sábado, 27 de abril de 2019

Sabotage Club celebra 6º Aniversário com LÖBO, The Parkinsons e Sunflowers


Em Abril de 2013 José Maria Sousa, Ana Paula Flores e Carlos Costa, decidiram contornar as dificuldades da queda do mercado discográfico realizando um sonho - o da abertura de um club de música ao vivo, equipado com um excelente PA, onde artistas nacionais e internacionais pudessem ter as melhores condições para apresentar ao público a sua música.

A vontade de continuar a ser parte activa na divulgação de novos projectos, levou à criação do Sabotage Club, um club que veio preencher uma lacuna em Lisboa: a da não existência de um espaço com uma programação semanal e regular de musica ao vivo, no espirito dos míticos Rock Rendez-Vous, Johnny Guitar, Hacienda, Max´s Kansas City e CGBG, há até quem diga “Quando se quer ter uma experiência a la New York, vai-se ao Sabotage” – Victor Rua.

O clube oferece ao público a possibilidade de experienciar concertos num espaço intimista, onde se pode sentir a proximidade da e com a música. Projectos como Mão Morta, Pop Dell´Arte, Toy, Motorama, Mutantes, Legendary Tigerman, The Parkinsons, Reporter Estrábico, Cave Story, Emma Rutth Rundle, TAU, Paulo Bragança, Telectu, Lydia Lunch, Spindrift, King Khan, Cosmic Dead, Dean Wareham, Kid Congo, The Mystery Lights, The Coathangers, The Pretty Things, Archie and the Bunkers, Scott Kelly e King Dude foram alguns dos nomes que passaram pelo palco desta sala ao longo destes 6 anos.


O 6º aniversário do clube será celebrado em 3 dias. No primeiro dia (2 de maio) temos o regresso aos palcos dos LÖBO e a apresentação do novo disco de Jibóia. No segundo dia (3 de maio) preparem-se para uma explosão caótica de loucura com os The Parkinsons e os tão ansiados Biznaga de Madrid. A terminar em grande, uma noite (4 de maio) com o calor e agitação de Sunflowers, Fugly e Moon Preachers.

A porta abre todos os dias às 22:30, começando os primeiros concertos às 23:00. Excepto o primeiro dia (02 de Maio) que encerra às 04:00, nos restantes dias, a casa fechará pelas 06:00. Os bilhetes têm o custo de 10€ por dia e 25€ para quem queira vir aos 3 dias.

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

Super Nova regressa em Janeiro com Black Bombaim, The Twist Connection e Moon Preachers


O ano de 2019 começa com boas notícias do Super Nova, festival itinerante que percorre o país de uma ponta à outra, tendo ido do Minho aos Açores. É já a 11 de Janeiro que os Black Bombaim, Moon Preachers e The Twist Connection inicam a quinta edição do Super Nova. A Promessa certa de rock vai passar pelo Porto (Maus Hábitos), Barcelos (CCOB), Évora (SHE), Leiria (Stereogun), Torres Vedras (Bang Venue) e Aveiro (GrETUA). As entradas dão direito a duas Super Bock, à exceção do Maus Hábitos, onde o acesso é livre. 


O pontapé de arranque para este Super Nova #5 contará, como de costume, com mais uma edição das conversas de bastidores. Dia 11 de Janeiro passam pelo Maus Hábitos Nelson Ferreira (SBSR Fm), José Roberto Gomes (Killimanjaro), António Pedro Lopes (Tremor), Mariana Duarte (Ípsilon/Time Out) e Raquel Serra (Maternidade).

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terça-feira, 28 de agosto de 2018

ZigurFest - caminhando por Lamego, assim reza a lenda...

© Rafael Farias 
O ZigurFest vai para a sua oitava edição, continuando a espalhar o caos musical nas ruas de Lamego. De 29 de agosto a 1 de setembro, a cidade recebe 24 nomes emergentes da música portuguesa, espalhados por 8 palcos, do qual se destaca o Teatro Ribeiro Conceição, a sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego, o Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, o Castelo de Lamego, o largo da Rua da Olaria, o espaço verde do Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda), o Largo da Cisterna e a Capela de Nª. Srª. da Esperança. Serão quatro dias em que a música se funde com o vasto património milenar apresentado por Lamego.

Ao mesmo tempo, a Casa do Artista (localizada no histórico Bairro do Castelo) transforma-se numa galeria temporária onde estarão albergados os trabalhos das artistas em residência da Sofia Mascate e da Serena Barbieri. Adicionalmente, serão apresentadas duas peças da autoria de Manuel Guimarães e João Pedro Fonseca, havendo ainda espaço para dois workshops ligados à produção musical, por twistedfreak e Francisco Pina.

A celebração da música e arte portuguesa arranca a 29 de agosto, com o concerto de Ulnar + Sal Grosso no Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos (17h30), e encerra com a maratona electrónica dos 2Jack4U na Alameda, no Sábado de madrugada. A entrada no festival é completamente gratuita.

Caminhem connosco pelas ruas de Lamego, passo a passo.


29 de agosto


O primeiro dia do ZigurFest conta apenas com três espetáculos e a colaboração caseira Ulnar + Sal Grosso é a primeira a abrir as hostes nesta oitava edição. O Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos vai receber às 17h30 o que de melhor se faz em Portugal na música ambiente e noise. Às 18h30 rumamos todos ao Largo da Cisterna para assistir à atuação de Zarabatana. O trio feérico de Yaw Tembe, Bernardo Alvares e Carlos Godinho traz consigo O Terceiro Corno, a imprevisibilidade e um transe eterno sustentado pelo diálogo voluptuoso entre percussões, contrabaixo e trompete. Por fim, Dullmea, máscara que Sofia Faria Fernandes enverga em palco, atua às 22h00 na Sala de Grão Vasco no Museu de Lamego. Com um disco editado em 2018, Dullmea remete-nos para os tempos transcendentes e delicados daquele álbum da Björk gravado só com vozes. 



30 de agosto


O segundo dia de ZigurFest estende-se a outros espaços de Lamego, entre eles o palco Castelo, onde os Mazarin abrem o dia às 17h30. O quarteto editou este o seu EP de estreia homónimo, composto por canções instrumentais deveras orelhudas e pegajosas onde fundem o hip-hop com o jazz, na mesma onda dos valores de BBNG e Eabs. A festa continua no palco Castelo com os Terra Chã às 18h30. Formados por Fabrizio Reinolds (dj, coleccionador e produtor) e Ricardo Fialho (Inversus), editaram o seu EP de estreia, Dupla Insolariade, pela recém-formada Zabra Records, subsidiária da ZigurArtists, e são donos de uma house mais onírica. A dança como libertação é o mote para uma hora de ginga baleárica que não vamos esquecer tão cedo.


É já de barriga cheia que vamos assistir ao concerto de Mathilda pelas 21h30. A cantautora vimaranense lançou em novembro do ano passado , com apenas 17 anos, o single “Lost Between Self Expression and Self Destruction” e desde aí que tem estado nas bocas do mundo da música nacional mais alternativa. Em Lamego vamos encontrá-la envolta num cenário especial, a Capela de Nª. Srª. da Esperança, onde vai apresentar as suas canções de filigrana e veludo, pensadas para expor e sustentar bravamente as suas fragilidades, tocadas ora por um ukulele, ora por uma guitarra eléctrica. 

Às 23h00 fazemos a primeira incursão do festival no palco Alameda para assistir ao concerto de Gume, um dos ensembles mais entusiasmantes do país. Formados por Yaw Tembe, Pedro Monteiro, Sebastião Bergmann, André David, Tiago Fernandes e David Menezes, trazem o seu groove de cosmologia afro-futurista para nos fazer dançar e celebrar com alma à luz de nomes como Fela Kuti, Sun Ra, Last Poets ou The Roots.

Quando se atingirem as doze badaladas é a altura de ouvir o canto das Sereias no palco da Alameda. A banda do Porto que ainda está a dar os seus primeiros passos é movida a noise rock feroz e no wave sem forma, destino aparente ou referências óbvias. Agarrem-se bem para esta viagem. Continuando na Alameda, o último concerto da noite (01h00) fica a cargo de Inversus, projeto do produtor Ricardo Fialho. Activo há mais de uma década em Portugal, Ricardo estreou-se finalmente a solo em 2017 pela Zigur com Sobrena. Em Inversus ouvem-se laivos de synth-pop, hip-hop, electro e outras variantes da música electrónica - sempre com uma embalagem policromática e psicadélica qb.



31 de agosto


André Gonçalves vai presentear-nos com a primeira atuação do dia, às 17h30, no palco Castelo. André tem-se cimentado como um dos exploradores sónicos mais fundamentais além e aquém fronteiras. Fá-lo sempre com as mãos comandadas pelo coração: seja na construção de synths modulares pela ADDAC, seja na música, Eterna como gosta de a apelidar. Continuando no castelo, às 18h30 é a vez das Savage Ohms, quarteto puramente feminino de música livre e ruidosa que junta Beatriz Diniz (April Marmara), Teresa Castro (Calcutá), Joana Figueiroa e Violeta Azevedo. Isto é Kraut à séria, para viajar sem destino certo, assente no conforto de uma teia de efeitos meticulosamente tecida pelo encontro de guitarras e sintetizadores.

Às dez da noite vamos todos ao Teatro Ribeiro Conceição pela primeira vez nesta edição do ZigurFest. Ocasião? 

O concerto de David Bruno, ou dB, como era anteriormente conhecido. Na bagagem traz O Último Tango em Mafamude, disco editado este ano e muito acarinhado pelo público. Vestido com uma roupagem dos anos 90 e enriquecido com ritmos do hip-hop, um imaginário soul e músicas românticas, O Último Tango em Mafamude demonstra o amor que David Bruno tem pela sua cidade de Vila Nova de Gaia. A atuação vai contar com a presença de Marquito, guitarrista responsável pelos calorosos solos, e ainda com algumas projeções de momentos bem portugueses retirados da RTP Memória. 


Quando forem 23h00 é a vez dos NU subirem ao palco do Teatro. A banda de Santo Tirso vem apresentar o seu rock experimental fundido com outros elementos como a literatura, o vídeo e a performance, e influenciado por gigantes como os Swans, Einstürzende Neubauten, Mão Morta. Desconcertantes e incendiários, os NU podem muito bem vir a ser a grande surpresa do rock mais mecânico em Portugal. Quando passarem 30 minutos da meia noite, vamos até à Olaria ver os Vaiapraia e as Rainhas do Baile, coletivo recente, mas já definitivamente icónico em Portugal. As suas aparições têm tanto de concerto como de performance, misturando a pop punk mais doce com a mais aguerrida - isso deve-se não só ao companheirismo raro entre os músicos, mas também à vulnerabilidade que Rodrigo imprime na banda. Com eles, menos é mais e a força com que as canções de 1755 se fazem sentir trazem tanto de inspirador como de emancipador. 

Por volta da 1h30 é a vez de Ângela Polícia subir ao palco da Olaria. O projeto de Fernando Fernades, nascido em Braga em 2015, procura de forma sábia e paciente uma expressão sonora que faça jus à sua lírica: crua, interventiva e esquizofrénica qb. Encontrou-a em 2017, no delicioso e perigoso Pruridades, álbum onde funde o hip-hop ao dub, ao punk e ao grimeAntes de irem para a cama, há Mutual na Olaria às 2h30. Formados por André Geada e Manuel Bogalheiro, agitadores de pista no coletivo No She Doesn’t e produtores em nome próprio, dedicam-se aos cantos mais fumarentos da electrónica e percorrem caminhos não muito distantes dos trilhados por Demdike Stare, Millie & Andrea ou Andy Stott.



1 de setembro


No último dia de ZigurFest os Lavoisier são os primeiros a entrar em campo às 17h30, na Olaria, palco onde terminou a festa na passada noite. Encontro feliz entre Ricardo Afonso e Patrícia Relvas, duas almas musicais que parecem ter sido feitas a pensar uma na outra, os Lavoisier criam música portuguesa envolta em expressionismo e assente num binómio indestrutível - o minimalismo da guitarra e a voz (e corpo) moldável de Patrícia. Por volta das 18h30 sobem ao palco da Olaria o percussionista João Pais Filipe e o saxofonista alemão Julius Gabriel. Juntos formam Paisiel, duo que se move livremente entre géneros como a música experimental, o jazz e o rock, procurando atingir o delírio sónico e cósmico.

Após o jantar (22h00) vamos uma vez mais ao Teatro Ribeiro Conceição, assistir ao concerto dos Bardino, coletivo nortenho que aposta nas sonoridades psicadélicas em pleno 2017. Mas não se enganem com esta descrição tão usual nos dias que correm, pois o quarteto prefere mergulhar na rara tranquilidade introspectiva e escapista do psicadelismo antigo, em vez de recorrer aos tão aborrecidos riffs. Alicerçados na herança do rock progressivo e suas variantes tingidas a funk e jazz-fusão, os Bardino editaram em outubro do ano passado o seu EP de estreia homónimo com o selo da ZigurArtists.


Podem continuar bem sentadinhos no teatro que às 23h00 sobe ao palco O Carro de Fogo de Sei Miguel. Figura ímpar da música portuguesa do século XXI, colaborador dos Pop Dell’Arte, Sei Miguel tem produzido alguma da música mais intrigante de que há memória. Aliado a um mistério contínuo que tem rodeado a sua pessoa - e que encaixa como uma luva nas suas composições que têm tanto de vanguardista como de psicadélico -, tem construído de forma serena um legado riquíssimo. Chega a Lamego com a promessa de um disco novo, em que se relevam as melhores intenções fusionistas dos anos 70 do século passado.

Rumando à Olaria, vamos ver os Moon Preachers quando passar meia hora após a meia noite. Com uma sonoridade punk do mais rápido e poderoso que há, o duo do Seixal tem andado a rebentar tímpanos por todo o nosso país. Editaram o seu álbum de estreia, A Free Spirit Death, em março. Os vossos ouvidos vão ficar a zumbir durante uns tempos por isso usem ear plugs. O palco Alameda espera por nós à 1h30. Allen Halloween é um dos nomes incontornáveis da história do hip-hop tuga. Autêntica alma intocável, na composição e nos beats, claro, mas acima de tudo nas histórias que imortaliza a cada canção que lança, chega a Lamego embalado por um momento prolífero. Além do portentoso Híbrido – um puro acto de contrição cantado não recomendado aos mais sensíveis - tem-se sabido redescobrir e reinventar via Unplugueto, disco admirável pela sua simplicidade e pela abordagem honesta à música. Ponto alto do festival e da música nacional, história a fazer-se diante dos nossos olhos. 

Continuando a festa, os Scúru Fitchádu sobem ao Alameda às 2h30. Provando que não há limites para além daqueles impostos por nós próprios impomos, a banda liderada por Sette Sujidade (e que conta ainda com Chullage e Ronaldo D’Alva Teixeira nas aparições ao vivo) tem aberto caminho com o seu cruzamento imparável de punk e hardcore com funaná. Ou, como o próprio Sette Sujidade lhe chama sem pudor, música de pancada. E como tudo tem um fim, os 2JACK4U vão ser os últimos a atuar na oitava edição do ZigurFest, às 3h30 da manhã. Colecionadores ávidos de máquinas analógicas e exploradores sónicos, os 2Jack4U são uma locomotiva capaz de puxar para o centro da pista até o mais empedernido dos dançarinos. Têm no acid techno como força motriz para criarem a sua música e desengane-se quem acha que um só género os define: no âmago da dupla sobressai o espírito aventureiro, próximo de um rocker, mas para quem dançar é vital. No ZigurFest, está prometida uma maratona incendiária para encerrar o festival. 

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terça-feira, 7 de agosto de 2018

Reportagem: Carmina Festana [GrETUA, Aveiro]

© Vera Marmelo
O ciclo de música poliamorosa de Aveiro, mais conhecido por Carmina Festana, regressou a Aveiro no passado sábado, dia 4 de agosto, para celebrar a nova vaga de projetos emergentes no panorama musical português da atualidade. Com o GrETUA a servir de ponto de encontro, a camada mais jovem da cidade de Aveiro partilhou, na sala, o suor e na rua o convívio. A Cármen voltou a trazer mais uma saga de conquista numa noite quente, sentimental e penetrante estrelada pelos seis artistas que subiram a palco: Moon Preachers, Amaterazu, Claiana, Cosmic Mass, o grande David Bruno e, para fechar a noite, o já conhecido DJ Lynce

Moon Preachers © Vera Marmelo 

Marcado para as 22h00, quando chegámos à sala pelas 22h45, já os Moon Preachers faziam ecoar no palco do GrETUA a sua música meio punk meio garage-rock, de ritmo acelerado e de aura contagiante. A sala, apesar de ainda pouco composta, já fazia pairar um ar quente produzido pela animação do público. A Aveiro, a dupla formada por Rafael Santos e João Paulo Ferreira trazia o seu mais recente disco de estúdio, A Free Spirit Death (lançado em março do ano presente pelo Cão da Garagem) e as suas músicas rápidas, a funcionarem como uma injeção de adrenalina instantânea. Moon Preachers foi em suma um banho de rock, um público que parmenecia em mobilização constantante, umas cordas partidas e uma performance a findar num show de percussão e ruído, pelas 23h12. 

Amaterazu © Vera Marmelo

Pelas 23h30 os Amaterazu sobem ao palco. Em formato trio e com vestes características, a banda de Ricardo Bernardo (guitarra/voz), Ricardo Silva (baixo/voz) e João Lugatte (bateria) apresentou aos aveirenses o seu espetáculo meio ritualista de música psicologicamente densa a combinar elementos do metal e stoner-rock. Pelas características rítmicas, o concerto dos Amaterazu foi mais calmo que o dos antecessores Moon Preachers, ainda assim, especialmente preparado para ativar aquele zumbido no ouvido durante uns bons minutos após fim de performance. Como os próprios dizem, o universo musical dos Amaterzu transcende tempo e espaço. No GrETUA o concerto do trio de Viseu foi assim uma perda da noção de realidade, iluminada por um sol meio vermelho, meio dourado e conduzida por vozes epopeias. Ainda em destaque ficaram na memória as quebras e mudanças de ritmos de um concerto que acabou pelas 00h20. 

Claiana © Vera Marmelo

Ao contrário das anteriores, a performance de Claiana não se deu no palco do GrETUA mas sim na sala do bar. O projeto de Gui Lee, sediado no Porto e com edições pela Favela Discos trouxe até Aveiro a sua música de pura festa e entretenimento coletivo, fazendo-se acompanhar do icónico aveirense João Sarnadas, mais conhecido pelo seu projeto Coelho Radioactivo. Gui Lee apresentou o seu mais recente disco Claiana Vol.1 que na pista de dança se fez destacar por temas como "Bonsoir" ou "Bizu". 

Cosmic Mass © Vera Marmelo

Pelas 01h20 a quarta performance da noite tem início, com três dos quatro membros dos Cosmic Mass em palco. Depois de uma introdução inicial entra em cena Miguel Menano (vocalista e guitarrista) que é recebido em ambiente de folia e fortes aplausos. Banda prata da casa e com álbum de estreia a chegar às prateleiras ainda este ano, os Cosmic Mass proporcionaram mais um dos grandes momentos da segunda edição do Carmina Festana. Influenciados pelo movimento psicadélico da década de 60, o quarteto apresentou a sua energia fervorosa e inesgotável que os fez suar (a eles e a nós público) de início ao fim. Com uma percussão muito peculiar, o ritmo dos Cosmic Mass é igualmente frenético e cativante, caracterizando-se ainda numa velocidade alfa pendular. Uma onda de calor que se fez sentir na sala do GrETUA, mais do que durante o dia em Aveiro, onde houve ainda espaço para apresentar os membros da banda e dedicar músicas a amigos. A temperatura da sala só começou a baixar depois das 02h12. 

David Bruno © Vera Marmelo

Estávamos no convívio cá fora quando, pelas 02h40, vêm avisar-nos de que o concerto do romântico David Bruno vai iniciar-se. Na sala, pelas 02h45, David Bruno acompanhado pelo guitarrista Marquito fazem já ouvir-se "Alfa, Romeu & Julieta", um dos singles de promoção deste novo e muito acarinhado disco O Último Tango em Mafamude. Construindo os seus romances através de samples e trocando as frases por pistas de áudio, David Bruno deu o concerto que se esperava, apesar de ter parecido curtíssimo em comparação com os atos anteriores. Numa duração aproximada a 40 minutos David Bruno apresentou-nos algumas das referências visuais da nação, referentes às décadas de 80 e 90, o seu amor à cidade Vila Nova de Gaia e ainda um tema inédito que só pode ser ouvido ao vivo, "Lamborghini na Roulotte", que além de se ter ouvido durante o concerto, voltou a repetir-se no encore. Além deste, temas como "Monte da Virgem Paltónico", "Mesa Para os Dois no Carpa", "Amor Anónimo" foram alguns dos destaques. David Bruno ainda distribui pelo público algumas bases de copos promocionais deste novo disco. Concertaço de amor máximo. 

Não apanhámos a performance do DJ Lynce mas, a julgar pelos comentários de quem ficou até ao final do evento, foi efetivamente a cereja no topo do bolo daquilo que o Carmina Festana nos tem habituado desde a sua primeira edição, em novembro de 2017. 

© Vera Marmelo

Assim em jeito de conclusão, o Carmina Festana é aquilo que os aveirenses esperavam há muito tempo e que agora podem ter: um minifestival ao jeito low-cost, que funciona como ponto de encontro e partilha de momentos inesquecíveis, em conjunto. O Carmina Festana é aquele festival que todos ansiávamos e que podemos finalmente celebrar.: um festival para poder mostrar novas sonoridades dos mais diversos estilos até aos amigos mais preguiçosos. Um bem-haja.

Texto: Sónia Felizardo

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

ZigurFest 2018 com cartaz fechado



“...fazer de Lamego a cidade definitiva para ver, ouvir e sentir a nova música portuguesa.

Está lançado o mote para a oitava edição do ZigurFest. A cidade considerada histórica e monumental torna-se um palco de grandes dimensões de 29 de Agosto a 1 de Setembro, onde o cabeça de cartaz é a banda que ouviremos a seguir e onde nos sentimos em família para celebrar esta bonita festa.

Com o Teatro Ribeiro Conceição e o Castelinho como centro do festival, foram criadas ramificações que se estendem a uma dezena de outros espaços da cidade – sempre numa lógica de preservação, valorização e redescoberta do património erigido, mas também de abraçar as rotinas diárias da cidade. O ZigurFest regressa ao interior do Museu de Lamego, ocupa o tapete verde da Alameda Isidoro Guedes, sobe a colina para invadir as ruas e parques do Castelo e ainda terá um palco que será divulgado uma semana antes do evento.

É por aqui que vão passar alguns dos nomes mais importantes da música feita em 2018: Ulnar + Sal Grosso, Zarabatana, Dullmea, Terra Chã, MAZARIN, Mathilda, GUMESereias, Inversus, André Gonçalves, Savage Ohms, David Bruno (dB), NU, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Ângela Polícia, Mutual, Lavoisier, Paisiel, Bardino, O carro de Fogo de Sei Miguel, Moon Preachers, Allen Halloween, Scúru Fitchádu e 2jack4u. Além destes nomes, o ZigurFest vai fazer regressar a ZONA – Residências Artísticas de Lamego.

E porque esta cidade tem sempre mais alguma coisa inesperada para descobrir, irá ser inaugurado o parque de campismo do ZigurFest. Gratuito, soalheiro e instalado numa zona verde da cidade, está pronto para receber quem vem de longe para descobrir a cidade e a música mais entusiasmante do ano. Venham e percam-se: em Lamego e na música.

Cartaz por dias:


29 de Agosto (Quarta-Feira):

Ulnar + Sal Grosso (17h30 - Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos)
Zarabatana (18h30 - Largo da Cisterna) 
Dullmea (22h00 - Sala Grão Vasco do Museu de Lamego)


Zarabatana

30 de Agosto (Quinta-Feira):

MAZARIN (17h30 - Palco Castelo)
Terra Chã (18h30 - Palco Castelo)
Mathilda (21h30 - Palco anunciado a 22 de Agosto)
GUME (23h00 - Palco Alameda)
Sereias (00h00 - Palco Alameda)
Inversus (01h00 - Palco Alameda)


Mathilda

31 de Agosto (Sexta-Feira):

André Gonçalves (17h30 - Palco Castelo)
Savage Ohms (18h30 - Palco Castelo)
David Bruno (dB) (22h00 - Palco TRC)
NU (23h00 - Palco TRC)
Vaiapraia e as Rainhas do Baile (00h30 - Palco Castelinho)
Ângela Polícia (01h30 - Palco Castelinho)
Mutual (02h30 - Palco Castelinho)

David Bruno (dB)

1 de Setembro (Sábado):

Lavoisier (17h30 - Palco Castelinho)
Paisiel (18h30 - Palco Castelinho)
Bardino (22h00 - Palco TRC)
O carro de Fogo de Sei Miguel (23h00 - Palco TRC)
Moon Preachers (00h30 - Palco Castelinho)
Allen Halloween (01h30 - Palco Alameda)
Scúru Fitchádu (02h30 - Palco Alameda)
2jack4u (03h30 - Palco Alameda)


Allen Halloween

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terça-feira, 29 de maio de 2018

O Dia Mundial da Criança (do Psych-Garage) comemora-se no Woodstock 69

Photo: João Costa

Apesar de se realizar em meses diferentes de acordo com as convenções adoptadas por cada país, o Dia Mundial da Criança é reconhecido em várias nações. E desde 1925 que em Portugal se celebra esta data no dia 1 de junho. E este ano, o Woodstock 69 Rock Bar decidiu comemorar o Dia Mundial da Criança com uma noite de música psicadélica. No cartaz do certame estão os Moon Preachers, os Cosmic Mass e os Elephant Maze, tudo bandas emergentes da cena rock psicadélica actual. O Dia Mundial da Criança do Psych-Garage tem início marcado para as 22H, os bilhetes custam 5 euros e aqui fica o link para o evento.

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quarta-feira, 16 de maio de 2018

Primeiras confirmações do ZigurFest 2018


Depois de sete edições, o ZigurFest está de regresso em 2018. Para já foram anunciados três nomes: David Bruno, herói do kitsch, versejador fabuloso e beatmaker elástico; os Bardino, com a fusão elétrica a traçar os pontos comuns entre o jazz, prog e funk e os Moon Preachers, com o seu garage-rock musculado oriundo do Barreiro/Seixal.

O ZigurFest irá regressar à cidade de Lamego de 29 de Agosto a 1 de Setembro e mais nomes serão anunciados em breve.











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quinta-feira, 22 de março de 2018

Festival Walk and Dance celebra o novo rock português


Há uma cidade no norte do País que nesta Páscoa vai trocar os cânticos religiosos pelos ruídos das guitarras que estão a moldar o rock português. A meia hora de distância do Porto, Freamunde recebe entre os próximos dias 28 e 31 de março o festival Walk and Dance com nomes como The Poppers, Killimanjaro, 800 Gondomar, Flying Cages, Jonny Abbey, PISTA, Jerónimo e muito mais.

O cartaz desta que será a quarta edição do evento promovido pelos The New Party Makers (um grupo de amigos que decidiram juntar-se para levar mais música à região) contempla um total de 13 os concertos, distribuídos por cinco palcos que obrigam a percorrer diferentes locais – alguns improváveis - daquela cidade do concelho de Paços de Ferreira. Um deles é o bar Gardens, no centro de Freamunde, que serve de palco para o concerto de arranque do festival, na próxima quarta-feira, com Mathilda. Oportunidade para conhecer o primeiro álbum, editado em novembro de 2017, da cantora e compositora nacional.

Na segunda noite, o festival ocupa uma fábrica abandonada – a Fábrica Grande, como é conhecida localmente – para se ouvirem as melodias de Luís Severo, as nuances psicadélicas dos Chinaskee &Os Camponeses e as intensas guitarras dos Omodo. Dia 30 é dia de de ir ao teatro, nomeadamente à Associação Socorros Mútuos, onde estará o palco IberiumCafés. Lá se farão ouvir os The Poppers, a banda de Barcelos Killimanjaro e os Moon Preachers. A noite acaba no Espaço A, uma casa que já tem dado exposição a novas bandas e djs portugueses, com o trio 800 Gondomar.



Faça sol ou chuva, no último dia o Walk and Dance salta para o palco de rua, designado Letra On Oak, para se ouvir Jonny Abbey. Na noite de despedida, há também atividade no teatro transformado em palco IbériumCafés, com os concertos dos Flying Cages e Jerónimo, e no palco Espaço A, com os PISTA e Mojo Hannah.

São mais que suficientes os motivos para visitar Freamunde esta Páscoa e celebrar a nova ressurreição do rock português no Walk and Dance, para o qual são esperados ainda djs como Moullinex, Nuno Rabino, Londonbeat e João Moura. Avaliando os preços dos bilhetes diários (8 ou 10 euros), mais vale comprar o passe para as quatro noites (15 euros) e não perder pitada.

Texto: Ana Catarina Monteiro

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Moon Preachers editam álbum de estreia


Os seixalenses Moon Preachers são dois jovens que gostam de espalhar a destruição nos palcos por onde passam. Este poderoso duo (finalmente) lançou o seu disco de estreia na semana passada, depois de um verão de gravações com Nick Nicotine nos Estúdios King no Barreiro. A Free Spirit Death foi editado via O Cão da Garagem nas plataformas digitais, em CD e cassete.

Daqui resulta um punk com a velocidade levada ao máximo, mas mesmo bem ao máximo. Músicas como "I Keep My Soul Away" e "High Street" mostram um perfeito exemplo disto que dissemos, um exemplo que ganha ainda mais vida ao vivo. Os concertos de Moon Preachers são daqueles que deixam um zumbido nos ouvidos durante alguns dias, e oportunidades para os verem ao vivo não vão faltar nos próximos tempos. O que aconselhamos bastante que o façam.

Em baixo deixamos o álbum para ouvirem, assim como as datas de apresentação de A Free Spirit Death. Desfrutem.



Tour

23 Março - Maravillas Club, Madrid (ES)
24 Março - Sabotage Club, Lisboa 
28 Março - Espaço 58, Seixal
29 Março - CAE, Portalegre
30 Março - Walk & Dance 2018, Freamunde
31 Março - Sociedade Harmonia Eborense, Évora
7 Abril - Sé La Vie, Braga
13 Abril - Sala Chat Noir, Badajoz (ES)
21 Abril - ADAO, Barreiro
25 Abril - Titanic, Lisboa
11 Maio - Café Schmits, Póvoa do Varzim
12 Maio - Festival Rock Of, Cantanhede 
26 Maio - Kola Moka Fest, Estarreja

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segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Moon Preachers anunciam álbum de estreia


Depois de terem lançado uma colectânea de demos no ano passado, os garageiros Moon Preachers vão (finalmente) lançar o seu primeiro longa duração, de nome A Free Spirit Death. Este álbum foi gravado nos Estúdios King pela lenda do rock underground português Nick Suave, e saíra no dia 16 de março em CD, K7 e plataformas digitais via O Cão da Garagem.

Com uma sonoridade punk do mais rápido e poderoso que há, o duo do Seixal tem andado a rebentar tímpanos por todo o nosso país. Por isso, é natural esperar um álbum barulhento para ouvir com o volume bem lá no máximo. Uma prova disso é o primeiro single de avanço, e as já conhecidas "Walking And Trembling" e "High Street" presentes neste longa duração. Em baixo podem ver o video do single mencionado e a tracklist do álbum. Usem ear plugs.




A Free Spirit Death

1. The Beast/Shake My Head
2. I Keep My Soul Away
3. Walking And Trembling
4. High Street
5. Death Hallway
6. Confusion Beat
7. Ghost On The Hill

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