segunda-feira, 4 de novembro de 2019

STREAM: Lavoisier - Viagem a um Reino Maravilhoso


Viagem a um Reino Maravilhoso é o novo disco e espetáculo dos portugueses Lavoisier (Patrícia Relvas e Roberto Afonso). A partir de poemas de Miguel Torga, Viagem a um Reino Maravilhoso é um álbum conceptual feito para duas vozes, uma guitarra e várias frequências que, segundo o grupo, “traduz o som encontrado na poesia do escritor”. Composto por oito temas, onde sete são poemas musicados, o disco foi gravado e misturado por José Fortes, considerado como um dos técnicos de som mais importantes da música portuguesa e responsável por trabalhos de artistas como Carlos Paredes, José Mário Branco, Fausto, Sérgio Godinho, Banda do Casaco ou Mão Morta.

Construído a partir de residências artísticas em Trás-os-Montes, com sessões de gravação em diferentes locais, como o Espaço Miguel Torga, um centro de interpretação da vida e obra de Torga situado na sua terra-natal, São Martinho de Anta, e ainda no Conservatório Regional de Música de Vila Real, tendo a participação de alunos desta estrutura de ensino em dois temas e onde se apresentam com Orquestra Fantástica do Futuro de Vila Real. O álbum conta também com retratos sonoros do artista e sonoplasta português João Bento, que captou sons em diferentes territórios de importância para Miguel Torga.

“Coroai-me de espinhos...” foi primeiro tema a ser conhecido de Viagem a um Reino MaravilhosoCom este disco e espetáculo, os Lavoisier pretendem “partilhar a arte do poeta e escritor Miguel Torga, beber dos pensamentos que lhe passaram pela pele, com a missiva de dar continuidade, e ter o dever de não deixar morrer, de cuidar e avisar, de avivar e de o celebrar”.

O disco pode ser escutado, a partir de hoje, em todas as plataformas digitais. A estreia em palco de Viagem a um Reino Maravilhoso aconteceu este sábado, 2 de novembro, no Teatro de Vila Real, num espetáculo esgotado que contou o artista sonoro e sonoplasta João Bento e a Orquestra Fantástica do Futuro de Vila Real


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terça-feira, 2 de outubro de 2018

triciclo leva três meses de música a Barcelos


Já é conhecida a programação do triciclo, evento que vai levar música a Barcelos no último trimestre do ano. BoogarinsTrês Tristes Tigres e Norberto Lobo são alguns dos nomes que vão passar por vários espaços do centro histórico da cidade minhota. Entre outubro e dezembro, há cinco concertos, duas atividades de serviço educativo e dois showcases, espalhados por cinco espaços da cidade.

O ciclo de concertos arranca a 4 de outubro com um concerto dos Três Tristes Tigres, no Teatro Gil Vicente, com entrada livre. A banda nascida nos anos 90 está de volta aos palcos e passa por Barcelos para revisitar alguns dos temas que tornaram a banda num dos ícones da música portuguesa. O espetáculo tem entrada livre.

Ainda no mês de outubro, os Boogarins regressam a Barcelos, depois de se terem estreado, em 2014, no festival Milhões de Festa. “Lá Vem a Morte” é o mais recente disco da banda brasileira, que será apresentado no Círculo Católico de Operários de Barcelos, a 20 de outubro. A primeira parte do concerto vai ser da responsabilidade da banda local Tresor&Bosxh, o bilhete custa 5€ e pode ser adquirido antecipadamente na BOL.

Para o mês de novembro, a dupla 
Lavoisier ocupa o Claustro dos Paços do Concelho, no dia 3. No dia anterior, os músicos vão guiar uma oficina com estudantes locais. A 18 de novembro, é a vez dos Harmonies subirem ao palco do Salão Nobre da Câmara Municipal. Ambos são de entrada gratuita.

A 8 de dezembro, o Teatro Gil Vicente recebe o projecto “Vou-te contar uma história sobre Barcelos”. Vão estar reunidos jovens músicos locais com a Academia de Música de Viatodos para interpretarem canções icónicas do rock barcelense. Para finalizar a programação do trimestre, o virtuoso guitarrista Norberto Lobo atua na Galeria Municipal de Arte, no dia 20. A entrada é grátis para os dois espetáculos.

O triciclo é uma iniciativa ‘made in’ Barcelos, em parceria com o município.


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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A paixão de ZigurFest: os dias que passámos em Lamego



O ZigurFest realizou entre 29 de agosto e 1 de setembro a sua oitava edição, recebendo em Lamego vinte e quatro dos nomes mais criativos e inovadores da música nacional. Foram quatro dias em que a música se fundiu com o vasto património milenar apresentado pela cidade, propagando-se por oito palcos - Teatro Ribeiro Conceição, sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego, Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, Castelo, largo da Olaria, Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda), Largo da Cisterna e Capela de Nª. Srª. da Esperança.

Como já passaram umas algumas semanas após o ZigurFest, decidimos escolher os concertos que mais gostámos nesta edição. Infelizmente não estivemos presentes no primeiro dia, que contou com as atuações de Ulnar + Sal Grosso, Zarabatana e Dullmea


Mathilda – 30 de agosto


Após algum tempo à procura da Capela de Nª. Srª. da Esperança, conseguimos chegar a tempo do concerto de Mafalda Costa, cantautora vimaranense mais conhecida por Mathilda. Completamente à pinha, já não cabiam mais pessoas no adro da capela, cuja iluminação criava o ambiente intimista certo para a ocasião. Dona de uma voz doce e suave, com apenas um ukulele nas mãos e acompanhada por Gobi Bear (Diogo Pinto) na guitarra acústica, como já é costume, Mathilda aqueceu os corações de todos os presentes com as suas canções de filigrana e veludo, onde retrata e suporta as fragilidades de uma artista bastante madura, mas que ainda só tem 18 anos. Ouviram-se na capela temas como “Oddest of Things”, primeira música que lançou com 17 anos, “Unloved”, música de Gobi Bear que conta a colaboração de Emmy Curl em estúdio, e ainda “No Love Song”, onde Mathilda ficou sozinha em palco com a sua guitarra elétrica. Pediu para sermos gentis pois ainda está a aprender a lidar com esta situação. E nós assim o fomos.

Sereias – 30 de agosto


Não há muitas bandas em Portugal que nos preparem para o que vimos esta noite. Caracterizam-se como jazz-punk pós-aquático e dão pelo nome de Sereias. Formados pelo poeta António Pedro Ribeiro e Kenneth Stitt na voz, Sérgio Rocha na guitarra, João Pires na bateria, Nils Meisel nos sintetizadores e Tommy Luther no baixo, a banda do Porto apresentou-se no palco Alameda com as suas longas músicas movidas a noise rock e no wave irregular. No meio de todo o caos, as atenções estavam especialmente focadas em António Pedro Ribeiro, que declamava ferozmente os seus poemas enquanto a banda tocava, e em Kenneth Stitt, homem de speedo que dançava livremente com as suas longas pernas e braços, vocifernado por vezes algo indecifrável ao microfone. Esquizofrenia é a palavra certa para definir este concerto. 

Fotogaleria do dia 30 de agosto aqui


André Gonçalves – 31 de agosto


André Gonçalves é um dos exploradores sónicos mais relevantes do panorama nacional, ora através da construção de sintetizadores modulares pela ADDAC, ora através da música que produz. Música Eterna (2015) é o melhor exemplo disso, “álbum” que existe dentro de uma aplicação para iOS e permite compor música que nunca se irá repetir, “recorrendo a uma partitura que joga com múltiplos blocos sonoros que vão desfilando com o tempo, encaixando miraculosamente sem nunca nos deixar desamparados pelo aparente jogo de sorte”. No Castelo de Lamego não foi diferente e André presenteou-nos com um set de colagens onde convivem sons do quotidiano com algumas vozes e por vezes alguns glitches, ao género de Oneohtrix Point Never. Perante a música ambiente que se fazia sentir, o público sentia-se relaxado, havendo até quem se deitasse na relva e fechasse os olhos para sentir todas as singularidades da viagem. 

David Bruno – 31 de agosto


Na primeira incursão do festival no Teatro Ribeiro Conceição, fomos assistir à apresentação d’O Último Tango em Mafamude, álbum editado este ano por David Bruno e muito aclamado pela crítica, onde expressa o seu amor pela cidade de Vila Nova de Gaia, revestindo-se de roupagens dos anos 90, enriquecidas com ritmos de hip-hop, um imaginário soul e músicas românticas. Iniciou o concerto com “Alfa Romeu e Julieta”, música sobre os domingueiros que só tiram o carro da garagem aos domingos. Agradeceu por não estarmos a assistir ao concerto dos Amor Electro, que essa noite estavam também a atuar em Lamego. Acompanhado pelos calorosos solos de guitarra de Marquito, esse prodígio de Barcelos, pelas representações visuais do seu álbum como fundo e, não esquecendo, pelo naperon a adornar a sua mesa de mistura, David Bruno interpretou temas como “Monte da Virgem Platónico”, “Amor Anónimo”, onde há a famosa referência a Marante e Toy, “Mesa Para Dois”, onde nos recomendou a comermos no balcão dos snack bars e a mantermos vivas as travessa de alumínio. Foi com “Lamborghini na Roulotte”, música que o artista só apresenta ainda ao vivo, que o público entrou completamente em delírio. Após uma pequena pausa em que foram lançados para a audiência bases de copo alusivas ao Último Tango em Mafamude, David regressou ao palco para terminar a atuação com “150 mL”, tema da altura em que o artista respondia por dB.

Foi uma experiência incrível ver esta personagem caricata interpretar as suas músicas tão tipicamente portuguesas que nos enchem de um orgulho imenso.

NU – 31 de agosto


Quem também atuou no Teatro Ribeiro Conceição foram os NU. A banda veio de Santo Tirso e apresentou-se em palco com sete elementos, apesar de serem um sexteto formado por Rui Pedro Almeida na voz, Miguel Filipe Silva e Vitor Duarte nas guitarras, André Soares no baixo, Ricardo Coelho na bateria e Urbano Ferreira na eletrónica. Apresentaram o seu rock experimental bem aguerrido e desconcertante, com uma percussão violenta, influenciado por nomes lendários como os Swans, Einstürzende Neubauten e os Mão Morta. Aliás, eram bem notórias as semelhanças do vocalista com Afonso Luxúria Canibal, tanto na voz como no seu estilo devaneante em palco. O elemento extra presenteou-nos com o seu saxofone, o que conferiu um carácter ainda mais experimental à atuação da banda. Durante quase uma hora estivemos perante um ambiente psicologicamente denso dotada de visuais negros e niilistas, em que a banda não se dirigiu ao público.

Fotogaleria do dia 31 de agosto aqui


Lavoisier – 1 de setembro


Os Lavoisier foram os primeiros a entrar em ação no último dia do ZigurFest no palco da Olaria. A dupla formada por Patrícia Relvas e Roberto Afonso recria a tradição musical portuguesa, respeitando a lei da conservação da matéria do químico Antoine Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", interpretação esta que assenta no minimalismo da guitarra e a voz (e corpo) moldável de Patrícia. Partiram para Berlim em 2009, mas decidiram regressar em 2013 para viver apenas da música. Em Lamego apresentaram o seu disco É Teu (2017), tocando temas como “Vira”, uma versão de “Marcolino” de Fausto Bordalo Dias, “Romance do Cego”, música tradicional portuguesa que a avó de Bragança cantava, “Estátua”, resultante de um poema de Judith Teixeira, “Fauna”, música que retrata o quão bonito e assustador pode ser viver ao pé do mar, e “Opinião”, coisa que toda a gente tem. O duo aventurou-se também num tema novo, “Frustração”, que irá fazer parte de um novo trabalho onde vão musicar Miguel Torga. Nada melhor que um situação ao vivo para testar a força das canções.

The Dirty Coal Train – 1 de setembro


Todos sabemos que quando menos esperamos algo de extraordinário acontece. Foi isso que aconteceu com os Dirty Coal Train, banda que veio substituir à última da hora os Moon Preachers. O trio formado por Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, na guitarra e voz, e Nick Suave, na bateria, editou em maio o novo álbum Portuguese Freakshow e conseguiu vir até Lamego atuar pois estava a passar férias ali perto. Só precisaram que alguém lhes emprestasse uns instrumentos. Uma das guitarras até estava assinada por Malcolm Young, membro falecido dos AC/DC. Ao todo foi quase uma hora de garage punk puro e duro, com direito a mosh e a crowdsurf por parte do endiabrado público. Não menos endiabrados, Ricardo e Beatriz andaram também pelo público a dar tudo, dando a oportunidade a algumas pessoas de agarrarem no micro e gritar o que lhes ia na alma. Dose diária recomendada de rock para aqueles que assistiram a este vendaval.

Scúru Fitchádu – 1 de setembro


Para quem nunca tinha visto Scúru Fitchádu ao vivo e só tinha ouvido algumas músicas em casa, nada os podia preparar para a bojarda que aí vinha. O relógio já marcava as 3h da manhã quando Marcus Veiga aka Sette Sujidade entrou no palco Alameda com o seu produtor. Scúru Fitchádu é um projeto que vive para as atuações ao vivo, dono e senhor de uma música bastante física e intensa, a qual não dá para viver sentado. Funde a distorção e o ruído do punk com os ritmos dançantes do funaná de Cabo Verde e a bass music. Isto tudo cantado vigorosamente em crioulo, com a ajuda de uma faca que bate freneticamente sobre o ferro e nos “obriga” a dançar até mais não. Foi um concerto que se prolongou por mais de uma hora e nos obrigou a ir aos limites. Incrível, épico, o melhor concerto desta edição do ZigurFest.

Fotogaleria do dia 1 de setembro aqui.


P.S.: Um dos melhores festivais nacionais, o ZigurFest mostrou-se em excelente forma, excecionalmente organizado. Integrado nas festividades de Lamego, funcionou como uma alternativa às festas mais populares, permitindo chamar público de todas as idades. Os belíssimos locais onde se dão os concertos são muito bem escolhidos e adequam-se perfeitamente ao tipo de música e à cidade milenar de Lamego. O convívio com bandas é bastante facilitado e podemos ver de perto como tocam pois não há barreiras entre nós e estas. Toda a cidade é contagiada pelo ZigurFest e nós sentimo-nos bem a fazer parte dessa família. Esperamos voltar por muitos e bons anos. 

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: David Madeira


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terça-feira, 28 de agosto de 2018

ZigurFest - caminhando por Lamego, assim reza a lenda...

© Rafael Farias 
O ZigurFest vai para a sua oitava edição, continuando a espalhar o caos musical nas ruas de Lamego. De 29 de agosto a 1 de setembro, a cidade recebe 24 nomes emergentes da música portuguesa, espalhados por 8 palcos, do qual se destaca o Teatro Ribeiro Conceição, a sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego, o Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, o Castelo de Lamego, o largo da Rua da Olaria, o espaço verde do Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda), o Largo da Cisterna e a Capela de Nª. Srª. da Esperança. Serão quatro dias em que a música se funde com o vasto património milenar apresentado por Lamego.

Ao mesmo tempo, a Casa do Artista (localizada no histórico Bairro do Castelo) transforma-se numa galeria temporária onde estarão albergados os trabalhos das artistas em residência da Sofia Mascate e da Serena Barbieri. Adicionalmente, serão apresentadas duas peças da autoria de Manuel Guimarães e João Pedro Fonseca, havendo ainda espaço para dois workshops ligados à produção musical, por twistedfreak e Francisco Pina.

A celebração da música e arte portuguesa arranca a 29 de agosto, com o concerto de Ulnar + Sal Grosso no Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos (17h30), e encerra com a maratona electrónica dos 2Jack4U na Alameda, no Sábado de madrugada. A entrada no festival é completamente gratuita.

Caminhem connosco pelas ruas de Lamego, passo a passo.


29 de agosto


O primeiro dia do ZigurFest conta apenas com três espetáculos e a colaboração caseira Ulnar + Sal Grosso é a primeira a abrir as hostes nesta oitava edição. O Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos vai receber às 17h30 o que de melhor se faz em Portugal na música ambiente e noise. Às 18h30 rumamos todos ao Largo da Cisterna para assistir à atuação de Zarabatana. O trio feérico de Yaw Tembe, Bernardo Alvares e Carlos Godinho traz consigo O Terceiro Corno, a imprevisibilidade e um transe eterno sustentado pelo diálogo voluptuoso entre percussões, contrabaixo e trompete. Por fim, Dullmea, máscara que Sofia Faria Fernandes enverga em palco, atua às 22h00 na Sala de Grão Vasco no Museu de Lamego. Com um disco editado em 2018, Dullmea remete-nos para os tempos transcendentes e delicados daquele álbum da Björk gravado só com vozes. 



30 de agosto


O segundo dia de ZigurFest estende-se a outros espaços de Lamego, entre eles o palco Castelo, onde os Mazarin abrem o dia às 17h30. O quarteto editou este o seu EP de estreia homónimo, composto por canções instrumentais deveras orelhudas e pegajosas onde fundem o hip-hop com o jazz, na mesma onda dos valores de BBNG e Eabs. A festa continua no palco Castelo com os Terra Chã às 18h30. Formados por Fabrizio Reinolds (dj, coleccionador e produtor) e Ricardo Fialho (Inversus), editaram o seu EP de estreia, Dupla Insolariade, pela recém-formada Zabra Records, subsidiária da ZigurArtists, e são donos de uma house mais onírica. A dança como libertação é o mote para uma hora de ginga baleárica que não vamos esquecer tão cedo.


É já de barriga cheia que vamos assistir ao concerto de Mathilda pelas 21h30. A cantautora vimaranense lançou em novembro do ano passado , com apenas 17 anos, o single “Lost Between Self Expression and Self Destruction” e desde aí que tem estado nas bocas do mundo da música nacional mais alternativa. Em Lamego vamos encontrá-la envolta num cenário especial, a Capela de Nª. Srª. da Esperança, onde vai apresentar as suas canções de filigrana e veludo, pensadas para expor e sustentar bravamente as suas fragilidades, tocadas ora por um ukulele, ora por uma guitarra eléctrica. 

Às 23h00 fazemos a primeira incursão do festival no palco Alameda para assistir ao concerto de Gume, um dos ensembles mais entusiasmantes do país. Formados por Yaw Tembe, Pedro Monteiro, Sebastião Bergmann, André David, Tiago Fernandes e David Menezes, trazem o seu groove de cosmologia afro-futurista para nos fazer dançar e celebrar com alma à luz de nomes como Fela Kuti, Sun Ra, Last Poets ou The Roots.

Quando se atingirem as doze badaladas é a altura de ouvir o canto das Sereias no palco da Alameda. A banda do Porto que ainda está a dar os seus primeiros passos é movida a noise rock feroz e no wave sem forma, destino aparente ou referências óbvias. Agarrem-se bem para esta viagem. Continuando na Alameda, o último concerto da noite (01h00) fica a cargo de Inversus, projeto do produtor Ricardo Fialho. Activo há mais de uma década em Portugal, Ricardo estreou-se finalmente a solo em 2017 pela Zigur com Sobrena. Em Inversus ouvem-se laivos de synth-pop, hip-hop, electro e outras variantes da música electrónica - sempre com uma embalagem policromática e psicadélica qb.



31 de agosto


André Gonçalves vai presentear-nos com a primeira atuação do dia, às 17h30, no palco Castelo. André tem-se cimentado como um dos exploradores sónicos mais fundamentais além e aquém fronteiras. Fá-lo sempre com as mãos comandadas pelo coração: seja na construção de synths modulares pela ADDAC, seja na música, Eterna como gosta de a apelidar. Continuando no castelo, às 18h30 é a vez das Savage Ohms, quarteto puramente feminino de música livre e ruidosa que junta Beatriz Diniz (April Marmara), Teresa Castro (Calcutá), Joana Figueiroa e Violeta Azevedo. Isto é Kraut à séria, para viajar sem destino certo, assente no conforto de uma teia de efeitos meticulosamente tecida pelo encontro de guitarras e sintetizadores.

Às dez da noite vamos todos ao Teatro Ribeiro Conceição pela primeira vez nesta edição do ZigurFest. Ocasião? 

O concerto de David Bruno, ou dB, como era anteriormente conhecido. Na bagagem traz O Último Tango em Mafamude, disco editado este ano e muito acarinhado pelo público. Vestido com uma roupagem dos anos 90 e enriquecido com ritmos do hip-hop, um imaginário soul e músicas românticas, O Último Tango em Mafamude demonstra o amor que David Bruno tem pela sua cidade de Vila Nova de Gaia. A atuação vai contar com a presença de Marquito, guitarrista responsável pelos calorosos solos, e ainda com algumas projeções de momentos bem portugueses retirados da RTP Memória. 


Quando forem 23h00 é a vez dos NU subirem ao palco do Teatro. A banda de Santo Tirso vem apresentar o seu rock experimental fundido com outros elementos como a literatura, o vídeo e a performance, e influenciado por gigantes como os Swans, Einstürzende Neubauten, Mão Morta. Desconcertantes e incendiários, os NU podem muito bem vir a ser a grande surpresa do rock mais mecânico em Portugal. Quando passarem 30 minutos da meia noite, vamos até à Olaria ver os Vaiapraia e as Rainhas do Baile, coletivo recente, mas já definitivamente icónico em Portugal. As suas aparições têm tanto de concerto como de performance, misturando a pop punk mais doce com a mais aguerrida - isso deve-se não só ao companheirismo raro entre os músicos, mas também à vulnerabilidade que Rodrigo imprime na banda. Com eles, menos é mais e a força com que as canções de 1755 se fazem sentir trazem tanto de inspirador como de emancipador. 

Por volta da 1h30 é a vez de Ângela Polícia subir ao palco da Olaria. O projeto de Fernando Fernades, nascido em Braga em 2015, procura de forma sábia e paciente uma expressão sonora que faça jus à sua lírica: crua, interventiva e esquizofrénica qb. Encontrou-a em 2017, no delicioso e perigoso Pruridades, álbum onde funde o hip-hop ao dub, ao punk e ao grimeAntes de irem para a cama, há Mutual na Olaria às 2h30. Formados por André Geada e Manuel Bogalheiro, agitadores de pista no coletivo No She Doesn’t e produtores em nome próprio, dedicam-se aos cantos mais fumarentos da electrónica e percorrem caminhos não muito distantes dos trilhados por Demdike Stare, Millie & Andrea ou Andy Stott.



1 de setembro


No último dia de ZigurFest os Lavoisier são os primeiros a entrar em campo às 17h30, na Olaria, palco onde terminou a festa na passada noite. Encontro feliz entre Ricardo Afonso e Patrícia Relvas, duas almas musicais que parecem ter sido feitas a pensar uma na outra, os Lavoisier criam música portuguesa envolta em expressionismo e assente num binómio indestrutível - o minimalismo da guitarra e a voz (e corpo) moldável de Patrícia. Por volta das 18h30 sobem ao palco da Olaria o percussionista João Pais Filipe e o saxofonista alemão Julius Gabriel. Juntos formam Paisiel, duo que se move livremente entre géneros como a música experimental, o jazz e o rock, procurando atingir o delírio sónico e cósmico.

Após o jantar (22h00) vamos uma vez mais ao Teatro Ribeiro Conceição, assistir ao concerto dos Bardino, coletivo nortenho que aposta nas sonoridades psicadélicas em pleno 2017. Mas não se enganem com esta descrição tão usual nos dias que correm, pois o quarteto prefere mergulhar na rara tranquilidade introspectiva e escapista do psicadelismo antigo, em vez de recorrer aos tão aborrecidos riffs. Alicerçados na herança do rock progressivo e suas variantes tingidas a funk e jazz-fusão, os Bardino editaram em outubro do ano passado o seu EP de estreia homónimo com o selo da ZigurArtists.


Podem continuar bem sentadinhos no teatro que às 23h00 sobe ao palco O Carro de Fogo de Sei Miguel. Figura ímpar da música portuguesa do século XXI, colaborador dos Pop Dell’Arte, Sei Miguel tem produzido alguma da música mais intrigante de que há memória. Aliado a um mistério contínuo que tem rodeado a sua pessoa - e que encaixa como uma luva nas suas composições que têm tanto de vanguardista como de psicadélico -, tem construído de forma serena um legado riquíssimo. Chega a Lamego com a promessa de um disco novo, em que se relevam as melhores intenções fusionistas dos anos 70 do século passado.

Rumando à Olaria, vamos ver os Moon Preachers quando passar meia hora após a meia noite. Com uma sonoridade punk do mais rápido e poderoso que há, o duo do Seixal tem andado a rebentar tímpanos por todo o nosso país. Editaram o seu álbum de estreia, A Free Spirit Death, em março. Os vossos ouvidos vão ficar a zumbir durante uns tempos por isso usem ear plugs. O palco Alameda espera por nós à 1h30. Allen Halloween é um dos nomes incontornáveis da história do hip-hop tuga. Autêntica alma intocável, na composição e nos beats, claro, mas acima de tudo nas histórias que imortaliza a cada canção que lança, chega a Lamego embalado por um momento prolífero. Além do portentoso Híbrido – um puro acto de contrição cantado não recomendado aos mais sensíveis - tem-se sabido redescobrir e reinventar via Unplugueto, disco admirável pela sua simplicidade e pela abordagem honesta à música. Ponto alto do festival e da música nacional, história a fazer-se diante dos nossos olhos. 

Continuando a festa, os Scúru Fitchádu sobem ao Alameda às 2h30. Provando que não há limites para além daqueles impostos por nós próprios impomos, a banda liderada por Sette Sujidade (e que conta ainda com Chullage e Ronaldo D’Alva Teixeira nas aparições ao vivo) tem aberto caminho com o seu cruzamento imparável de punk e hardcore com funaná. Ou, como o próprio Sette Sujidade lhe chama sem pudor, música de pancada. E como tudo tem um fim, os 2JACK4U vão ser os últimos a atuar na oitava edição do ZigurFest, às 3h30 da manhã. Colecionadores ávidos de máquinas analógicas e exploradores sónicos, os 2Jack4U são uma locomotiva capaz de puxar para o centro da pista até o mais empedernido dos dançarinos. Têm no acid techno como força motriz para criarem a sua música e desengane-se quem acha que um só género os define: no âmago da dupla sobressai o espírito aventureiro, próximo de um rocker, mas para quem dançar é vital. No ZigurFest, está prometida uma maratona incendiária para encerrar o festival. 

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

ZigurFest 2018 com cartaz fechado



“...fazer de Lamego a cidade definitiva para ver, ouvir e sentir a nova música portuguesa.

Está lançado o mote para a oitava edição do ZigurFest. A cidade considerada histórica e monumental torna-se um palco de grandes dimensões de 29 de Agosto a 1 de Setembro, onde o cabeça de cartaz é a banda que ouviremos a seguir e onde nos sentimos em família para celebrar esta bonita festa.

Com o Teatro Ribeiro Conceição e o Castelinho como centro do festival, foram criadas ramificações que se estendem a uma dezena de outros espaços da cidade – sempre numa lógica de preservação, valorização e redescoberta do património erigido, mas também de abraçar as rotinas diárias da cidade. O ZigurFest regressa ao interior do Museu de Lamego, ocupa o tapete verde da Alameda Isidoro Guedes, sobe a colina para invadir as ruas e parques do Castelo e ainda terá um palco que será divulgado uma semana antes do evento.

É por aqui que vão passar alguns dos nomes mais importantes da música feita em 2018: Ulnar + Sal Grosso, Zarabatana, Dullmea, Terra Chã, MAZARIN, Mathilda, GUMESereias, Inversus, André Gonçalves, Savage Ohms, David Bruno (dB), NU, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Ângela Polícia, Mutual, Lavoisier, Paisiel, Bardino, O carro de Fogo de Sei Miguel, Moon Preachers, Allen Halloween, Scúru Fitchádu e 2jack4u. Além destes nomes, o ZigurFest vai fazer regressar a ZONA – Residências Artísticas de Lamego.

E porque esta cidade tem sempre mais alguma coisa inesperada para descobrir, irá ser inaugurado o parque de campismo do ZigurFest. Gratuito, soalheiro e instalado numa zona verde da cidade, está pronto para receber quem vem de longe para descobrir a cidade e a música mais entusiasmante do ano. Venham e percam-se: em Lamego e na música.

Cartaz por dias:


29 de Agosto (Quarta-Feira):

Ulnar + Sal Grosso (17h30 - Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos)
Zarabatana (18h30 - Largo da Cisterna) 
Dullmea (22h00 - Sala Grão Vasco do Museu de Lamego)


Zarabatana

30 de Agosto (Quinta-Feira):

MAZARIN (17h30 - Palco Castelo)
Terra Chã (18h30 - Palco Castelo)
Mathilda (21h30 - Palco anunciado a 22 de Agosto)
GUME (23h00 - Palco Alameda)
Sereias (00h00 - Palco Alameda)
Inversus (01h00 - Palco Alameda)


Mathilda

31 de Agosto (Sexta-Feira):

André Gonçalves (17h30 - Palco Castelo)
Savage Ohms (18h30 - Palco Castelo)
David Bruno (dB) (22h00 - Palco TRC)
NU (23h00 - Palco TRC)
Vaiapraia e as Rainhas do Baile (00h30 - Palco Castelinho)
Ângela Polícia (01h30 - Palco Castelinho)
Mutual (02h30 - Palco Castelinho)

David Bruno (dB)

1 de Setembro (Sábado):

Lavoisier (17h30 - Palco Castelinho)
Paisiel (18h30 - Palco Castelinho)
Bardino (22h00 - Palco TRC)
O carro de Fogo de Sei Miguel (23h00 - Palco TRC)
Moon Preachers (00h30 - Palco Castelinho)
Allen Halloween (01h30 - Palco Alameda)
Scúru Fitchádu (02h30 - Palco Alameda)
2jack4u (03h30 - Palco Alameda)


Allen Halloween

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

gnration celebra 5 anos com concertos de Kelly Lee Owens, Powell e Ermo

Kim Hiorthoy
O gnration, espaço multidisciplinar bracarense orientado para a promoção de atividades artísticas e para a exploração e disseminação das artes digitais, celebra o seu quinto aniversário em abril através de uma sessão livre e gratuita rica em concertos, performances, instalações e workshops. 

O evento decorre dia 28 desse mês e conta com um elenco de luxo, do qual se destaca a estreia nacional da música e produtora galesa Kelly Lee Owens (na foto), que em 2017 se estreou com o seu primeiro e prestigiado longa-duração homónimo. Aclamado pela crítica internacional, Kelly Lee Owens integrou diversas listas dos melhores discos do ano com a sua aprimorada eletrónica de apontamentos dream-pop, R&B e  ambient techno. No dia anterior, 27 de maio, Owens atua na Galeria Zé dos Bois, em Lisboa.



Quem também preencherá a noite será Powell, que fará a sua redenção em Braga depois de um cancelamento no festival Milhões de Festa. Com trabalhos editados pelas conceituadas editoras Mute, XL e a própria Diagonal, Powell apresenta nas suas composições um techno visceral de paisagens industriais e nervosismo post-punk, numa espécie de ode que tem tanto de Suicide como de Front Row 242. Sport, o seu primeiro LP editado em 2016, conta com a participação de Jonnine Standish, vocalista dos HTRK, e deverá receber maior atenção na sua atuação.

Ainda nos concertos encontram-se os autores dos dois melhores discos para a nossa redação (Surma com Antwerpen e Ermo com Lo Fi Moda), Lavoisier, Osso (coletivo hip-hop bracarense), Sinø e ainda o londrino DJ Fitz, que prometem manter o gnration acordado até às 4 da manhã.

O gnration contará ainda com algumas propostas dedicadas à multimédia e audiovisual com as instalação de AGF (Antye-Greie-Ripatti), escultora alemã cujo Language Hack se encontrará exposto na galeria INL. Na galeria gnration, o artista sonoro canadiano Nicolas Bernier apresentará frequencies (light quanta). Na entrada do edifício, o duo vimaranense Elsa Duas, composto por Cláudia Oliveira e Isabel Bourbon, terá exposto o baloiço musical Baloica.


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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Vodafone Mexefest com cartaz completo e horários disponíveis


Foram hoje anunciadas as últimas confirmações da edição de 2017 do Vodafone Mexefest. O festival que invade a Avenida da Liberdade, em Lisboa, nos dias 24 e 25 de novembro, conta agora com novos reforços do hip hop como Eva RapDiva, a rainha ginga do rap angolano, CJ Fly e Nasty Niles, dois nomes fortes do coletivo de hip hop de Brooklyn.

No que diz respeito à música nacional, foram confirmados Killimanjaro, Surma, Conjunto Corona, Panado, Lavoisier, Tomara, O Gajo, El Señor, Iguana Garcia, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Primeira Dama, Haëma, La FLAMA Blanca, Kumpania Algazarra, Fogo Fogo, DJ Slimcutz, Grupo Coral e Etnográfico Os Camponeses de Pias, Sopa de Pedra, Hak Baker, Luca Argel, Kastrupismo e o funk da dupla de DJs formada por André Granada e Tiago Pinto, Funkamente!.

Foram também disponibilizados os horários dos dias 24 e 25 de novembro.



Os bilhetes para o Vodafone Mexefest encontram-se neste momento à venda nos locais por 45€, sendo o preço 50€ nos dias de festival.

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Milhões de Festa anuncia alinhamento da Piscina



Pouco mais de um mês e meio nos separa até ao dia do começo da festa, o Milhões  de Festa anunciou hoje os nomes que farão parte da piscina mais quente de Barcelos.

Com o já confirmado Sarathy Korwar junta-se Hieroglyphic Being, GPU Panic + Shake It Machine, o Bom, o Mau e o Azevedo, MQNQ, ou seja MMMOOONNNOOO e Quim Albergaria da banda PAUS, Sly and The Family Drone, a banda portuguesa Lavoisier que se junta ao já conhecido DJ Barrio Lindo, e para a alegria de todos Mehmet Aslan. 

Outros nomes confirmados foram Ghost Wavves com o rapper Mike El nite e ainda Shame, Orchestre of Spheres, MVRIA com SUPA.

 Mehmet Aslan
Estes serão os nomes que farão parte desta edição do Red Bull Music Academy no décimo aniversário do festival Milhões de Festa que se realizará entre os dias 20 e 23 de julho de 2017



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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Reportagem: Bons Sons 2016 [Cem Soldos, Tomar]


Nos passados dias 12, 13, 14 e 15 de agosto fomos até Cem Soldos, Tomar, onde se realizou a sétima edição do Bons Sons. O festival que em 2016 celebrou o seu 10º aniversário contou com grandes nomes da música portuguesa como Keep Razors Sharp, White Haus, Sensible Soccers, Best Youth. Saibam como correu a festa na Aldeia mais cultural e acolhedora de Portugal.

11 de agosto

O Festival começou com uma enorme agitação no parque de campismo, com centenas de pessoas a tentar, simultaneamente, montar as suas tendas. À noite, quando a poeira já tinha assentado e os campistas já tinham jantado, Quem és tu Laura Santos? abriu o festival num palco montado junto à saída do campismo. O DJ fez toda a gente presente dançar e saltar, levando até a um “comboio” com mais de 50 pessoas. O espetáculo ajudou a firmar o ambiente pelo qual o festival é conhecido. Se, há 20 minutos atrás o público só tinha desconhecidos, agora já consiste de vários novos amigos, que dançam ao som de hits pop dos anos 70 e 80, sendo eles portugueses, franceses ou ingleses.

Após o final do espetáculo, explorou-se a aldeia e tentou-se dormir, ato que se viu dificultado com a quantidade de instrumentos musicais a ser tocados pelo parque de campismo.

12 de agosto

Os concertos (para nós) começaram no Palco MPAGDP (Igreja), onde João e a Sombra, o projeto músical do ator e músico João Tempera, apresentava o seu novo álbum Outra Coisa Qualquer. O concerto foi agradável, embora achemos que tenha sido mais forte no início, tendo perdido um pouco a nossa adesão nas últimas músicas.

Um pouco depois, abrindo o Palco Giacometti (Coreto) estavam as irmãs Pega Monstro, que deram um dos concertos mais explosivos e barulhentos do festival. Tocaram grande parte do álbum que considerámos o melhor álbum nacional do ano passado, Alfarroba. O que mais impressionou neste concerto foi a entrega das irmãs, que nem por um segundo pareceram pensar noutra coisa senão a sua música, tocando-a com uma enorme violência, obrigando o público a render-se.


Mais ao final da tarde, Birds are Indie, trio de Coimbra, deram um dos concertos mais agradáveis de todo o festival. O grupo não se limitou a apresentar o seu novo álbum, tocando temas de todos os seus registos e até covers. A verdadeira magia aconteceu enquanto as músicas eram tocadas, num daqueles momentos em que parece que todas as estrelas se alinham, a temperatura estava agradável, o sol já não bate tão fortemente e a banda cantava e tocava as suas músicas suavemente. Instaurou-se um ambiente em que toda a gente se sentia bem e se divertia, especialmente durante os maiores hits da banda, em que boa parte do público sabia a letra (pelo menos o refrão) e a cantava com o trio.


À noite, ouvimos Best Youth a abrir o palco Eira, começando a marcar o registo positivo que este palco teve ao longo dos quatro dias, tendo dado casa a alguns dos melhores concertos deste festival. O concerto do duo Portuense foi algo diferente do que já tinha visto no resto do dia. Enquanto que o concerto anterior foi íntimo, este passou a outro nível, em que toda a cumplicidade do duo em palco se transferiu para o público, que não parou de dançar ao som do indie pop sensual que vinha do palco.



13 de agosto

Começamos o dia com Grutera no palco Giacometti. O guitarrista oriundo da Nazaré, sendo apenas acompanhado por uma violinista e um dos guitarristas dos Indignu [lat.] (em algumas música), deu a todo o público presente uma experiência quase surreal, embora só estivesse uma guitarra acústica em palco. Podia-se jurar que estava uma orquestra inteira a tocar para nós. No final do concerto, o guitarrista afirmou que este tinha sido o seu concerto de “despedida” e que se ia afastar dos palcos por agora.


A tarde continuou com Few Fingers, no Palco Tarde ao Sol. O duo fortemente inspirado pelo indie/folk foi acompanhado em palco por membros dos Nice Weather For Ducks, Les Crazy Coconuts e da banda que acompanha David Fonseca, formando assim um quinteto. O concerto em si foi algo mais “leve”, em comparação ao anterior, não deixando assim de agradar o público, captando a nossa atenção até ao fim. A banda tocou músicas de todo o seu repertório, com especial atenção ao seu novo álbum Burning Hands.


Logo de seguida regressámos ao Giacometti para assistir ao concerto dos Lavoisier. Munidos apenas duma guitarra elétrica e da voz, levaram o público de volta às nossas raízes enquanto portugueses, cantando temas da música popular portuguesa e algumas adaptações de poemas, de autores como Fernando Pessoa, por exemplo. O concerto foi muito teátrico, com danças e usos poucos comuns da voz.

A começar a noite, Cristina Branco cantou o seu fado, num dos concertos que, infelizmente, teve a menor adesão do público de todos os que assistimos durante o festival. Toda a sua banda tocou excepcionalmente bem, e mesmo a voz não ficou atrás. Apenas foi um pouco mais recolhida do público que o resto das bandas do festival, e talvez por isso, também o público não tenha aderido tão bem ao seu concerto.

Em seguida corremos até ao Palco Eira para assistir a Da Chick. A cantora trouxe até Cem Soldos o funk old-school americano, obrigando toda a gente a dançar. Não tendo medo de responder a insultos do público, a Chick acordou a aldeia depois do concerto mais calmo de Cristina Branco e obrigou toda a gente a fazer barulho e saltar de um lado para outro, enquanto cantava com toda a sua alma os seus temas.


Fechando a noite, os Deolinda atuaram no palco Lopes Graça. A banda que dispensa introduções foi possivelmente a que puxou mais pelo público, tendo posto toda a gente a cantar durante 5 minutos seguidos. O concerto destacou-se também pela enorme presença em palco de Ana Bacalhau, que sempre com grande alegria, dançava e puxava pelo público melhor que ninguém. Sempre em altas, este foi um dos concertos mais divertidos de todo o festival.

14 de agosto

O dia começa com Madalena Palmeirim, no palco MPAGDP. A cantautora faz-se acompanhar por uma guitarra, bateria e um violino enquanto toca no seu piano (ou ukelele), temas dentro do espectro do indie/folk. Utilizando este concerto para começar a apresentar inéditos do seu futuro álbum, Madalena e a sua banda apresentaram um concerto bastante sólido, pecando apenas por não ter nenhum momento que chamasse mais à atenção do público.

Após uma curta pausa para explorar o que a aldeia tinha a oferecer, sentamo-nos junto ao Giacometti para assistir ao concerto de Dear Telephone. O quarteto inspirado pela sonoridade do rock alternativo mais pesado e pelo shoegaze, tocou na aldeia o seu primeiro concerto de 2016, vindo fresquinhos do estúdio com vários inéditos para apresentar. Não se ficando por aí, o grupo tocou músicas de todos os seus registos num concerto repleto de enormes solos.

Ao início da noite Keep Razors Sharp, arrasaram o palco Eira num concerto que só pode ser explicado como uma explosão sonora. O quarteto composto por elementos de várias bandas (Sean Riley & The Slowriders, The Poppers, entre outras) tocaram temas inspirados pelo shoegaze e pelo neo-psicadelismo. Arrebatando todas as espetativas deram o único concerto do festival onde conseguimos observar crowdsurf. Dando um concerto super energético, ninguém conseguiu ficar indiferente ao barulho que vinha do palco.

SETLIST KEEP RAZORS SHARP
5 Miles
Groove
9th
Brian
By The Sea
Intro
Cold Feet
Lioness
See Yr Face
Sure Thing
Kylie
África


Servindo como um momento para descansar, Carminho tocou no palco Lopes-Graça, desta vez para um público mais amigável do que o que se apresentou à outra fadista que atuou no festival. Apresentando um concerto muito agradável, ficamos com pena de não conseguirmos ouvir do início ao fim o seu concerto.


Saindo de Carminho, partimos para o palco Garagem, onde tocava para um público com cerca de 20 pessoas um duo de um guitarrista e um vocalista (visitantes do festival) que re-imaginavam vários clássicos, como “Knocking on Heaven’s Door”. Não se acanhando, deram-nos uma das maiores surpresas do festival.

Depois do concerto, corremos para o Eira para tentar ainda apanhar White Haus. Embora tenhamos chegado atrasados, o concerto foi extremamente agradável, dando uma continuação às danças já iniciadas em Da Chick, havendo mesmo várias rodas de gente a dançar. O quarteto liderado por João Vieira (X-Wife) deu outro dos concertos mais divertidos do festival, fechando em grande o palco Eira pela noite.



15 de agosto

Como já era costume, o dia começou no palco MPAGDP, desta vez ao som de Diego Armés. O antigo vocalista e guitarrista dos Feromona e atualmente dos Chibazqui, deu na igreja um grande concerto apenas usando uma guitarra acústica e a sua voz. O concerto foi muito agradável, tendo sido repleto de inéditos e de várias ocasiões onde Diego se reinventou a si mesmo, tocando temas escritos por ele, quando ainda se encontrava nos Feromonas.

Logo após o concerto de Diego, a igreja encheu-se de gente, tendo até pessoas sentadas no chão. Flak, mais conhecido como o mega guitarrista dos Rádio Macau. Deu um concerto de outro mundo, transformando a igreja no palco principal do festival. Especialmente no encore, onde não havia ninguém sentado dentro da igreja, estando todos a gritar as letras dos clássicos dos Rádio Macau. O guitarrista tocou em cima do seu amplificador, andou aos saltos em cima do palco e trabalhou o público de uma maneira extremamente cativante, não deixando ninguém indiferente. Sem dúvida um dos pontos altos do festival.

Abrindo o palco Giacometti pela última vez neste festival estiveram as irmãs Falcão, melhor conhecidas como Golden Slumbers. O concerto começou duma forma semelhante a todos os concertos no Giacometti, o público sentado no chão a ouvir a música e a cantar, mas rapidamente inverteram essa situação, pois nem 5 minutos depois grande parte das pessoas presentes já estavam em pé a ajudar a cantar os refrões de todos os temas inspirados pelo folk das irmãs. Com toda a gente a cantar e a dançar, tivemos então mais um grande concerto no palco Giacometti, num dia que desde o início prometia grandes coisas.

Para nós a maior surpesa do festival revelou-se no concerto seguinte: Desbundixie. A banda de jazz (fortemente inspirada pelo movimento do Dixieland, mais facilmente caracterizado pelos temas oriundos de Nova Orleães nos anos 20 do século passado), fechou o palco Tarde ao Sol, num concerto tão cheio que até se viam pessoas a dançar no andar de cima da igreja. O conjunto de sete elementos deu um concerto fantástico, tocando clássicos como “Royal Garden Blues” e “All of Me”. Ninguém parou de dançar, havendo até dois casais seguidores da banda que deslumbraram todo o público com os seus passos de dança no meio da multidão.

Após Desbundixie sentimos que precisávamos de descansar, por isso descemos ao Auditório, onde infelizmente não conseguimos assistir a nenhum concerto. Dor acentuada pela quantidade de vezes que passamos por Joana Sá neste quarto dia, mas aproveitamos para assistir a algumas Curtas em Flagrante, projeto onde são mostradas algumas curtas realizadas independentemente, por criadores lusófonos.

Já jantados, fomos assistir a Les Crazy Coconuts, que se preparavam para obrigar o público a dançar ao ritmo do sapateado do trio. De origem leiriense, este grupo deu um concerto que foi desde os ritmos mais simples do rock até alguns de dança um pouco mais complexos. Nunca tirando o pé do acelerador, o concerto fez toda a gente saltar de um lado para o outro até ser (infelizmente) hora de acabar.

Embora tenhamos ficado tristes por Les Crazy Coconuts ter terminado, não foi durante muito tempo, visto que em seguida veio o concerto de Jorge Palma. O músico de renome, atualmente faz-se acompanhar por um grupo de jovens e cremos que isto seja pelo melhor. Parece que deram uma nova energia ao músico e origem a uma maior dinâmica em palco. O concerto começou com alguns clássicos, seguidos de dois temas a solo no piano, que serviram para mostrar que mesmo com 66 anos o músico não está perto de parar, continuando tão genial como há 20 anos. O concerto continuou sempre animado e culminou num encore onde o artista fez o público gritar do fundo dos seus pulmões ao som de “Jeremias o Fora-da-Lei”, “A Gente Vai Continuar” e “Picado Pelas Abelhas”.

SETLIST JORGE PALMA
O Fim
Dormia Tão Sossegada
Eternamente Tu
Cara D’Anjo Mau
Quarteto da Corda
Dá-me Lume
Escuridão
Estrela Do Mar
Terra dos Sonhos
Frágil
Deixa-me Rir
Encosta-te a Mim
Portugal, Portugal
Jeremias, o Fora-da-Lei
A Gente Vai Continuar
Picado Pelas Abelhas

Fechando os palcos principais do festival, os D’Alva trouxeram a sua boa disposição habitual à aldeia, obrigando todo o público a fazer barulho e a cantar os parabéns. Embora não tenha sido um dos nossos concertos favoritos do festival, reconhecemos o seu mérito e aplaudimos a energia do grupo em palco, que conseguiram fazer todo o público rir e saltar, enquanto a banda mostrava o seu amor pelo pop.

Chegamos ao festival sem saber muito bem o que esperar, mas em retrospetiva, podemos dizer que era tudo o que poderíamos pedir e mais.

Sem dúvida que este festival tem um ambiente muito especial, mágico de experienciar durante os 4 / 5 dias que durou. Toda a gente tinha sorrisos na cara, ninguém resmungava, sempre prontos a ajudar os outros. Tal como diz o slogan do festival, parecia que estávamos mesmo a viver a aldeia e não apenas a visitá-la.

Além da qualidade do ambiente, os concertos em si também foram, no geral, geniais. Finalmente, queremos também agradecer à organização do festival que nos recebeu de maneira excelente e sempre dispostos a ajudar.


Fotos dia 12 de agosto

Bons Sons '16 (1º dia)

Fotos dia 13 de agosto

Bons Sons '16 (2º dia)

Fotos dia 14 de agosto

Bons Sons '16 (3º dia)

Texto: Bernardo Sequeira
Fotografia: Rafaela Suzano

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