domingo, 9 de dezembro de 2018

Os melhores concertos de 2018


É tempo de voltar atrás… às cidades, às ruas e aos festivais onde fomos ver os melhores espetáculos deste quase posto 2018. O ano promoveu uma série de estreias em território nacional, os regressos aguardados de artistas como Nick Cave, Slowdive, Anna Von Hausswolf e ainda a presença sempre bem-vinda dos nossos portugueses HHY & The Macumbas, que se projetam a passos largos, à conquista dos palcos internacionais. Além dos palcos portugueses também viajámos fora até Milão, Paris e a Colónia para marcar presença em concertos que de outra forma não marcariam a lista dos nossos preferidos. 

Em matéria de festivais, para o grande público, o NOS Primavera Sound foi aquele que, em média, mais encheu as medidas dos colaboradores da Threshold, seguindo-se ainda o Vodafone Paredes de Coura e o NOS Alive. Na categoria dos festivais de nicho, destaque para o renovado Extramuralhas que se voltou a evidenciar pelos atos irrepreensíveis, o novo Elétrico que se afirmou como um dos festivais a ter em atenção nos próximos anos e ainda o mini festival de post-punk e minimal wave de Leiria, o Monitor. Foi um ano digno em memórias que agora recordamos em lista:


David Madeira 
1. Nick Cave & The Bad Seeds - NOS Primavera Sound
2. Slowdive - Hard Club, Porto
3. Anna von Hausswolff - Casa da Música, Porto
4. Emma Ruth Rundle - Passos Manuel, Porto
5. Circle - Milhões de Festa
6. Zeal & Ardor - NOS Primavera Sound
7. Nils Frahm - NOS Primavera Sound
8. Gazelle Twin - Milhões de Festa
9. Author & Punisher - Maus Hábitos, Porto
10. HHY & The Macumbas - Understage, Teatro Municipal do Porto - Rivoli

Edu Silva 
1. Nick Cave & The Bad Seeds - NOS Primavera Sound
2. Idles - Hard Club, Porto
3. HHY & The Macumbas - Understage, Teatro Municipal do Porto - Rivoli
4. Circuit des Yeux - Auditório de Espinho
5. The Cosmic Dead -Woodstock 69 Rock bar, Porto
6. METZ - Hard Club, Porto
7. Soft Moon - Hard Club, Porto
8. Mr. Fingers - Elétrico
9. Fire! - Serralves em Festa
10. The Jesus and Mary Chain - Casa da Música, Porto

Filipe Costa 
1. Bad Gyal - NOS Primavera Sound
2. Nick Cave & The Bad Seeds - NOS Primavera Sound
3. Big Thief - Vodafone Paredes de Coura
4. Khalil - ZDB, Lisboa
5. Sky H1 - Mucho Flow
6. Grouper - Semibreve
7. Mr. Fingers - Elétrico
8. Jasss - Jardins Efémeros
9. Gazelle Twin - Milhões de Festa
10. HHY & The Macumbas - Understage, Teatro Municipal do Porto - Rivoli

Francisco Lobo de Ávila
1. John Carpenter - Salle Playel,Paris
2. Nick Cave & The Bad Seeds - NOS Primavera Sound
3. The Flaming Lips - Alcatraz, Milão
4. Zeal & Ardor - NOS Primavera Sound
5. Peter Murphy - Fabrique, Milão
6. Oshun - Queima Das Fitas de Coimbra
7. Superorganism - Circolo Magnolia, Milão
8. Slowdive - Hard Club, Porto
9. Nine Inch Nails - NOS Alive
10. Donny Benet - GrETUA, Aveiro

Gil Simão 
1. Slowdive - LAV, Lisboa
2. Peter Murphy & David J - Ruby Tour, 40 anos de Bauhaus - LX Factory, Lisboa
3. Bizarra Locomotiva - Festa do Avante
4. The Soft Moon - RCA, Lisboa
5. Human League - Vilar de Mouros
6. Editors - Vilar de Mouros
7. King Dude -Sabotage Club, Lisboa
8. Sextile - Sabotage Club, Lisboa
9. Paulo Bragança - Festa do Avante
10. Autobahn - Monitor

Hugo Geada 
1. Earthless - Sonic Blast Moledo
2. Causa Sui - Sonic Blast Moledo
3. Mercury Rev - Lux Frágil, Lisboa
4. St. Germain - Neopop
5. Confidence Man - Vodafone Paredes de Coura
6. David Bruno - GrETUA, Aveiro
7. Arcade Fire - Vodafone Paredes de Coura
8. Jungle - Vodafone Paredes de Coura
9. King Gizzard and the Lizard Wizard - Vodafone Paredes de Coura
10. Spectrum - Musicbox, Lisboa

João Barata 
1. Nick Cave & The Bad Seeds - NOS Primavera Sound
2. Deafheaven - Essigfabrik, Colónia
3. Nine Inch Nails - NOS Alive
4. Fever Ray - NOS Primavera Sound
5. Voivod - Luxor, Colónia
6. Colour Haze - Hard Club, Porto
7. YOB - Gebäude 9, Colónia
8. Tyler, The Creator - NOS Primavera Sound
9. Between the Buried and Me - Live Music Hall, Colónia
10. Ulver - Extramuralhas

Miguel Silva 
1. Fields of the Nephilim - Hard Club, Porto
2. Heilung - Extramuralhas
3. Christian Death - Hard Club, Porto
4. Ulver - Extramuralhas
5. Bizarra Locomotiva - Extramuralhas
6. She Past Away - Stereogun, Leiria
7. Horskh - Extramuralhas
8. Shortparis - Extramuralhas
9. VNV Nation - Hard Club, Porto
10. L’An2000 - Stereogun, Leria

Rui Gameiro 
1. Nick Cave & The Bad Seeds - NOS Primavera Sound
2. Anna von Hausswolff - Convento de São Francisco, Coimbra
3. Friendly Fires - NOS Alive
4. Protomartyr - Musicbox, Lisboa
5. Slowdive - Hard Club, Porto
6. Vince Staples, NOS Primavera Sound
7. Yo La Tengo - NOS Alive
8. Nine Inch Nails - NOS Alive
9. Scúru Fitchadú - ZigurFest
10. Mercury Rev - Lux Frágil, Lisboa

Rui Santos
1. Nick Cave & The Bad Seeds - NOS Primavera Sound
2. Fleet Foxes - Vodafone Paredes de Coura
3. Confidence Man - Vodafone Paredes de Coura
4. Idles - Hard Club, Porto
5. Slowdive - Hard Club, Porto
6. Fever Ray - NOS Primavera Sound
7. Roger Waters - MEO Arena, Lisboa
8. Dead Combo/Mark Lanegan - Vodafone Paredes de Coura
9. Arcade Fire - Vodafone Paredes de Coura
10. Father John Misty - NOS Primavera Sound

Sónia Felizardo 
1. Shortparis - Extramuralhas
2. Fields Of The Nephilim - Hard Club, Porto
3. Rïcïnn - Extramuralhas
4. Ulver - Extramuralhas
5. Circuit des Yeux - Auditório de Espinho
6. Sextile - Hard Club, Porto
7. Slowdive - Hard Club, Porto
8. She Past Away - Stereogun, Leiria
9. Autobahn - Monitor
10. Second Still - Hard Club, Porto

Tiago Farinha
1. Animal Collective - Capitólio, Lisboa
2. Slowdive - Hard Club, Porto
3. Kikagaku Moyo - ZDB, Lisboa
4. Queens of the Stone Age - NOS Alive
5. Metz - Musicbox, Lisboa
6. Idles - LAV, Lisboa
7. Angel Olsen - Teatro da Trindade, Lisboa
8. Yo La Tengo - NOS Alive
9. Spectrum - Musicbox, Lisboa
10. A Place to Bury Strangers - RCA Club, Lisboa

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

[Review] John Carpenter - Lost Themes


John Carpenter // Sacred Bones // Janeiro de 2015
7.0/10

John Carpenter é um dos mais conhecidos realizadores da história do cinema, que se estreia a 100% na música agora, no ano de 2015, com o LP Lost Themes.
Para aqueles que não conhecem bem John Carpenter, começo por referir que ele é o autor de algumas das películas mais marcantes da história do cinema. 
A sua cinematografia minimalista, atmosferas sufocantes e uma faixa sonora baseada em sonoridades sintetizadas que preenche a imagem de maneira exímia fazem parte da assinatura de Carpenter, marcos de qualidade que os seus fãs exigem — e esperam testemunhar — em todas as películas do realizador. Para quem não for fã do realizador, dos universos por ele arquitectados e das faixas sonoras que ele construiu para povoar os mesmos, não vai encontrar nada aqui de interesse para si neste Lost Themes e pode deixar de lar a crítica aqui.
No entanto, quer for fã do realizador, meio fã ou alguém que o desconheça por completo mas que tenha interessa em saber mais, que me acompanhe no remanescente desta deriva.


Falemos da banda sonora dos filmes de John Carpenter (a Threshold é, afinal de contas, uma magazine de música).
Quem é um fã de John Carpenter, tem noção do peso que o som representa nas suas películas. Atrás já falámos de como a conjugação exímia entre o som e a imagem é importante e uma das assinaturas das películas de Carpenter. Mas — a título de exemplo gritante — isto é particularmente visível nas cenas de tensão. A organização dos tons e dos sons é feita por Carpenter, pensada para pôr o espectador em crescente sobressalto, sempre com a imagem a acompanhar a faixa. Os nossos sentidos estão, desta maneira, a serem duplamente estimulados por esta experiência audiovisual.
Podemos testemunhar isto na série Halloween, quando Michael Myers se prepara para enterrar o seu punhal aqui nesta desgraçada.


Outro exemplo é o filme Escape From New York.
Brevemente descrevendo a película, esta narra a história de Snake Plissken, um ex-agente dos EUA (actualmente, um renegado pela sociedade) é recrutado para salvar o presidente dos EUA, feito refém por um grupo terrorista numa Nova Iorque pós-apocalíptica. Este filme, apesar de não viver tanto das cenas se sobressalto como o slasher Halloween, contém alguma da melhor música que os anos 80 já viu ser incluída numa banda sonora.


Uma pergunta se levanta no meio deste processo todo: porque compor um LP? Porque agora?
John Carpenter sempre trabalhou a sua sonoridade em conjunto com uma componente visual. Porque dissociar os dois, dedicando-se exclusivamente ao som?
Qual é a origem desta experiência?
"Lost Themes was all about having fun. It can be both great and bad to score over images, which is what I’m used to. Here there were no pressures. No actors asking me what they’re supposed to do. No crew waiting. No cutting room to go to. No release pending. It’s just fun. And I couldn’t have a better set-up at my house, where I depended on (collaborators) Cody (Carpenter, of the band Ludrium) and Daniel (Davies, who scored I, Frankenstein) to bring me ideas as we began improvising. The plan was to make my music more complete and fuller, because we had unlimited tracks. I wasn’t dealing with just analogue anymore. It’s a brand new world. And there was nothing in any of our heads when we started other than to make it moody".
Entrevista de Carpenter via Pitchfork 
Lost Themes é, no final de contas, um libertador exercício de derivação na escrita e na produção musical por parte de Carpenter. Este foi realizado em conjunto com o seu filho Cody e com o seu afilhado Daniel. Estando John libertado das suas amarras de realizador, este pôde dedicar-se em pleno à experimentação e composição das suas sonoridades, pelo simples prazer de compor, intercalando esse exercício com pausas para jogar consola. 
Nalguns temas, particularmente no “Vortex” (a faixa que abre Lost Themes) sinto um dejà vu ao escutar a faixa. Há uma parte na minha memória que vai buscar as recordações que eu guardo desse filme (e de outros filmes realizados na mesma altura) sempre que ouço esse tema. E eu gosto dessa sensação. Gosto de recorrer ao repertório cinematográfico da minha cultura visual, sem sair do lugar, provocado pelo estimulo presente num único tema. Talvez por eu ver filmes desde puto — filmes de acção nomeadamente — com bandas sonoras um tanto ou quanto semelhantes, talvez por termos um extenso trabalho de Carpenter no campo do visual ao qual podemos associar estes temas, a verdade é que eles funcionam bem, mesmo dissociados da sua componente visual. 
Todo o álbum nos evoca a essa época e podemos apanhar apontamentos mais ou menos — por vezes nada — subtis da assinatura sonora que Carpenter usa nos seus filmes.
Quem for um fã ou tiver curiosidade em explorar o estilo cinematográfico e sonoro de John Carpenter, tem muito para descobrir e redescobrir neste Lost Themes. Por mais complexa que seja a tarefa de sintetizar todo um legado numa única peça, penso que Lost Themes conseguiu cumprir este objectivo.
Para os restantes de vós, não vão encontrar aqui nada para vocês.
Porque apesar de ser um brilhante exercício de composição e síntese musical, ser um seguidor da obra de John Carpenter ajuda-vos bastante na tarefa de compreender e cartografar as atmosferas e universos compostos pelas sonoridades presentes em Lost Themes.

Mesmo para os não-fãs, deixo-vos um apelo: nunca é tarde para começarem a ver os filmes de John Carpenter e, agora, para ouvir os seus discos.
Numa nota final, é de destacar que a edição do Lost Themes ficou a cargo da prestigiada Sacred Bones, label que já apostou anteriormente em devaneios musicais de outros realizadores e que, desde a primeira edição de Lost Themes, foi recentemente lançada uma versão deluxe do LP, que inclui, a par dos 9 temas originais, algumas remisturas.


Lost Themes' Tracklist:

1. Vortex
2. Obsidian
3. Fallen
4. Domain
5. Mystery
6. Abyss
7. Wraith
8. Purgatory
9. Night

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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

John Carpenter lança "Lost Themes"

John Carpenter é conhecido por duas coisas: cinema e bandas sonoras.


Com mais de 20 anos de carreira, Carpenter tem cimentado o seu percurso de aclamado realizador de cinema, responsável pela série Halloween e outras películas pautadas por um constante sentimento de tensão.



Esta sensação é provocada pelos jogos de imagem interligados com uma trilha sonora repleta de pormenores e arranjos inquietantes, desenhada para manter a audiência em sobressalto. Esta é a assinatura maior das obras audiovisuais de John Carpenter, no qual o mesmo é simultaneamente realizador das películas e compositor das suas bandas sonoras. 

Agora, no ano de 2015, o norte-americano dedica-se em exclusivo à sua veia de compositor para a edição do longa duração Lost Tapes.

Neste álbum, Carpenter faz o seu exercício habitual de construção de banda sonora, subtraindo a este todos os elementos constritores à criatividade — timings, cenas de filmes, actores, guiões, etc.

Em baixo ficam algumas palavras do próprio via Sacred Bones, a label do vindouro Lost Themes.

“Lost Themes was all about having fun... 
It can be both great and bad to score over images, which is what I’m used to. Here there were no pressures. No actors asking me what they’re supposed to do. No crew waiting. No cutting room to go to. No release pending. It’s just fun. And I couldn’t have a better set-up at my house, where I depended on (collaborators) Cody (Carpenter, of the band Ludrium) and Daniel (Davies, who wrote the songs for I, Frankenstein) to bring me ideas as we began improvising. The plan was to make my music more complete and fuller, because we had unlimited tracks. I wasn’t dealing with just analogue anymore. It’s a brand new world. And there was nothing in any of our heads when we started other than to make it moody.”

O lançamento de Lost Themes está previsto para dia 3 do próximo mês.
Deixamo-vos com o link para o tema "Night" AQUI e o link para o tratamento audiovisual dado ao tema "Vortex" AQUI.

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