segunda-feira, 16 de abril de 2018

Kendrick Lamar ganha Prémio Pulitzer com DAMN.

O artista norte-americano Kendrick Lamar, reconhecido como um dos mais populares rappers da atualidade, ganhou o Prémio Pulitzer de 2018 na categoria da música. A obra que lhe garante este novo galardão é DAMN., álbum editado a 14 de Abril de 2017.


Este ano fica então marcado por uma revolucionária atribuição deste prémio - pela primeira vez, um álbum ou artista que não se enquadra na categoria de jazz ou música clássica garante esta honra. No ano passado, a vitória foi para a intérprete e compositora Du Yun, para Angel's Bone, uma ópera experimental.

Kendrick, que com 30 anos já conta com 11 Prémios Grammy, junta-se a compositores e artistas afro-americanos que também ganharam o Prémio Pulitzer na categoria da música como Wynston Marsalis, Ornette Coleman e Scott Joplin, enquanto o artista afro-americano mais novo a receber este reconhecimento.

Os vencedores deste ano incluem ainda a equipa do The Washington Post na categoria de Reportagem de Investigação pela pesquisa extensiva e compreensiva ao historial de abuso de raparigas menores do senador americano Roy Moore, Clare Baldwin, Andrew R. C. Marshall e Manuel Mogato do jornal Reuters na categoria de Reportagem Internacional pela cobertura da guerra brutal contra as drogas do presidente das Filipinas Rodrigo Duterte, e a Ryan Kelly, do The Daily Progress, por capturar o momento em que um carro atingiu um grupo de pessoas num protesto em Charlottesville, Virginia, entre muitos outros.

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sexta-feira, 7 de abril de 2017

Anunciadas data de lançamento e lista de compositores do novo álbum de Kendrick Lamar


Segundo o iTunes, o próximo álbum de Kendrick Lamar vai sair no dia 14 de abril. O título do álbum no site é, pelo menos para já, ALBUM, enquanto que os nomes das músicas não estão disponíveis, tirando o do single "HUMBLE.", faixa 8.

Entre os artistas presentes nos créditos de composição das músicas incluem-se James Blake, BADBADNOTGOOD e U2. A lista completa é a seguinte:

Faixa 1: D. Tannenbaum e Anthony Tiffith
Faixa 2: Mike WiLL Made-It
Faixa 3: Sounwave, DJ Dahi, e Anthony Tiffith
Faixa 4: Sounwave, James Blake, e Richie Riera
Faixa 5: Sounwave
Faixa 6: DJ Dahi, Sounwave, Anthony Tiffith, e Terrace Martin
Faixa 7: The Internet’s Steve Lacy, Anna Wise, e Anthony Tiffith

Faixa 8: Mike WiLL Made-It
Faixa 9: DJ Dahi, Mark Spears, e BadBadNotGood
Faixa 10: Zacari Pacaldo, Teddy Walton, Sounwave, Greg Kurstin, e Anthony Tiffith
Faixa 11: Mike WiLL Made-It, DJ Dahi, Sounwave, Anthony Tiffith, e U2
Faixa 12: The Alchemist
Faixa 13: Richie Riera, Sounwave, DJ Dahi, D. Tannenbaum, Anthony Tiffith, e Cardo
Faixa 14: 9th Wonder

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sexta-feira, 17 de junho de 2016

Aqueles álbuns que deves ouvir antes do Super Bock Super Rock #1


O Super Bock Super Rock vai este ano para a sua 22ª edição, decorrendo pelo segundo consecutivo no Parque das Nações. Com um mês ainda pela frente até os dia 14,15 e 16 de julho, está na hora de começarmos a ouvir as bandas e os discos que mais nos marcaram ao longo da vida. 

Fiquem aqui com os álbuns essenciais à sobrevivência no festival à beira Tejo.

Iggy Pop - The Idiot


The Idiot foi o álbum de estreia de Iggy Pop a solo, composto e gravado em colaboração com David Bowie em 1977. Marca um afastamento da sonoridade punk e hard rock da banda de Iggy, os Stooges, sendo muito comparado aos álbuns Low e Heroes, de Bowie, muito por culta dos seus efeitos eletrónicos e atmosfera introspectiva. Um dos marcos da música post-punk, industrial e eletrónica, representa uma das maiores influências de bandas como Joy Divison, Depeche Mode, Nine Inch Nails. Curiosamente, foi este o álbum que Ian Curtis estava a ouvir quando decidiu por termo à sua vida.


The Idiot funciona também com uma influência para o último trabalho de Iggy Pop, Post Pop Depression, editado este ano, por isso podemos esperar que algumas dos seus temas sejam interpretados no Palco Super Bock a 15 de julho



Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly


To Pimp A Butterfly é o terceiro álbum de Kendrick Lamar. Editado no ano passado, impõe-se como uma das mais brilhantes fábulas da música contemporânea e desde já como um dos marcos da história do hip hop. Mas não só de hip hop se faz o tão aclamado To Pimp A Butterfly, envolvendo vários elementos do free jazz, soul, funk, spoken word, muito por culpa dos colaboradores que ajudaram na produção: Flying Lotus, Snoop Dogg, Pharrel Williams, Sufjan Stevens, Kamasi Washington, Thundercat, entre outros.

As letras são ricas, as mensagens são fracturantes e a sua malha instrumental brilhante e complexa. Exploram uma variedade de temas políticos e pessoais que dizem respeito à cultura africo-americana, desigualdade racial, depressão e discriminação.

Será que ao vivo To Pimp A Butterfly é tão impressionante como em estúdio? 

Espermos que a criatividade e paixão com que foi produzido este disco possa dar lugar a uma atuação única e brilhante no palco Super Bock a 16 de julho.




Fidlar - Fidlar


Os californianos FIDLAR, compostos por Zac Carper na guitarra, Brandon Schwartzel no baixo, e pelos irmãos Max e Elvis Kuehn a preencher a bateria e a guitarra, respetivamente, são uma banda de skate punk originária de Los Angeles. Formados em 2009, sob o nome ‘Fuck the Clock’, Zac e Elvis conheceram-se em trabalho num estúdio de música, onde gravaram as suas primeiras músicas no tempo livre, mais tarde lançadas sob o nome FIDLAR (Fuck It Dog Life’s A Risk). Com EP’s bem recebidos pela imprensa, e já com uma base de fãs considerável devido à internet, os FIDLAR lançaram então o seu primeiro álbum, de nome homónimo, em janeiro de 2013. 

Este álbum rapidamente se tornou num clássico do punk americano, onde é difícil apontar uma ou duas músicas que se destaquem devido à sua coesão explosiva. Conhecidos pelos seus concertos enérgicos e sem limites (pois também, não se poderia esperar outra coisa de uma banda punk da California), os FIDLAR vêm estrear-se em Portugal ao Super Bock Super Rock, dia 16 de julho no palco EDP, num concerto a não perder para quem gosta de pura jarda.




Glockenwise - Leeches


Diretamente de Barcelos, no coração do belo norte de Portugal, os Glockenwise são um quarteto de rock oriundo da cidade do Galo. O seu primeiro longa duração, Leeches, editado em 2013, lançou a banda nortenha para grandes palcos como o NOS Primavera Sound e o Vodafone Paredes de Coura, ambos nesse mesmo ano, tendo dado um grande concerto no festival courense. 

Composto por 8 músicas, por onde se destaca "Leeches", música com o mesmo nome deste álbum, a estreia dos Glockenwise nas longas edições fez-se com sucesso, mostrando-nos um lado mais pop do rock, um punk mais descontraído e sem grandes complicações. Como Nuno Rodrigues disse no Sabotage Club há uns tempos em concerto de abertura para os Go!Zilla em tom de gozo - “Nós somos os Glockenwise, tocamos músicas com 3 acordes como as bandas de punk, só que somos mais paneleiros”. 

O que acaba por ser um bom resumo informal do que é este álbum, existindo aqui a conjugação da energia do punk, com as letras mais sentidas e sensíveis do pop. Dia 15 de julho é quando os Glockenwise vão actuar no SBSR, no palco Antena 3, ao lado de outros artistas nacionais como Capitão Fausto e Pista, não percam esta festa.



Os bilhetes têm o custo de 95€ para passe de 3 dias e 50€ para bilhete diário. Podem ser adquiridos nos seguintes locais: Blueticket, Call Center Informações e reservas 1820 (24 horas), no Facebook, FNAC, lojas Worten, El Corte Inglês, ABEP, Portimão Arena; Turismo de Lisboa; lojas Media Markt; Bilheteiras MEO Arena; rede PAGAQUI; Agências Top Atlântico. Place & Tickets.

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sexta-feira, 4 de março de 2016

STREAM: Kendrick Lamar lança álbum surpresa "untitled Unmastered"


Os últimos meses têm sido incríveis para Kendrick Lamar e seus fãs. Depois do lançamento do gigante To Pimp A Butterfly no ano passado e de 11 nomeações para os Grammys, dos quais foi vencedor em 5 categorias, K-Dot surpreende-nos com uma compilação de diversas faixas que não figuraram no seu último longa duração. untitled unmastered é o nome do seu novo projeto, composto por 8 faixas produzidas entre 2013 e 2016, dos quais se destacam as duas faixas apresentadas exclusivamente em atuações memoráveis nos programas "The Colbert Report", em 2014, e "The Tonight Show With Jimmy Fallon". O álbum encontra-se disponível para audição completa no link em baixo:

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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Os 10 melhores álbuns do ano para cada elemento da redação



É difícil escolher um top 10 que se enquadrem todos os gostos partilhados na redacção. Nem todos ouviram o mesmo álbum, nem todos partilham os mesmos gostos musicais, por isso, e outras tantas razões díspares, decidimos compilar as dez preferências de cada membro numa lista só. Podem então ver agora as escolhas dos redactores da Threshold Magazine para os melhores trabalhos editados este ano.

Duarte Fortuna


10.The Soft Moon - Deeper
9.Tame Impala - Currents
8. Panda Bear - Panda Bear Meets the Grim Reaper
7.Jamie XX - In Colours
6.Beach House - Depression Cherry
5.Sufjan Stevens - Carrie & Lowell
4.Natalie Prass - Natalie Prass
3.Julia Holter - Have You In My Wilderness
2.Courtney Barnett- Sometimes I Sit and Think, Sometimes I Just Sit
1.Kendrick Lamar- To Pimp a Butterfly

Eduardo Silva



10.Beach House - Thank You Lucky Stars
9.HEALTH - DEATH Magic
8.High On Fire - Luminiferous
7. Lightning Bolt - Fantasy Empire
6.Shlohmo - Dark Red
5.Allen Halloween - Híbrido
4.A Place to Bury Strangers - Transfixation
3.Viet Cong - Viet Cong
2.Kendrick Lamar- To Pimp a Butterfly
1.James Ferraro - Skid Row

Hélder Lemos



10.Damaged Bug - Cold Hot Plumbs
9.Moon Duo - Shadow of The Sun
8.Destruction Unit - Negative Feedback Resistor
7.Lena Willikens - Phantom Delia EP
6.Death Grips - Jenny Death
5.Föllakzoid - III
4.METZ - II
3.Courtney Barnett - Sometimes I Sit and Think, Sometimes I Just Sit
2.DRINKS - Hermits on Holiday
1.Thee Oh Sees - Mutilator Defeated at Last

Filipe Costa



10. Chelsea Wolfe – Abyss
9. Viet Cong – Viet Cong 
8. The World Is a Beautiful Place And I Am No Longer Afraid To die – Harmlessness 
7. Father John Misty – I Love You Honybear
6. Death Grips – Jenny Death
5. Oneohtrix Point Never – Garden of Delete
4. Jamie xx – In Colours
3. Panda Bear – Panda Bear Meets The Grim Reaper 
2. Grimes – Art Angels 
1. Kendrick Lamar – To Pimp A Butterfly 

Francisco Lobo de Ávila





10.Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly
9.Föllakzoid - III
8.Benjamin Clementine - At Least For Now
7.Zs - XE
6.King Gizzard and the Lizard Wizard - Quarters!
5.Twerps - Range Anxiety
4.Wilco - Star Wars
3.!!! - As If
2.Viet Cong - Viet Cong
1.Puscifer - Money Shot



Júlio de Lucena




10. Oneohtrix Point Never - Garden of Delete
9. Arca - Mutant
8. FKA twigs - M3LL155X
7. Grimes - Art Angels
6. Kurt Vile - b'lieve I'm going down
5. Vince Staples - Summertime '06
4. Kendrick Lamar - To Pimp A Butterfly
3. Jenny Hval - Apocalypse, Girl
2. Joanna Newsom - Divers
1. Björk - Vulnicura



Márcia Boaventura



10. Algiers – Algiers 
9. Earl Sweatshirt – I Don’t Like Shit I Don’t Go Outside
8. Vince Staples – Summertime ‘06
7. Lianne La Havas – Blood
6. Godspeed You! Black Emperor - Asunder, Sweet And Other Distress 
5. Death Grips - The Powers That B
4. And So I Watch You From Afar – Heirs 
3. Lupe Fiasco - Tetsuo & Youth
2. Donnie Trumpet and The Social Experiment – Surf
1. Kendrick Lamar - To Pimp A Butterfly

Rui Gameiro


10. Beach House – Thank You Lucky Stars
9. Floating Points – Elaenia
8. Viet Cong - Viet Cong
7. Julia Holter - Have You In My Wilderness
6. Father John Misty - I Love You Honeybear
5. Alex G – Beach Music
4. Chelsea Wolfe - Abyss
3. Oneohtrix Point Never - Garden of Delete
2. Spectres - Dying
1. Sufjan Stevens - Carrie & Lowell

Rui Santos





10. Mac DeMarco - Another One 
9. Tess Parks & Anton Newcombe - I Declare nothing 
8. Sleater-Kinney - No Cities to Love 
7. BADBADNOTGOOD & Ghostface Killah - Sour Soul 
6. Neon Indian - Vega Intl. Night School
5. Courtney Barnett - Sometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit
4. Julia Holter - Have You in My Wilderness
3. Joanna Newsom - Divers
2. Kendrick Lamar - To Pimp a Butterfly
1. Beach House - Depression Cherry

Sónia Felizardo



10. Beach House – Depression Cherry
9. Institute - Catharsis
8. Pega Monstro - Alfarroba
7. Sun Blossoms – Sun Blossoms
6. Atillla – V
5. Soft Moon - Deeper
4. Spectres – Dying
3. Ought – Sun Coming Down
2. Chelsea Wolfe - Abyss
1. Corpo Mente – Corpo Mente


Tiago Farinha




10. Sunblossoms - Sunblossoms
9. Thee Oh Sees - Mutilator Defeated At Last
8. Wand - Golem
7. Nalgadas - Quiubo
6. Spectres - Dying
5. Institute - Catharsis
4. Joey Badass - B4DA$$
3. Metz - II
2. Fuzz - II
1. The Coneheads - L.P.1. aka "14 Year Old High School PC-Fascist Hype Lords Rip Off Devo for the Sake of Extorting $$ from Helpless Impressionable Midwestern Internet Peoplepunks L.P."

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Os melhores álbuns de 2015


Muitos foram os álbuns que ouvimos neste ano de 2015, mas nem todos podem figurar nas listas de final de ano. Desta forma, e tendo em conta os gostos díspares e comuns, fica em baixo a lista dos 25 melhores álbuns no geral para a redacção da Threshold Magazine.

25
Father John Misty – I Love You Honeybear



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24
Allen Halloween  Híbrido



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23
Jamie XX  In Colours



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22
Neon Indian – Vega Intl. Night School



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21
A Place To Bury Strangers – Transfixiation



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20
 Beach House  Thank Your Lucky Stars 



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19
Sufjan Stevens  Carrie & Lowell



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18
 Joanna Newsom  Divers



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17 
Atila – V



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16
Vince Staples – Summertime ‘06



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15
 Panda BearPanda Bear Meets the Grim Reaper



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14
Grimes – Art Angels 



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13
Oneohtrix Point Never – Garden of Delete



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12
 Beach House  Depression Cherry



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11
Thee Oh Sees  Mutilator Defeated At Last



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10
Death Grips  Powers That B 



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9
Pega Monstro  Alfarroba



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8
Spectres – Dying



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7
Chelsea WolfeAbyss



6
Julia HolterHave You In My Wilderness


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5
The Soft MoonDeeper


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4
Metz – II



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3
Courtney BarnettSometimes I Sit and Think, and Sometimes I Just Sit



2
Viet Cong – Viet Cong 



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1
 Kendrick Lamar – To Pimp A Butterfly 



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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Kendrick Lamar no Super Bock Super Rock 2016



Kendrick Lamar, o responsável por To Pimp a Butterfly, um dos mais aclamados álbuns do ano, tem regresso marcado ao nosso país, depois da sua passagem pelo NOS Primavera Sound em 2014.
A ocasião? 
A 22ª edição do Super Bock Super Rock. O rapper vai atuar no Parque das Nações a 16 de julho, no palco Super Bock, juntando-se a um cartaz que já conta com nomes como The National, Jamie XX, Mac DeMarco, Kurt Vile e Bloc Party.

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terça-feira, 28 de julho de 2015

Sobre o "To Pimp A Butterfly"...

Antes de mais, a Threshold pede desculpa a vós, os leitores, por não ter dado o seu parecer atempado e detalhado acerca do To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar. No caso particular deste redactor, compromissos relacionados com trabalho e academia impediram-no de tecer uma crítica que estivesse à altura da obra e que procurasse descortinar algum pormenor que poderia ter falhado em leituras mais superficiais a este To Pimp A Butterfly. Consideramos que uma review detalhada ao LP é uma tarefa que, no presente, já não se justifica. Este LP já foi encaixado em inúmeras escalas de avaliação aquando do seu lançamento e foi unanimemente aplaudido pela crítica.
A Threshold também o aplaudiu. Aliás, prestou-lhe uma ovação de pé, galardoando-o com o estatuto de melhor álbum editado no primeiro semestre de 2015.


Posto isto, mais importante que pontuar To Pimp A Butterfly será tentar descodificar alguma da linguagem que este álbum usa, num esforço para que todos se possam aproximar de uma leitura mais clara da sua narrativa. Queremos também apurar o que é que mudou 4 meses após To Pimp A Butterfly e, se possível, dar resposta às seguintes questões:

O álbum mudou aos olhos dos ouvintes e da crítica?
O seu autor mudou aos olhos do público?
Quais o ecos de To Pimp A Butterfly?

Sobre Kendrick Lamar, o rapper que assina To Pimp A Butterfly, pouco há aqui a acrescentar ao que já foi dito. Se houvesse quem não o conhecesse ou quem duvidasse das suas capacidades enquanto MC, To Pimp A Butterfly mudou isso.
To Pimp A Butterfly é um 10 em 10 seja qual for a escala utilizada para mensurar os seus contornos. As letras são ricas, as mensagens são fracturantes e a sua malha instrumental brilhante e complexa. To Pimp A Butterfly impõe-se como uma das mais brilhantes fábulas da música contemporânea e desde já como um dos marcos da história do hip hop.
Outra característica notável de To Pimp A Butterfly é que faz convergir alguns dos maiores astros que alguma vez cruzaram o plano celeste da música a algumas das promessas desta geração.
George Clinton Flying Lotus dão o seu contributo na primeira faixa deste LP.
Snoop Dogg liberta o contador de histórias que existe nele, qual Slick Rick a contar uma história a crianças na "Institutionalized".
Pharrel Williams surge duas faixas depois em "Alright" e Sufjan Stevens participa na "Hood Politics".
Mesmo sem contar com as presenças vocais de Grandes como Dr. Dre, Fela Kuti e Tupac, é seguro afirmar que o elenco convidado para dar substância a To Pimp A Butterfly é de luxo. Os acima referidos são os astros. Falemos das promessas.
Nessa categoria, duas personagens despontam de forma brilhante e regular neste LP: Kamasi Washington e Thundercat.


Kamasi no Saxofone e Thundercat no baixo
Kamasi Washington é um saxofonista e é natural de Compton, assim como Kendrick. Talvez um ilustre desconhecido para vós, até que o seu saxofone soou em To Pimp A Butterfly.
Mas talvez ele não seja assim tão desconhecido quanto isso. Provavelmente já todos ouvimos alguma peça interpretada por ele. Afinal, Kamasi é um colaborador regular da Brainfeeder, a label de Fly Lo. Por lá, prestou os seus pulmões em inúmeras obras, sendo que a mais recente participação somada é no You're Dead!, o último LP de Fly Lo.


Este ano, Kamasi lançou via Brainfeeder o seu primeiro LP a título individual, o The Epic. Neste, uma banda escolhida a dedo por si leva a cabo a hercúlea tarefa de interpretar cerca de 3 horas de jazz. 3 horas de jazz brilhantemente escrito e executado, diga-se de passagem! Coltrane - John Coltrane isto é - teria orgulho no amigo do seu neto (Fly Lo) se pudesse escutar The Epic. E quando começamos a desfiar um pouco a malha de To Pimp A Butterfly, começamos a dar conta dos laços de amizade que existem entre os arquitectos.
"It's all family. Most of the guys that worked on Kendrick's record and on [Flying] Lotus's record [You’re Dead!], we've known each other since before we played music.
My dad's a saxophone player -- he actually played flute [on the album] -- so that's how I started. My dad and Thundercat’s dad played together, we've known each other since we were babies. Actually I knew Thundercat before, when he was just an idea, like, “Let's have another kid” [laughs]. His brother [Ronald Bruner, also on TPAB] and I had been friends since we were two.
L.A. is like a really big little town, where New York is like a really small big city. The jazz scene is spread out, so when people come here they don't really know where it is -- but we all grew up together. We all played in Multi School Jazz Band in high school, and we all grew up in Leimert Park, playing at the World Stage and Fifth Street Dick’s.
...
Myself, Terrace, Thundercat -- we all musically grew up playing with Snoop and the Snoopadelics (his band). I've played on a couple of Snoop's records -- a lot of my first gigs. My first major gig actually, I think, was with Snoop.
...
I met Lotus a long time ago -- we did the John Coltrane competition... Years later, Thundercat started working with [Lotus], and reminded me about him. Lotus and I ran into each other randomly at a jam session -- he sat in, and we connected then. He asked me if I wanted to do a record with Brainfeeder."
 
Kamasi Washington @ Billboard
Outro dos ilustres desconhecidos de To Pimp A Butterfly é Thundercat. Stephen Bruner é o indivíduo por detrás do pseudónimo Thundercat é um virtuoso baixista que soma colaborações com grandes nomes do r&b e do hip hop. Mais recentemente, Thundercat lançou o álbum The Beyond/Where the Giants Roam via Brainfeeder, label na qual ele se integra, juntamente com o seu amigo Kamasi Washington. Curiosamente, Thundercat, Kamasi e Kendrick são todos nativos de South Central. De entre os 3, Thundercat  é discutivelmente quem apresenta o currículo mais impressionante: ainda na pré-adolescência, tocou baixo nos Suicidal Tendencies, tocou baixo na banda da Erykah Badu e, mais recentemente, tocou baixo no To Pimp A Butterfly de Kendrick Lamar.
"He'll play you a piece of a song and you'll go, 'OK,' and then he'll suddenly add the melody in and it becomes this brilliant thing...It's like seeing a great painter with a canvas that looks like a lot of nothing, and then one little stroke goes and you're like, 'Wow you saw that the whole time?" 
Kamasi Washington sobre Thundercat @ Rolling Stone
Serendipidade é um termo que me ocorre quando falamos de To Pimp A Butterfly. Ou assim seria se Los Angeles não fosse a terra dos astros. Seria inevitável que alguns deles se conhecessem à priori ou, como é o caso aqui relatado, alguns sejam mesmo amigos de infância. Parece-nos portanto legítimo afirmar que To Pimp A Butterfly foi mais que fruto de esforço colectivo: foi o ponto de convergência de algumas das mentes mais brilhantes da música contemporânea. To Pimp A Butterfly foi não só a consagração de nomes já instituídos da música, mas também a rampa de lançamento de outros para o estrelato.
Mas falemos agora um pouco do álbum e do seu autor, Kendrick Lamar.

Foto de uma das sessões de gravação de To Pimp A Butterfly
Kendrick Lamar era um MC diferente antes de To Pimp A Butterfly. Aliás, quem era Kendrick Lamar antes de To Pimp A Butterfly? O MC que agitou o mundo do rap ao desafiar toda a gente com as suas polémicas estrofes? O autor de Good Kid, M.A.A.D. City? Estes são os seus feitos mais recentes. Analisemos um pouco a sua história.
Kendrick começou por se auto-intitular de K-Dot, assinando em 2003 uma mixtape intitulada Youngest Head Nigga in Charge (Hub City Threat: Minor of the Year). Foi essa mixtape que lhe garantiu entrada na TDE, label pela qual ele editou a grande maioria dos seus trabalhos, incluindo To Pimp A Butterfly. Tinha 16 anos na altura.



Seguiu-se Training Day, uma mixtape editada em 2005. A essa mixtape, seguiram-se actuações e digressões com Grandes como Jay Rock, The Game e Lil Wayne. Depois de aparecer no vídeo da "All My Life (In The Ghetto)", Lil Wayne apoiou-o no lançamento da sua terceira mixtape, C4. Estávamos no ano de 2009 e Kendrick Lamar ainda assinava as suas obras com o pseudónimo K-Dot.



Nesse mesmo ano, decidiu formar o colectivo Black Hippy com os seus companheiros Jay Rock, Ab-Soul e Schoolboy Q. Foi também a partir desse ano que começou a assinar todas as suas obras com o seu nome verdadeiro: Kendrick Lamar
Depois disso, seguiram-se colaborações e digressões com ilustres como Tech N9ne, RZA e Dr. Dre (supostamente, Kendrick terá colaborado na produção do altamente esperado e eternamente adiado Detox). Em 2011 lançou o seu primeiro longa-duração, o Section 80. Meses depois, os seus pares apelidam-no "O Novo Rei da Costa Oeste".


O resto do seu percurso já todos nos conhecemos: em 2012 lança o Good Kid, M.A.A.D. City. Seguem-se tours com o Yeezus, colaborações com Grandes como Eminem, Fly Lo e Taylor Swift, os Grammys e, finalmente, To Pimp A Butterfly.
Sobre o seu passado, estes são os highlights. Mas, e sobre a sua história recente? Será que Kendrick é o mesmo MC que ouvimos em To Pimp A Butterfly? Alguns dizem que não e apontam o dedo à sua mais recente colaboração com a Reebok.


Muitos argumentam que depois de um trabalho tão profundamente enraizado em mensagens anti-capitalismo como o é To Pimp A Butterfly, ver Kendrick a promover uns ténis é um acto de profunda hipocrisia. Esse sentimento aguça-se quando verificamos que o copy do anúncio contém uma mensagem revolucionária, que se opõe fortemente às normas da sociedade, encorajando cada indivíduo a pensar e a defender-se pelos seus próprios meio para não aceitar aquilo que os poderes instaurados lhes forçam. Os críticos argumentam que este anúncio, com o uso dessa mensagem revolucionária para promover algo tão pedante como uns ténis é uma completa traição às mensagens contidas em To Pimp A Butterfly.
Talvez seja esse o caso. Ou talvez estejamos todos a ser demasiado mesquinhos. Digam-me, de cabeça, 3 MCs que conheçam que nunca tenham usado a sua imagem para promover alguma marca (até o DOOM, esse Colosso do underground, cedeu a sua imagem para promover um modelo de calçado da Clarks). 


Talvez seja inveja da nossa parte. Afinal de contas, quantos de nós nos insurgimos diariamente contra as maleitas da existência moderna comandada pelo grande capital? E quantos de nos se insurgem do alto das suas Nike e usam o seu iPhone para comunicar uns com os outros? Quem de nós não possui sapatilhas ou produtos de marca? Quem de nós nunca caiu nas tramas da publicidade? Será Kendrick diferente? Porquê? Porque insurge-se contra o capitalismo com umas Reebok calçadas? Qual é o mal? Outros no lugar dele já fizeram o mesmo e ninguém disse nada. Porque é que Kendrick é avaliado de maneira diferente?
Talvez porque ele é mesmo o Rei disto tudo. Caso contrário, passaria despercebido. E, falando verdade, ele já passou despercebido. Fiquem sabendo que antes de ele ser o Rei, ele já cedia a sua voz e a sua imagem para publicitar marcas e produtos. 



Façam a leitura que quiserem dos factos, mas este género de manobras sempre aconteceram na publicidade. Se, como eu, viram o Kendrick o ano passado no NOS Primavera Sound, não precisavam de desviar muito o olhar do palco para ver o grande totem da NOS que se encontrava mesmo junto do mesmo. Amigos, mentalizem-se de uma coisa: a publicidade paga. E paga muito bem. E a troco desse pagamento as marcas querem, obviamente, ver o seu produto exposto. No caso da ReebokKendrick apresenta-se como uma montra privilegiada para o produto em questão. E, do ponto de vista de marketing, essa decisão faz sentido! Kendrick é jovem, atlético, "fixe", um artista e, acima de tudo, é um indivíduo com uma mensagem para transmitir. Talvez aquilo que a Reebok quer é corromper-nos a todos para comprarmos as Ventilator, usando para esse efeito o Kendrick. Talvez o que ela pretenda fazer é dar-nos uma alternativa de qualidade no que toca a calçado. Afinal de contas, o Kendrick confia neles, e ele é o Rei!
Mais, esse voto de confiança já vem de trás, antes da ressurreição das Ventilator.


Enquanto fã, acho que estamos todos a dar demasiada atenção a um pormenor. O facto de Kendrick promover um par de ténis é um pormenor para mim. Um pormenor que em nada lhe tira o mérito de ser um brilhante MC e um exímio escritor de canções. Um pormenor que em nada desvaloriza o brilhante que é To Pimp A Butterfly. Aliás, como poderia um pormenor como um par de ténis desvalorizar toda a sua obra até à data? Como poderia um par de ténis demolir as mensagens de To Pimp A Butterfly? Como poderia isso acontecer, se Kendrick faz uso da Reebok, essa mesma marca que ele promove, para transmitir uma mensagem anti-ódio?



Pormenores e ténis à parte, To Pimp A Butterfly continua a ser brilhante, especial e inspirador. É uma homenagem às mais marcantes obras, personagens e raízes que povoam o imaginário de praticamente toda a gente que se identifica com o hip hop não só enquanto movimento, mas enquanto cultura e forma de vida. 
Poderia destacar várias faixas e vários momentos ao longo do disco, mas, como foi dito acima, uma análise detalhada ao disco é, no presente, uma tarefa escusada. Já tudo foi dito sobre To Pimp A Butterfly e sobre cada faixa por inúmeras publicações a nível global. Preferimos, portanto, terminar esta resenha com a decomposição da complexa identidade gráfica do disco. O que representa o título "To Pimp A Butterfly"? O que representa a sua imagem de capa?

Inicialmente o álbum foi chamado “To Pimp a Caterpillar", representando uma provável homenagem a TupacTo(U) Pimp A Caterpillar. Um dado que suporta esta teoria é a data de lançamento do LP, coincidente com os 20 anos do lançamento de Me Against The World, um dos álbuns seminais do rap. 



"That was the original name and they caught it because the abbreviation was Tupac, Tu-P-A-C...Me changing it to Butterfly, I just really wanted to show the brightness of life and the word "pimp" has so much aggression, and that represents several things. For me, it represents using my celebrity for good. Another reason is, not being pimped by the industry through my celebrity."  
Kendrick Lamar @ MTV News

To Pimp A Butterfly pode também prestar homenagem a To Kill a Mockingbird, um dos maiores escritos de Harper Lee. Este livro faz parte do património literário da humanidade e é uma das exposições mais brutais do fenómeno da desigualdade racial nos EUA alguma vez escrito.

Frame da adaptação cinematográfica de "To Kill A Mockingbird", dirigida por Robert Mulligan
Curiosamente, a primeira leitura que eu fiz do título de To Pimp A Butterfly não coincide com nenhuma destas hipóteses acima colocadas. Para mim, To Pimp A Butterfly é um jogo de palavras, uma apropriação da imortal frase de Muhammad Ali: Float like a butterfly, Sting like a bee.
Através deste jogo de palavras, Kendrick coloca-se num novo pedestal, comparando-se a Ali na sua altura áurea: um lutador, um defensor da igualdade de direitos e da igualdade entre as raças, um guerreiro com plena consciência das suas capacidades, confiante em si próprio. Assim o era Ali e assim o é Kendrick. Um no ringue, outro no rap, mas ambos seres prodigiosos.


To Pimp A Butterfly pode conter todos estes significados e outros tantos ocultos. Podemos, por outro lado, estar todos errados. Alguém me ensinou que o grau de complexidade de uma obra se mede pelo número de interpretações que é passível de se fazer. Quer isto dizer que quanto mais tivermos a dizer sobre uma obra, mais substancial e pertinente ela é. O oposto, por sua vez, é também verdade. Mas, como já disse anteriormente, o problema aqui não reside na falta de palavras para descrever To Pimp A Butterfly. Muito pelo contrário. Há muito a dizer. Isto porque Kendrick diz muito em To Pimp A Butterfly. E a complexidade abre lugar para a discussão. Não só para a discussão, mas para a interpretação da obra. E mais importante que as suas palavras, é sem dúvida a forma como estas nos atingem, como nós as absorvemos. Até a polémica capa pode parecer um acto de violência para os ignorantes. No entanto, ela representa Kendrick a exercer o seu pleno direito à liberdade. Liberdade artística, liberdade de discurso e, em última instância, liberdade de espírito. E ainda que a Casa Branca seja o plano de fundo da capa, Kendrick não esquece nunca as suas raízes. Pelo contrário, honra-as e respeita-as. Não é por acaso que o estado da Califórnia o honrou pelo seu contributo não só para com a sua comunidade, mas também para com uma vindoura geração que Kendrick tem vindo a inspirar.


"I think the future of my generation is entrepreneurs times a hundred. We’ll probably be one of the most prosperous generations in history. Not only do we have the belief, but we have the work ethic to go out there and get it. We are very independent. We are very confident in our own identity, which is a great thing. Because what this [generation] has is more people starting their own business and not being confined to what [an existing] company has to offer [them]. But, on the other hand, our belief system is gonna play a major part in it. Our belief system is not the way how my parents were, how my grandparents were, and the more and more time goes on, we lose that thought or idea of God and energy. So what happens is we stop caring for people and we stop honoring and respecting people, you feel me? So I think once we grab that aspect back into my generation we’re gonna be alright." 
Kendrick Lamar @ Hypetrak
Este é o presente.
Já falámos do passado de Kendrick e dos ecos causados por To Pimp A Butterfly.
Resta-nos somente falar do futuro. 

O que podemos esperar de Kendrick?

Sabemos que Kendrick tem evitado tocar ao vivo músicas de To Pimp A Butterfly. Actualmente, os seus sets são compostos por um ou dois temas retirados de To Pimp A Butterfly, sendo que o remanescente do alinhamento é composto por material antigo. Possivelmente, esta decisão pode ser motivada pelo facto de Kendrick ainda não se sentir preparado para interpretar o álbum ao vivo com a força que este pede (não nos parece que seja isso). Ou então, esta decisão foi tomada porque para interpretar o disco ao vivo com completa fidelidade seria necessária uma verdadeira orquestra e uma sala com uma acústica perfeita. Condições dessas não são fáceis de reunir.
Porém, uma alternativa à convergência dessas complicadas circunstâncias pode residir na escolha de um formato diferente para a apresentação ao vivo dos temas. Lembre-mo-nos por exemplo da performance de Kendrick no programa da Ellen, no qual tocou a "These Walls".




Talvez parte da solução passe por abolir a orquestra nas suas performances ao vivo, procurando novas formas de comunicar a sua mensagem. Pensar não só no aspecto musical do espectáculo, mas também no aspecto multimédia e introdução de possíveis performances extra-música. Nunca é fácil reunir as condições necessárias para produzir um espectáculo visualmente impressionante. Mas quando tudo é feito com cuidado, criatividade e, acima de tudo, paixão, transpomos a barreira daquilo que foi gravado em estúdio, dando lugar a uma interpretação única e verdadeiramente especial.
Acho que, no fundo, o que todos queremos de Kendrick é precisamente isso: que ele nos continue a proporcionar momentos únicos através da sua arte.

Esperamos que To Pimp A Butterfly seja para vocês tudo aquilo que é para nós. Esperamos que as palavras contidas neste álbum vos marquem tanto como nos marcaram. Esperamos que To Pimp A Butterfly ganhe um lugar não só no vosso arquivo musical, mas também um lugar especial nas vossas cabeças e corações. Ou então não.

Seja como for, vamos ficar todos bem.
O Rei dixit.

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