Alexandra Drewchin, isto é, Eartheater está de regresso às edições com “Below The Clavicle”, o primeiro single da cantora-compositora americana desde a mixtape Trinity, lançada em 2019 pela sua editora Chemical X, e o mais recente trabalho lançado pela berlinense PAN, que editou o seu último álbum, IRISIRI, em 2018.
“Below The Clavicle” é uma composição de 4 minutos composta por Drewchin em conjunto com a harpista Marilu Donovan, da dupla art-pop LEYA, e o ensemble contemporâneo CSMA, que contribuiu com preciosos arranjos de câmara. “Escrevi “Below The Clavicle” quando esperava entender mais sobre uma situação antes de falar sobre ela”, sublinha a cantora em comunicado, que adianta algumas considerações sobre o sucessor de IRISIRI: “No meu próximo álbum, pensei muito em lava e vulcões e na formação de pedras e montanhas”.
O tema encontra-se disponível em todas as plataformas digitais e pode ser escutado desde já em baixo.
A Galeria Zé do Bois anunciou nas últimas semanas a sua programação outunal. No final desta semana o Aquário acolhe dois lançamentos nacionais: Volume VI – The Sun Rises In Your Tummy & Other Christmas Illuminations, o novo álbum de Filipe Felizardo & The Things Previous (apresentação que corresponde simultaneamente ao encerramento da residência artística de Filipe Felizardo na ZDB) e Punk Academics, o novo disco dos Cave Story, força frenética incontornável das Caldas da Rainha. 28 e 29 de setembro, respetivamente.
Outubro inicia-se com FIRE! (dia 5), super banda liderada pelo saxofonista Mats Gustafsson com Johan Berthling e Andreas Werlin, com presença também assegurada no Mucho Flow. A produtora Hiro Kone foi um dos destaques deste ano do Festival Atonal em Berlim e estreia-se na ZDB no dia 12 do mesmo mês. Uma noite que conta ainda com o saxofonista Pedro Sousa na primeira parte. No dia seguinte é tempo de escutar O CARRO DE FOGO de Sei Miguel, projecto colaborativo que regressa com uma formação apuradíssima: para além do trompete e das orquestrações do líder, conta com Fala Mariam e Nuno Torres, respectivamente Trombone e Saxo Alto, Bruno Silva na Guitarra, Pedro Lourenço no Baixo, “aos Órgãos” André Gonçalves, não esquecendo Raphael Soares e o grande Luís Desirat, ambos em discriminada Percussão. Dia 17 o produtor de techno que está a gerar ondas em todo o mundo Tzusing actua pela primeira vez em Portugal. E o melhor da folk chega nos dias 24 com Meg Baird & Mary Lattimore (que interrompem a tour com Kurt Vile para esta actuação) e 26 com Olden Yolk, novo projecto de Shane Butler (Quilt) com Caity Shaffer.
Novembro começa com o regresso da já conhecida noite Bola de Cristal (dia 2) com Hieroglyphic Being (live), e os djs Black e Snake Radikal. A noite de 9 é com Eartheater que regressa ao Aquário para apresentar o seu terceiro longa-duração Irisiri, editado este ano pela PAN Records, a abertura da noite cabe a Simão Simões. Dia 14 de Novembro Equiknoxx ft Shanique Marie em estreia na ZDB, e as noites de 16 e 22 reservam-se ao rock e ao folk com Paul Jacobs e Ryley Walker, respectivamente.
A todos estes nomes juntam-se em Dezembro Kikagaku Moyo (dia 3), para o lançamento do mais recente Masana Temples, álbum gravado em Lisboa com a produção de Bruno Pernadas. E JASSS que apresentará na noite de 6 do mesmo mês o trabalho desenvolvido em residência de criação artística na Addac System e na ZDB em colaboração com o Matadero Madrid.
A 4ª edição do Tremor já tem o seu cartaz definitivamente encerrado com a inclusão dos portugueses Gala Drop e da multifacetada performer nova-iorquina Eartheater. A menos de um mês do início do festival que decorre na ilha de São Miguel de 4 a 8 de Abril, juntaram-se também ao cartaz Mr. Gallini com a sua pop alucinada, os rappers açorianos Fred Cabral, Swift Triigga e a revelação do hip hop micaelense Valério, com apenas 17 anos.
Lugar ainda para Volúpia das Cinzas de Gabriel Ferrandini, Pedro Sousa e Hernâni Faustino, uma parceria Tremor com a ZDB, e uma batalha de baterias que junta Krake (Pedro Oliveira), Ferrandini e o açoriano Ricardo Reis.
Na passada quarta-feira fomos até ao Teatro Ibérico, espaço bem agradável e acolhedor, assistir à performance artística da nova iorquina Alexandra Drewchin (Guardian Alien) e do seu projeto a solo EARTHEATER. A artista apresentou os seus álbuns de originais editados em 2015, Metalepsis e RIP Chrysalis, estreando-se em território nacional num evento promovido pela Nariz Entupido. Não conhecendo bem os projetos em causa e apenas tendo ouvido uns singles de EARTHEATER, decidimos ir à descoberta e ver o que a noite nos reservava. Às 22h30 a sala encontrava-se aproximadamente cheia e entraram em palco os CRUA, trio formado por André Hencleeday (percussões), Carlos Carvão (guitarras) e Daniel Neves (electrónicas). O que se passou a seguir foi meia hora de noise e distorção à drone metal, riffs e percussão potentes envolvidos em eletrónica. A vibração sentia-se fortemente enquanto o trio explorava e improvisava a sua sonoridade em palco. A certa altura o piano foi introduzido, mas no meio do ruído todo, passou um pouco despercebido. Em suma, o trio apresentou uma performance competente mas um pouco estranha e ensurdecedora.
Depois de um pequeno intervalo, Alexandra Drewchin entrou em palco às 23h. A sua atuação iniciou-se com uma dança meio esotérica, demonstrando bem a sua liberdade artística e a maneira corporal como se expressa e hipnotiza a audiência. O seu corpo é também a sua voz. A ambiência sonora criada pelos sintetizadores gravados em casa, a voz celestial de Alexandra, o impressionante trabalho experimental de pedais, as collagens sonoroas e a guitarra mergulhada em reverb marcaram fortemente este concerto.
Ao vivo a sua sonoridade pode remeter-nos para uma electrónica ao jeito de CocoRosie, Dean Blunt ou mesmo Holly Herndon mas de caráter mais folk, psicadélico, cómico, dotado de uma produção cristalina. É tão fácil perder-nos neste mundo onírico criado por Alexandra.
A cada música que passava, Alexandra agradecia e o público retribuía sempre calorosamente, com uivos e palmas. A certa altura parecia que estavamos numa sala de estar com a artista, tal a sua desinibição e simpatia. A artista revelou ainda que gostava de estar num espaço tão grande mas ao mesmo tempo tão íntimo (o público estava também sentado no palco).
Do alinhamento do concerto, dedicado às vítimas do atentado de Orlando, fizeram parte temas como “Utterfly FX”, “Mask Therapy”, “Wetware”, “The Internet is Hand Made”, “Put a Head in a Head”, “If It in Yin”, “Homonyms” e ainda outros temas que não conseguimos desvendar.
Ao final de uma hora terminou o concerto de EARTHEATER, sendo que os problemas técnicos não impediram a sua atuação soberba. O público queria mais e a artista ainda acedeu tocar mais uma música. Ficou no ar a sensação de que ninguém queria abandonar a realidade ali construída no Teatro Ibérico, realidade essa complexa à partida mas que ao ser descontruída se entranhou intrinsecamente no nosso cérebro. Esperamos um regresso em breve e mais discos em 2016 desta senhora.
Na próxima semana, a Nariz Entupido, traz a Portugal o projeto a solo de Alexandra Drewchin, Eartheater. A norte-americana, parte dos Guardian Alien, vem pela primeira vez ao nosso país, mostrar o seu segundo álbum - RIP Chrysalis - para três datas:
15 Junho - Teatro Ibérico - Lisboa (org. Nariz Entupido)
17 Junho - Passos Manuel - Porto (org. Nariz Entupido + Passos Manuel)
18 Junho - Carmo 81 - Viseu
Na primeira parte dos concertos de Lisboa e Porto, estará o trio CRUA, a desafiar-nos para mais uma sessão exploratória de electrónica, drone, percussões e não só. Os bilhetes custam 8€ em Lisboa (à venda na Flur Reservas) e 7€ no Porto (à venda à porta na noite do concerto).