sábado, 2 de maio de 2020

FUSCO lança álbum de estreia pela Favela Discos



O primeiro trabalho de estúdio, homónimo, do músico e compositor luso-germânico Nils Meisel, que atua sob o alias FUSCO, saiu no passado dia 1 de maio pela portuense Favela Discos

Meisel é um artista de disciplina múltipla e podemos escutá-lo nos trabalhos da banda jazz-punk pós-aquatica Sereias, no post-pop combat de Lonzdale’s Fantasy ou no duo experimental Preto Marfim, que divide com Luís Figueiredo. O projecto a solo que tem vindo a desenvolver nos últimos anos é, como o nome indidca, escuro e sombrio, focado essencialmente na música eletrónica improvisada e nos ambientes sombrios de Gas ou no lado mais cósmico das eletrónicas de Manuel Gottsching.

Juntamente com o artista visual Henrikas Riskus, também conhecido por H2, Meisel transportou a estética multicolorida das suas composições para um formato audiovisual contemporâneo e irreverente que procura elevar as estéticas do passado.

Fusco encontra-se disponível nas várias plataformas digitais e a sua versão física, em cassete, pode ser adquirida no Bandcamp da Favela.


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sábado, 11 de abril de 2020

Pedro Sousa e Simão Simões juntam-se em novo trabalho pela Favela Discos

Pedro Sousa e Simão Simões juntaram-se para uma composição de 26 minutos. Tiro e Queda assinala a primeira edição da Favela Discos em 2020 e reúne, pela primeira vez, estas duas figuras distintas da música exploratória nacional. O tema de longa-duração saiu na passada quinta-feira, dia 9 de abril, e foi gravado por Miguel Abras (Putas Bêbadas) "e misturado pelos três em sagrada comunhão", lê-se no comunicado enviado pela editora portuense.

Pedro Sousa é saxofonista e conta com um vasto número de colaborações – ao lado do percussionista português Gabriel Ferrandini formou o Peter Gabriel Duo e editou Má Arte pela Favela Discos, mas pelo seu currículo passam ainda concertos e colaborações com Thurston Moore, Alex Zhang Hungtai ou RP Boo. Simão Simões é artista multidisciplinar, baixista na banda de Maria Reis e participou numa residência artísitica com Keith Fullerton Whitman, Clothilde e André Gonçalves na última edição do Out.Fest. O seu trabalho a solo passa por um uso tátil e fragmentado do sample e podemos escutá-lo em toda sua potência no mais recente Touhcy Feely, lançado este ano de forma independente, e no anterior Strel, lançado em 2018 pela sempre atenta Rotten/Fresh.

A Favela afirma ainda que a edição física do disco, assim como os concertos de apresentação do mesmo, deverão ver a luz do dia assim que a situação o permitir e acrescenta alguns dos lançamentos que têm preparados para os próximos tempos – Fusco, de Nils Meisel, The Hum, de Sarnadas, a compilação In Trux We Pux I e In Trux We Pux II, de Desilusão Óptica.


Tiro e Queda encontra-se disponível no Bandcamp da Favela Discos e pode ser escutado desde já em baixo.


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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

O 7º aniversário da Favela Discos é já esta semana


A Favela Discos faz 7 anos de loucura e engodo, e celebra esta sexta-feira o passado, presente e futuro com concerto de MILTETO e djset de CR&F.

MILTETO, a orquestra multi-genial da Favela, volta a apresentar-se ao vivo na cave para dar um cheirinho de um disco que sai em Setembro, com um plantel de luxo em expansão que conta com João Sarnadas (Coelho Radioactivo/Well), Tito Frito (Vasco da Ganza), David Ole (Xamano/Bezbog/Judas Triste), Dora Vieira (Dor_AV, Bezbog, Judas Triste), Nuno Oliveira (Batsaykhantuul/Nuno O/Judas Triste), Nuno Loureiro (FUGLY/Solar Corona/Lorr No) e Xavier Paes (Dies Lexic).

Nas caves mais refundidas, mais comuns, e mais celestiais deste país, sem preferir uma acima da outra e sem distinguir a boca que a bebe: CR&F - Coelho Radioactivo e Frito, a passar discos de todas as idades e cores e bandeiras para o pessoal abanar a anca na pistodance.

As festividades começam às 23h e a entrada para o evento é livre.

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segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Mohammad Reza Mortazavi no 88º aniversário do Teatro Rivoli



2020 marca o 88º aniversário do Teatro Rivoli. De 16 a 19 de janeiro, o Teatro Municipal do Porto desvenda um pouco do que se faz ao longo do ano com vários espetáculos, instalações e concertos que atestam a sua programação caraterísticamente pluridisciplinar.

No campo da música, o grande destaque deste ano vai para o percussionista iraniano Mohammad Reza Mortazavi, que se apresentará no sub-palco do Rivoli no dia 18 de janeiro para um concerto com o carimbo da Matéria Prima. Figura de relevo nos circuitos da música exploratória, o músico construiu uma reputação infame entre os mais canónicos percussionistas persas ao desenvolver mais de 30 novas técnicas de tocar os instrumentos tradicionais da região. Em 2017, juntou-se a Burnt Friedman para um EP colaborativo enquanto Yek. Em 2018 lança um outro EP, Focus, desta vez a solo sob a alçada da editora portuguesa Padre Himalaya. O seu último trabalho, o longa-duração Ritme Jaavdanegi, recebeu edição pela francesa Latency no passado mês de outubro.

Ainda na música, a Sonoscopia irá apresentar o espetáculo Phonopticon, um modelo de criação e representação sonora coletiva inspirado na arquitetura do Panopticon, o icónico edifício projetado por Jeremy Bentham no século XVIII. Os espetáculos acontecem dias 17 e 18 de janeiro.

O veterano Errol Arawak (King Earthquake) encerra as comemorações aos comandos do sound system português dos Mystic Fyah. A noite, que terá lugar no café do Rivoli no dia 18 de janeiro, será iniciada com um tributo da Favela Discos às sonoridades dos metais da cultura dub.   


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sábado, 9 de novembro de 2019

Joseph Shabason dá dois concertos em Portugal



É conhecido pelo seu trabalho com os Destroyer, do canadiano Dan Bejar, e com os norte-americanos The War On Drugs, do qual desempenhou um papel essencial na elaboração do aclamado disco Lost in the Dream. Joseph Shabason, saxofonista-compositor canadiano, estreia-se este mês a solo em Portugal: primeiro na congregação anglicana da Igreja de St. George, em Lisboa, no dia 15 de novembro, e depois no IRL, no Porto, a 17 de novembro.

A sua música situa-se na fronteira entre a música ambient e o jazz, iluminada pelos universos imaginados por Jon Hassell do quarto mundo. Inspirado pelas paisagens esparsas de Fourth World, Vol. 1: Possible Musics, disco que juntou Hassel ao cérebro e autor máximo da música ambient Brian Eno, o músico natural de Toronto encetou por uma carreira a solo em 2017, ano em que editou o seu primeiro álbum, Aytiche, seguindo as pisadas anteriormente exploradas pelos últimos. Anne, o segundo e mais recente álbum de Shabason, seguiu-se um ano depois e vê o saxofonista lidar com o trauma intergeracional, transformando entrevistas feitas com a sua mãe em composições de uma deslumbrante empatia.

O concerto em Lisboa contará com a primeira parte de Zzzzzzzzzzzzzzzzzp!, duo composto por Miguel Sá e Miguel Carvalhais, e os ingressos encontram-se disponíveis pelo custo único de 8 euros. Já no Porto, o concerto tem entrada livre.


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quinta-feira, 7 de novembro de 2019

Sajjra, Up-Tight e Zut Zomm Za na primeira edição do Festival 9v



O espaço cultural IRL, situado na Rua de Justino Teixiera, no Porto, junta-se à Favela Discos e à Circolando para a 1ª edição do Festival 9v. O evento, que acontece no CACE Centro Cultural entre 8 e 9 de novembro, propõe uma "selecção eclética de sons eletrizantes e paisagens sónicas distorcidas", com um cartaz que reúne nomes dos mais diferentes quadrantes da música contemporânea.

Sajjra (na foto), o projecto a solo de Chrs Galarreta, é um dos destaques desta edição. Nome maior da música experimental Sul-Americana, o músico do Peru traz ao palco um espetáculo que funde a tradição andina às técnicas de hardware hacking. Também no cartaz estão os japoneses Up-Tight, trio psicadélico da família dos Acid Mothers Temple com uma afinidade musical aos misteriosos Les Rallizes Dénudés

O programa conta ainda com a estreia de Zut Zomm Za, um projecto que une o poeta-performer Nuno Marques Pinto (Nu No) ao manipulador sonoro e co-fundador da editora peruana Aloardi, Krapoola. Em modo de comemoração dos 20 anos da companhia de teatro e dança Circolando, os membros do coletivo Favela Discos juntam-se para um concerto onde serão tocados instrumentos que fizeram parte dos diversos espectáculos da companhia ao longo das últimas duas décadas.

Martirium, Em Chame, DJ Froggystyle e VSO completam o cartaz.

Os bilhetes encontram-se disponíveis em pré-venda nos locais habituais a preços que variam entre os 5 (bilhete diário) e os 10 euros (passe geral).


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quarta-feira, 17 de julho de 2019

Paul Abbott, Olan Monk e Jejuno na próxima Favela Au Lait



É já no próximo sábado, dia 20 de julho, que a Favela regressa à cave do Café Au Lait. A próxima edição das noites Favela Au Lait junta o coletivo portuense ao também coletivo, promotora e editora sem fronteiras C.A.N.V.A.S para uma noite que irá contar com o percussionista Paul Abbott, um dos mestres da nova improvisação livre cujo currículo integra parcerias notáveis com Bill OrcuttSteve Noble, Evan Parker ou Otomo YoshihideDUCTUS, o mais recente álbum de Abbott, foi gravado entre o Porto e Edimburgo e recebeu apresentação ao vivo na última edição do Serralves em Festa, em junho. As suas performances incluem elementos básicos de tambor acústico e tecnologias específicas de áudio eletrónico, num processo que explora o som, o corpo, a imaginação e a linguagem através da música.

Para além do percussionista, o cardápio conta ainda com as atuações de Olan Monk - músico, performer, artista, escritor e co-fundador do C.A.N.V.A.S. - e ainda Jejuno, projeto de Sara Rafael que lançou o disco de estreia homónimo pela Urubu em 2016. A noite continua com as escolhas de DJS SUOR (Xavier Paes e Inês Tartaruga.

A entrada para o evento é livre.


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quinta-feira, 2 de maio de 2019

Tzusing, RP Boo e Marcellus Pittman na programação de maio do Pérola Negra



O Pérola Negra revelou a programação completa para o mês de maio. Marcellus Pittman, RP Boo, Tzusing e o regresso de Pérola Is Burning marcam o cartaz das próximas semanas no renovado espaço da movida portuense.

O mês arranca com GiZ, dj com raízes em Berlim cuja afiliação à Love Foundation Berlin o levou a tocar nalguns dos clubs mais emblemáticos da cidade como o Sisyphos, Kater Blau ou Kit Kat. A acompanhá-lo estará Klin Klop, a identidade musical de Inês Meira, e a seleção eclética e espiritual de Shrumate. A 4 maio, a Alínea A comemora 6 anos na cave mais espelhada da cidade. Naquela que será a segunda noite Timeless, as atenções viram-se para Detroit e para música que faz mexer a cidade do Michigan, com Marcellus Pittman a encabeçar uma noite composta ainda por Pedro Tenreiro e Terzi.

A 10 de maio, o Pérola Negra recebe a segunda edição do Pérola is Burning, que em parceria com o DDD - Festival Dias da Dança traz Chatham House (aka Positive Center) à cabine do club. O dj e produtor berlinense, que visitou o espaço no passado mês de janeiro, irá musicar uma noite composta ainda pelo set de Affreixo & The Female Disco Liberation e pelas performances de Natasha Semmynova, Babaya Samambaia e Xana Novais. A 11 de maio, a Chinfrim traz Rocky Marsiano & Meu Kamba Sound para uma sessão rica em tropicalismo. Ludovic, mojo hannah e Nuno Di Rosso encerram a noite.

O dia 17 de maio recebe iZemOhxalá Ritmos Cholulteka para uma noite com assinatura Aiyé, que contará ainda com uma performance de Dancecapoeira. No dia seguinte, a18, a XXIII regressa para comemorar 4 anos de promoção e criação de música. A isto juntam-se as celebrações do segundo aniversário da More Time Records, com SNØW e Ahadadream a servir o prato principal da noite. Torres, NOIA, Cash From Hash e Baltazar acompanham os fundadores do selo britânico.

No fim de semana seguinte, a 24, o recém-criado IRL salta de Campanhã para a cave do Pérola Negra para o primeiro evento fora de portas. Em parceria com a Favela Discos, o novo espaço portuense leva a cabo uma noite encabeçada por RP Boo, "pai da footwork" cujo trabalho conta mais de duas décadas dedicadas ao desenvolvimento do género. A juntar-se ao produtor natural de Chicago estará Nils Meisel, nova entrada do catálogo da Favela, Arrogance Arrogance e as escolhas de Favela Riscos Soundsystem. A noite de 25 recebe um dos grandes destaques da programação deste mês - Tzusing (na foto). O produtor malaio regressa a Portugal depois de uma última atuação na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, desta feita para se estrear na cidade do Porto. 東方不敗, o disco de estreia lançado via L.I.E.S. (de Ron Morelli), catapultou Tzusing para a frente da nova cena techno industrial, tendo desde então editado por selos tão respeitados como a Bedouin ou a germânica PAN.

A 31, e para encerrar o mês em grande, o Pérola Negra recebe o segundo capítulo da Veganalog, desta vez movida pelas seleções de Mafalda, Funkamente e Helena Guedes.


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quarta-feira, 27 de março de 2019

Favela Discos convida foodman para mais uma performance no Porto



A convite da Favela Discos, o produtor japonês 食品まつり (a.k.a foodman) apresenta-se esta sexta-feira, dia 29 de março, no IRL, um novo espaço a inaugurar em Campanhã, no Porto. O projeto de Takahide Higuchi, figura maior do footwork de agora, regressa à cidade que o acolheu pela última vez em 2017, desta vez com mais dois álbuns na bagagem: Aru Otoko No Densetsu, editado em 2018 pela Sun Ark Records (de Sun Araw), e um novo Ododo EP, a sair em breve via Mad Decent.

Antes, Tito, Lorr No e David Ole apresentam um concerto desenvolvido só para consolas (PSP, Nintendo DS e Commodore). A noite continua com as escolhas de DJ Babilónia nos pratos. 

O evento, de entrada livre, está sujeito a convite, sendo que deverão inscrever-se na mailling list da IRL (seguir aqui).


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sábado, 15 de setembro de 2018

Reportagem: Milhões de Festa [6 e 7 de setembro]


Em 2018, temeu-se o fim do Milhões de Festa. O festival foi uma das maiores incógnitas do circuito festivaleiro português durante boa parte do ano (estávamos em junho quando a organização anunciou as datas oficiais daquela que seria uma das mais imprevisíveis edições do festival), deixando qualquer um com o receio de nunca mais poder assistir a maior festa anual que o pequeno canto minhoto teve a oportunidade de experienciar.

Realizar um festival em menos de três meses não é pera doce, criar uma das festas mais intensas e intrigantes do ano nesse mesmo espaço de tempo muito menos. Numa edição que ficará para a história, o festival dedicado à descoberta da melhor produção contemporânea dos quatro cantos do globo regressou às margens do Cávado para quatro dias recheados onde a tradição voltou a ser, na verdade, o que era, e ainda bem.

Em baixo, fiquem com o registo escrito e fotográfico dos dois primeiros dias do festival que, pela primeira vez, se realizou em setembro ao invés do habitual mês de julho.

700 Bliss
Como tem vindo a ser hábito, o primeiro dia do Milhões voltou a abrir as portas ao público. Do programa musical para este primeiro dia, ou dia 0 como se tem vindo a apelidar, apontam-se as performances de 700 Bliss e Mauskovic Dance Band, antecedidas apenas pelos concertos do habitual Ensemble Insano e dos portugueses Indignu (não esquecendo as sempre imprevisíveis sessões do coletivo portuense Favela Discos, no palco Taina).

As primeiras são Camae Ayewa (Moor Mother) e Zubeyda Muzeyyen (DJ Haram), duo proveniente da Filadélfia que se apresenta em conjunto sob o moniker 700 Bliss. 700 Spa é o primeiro registo oficial do duo, um EP editado em fevereiro pela Halcyon Veil (do produtor norte-americano Rabit) em conjunto com a Don Giovanni Records que recebeu maior destaque na performance executada nesta primeira noite. As duas proporcionaram um poderoso festim de rimas e batidas aguçadas, juntando as melhores produções de cariz ruidoso e desconstruído de DJ Haram à poesia interventiva e revolucionária de Moor Mother, que regressou ao festival após uma abrasiva performance na edição transacta. Do groove apurado dos beats iniciais aos temas que integram o EP, intercalados apenas por alguns momentos de puro flirt noise, as 700 Bliss apresentaram um set irrepreensível onde a política e o espírito libertador da música de dança se uniram para uma performance poderosa que só encerraria com a contagiante “Ring The Alarm”. 

The Mauskovic Dance Band
A fechar o programa de concertos desta primeira noite estiveram os The Mauskovic Dance Band, o coletivo sediado em Amsterdão liderado pelo músico e produtor holandês Nicola Mauskovic. Membro fundador dos Altın Gün e uma das caras-metades dos Bruxas (duo que mantém com Jacco Gardner), Nicola encabeça este curioso projeto que funde música tradicional colombiana, afrobeat e sonoridades ocidentais que vão da no wave à electrónica mais radiante. Down In The Basement, o EP de estreia editado pela Soundwave Records, materializa-se ao vivo com a presença de Donnie Mauskovic na voz, Em Nix Mauskovic na guitarra e percursão, Mano Mauskovic no baixo, e ainda o mítico produtor colombiano Juan Hundred na bateria. Sem grandes pausas entre canções, a banda percorreu uma linhagem rítmica contagiante, com baixo e batuque a marcar um compasso hipnótico e viciante que impediu qualquer membro da plateia de tentar um ou dois passos de dança.


Milhões de Festa 2018: Dia 0

O segundo dia de festival, o primeiro propriamente dito, abriu as portas bem cedo com concertos no Taina e na piscina. Pelas 15h45, o power trio russo Mirrored Lips apresentou-se pela primeira vez em Portugal para uma surpreendente demonstração de boa música punk. Cantada na língua-mãe, os Mirrored Lips são uma lufada de ar fresco para fãs do punk mais imprevisível, com riffs matemáticos a acompanhar os versos de Lyusya. Apesar da barreira linguística, não foi difícil retirar o sumo desta performance abrasiva e eletrizante, que iniciou a tarde da piscina com dose reforçada de energia. No seguimento deste serão elétrico estiveram os espanhóis Grabba Grabba Tape. Após um hiato de 10 anos, o duo madrileno está de regresso aos concertos e às edições e passou pela piscina nas suas vestes tipicamente extravagantes (uma espécie de caretos de Podence em versão abelha Maia) para um desfile de canções curtas e certeiras. Dos 10 minutos de concerto que assistimos, que no caso deste duo corresponde a umas 5 canções, pudemos comprovar a força dos Grabba Grabba Tape como caóticos criadores sónicos, aliando furiosos compassos de bateria às vozes sintetizadas por vocoder.

Mirrored Lips
Seguimos para um dos poucos concertos que assistimos no palco Taina: Peter Gabriel Duo. Este entusiasmante duo junta duas das maiores forças da música jazz experimental portuguesa. Gabriel Ferrandini e Pedro Sousa formam um dos projetos mais vitais da música do género executada em Portugal, contando no seu repertório colaborações com Thurston Moore e Alex Zhang Hungtai, com quem mantêm uma respeitosa relação. Ao vivo, tal como em estúdio, Ferrandini e Sousa mantêm um diálogo vivo e simbiótico entre o uso complexo da bateria e precursão do primeiro com o saxofone embriagado do segundo, no seu estado mais puro e libertino. Uma demonstração sóbria, mas carregada de técnica e virtuosismo por parte de uma das duplas mais entusiasmantes da música improvisada.

Peter Gabriel Duo
De volta ao palco principal, eis que chegou a vez do aguardado regresso do portento finlandês Circle a Portugal. Depois da estreia atípica no Teatro Sá da Bandeira, em 2009 (a abrir para ISIS), a banda de difícil categorização regressou finalmente ao nosso país para uma atuação no festival que tanto os venera. Com o mais recente Terminal a servir de mote de apresentação, os Circle demonstraram a força e o valor de uma das bandas de culto mais divisivas da música pesada. Apelidar a sua música como extrema ou pesada é, na verdade, discutível. Uma pesquisa na diagonal pela sua extensa discografia permite-nos perceber a infinidade de estilos que esta banda percorre, desde o krautrock ao space rock, passando por composições que têm tanto de psicadélico quanto progressivo. A performance no Milhões de Festa foi prova disso mesmo, um viagem extravagante por sonoridades e abordagens imprevisíveis que lembram tanto Maiden como The Stooges, com compassos de bateria que bebem tanto da música extrema (blast beats e afins) como da kosmische alemã. 

Circle
Autênticos destruidores das convenções que assolam o espectro da música rock, os Warmduscher seguiram-se no palco Lovers para mais uma performance recheada de adrenalina. O coletivo que junta Clams Barker a Saul Adamczewski dos Fat White Family, assim como uma série de outros membros dos Paranoid London, Childhood e Insecure Men, fez a sua estreia por terras lusas com uma eletrizante performance no festival minhoto. Do alinhamento constaram os temas de Whale City, o segundo e mais recente disco que deu mote à apresentação, não deixando de parte alguns dos temas que integram o disco de estreia de 2015, Khaki Tears. Sem Adamczewski em palco, os Warmduscher conseguiram, mesmo assim, uma atuação infalível que demonstra o espírito e a irreverência de um grupo que não sabe jogar dentro das regras.

Warmduscher
O momento alto da noite guardava-se para o fim, com Squarepusher a encerrar o palco principal. Sob o estatuto merecido de cabeça de cartaz, Squarepusher, ou Thomas Jenkinson, estreou-se em Barcelos para a sua primeira atuação em Portugal. Se em 2017 tivemos a oportunidade de assistir a um dos nomes maiores da IDM de 1990, com a estreia nacional de Aphex Twin no NOS Primavera Sound, em 2018 foi a vez de experienciar mais um momento de pura catarse digital. Em cerca de uma hora, Jenkinson explorou as sonoridades frenéticas do drill and bass e breakbeat dos temas que integram o mais recente disco Demogen Furies, um regresso à forma após décadas de experimentação que vê o produtor britânico aproximar-se (ainda que discretamente) da EDM mais futurista. Envergando a típica máscara de LEDs, o autor de “Come On My Selector” serviu-se ainda de uma forte componente visual, com dois ecrãs convexos sobrepostos a proporcionar um verdadeiro delírio de luzes, cor e alta tecnologia.

Squarepusher

Milhões de Festa 2018: Dia 1

Fotogaleria completa aqui.

Texto: Filipe Costa
Fotografia: Ana Carvalho dos Santos

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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Terebentina lançam single e tocam no Favela Au Lait


Os portuenses Terebentina, banda de no wave e noise rock, lançaram um single gratuito denominado "O outro". Este será sucedido em breve pelo seu álbum de estreia.


Entretanto, no dia 14 deste mês, vão tocar na próxima edição do Favela Au Lait, a decorrer no Café au Lait. O evento é gratuito e conta também com um concerto de Batsaykhantüül e DJ set de Favela Riscos Soundsystem.


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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

[Review] ASPHALTO - Asphalto


Asphalto // Favela Discos // janeiro 2018
7.0/10

Há uma certa beleza em retratar paisagens ou materiais enquanto som: desde a exatidão dos field recordings até às relatividades da música de forma livre ou composta por arquitecturas complexas e concisas, conseguimos conjurar uma panóplia de significados para aquilo que escutamos sem extraviarmos a interpretação que o artista concebeu. Antes de começar a ouvir um disco, tiro alguns minutos para conceptualizar aquilo que vou ouvir a partir dos nomes do artista e do álbum - desta vez, a vez calhou a Asphalto, disco de estreia de ASPHALTO.


 Favela Discos Blitzgig no Milhões de Festa (Fotografia por Rita Sá Couto)

Asfalto, no bom-e-velho curto-e-grosso, é uma mescla viscosa derivada do petróleo utilizada principalmente para pavimentar estradas. ASPHALTO, em toda a sua merecida extensão, é um cuidadoso retrato de sujidade e caos estabelecido sobre as (bonitas) confusões criadas por uma guitarra de presença inconstante e pelas batidas que Bor, a entidade por detrás de ASPHALTO, colecionou pela deepweb. Apesar do estruturado e claro conforto que o conceito de "batidas" pode criar, não pretendo levar ninguém a erros - este disco, apesar de estar longe de ter forma livre, constrói-se sobre a disrupção desse alegado conforto em fractais infinitamente pequenos que criam a sua própria organização, longe das convenções das quais foram arrancados.




ASPHALTO, todo ele encharcado em transpirações obscenas de reverberação, dá-se a conhecer ao mundo na forma de "JAPA", tema que abre o disco e introduz aquilo que nos faz companhia durante os próximos 52 minutos: dançabilidade e decadência, as únicas presenças garantidas nos temas do produtor baseado no Porto. Por entre bafos de outsider house e claras tendências pós-industriais, o trabalho de ASPHALTO pode ser destacado em vários momentos - "CAIXA" é o quarto tema desta estreia e não tem medo de representar aquele que é talvez um dos momentos de maior introspeção do álbum, entre elementos rítmicos presentes-o-suficiente para nos prenderem desde o primeiro instante até desenvolvimentos tribais e masturbações sintetizadas que se descondensam em sintetizadores pesados e ominosos e numa clara sensação de desfamiliaridade na forma de batidas. "OUTRA", mais curta - a música mais curta do disco, aquém dos 3 minutos - é um vislumbre de Lutto Lento, Actress ou SophiaLoizou: uma rave que teima em permanecer entre a proximidade que cria o bater-de-pé e a distância que nos convida a aproximar. "ROBOTUBE", por outro lado, é uma outra forma de rave - uma bonita visita ao tech house entre síncopes rítmicas e um discurso de John F. Kennedy contra a agressividade da imprensa.



As principais falha do disco são aquelas que lhe dá distinção - a versatilidade na execução de diferentes géneros e estilos e a sobrepopulação de sons em alguns momentos quebram a coesão que podia de outra forma elevar ASPHALTO a um começo de ano ainda melhor pela Favela Discos - ASPHALTO procurou garantir que cada faixa funciona per si às custas de uma mão mais brusca nas transições. Apesar disso, o primeiro registo do alterego de Bor continua a ser uma óptima viagem que dá boa forma à crudeza do asfalto, sem perder a fluidez que o acompanha.




Texto por: José G. Almeida

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Noite Flácida no Porto



flá·ci·da 
(latim flaccidus, -a, -um)
adjectivo (fem. sing. de flácido)

1. Frouxa, murcha, mole, branda (como as carnes balofas ou pendentes por falta de rigidez no tecido celular).
2. Lânguida, relaxada (moralmente).

É já este sábado na Antiga Casa Moura, no Porto, que se vai realizar uma noite Flácida.A ideia surge da Favela Discos e da Ácida, duas promotoras da cena musical alternativa portuense conhecidas por muitos como duas grandes promotoras no que toca a ruído sonoro e afters. 

No cardápio para a festa deste sábado estão nomes como Filipe Felizardo, Claiana, Vive Les Conês, ARROGANCE ARROGANCE, Sarnadas entre outros. Conta ainda com visuais de artistas como Doutor Urânio, Inês Castanheira, Pedro Correia e Tomé Duarte.


A festa terá início pelas 22 horas de dia 8 e terminará por volta das 10 da manhã do dia 9 de outubro. Os bilhetes encontram-se disponíveis ate sábado na Louie Louie Porto,Kate Porto e livraria AEFAUP.

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quarta-feira, 8 de junho de 2016

Favela au Lait #38 com LAmA, Zé Braga, MADDO


A residência da Favela Discos no Café Au Lait, Porto, decorre todas as quintas feiras desde setembro passado. Esta semana, #38, é especial porque coincide com a abertura do NOS Primavera Sound e com o aniversário de um dos fundadores desta ogiva nuclear: o Tito. Isto é a feste de anos para os amigos pobres do Tito que não têm dinheiro para bilhetes nem amigos para conseguirem safar uma credencial.

Esta noite podemos contar com concertos de LAmA, Zé de Braga e MADDO. Os concertos são na cave, sempre à pala.

2 3 H 0 0 
Zé de Braga 

O Zeze é o gajo mais fixe do mundo. Mas engana todos porque sabe que ninguem duvida dele. Nunca engana em benefício próprio mas sim para o deleite de todos os que o rodeiam exceptuando, lá está, quem está a ser enganado, que nunca leva a mal porque o Zeze é o gajo mais fixe do mundo. Baixista nos Equations de dia e gajo mais fixe de noite, o Zeze vem apresentar-nos o seu projecto a solo, germinado numa residência artística do GNRation em Braga. 

0 0 H 0 0 
LAmA 

O projecto LAMA nasce apoiado na intuição de que a música já lá está e nós servimos apenas como veículo para a tornar mais concreta. Adquirimos assim, quer como executantes, quer apenas como ouvintes, o papel de intérpretes no verdadeiro sentido da palavra, onde cada um interpreta, à sua maneira muito singular, aquilo que já existe sob outra forma. A musica será, na melhor hipótese, a soma dessas partes. Desde o Milhões de Festa de 2015 que LAmA é um fã do Bagabomb.


0 1 H 0 0 
MADDO 

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Favela au Lait #37 com Flamingos, Eosin e Sin Cereza


A residência da Favela Discos no Café Au Lait, Porto, decorre todas as quintas feiras desde setembro passado. Esta semana, #37, podemos contar com concertos de Flamingos, Eosin e Sin Cereza. Os concertos são na cave, sempre à pala.

2 3 H 0 0
Flamingos


0 0 H 0 0
Eosin


0 1 H 0 0
Sin Cereza

Infelizmente, junho será o último mês de residência da Favela Discos no Café Au Lait. Fiquem então com o cartaz das últimas quatros semanas.

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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Favela au Lait #36 com DaiKiRi e Gvern/Kha


A residência da Favela Discos no Café Au Lait, Porto, decorre todas as quintas feiras desde setembro passado. Esta semana, #36, podemos contar com concertos de Favela Live System, dos franceses DaiKiRi e Gvern/Kha. Os concertos são na cave, sempre à pala.

2 3 H 0 0 
FAVELA LIVE SYSTEM

Mais uma vez, a banda de djset live da Favela Discos vem mostrar a público versões de músicas desconhecidas e clássicos da improvisação. São exercícios de dança sobre a viagem de um ponto fixo acima da superfície da linha imaginária do ecuador em drum machine, casio, sequenciador e microfone com areia, com João Sarnadas, Tito Silva, David Ole e Dora Vieira. 


0 0 H 0 0 
DAiKiRi (FR) 

Vindos de Metz, este duo de samba para cães de trenó é tudo menos ortodoxo. As discussões curtas entre a bateria acelarada, o baixo serrado, e a voz aguda, emanam de uma muralha de pedra amplificada, e acabam sempre em porrada velha e nova, destruindo os tímpanos pelo meio. Nesta quinta vai haver crowd surf daqueles fodidos que acabam de repente partem ossos e cabeças.



0 1 H 00 
GVERN/KHA

Sua composição retrata as figuras ao estilo dos frisos dos templos gregos, através de um enquadramento triangular delas. O posicionamento diagonal da cabeça feminina, olhando para a esquerda, remete o observador a dirigir também seu olhar da direita para a esquerda, até o lampião trazido ainda aceso sobre um braço decepado e, finalmente, à representação de uma bomba explodindo.

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quinta-feira, 19 de maio de 2016

Favela au Lait #35 com Tomba Lobos e HHY+Favela


A residência da Favela Discos no Café Au Lait, Porto, decorre todas as quintas feiras desde setembro passado. Esta semana, #35, podemos contar com concertos de Tomba Lobos, projecto que junta HHY (Jonathan) a alguns membros da Favela Discos (Tito Frito, João Sarnadas (Coelho Radioactivo), Nuno Loureiro, David Ole, Dora Vieira, Henrique Apolinário e luz de Inês Castanheira). Os concertos são na cave, sempre à pala.

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TOMBA LOBOS 

Tomba Lobos é o pseudónimo de José Cardoso, artista que tem vindo a construir uma das carreiras mais interessantes em Portugal não só nos campos da ilustração e design, mas também no campo da música. Nunca abandonando o aconchego ronfônho do lo-fi, por vezes encontramos canções completamente despidas, somente à guitarra e voz em falsete, embebidas em reverbs e ecos, por vezes encontramo-las frenéticas, guiadas por percussões sintetizadas, cheias de fuzz e distorção, outras vezes nem umas nem outras, encontramos belos exemplos de pop assombrado. 


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HHY + FAVELA 

A convite da Favela Discos unem-se mundos para fazer respirar um esqueleto celeste. O seu pilar vertebral é Jonathan Saldanha e as costrelas são o Tito Frito, o João Sarnadas, o David Ole, a Dora Vieira, o Nuno Loureiro, e o semi-estreante Henrique Apolinário. De uma outra faz-se luz com a Inês Castanheira. HHY conduz Favela. Dá ordem ao caos, mas não governa. Forma um espetáculo extraordinário para ritmos de um universo que já raramente é nosso, mesmo separado apenas por momentos. 


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DISCO TRANSISTOR


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