domingo, 7 de abril de 2019

Omie Wise com novo álbum e concertos em breve


Omie Wise é uma banda de rock progressivo de Braga. Formada em 2014 por Fábio Pinto e Rui Brito, esta é o reflexo de uma visão moderna e descomplexada do progressivo dos anos 70. O lineup completou-se em 2016 com José Martins na bateria, João Machado no baixo, Eduardo Peixoto de Almeida nos teclados e Miguel Santos na voz. O primeiro EP, 1808, foi lançado em março de 2017 em edição de autor, gravado, produzido e masterizado pela banda.

Está marcado para este mês de abril o lançamento do ábum de estreia da banda, intitulado To Know Thyself. Entretanto irá sair a faixa "Make a Knot" como single de apresentação.

Marcados também estão dois concertos para este mês. Dia 12 os Omie Wise vão tocar no Mercado Negro, em Aveiro. Os bilhetes já podem ser reservados por 3 euros. Dia 20 irão acompanhar os NU para um concerto no Sabotage, em Lisboa. Os bilhetes custam 6 euros.

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terça-feira, 25 de setembro de 2018

Percursos Sonoros realiza 3ª edição a 6 de outubro


Com a imagem renovada, o festival Percursos Sonoros está volta à cidade de Oliveira de Azeméis e traz com ele histórias, memórias e boa música portuguesa. Trata-se da 3ª edição do evento que se realiza desde 2016 e é organizado pela Incentivo Positivo, em parceria com a Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e com o Conselho Municipal da Juventude.

Marquem nas vossas agendas, será no dia 6 de outubro, a partir das 21:30, que as ruas oliveirenses irão voltar a encher-se de música para dar vida a espaços emblemáticos, cuja história se encontra esquecida. Segundo Ana Sofia Oliveira, coordenadora do festival, "nesta edição não haverá repetição de locais da edição anterior, e como tem vindo a acontecer, a escolha dos espaços dos concertos passou por uma criteriosa seleção para que o percurso seja confortável e interessante para o público presente".

Eis as bandas que vão estar presente e os locais onde vão decorrer os respetivos concertos:

Captain Boy |  Estação da Linha do Vouga
Galo Cant'Às Duas |  Jardins da Quinta dos Alegria
NU|  Igreja Matriz de Oliveira de Azeméis
The Lemon Lovers |  Quartel dos A. Bombeiros Voluntários

A entrada é gratuita.

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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

A paixão de ZigurFest: os dias que passámos em Lamego



O ZigurFest realizou entre 29 de agosto e 1 de setembro a sua oitava edição, recebendo em Lamego vinte e quatro dos nomes mais criativos e inovadores da música nacional. Foram quatro dias em que a música se fundiu com o vasto património milenar apresentado pela cidade, propagando-se por oito palcos - Teatro Ribeiro Conceição, sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego, Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, Castelo, largo da Olaria, Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda), Largo da Cisterna e Capela de Nª. Srª. da Esperança.

Como já passaram umas algumas semanas após o ZigurFest, decidimos escolher os concertos que mais gostámos nesta edição. Infelizmente não estivemos presentes no primeiro dia, que contou com as atuações de Ulnar + Sal Grosso, Zarabatana e Dullmea


Mathilda – 30 de agosto


Após algum tempo à procura da Capela de Nª. Srª. da Esperança, conseguimos chegar a tempo do concerto de Mafalda Costa, cantautora vimaranense mais conhecida por Mathilda. Completamente à pinha, já não cabiam mais pessoas no adro da capela, cuja iluminação criava o ambiente intimista certo para a ocasião. Dona de uma voz doce e suave, com apenas um ukulele nas mãos e acompanhada por Gobi Bear (Diogo Pinto) na guitarra acústica, como já é costume, Mathilda aqueceu os corações de todos os presentes com as suas canções de filigrana e veludo, onde retrata e suporta as fragilidades de uma artista bastante madura, mas que ainda só tem 18 anos. Ouviram-se na capela temas como “Oddest of Things”, primeira música que lançou com 17 anos, “Unloved”, música de Gobi Bear que conta a colaboração de Emmy Curl em estúdio, e ainda “No Love Song”, onde Mathilda ficou sozinha em palco com a sua guitarra elétrica. Pediu para sermos gentis pois ainda está a aprender a lidar com esta situação. E nós assim o fomos.

Sereias – 30 de agosto


Não há muitas bandas em Portugal que nos preparem para o que vimos esta noite. Caracterizam-se como jazz-punk pós-aquático e dão pelo nome de Sereias. Formados pelo poeta António Pedro Ribeiro e Kenneth Stitt na voz, Sérgio Rocha na guitarra, João Pires na bateria, Nils Meisel nos sintetizadores e Tommy Luther no baixo, a banda do Porto apresentou-se no palco Alameda com as suas longas músicas movidas a noise rock e no wave irregular. No meio de todo o caos, as atenções estavam especialmente focadas em António Pedro Ribeiro, que declamava ferozmente os seus poemas enquanto a banda tocava, e em Kenneth Stitt, homem de speedo que dançava livremente com as suas longas pernas e braços, vocifernado por vezes algo indecifrável ao microfone. Esquizofrenia é a palavra certa para definir este concerto. 

Fotogaleria do dia 30 de agosto aqui


André Gonçalves – 31 de agosto


André Gonçalves é um dos exploradores sónicos mais relevantes do panorama nacional, ora através da construção de sintetizadores modulares pela ADDAC, ora através da música que produz. Música Eterna (2015) é o melhor exemplo disso, “álbum” que existe dentro de uma aplicação para iOS e permite compor música que nunca se irá repetir, “recorrendo a uma partitura que joga com múltiplos blocos sonoros que vão desfilando com o tempo, encaixando miraculosamente sem nunca nos deixar desamparados pelo aparente jogo de sorte”. No Castelo de Lamego não foi diferente e André presenteou-nos com um set de colagens onde convivem sons do quotidiano com algumas vozes e por vezes alguns glitches, ao género de Oneohtrix Point Never. Perante a música ambiente que se fazia sentir, o público sentia-se relaxado, havendo até quem se deitasse na relva e fechasse os olhos para sentir todas as singularidades da viagem. 

David Bruno – 31 de agosto


Na primeira incursão do festival no Teatro Ribeiro Conceição, fomos assistir à apresentação d’O Último Tango em Mafamude, álbum editado este ano por David Bruno e muito aclamado pela crítica, onde expressa o seu amor pela cidade de Vila Nova de Gaia, revestindo-se de roupagens dos anos 90, enriquecidas com ritmos de hip-hop, um imaginário soul e músicas românticas. Iniciou o concerto com “Alfa Romeu e Julieta”, música sobre os domingueiros que só tiram o carro da garagem aos domingos. Agradeceu por não estarmos a assistir ao concerto dos Amor Electro, que essa noite estavam também a atuar em Lamego. Acompanhado pelos calorosos solos de guitarra de Marquito, esse prodígio de Barcelos, pelas representações visuais do seu álbum como fundo e, não esquecendo, pelo naperon a adornar a sua mesa de mistura, David Bruno interpretou temas como “Monte da Virgem Platónico”, “Amor Anónimo”, onde há a famosa referência a Marante e Toy, “Mesa Para Dois”, onde nos recomendou a comermos no balcão dos snack bars e a mantermos vivas as travessa de alumínio. Foi com “Lamborghini na Roulotte”, música que o artista só apresenta ainda ao vivo, que o público entrou completamente em delírio. Após uma pequena pausa em que foram lançados para a audiência bases de copo alusivas ao Último Tango em Mafamude, David regressou ao palco para terminar a atuação com “150 mL”, tema da altura em que o artista respondia por dB.

Foi uma experiência incrível ver esta personagem caricata interpretar as suas músicas tão tipicamente portuguesas que nos enchem de um orgulho imenso.

NU – 31 de agosto


Quem também atuou no Teatro Ribeiro Conceição foram os NU. A banda veio de Santo Tirso e apresentou-se em palco com sete elementos, apesar de serem um sexteto formado por Rui Pedro Almeida na voz, Miguel Filipe Silva e Vitor Duarte nas guitarras, André Soares no baixo, Ricardo Coelho na bateria e Urbano Ferreira na eletrónica. Apresentaram o seu rock experimental bem aguerrido e desconcertante, com uma percussão violenta, influenciado por nomes lendários como os Swans, Einstürzende Neubauten e os Mão Morta. Aliás, eram bem notórias as semelhanças do vocalista com Afonso Luxúria Canibal, tanto na voz como no seu estilo devaneante em palco. O elemento extra presenteou-nos com o seu saxofone, o que conferiu um carácter ainda mais experimental à atuação da banda. Durante quase uma hora estivemos perante um ambiente psicologicamente denso dotada de visuais negros e niilistas, em que a banda não se dirigiu ao público.

Fotogaleria do dia 31 de agosto aqui


Lavoisier – 1 de setembro


Os Lavoisier foram os primeiros a entrar em ação no último dia do ZigurFest no palco da Olaria. A dupla formada por Patrícia Relvas e Roberto Afonso recria a tradição musical portuguesa, respeitando a lei da conservação da matéria do químico Antoine Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma", interpretação esta que assenta no minimalismo da guitarra e a voz (e corpo) moldável de Patrícia. Partiram para Berlim em 2009, mas decidiram regressar em 2013 para viver apenas da música. Em Lamego apresentaram o seu disco É Teu (2017), tocando temas como “Vira”, uma versão de “Marcolino” de Fausto Bordalo Dias, “Romance do Cego”, música tradicional portuguesa que a avó de Bragança cantava, “Estátua”, resultante de um poema de Judith Teixeira, “Fauna”, música que retrata o quão bonito e assustador pode ser viver ao pé do mar, e “Opinião”, coisa que toda a gente tem. O duo aventurou-se também num tema novo, “Frustração”, que irá fazer parte de um novo trabalho onde vão musicar Miguel Torga. Nada melhor que um situação ao vivo para testar a força das canções.

The Dirty Coal Train – 1 de setembro


Todos sabemos que quando menos esperamos algo de extraordinário acontece. Foi isso que aconteceu com os Dirty Coal Train, banda que veio substituir à última da hora os Moon Preachers. O trio formado por Ricardo Ramos e Beatriz Rodrigues, na guitarra e voz, e Nick Suave, na bateria, editou em maio o novo álbum Portuguese Freakshow e conseguiu vir até Lamego atuar pois estava a passar férias ali perto. Só precisaram que alguém lhes emprestasse uns instrumentos. Uma das guitarras até estava assinada por Malcolm Young, membro falecido dos AC/DC. Ao todo foi quase uma hora de garage punk puro e duro, com direito a mosh e a crowdsurf por parte do endiabrado público. Não menos endiabrados, Ricardo e Beatriz andaram também pelo público a dar tudo, dando a oportunidade a algumas pessoas de agarrarem no micro e gritar o que lhes ia na alma. Dose diária recomendada de rock para aqueles que assistiram a este vendaval.

Scúru Fitchádu – 1 de setembro


Para quem nunca tinha visto Scúru Fitchádu ao vivo e só tinha ouvido algumas músicas em casa, nada os podia preparar para a bojarda que aí vinha. O relógio já marcava as 3h da manhã quando Marcus Veiga aka Sette Sujidade entrou no palco Alameda com o seu produtor. Scúru Fitchádu é um projeto que vive para as atuações ao vivo, dono e senhor de uma música bastante física e intensa, a qual não dá para viver sentado. Funde a distorção e o ruído do punk com os ritmos dançantes do funaná de Cabo Verde e a bass music. Isto tudo cantado vigorosamente em crioulo, com a ajuda de uma faca que bate freneticamente sobre o ferro e nos “obriga” a dançar até mais não. Foi um concerto que se prolongou por mais de uma hora e nos obrigou a ir aos limites. Incrível, épico, o melhor concerto desta edição do ZigurFest.

Fotogaleria do dia 1 de setembro aqui.


P.S.: Um dos melhores festivais nacionais, o ZigurFest mostrou-se em excelente forma, excecionalmente organizado. Integrado nas festividades de Lamego, funcionou como uma alternativa às festas mais populares, permitindo chamar público de todas as idades. Os belíssimos locais onde se dão os concertos são muito bem escolhidos e adequam-se perfeitamente ao tipo de música e à cidade milenar de Lamego. O convívio com bandas é bastante facilitado e podemos ver de perto como tocam pois não há barreiras entre nós e estas. Toda a cidade é contagiada pelo ZigurFest e nós sentimo-nos bem a fazer parte dessa família. Esperamos voltar por muitos e bons anos. 

Texto: Rui Gameiro
Fotografia: David Madeira


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terça-feira, 28 de agosto de 2018

ZigurFest - caminhando por Lamego, assim reza a lenda...

© Rafael Farias 
O ZigurFest vai para a sua oitava edição, continuando a espalhar o caos musical nas ruas de Lamego. De 29 de agosto a 1 de setembro, a cidade recebe 24 nomes emergentes da música portuguesa, espalhados por 8 palcos, do qual se destaca o Teatro Ribeiro Conceição, a sala de Grão Vasco do centenário Museu de Lamego, o Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos, o Castelo de Lamego, o largo da Rua da Olaria, o espaço verde do Parque Isodoro Guedes (também conhecido como Alameda), o Largo da Cisterna e a Capela de Nª. Srª. da Esperança. Serão quatro dias em que a música se funde com o vasto património milenar apresentado por Lamego.

Ao mesmo tempo, a Casa do Artista (localizada no histórico Bairro do Castelo) transforma-se numa galeria temporária onde estarão albergados os trabalhos das artistas em residência da Sofia Mascate e da Serena Barbieri. Adicionalmente, serão apresentadas duas peças da autoria de Manuel Guimarães e João Pedro Fonseca, havendo ainda espaço para dois workshops ligados à produção musical, por twistedfreak e Francisco Pina.

A celebração da música e arte portuguesa arranca a 29 de agosto, com o concerto de Ulnar + Sal Grosso no Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos (17h30), e encerra com a maratona electrónica dos 2Jack4U na Alameda, no Sábado de madrugada. A entrada no festival é completamente gratuita.

Caminhem connosco pelas ruas de Lamego, passo a passo.


29 de agosto


O primeiro dia do ZigurFest conta apenas com três espetáculos e a colaboração caseira Ulnar + Sal Grosso é a primeira a abrir as hostes nesta oitava edição. O Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos vai receber às 17h30 o que de melhor se faz em Portugal na música ambiente e noise. Às 18h30 rumamos todos ao Largo da Cisterna para assistir à atuação de Zarabatana. O trio feérico de Yaw Tembe, Bernardo Alvares e Carlos Godinho traz consigo O Terceiro Corno, a imprevisibilidade e um transe eterno sustentado pelo diálogo voluptuoso entre percussões, contrabaixo e trompete. Por fim, Dullmea, máscara que Sofia Faria Fernandes enverga em palco, atua às 22h00 na Sala de Grão Vasco no Museu de Lamego. Com um disco editado em 2018, Dullmea remete-nos para os tempos transcendentes e delicados daquele álbum da Björk gravado só com vozes. 



30 de agosto


O segundo dia de ZigurFest estende-se a outros espaços de Lamego, entre eles o palco Castelo, onde os Mazarin abrem o dia às 17h30. O quarteto editou este o seu EP de estreia homónimo, composto por canções instrumentais deveras orelhudas e pegajosas onde fundem o hip-hop com o jazz, na mesma onda dos valores de BBNG e Eabs. A festa continua no palco Castelo com os Terra Chã às 18h30. Formados por Fabrizio Reinolds (dj, coleccionador e produtor) e Ricardo Fialho (Inversus), editaram o seu EP de estreia, Dupla Insolariade, pela recém-formada Zabra Records, subsidiária da ZigurArtists, e são donos de uma house mais onírica. A dança como libertação é o mote para uma hora de ginga baleárica que não vamos esquecer tão cedo.


É já de barriga cheia que vamos assistir ao concerto de Mathilda pelas 21h30. A cantautora vimaranense lançou em novembro do ano passado , com apenas 17 anos, o single “Lost Between Self Expression and Self Destruction” e desde aí que tem estado nas bocas do mundo da música nacional mais alternativa. Em Lamego vamos encontrá-la envolta num cenário especial, a Capela de Nª. Srª. da Esperança, onde vai apresentar as suas canções de filigrana e veludo, pensadas para expor e sustentar bravamente as suas fragilidades, tocadas ora por um ukulele, ora por uma guitarra eléctrica. 

Às 23h00 fazemos a primeira incursão do festival no palco Alameda para assistir ao concerto de Gume, um dos ensembles mais entusiasmantes do país. Formados por Yaw Tembe, Pedro Monteiro, Sebastião Bergmann, André David, Tiago Fernandes e David Menezes, trazem o seu groove de cosmologia afro-futurista para nos fazer dançar e celebrar com alma à luz de nomes como Fela Kuti, Sun Ra, Last Poets ou The Roots.

Quando se atingirem as doze badaladas é a altura de ouvir o canto das Sereias no palco da Alameda. A banda do Porto que ainda está a dar os seus primeiros passos é movida a noise rock feroz e no wave sem forma, destino aparente ou referências óbvias. Agarrem-se bem para esta viagem. Continuando na Alameda, o último concerto da noite (01h00) fica a cargo de Inversus, projeto do produtor Ricardo Fialho. Activo há mais de uma década em Portugal, Ricardo estreou-se finalmente a solo em 2017 pela Zigur com Sobrena. Em Inversus ouvem-se laivos de synth-pop, hip-hop, electro e outras variantes da música electrónica - sempre com uma embalagem policromática e psicadélica qb.



31 de agosto


André Gonçalves vai presentear-nos com a primeira atuação do dia, às 17h30, no palco Castelo. André tem-se cimentado como um dos exploradores sónicos mais fundamentais além e aquém fronteiras. Fá-lo sempre com as mãos comandadas pelo coração: seja na construção de synths modulares pela ADDAC, seja na música, Eterna como gosta de a apelidar. Continuando no castelo, às 18h30 é a vez das Savage Ohms, quarteto puramente feminino de música livre e ruidosa que junta Beatriz Diniz (April Marmara), Teresa Castro (Calcutá), Joana Figueiroa e Violeta Azevedo. Isto é Kraut à séria, para viajar sem destino certo, assente no conforto de uma teia de efeitos meticulosamente tecida pelo encontro de guitarras e sintetizadores.

Às dez da noite vamos todos ao Teatro Ribeiro Conceição pela primeira vez nesta edição do ZigurFest. Ocasião? 

O concerto de David Bruno, ou dB, como era anteriormente conhecido. Na bagagem traz O Último Tango em Mafamude, disco editado este ano e muito acarinhado pelo público. Vestido com uma roupagem dos anos 90 e enriquecido com ritmos do hip-hop, um imaginário soul e músicas românticas, O Último Tango em Mafamude demonstra o amor que David Bruno tem pela sua cidade de Vila Nova de Gaia. A atuação vai contar com a presença de Marquito, guitarrista responsável pelos calorosos solos, e ainda com algumas projeções de momentos bem portugueses retirados da RTP Memória. 


Quando forem 23h00 é a vez dos NU subirem ao palco do Teatro. A banda de Santo Tirso vem apresentar o seu rock experimental fundido com outros elementos como a literatura, o vídeo e a performance, e influenciado por gigantes como os Swans, Einstürzende Neubauten, Mão Morta. Desconcertantes e incendiários, os NU podem muito bem vir a ser a grande surpresa do rock mais mecânico em Portugal. Quando passarem 30 minutos da meia noite, vamos até à Olaria ver os Vaiapraia e as Rainhas do Baile, coletivo recente, mas já definitivamente icónico em Portugal. As suas aparições têm tanto de concerto como de performance, misturando a pop punk mais doce com a mais aguerrida - isso deve-se não só ao companheirismo raro entre os músicos, mas também à vulnerabilidade que Rodrigo imprime na banda. Com eles, menos é mais e a força com que as canções de 1755 se fazem sentir trazem tanto de inspirador como de emancipador. 

Por volta da 1h30 é a vez de Ângela Polícia subir ao palco da Olaria. O projeto de Fernando Fernades, nascido em Braga em 2015, procura de forma sábia e paciente uma expressão sonora que faça jus à sua lírica: crua, interventiva e esquizofrénica qb. Encontrou-a em 2017, no delicioso e perigoso Pruridades, álbum onde funde o hip-hop ao dub, ao punk e ao grimeAntes de irem para a cama, há Mutual na Olaria às 2h30. Formados por André Geada e Manuel Bogalheiro, agitadores de pista no coletivo No She Doesn’t e produtores em nome próprio, dedicam-se aos cantos mais fumarentos da electrónica e percorrem caminhos não muito distantes dos trilhados por Demdike Stare, Millie & Andrea ou Andy Stott.



1 de setembro


No último dia de ZigurFest os Lavoisier são os primeiros a entrar em campo às 17h30, na Olaria, palco onde terminou a festa na passada noite. Encontro feliz entre Ricardo Afonso e Patrícia Relvas, duas almas musicais que parecem ter sido feitas a pensar uma na outra, os Lavoisier criam música portuguesa envolta em expressionismo e assente num binómio indestrutível - o minimalismo da guitarra e a voz (e corpo) moldável de Patrícia. Por volta das 18h30 sobem ao palco da Olaria o percussionista João Pais Filipe e o saxofonista alemão Julius Gabriel. Juntos formam Paisiel, duo que se move livremente entre géneros como a música experimental, o jazz e o rock, procurando atingir o delírio sónico e cósmico.

Após o jantar (22h00) vamos uma vez mais ao Teatro Ribeiro Conceição, assistir ao concerto dos Bardino, coletivo nortenho que aposta nas sonoridades psicadélicas em pleno 2017. Mas não se enganem com esta descrição tão usual nos dias que correm, pois o quarteto prefere mergulhar na rara tranquilidade introspectiva e escapista do psicadelismo antigo, em vez de recorrer aos tão aborrecidos riffs. Alicerçados na herança do rock progressivo e suas variantes tingidas a funk e jazz-fusão, os Bardino editaram em outubro do ano passado o seu EP de estreia homónimo com o selo da ZigurArtists.


Podem continuar bem sentadinhos no teatro que às 23h00 sobe ao palco O Carro de Fogo de Sei Miguel. Figura ímpar da música portuguesa do século XXI, colaborador dos Pop Dell’Arte, Sei Miguel tem produzido alguma da música mais intrigante de que há memória. Aliado a um mistério contínuo que tem rodeado a sua pessoa - e que encaixa como uma luva nas suas composições que têm tanto de vanguardista como de psicadélico -, tem construído de forma serena um legado riquíssimo. Chega a Lamego com a promessa de um disco novo, em que se relevam as melhores intenções fusionistas dos anos 70 do século passado.

Rumando à Olaria, vamos ver os Moon Preachers quando passar meia hora após a meia noite. Com uma sonoridade punk do mais rápido e poderoso que há, o duo do Seixal tem andado a rebentar tímpanos por todo o nosso país. Editaram o seu álbum de estreia, A Free Spirit Death, em março. Os vossos ouvidos vão ficar a zumbir durante uns tempos por isso usem ear plugs. O palco Alameda espera por nós à 1h30. Allen Halloween é um dos nomes incontornáveis da história do hip-hop tuga. Autêntica alma intocável, na composição e nos beats, claro, mas acima de tudo nas histórias que imortaliza a cada canção que lança, chega a Lamego embalado por um momento prolífero. Além do portentoso Híbrido – um puro acto de contrição cantado não recomendado aos mais sensíveis - tem-se sabido redescobrir e reinventar via Unplugueto, disco admirável pela sua simplicidade e pela abordagem honesta à música. Ponto alto do festival e da música nacional, história a fazer-se diante dos nossos olhos. 

Continuando a festa, os Scúru Fitchádu sobem ao Alameda às 2h30. Provando que não há limites para além daqueles impostos por nós próprios impomos, a banda liderada por Sette Sujidade (e que conta ainda com Chullage e Ronaldo D’Alva Teixeira nas aparições ao vivo) tem aberto caminho com o seu cruzamento imparável de punk e hardcore com funaná. Ou, como o próprio Sette Sujidade lhe chama sem pudor, música de pancada. E como tudo tem um fim, os 2JACK4U vão ser os últimos a atuar na oitava edição do ZigurFest, às 3h30 da manhã. Colecionadores ávidos de máquinas analógicas e exploradores sónicos, os 2Jack4U são uma locomotiva capaz de puxar para o centro da pista até o mais empedernido dos dançarinos. Têm no acid techno como força motriz para criarem a sua música e desengane-se quem acha que um só género os define: no âmago da dupla sobressai o espírito aventureiro, próximo de um rocker, mas para quem dançar é vital. No ZigurFest, está prometida uma maratona incendiária para encerrar o festival. 

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quarta-feira, 25 de julho de 2018

ZigurFest 2018 com cartaz fechado



“...fazer de Lamego a cidade definitiva para ver, ouvir e sentir a nova música portuguesa.

Está lançado o mote para a oitava edição do ZigurFest. A cidade considerada histórica e monumental torna-se um palco de grandes dimensões de 29 de Agosto a 1 de Setembro, onde o cabeça de cartaz é a banda que ouviremos a seguir e onde nos sentimos em família para celebrar esta bonita festa.

Com o Teatro Ribeiro Conceição e o Castelinho como centro do festival, foram criadas ramificações que se estendem a uma dezena de outros espaços da cidade – sempre numa lógica de preservação, valorização e redescoberta do património erigido, mas também de abraçar as rotinas diárias da cidade. O ZigurFest regressa ao interior do Museu de Lamego, ocupa o tapete verde da Alameda Isidoro Guedes, sobe a colina para invadir as ruas e parques do Castelo e ainda terá um palco que será divulgado uma semana antes do evento.

É por aqui que vão passar alguns dos nomes mais importantes da música feita em 2018: Ulnar + Sal Grosso, Zarabatana, Dullmea, Terra Chã, MAZARIN, Mathilda, GUMESereias, Inversus, André Gonçalves, Savage Ohms, David Bruno (dB), NU, Vaiapraia e as Rainhas do Baile, Ângela Polícia, Mutual, Lavoisier, Paisiel, Bardino, O carro de Fogo de Sei Miguel, Moon Preachers, Allen Halloween, Scúru Fitchádu e 2jack4u. Além destes nomes, o ZigurFest vai fazer regressar a ZONA – Residências Artísticas de Lamego.

E porque esta cidade tem sempre mais alguma coisa inesperada para descobrir, irá ser inaugurado o parque de campismo do ZigurFest. Gratuito, soalheiro e instalado numa zona verde da cidade, está pronto para receber quem vem de longe para descobrir a cidade e a música mais entusiasmante do ano. Venham e percam-se: em Lamego e na música.

Cartaz por dias:


29 de Agosto (Quarta-Feira):

Ulnar + Sal Grosso (17h30 - Núcleo Arqueológico da Porta dos Figos)
Zarabatana (18h30 - Largo da Cisterna) 
Dullmea (22h00 - Sala Grão Vasco do Museu de Lamego)


Zarabatana

30 de Agosto (Quinta-Feira):

MAZARIN (17h30 - Palco Castelo)
Terra Chã (18h30 - Palco Castelo)
Mathilda (21h30 - Palco anunciado a 22 de Agosto)
GUME (23h00 - Palco Alameda)
Sereias (00h00 - Palco Alameda)
Inversus (01h00 - Palco Alameda)


Mathilda

31 de Agosto (Sexta-Feira):

André Gonçalves (17h30 - Palco Castelo)
Savage Ohms (18h30 - Palco Castelo)
David Bruno (dB) (22h00 - Palco TRC)
NU (23h00 - Palco TRC)
Vaiapraia e as Rainhas do Baile (00h30 - Palco Castelinho)
Ângela Polícia (01h30 - Palco Castelinho)
Mutual (02h30 - Palco Castelinho)

David Bruno (dB)

1 de Setembro (Sábado):

Lavoisier (17h30 - Palco Castelinho)
Paisiel (18h30 - Palco Castelinho)
Bardino (22h00 - Palco TRC)
O carro de Fogo de Sei Miguel (23h00 - Palco TRC)
Moon Preachers (00h30 - Palco Castelinho)
Allen Halloween (01h30 - Palco Alameda)
Scúru Fitchádu (02h30 - Palco Alameda)
2jack4u (03h30 - Palco Alameda)


Allen Halloween

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domingo, 22 de julho de 2018

Passatempo: Ganha bilhetes para o ZigurFest nos Maus Hábitos


O ZigurFest vai este ano para a sua oitava edição e falta pouco mais de um mês para as ruas de Lamegos experienciarem o "caos" musical. Um autêntico oásis no interior do país e um ecossistema fértil em diversidade musical que acontece de 29 de Agosto a 1 de Setembro, o ZigurFest está a preparar duas sessões de aquecimento, uma nos Maus Hábitos - Espaço de Intervenção Cultural, no dia 27 de Julho, e a outra nas Damas, no dia 18 de Agosto.

No Porto vamos poder contar com as canções sonhadoras de Joana Guerra, os grooves chillados de LYFE (Pedro Eira), o regresso do psicadelismo dos dreamweapon (com o seu excelente Sol, editado pela Fuzz Club) e o dj-set de Moreno Ácido. No mês seguinte, um pouco mais a sul, irá ser possível sentir a energia contagiante dos Baleia Baleia Baleia e o acid-house dos 2Jack4U

Em parceria com o ZigurFest, estamos a oferecer dois bilhetes simples para o ZigurFest nos Maus Hábitos, que se realiza às 22h00 do próximo dia 27 de julho. Se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1. Seguir a Threshold Magazine no facebook.


2. Partilhar este passatempo no facebook em MODO PÚBLICO e identificar pelos menos 2 amigos.



3. Preencher o seguinte formulário:


O passatempo termina no dia 26 de julho às 22:00 e os bilhetes serão sorteados de forma aleatória através da plataforma www.random.org. 

Boa sorte!


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Atualizado às 02h40 de 27 de junho de 2018

Os vencedores do passatempo são:
Ana Gomes
Filipa Catarina Canão da Silva

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terça-feira, 10 de julho de 2018

Mais uma mão cheia de nomes para o Indie Music Fest


Indie Music Fest tem ainda uma mão cheia de nomes e renomes para o cartaz deste ano. Pouco a pouco, alguns deles se revelam, e estas são as novas confirmações dos artistas que marcarão presença no Bosque Mágico, em Baltar, de 30 de agosto a 1 de setembro.

O funk/kuduro/rock dos Throes + The Shine, o rock experimental dos NU, os acordes folk de Pé Grande, o rock psicadélico dos Travo e a revelação do hip-hop português YUZI são mais algumas novidades do melhor micro-festival do país.

Os passes-gerais para os dias mais encantados do ano estão à venda por 20 € até dia 15 de julho e podem ser adquiridos  nos locais habituais. 








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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Riding Pânico, Earth Drive e NU confirmados no Woodrock Festival


O Woodrock regressa este ano à Praia de Quiaios na Figuira da Foz para a sua sexta edição e esta semana avançou com mais três nomes a integrarem o alinhamento nos dias 19, 20 e 21 de julho. A longevidade militante dos Riding Pânico, a afirmação segura dos Earth Drive e a descoberta refrescante dos NU, juntam-se agora aos já confirmados Planet Of Jesus (Suécia), Fast Eddie Nelson (Portugal), Huanastone (Suécia) e Niña Coyote Eta Chico Tornado (Espanha). Num total serão 14 os artistas que se constituirão o line-up desta sexta edição de Festival Woodrock.

Os passes gerais têm até dia 31 de março, o valor de 21€00, data a partir da qual se fixam nos 24€ e podem ser adquiridos nos locais habituais e online em https://woodrock.bol.pt. Estes passes também garantem o acesso gratuito ao Parque de Campismo de Quiaios e a um desconto no acesso à Piscina de Quiaios.


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