sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Mucho Flow 2019 anuncia primeiras confirmações



O Mucho Flow está de regresso a Guimarães no próximo mês de novembro. A sétima edição do festival que antecipa o futuro da música contemporânea marca também o décimo aniversário da editora e promotora vimaranense Revolve, que organiza o festival desde 2103, e extende-se, pela primeira vez, a dois dias. O evento, que tinha o Centro para os Assuntos da Arte e Arquitetura (CAAA) como berço, expande-se agora para vários salas da cidade e acontece nos dias 1 e 2 de novembro.

As primeiras confirmações já são conhecidas, e a matriz do festival continua a mesma - a da aposta em nomes que vão dar que falar no futuro. Foi assim com  Nadia Tehran, Sega Bodega ou Black Midi, todos eles a assinarem as primeiras atuações em Portugal neste evento.

Este ano, o Mucho Flow celebra a emergência com os finlandeses Amnesia Scanner. A dupla composta por Ville Haimala e Martti Kalliala (ex-Renaissance Man) é uma das mais entusiasmantes apostas da nova música club, e as suas composições aliam uma amálgama polirrítmica de batidas quebradas à mais evoluída tecnologia (ou não fossem eles os criadores de Oracle, voz gerada através de inteligência artifical que complementa boa parte dos seus temas). Another Life, o primeiro longa-duração do duo, é uma epopeia de extremos onde o maximalismo dita a ordem (ou desordem) do cada vez mais apocalítico mundo digital, e mereceu edição pela respeitada editora germânica PANDepois de integrarem o cartaz da última edição do festival Madeiradig, em 2018, os Amnesia Scanner estreiam-se finalmente no continente com uma performance única em Guimarães.

Já os Heavy Lung, que também integram o primeiro leque de confirmações, vêm de Bristol e trazem post-punk com brilho e gravilha. São reflexo de uma nova uma linhagem rock britânica que tem nos Black Midi, Idles e Fontaines D.C. os seus porta-vozes, e contam apenas dois EPs. O seu som é dotado de uma energia invejável, e o seu vocalista é nada mais, nada menos que Danny Nedelko, o imigrante ucraniano que é estrela no teledisco de "Danny Nedelko", dos comparsas Idles. A estreia dos britânicos em Portugal faz-se, também ela, no Mucho Flow.

Os bilhetes encontram-se disponíveis por um número limitado de passes gerais a 20 euros, e podem ser adquiridos aqui.





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sábado, 23 de março de 2019

Reportagem: Puce Mary [Maus Hábitos, Porto]



Puce Mary é  Frederikke Hoffmeier, artista sonora dinamarquesa que desde 2010 tem vindo a contribuir em muito para o ainda restrito grupo de exploradoras femininas que conduzem a música experimental para um equilíbrio de géneros. O seu corpo de trabalho é denso e explora os pontos de interseção entre o noise e a música industrial, numa conjugação elegante entre o sombrio e o luminoso, o grotesco e o sublime. A sua discografia estende-se maioritariamente à editora escandinava Posh Isolation, de Loke Rahbek e Christian Stadsgaard, contando ainda lançamentos por selos tão conceituados como a iDEAL Recordings ou a Freak Animal. Integra ainda o glam artístico dos Marching Church, do carismático Elias Bender Rønnenfelt, a tensão delicodoce dos Body Sculptures, e muitos outros projetos de enorme valor.

The Drought, o mais recente álbum de Hoffmeier e primeiro pela editora germânica PAN (casa-mãe para artistas como Amnesia Scanner ou Pan Daijing), serviu como mote para as apresentações que tiveram lugar esta semana, dias 19 e 20 de março, no Maus Hábitos e Galeria Zé dos Bois, respetivamente. Aqui, a dinamarquesa explora o lado mais cinematográfico das suas composições, uma viagem vertiginosa pelos campos mais intrigantes da música noise praticada nos dias de hoje.

Perante um Maus Hábitos pouco composto e de ambiente tímido e vulnerável, Hoffmeier aproximou-se da parafernália eletrónica que se encontrava ao centro do palco, encimada por uma iluminação austera de tom avermelhado bem contrastante. Deu início à performance de modo discreto, com um drone volumoso e encorpado de frequências baixas a dar lugar a batidas pausadas, de compasso bem vincado, que marcam o início de um novo capítulo na performance. Com recurso a diferentes tipos de microfones, a compositora gera paredes massivas de textura e harmónicos, numa teia sónica tangível e suja. A sua voz, sussurrada, é quase imperceptível, contribuindo para a trama densa e etérea que faz ecoar em ondas de grande dissonância. É nesta fase que a artista se distancia da maquinaria para se aproximar do público, que a observa pacificamente e em paz, paz essa que é perturbada por momentos teatrais de confronto para com a plateia. 

O drama e a tensão são, afinal, palavras-chave para a música de Hoffmeier, que as materializa em performances avassaladoras que vêm no desconforto um fio condutor. O ritmo inquietante e maquinizado de temas como “Fragments of a Lily”, que nos chegou já a meio da atuação, trouxe músculo e fisicalidade a uma performance outrora harmoniosa e hipnótica, que se torna assim visceral e catártica. Como que num jogo constante de oposições, os minutos finais foram reservados para um momento de maior profundidade, com gravações de violino a complementar uma composição de ordem barroca, num épico moderado mas penetrante. O silêncio, que marcaria o fim da performance, chegou tenebroso, após 40 desconcertantes e maravilhosos minutos onde a tensão e a agonia andaram de mão dadas.

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terça-feira, 19 de março de 2019

Dose dupla de Puce Mary em Portugal



Puce Mary está de regresso a Portugal. A compositora dinamarquesa, que integra o catálogo da conceituada editora dinamarquesa Posh Isolation (casa-mãe para artistas como Croatian Amor, Varg ou Body Sculputes), passa hoje pelo Maus Hábitos, dia 19 de Março, seguindo amanhã para Lisboa, onde irá atuar na Galeria Zé dos Bois. A data, dupla, servirá para apresentar The Drought, o mais recente trabalho de Hoffmeier a solo  e primeiro sob a cinta da editora germânica PAN, juntando-se assim ao roster de luxo que integra alguns dos atos mais urgentes da música exploratória atual. Aqui, a música e compositora explora teias densas de sintetizador, narrativas intrigantes em spoken word e uma nova abordagem à melodia, que se apresenta cada vez mais presente, acrescentando assim um novo capítulo ao denso corpo de trabalho da artista.




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sexta-feira, 1 de março de 2019

Puce Mary junta-se à programação do Maus Hábitos



Puce Mary é Frederikke Hoffmeier, música e compositora dinamarquesa que irá passar pelo Porto, dia 19 de março, para a segunda de duas datas pelo país. Depois de ter sido adicionada à programação da Galeria Zé dos Bois, em Lisboa, Hoffmeier junta-se agora ao programa do mês de março do Maus Hábitos para uma performance de apresentação do mais recente disco The Drought, a estreia da dinamarquesa sob a cinta da conceituada editora germânica PAN (casa-mãe para artistas como Yves Tumor, Amnesia Scanner ou Pan Daijing). Este marca o regresso da artista à cidade do Porto, onde atuou pela última vez em 2016 no Understage do Teatro Municipal Rivoli.

O trabalho de Hoffmeier ramifica-se numa miríade de projetos de renome, desde as explorações artísticas de Elias Ronnefelt com os seus Marching Church às afiliações a selos como a Posh Isolation, onde edita grande parte do seu trabalho e por onde atingiu maior falatório a nível global, nomeadamente com o lançamento de The Spiral, em 2016, que a levou a integrar as listas de melhores do ano para a Wire e o The Quietus. Agora, com The Drought, assistimos a uma nova fase na carreira da produtora, mais matura e calculada, explorando teias densas de sintetizador e narrativas intrigantes em spoken word. Um universo singular a ser experienciado ao vivo nas próximas semanas.


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domingo, 21 de maio de 2017

Cinco Discos, Cinco Críticas #25


À 25ª edição do "Cinco Discos, Cinco Críticas" é dada a opinião a cinco discos que sairam durante este ano e que se dispersam entre si relativamente aos géneros em que trabalham. Em destaque a compilação mono no aware da PAN e Tuning de Olivier Lété. Podem ainda ler as críticas a Whiteout Conditions dos The New Pornographers, Heartless dos PallbearerGolden Rain EP dos Golden Rain.


mono no aware // PAN // março de 2017 
8.5/10 
mono no aware é a melhor surpresa que poderíamos receber nesta primeira metade do ano. A primeira compilação da PAN, editora sediada em Berlim fundada por Bill Kouligas (que aqui contribui com uma música), traz-nos 16 diferentes temas de 16 diferentes artistas, cada um com uma sonoridade única e distinta mas que se interligam de um modo muito interessante, onde até as próprias transições entre faixas funcionam em perfeita união, contribuindo, assim, para um disco extremamente coeso e uno, como se de um artista apenas se tratasse. Música introspetiva para refletir, ora orgânica ora fria e abrasiva, mas todas elas complementares e envoltas numa atmosfera esotérica. A beleza de “Limerence”, por exemplo, traz um instrumental simples e enigmático como o seu próprio autor, Yves Tumor, que contribui com um dos temas mais íntimos e marcantes do disco, com as vozes sampladas a dar um toque mais humano e quente à composição. 
mono no aware transcende os campos da música ambient e exploratória, mantendo-se entusiasmante ao longo dos seus quase 80 minutos, nunca perdendo a sua identidade e mantendo-se profunda e coesa até ao fim, colocando esta compilação num patamar privilegiado que poderá gerar algum burburinho à volta deste diamante bruto e entusiasmante. Uma audição mais que recomendada que merece tempo e disponibilidade para ser digerida.

Filipe Costa 

Golden Rain EP // Bulbart/Pocket Records // abril de 2017 
4.0/10 

Formados em Nápoles, Itália no ano de 2015, os Golden Rain são um duo que, muito resumidamente, se insere no campo da electro-pop com mais uma dezena de géneros e subgéneros à mistura. O resultado disso vem expresso neste novo EP homónimo, composto por um total de cinco canções muito dispersas entre si no processo de composição. A título de exemplo cite-se o single "Foglights", faixa de abertura que nos leva a viajar por entre os campos da dream-pop com tonalidades melodramáticos. À memória, o resultado deste single faz lembrar uma espécie de Princess Chelsea conjugada com Marina and The Diamonds no primeiro disco. É também com "Foglights" que os Golden Rain mostram o único trunfo deste novo EP, pois as restantes canções estragam qualquer hype inicial criado no consumidor. Ao longo da reprodução do álbum o ouvinte é exposto a ambientes e composições musicais muito dispersas entre si e onde a própria voz da vocalista se torna irreconhecível. A coerência, inexistente, na linguagem e comunicação musical confunde ainda um ouvinte que esteja a tentar encontrar identificar a sonoridade da banda e, muito dificilmente, o conseguirá levar a ouvir o EP na íntegra e/ou a querer informar-se mais sobre a banda. "When I Go Away" é um exemplo de uma péssima escolha de alinhamento, sendo um single tipicamente reciclado de sonoridades pré-existentes, no fundo, a estratégia utilizada em quase todas as composições deste disco. Uma pena. 

Sónia Felizardo

Whiteout Conditions // Concord // abril de 2017 
7.5/10 

Três anos após o dececionante Brill Bruisers, os The New Pornographers estão de volta com Whiteout Conditions e mais uma dose de power pop. Esta foi a primeira vez que fizeram um álbum sem a participação de Dan Bejar, ocupado com o seu outro projeto, Destroyer, e o baterista Kurt Dahle, que deixou a banda em 2014. Felizmente, essas duas baixas não se fizeram notar e Whiteout Conditions é um álbum de qualidade. Com canções energéticas, boas melodias e uma boa integração de instrumentos eletrónicos, este é um agradável, apesar de não muito memorável, conjunto de canções. Começa bem, com "Play Money", liderada pela voz de Neko Case, mas torna-se menos interessante com as duas faixas seguintes, especialmente a primeira delas: a mais eletrónica "Whiteout Conditions" e "High Ticket Attractions". É depois delas que a banda mostra o que sabe, da faixa 4 à 8. São essas as canções que fazem o álbum valer a pena. "Second Sleep" é capaz de ser a melhor delas, mas "We’ve Been Here Before" também se destaca, sendo a música mais calma e ambiente do disco, na qual não há percussão. As últimas músicas passam um pouco despercebidas, não mostrando a banda no seu melhor. Whiteout Conditions é um bom álbum. Não será um dos melhores de 2017, mas também não deve desiludir a maior parte dos fãs da banda.


Rui Santos

Heartless // Nuclear Blast Records // março de 2017
7.5/10 

Tal como a força e a beleza de uma cascata na natureza, é assim que o terceiro álbum dos Pallbearer atinge os seus ouvintes. Esta jovem banda tem feito a sua reputação crescer em torno da mistura dos riffs monoliticos típicos do doom metal, na tradição de trouble, candlemass ou cathedral, com harmoniosas melodias encontradas em bandas de rock progressivo clássicas, invocando obvias influências de Pink Floyd ou de Rush
Com o vocalista muito mais confiante do que nos dois primeiros álbuns, este disco prima pela sua eclética performance capaz de percorrer os tons mais limpos, desde o mais agudo até ao mais grave, e quando necessário, ir buscar a agressividade necessária para completar a musica. Com poderosíssimas músicas como "I Saw The End", que serve de abertura para o álbum, ou "Dancing in Madness", as guitarras complementam-se, um pouco ao estilo de Mastodon. No centro da violência, por exemplo, os ritmos típicos de géneros como o sludge metal, estes são constantemente complementadas por linhas harmoniosas e melódicas. Esta oscilação atípica é o que torna os álbuns de Pallbearer uma experiência tão peculiar. Apesar de tanta hostilidade, existe sempre um momento emotivo a contrastar. 
Um forte concorrente, que certamente estará listado em várias listas de melhores álbuns do ano dentro do género (e não só), Heartless, sabe conjugar, paralelamente, a agressividade com a beleza melódica criando um cenário apocalíptico repleto de emoção.


Hugo Geada

Tuning // Discoble Records // abril de 2017
8.0/10

Tuning é um álbum muito especial, feito com recurso exclusivo a um baixo elétrico conectado a dois amplificadores e sem quaisquer pedais de efeitos. Composto por um total de nove canções, Tuning apresenta melodias pulsantes e repetitivas, enriquecidas por conceitos criativos e auras inovadoras. O compositor francês Olivier Lété, que assina este trabalho, refina no seu processo de composição e improviso várias influências do seu apego à audácia sonora e musical e apresenta um disco que requer um certo nível de paciência e ambientes muito específicos para ser reproduzido e apreciado. Com um currículo a contemplar a cena jazz, Oliver Lété mostra a solo a sua paixão pela música, mas num registo mais grave e despido de qualquer instrumentação que distraia o público do seu principal objetivo: conduzir o ouvinte a uma viagem por entre as linhas do baixo. O argumento fica a cargo de quem carregar no play e escutar até ao fim. Tuning invoca de uma forma geral a estrada que percorremos na vida - as linhas retas, a floresta que nos acompanha ao longo do caminho, as curvas e contracurvas que percorremos até ao destino final. As vibrações do motor passam assim a ser as do baixo, enquadradas com variações imprevisíveis. Um disco muito interessante pela sua unicidade. Ora experimentem começar por "Un retour".

Sónia Felizardo

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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Reportagem: Bill Kouligas - Culturgest [Porto]

No passado dia 3 de setembro, a lisboeta Filho Único organizou mais um concerto no edifício da Culturgest no Porto. Desta vez, foi a estreia de Bill Kouligas — o mentor da PAN — em Portugal.


A PAN, para aqueles que não a conhecem, é uma das labels que mais tem apostado em artistas emergentes da cena IDM. Lee Gamble, Heatsick e Helm são alguns dos figurões que viram o seu trabalho editado pela PAN. A edição mais recente da label é o LP de estreia de M.E.S.H., o Piteous Gate. Mas falemos do homem que está por trás da PAN.


Bill Kouligas — por vezes também conhecido pelo pseudónimo Family Battle Snake — é um artista sonoro radicado em Berlim, a partir de onde tem comandado a PAN e colaborado com numerosos artistas como Sudden Infant, Christian Weber, RLW e Destroy All Monsters. Ao longo deste percurso que teve início mais ou menos no ano de 2007, Kouligas lançou alguns EPs e Splits, remixou algumas faixas e participou em duas sessões da prestigiada Boiler Room no formato DJ Set.


Agora, em 2015, Bill Kouligas decidiu finalmente editar o seu primeiro LP em nome próprio. 
A apresentação desse LP — que, para já, ainda não tem título nem data de lançamento prevista — dá mote a esta tour. Em Portugal, Kouligas passou pela sede da Culturgest no Porto e pelo Museu do Chiado. Foi na Culturgest que a Threshold assistiu à performance do produtor helénico.

Ao longo de sensivelmente uma hora, escutámos aquele que será o novo álbum de Kouligas. E, ao longo de uma hora, a forma do som que Kouligas produziu variou entre o monolítico — com a exaltação de um único elemento sonoro — a repetição — através da sobreposição e multiplicação até à exaustão de um ou mais fragmentos sonoros — e o noise — a mistura de todos os elementos sonoros e sua uniformização através da adição de uma camada suja e corrupta da distorção sonora. A convergência de todas estas linguagens sonoras produziram uma viagem chocante e variada nas suas paisagens. Uma viagem que nos surpreende a cada esquina, que poderíamos perfeitamente confundir com os universos criados por grandes mestres da IDM tais como Tim Hecker, William Basinski e até Andy Stott. Mas Kouligas não se identifica a 100% com apenas uma destas personagens. Diríamos sim que esta viagem acrescenta mais um ponto a esses universos, destacando e convergindo o que de melhor eles contém.


Decisão acertada por parte da Filho Único em escolher uma sala mais acolhedora como é a da Culturgest para esta performance: um momento emotivo de Kouligas no qual apresentaria pela primeira vez ao público o seu vindouro LP. 
Mas agora que está feita a primeira amostra deste belíssimo LP, impõe-se uma sala maior para acolher Bill Kouligas no seu regresso. Uma sala com dimensões proporcionalmente ajustadas às sonoridades deste LP: épicas.

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