segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

O Sol a Casa (do Estudante) torna com Luis Severo em Aveiro

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Na Quinta-Feira, 5 de Dezembro, a Casa do Estudante recebe uma noite "diferente" no Campus da Universidade de Aveiro. O Sol Voltou - terceiro disco de Luis Severo - é o mote consensual da Associação Académica da Universidade de Aveiro (AAUAv) para o serão que fecha um semestre "diferenciado". recheado de nomes como Conan Osiris, Chico da Tina ou David Bruno a integrarem a programação oferecida aos estudantes ao longo dos últimos meses.



É com o descer das temperaturas que Luís Severo regressa a Aveiro, desta feita com o terceiro disco debaixo do braço e uma consensualidade como poucos têm na música portuguesa. 
Depois de "Cara d'Anjo" e de "Luis Severo", o cantautor lisboeta resgatou o brilho da Primavera com O Sol Voltou, disco de canções que buscam a harmonia entre o acústico e a electrónica e que entram no espaço mais íntimo do compositor. Com o "disco mais pessoal e confessional" - nas palavras do próprio - Luís Severo tem presenteado as principais salas do circuito nacional com as canções que fazem companhia a "Primavera", chegando a Aveiro sob a vaga de frio que a Casa do Estudante tende a camuflar na próxima Quinta-Feira. Depois do GnRation (Braga), Salão Brazil (Coimbra) ou Passos Manuel (Porto), é a vez da cidade dos canais receber um dos álbuns mais consagrados de 2019, num belo serão académico declamado em Português. 

Os bilhetes estão disponíveis na Secretaria da Casa do Estudante, com o preço entre 4€ (estudante) e 7€ (não-estudante). + info aqui.

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terça-feira, 8 de outubro de 2019

Fotogaleria: Luís Severo [gnration, Braga]


No passado dia 28 de setembro, estivemos presentes no gnration para assistir à atuação do cantautor Luís Severo, num concerto inserido na Braga Music Week. O artista trouxe consigo O Sol Voltou, disco mais pessoal e confessional que editou sem qualquer aviso prévio na primavera deste ano. 

Fiquem com o registo fotográfico dessa noite, a cargo da lente de Ana Carvalho dos Santos.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Vamos tão a Braga celebrar os sons da amizade



É já esta sexta que começa a sétima edição do Braga Music Week que vai decorrer de 27 de setembro a 5 de outubro em vários locais de Braga. A temática deste ano é o vigésimo aniversário do badalado disco O Monstro Precisa de Amigos dos Ornatos Violeta, por isso já sabem, desloquem-se a Braga com os vossos amigos e façam alguns novos enquanto vêem uns concertos.    

Na sexta dia 27 é a vez do Jacco Gardner dar o pontapé de partida ao subir ao palco (e o público também) do Theatro Circo para um concerto intimista com as sonoridades do seu recente Somnium. Seguem-se os bracarenses Omie Wise que vão jogar em casa ao se apresentarem na porta do Theatro Circo para apresentarem To Know Thyself, disco que vai ser lançado também nesse mesmo dia, portanto levem alguns trocos para comprarem o disco no fim do concerto.   


No dia seguinte, é a vez de Luís Severo interromper o outono ao trazer o sol e a sonoridade da primavera com um concerto no gnration. Se entretanto os bilhetes esgotarem, podem assistir à conversa dele e também à conversa dos Ornatos Violeta no gnration music market, onde poderão encontrar vários itens relacionados com música.  No domingo é a vez do torneio de futsal e na segunda o saxofonista Julius Gabriel vai ambientar o quizz night a realizar na Letraria.   

Dia 1 de outubro é dia da música, a banda O Bom, O Mau e o Azevedo e o DJ Pau vão ficar responsáveis pela comemoração no Barhaus. No dia seguinte, Greengo e Capela Mortuária sobem ao palco do Rock Star e na quinta é a vez de de Doutor Assério e Paulinho animarem uma noite que vai começar tipicamente minhota com comes e bebes.   Na sexta, a egípcia Nadah El Shazly sobe ao palco do gnration e no Lustre apresentam-se o norueguês Kubbi, o trapstar minhoto e rei da rima Chico da Tina e Conhaque.    

No último dia vai haver mais música mas desta vez no centro histórico com Shaka, Dokuga e Dirty Coal Train, sendo por isso também provável haver polícias a interromperem os concertos ao ar livre. O que não vai faltar mesmo são os carrinhos de compras a rolar nas ruas de Braga com amplificadores e colunas. E tu, vais rolar também?

Texto: Óscar Santos

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quarta-feira, 15 de maio de 2019

Luís Severo apresenta O Sol Voltou em Lisboa, Porto e Coimbra


Depois da sua notável estreia em 2015, com o independente Cara d'Anjo, Luís Severo juntou-se à Cuca Monga, editora pela qual lançou, com a mão da Sony Music, o seu segundo disco, o homónimo Luís Severo, que o levou aos lugares cimeiros das listas anuais da imprensa musical e generalista e aos mais emblemáticos palcos e festivais do país.

Com apenas dois álbuns editados, era já um dos nomes consensuais da escrita de canções da sua geração, mas não é por isso que deixa de surpreender. Do choque concordante entre o acústico e o electrónico, da contenda conciliante lírica e de todos os contrastes imagéticos, Luís Severo afasta-se do que já por si foi feito e, sem nunca perder o centro que o particulariza, chega assim com o seu terceiro disco, O Sol Voltou. Pela voz do próprio:

O Sol Voltou será, talvez, o meu disco mais pessoal e confessional. Neste disco decidi romper com algum auto-distanciamento fruto das estéticas enfeitadas e de alguma musculatura pop. Foi composto e produzido em total solidão, tendo decidido também tocar todos os instrumentos. Durante as gravações contei com a preciosa companhia do Diogo Rodrigues e do Rodrigo Castaño, que na régie do estúdio foram falando aos meus ouvidos e esperando pacientemente que eu fizesse o take quase perfeito. Este foi também o disco em que me aventurei com mais confiança na mistura e masterização, contando sempre com a preciosa colaboração do já familiar Eduardo Vinhas. Liricamente, O Sol Voltou é mais amor e menos paixão, mais família e menos multidão, mais vida mas também mais morte."

Luís Severo apresenta o seu terceiro álbum: 22 de Maio no B.Leza, em Lisboa; 29 e 30 de Maio no Passos Manuel, no Porto; 14 de Junho no Salão Brazil, em Coimbra. Bilhetes à venda na Ticketline e pontos de venda habituais.

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Indie Music Fest 2018 com cartaz completo



O Indie Music Fest acabou de confirmar os últimos nomes do seu cartaz. Mundo Segundo, Conan Osiris, Luís Severo, Vaarwell, Prana, Omodo, The Jaqueline, DON PIE PIE, Pântano, Rei Bruxo e Glaucoma juntam-se a outros nomes como Throes + The Shine, Keep Razors Sharp, Yuzi, Filipe Sambado e os Acompanhantes de Luxo, entre outros.

O melhor micro-festival português, já na sua sexta edição, tem agora os passes-gerais à venda nos locais habituais a 25 € (preço disponível até 31 de Agosto).








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quinta-feira, 22 de março de 2018

Festival Walk and Dance celebra o novo rock português


Há uma cidade no norte do País que nesta Páscoa vai trocar os cânticos religiosos pelos ruídos das guitarras que estão a moldar o rock português. A meia hora de distância do Porto, Freamunde recebe entre os próximos dias 28 e 31 de março o festival Walk and Dance com nomes como The Poppers, Killimanjaro, 800 Gondomar, Flying Cages, Jonny Abbey, PISTA, Jerónimo e muito mais.

O cartaz desta que será a quarta edição do evento promovido pelos The New Party Makers (um grupo de amigos que decidiram juntar-se para levar mais música à região) contempla um total de 13 os concertos, distribuídos por cinco palcos que obrigam a percorrer diferentes locais – alguns improváveis - daquela cidade do concelho de Paços de Ferreira. Um deles é o bar Gardens, no centro de Freamunde, que serve de palco para o concerto de arranque do festival, na próxima quarta-feira, com Mathilda. Oportunidade para conhecer o primeiro álbum, editado em novembro de 2017, da cantora e compositora nacional.

Na segunda noite, o festival ocupa uma fábrica abandonada – a Fábrica Grande, como é conhecida localmente – para se ouvirem as melodias de Luís Severo, as nuances psicadélicas dos Chinaskee &Os Camponeses e as intensas guitarras dos Omodo. Dia 30 é dia de de ir ao teatro, nomeadamente à Associação Socorros Mútuos, onde estará o palco IberiumCafés. Lá se farão ouvir os The Poppers, a banda de Barcelos Killimanjaro e os Moon Preachers. A noite acaba no Espaço A, uma casa que já tem dado exposição a novas bandas e djs portugueses, com o trio 800 Gondomar.



Faça sol ou chuva, no último dia o Walk and Dance salta para o palco de rua, designado Letra On Oak, para se ouvir Jonny Abbey. Na noite de despedida, há também atividade no teatro transformado em palco IbériumCafés, com os concertos dos Flying Cages e Jerónimo, e no palco Espaço A, com os PISTA e Mojo Hannah.

São mais que suficientes os motivos para visitar Freamunde esta Páscoa e celebrar a nova ressurreição do rock português no Walk and Dance, para o qual são esperados ainda djs como Moullinex, Nuno Rabino, Londonbeat e João Moura. Avaliando os preços dos bilhetes diários (8 ou 10 euros), mais vale comprar o passe para as quatro noites (15 euros) e não perder pitada.

Texto: Ana Catarina Monteiro

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Os melhores álbuns nacionais de 2017


Em 2017 assistimos a um ecletismo musical a invadir os nossos ouvidos. O panorama musical nacional não fugiu à regra com as experimentações eletrónicas de Surma e Ermo, o ruído e distorção psicadélicos de 10 000 Russos e o afrobeat de Nídia e DJ Lycox. Chegou a altura de publicar os vinte cinco melhores álbuns nacionais que mais se destacaram no ano passado. 



25. 800 Gondomar - Linhas de Baixo


24. Império Pacífico - Império Pacífico


23. Éme - Domingo à Tarde


22. Stone Dead - Good Boys


21. Jasmim - Oitavo Mar


20. Pás de Probleme - Silence Is Gold


19. Lula Pena - Archivo Pitoresco


18. Ulnar - Dreaming of Sailing Further West


17. Cat Soup - Cat Soup


16. Hitchpop - Hitchpop


15. Berlau & AM Ramos - Monte da Lua


14. Grandfather's House - Diving


13. Dear Telephone - Cut 


12. Gonçalo - Boavista


11. Marco Franco - Mudra


10. Iguana Garcia - Cabaret Aleatório


9. ATILA - body


8. PZ - Império Auto-Mano


7. Luís Severo - Luís Severo 


6. Pega Monstro - Casa de Cima


5. DJ Lycox - Sonhos & Pesadelos


A fervilhante cena musical luso-africana da lisboeta Príncipe já não passa despercebida a ninguém, e a crítica internacional que o diga. Nomes como DJ Marfox, DJ Firmeza e Nídia (que lançou em junho o fabuloso Nídia é má, Nídia é fudida) encontram-se na dianteira de um dos movimentos culturais mais progressistas e refrescantes do momento, aliando música de dança a sonoridades influenciadas pela cultura africana que vão do kuduro à tarraxinha. A juntar-se a estes está também DJ Lycox, que nos surpreendeu este ano com o viciante Sonhos & Pesadelos. Na sua estreia nos longas-duração, DJ Lycox traz um descomplexado disco rico em melodias contagiantes e ecléticas que peca apenas pela curta duração das suas faixas (à exceção de “Solteiro”, nenhum dos temas ultrapassa os 4 minutos). São 27 minutos (33 na versão digital) de um disco que desejamos que nunca acabe.

4. Nídia - Nídia É Má, Nídia É Fudida


Nídia (ex-Nídia Minaj) não é um nome novo no panorama nacional. Já conhecida bem antes de entrar para a Príncipe, com o EP Danger, a artista cabo-verdiana continua a surpreender. Com o mais recente disco Nídia é Má, Nídia é Fodida, Nídia prova que é um dos nomes importantes a ser seguidos no paradigma da música eletrónica portuguesa. O seu afro-house influenciado pelo kuduro, tarraxinha e batida (sem nunca perder a sua identidade própria) tem vindo a ser bem aceite tanto no nosso país como lá fora, como se provou ao ser convidada para estar presente no festival Linecheck, em Milão, ao pé de nomes como Thundercat, Perfume Genius, Freddie Gibbs, entre muitos outros. Apesar da tenra idade, Nídia demonstra que este último trabalho é um dos grandes álbuns de 2017.  

3. 10 000 Russos - Distress Distress


Muito pode ser dito acerca do mais recente trabalho da banda portuense 10 000 Russos, mas é muito mais fácil explicar ao simplesmente entregar uns headphones ao leitor e colocá-lo numa sala escura enquanto ouve o álbum de inicio ao fim. Esta mistura de rock psicadélico, industrial e krautrock resulta num drone que abre um bizarro apetite para mover o corpo, ora num discreto a bater o pé ou numa dança pouco ortodoxa. Muito se pode louvar pelo trabalho dos músicos, desde o baixo de André Couto que oscila entre os ritmos mais mecânicos e repetitivos, à guitarra de Pedro Pestana carregada de deliciosos e minuciosas distorções e a batida contínua de João Pimenta que nos acompanha ao longo desta viagem. Os arranjos vocais soturnos e carregados de reverb são colocados de forma estratégica na construção das músicas de forma a criar um contraste com o instrumental e proporcionar um ambiente mais sinistro. Distress Distress é mais do que um álbum. É uma viagem, uma experiência, um ritual. A vontade de fechar os olhos e ouvir a música é muito, mas vontade de dormir nem vê-la.

2. Ermo - Lo-fi Moda


Lo-Fi Moda traz um novo e revolucionário capítulo ao duo bracarense Ermo, que confronta a vaidade e a presunção dos portugueses através de uma atitude de crítica presente numa lírica consciente e bem aguçada. A voz abafada por boas doses de auto-tune e os instrumentais essencialmente digitais contribuem para um organismo alienígena e viciante desprovido de humanidade, executado de modo magistral ao longo dos seus nove temas. Ao segundo disco, os Ermo viram costas ao passado e superam-se com um dos discos mais viscerais do ano, uma obra do presente com olhos postos no futuro e que se demonstra mais vital e necessário do que nunca.

1. Surma - Antwerpen


A jovem Débora Umbelino, mais conhecida por Surma, deu os seus primeiros passos a sério nestas andanças há apenas um par de anos, com o lançamento do single “Maasai”, e desde então tem feito por reivindicar o seu destaque por direito na cena musical nacional, reivindicação essa que ganhou outro argumento de peso com o lançamento do álbum de estreia Antwerpen. Surma é uma aventureira sonora, a entrar em demandas espaciais e agridoces que passam por vários géneros musicais. Ela é pop, é electrónica noisy, é post-rock, é o que lhe dá na real gana, e é essa mesma gana que culmina numa identidade própria peculiar como poucas no panorama nacional. Com músicas como “Plass”, “Hemma” e “Voyager”, o ouvinte consegue captar o imaginário devaneador e contemplativo que Surma lhe transmite através das suas experimentações e da sua voz gentilmente áspera. Esperemos ansiosamente o próximo capítulo desse imaginário.

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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Festival Para Gente Sentada - Dia 2

©Mariana Prata / comUM
O segundo e último dia do Festival Para Gente Sentada começou no centro com um concerto aberto ao público. Se no dia anterior recebemos os bracarenses Máquina del Amor, neste último dia foi a vez de receber os conterrâneos Ermo, o acarinhado duo da casa composto por António Costa e Bernardo Barbosa que nos trouxe uma apresentação integral do excelente e mais recente disco Lo Fi Moda. Despojado de identidade e humanidade, Lo Fi Moda traz um novo e revolucionário capítulo aos Ermo, onde a vaidade e a presunção dos portuguesas é trazida ao de cima numa atitude de crítica inteligente. A voz abafada pelo auto-tune e as faces ocultas com que se apresentam ao vivo contribuem para este organismo alienígena e viciante que é Lo Fi Moda, executando cada um dos nove temas num registo que não varia muito do estúdio e que se apresenta algo autómato e robotizado na sua performance. O momento mais off the record será talvez a transição entre "Circle J" e "raicevic.als", dando lugar a um curto interlúdio que explora o campo das batidas techno de um modo melodioso e quase ambiente. A euforia de "Frito Futuro" encerrou o set com o seu delicioso crescendo, intenso e poderoso.


Iniciávamos, então, os concertos no Theatro Circo com um concerto especial dos Capitão Fausto, que apresentaram Ponta Soltas em registo filme-concerto. Depois da apresentação no Curtas Vila do Conde, a banda lisboeta tocou os temas do mais recente disco Capitão Fausto Têm os Dias Contados acompanhado do documentário de Ricardo Oliveira, que nos demonstra de modo inteligente e bem humorado o processo de produção do referido disco. Desacatos e bloqueios criativos eram aqui conjugados de um modo subtil e cómico com explicações científicas, comparando o processo musical dos rapazes de Alvalade a conceitos complexos de mecânica quântica. A música, essa, surgia-nos em temas como "Corazón", "Amanhã Tou Melhor" e "Morro na Praia", com a banda em constante sair e entrar do palco. "Alvalade Chama Por Mim", por outro lado, foi-nos introduzida com a história da batalha de Alvalade no século XIV, aqui enfatizada e narrada por Catarina Wallenstein, irmã do vocalista da banda. A intercalação entre filme e concerto foi uma abordagem feliz que se adequou ao conceito "sentado" do evento e deu resultado a uma das atuações mais interessantes da edição.


Julien Baker apresentava-se de seguida, assumindo o estatuto de cabeça de cartaz e grande destaque da noite. Com um Theatro Circo notoriamente menos lotado que a noite anterior, Julien Baker apresentou-se pela segunda vez no nosso país, desta vez com o belíssimo Turn Out The Lights na bagagem. Sozinha em palco e com apenas um piano e uma guitarra, Baker iniciou o concerto com "Appointments", single de avanço do seu mais recente disco. A delicadeza dos seus temas ganhou vida na sua performance, com a voz de Baker a apresentar-se surpreendentemente firme e confiante, opondo-se à personagem tímida que nos abordava esporadicamente com envergonhados "obrigados". Quando um membro do público manifestou o seu entusiasmo pela cantautora americana com um "amo-te", esta de imediato referiu o peso que a palavra carrega consigo, considerando a expressão como algo demasiado forte. Considerações como estas podem ser observadas em temas como "Televangelist", "Shadowboxing" e "Sour Breath", que não escaparam ao alinhamento. As frustrações e os fantasmas de Baker foram trazidos ao de cima com "Claws On Your Back", uma bonita peça tocada em piano que manifesta os santos e demónios que a cantautora, cristã e queer convicta, já não consegue diferenciar. "Something" terminou o concerto com mais um momento de grande emoção, e não será difícil imaginar alguns olhos lacrimejantes entre o público do Theatro Circo.


O serão emocional e intimista continuaria mais ao lado no gnration com Luís Severo e os temas do seu mais recente disco homónimo. Tal como Julien Baker, também Severo se apresentou a solo, acompanhado apenas por um piano em temas como "Amor Verdade" e ainda "Canto Diferente", tema que integra o seu primeiro disco Cara d'Anjo. "Cabanas do Bonfim" foi uma agradável surpresa no alinhamento, com o cantautor a interpretar um dos temas que deu a conhecer Flamingos, o seu projeto colaborativo com Coelho Radioactivo. "Boa Companhia", agora de guitarra ao peito, trouxe a boa disposição à Blackbox e o maior sing-along por parte do público que conhece já os seus mais recentes temas de cor. "Ainda é Cedo" terminou o concerto da melhor maneira, com o cantautor a pedir um palco sem luzes nem som, explorando o lado mais íntimo das suas canções com a contribuição fulcral do público, que voltou a acompanhar em uníssono as palavras de Luís Severo.


Para os mais bravos e sedentos por um pouco de dança e animação, a noite continuou com a house festiva de Moullinex. Da minha parte, decidi optar pelo conceito original do festival: o do conforto e da intimidade, partindo, assim, após duas belíssimas e delicadas atuações.

Fotografia: Mariana Prata (comUM)

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Festival Para Gente Sentada: A antevisão


O Festival Para Gente Sentada regressa já amanhã para a sua 13ª edição com um cartaz de luxo. Realizado inicialmente em Santa Maria da Feira, o Festival Para Gente Sentada destacou-se desde cedo pela aposta forte na música de cantautor, levando ao cineteatro António Lamoso nomes consagrados como Devandra Banhart (que viria posteriormente a dedicar uma música à cidade), Sufjan Stevens, Sparklehorse, Bill Callahan e Tindersticks, num evento que prezou sempre pelo conforto e intimidade. Em 2015, o evento mudou de casa e passou a realizar-se em Braga, mantendo uma dinâmica cultural semelhante e fora dos grandes centros urbanos. Nomes como Mercury Rev, José González, B Fachada e Mallu Magalhães foram alguns dos nomes que integraram esta nova fase de um festival cada vez mais consolidado e com um público fiel. Este ano, Braga volta a ser palco de alguns dos melhores artistas nacionais e internacionais, realizando-se novamente no grande auditório do belíssimo Theatro Circo e na Blackbox do gnration, não esquecendo o público bracarense com atuações gratuitas em espaços públicos da cidade.   

Os grandes destaques desta edição vão para Perfume Genius e Julien Baker, que assumem aqui o estatuto de cabeças de cartaz com duas atuações que se preveem marcantes. Embora díspares musicalmente, tanto Perfume Genius como Julien Baker abordam nas suas frágeis e despidas canções temáticas semelhantes, debatendo-se ambos com problemáticas LGBT e queer e as suas relações emocionais e amorosas no quotidiano. Perfume Genius é o projeto de Mike Hadreas, excêntrico songwriter que ao longo desta década tem vindo a adquirir um culto importante com uma consistente e inovadora discografia. Na sua passagem por Braga, Perfume Genius apresenta-nos o excelente quarto álbum No Shape, disco que conta com a participação de Weyes Blood e onde podemos encontrar a eufórica “Slip Away”, um épico barroco que transpira liberdade e orgulho e que se assume como tema central desta nova aventura do artista americano.


Julien Baker, por outro lado, opta por um confronto mais sereno e intimo que o anterior. Geralmente acompanhada apenas por um piano e uma guitarra, assistimos nas suas canções a um debate emocional entre as convicções cristãs e queer com as origens da cantautora. Na sua segunda atuação em Portugal, Baker apresenta-nos Turn Out The Lights, o segundo disco da cantautora americana que aos 22 anos nos traz uma obra carregada de emoção e sofrimento, composto por 11 belíssimos temas onde a dicotomia entre o bem e o mal, os anjos e os demónios e os fantasmas de Baker sobressaem e dão lugar a algumas das canções mais viscerais e íntimas do presente ano.


A música portuguesa também estará em grande plano no Theatro Circo com as atuações de Noiserv, o projeto do multi-instrumentalista David Santos que se apresentará pela segunda vez no festival com o mais recente disco 00:00:00:00, e ainda os Capitão Fausto que irão apresentar em formato filme-concerto Pontas Soltas, um documentário realizado por Ricardo Oliveira que demonstra o processo e a produção do disco Capitão Fausto Têm os Dias Contados.



No gnration recebemos a vertente mais híbrida do festival, albergando no mesmo espaço estilos que vão do formato mais acústico até à ao lado mais electrónico da música de dança. No primeiro dia os post rockers First Breath After Coma apresentam Drift, o segundo longa-duração dos leirienses editado pela Omnichord Records em 2016 que lhes valeu uma nomeação para melhor álbum do ano pela IMPALA, seguindo-se o coletivo Holy Nothing para terminar a noite com a sua electrónica efusiva e dinâmica. No segundo dia o gnration recebe as canções doces e delicadas de Luís Severo, que desde que despiu a máscara de O Cão da Morte nos apresentou discos como Cara d'Anjo e o mais recente homónimo, ambos dotados de uma lírica simples mas invejável, repleto de canções frágeis e emotivas. A noite (e o festival) encerra com a house festiva de Moullinex, o projeto de Luís Clara Gomes que editou este ano o terceiro longa-duração Hypersex, via Discotexas.



Para abrir o festival, e porque o público bracarense não é esquecido, os dias iniciam com concertos de acesso gratuito em espaços públicos da cidade. Para isso, o Festival Para Gente Sentada traz a Braga a prata da casa, com os bracarenses Ermo e Máquina del Amor. Os primeiros são o duo composto por António Costa e Bernardo Barbosa, que com apenas dois discos e alguns ep’s possuem já um peso inegável na música portuguesa. Despidos de rótulos e convenções, a música dos Ermo é única e instável, já que o grupo procura sempre evoluir e explorar novos campos musicais. Lo Fi Moda é o mais recente registo discográfico do duo e um dos melhores de 2017, onde as noções de identidade e humanidade são postas de lado gerando um organismo alienígena e eclético extremamente viciante. Os Máquina del Amor são o supergrupo bracarense que junta membros dos Smix Smox Smux e peixe:avião, que em 2017 regressou às edições com Disco.
   
Os bilhetes para o Festival Para Gente Sentada encontram-se disponíveis em bol.pt, locais habituais (Fnac, Worten, CTT...) e na bilheteira do Theatro Circo. O bilhete diário pode ser adquirido ao preço de 20€ e o bilhete para os dois dias por 30€.

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quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Festival Para Gente Sentada apresenta cartaz completo


A décima terceira edição do Festival Para Gente Sentada está de volta e decorre já no próximo mês de novembro em Braga. O alinhamento, que já contava com a presença de Perfume Genius e Julien Baker, encontra-se agora completo e a programação por dias já pode ser consultada.

Noiserv e Capitão Fausto juntam-se a Perfume Genius e Julien Baker na sala maior de Braga, o Theatro Circo, nos dias 17 e 18 de novembro, respetivamente. Já pelo gnration irão passar no dia 17 os leirienses First Breath After Coma, que em 2016 editaram Drifter valendo-lhes uma nomeação para Álbum do Ano para a IMPALA, assim como o coletivo eletrónico Holy Nothing. No dia 18 é a vez de Luís Severo apresentar o disco homónimo no espaço bracarense, seguindo-se Moullinex para terminar a noite em festa.

Além dos concertos em sala, o Festival Para Gente Sentada volta a levar a música ao centro da cidade com os concertos de dois dos mais acarinhado grupos bracarenses: os Máquina del Amor, quarteto que junta membros dos peixe:avião e Smix Smox Smux, e ainda os Ermo de António Costa e Bernardo Barbosa, que atuam em casa para apresentar o mais recente  Lo-Fi Moda.

Os bilhetes para o Festival Para Gente Sentada já se encontram disponíveis em bol.pt, locais habituais (Fnac, Worten, CTT...) e na bilheteira do Theatro Circo. O bilhete diário pode ser adquirido ao preço de 20€ e o bilhete para os dois dias por 30€.





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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Washed Out de regresso a Portugal com concerto no Vodafone Mexefest



O Vodafone Mexefest confirmou hoje mais três nomes que irão fazer Lisboa mexer. Washed Out, o projeto de Ernest Green, regressa a Portugal para a sua primeira atuação em cinco anos, depois de uma atuação no antigo Optimus Primavera Sound. Ao lado de Toro Y Moi e Neon Indian, Washed Out demarcou-se como uma das referências da chillwave, um movimento que deriva das composições hipnagógicas de Ariel Pink e James Ferraro e que viria atingir o seu auge no início da presente década. Mister Mellow é o disco que traz de regresso as melodias retro e nostálgicas de Washed Out, que em Novembro se apresenta em Lisboa para um aguardado regresso. 

Confirmado ainda está Luís Severo, o cantautor lisboeta autor de Cara de Anjo que regressou este ano com o seu segundo disco. Luís Severo traz novamente as canções açucaradas e frágeis de Severo, dotadas de uma lírica invejável e encantadora.

Para terminar, o cantautor brasileiro MOMO junta-se ao fadista português Camané para uma curiosa colaboração, juntando a referência portuguesa com um dos mais interessantes nomes da nova música popular brasileira.



Os bilhetes para o Vodafone Mexefest encontram-se neste momento à venda nos locais por 45€, sendo o preço 50€ nos dias de festival. 

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