domingo, 17 de fevereiro de 2019

[Review] Montanhas Azuis - Ilha de Plástico

Ilha de Plástico | Revolve | fevereiro de 2019
9.0/10


A Revolve, editora e promotora portuguesa, serviu de casa a algumas das colaborações mais interessantes dos últimos tempos da música portuguesa - é impossível esquecer projectos como Filho da Mãe & Ricardo Martins, PAPAYA (Bráulio Amado, Óscar Silva e Ricardo Martins) ou Chinaskee & Os Camponeses serão os nomes que mais rapidamente nos saltam à cabeça. No dia 15 de fevereiro, chegou um novo supergrupo à Revolve. Montanhas Azuis, a combinação hipnagónica de Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas, tem como primeira manifestação Ilha de Plástico, um álbum que existe entre o sonho, a pop experimental e o jazz.

Há algo de perfeitamente natural no aparecimento de Montanhas Azuis: Norberto Lobo afirmou-se primeiro como um dos primeiros proponentes de uma nova vaga de primitivismo americano em Portugal e tornou-se mais tarde numa figura incontornável do jazz português, Bruno Pernadas sempre se caracterizou na interface da indie e de grandes produções de jazz, enquanto Marco Franco sempre habitou os campos do jazz, tendo trabalhado no passado com artistas como Rodrigo Amado e até mesmo com Norberto Lobo em Estrela, editado em 2018 pela editora suíça three:four records. O terreno que esta cordilheira encontra em comum, um pop-jazz sem semblante, é maioritariamente composto por Marco Franco, baterista do projecto, e dificilmente se aproxima de alguma coisa em concreto - talvez haja alguns elementos de pop espacial e electrónica progressiva à la Mort Garson, talvez um pouco de easy-listening interacalado com jazz modal, talvez guitarras reminescentes dos 70s ou de uma ilha tropical perdida no pacífico - o que importa verdadeiramente é que, por muito que se decomponha a Ilha de Plástico, ela continua a existir como um elemento único no arquipélago de edições de qualquer um dos artistas.

© Vera Marmelo 
O tema que abre o disco, "Ilha de Plástico", é a entrada subtil que as Montanhas Azuis oferecem nesta meia hora de fantasia composta quase exclusivamente por Marco Franco - um improviso modal de uma guitarra distorcida, encharcada, irreconhecível, sobre uma sequência repetitiva de acordes cria a letargia que acompanha todo o álbum. Depois desta "A Lotus On Irish Streams" da idade espacial, "Faz Faz" abre uma nova fase do sonho e intromete-se com uma dream pop orelhuda que, de alguma maneira mágica, cria o prelúdio ideal para a profunda calma da guitarra e sintetizadores de "Flor de Montanha" existirem. 

"Dezanove Acordes" consegue mais uma vez mudar o panorama do álbum como um tema pop forasteiro e jingão, não impedindo que "Nuvem Porcelana", uma ode à música progressiva electrónica subitamente transite para um ímpeto em vocoders contagiante e arpejos hipnotizantes. "Sururu", a única faixa composta por Norberto Lobo, segue-se e pede emprestados os vocoders que se destacaram na música anterior, em mais uma demonstração de uma sensibilidade pop admirável. 

"Duas Ilhas" vê o piano a surgir como um elemento considerável, enquanto uma guitarra deslizante e um sintetizador ominoso contagiam os espaços vazios. "Coral de Recife" revela uma vez mais uma estrutura fortemente assentada em algo profundamente orelhudo e contagiante, deixando os improvisos de teclado criarem a agradável estranheza que acompanha todo o álbum. Em jeito de despedida, "Marianas", tema gravado no MagaFest de 2018, é o único que junta os três músicos na composição e na sua simplicidade deixa pena por simbolizar o fim daquele que é um disco tremendo. Montanhas Azuis fecham assim Ilhas de Plástico, numa sobreposição lenta entre erguer e adormecer, reforçando a hipnagogia que marca todo o álbum.

É difícil tecer comentários gerais sobre o álbum que não sejam puramente qualitativos - Ilha de Plástico é um álbum tão hipnotizante como brilhante, tão inovador como estranhamente familiar. Num disco onde tudo parece ter razão para existir, só se torna difícil ouvir o silêncio que os poucos segundos finais protagonizam - esta viagem cujo destino não importava, este sono do qual não queríamos acordar, inevitavelmente acaba. E não há nada a fazer a não ser reouvir esta Ilha de Plástico e viajar pelos mares que a rodeiam.

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

STREAM: Montanhas Azuis - Ilha de Plástico


Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas são Montanhas Azuis, o mais recente projeto dos três virtuosos músicos e exploradores portugueses que editam hoje Ilha de Plástico. O aguardado disco de estreia do grupo, que recebe o selo da editora e promotora vimaranense Revolve, encontra-se agora disponível em todas as plataformas.

Ilha de Plástico junta os três músicos para um trabalho de essência insular. Os caminhos trilhados pelo trio ao longo das nove peças que compõem o disco cruzam rendilhados bucólicos e hipnotizantes, abstrações deformadas em linhas de sintetizador e desenvolturas harmónicas de ordem jazzística que colidem, lentamente, em camadas texturizadas de rugosidade analógica pura e imediata.

A primeira oportunidade para o ouvir ao vivo acontece precisamente hoje, dia 15 de fevereiro, na Culturgest em Lisboa, onde o trio se fará acompanhado pelas imagens de Pedro Maia, o guia cinemático desta aventura excursionista que conta colaborações com artistas tão notáveis como Fennesz, Vessel ou Demdike Stare. 

Em baixo, fiquem então com as belíssimas canções que compõem Ilha de Plástico.


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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Montanhas Azuis apresentam Ilha de Plástico na Culturgest


Chega em Fevereiro às lojas e aos palcos o disco que junta Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas. Ilha de Plástico, o longa duração a ser editado pela Revolve, sela a colaboração que os três músicos iniciaram no ano passado sob o nome Montanhas Azuis. A primeira oportunidade para o ver ao vivo já está marcada: dia 15 de Fevereiro na Culturgest, em Lisboa. O single de avanço "Faz Faz" já se encontra disponível.   
O combo de Marco Franco, Norberto Lobo e Bruno Pernadas remete-nos para sul, para um continente isolado, e para paisagens desconhecidas nos caminhos trilhados pelos três virtuosos. Assim, o grupo cruza os rendilhados bucólicos de Lobo, o expressionismo de Franco e a desenvoltura harmónica de Pernadas num exercício geográfico novo para os membros desta contração de paragens tão distintas. Sintetizadores e guitarras colidem, lentamente, em camadas texturizadas com rugosidade analógica. O que acontece em concerto às mãos deste trio de luxo é perene, e habita esse espaço plena e singularmente. As imagens também estão presentes pelas mãos de Pedro Maia, o guia cinemático desta aventura excursionista.  
Os bilhetes para o concerto de apresentação do álbum custam entre 6€ (com descontos) a 12€ e estão à venda nas bilheteiras da Culturgest e online.

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sábado, 20 de outubro de 2018

Reportagem: MagaFest 2018 [Casa Independente, Lisboa]


Nunca fui a uma MagaSession. Do que li e percebi, são organizadas na casa da Inês Magalhães, seja ela quem for. Uma coisa íntima para ser intimista, para se (con)viver com que se gosta, um pretexto para se ouvir coisas belas e calmas, para embelezar e acalmar neste frenesim e imisericórdia que é Lisboa. Desta vez a escala é outra, é algo digno de um dia inteiro na Casa Independente.

A coisa começou com Marco Franco, pessoa que nos concertos seguintes haveria de confirmar a sua destreza e talento multifacetados. Enquanto o Sol se despedia da cidade, apresentou os minimalismos de piano do seu novo álbum, Mudra. As peças apresentadas seriam mais espécies de ensaios do instrumento, muitas vezes a flutuações de uma certa melodia-chave, transportando uma carga emocional bela mas, paradoxalmente, algo distanciada e alienígena. Como se uma felicidade desconhecidamente ameaçada, um amor suportado num castelo de cartas, uma banda sonora perfeita para se deambular por um salão de danças abandonado que há um século mereceu as melhores cortes e romances. Portanto, bons ensaios.


Depois, chegou o Norberto Lobo e seus 3 comparsas, com quem construiu o seu último lançamento, Estrela - e que aqui todos vieram apresentar esse dito trabalho, para nosso rejúbilo. Nunca tinha visto o indivíduo a tocar (shame on me), e fiquei solidamente convencido. Ora alegre, ora frenético, ora melancólico, ora caótico, sempre bom e refrescante. As músicas, com uma composição e técnica algo complexa mas nunca resvalando para o opaco ou oblíquo, pareceram de um estoicismo contente, como um sol quente na cara num dia gelado de Inverno, como alguém na sua maior preguiça a fumar um cigarro numa praia ou no campo e diz “isto sim é vida” por nada de especial. Merecedor de todos os aplausos que recebeu, de um público que começou sentado mas acabou de pé.


Depois, veio o Bruno Pernadas mostrar-nos o clássico Worst Summer Ever. Não querendo denegrir qualquer outra pessoa no line-up, mas foi o homem que se esperava nessa noite, e: que génio, que concerto! Catano, tudo nisto foi épico e grandioso. Teve-se direito a ouvir e sentir as belas canções do álbum, teve-se direito a uma maior aproximação dos ditos jazz standards onde cada instrumentista pode brilhar com os seus solos, teve-se direito a desgarrada de bateria com guitarra, teve-se direito ao Bruno Pernadas fazer o seu deliciosíssimo solo de guitarra modulada em vozes sintéticas pa-di-bu-lá-fe-to-etc. Este Bruno conhece bem a natureza da alma humana e como lhe hipnotizar, como dar ao mero mortal uma emoção, uma exaltação, uma apoteose, uma extrema alegria, e com isso receber um forte aplauso do público. Continua a enganar-nos Bruno, por favor.


Por fim, e para nos embalar, os 3 senhores dos 3 concertos se juntaram no palco para se apresentarem como Montanhas Azuis. Embalar é a palavra certa, naquilo que fugiu do jazz e andou mais entre o ambiente e o downtempo, o dream pop e as baladas da nossa infância e os nossos estados-de-ser mais fofinhos. Inevitavelmente reminiscente de coisas como os AIR, sonoridade recheada de sintetizadores e batidas de Casio, bastante tranquilizante e acessível, óptima de se ouvir de olhos fechados. Tenho alguma pena que nem sempre se tenha passado a barreira da experimentação, com alguma carga emocional retida, mas mesmo assim houve momentos imensamente bonitos, um público silencioso que exigiu ser levado às nuvens, e no fim um gajo não deixou de sair da Casa Independente com quentura na alma e um sorriso rasgado na cara.


No fim de contas, reitero: nunca fui a uma MagaSession. Devia, na próxima que haja tentarei. Um amén à Inês Magalhães, seja ela quem for.

Texto: Nuno Jordão
Fotografia: Joana Linda

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sábado, 29 de setembro de 2018

MagaFest leva até à Casa Independente Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas


O MagaFest vai voltar à Casa Independente para a sua 4ª edição. É a 6 de outubro que as MagaSessions se transformam em MagaFest, recebendo Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas para quatro concertos que têm como ponto de partida o foco nos três compositores e nos seus diversos projectos que se entrecruzam.

As MagaSessions são sessões musicais que acontecem no Saldanha desde 2012, na casa de Inês Magalhães. Um espaço invulgar de concertos únicos e íntimos onde se divulgam e promovem músicos já estabelecidos no panorama musical português, bem como novos talentos que fazem a sua estreia na casa, por onde já passaram uma variedade de autores ao longo destes 6 anos apresentando aos convidados as mais diversas experimentações sonoras.

Norberto Lobo apresenta o seu mais recente álbum, Estrela, fruto da residência que fez em 2017 na Galeria Zé dos Bois, com Marco Franco, Ricardo Jacinto e Jaw Tembe. Com um grupo de músicos que facilitam a visita a outras paisagens e tomando como centro a sua guitarra, Estrela é uma exaltação fresca e misteriosa da música pelo seu instrumento de eleição.



Bruno Pernadas, acompanhado por António Quintino, Diogo Duque, Luís Candeias e Francisco Andrade, vem até ao MagaFest com Worst Summer Ever, que aborda diversos estilos tais como música improvisada, jazz, rock e música erudita. Na conjunção destes estilos procura aquilo que se assume como identitário de cada um, combinando as diferentes linguagens harmónicas, rítmicas e texturais.



Marco Franco, auto-didacta das teclas e um nome familiar no imaginário pop português, apresenta Mudra, o seu novo álbum, ao piano, que existe numa tensão minimalista com um universo colorido de notas. Com passagens por projectos como Mikado Lab, Peste e Sida e colaborações com Dead Combo, Carlos Bica e Memória de Peixe, Marco Franco apresenta-se sozinho ao piano.



O grand finale que dá o mote ao MagaFest é o concerto de Montanhas Azuis, onde os três compositores se juntam num projecto que é uma das grandes surpresas de 2018. Rodeados de sintetizadores, piano e guitarra, os músicos fazem nascer um mundo tropical que desliza pela eletrónica dos seus universos pessoais.

Os concertos decorrem das 18h às 02h. Os bilhetes custam 15€ e estão à venda na Ticketline e nas MagaSessions.

 

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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Festival A Porta confirma FUGLY, Filho da Mãe e não só


O festival A Porta, que irá decorrer em Leiria nos dias 16 a 24 de junho, adicionou novos nomes ao seu cartaz. As últimas confirmações são FUGLY, Filho da MãeMarco Franco, Lovers & Lollypops Soundsystem e A Portinha, uma secção de workshops, actividades e experiências para público de todas as idades.

Os outros nomes que já integram o cartaz do festival são Dead Combo, BongaConan OsirisThe ParkinsonsMemória de PeixeEmperor X,  Nice Weather for Ducks, Primeira Dama, Urso Bardo e Blue Crime.

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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Magasessions com Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas a 4 de março


Depois de terem regressado em dezembro de 2017 com João Lobo, as Magasessions continuam a maravilhar os domingos daqueles que se deslocam até casa de Inês Magalhães.

O último convidado das Magasessions foi Filipe Sambado, no início do mês. A 4 de março, domingo, é a vez de Norberto Lobo, Marco Franco e Bruno Pernadas subirem até às Montanhas Azuis, para um concerto de músicas sobranceiras.

Encontros metafísicos acontecem quando estes três músicos se juntam a três pianos/synths e guitarra, saindo do trilho a que estamos a habituados para um triunvirato musical que raramente acontece. A entrada tem o custo de 5€.

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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Os melhores álbuns nacionais de 2017


Em 2017 assistimos a um ecletismo musical a invadir os nossos ouvidos. O panorama musical nacional não fugiu à regra com as experimentações eletrónicas de Surma e Ermo, o ruído e distorção psicadélicos de 10 000 Russos e o afrobeat de Nídia e DJ Lycox. Chegou a altura de publicar os vinte cinco melhores álbuns nacionais que mais se destacaram no ano passado. 



25. 800 Gondomar - Linhas de Baixo


24. Império Pacífico - Império Pacífico


23. Éme - Domingo à Tarde


22. Stone Dead - Good Boys


21. Jasmim - Oitavo Mar


20. Pás de Probleme - Silence Is Gold


19. Lula Pena - Archivo Pitoresco


18. Ulnar - Dreaming of Sailing Further West


17. Cat Soup - Cat Soup


16. Hitchpop - Hitchpop


15. Berlau & AM Ramos - Monte da Lua


14. Grandfather's House - Diving


13. Dear Telephone - Cut 


12. Gonçalo - Boavista


11. Marco Franco - Mudra


10. Iguana Garcia - Cabaret Aleatório


9. ATILA - body


8. PZ - Império Auto-Mano


7. Luís Severo - Luís Severo 


6. Pega Monstro - Casa de Cima


5. DJ Lycox - Sonhos & Pesadelos


A fervilhante cena musical luso-africana da lisboeta Príncipe já não passa despercebida a ninguém, e a crítica internacional que o diga. Nomes como DJ Marfox, DJ Firmeza e Nídia (que lançou em junho o fabuloso Nídia é má, Nídia é fudida) encontram-se na dianteira de um dos movimentos culturais mais progressistas e refrescantes do momento, aliando música de dança a sonoridades influenciadas pela cultura africana que vão do kuduro à tarraxinha. A juntar-se a estes está também DJ Lycox, que nos surpreendeu este ano com o viciante Sonhos & Pesadelos. Na sua estreia nos longas-duração, DJ Lycox traz um descomplexado disco rico em melodias contagiantes e ecléticas que peca apenas pela curta duração das suas faixas (à exceção de “Solteiro”, nenhum dos temas ultrapassa os 4 minutos). São 27 minutos (33 na versão digital) de um disco que desejamos que nunca acabe.

4. Nídia - Nídia É Má, Nídia É Fudida


Nídia (ex-Nídia Minaj) não é um nome novo no panorama nacional. Já conhecida bem antes de entrar para a Príncipe, com o EP Danger, a artista cabo-verdiana continua a surpreender. Com o mais recente disco Nídia é Má, Nídia é Fodida, Nídia prova que é um dos nomes importantes a ser seguidos no paradigma da música eletrónica portuguesa. O seu afro-house influenciado pelo kuduro, tarraxinha e batida (sem nunca perder a sua identidade própria) tem vindo a ser bem aceite tanto no nosso país como lá fora, como se provou ao ser convidada para estar presente no festival Linecheck, em Milão, ao pé de nomes como Thundercat, Perfume Genius, Freddie Gibbs, entre muitos outros. Apesar da tenra idade, Nídia demonstra que este último trabalho é um dos grandes álbuns de 2017.  

3. 10 000 Russos - Distress Distress


Muito pode ser dito acerca do mais recente trabalho da banda portuense 10 000 Russos, mas é muito mais fácil explicar ao simplesmente entregar uns headphones ao leitor e colocá-lo numa sala escura enquanto ouve o álbum de inicio ao fim. Esta mistura de rock psicadélico, industrial e krautrock resulta num drone que abre um bizarro apetite para mover o corpo, ora num discreto a bater o pé ou numa dança pouco ortodoxa. Muito se pode louvar pelo trabalho dos músicos, desde o baixo de André Couto que oscila entre os ritmos mais mecânicos e repetitivos, à guitarra de Pedro Pestana carregada de deliciosos e minuciosas distorções e a batida contínua de João Pimenta que nos acompanha ao longo desta viagem. Os arranjos vocais soturnos e carregados de reverb são colocados de forma estratégica na construção das músicas de forma a criar um contraste com o instrumental e proporcionar um ambiente mais sinistro. Distress Distress é mais do que um álbum. É uma viagem, uma experiência, um ritual. A vontade de fechar os olhos e ouvir a música é muito, mas vontade de dormir nem vê-la.

2. Ermo - Lo-fi Moda


Lo-Fi Moda traz um novo e revolucionário capítulo ao duo bracarense Ermo, que confronta a vaidade e a presunção dos portugueses através de uma atitude de crítica presente numa lírica consciente e bem aguçada. A voz abafada por boas doses de auto-tune e os instrumentais essencialmente digitais contribuem para um organismo alienígena e viciante desprovido de humanidade, executado de modo magistral ao longo dos seus nove temas. Ao segundo disco, os Ermo viram costas ao passado e superam-se com um dos discos mais viscerais do ano, uma obra do presente com olhos postos no futuro e que se demonstra mais vital e necessário do que nunca.

1. Surma - Antwerpen


A jovem Débora Umbelino, mais conhecida por Surma, deu os seus primeiros passos a sério nestas andanças há apenas um par de anos, com o lançamento do single “Maasai”, e desde então tem feito por reivindicar o seu destaque por direito na cena musical nacional, reivindicação essa que ganhou outro argumento de peso com o lançamento do álbum de estreia Antwerpen. Surma é uma aventureira sonora, a entrar em demandas espaciais e agridoces que passam por vários géneros musicais. Ela é pop, é electrónica noisy, é post-rock, é o que lhe dá na real gana, e é essa mesma gana que culmina numa identidade própria peculiar como poucas no panorama nacional. Com músicas como “Plass”, “Hemma” e “Voyager”, o ouvinte consegue captar o imaginário devaneador e contemplativo que Surma lhe transmite através das suas experimentações e da sua voz gentilmente áspera. Esperemos ansiosamente o próximo capítulo desse imaginário.

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segunda-feira, 6 de março de 2017

STREAM: Marco Franco - Mudra


Mudra é o primeiro resultado físico das ideias e conceitos do músico Marco Franco (Memória de Peixe, Mikado Lab) a solo, no piano. Com um vasto passado no rock e jazz, o autodidacta Marco Franco apresentou anteriormente três singles, deste registo de estreia, - "Pole Position", "Serpents And Cascades" e "Emnut Derra" - que já haviam criado uma tensão pela sensibilidade dinâmica invejável conseguida. Agora o disco já pode ser ouvido e disfrutado na íntegra.

Mudra, é descrito como "mais do que uma forma de identificar posturas e de melhor definir, através delas, outputs criativos, espirituais e sensoriais, é o documento de Marco Franco, percussionista virtuoso, sobre as suas possibilidades, sobre a melhor forma de canalizar energias através das mãos". 

O LP Mudra é editado hoje, 6 de março, com o selo da Revolve. O disco está à venda no formato vinil 12''.






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quarta-feira, 1 de março de 2017

MagaSessions de regresso até maio em modo piano

© Vera Marmelo
As MagaSessions voltaram no passado mês de fevereiro com a atuação de Tiago Sousa, dando início a um ciclo de Piano que continuará até Maio. Sendo assim, em março teremos Marco Franco, baterista de Memória de Peixe, a mostrar-nos o seu novo projeto no piano. Em abril é a vez de Bruno Pernadas improvisar a solo e criar as mais diversas paisagens sonoras. Por fim, o ciclo termina em maio com Joana Gama e Ricardo Jacinto. A entrada é livre em todos os concertos.

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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Festival Rescaldo de 10 a 18 de fevereiro na Culturgest


O Festival Rescaldo está de regresso à Culturgest neste mês de fevereiro, cumprindo a sua 10ª edição. Sempre com a missão de apresentar os projetos que mais se evidenciaram nos mundos da eletrónica, da livre improvisação, tanto no rock como no jazz, esta edição vai decorrer uma vez mais no Pequeno Auditório da Fundação e na Garagem. A grande novidade é a inclusão do Panteão Nacional, com a atuação a solo da trompetista Susana Santos Silva.

No programa constam nomes como Marco Franco, baterista dos Memória de Peixe, que agora se aventura a solo no piano, a colaboração entre o dinamarquês Paal Nilssen-Love e o histórico David MaranhaBruno Pernadas em formato quarteto.

Live LowÄlforjsOndnessLuís LopesAna Deus, Jejuno e Pega Monstro são os nomes que compõe a restante programação. Podem consultá-la aqui em baixo.

Sex 10 fevereiro
Marco Franco
Bruno Pernadas Quarteto

Sáb 11 fevereiro
Luís Lopes
Ana Deus

Dom 12 fevereiro - Panteão Nacional
Susana Santos Silva

Sex 17 fevereiro
Live Low
JEJUNO
David Maranha + Paal Nilssen-Love

Sáb 18 fevereiro
Älforjs
Ondness
Pega Monstro

Os bilhetes têm o custo de 6€ para cada noite do evento. 

 

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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Oiçam aqui três temas de "Mudra", o novo disco de Marco Franco


Marco Franco, o baterista dos Memória de Peixe e um músico com uma vasta experiência nos campos rock e jazz tem novo disco em nome próprio, Mudra, onde a aposta se centra num só intrumento: o piano. 

Este primeiro álbum a solo, no teclado, transmite uma tensão minimalista tendo sido inspirado no passado profundamente enraizado nos movimentos indie e jazz, (Mikado Lab), para um futuro sedimentado num contexto mais erudito, mas que não se dilui em comunicação. Em press release, "Mudra, mais do que uma forma de identificar posturas e de melhor definir, através delas, outputs criativos, espirituais e sensoriais, é o documento de Marco Franco sobre as suas possibilidades; sobre a melhor forma de canalizar energias através das mãos".

Mudra tem selo da Revolve e é editado oficialmente a 7 de março. Podem ouvir os três primeiros singles de avanço deste disco abaixo.


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