domingo, 6 de outubro de 2019

Cinco Discos, Cinco Críticas #50


Já são 50 as edições do Cinco Discos, Cinco Críticas e, no total, 250 discos sobre os quais opinámos desde que lhe demos início. 

Para encerrar esse mágico número nesta edição relembramos os lançamentos de estreia dos portugueses Omie Wise, com To Know Thyself (self-released); Lola's Pocket PC com o homónimo Lola's Pocket PC (self-released) e ainda a grande surpresa na cena darkwave os Figure Section com o EP Spectre (Aufnahme + Wiedergabe). Já nas bandas que se repetem nos discos entram os californianos Monarch com Beyond The Blue Sky (El Paraiso). Para fechar, a estreia do novo projeto da editora Kaczynski Editions, com a edição de THE URBAN TAPE pelos artistas zerogroove e Alessandro Bocci.

Aproveitem para descobrir melhor estes trabalhos no Cinco Discos, Cinco Críticas #50.


To Know Thyself | self-released | setembro de 2019 

7.7/10 

Fundados em 2016, e depois de um EP de estreia (1808) que serviu como pretexto para vários concertos por inúmeros festivais e que foi fulcral para reunir um quinhão de atenção como parte dos novos valores portugueses musicais, os bracarenses Omie Wise mandam assim para fora o seu primeiro registo em formato longa-duração, intitulado To Know Thyself
Destes marmanjos, pode-se esperar um hard rock de tendências progressivas e de peito feito, mas sem nunca descurar as sensibilidades mais melódicas que lhes dão uma faceta mais modernizada. Os arranjos musicais aqui tomados a cabo adotam sons reminiscentes de nomes como Jethro Tull e Blue Oyster Cult, ou seja, estes meninos não se coíbem de ser influenciados por exemplos mais old-school e, como resultado acabam por demonstrar uma faceta mais madura no seu ADN. Quer-se com isso dizer que pegando nessas mesmas influências, moldam-nas de modo a formar uma sonoridade sem pretensões de maior e que se revela tanto etérea como de barba rija, mas sem grandes surpresas, para o bem e para o mal. Momentos de dimensão épica como o órgão intimidante em "Umbra", a aventura sonora em forma de tensão contida em "Dead Wings Fly Higher Pt.1 e 2", o folk psicadélico com floreados medievais de "Make a Knot" e a agressividade pseudo-stoner em "Something Wicked Stands Behind Me", revelam que estes meninos dominam a arte de rockar como gente crescida.
Rúben Leite





Lola's Pocket PC | self-released | janeiro de 2019

7.0/10

Lola's Pocket PC é um dos projetos de Sputnik, mais conhecid@ por Weatherday. Enquanto que os lançamentos por esse nome envolvem uma sonoridade lo-fi noise pop, com guitarras e distorção, Lola's Pocket PC abraça um som eletrónico, onde a estética DIY se junta a um electropop alternativo e minimalista. O lançamento de estreia deste projeto é um álbum homónimo conceptual e narrativo no qual é contada uma história sobre uma rapariga chamada Lola, que "hackeia" o telemóvel da narradora e a relação entre as duas. 
A narrativa desenlaça-se ao comando de uma voz envolta em efeitos e rodeada por sintetizadores. Imersos em reverb e acompanhados por drum machines, estes parecem saídos dos anos 80 e definem toda a estética do álbum. As principais melodias instrumentais escondem a voz enquanto arpejos, acordes e simples linhas de baixo preenchem o fundo sem grandes variações de ritmo. Esta falta de dinâmicas entre as diferentes faixas faz com que estas demasiado uniformes e possam tornar-se apenas música de fundo para os ouvintes menos interessados ou atentos. 
Não é inovador e a composição das canções não é especialmente brilhante, mas fãs do género podem encontrar em Lola's Pocket PC uma agradável meia hora, na qual sobressaem "Pocket PC" e a extensa "Lola", com 15 minutos de duração.
Rui Santos





Spectre EP | Aufnahme + Wiedergabe | outubro de 2019 

8.0/10 

Os Figure Section são a mais recente adição ao catálogo da alemã Aufnahme + Wiedergabe e chegam numa estreia em curta duração com Spectre, um EP a situar-se nos espectros do techno, industrial e minimal synth, com uma eletrónica altamente poderosa e abrasiva. A dupla formada pela cantora e atriz austríaca Olivia Carrère e o produtor belga Yannick Franck (Raum, Orphan Swords), estreia-se nas edições de estúdio com três novas faixas completamente imersivas, onde a eletrónica conduz o ouvinte a uma ação quase instantânea. 
O EP abre com o tema homónimo "Spectre" - cuja estrutura musical faz lembrar o ambiente sonoro que os Boy Harsher têm produzido nos últimos anos (e que se tem mostrado uma fórmula de sucesso mundo fora) e a voz, por vezes pálida, traz algumas referências à persona de Larissa Iceglass (Lebanon Hanover). É, contudo, em "Disfigured Section" que os Figure Section mais nos provocam criando um ambiente altamente característico e pessoal. A voz de Olivia Carrère torna-se só sua e a eletrónica de Yannick Franck entranha-se quase de automático no ouvido, trazendo ainda umas colagens sonoras no final, bastante bem incutidas. "Slick" dá por encerrado o primeiro trabalho com uma produção altamente estimulante e uma ambiência industrial manipulada na quantidade certa. 
Os Figure Section chegam em 2019 ao catálogo das novas bandas que, dentro em breve, estarão a circular pelos festivais mais góticos da Europa. Com o primeiro single "Teutonic Knights" a chegar às playlists dos mais atentos em março, é com este Spectre que a dupla se começa a integrar no novo cenário underground com boa distinção, deixando os ânimos bem altos para um longa-duração de estreia. A ver vamos.
Sónia Felizardo





Beyond the Blue Sky | El Paraiso | agosto de 2019



7.0/10

Há poucas coisas nesta vida que temos o poder de prever com verdadeira exatidão. Justo dizer que amanhã o sol vai nascer, que o céu vai continuar a ser azul e que o próximo álbum a ser lançado pela El Paraiso vai ser um deleite psicadélico. 
Desta vez, a prolífica e consistente editora dinamarquesa lançou um álbum dos californianos Monarch, o seu segundo álbum de longa duração. A banda constituída por Dominic Denholm, Thomas Dibenedetto, James Upton, Matt Weiss e Andrew Ware apesar de estar separada por um vasto oceano dos seus colegas de editora, bandas como Causa Sui (cujos membros Jakob Skøtt e Jonas Munk são fundadores da editora supramencionada) ou os Mythic Sunship, apresentam um som bastante semelhante a estes conjuntos europeus, no que diz respeito às longas jams dentro das músicas unidas, não com cuspe, mas sim com ritmos kraut, composições inspiradas no rock progressivo dos Emerson, Lake and Palmer e alguns devaneios jazz com belos instrumentos de sopro a lançarem em selvagens solos. 
Dada a influência geográfica dos Monarch, estes apresentam uma subtil (mas grande) diferença quando comparado com o restante elenco da El Paraiso e confere-lhes uma personalidade diferente. O toque americana nas suas músicas (que na faixa homónima do álbum chega a roçar o country) faz lembrar as malhas mais tempestuosas de bandas como Lynyrd Skynyrd ou os The Allman Brothers Band e tem momentos onde dão uma clara piscadela de olhos ao Ted Nugent solos e riffs muito rock and roll. 
Beyound the Blue Sky é um deleite para os sentidos. As suas longas e descomprometidas faixas tanto dão vontade de soltar os cabelos ao vento enquanto conduzimos uma pick-up por um árido deserto como são perfeitas para ouvir com fones enquanto estamos deitados numa refrescante sombra de olhos fechados. Mais um belo álbum com selo da El Paraiso, que se confirma como uma das melhores e mais consistentes editoras dentro do rock psicadélico mais experimental, e dos Monarch que se afirmam como um nome sério dentro deste estilo musical.
Hugo Geada





KACZYNSKI TAPE SESSIONS - THE URBAN TAPE (zerogroove/Alessandro Bocci) | Kaczynski Editions | outubro de 2019 

7.0/10 

A editora italiana Kaczynski Editions tem um novo lançamento agendado para este mês, tratando-se de uma edição inserida numa nova série a que chamaram KACZYNSKI TAPE SESSIONS que consiste na edição de uma cassete com um total de 30 minutos de duração, dois artistas convidados, 15 minutos para cada artista e um tema base no qual os sons resultantes se devem inspirar. 
A primeira cassete conta com a participação de Giuseppe Fantini (zerogroove, guitarra e maquinaria nos projetos ranter's Groove e zero23) e Alessandro Bocci (membro regular dos Starfuckers, banda de culto de vanguarda italiana) e chega às prateleiras a 15 de outubro sob o cunho de THE URBAN TAPE. Nesta cassete ambos os artistas propõem a sua visão urbana do som, num total de sete músicas, quatro trabalhadas por zerogroove - a mostrar a sua imagem esquizoide dos subúrbios urbanos - e três assinadas por Alessandro Bocci - numa abordagem sombria e alucinada da paranoia urbana. Esta é uma edição altamente estimulante para os fãs da eletrónica, onde ganham destaque temas como "ASESINO (samba overdrive)" - assinado por zerogroove e a fazer lembrar o clássico single dos Kraftwerk, "Autobahn" - e ainda "SHAKE THE GATE", assinado por Alessandro Bocci, a trazer uma abordagem mais punk ao resultado final deste trabalho colaborativo. 
THE URBAN TAPE - a primeira série de um projeto que artisticamente transparece ser muito rigoroso, bem pensado e pronto para surpreender os fãs da eletrónica contemporânea - apresenta a peculiaridade de ser uma cassete feita em madeira e pintada à mão com spray. Esta edição, bastante singular e ultralimitada estará disponível a partir do dia 15 de outubro, mas já a podem disfrutar na íntegra abaixo.
Sónia Felizardo



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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Vamos tão a Braga celebrar os sons da amizade



É já esta sexta que começa a sétima edição do Braga Music Week que vai decorrer de 27 de setembro a 5 de outubro em vários locais de Braga. A temática deste ano é o vigésimo aniversário do badalado disco O Monstro Precisa de Amigos dos Ornatos Violeta, por isso já sabem, desloquem-se a Braga com os vossos amigos e façam alguns novos enquanto vêem uns concertos.    

Na sexta dia 27 é a vez do Jacco Gardner dar o pontapé de partida ao subir ao palco (e o público também) do Theatro Circo para um concerto intimista com as sonoridades do seu recente Somnium. Seguem-se os bracarenses Omie Wise que vão jogar em casa ao se apresentarem na porta do Theatro Circo para apresentarem To Know Thyself, disco que vai ser lançado também nesse mesmo dia, portanto levem alguns trocos para comprarem o disco no fim do concerto.   


No dia seguinte, é a vez de Luís Severo interromper o outono ao trazer o sol e a sonoridade da primavera com um concerto no gnration. Se entretanto os bilhetes esgotarem, podem assistir à conversa dele e também à conversa dos Ornatos Violeta no gnration music market, onde poderão encontrar vários itens relacionados com música.  No domingo é a vez do torneio de futsal e na segunda o saxofonista Julius Gabriel vai ambientar o quizz night a realizar na Letraria.   

Dia 1 de outubro é dia da música, a banda O Bom, O Mau e o Azevedo e o DJ Pau vão ficar responsáveis pela comemoração no Barhaus. No dia seguinte, Greengo e Capela Mortuária sobem ao palco do Rock Star e na quinta é a vez de de Doutor Assério e Paulinho animarem uma noite que vai começar tipicamente minhota com comes e bebes.   Na sexta, a egípcia Nadah El Shazly sobe ao palco do gnration e no Lustre apresentam-se o norueguês Kubbi, o trapstar minhoto e rei da rima Chico da Tina e Conhaque.    

No último dia vai haver mais música mas desta vez no centro histórico com Shaka, Dokuga e Dirty Coal Train, sendo por isso também provável haver polícias a interromperem os concertos ao ar livre. O que não vai faltar mesmo são os carrinhos de compras a rolar nas ruas de Braga com amplificadores e colunas. E tu, vais rolar também?

Texto: Óscar Santos

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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Omie Wise estreiam-se nos LP's com To Know Thyself


Os bracarenses Omie Wise lançam no final deste mês o seu primeiro trabalho longa-duração de carreira, To Know Thyself, descrito em press-release como um "conflito, expiação, devassa das nossas emoções, prova que somos mais vezes brutos que diamante no reconhecimento das nossas fragilidades como forma de crescimento emocional". Do novo disco já tinha anteriormente sido divulgado o tema homónimo "Make a Knot" que foi esta semana precedido por "Something wicked stands behind me", o segundo tema de avanço do disco de estreia.

Em "Something wicked stands behind me" os Omie Wise confrontam-nos com o seu rock jazzístico numa malha que fala sobre o desespero, e a angústia do atual clima conformismo, servido sob um cenário de conflito tão bem expresso. O tema pode ouvir-se na íntegra abaixo.



To Know Thyself tem data de lançamento prevista para 27 de setembro em formato self-released


To Know Thyself Tracklist:

01 - One, No One and One Hundred Thousand
02 - Dead Wings Fly Higher Pt1 
03 - Umbra 
04 - Make A Knot 
05 - Something Wicked Stands Behind Me 
06 - Dead Wings Fly Higher Pt2 
07 - To Know Thyself 

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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Fotogaleria: The Twist Connection + Omie Wise [Lustre, Braga]


Na passado dia 22 de março estivemos presentes no Lustre, em Braga, para assistir às atuações dos The Twist Connection, banda de Coimbra que veio apresentar o seu mais recente álbum homónimo editado em agosto do ano passado, e os Omie Wise, banda de Braga que se prepara para editar o seu primeiro álbum de originais, To know Thyself, onde estará bem vincada a sua sonoridade rock progressiva.

Podem ver as fotografias do evento promovido pela Bazuuca aqui ou na fotogaleria que se segue.

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domingo, 7 de abril de 2019

Omie Wise com novo álbum e concertos em breve


Omie Wise é uma banda de rock progressivo de Braga. Formada em 2014 por Fábio Pinto e Rui Brito, esta é o reflexo de uma visão moderna e descomplexada do progressivo dos anos 70. O lineup completou-se em 2016 com José Martins na bateria, João Machado no baixo, Eduardo Peixoto de Almeida nos teclados e Miguel Santos na voz. O primeiro EP, 1808, foi lançado em março de 2017 em edição de autor, gravado, produzido e masterizado pela banda.

Está marcado para este mês de abril o lançamento do ábum de estreia da banda, intitulado To Know Thyself. Entretanto irá sair a faixa "Make a Knot" como single de apresentação.

Marcados também estão dois concertos para este mês. Dia 12 os Omie Wise vão tocar no Mercado Negro, em Aveiro. Os bilhetes já podem ser reservados por 3 euros. Dia 20 irão acompanhar os NU para um concerto no Sabotage, em Lisboa. Os bilhetes custam 6 euros.

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quinta-feira, 21 de março de 2019

The Twist Connection e Omie Wise trazem rock n’roll a Braga



É já amanhã que a Bazuuca volta ao Lustre, trazendo dois concertos imperdíveis nesta sexta-feira (22 de março) à noite. 

Omie Wise, provenientes de Braga, irão abrir a noite com rock progressivo, apresentando músicas que serão lançadas apenas no próximo mês de abril, no seu primeiro trabalho de longa-duração, To know ThyselfA banda composta por José Martins, João Machado, Eduardo Peixoto de Almeida  e Miguel Santos promete aquecer a noite de Braga com o rock moderno e descomplexado dos seus portentosos temas.


Como banda principal da noite temos os The Twist Connection, que vêm de Coimbra até à cidade dos arcebispos apresentar o seu novo trabalho discográfico homónimo, editado em agosto do ano passado. O melhor do rock n´roll português vai ser apresentado no Lustre, pelas mãos de Carlos Kaló Mendes na bateria e voz, Samuel Silva na guitarra, Sérgio Cardoso no baixo e Raquel Ralha na voz.


As portas abrem às 22h30m, sendo que os concertos começam às 23:30. O bilhete custa 5€ (+ consumo obrigatório de uma bebida). Esta noite é organizada pela Bazuuca, promotora, produtora cultural e agência independente sediada em Braga que, durante o mês de março e abril, irá rechear o Lustre com propostas musicais imperdíveis. Já no próximo sábado, dia 6 de abril, podemos contar com a presença de Allen Halloween e com um dj set de KESO.

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