segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Um fresco Plantasia num abafado Musicbox


Os músicos portugueses Bruno Pernadas e Moullinex estiveram no Musicbox Lisboa a reinterpretar o álbum de culto Plantasia de Mort Garson, numa sala completamente esgotada. Entre músicas com o cunho mais pessoal dos artistas e outras mais pegadas ao material original, a Threshold Magazine conta como foi o concerto.

Quando no distante ano de 1976, na cidade de Los Angeles, Mort Garson compôs Plantasia, álbum escrito para plantas e para as pessoas que as amam, duvidamos que ele alguma vez imaginasse que a sua criação, 40 anos depois, se tornasse um sucesso de culto, chegasse a uma nova geração devido ao algoritmo do Youtube ou sequer que ele fosse reinterpretado por dois artistas portugueses numa das salas de concertos mais famosas de Lisboa.

Esta reinvenção surge dos cérebros e das mãos de Bruno Pernadas e Moullinex (assim como Diogo Sousa, bateria, Guilherme Salgueiro, teclados, e Diogo Duque, instrumentos de sopro) que, desafiados por Pedro Azevedo, programador do Jameson Urban Routes, estiveram no Musicbox, em Lisboa, no passado dia 25 de outubro, a tocar Plantasia de inicio ao fim, respeitando as melodias criadas por Mort enquanto lhe ofereciam o seu toque pessoal.


Com o palco adornado por diversas plantas (ouvi dizer, a sala estava tão cheia que mal dava para ver os músicos quanto mais a decoração do palco), Bruno Pernadas e Moullinex encontravam-se na primeira linha, o primeiro munido com um sintetizador e o segundo, para além deste instrumento, ainda com um baixo a acompanhar, não se coibiram de mostrar a sua nova versão destas músicas. 
"Plantasia", faixa que abre o álbum, é tocada com mais pujança, fruto da bateria de Diogo Sousa e das icónicas melodias tocadas por sintetizador serem substituídas pelo trompete de Diogo Duque (que ainda deu uma perninha na flauta transversal em músicas como "Symphony for a Spider Plant"). 

Partindo da eletrónica easy listening do álbum, os músicos exploraram as suas possibilidades e desconstruíram as músicas a seu bel-prazer, dando um toque de bossa-nova a "Swingin’ Spathiphyllums", uma piscadela de olhos a Kraftwerk em "Ode to an African Violet" ou com improvisações com raízes no jazz ou potenciadas pelos efeitos dos teclados. Uma execução irrepreensível, apesar de por vezes demasiado apegada ao material de origem, especialmente nas últimas faixas, onde deixaram repousar os loucos ritmos em detrimento de sons mais ambient, deixando o público (que de início se apresentava bastante efusivo e a cantar as belas melodias) num estado mais vegetativo (ba dum tss).


Por falar em “cantar as belas melodias”, não se ouviu nem uma, nem duas vezes alguém no meio da audiência a mandar os mais irrequietos e conversadores calarem-se. Por várias vezes passou-me pela cabeça quão mais interessante tinha sido ouvir este concerto sentado e numa sala mais íntima e com melhores condições acústicas, como por exemplo, a Culturgest. No entanto, é de louvar o esforço e a visão do Jameson Urban Routes e da Musicbox ao organizar este concerto e por ter estes dois músicos maravilhosos a interpretarem músicos que grande parte das pessoas nesta sala, provavelmente, nunca pensaram conseguir ouvir ao vivo.

Texto: Hugo Geada
Fotografia: Ana Viotti

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terça-feira, 8 de outubro de 2019

STREAM: Angélica Salvi - Phantone


A harpista Angélica V. Salvi lançou hoje Phantone, o seu longa duração de estreia que conta com a assinatura da Lovers & Lollypops. O disco foi anunciado no mês passado através dum teaser videográfico gravado por Frederico Lobo no Mosteiro de Rendufe no âmbito do Encontrarte de Amares – o qual contém parte do tema "Solidago" –  e foi já apresentado  no passado dia 5 no Out.FestBarreiro. No dia 24 deste mês, Salvi irá estrear-se na sessão 3 das Jameson Urban Routes que terão lugar no Musicbox em Lisboa – uma noite que irá partilhar com a norte-americana Kelsey Lu (bilhetes a 12€ e mais informações aqui) regressando no dia 30 ao Porto para uma sessão intimista na St. James Anglican Church que contará com honras de abertura da performer e investigadora Ece Canli (bilhetes a 6€ e mais informações aqui).

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terça-feira, 30 de julho de 2019

Kelsey Lu e Bad Gyal entre as novas confirmações do Jameson Urban Routes



As sessões do Jameson Urban Routes estão de regresso ao Cais do Sodré. A organização do evento, que volta a ter o Musicbox como palco de eleição, anunciou hoje mais 3 sessões, com Kelsey Lu, Bad Gyal, Karol Conka e Chong Kwong entre os novos atos confirmados.

A protagonizar a segunda sessão do festival, dia 24 de outubro, estará a cantora-compositora e violoncelista norte-americana Kelsey Lu, que depois de uma poderosa mas discreta atuação no festival NOS Primavera Sound, em 2017, regressa ao país para apresentar o seu primeiro disco de longa-duração. Blood, editado pela Columbia Records em abril último, recebeu co-produção de SkrillexJamie xx e Adrian Younge, e destaca-se pelo arrojo e requinte com que a americana se atira aos terrenos híbridos da pop mais artística.


Alba Farelo é Bad Gyal, voz maior de uma nova onda trap que avassala as ruas da Catalunha. Depois de atingir mediatismo internacional com "Pai", uma adaptação em catalão de "Work", de Rihanna, Bad Gyal armou-se de um batalhão estelar de produtores para a construção de duas das mais incendiárias mixtapes dos últimos três anos. Slow Wine, de 2016, e o mais recente Worldwide Angel, de 2018, receberam produção de El Guincho, Jam City e Dubble Dutch, e afirmaram a catalã como embaixadora do neoperreo, uma nova vertente do reggaeton. A atuação no Jameson Urban Routes, dia 25 de outubro, marcará a sua estreia na capital portuguesa.

Karol Conka e Chong Kwong partilham a a sessão de dia 26. A primeira é Karoline dos Santos Oliveira, rapper, cantora e compositora brasileira que é também atriz, modelo e produtora. Ambulante é o mais recente álbum da natural de Curitiba, e sucede o excelente disco de estreia de 2013, Batuk Freak. Chong Kwong é o projecto a solo de Vanessa Pires, rapper que integrou a formação da La Dupla entre 2003 e 2011 e que deu término a um silêncio artístico de oito anos com o single homónimo de apresentação “Chong Kwong”.


Já anunciados para a 13ª edição do Jameson Urban Routes estavam  Bruno Pernadas e Moullinex, que a convite do festival irão interpretar Plantasia,  obra essencial do músico e compositor canadiano Mort Garson, os brasileiros Carne Doce, o coletivo sem-fronteiras Altin Gün e o cantor-compositor português Bruno de Seda.

O James Urban Routes realiza-se de 22 a 26 de outubro. O preço dos bilhetes varia entre os 12 e os 15 euros e já se encontram disponíveis em bol.pt e locais habituais. 

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terça-feira, 6 de novembro de 2018

O arrepio na pele de Iceage [Jameson Urban Routes - Musicbox, Lisboa]


Os dinamarqueses Iceage regressaram a Portugal depois de uma ausência de três anos para apresentar o novo disco Beyondless no Musicbox Lisboa.

Observar Elias Bender Rønnenfelt em cima de palco é uma visão incrível. O imprevisível vocalista brada a plenos pulmões a letra de “Hurrah”, primeira faixa do mais recente álbum Beyondless, enquanto os fãs gritam de volta para o dinamarquês e nem se apercebem que o microfone falhou mesmo antes de chegar ao refrão. Este caos foi uma boa amostra do turbilhão que se gerou dentro do Musicbox.

Os Iceage apresentaram-se em palco (para além dos tradicionais instrumentos de uma banda rock) com um violinista, que também tocava teclado, e um saxofonista. Esta nova formação pretendia emular os novos sons inseridos no mais recente álbum do conjunto, que continuou a evolução sonora de Plowing into the Field of Love. Se os primeiros álbuns idolatravam o punk hardcore de, por exemplo, Black Flag, nestes dois últimos álbuns o post-punk ganhou cada vez mais terreno.

As orquestrações conferem uns contornos que se podem encontrar no trabalho de Nick Cave & the Bad Seeds, contudo a mistura de som não ajudou muito a esta nova vida, uma vez que lá enterraram o violino e o saxofone. Os problemas no som não evitaram que os fãs deixassem de sentir as emoções à flor da pele e que entregassem todas as suas energias à banda. Ninguém se pareceu importar quando Elias cantou “Pain Killer” sem a ajuda da sua companheira Sky Ferreira, que participa na versão em estúdio.  Os fãs continuam com o mesmo nível de devoção e com os mesmos olhos esbugalhados que apresentaram no Vodafone Paredes de Coura 2015, e com o mesmo nível de excitação quando a banda rasga os acordes country punk de “The Lord’s Favorite”.


Se a banda regressava a Portugal três anos após o concerto atrás referido, a última visita de Elias tinha sido com os seus Marching Church em fevereiro de 2016, contudo a performance teatral e a energia fria continua toda lá, assim como o olhar de psicopata adolescente. As letras continuam cantadas com o mesmo niilismo de quem se está a borrifar para o que as pessoas pensam e a tensão do público com medo de levar um pontapé no telemóvel faz com que ninguém os ouse levantar nas filas da frente. Algumas músicas são mais arrastadas, como “Catch It”, outras são mais explosivas, “The Day That Music Dies”, que retirou inúmeras comparações aos The Stooges.

Como já têm habituado os espetadores, a interação durante o concerto foi nula (mas para que é que é necessário interação quando temos o homem a suar e a berrar em cima de nós o concerto todo?), dizendo apenas adeus quando abandonou o palco pela primeira vez. O público teve direito a um encore emocional com a faixa homónima do álbum anterior, “Plowing into the Fields of Love” e no fim ainda ouviram um segundo “adeus” com sotaque escandinavo.

A banda encarregue de abrir o concerto foi o trio punk rock das Caldas da Rainha, Palmers.


Texto: Hugo Geada
Fotografia: Ana Viotti

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quarta-feira, 17 de outubro de 2018

A dias do reencontro com os Iceage


Encontrámo-nos a poucos dias do reencontro com o quarteto dinamarquês Iceage, que regressa a Portugal este mês para dois concertos em nome próprio. A banda de Elias Bender Rønnenfelt traz na bagagem o quarto e mais recente disco de longa-duração, Beyondless, que deverá servir como mote de apresentação para os concertos a decorrer dias 26 e 27 de outubro, no Hard Club (Porto) e Musicbox (Lisboa), respetivamente.

Ativos desde 2008, a banda dinamarquesa tem vindo a percorrer um sempre promissor e curioso percurso, onde a inovação e a exploração de novas linguagens se assumem como principais premissas. Do nervosismo juvenil e impetuoso de New Brigade (2011) à fúria e irreverência post-punk de You're Nothing (2013), passando pela languidão sôfrega e perturbada de Plowing Into the Field of Love (2014), segue-se elegância e requinte de Beyondless (2018), o terceiro registo da banda sob a chancela da Matador. Mais poético, vivo e apaixonante, Beyondless revela-se como o trabalho mais claro e bem conseguido dos dinamarqueses, uma obra peculiar que promete ganhar nova vida quando apresentada ao vivo.



O preço dos bilhetes para o concerto no Porto, com abertura dos portuenses Terebentina, é de 17 euros. Em Lisboa, o concerto encontra-se inserido na programação do Jameson Urban Routes, que regressa ao Musicbox para cinco dias de concertos, sendo que a sessão de dia 27 possui o custo de 22 euros.

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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Mão Morta e Author & Punisher confirmados no Jameson Urban Routes


Já nem dá para contar pelas mãos o número de edições a que chegou o Jameson Urban Routes. A caminhar para a sua 12ª edição, o festival que decorre no Musicbox Lisboa de 23 a 27 de outubro anunciou a atuação dos Mão Morta e do one man band americano Author & Punisher para a segunda sessão, que ocorre no dia 24 de outubro.

A banda lendária de Braga irá apresentar temas do seus novo disco, enquanto Author & Punisher, projeto do engenheiro mecânico Tristan Shone que, com os seus conhecimentos científicos, construiu instrumentos musicais personalizados e deu ao termo “industrial” um novo significado, irá apresentar o seu sétimo trabalho de estúdio com edição marcada para outubro pela mão da Relapse Records

Os bilhetes para esta sessão têm um custo de 15€ e já se encontram disponíveis para venda em bol.pt e nos locais habituais. Estes dois nomes juntam-se aos já confirmados Damien Jurado (23/Out) e Sean Riley (23/Out), e Iceage (27/Out).

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quinta-feira, 22 de março de 2018

Iceage de regresso a Portugal em outubro


Os Iceage atuam no país, pela primeira vez em nome próprio, em outubro para dois concertos inseridos na tour de promoção do novo disco da banda, Beyondless, que está cá fora no próximo dia 4 de maio pelo selo Matador Records. Os concertos estão marcados para os dias 26 e 27 de outubro, no Hard Club, Porto (sob a chancela da At The Rollercoaster), e no Musicbox, Lisboa (inserido nas sessões do Jameson Urban Routes), respetivamente. A banda regressa a Portugal três anos depois da passagem pelo Vodafone Paredes de Coura, em 2015.

Beyondless, o quarto disco de estúdio mostra os Iceage a explorar novos territórios sonoros, mantendo o rico caráter dos começos impetuosos da banda. Desde New Brigade (2011), um álbum que assume um punk delinquente e juvenil, cheio de condenação fria e distante, a You're Nothing (2013) com a voz de Elias ainda pouco incisiva, seguiu-se Plowing Into The Field Of Love (2014), que os levou a conquistar uma posição muito acarinhada pelos mais diversos tipos de público a nível mundial. Agora com Beyondless, há espaço para uma produção de luxo que poderá ser disfrutada ao vivo em outubro.

O preço dos bilhetes para o concerto no Porto é de 17 euros. Estes encontram-se disponíveis em bol.pt, Fnac, Worten, CTT, e El Corte Inglês. Em Lisboa, o preço dos ingressos possui o custo de 22 euros, podendo ser adquiridos aqui.


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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Esta semana: Black Bombaim e Peter Brötzmann juntam forças para o derradeiro confronto

©Shhpuma
O power trio psicadélico português Black Bombaim possui já um curioso histórico com artistas da esfera jazz. Em 2012, fascinados com os arranjos experimentais e free jazz presentes em Funhouse dos The Stooges, convidaram o já falecido saxofonista Steve Mackay para contribuir num dos colossais temas de Titans, o terceiro disco da banda proveniente de Barcelos. Em 2014, com o lançamento de Far Out, juntam-se ao aclamado saxofonista português Rodrigo Amado. Em 2016, inserido na programação do último festival Rescaldo que decorreu na garagem da Culturgest, no Porto, juntaram-se pela primeira vez ao saxofonista alemão e lenda do free jazz europeu Peter Brötzmann  para um épico concerto. 

A convivência entre estas duas forças tão díspares a nível musical como geracional viria resultar num magnífico disco colaborativo. Editado no mesmo ano nos estúdios Sá da Bandeira, Black Bombaim & Peter Brötzmann recebeu reviews muito positivas pela crítica nacional e internacional, colocando em confronto a força do trio barcelense com o tornado que é Peter Brotzmann e o seu saxofone, que desde os anos 60 se destacou com um dos praticantes mais marcantes e influentes da escola free jazz europeia, contando no seu repertório com uma infinidade de colaborações e aclamados discos como Machine Gun (1968) Schwarzwaldfahrt (1977).

Dias 25 e 26 de outubro, no Jameson URBAN Routes e Passos Manuel, respetivamente, Black Bombaim e Peter Brötzmann aliam-se pela última vez para dois concertos obrigatórios com curadoria Lovers & Lollypops. Em Lisboa, os bilhetes para a sessão do JUR possuem o custo de 15 euros (comprar aqui) e a primeira parte fica assegurada pelos SCÚRO FITCHÁDU. No Passos Manuel os bilhetes ainda se encontram disponíveis online ao preço de 12 euros, subindo à porta para os 15 euros. A primeira parte fica a cargo do duo Paisiel.


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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Black Bombaim dão último concerto com Peter Brötzmann no Passos Manuel


As últimas atuações dos portentos doom psicadélico portugueses Black Bombaim ao lado do  saxofonista alemão e lenda do free jazz europeu Peter Brötzmann encontram-se marcadas para o final de outubro. A primeira encontra-se inserida na programação do Jameson Urban Routes e está marcada para o dia 25 de outubro no Musicbox, em Lisboa. A acrescentar a esta data previamente anunciada junta-se uma última atuação a decorrer no Porto, onde atuaram juntos pela primeira vez em 2016 na Culturgest. Agora, para findar a última atuação ao vivo desta colaboração muito especial, Black Bombain e Peter Brötzmann aliam forças mais uma vez na Invicta, desta vez com um concerto a decorrer na sala do Passos Manuel, no dia 26 de outubro. 

Em 2016, estas duas forças tão díspares tanto a nível musical como geracional juntaram-se para um incrível disco que veio a receber excelentes críticas pelo media nacional e internacional, uma colaboração que junta a força dos riffs da banda portuguesa ao hipnótico e sempre experimental saxofone de Peter Brötzmann, cuja carreira remete para o final dos anos 60. Com uma infinidade de discos e colaborações, Peter Brötzmann destaca-se pelo seu caráter único e vanguardista e pelo uso exímio do saxofone nas suas composições.


Os bilhetes para o concerto do Porto recebem o selo da Lover & Lollypops e encontram-se disponíveis ao preço de pré-venda por 12 euros (comprar aqui). À porta, passarão ao custo de 15 euros. A primeira parte estará a cargo dos Paisiel.

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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Austra e Surma nas novas confirmações do Jameson Urban Routes


O Jameson Urban Routes regressa este ano de 24 a 28 de outubro para a sua 11ª edição. Ao todo serão cinco dias, 13 sessões, 26 projetos musicais e 34 horas de música que exploram e dão a conhecer algumas das tendências globais, com o objetivo de fazer futurologia.

Na semana passada foram acrescentados novos nomes ao cartaz. Austra, Surma, DA CHICK e XINOBI juntam-se ao já anunciados ActressBlack Bombaim com Peter BrötzmannO TernoYou Can't Win Charlie BrownScúru Fitchádu e os históricos dinamarqueses Laid Back.

Os billhetes para os concertos já divulgados podem ser adquiridos na bilheteira online. A programação completa e os preços respetivos para as sessões assinaladas podem ser consultados abaixo.



PROGRAMAÇÃO CONFIRMADA

Quarta-Feira – 25 Outubro
SESSÃO 2 | 21h30 - 00h00
Black Bombaim & Peter Brötzmann
Scúru Fitchádu

SESSÃO 3 | 00h30 – 03h00
Actress - Apresentação disco AZD
Caroline Lethô
Bilhete sessão: 15€
Passe diário (todas as sessões de quarta-feira): 25,00€

Quinta-Feira – 26 Outubro
SESSÃO 5 | 21h30 – 00H00
You Can't Win Charlie Brown
O Terno
Bilhete sessão: 12€

SESSÃO 6 | 00h30 – 03h00
Captain Casablanca
Laid Back
Bilhete sessão: 15€
Passe diário (todas as sessões de quinta-feira): 22,00€

Sexta-Feira – 27 Outubro
SESSÃO 7 | 03h00
XINOBI feat DA CHICK
Sem informação de preço

Sábado – 28 Outubro
SESSÃO 11 | 21h30 – 00H00
Surma
Austra
Bilhete sessão: 12€

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quinta-feira, 20 de julho de 2017

Já são conhecidos os primeiros nomes do Jameson Urban Routes 2017


O Jameson Urban Routes regressa este ano de 24 a 28 de outubro para a sua 11ª edição e já são conhecidos os primeiros nomes a integrar o cartaz. Ao todo serão cinco dias, 13 sessões, 26 projetos musicais e 34 horas de música que exploram e dão a conhecer algumas das tendências globais, com o objetivo de fazer futurologia.

Em destaque nesta edição fica, para já, a estreia dos históricos dinamarqueses Laid Back em território português, que desde 1981 lançam discos carregados de êxitos e procuram por um concerto em Portugal. O Jameson Urban Routes testemunha ainda a união em palco de Black Bombaim com Peter Brötzmann, a apresentação do novo disco AZD de Actress e o regresso ao Musicbox de O Terno e You Can't Win Charlie Brown e dos Scúru Fitchádu

Os billhetes para os concertos já divulgados podem ser adquiridos na bilheteira online. A programação completa e os preços respetivos para as sessões assinaladas podem ser consultados abaixo. 



PROGRAMAÇÃO CONFIRMADA

Quarta-Feira – 25 Outubro
SESSÃO 2 | 21h30 - 00h00
Black Bombaim & Peter Brötzmann
Scúru Fitchádu
Bilhete por sessão: 15€
Passe diário (todas as sessões de quarta-feira): 25,00€

SESSÃO 3 | 00h30 – 03h00
Actress - Apresentação disco AZD
Caroline Lethô
Bilhete sessão: 15€
Passe diário (todas as sessões de quarta-feira): 25,00€

Quinta-Feira – 26 Outubro
SESSÃO 5 | 21h30 – 00H00
You Can't Win Charlie Brown
O Terno
Bilhete sessão: 12€
Passe diário (todas as sessões de quinta-feira): 22,00€

SESSÃO 6 | 00h30 – 03h00
Captain Casablanca
Laid Back
Bilhete sessão: 15€
Passe diário (todas as sessões de quinta-feira): 22,00€

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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Reportagem: Liima + Vives Les Cônes [Jameson Urban Routes 2016, Musicbox - Lisboa]


O último dia do Jameson Urban Routes chegou e o cansaço de uma semana inteira a visitar o Musicbox já era visível. Mas, lá no fundo, ainda tínhamos alguma energia extra para aproveitar este dia gratuito do evento. Às 20h20 entraram em palco os Liima, quarteto que resultou da cooperação entre o percursionista Tatu Rönkkö e os dinamarqueses Efterklang. Inicialmente uma colaboração temporária, em 2014, para o festival Our Festival (Helsínquia), acabou por se tornar numa banda "permanente". 

Tal como a sua banda antecessora, focam-se sobretudo na vertente mais experimental da música, misturando pop com muita eletrónica e post-rock. Editaram em março deste ano o álbum de estreia II, escrito parcialmente numa residência artística na ilha da Madeira. A 30 de outubro regressaram ao nosso país, depois de uma passagem por Viseu em julho.

Apesar de sala estar só a metade, o concerto dos Liima teve uma excelente resposta por parte do público, talvez até um pouco exagerada. Houve algum moche, crowdsurf e o comboínho típico dos bailes populares. Gritou-se “Liima” a plenos pulmões como se estivéssemos a apoiar o nosso clube de futebol.

Setlist:
Life is D.
People Like You
Trains in the Dark
Russians
Woods
Kirby
The Shining
2-hearted
Roger Waters
Black Beach
Amerika
1982


Vive Les Cônes fizeram as honras de encerrar a décima edição do Jameson Urban Routes. Foi bonito o fim desta edição, a qual nos brindou com grandes surpresas como as excelentes atuações de The Comet is Coming e Mykki Blanco; a prova de que o post-rock é mais que guitarras com os 65daysofstatic; a estranheza atrativa de Cate Le Bon e o microhouse de facetas orientais de Gold Panda. As expectativas para a 11ª edição estão bem altas, só esperamos sair no final do Musicbox com a mesma cara alegre e satisfeita que esta semana de loucos nos proporcionou.

Liima @ Jameson Urban Routes 2016

Texto e fotografia: Rui Gameiro

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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Reportagem: Cate Le Bon + Mykki Blanco + Lonnie Holley [Jameson Urban Routes, Musicbox - Lisboa]


O dia mais longo do Jameson Urban Routes começou logo pelo calor da tarde com concertos de Manel Lourenço e o seu projeto Primeira Dama, e o profeta e xamã Lonnie Holley. Para a noite ficaram reservados Cate Le Bon e Mykki Blanco.

Chegámos à sala já um pouco atrasados e infelizmente perdemos a atuação de Primeira Dama. Por volta das 17h30, Lonnie Holley subiu sozinho ao palco, não sem antes ser feita um pequena introdução com a história de vida do artista. As suas performances são únicas e as músicas são totalmente improvisadas e originais. Lonnie nunca dá dois concertos iguais. E este foi o caso.


A plateia assistiu ao concerto confortávelmente sentada, talvez para ajudar a interiozar a música transcendente de Lonnie Holley. O silêncio reinava entre as músicas, havendo respeito máximo pelo senhor em palco. A certa altura Lonnie confessou-nos que parecia estar numa sala de aula em que ele era o professor e nós os alunos, muito calados e atentos. A meio do concerto, o poeta afirmou que o Musicbox era um lugar estranho para atuar pois localiza-se debaixo de uma ponte, local onde Lonnie chegou a viver durante a sua longa vida.

Durante o concerto foram sendo abordadas temáticas como a comunhão com a natureza (thumbs up for mother nature), a família e a tecnologia a que estamos sujeitos. No final, Lonnie agradeceu ao público pelo respeito demonstrado ao longo da atuação e aconselhou-nos de que o mundo precisa de emoções e que elas venham ao de cima. 


Fomos jantar ali pelo Cais e às 21h30 regressámos ao Musicbox. Em palco já estavam os Mendrugo, banda espanhola cujo significado é "pedaço de merda", segundo os próprios. O trio de folk experimental do qual fazem parte Josephine Foster, o seu marido Víctor Herrero e o irmão deste último, José Luís, editou no passado mês de julho o seu primeiro álbum More Amor. Em palco fizeram-se acompanhar por mais dois membros, um na percussão e outro apenas com a função de animar o público.

Tratou-se de um concerto surreal e ao mesmo tempo cómico, em que se falou de Fátima e religião. Cantaram temas como "Estrella Fugaz" e "Emboniga", a qual mereceu tradução por um dos membros da banda que sabia falar português. Embonigar é portanto empoiar, estrumar. Com "Macho Y Hembra", Víctor afirmou que a natureza tinha feito um belo trabalho no público e incitou-o à reprodução. Recomendou-nos que no seu próximo concerto em Portugal trouxessemos os filhos que iriamos reproduzir nesta noite.

Isto aconteceu mesmo?! Ainda não sabemos.


Já passavam 20 minutos das 23h quando Cate Le Bon e a sua banda subiram ao palco. Na segunda visita a Portugal em 2016 (passagem pelo NOS Primavera Sound), a galesa veio apresentar Crab Day, álbum editado em abril. Esperava-se um concerto mais animado que o Porto, e assim o foi. Acompanhada em palco por Sweet Baboo no baixo, por um baterista e teclista cujos nomes não conseguimos anotar, Cate apresentou as suas canções pop experimentais e psicadélicas. Ao vivo fazem muito mais sentido, e apesar da sua estranheza, conseguem agarrar-nos logo de início.

Influenciada por Syd Barrett, John Cale e Modern Lovers, Crab Day resulta do imaginário de uma criança, da sobrinha de Cate. A sua voz consegue ao mesmo tempo transbordar de melodia e beleza, carregando sempre um peso sinistro e apavorante, o que torna o seu estilo tão singular. As músicas que mais se destacaram ao longo desta hora de concerto foram a desconcertante "Wonderful", o tema título deste novo trabalho que começa com a enigmática frase "It doesn't pay to sing your songs"; "What's not mine" finalizou da melhor maneira possível o concerto. 

Saímos de lá a cantar "Wonderful, wonderful, wonderful...!".


O horário de inverno entrou em vigor mas não foi por isso que a noite foi menos escaldante. Mykki Blanco apareceu em palco às 1h30 e ofereceu alguns morangos aos seus fãs que se situavam nas primeiras filas. Minutos após começou um dos concertos mais exuberantes que já vimos. 


Mykki  Blanco é um artista de todo um calibre diferente para a cena do hip-hop que cada vez mais se torna num marco de influência sónica para artistas em crescimento. Editou este ano o seu primeiro álbum de estúdio, Mykki ,que junta à já sua veia experimental e avant-garde os sons de Woodkid, Jean Deaux e Jeremiah Meece.  Em Mykki podemos encontrar uma história de identidade gerada e centrifugada muito à volta do conceito de genderfluídez, na rejeição social do que é estar na sua pele e o empoderamento de toda a sua interseccionalidade.

Com Bambii a tratar dos beats, Mykki mostrou que é um verdadeiro "animal" no seus concertos, subindo para cima tanto da mesa de mistura como do bar do Musicbox. "Rappou" no meio do público, criando uma espécie de comunhão. Houve até um momento em que pegou num pequeno colchão e começou a criar o caos total, batendo em várias pessoas. Foi um performance de loucos, sim senhor.

Cate Le Bon + Mykki Blanco + Lonnie Holley + Mendrugo @ Jameson Urban Routes 2016

Texto e Fotografia: Rui Gameiro

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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Reportagem: The Comet is Coming + Sensible Soccers [Jameson Urban Routes, Musicbox - Lisboa]


O fim-de-semana tinha chegado e o Jameson Urban Routes iria ficar connosco até domingo. Mas só para aqueles que compraram bilhetes a tempo e horas pois a sessão esgotou uns minutos antes. A primeira banda da noite foram os Sensible Soccers, trio de Vila do Conde composto por Manuel Justo, Filipe Azevedo e Hugo Gomes, a quem se juntou André Simão, responsável pelos ritmos do baixo e da drum machine.

A banda entrou em palco por volta das 21h30 e, sem demoras, deram início ao concerto com "Clausura", música calma e introspectiva, carregada de sintetizadores hipnóticos. Depois de um momento mais relaxado, surgiu o tema título do novo disco editado em março, Villa Soledade. A sala estava cheia e os corpos já balançavam. Em palco estava uma das bandas nacionais mais querida pelo público. "Bolissol" soltou-o ainda mais, com as pernas e as ancas a quererem ganhar vida própria. Visitámos terrenos mais africanos e gingões com "Nunca  Mais Me Esquece”.


Ok, já estávamos bem oleados e prontos para não parar. Eis que surge a épica "AFG", do igualmente épico 8, álbum editado em 2014. O ritmo já estava tão elevado que só se podia seguir a frenética "Shampom", coroando esta atuação como gloriosa. Estes rapazes esgotam a ZDB, esgotam o Musicbox. São um caso de amor para o público nacional. Infelizmente não houve encore, mas ocasiões não faltarão para os vermos por aí.


Depois de já estarmos bem quentinhos, eis que surgem os The Comet is Coming. Formados em Londres em 2013, descrevem-se como uma banda de Apocalyptic Space Funk. São Danalogue The Conqueror (sintetizadores), Betamax Killer (bateria) e King Shabaka (Sons Of Kemet, Melt Yourself Down) (Saxofone). Trouxeram consigo na bagagem Channel the Spirits, disco editado em 2016 que esteve nomeado para o Mercury Music Prize, no meio nomes como os conceituados David Bowie e Radiohead. Este trio funde o nu jazz, afrobeat, eletronica, space rock e neo-psicadelismo num improviso intergaláctico. Fortemente influenciados por Sun Ra (não fosse Shabaka membro ocasional dos Arkestra – ensemble de Sun Ra que ainda resiste 20 anos após a sua morte) são exploratórios e futuristas, levando o jazz até às pistas de dança. 





Já passavam das 23h quando levantámos voo em direção ao espaço sideral e ao infinito. Uma espécie de Ladies and Gentlemen, We Are Floating In Space. Em palco estava King Shabaka, descalço, com o seu saxofone frenético, mas melódico, com direito a solos constantes; Danalogue, muitas vezes de braços no ar e meio tresloucado, responsável pela eletrónica exuberante e pela segunda linha de percussão bem distorcida. Betamax completava este trio com a excelente capacidade de percussão jazzística. Estavam reunidas todas as condições para fazermos uma viagem segura até à Terra. Preparem-se para o Impacto.

“Space Carnival” , “Neon Baby” e “Do The Milky Way” foram os temas mais que mais destacaram ao longo desta intensa hora de concerto que ainda teve direito a encore. Houve um momento caricato em que tanto Shabaka como Danalogue se puseram a dançar em torno da bateria, como se estivessem a evocar espíritos. Todos os que estavam presentes na sala dançaram como se o fim do mundo estivesse ali ao virar da esquina. Há quem até tenha tido que mais parecia que estávamos numa rave underground dos anos 90 no Reino Unido. Ou seja, Techno Jazz!

Conclusão: foi só o melhor concerto do Jameson Urban Routes!


The Comet is Coming + Sensible Soccers @ Jameson Urban Routes 2016

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Daniel Pato

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domingo, 6 de novembro de 2016

Reportagem: 65daysofstatic + Thought Forms + Teebs [Jameson Urban Routes, Musicbox - Lisboa]


As noites continuavam quentes pela capital e nós estavamos entusiasmados com os concertos que se avizinhavam no Jameson Urban Routes. Nós e muito mais gente, dado que o Musicbox se encontrava bem apinhado.

Chegámos por volta das 21h35 e já se encontravam em palco os britânicos Thought Forms. A banda oriunda de Bristol veio até terras lusas inserida na tour europeia dos 65daysofstatic apresentar o seu terceiro longa duração Songs About Drowning, editado nos primeiros dias de Novembro. Neste novo trabalho a banda contou com um quarto elemento, Jim Barr, baixista dos Portishead, com quem andaram em tour pela Europa e América do Norte em 2011. Jim foi também o produtor de Songs About Drowning,  sendo responsável por uma mudança na sonoridade do trio. Tornaram-se mais atmosféricos e hipnóticos, deixando de lado o som mais cru e distorcido do shoegaze.

Sendo caracterizados pela sua lenta progressão sónica, os Thought Forms presentearam-nos ao vivo com um som bem agressivo, riffs que pesam toneladas nos nossos ouvidos, característicos do stoner ou mesmo do doom, e muita distorção. Na segunda música, um baixista juntou-se à banda e a experimentação subiu para o nível de uns Sonic Youth. A bateria violenta, os riffs lentos de guitarra e a voz imaculada de Charlie puseram num estado de transe do qual não queriamos sair tão cedo. Em "The Lake" a sonoridade tornou-se mais espacial com riffs harmoniosos a lembrar uns Pink Floyd.


No final do concerto a banda que visitou Lisboa pela primeira vez agradeceu ao público, ao Jameson e aos 65daysofstatic. Em meia hora interpretaram de modo exímio quatro temas, mas isso soube a muito pouco. Exigimos o regresso de Charlie Romijn, Deej Dhariwal e Guy Metcalfe num futuro próximo.

Pouco passava das 22h30 quando o quarteto inglês 65daysofstatic aterrou no Musicbox. Donos de uma sonoridade que junta o pós-rock à música electrónica, gostam de inovar dentro do género e recorrer a drum machines e sintetizadores. O concerto começou com "Monolith". E que forma épica de iniciar esta viagem espacial!

A faixa de abertura da banda sonora do videojogo No Man’s Sky destacou-se pela forte presença dos sintetizadores etéreos e pela percussão tribal. Continuando na senda espacial, "Asimov" foi o tema que se seguiu, com a sua bateria ritmada a querer sugar-nos para uma espécie de limbo. A banda começou o concerto da melhor maneira possível, conquistando logo ali o público.



Dando continuidade às músicas com forte componente eletrónica, chega a "Prisms" de Wild Light (2013). Com uma introdução ao jeito do experimentalismo eletrónico dos Health, este foi outro dos temas que demonstrou a força brutal dos 65daysofstatic em palco. "Install a Beak in the Heart That Clucks Time in Arabic" trouxe-nos à memória um dos álbuns mais conhecidos da banda, The Fall of Math (2004). Agora num registo mais sereno, o piano juntou-se as guitarras e ao baixo, para um tema mais virado para o post rock genérico. "Undertown", num registo mais etéreo, e "I Swallowed Hard, Like I Understood" foram os temas que se seguiram. Sempre muito simpáticos no final de cada música com os habituais "Cheers" e "Thank You", Joe Shrewsbury contou-nos que já tinha estado em Portugal há 10 anos atrás mas que não tinha sido tão emocionante como esta noite.

O concerto foi prosseguindo, focando-se essencialmente em temas de Wild Light e da banda sonora de No Man's Sky, como "Sleepwalk City", "Wild Light", "Supermoon"e "Helio". Houve também tempo para One Time for All Time (2005) entrar em cena com a música "Radio Protector". Joe arregalava os olhos para poder acreditar na reação apoteótica do público à atuação da sua banda, desfazendo-se em obrigados. "Safe Passage" deu por terminada a primeira parte do concerto mas o público pediu por mais e teve direito a mais. 



A banda presenteou-nos com um encore de duas músicas, "Crash Tactics", de We Were Exploding Anyway (2010) e o clássico "Retreat! Retreat!" de The Fall of Math. Ao todo foi uma hora e meia em que não faltaram crescendos épicos e atmosferas calmas e espaciais. Uma das grandes atuações deste 10º aniversário do Jameson Urban Routes.

A noite já ia longa mas não iamos perder por nada deste mundo a passagem de Teebs pela sala lisboeta. Teebs é Mtendere Mandowa, pintor e produtor musical que atualmente se encontra inscrito nos rosters da Brainfeeder e da Ninja Tune — duas das instituições mais reputadas da IDM atual. A sua sonoridade é um pastiche composto por várias camadas. Camadas sonoras que oscilam entre os universos do hip hop típicos da Brainfeeder e a eletrónica ambiente e sonhadora, com espaço suficiente entre elas para deixar entrar o sol e a cor. 


As texturas que utiliza transportam-nos para paisagens distantes, onde a instrumentação tem o papel de apaziguar as nossas ânsias (ou não fosse “Paz” o seu primeiro nome, quando o colocamos num tradutor do dialeto Chichewa) e não de nos inquietar. E depois de uma hora de música introspectiva e livre, sentimo-nos também em paz após Teebs ter terminado o seu set no Jameson Urban Routes. A melhor maneira para acabar este dia dedicado ao rock mais enérgico e espacial. 

65daysofstatic + Thought Forms + Teebs @ Jameson Urban Routes 2016

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: Daniela Oliveira

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