicadélica, ora a marcar presença em festivais internacionais, como foi exemplo o Lugano Buskers Festival, na Suíça. Nas suas atuações ao vivo Leopard Skull faz-se sempre acompanhar pelos The Hunters.
Foi no ano de 2017 que Leopard Skull se estreou nos registos discográficos, com o EP homónimo a ser lançado pela editora belga Belly Button Records. Mais recentemente, no passado mês de setembro, o artista belga trouxe ao mundo Welcome Home, o seu primeiro longa-duração pelas mãos da EXAG Records, editora de Bruxelas, por onde já saíram trabalhos de SLIFT e Phoenician Drive, bandas que passaram recentemente pelo nosso país.
À primeira audição, num serão familiar, Welcome Home soou muito a Beatles, como disse a minha mãe. Sim, é verdade, as influências da fase mais tardia e psicadélica dos Beatles estão todas lá, mas após várias audições, consegui entender a personalidade de Welcome Home, assim como todas as suas influências.
Welcome Home é iniciado pelo tema “7 Nights at The Week”, o qual resume bem as sonoridades que vão ser abordadas ao longo deste disco. Este tema introdutório apresenta também um interessante arranjo de instrumentos de sopro. Segue-se “Breakfast”, um dos temas mais fortes de Welcome Home, tanto a nível musical – transporta-nos facilmente para os anos 60 - como lírico “Your Breakfast always keeps me sane / Your coffee will get me awake / When I’m feeling numb in my head / You use your tricks to make me feel great”. Outra influência bem notória em Welcome Home é a do neozelandês Connan Mockasin, da sua voz característica e dos seus ritmos de guitarra, principalmente nos temas “I Want to Go” e “Birthday Cake”. O tema “Big Leaf” apresenta-nos uma faceta lo-fi pouco comum neste disco, ao jeito de Ty Segall.
“House” é a faixa com maior duração deste álbum, aproximadamente 8 minutos, e a mais bela deste conjunto de 12 canções. Os seus primeiros minutos têm o único propósito de nos embalar-nos até casa, guiados por um conjunto de sintetizadores sonhadores. Por sua vez, os minutos finais desta faixa mostram um Leopard Skull mais virado para as sonoridades características do britpop, assim como o tema seguinte “People I Don’t Know”, que parece retirado da discografia dos Oasis.
O primeiro single a ser conhecido de Welcome Home foi o tema “My Thoughts”, o qual me despertou logo a atenção para este trabalho e me levou a querer ouvir mais de Leopard Skull. “My Thoughts” está envolvido numa atmosfera sintética e em algum reverb, sendo a par de “House”, o tema que mais gente irá atraír até este álbum. A percussão também tem espaço para brilhar neste disco, principalmente em “Sun”, tema que traz à tona a sonoridade dos Foxygen.
Welcome Home é um disco que reúne a melhor psicadelia dos anos 60 e 70 e lhe dá um toque de contemporaneidade. Marcado por sonoridades que não são de todo originais – é cada vez mais difícil ser-se inovador no mundo saturado da psicadelia -, este disco apresenta uma coleção de músicas bem produzidas, com uma interessante componente lírica e uma atmosfera lisérgica muito própria.