sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Cinco Discos, Cinco Críticas #41


Já com o ano a chegar à reta final começa também a altura de fazer as listas das melhores edições do ano. Para vos pouparmos trabalho e garantirmos que não se esquecem de algumas edições escrevemos sobre cinco novos discos que têm rodado bastante deste lado e que, esperamos, passem agora a rodar dessa lado aí. 

Em mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas fiquem então com as análises aos mais recentes trabalhos de Ele Ypsis - Linga Dei; SUSS - Ghost Box; KEN Mode - Loved; Tropa Magica - Tropa Magica e o muito aguardado disco de estreia dos RENDEZ-VOUS, Superior State.



Linga Dei // self-released // setembro de 2018

9.0/10

Depois de um ostentável Meiosis, os Ele Ypsis, dupla que reúne a produção ambiciosa de Stélian Derenne aos vocais etéreos de Laure Le Prunenec, regressaram este ano às edições com mais oito músicas inéditas colecionadas em Linga Dei, o quarto disco de estúdio da dupla que saiu no passado mês de setembro. Através deste novo trabalho, conduzido pelo desejo do seu resultado final ser tão temido quanto a música de Igor Stranvinsky, os Ele Ypsis absorvem-nos até a um limite onde a música clássica entrelaça as mãos com a música contemporânea e a lírica, que sobrepõe esta ato num estrangeirismo irreconhecível, soa à poesia mais vanguardista dos dias atuais. É através de composições encantadoras, de ritmos tão depressa exóticos como expansivos e dos vocais ora apoteóticos, ora celestiais, que os Ele Ypsis criam estruturas harmoniosas difíceis de não fazer tremer quem as ouve. Temas como "Oro" e "Chaoskra” começam por ser construídos sobre paisagens calmas que, no desenvolvimento sofrem mudanças caóticas, envolvendo temporais sonoros e um nível de exigência extremamente exímio. Por outro lado, músicas como "Turmali" ou "Linga Dei" emanam toda uma energia que não consegue parar de se ouvir em loop. Se Meiosis já nos tinha mostrado que não há limites de eras na música, este Linga Dei funciona como uma epopeia ainda mais gloriosa aos períodos da música barroca com um toque de vanguardismo abissal.
Sónia Felizardo





Ghost Box // E.V.P. Recordings // fevereiro de 2018 

7.6/10

Os SUSS são um quinteto de Nova Iorque que lançou o seu primeiro álbum no início deste ano. É um grupo de músicos experientes que aproveitam este projeto para misturar a música ambiente com o country, criando o que pode ser a banda sonora para westerns imaginados, com personagens misteriosas e um ritmo lento. As guitarras, sintetizadores, assobios e outros instrumentos criam atmosferas suaves que fazem pensar nos sons e melodias de Morricone filtrados por Brian Eno. Seguindo os títulos das músicas, Ghost Box é uma roadtrip que vai de "Wichita" a "Laredo" e dá a volta para regressar ao ponto de partida, com "Canyonlands (Return to Wichita)". Uma viagem musical que nem sempre pára em locais tão fascinantes como "Wichita" e "Late Night Call", mas que prossegue sempre interessante. Em novembro esta aventura solitária pelo velho oeste vai tornar-se mais longa, quando sair a versão expandida do álbum com quatro faixas novas.
Rui Santos






Loved // Season of Mist // agosto de 2018

8.0/10

Os canadianos KEN Mode regressam com Loved, a sua oitava coleção de faixas contundentes e com o noise a mil à hora. Apesar do facto de os KEN Mode contarem vinte anos de carreira, só recentemente, pela altura do lançamento de Entrench e com a crescente popularidade da nova vaga de noise rock multifacetado, é que eles conseguiram ganhar algum reconhecimento pelo seu percurso consistente em termos de registos e performances ao vivo, apesar da ligeira recaída na forma de Success. Posto isto, é seguro dizer que a banda está de volta ao topo de forma com o lançamento de Loved, que conta com um alinhamento de nove faixas cujo objetivo é tomar de assalto o ouvinte. Durante os cerca de 35 minutos que cobrem o disco, a banda apresenta o seu som habitual caracterizado por um poderio lamacento e ruidoso de forma coesa. No entanto há certas faixas a quebrar um bocado o molde, como "Illusion of Dignity" - em que aparece um saxofone a rasgar -, "Very Small Men" - a ser mais apunkalhado e frenético que o resto - e a faixa de encerramento "No Gentle Art" que evolui gradualmente, de uma relativa amenidade para uma brusca investida sonora.
Ruben Leite



Tropa Magica // Tropi Records // setembro de 2018

7.5/10 

O projeto de tropicalia psicadélica, Tropa Magica, composto pelos irmãos David e Rene Pacheco lançou o seu primeiro álbum longa duração depois de ao longo do ano estrearem um EP (Y La Muerte de Los Commons) e diversos singles. Desde 2012 a espremer as influências psicadélicas californianas na sua banda Thee Commons, neste novo projeto os irmãos tiveram a liberdade para polvilhar o seu cocktail musical com um pouco de tropicalia brasileira e ritmos de cumbia colombiana. Produzido por Cesar Mejia (Herbie Hancock, Brian Eno, Los Lobos), o som de Tropa Magica é uma autêntica festa, um dos discos mais animados e dançáveis do ano. A introdução surge com um piano romântico em "Ya Viejo" e abre as portas para o baile, seguida pela apropriadamente chamada "Disco Queen". A música que melhor identifique a personalidade da banda é "Morena", onde os irmãos Pacheco convidam "todos a bailar" por cima de uma secção rítmica contagiante. Outro destaque do álbum vai para a satírica "Primus Sucks", referencia à banda californiana liderada pelo icónico baixista Les Claypool, enquanto utilizam algumas linhas de baixo inspirados na técnica do mesmo. Apesar de lançado no final de setembro, a Tropa Magica aproveitou os resquícios do verão para lançar um disco inspirado com inúmeros rasgos de genialidade. Atenção a estes meninos que mostram um enorme potencial para o futuro.
Hugo Geada





Superior State // Artefact / Crybaby //outubro de 2018

8.0/10

Os RENDEZ-VOUS editaram este ano o seu muito aguardado disco de estreia, Superior State, que vem dar sucessão aos bastantes aclamados EPs Rendez-Vous (2014) e Distance (2016). Quatro anos depois do primeiro EP a banda parisiense - que se destacou rapidamente dentro do panorama underground após o lançamento do single "Distance" - regressa agora aos holofotes com o novo disco Superior State, uma coleção de novas sonoridades, além do post-punk abrasivo a que nos têm vindo a habituar. Apresentado através de "Double Zero”, que teve direito a um vídeo marcante, numa sonoridade aproximada aos ritmos de The Soft Moon foi, mais recentemente, em "Sentimental Animal" que os RENDEZ-VOUS nos mostraram que Superior State não é um disco para meninos, mas o reflexo de uma banda matura e pronta a exibir o seu enorme potencial. Nesta estreia os RENDEZ-VOUS mostram que rótulos não lhes fazem jus e que a sua música transmite o que tem de transmitir com eles bem a querem e condicionam. Uma coleção de dez canções da vanguarda com temas como "Exuviæ" e "Superior State" a atirá-los para os campos da música industrial dos anos 2000, "Midle Classe" - a fazer lembrar a synthpop influenciada pelos 80’s de bandas como M83 - e ainda a balada "Last Stop", a refletir as malhas mais depressivas do post-punk contemporâneo. Um disco prontinho para arrasar as pistas de dança mais arrojadas.
Sónia Felizardo



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quinta-feira, 20 de setembro de 2018

STREAM: Ele Ypsis - Linga Dei [Threshold Premiere]


Ele Ypsis is releasing their fourth album at the end of this week but you can listen to the whole masterpiece that this new Liga Dei is right now, accessing the stream below. With this new album, Ele Ypsis would like to be feared as much as Stravinsky's music in his days, and the truth is that they definitely transmit that, going even further. With a collection of eight songs, as we have already been used to since their first release EKSÜ (2013), this new album is just like poetry to our hears, their lovely compositions produced by Stélian Derenne conjugated with the apotheosis vocals from Laure Le Prunenec suddenly lead us to the landscapes of chaos within such harmonious structures that can't even be described with words.

There's this initial classical approach in singles such as "Oro" and "Enso", but just when we get used to it, Ele Ypsis manage to deconstruct the whole thing into a boom of feelings and lots of energy. And then there's the real one, "Turmali", that song that possesses you even if you don't want to. But that's nothing compared to what "Linga Dei" has prepared for you. This Linga Dei is like we've been on a tour to baroque's epoche with Ele Ypsis driving us through their abyssal wonderful avant-garde music. 

Linga Dei is out this Friday, September 21st. Stream it below and make sure to pre-order it here.



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segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Ele Ypsis avançam com novo single, "Enso"


Os Ele Ypsis regressam em setembro aos discos com Linga Dei, o quarto trabalho de estúdio que vem dar sucessão ao aclamado Meiosis (2017) e cujo conceito passou por conduzir a ideia central do seu antecessor a um nível mais alto de complexidade, emoção e poder. O objetivo é o de captar a atenção do ouvinte através de uma sonoridade à qual este não consegue ficar indiferente. No processo de gravação do disco participaram ainda Robyn Buttery, em algumas gravações de violino e o violoncelista Liam Morrisey.

Tendo anteriormente disponibilizado o tema "Oro", os Ele Ypsis regressam agora com "Enso", a segunda faixa extraída deste novo disco que volta a mostrar a tocante e inigualável voz de Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Igorrr, Corpo-Mente, Öxxö Xööx) em comunhão com a produção exímia de Stélian Derenne (The8thstep). Uma faixa eletrónica, orquestral, etérea e completamente catatónica, a ouvir abaixo.

Linga Dei tem data de lançamento previsto para 21 de setembro.


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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Ele Ypsis anunciam novo disco, Linga Dei


Um ano após a edição do bastante aclamado Meiosis, os Ele Ypsis - dupla que une a vocalista e compositora Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Igorrr, Corpo-Mente, Öxxö Xööx) ao compositor e produtor Stélian Derenne - regressam às edições em setembro com Linga Dei, aquele que vem a ser o quarto disco de estúdio da dupla, do qual já é possível ouvir o primeiro tema de avanço, "Oro", que não tem outro significado além do som que produz na cabeça da pessoa enquanto o lê. Sobre este novo Linga Dei, Stélian Derenne avança que:
"The concept was to take the core idea of meiosis (previous album) to a higher level of complexity, emotion, power, catch the ear of the listener through a music we wish to be unprecedented and from which you can't stay indifferent. The best example of this, in my opinion, is the track named Linga Dei n°8, containing 21.000 notes, going in many different directions."
No processo de gravação do disco participaram ainda Robyn Buttery, em algumas gravações de violino e o violoncelista Liam Morrisey. O tema "Oro" pode agora ser ouvido abaixo. Podem ainda ver um teaser do que se puderá esperar de Linga Dei aqui.



Linga Dei chega às prateleiras a 21 de setembro.


Linga Dei Tracklist:

01. Axis Mundi (Intro) 
02. Obsidia 
03. Oro 
04. Turmali 
05. Syngue Sabour 
06. Chaoskra 
07. Enso 
08. Linga Dei

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Ele Ypsis in interview: "an album is like giving birth to something"

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On October 30th, Ele Ypsis released their third studio album, the first one on the french label m-tronic, where they present a slow and striking celestial aura, alternating with some fast and powerful rhythms. In this interview the duo - marked by a fusion in the fields of neoclassical and light electronics - were asked about the origin of the band, the making process of Meiosis, perspectives on the music industry, the ironic description on their Facebook's page and plans for the future, among other things.
The full interview can be read below.

1 - Let's start with a trivial, yet important question to get to know the origins of Ele Ypsis. So, I'd like to know how did you get to know each other and how did you get to form the entity known as Ele Ypsis?

Ele Ypsis - A common sense of interest and disinterest for a surprising amount of things, music being the first one. One of us sang very well, the other not so much, things took off from there.

2 - "tortured child of distant artistic lovers" is the way you describe Ele Ypsis on its bandcamp. Why did you choose that specific description?

Ele Ypsis - We're living a couple of seas from each other, and rarely got to meet to work together. We were lucky enough to start Meiosis in the same room, but soon after went back to our respective shores to work around the initial concept for the album. We tend to feel like an album is like giving birth to something, adding from both side into a new recipient, tortured by each insights to what it should sound like. Lovers because we do love it, and artistic because we are.

3 - You released your first two albuns, EKSÜ (2013) and SPIRALIS (2015) under the label of 561743 Records DK, yet two years later you return to m-tronic in order to release Meiosis. What do you feel has ocurred for that change to take place?

Ele Ypsis That number label only refers to an official release accountability, in fact, it's a self release process, Meiosis is our first album being released by someone other than us. What made it possible was the interest for Laure's talent shared by the label M-Tronic's co-managers. (http://www.m-tronic.com/)


4 - By the way, congratulations on the release of your new record Meiosis. How long was it in the making?

Ele Ypsis Thanks a lot for your kind reception and loving words towards it, we're both very happy to finally be able to confront it to the world and letting it live by itself. Regarding the time of making, I'd say about a year of squeezing time between other projects. There was no rush, so we didn't.

5 - Meiosis is the third record you release that happens to have a total of eight tracks. Is there any related symbology to the number 8?

Ele Ypsis - You mean, the fact that Eksu our first album is also 8 tracks, 4 letters, that Spiralis is also 8 tracks and 8 letters, that Ele Ypsis is an 8 letters word, all containing 8 tracks? No idea what you're talking about... 8 sounds lovely though, a lot more elegant than 9 or 11, what kind of apathetic monster would release a "9 letter album"...?

6 - ËKSU was released during the Winter of 2013, SPIRALIS during the Spring of 2015 and Meiosis was released during this year's Fall. Is the next record to be released during the Summer of 2019?

Ele Ypsis - That's an excellent idea! We'll finally get the long awaited opportunity to do a summer hit song, something about bikinis under the sun, or soda ice cream or something, we'll figure something out, grab some money out of it. A clip maybe..., something on the beach with a dance, a catchy hook, guitars and techno kicks, thanks for the suggestion, you'll be credited!

7 - At a personal level, I feel that with this new release, when it comes to the musical composition, you entered a more explorative approach on the electronics. In this record, this enormous cohesion between Stélian's instrumentation and Laure's voice is very palpable, and so is the evolution on this electronic approach, in comparison with your previous work. I can't help but feel that your music was made by a single soul, seeing how your style feels so balanced. Meiosis could be Ele Ypsis' highlight. Would you agree?

Ele Ypsis That soul is the very person you're talking to right now, Laure speaks for Stélian and Stélian speaks for Laure by addressing an unilateral ambition to please each other's expectation of the other's creative qualities. I'm the punctual expression of that combination, thank you very for noticing and putting it the way you did, we hoped of succeeding in this regard, and thank to your attention, we did. What made this record different is the initial creative direction suggested by Laure at the very beginning of it and a new working process suggested by Stélian in the making of it.

8 - Similarly to other projects from Laure, there's also a tendency to use a language that isn't neither english neither your maternal tongue. I think that one of your objectives is for the listener to focus on the result of the composition and not only on the lyrics' meaning. What do you pretend to express while communicating without words and/or imaginary languages? Is there any relation between the language used on Ele Ypsis and the ones used on Öxxö Xööx or even on Rïcïnn?

Ele Ypsis - She always uses this instinctive langage in all she composes with her voice. It really came naturally like a sensitive thing, all she wanted to sing must be something new, like "pure". Also, she loves the idea of really feeling the present while recording the voices, like a communication of what is really true inside at the moment and what she finds once following deeper and deeper. After which she can analyse it and choose the best and words appear. All the sensations, all the pictures , the univers she had comes into those words that she finally manages to translate into a "material" langage. She thinks that people need to understand what it is about on her songs and for her it is like a therapy , it helps her a lot to understand her own state of mind.


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9 - In the “About” section of your Facebook page you indicate that some of your favourite artists are Beethoven, Stravinsky, Ikue Asazi, Ravel, Debussy, Massive Attack, Burial, Dead Can Dance, Arvo Pärt, among others. If you had to mention some of your biggest influences among these artists, who would you nominate?

Ele Ypsis We wrote it because we had to write something into that segment, not sure how many people went this far, but since you did, I can say we wrote it for you. We could have gone a lot further in the number of musicians, not sure about the influence, but the love for each one is great. I tend to cheer for the quietest individual in real life, Beethoven is the most dead of them all, so let's pick him. Purcell is very dead too...

10 - In the same section you also say that you “hate a lot of artists too”. Do you want to confide us some of them?

Ele Ypsis That mention must have been written to bring some lightness to the whole thing, or not to sound like a devotee, or just to be funny. We don't really consider hating someone we don't know, it tends to take a lot of energy. That being said, making music too similar to an already existing artist or genre is a very recurring thing that betrays a will to be a musician rather than being an artist. We don't praise that so much.

11 - About the musical industry and the digital panorama it is going on, in what way do you think that affects your course as a band so far? For example, with the arising of pre-orders, do you feel it's easier to have an idea of how many sales you'll get? What are your thoughts on both physical and digital editions? Do you feel it's easier for potential listeners to get access to your work, or for you to get in contact with your target audience?

Ele Ypsis We believe that the difference between the sane and the insane doesn't reside in an opinion but rather in the position taken towards it. When things are what they are, you do you, whatever the extend of your influence. The course of our "band" is a lot more influenced by the weather outside the studio's window than it is by the influence of internet on the music industry. 

I'm guessing that pre-orders do have a great appeal for a more asserted artist with a greater fan base, so far we're barely anybody, yet anybody is pretty likely to be found online, as long as you have someone actually looking for you, which is where the disillusion usually starts.


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12 - What was the last notable record you listened to, and the last live concert you attended to, as part of a crowd?

Ele Ypsis Laure is actually on tour with Igorrr and she is always composing or discover new bands on the road so when she finishes all that stuff, all she needs is SILENCE and maybe returning in a state of quiet to get space for other melodies, as for Stélian, he's latest outgoing was to attend the interpretation of one of Mozart's mass live in Brussels and listened to the '36 Chambers' by Wu-Tang while vacuuming his house a couple of days back.

13 – And what about plans for some live Meiosis presentation concerts? Will it happen?

Ele Ypsis - It's all feasible, although the ego fades, with the right formation the project would be a great live act for sure. A video of the song "Meiosis" being rehearsed live has even been released online on our youtube channel.


14 - Do you want to add anything else?

Ele Ypsis - Cigarettes are bad for you, global warming is real, gravitational waves as well, eat fruits and vegetables, avoid milk and drugs, meditate, be kind, listen to Liszt, be real, aim for wisdom, Rachmaninov too, stay quiet and thank you so much for your interest, we partially live through it.

So this is not a question, but I just had to mention that I laughed a lot when I was browsing your Facebook page. Once I read "Money, fame, drugs and yoga" on the band's interests, and "Big cars, money, skinny bitches, and deep meditation" on personal interests, I couldn't help but burst out laughing. Thank you for the ironic insight and this interview!

Ele Ypsis - We should definitely update those at some point because in the mean time we've lost interest for big cars returning to the more fundamental and pragmatic approach to materialistic value being that the most important aspect of a car remains the fact that it needs to be powerful, flashy and attractive to women rather than just being big, as you can see we're constantly reinventing ourself, we're such great artists...

Thanks again for this interview and allowing us to conduct it in English. 

Entrevista por: Sónia Felizardo

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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

STREAM: Ele Ypsis - Meiosis


O terceiro disco de estúdio dos Ele Ypsis - Meiosis - já se encontra disponível para audição integral via bandcamp. Neste novo trabalho a dupla composta por Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Igorrr, Corpo-Mente, Öxxö Xööx) e Stélian Derenne regressa num processo composicional mais explorativo ao nível da eletrónica. É notória uma coesão enorme entre os instrumentais do Stélian e a voz de Laure com este Meiosis e uma clara evolução na abordagem eletrónica face aos anteriores trabalhos.

À semelhança dos anteriores trabalhos também neste Meiosis a dupla optou por comunicar através da vocalização sem palavras e/ou linguagens imaginárias. Para audição recomendam-se essencialmente os temas "Anaphase", "Zygotene" e "Diplotene".

Meiosis é editado oficialmente hoje (30 de outubro) pelo selo francês m-tronic.

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terça-feira, 24 de outubro de 2017

[Review] Ele Ypsis - Meiosis


Meiosis // m-tronic // outubro de 2017
9.0/10

Os Ele Ypsis estão de regresso às edições de estúdio, com Meiosis, aquele que vem a ser o terceiro disco oficial do duo, cuja edição física e digital acontece no final de outubro. A dupla, que une a vocalista e compositora Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Igorrr, Corpo-Mente, Öxxö Xööx) ao compositor e produtor Stélian Derenne, formou-se em 2008 e até à data editou os discos SPIRALIS (2015) e EKSÜ (2013) pela 561743 Records DK que, de forma resumida, conjugam elementos da música neoclássica à eletrónica ligeira, construindo aquilo com que se definem, "tortured child of distant artistic lovers". Agora na casa m-tronic, os Ele Ypsis trazem ao público Meiosis e um total de oito canções inéditas que apresentam essencialmente uma aura celestial, com ritmos ora rápidos e poderosos ora lentos e marcantes.

Quem conhece Laure Le Prunenec sabe que o seu nome está associado a projetos revolucionários – pelo seu carácter extremamente inventivo – no panorama musical contemporâneo. A sua voz, tipicamente grave, alcança timbres operáticos e angelicais que, com vocalização sem palavras e/ou linguagens imaginárias conseguem trazer algo completamente marcante e único. Em Ele Ypsis, Laure Le Prunenec, está muito bem acompanhada ao lado do produtor e compositor Stélian Derenne, que produz o som resultante contribuindo para a natureza abstrata e disfuncional que é projetada nos arranjos eletrónicos.

O álbum, anunciado oficialmente em maio, viu em julho serem anunciados os primeiros dois singles a integrar a obra, o homónimo "Meiosis" – que funciona como uma projeção de mundos mistos, expressada essencialmente através do som e nas características físicas que este apresenta - e "Pachytene" – que traz algumas semelhanças daquilo que se ouviu em Lïan, o primeiro trabalho a solo de Laure Le Prunenec como Rïcïnn. Esta influência é novamente mostrada em "Diakinesis", cuja abertura traz automaticamente à memória o icónico "Orpheus". O que muda então?


Em Meiosis as viagens proporcionadas pelos apetrechos eletrónicos de Stélian Derenne são muito intensas e carregam uma incontestável beleza na forma como são compostas. A prova disso surge logo em "Anaphase", single de abertura e o mais longo tema do álbum. A introdução calma e éterea com cerca de dois minutos de duração é pontualmente substituída por beats acelerados que são acompanhados por gritos e coros atenuados, em pano de fundo. Por volta dos três minutos voltamos a ter o som relaxante de início que perdura, aproximadamente, até aos sete minutos e meio. Aqui, começa então a ganhar novas camadas e atinge o auge aos oito minutos e 54 segundos. Uma garantida viagem ultrassónica às bases do som. Outro single que se apresenta como uma enorme surpresa é "Prophase" que de alguma forma, no seu início, traz à memória a produtora islandesa Björk.

O grande tema de Meiosis é, sem dúvida, "Zygotene". "Zygotene" é um tema muito especial, diria até divino. O que Stélian Derenne faz com a eletrónica por volta do primeiro minuto e 27 segundos é um dos sons mais bonitos de sempre, dura cerca de 20 segundos, mas são os 20 segundos mais perfeitos do disco. E o melhor é o desenvolvimento que o sucede. Aqueles violinos lindos a que o trabalho da vocalista está automaticamente associado voltam a ouvir-se, mas a forma como são apresentados é incrivelmente singular. Que single dominador! De alguma forma, a lembrar um pouco do processo de decomposição associado a projetos como Aaron Funk e Arvo Pärt. "Diplotene" também não lhe fica atrás e é uma das composições que também ganha destaque, especialmente pelos arranjos eletrónicos e explorativos que apresenta. A fechar, "Telophase", o single mais curto do disco e outro malhão impecável.

Meiosis vem de encontro aos processos criativos produzidos de tão díspares nomes como Dead Can Dance ou Debussy, por exemplo, e afirma a dupla nas índoles da avant-garde music, com uma sonoridade incrivelmente única. A Laure Le Prunenec é definitivamente a melhor coisa que aconteceu à música neste século e um exemplo icónico de uma artista profissional que não consegue produzir trabalhos inferiores a excelente. Meiosis é mais um magnífico trabalho na sua discografia, composto ao lado do também não menos meritório Stélian Derenne. Um disco a que definitivamente se pode chamar obra.

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sábado, 1 de julho de 2017

Ele Ypsis vão lançar novo disco, 'Meiosis', em setembro


Ele Ypsis, o projeto que une a cantora e compositora Laure Le Prunenec (Rïcïnn, Corpo-Mente, Igorrr, Öxxö Xööx) ao compositor e produtor Stélian Derenne, vai voltar ao ativo este ano tendo já anunciado um novo trabalho, Meiosis. Este novo álbum será o terceiro registo oficial longa-duração da banda e vem dar sucessão a SPIRALIS (2015) e EKSÜ (2013), sendo, para já, conhecidas as faixas "Meiosis" e "Pachytene", lançada oficialmente hoje (1 de julho).

Apontando como principais influências na sua sonoridade base nomes como Beethoven, Paganini, Mussorgsky, Stravinsky, Debussy, Massive Attack, Burial, Dead Can Dance, Arvo Pärt, entre outros, os Ele Ypsis formaram-se em 2008 e desde então têm vindo a produzir discos na sombra. Meiosis pretende ir de encontro a esse ciclo e afirmar a dupla nas índole da avant-garde.

Meiosis tem data de lançamento previsto para 30 de setembro de 2017 pelo selo m-tronic.

 Meiosis Tracklist:

Lado A
01. Anaphase
02. Pachytene 
03. Prophase 
04. Zygoten
Lado B
05. Meiosis 
06. Diakinesis 
07. Diplotene 
08. Telophase
 

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