sábado, 16 de novembro de 2019

STREAM: Maria Reis - Chove na Sala, Água nos Olhos



Chove na Sala, Água nos Olhos é o álbum de estreia de Maria Reis, cantora-compositora lisboeta e membro da dupla de culto Pega Monstro, que divide com a irmã Júlia Reis.

O disco, que marca o regresso de Reis às edições em nome próprio, dá sucessão ao EP de estreia MARIA, editado em 2017. Com apenas 7 faixas e 18 minutos de duração, o disco desafia as noções do longa-duração pela sua curta duração, mas destaca-se pela evolução da cantora enquanto compositora a solo. É também o seu disco mais colaborativo, e conta com a participação de B Fachada, Leonardo Bindilatti (Putas Bêbadas) e Rui Antunes (Spring Toast Records) na produção, mas também do irmão António Quintino no baixo e contrabaixo. O álbum foi antecedido do single "Odeio-te", cujo vídeo, que poderão ver abaixo, foi realizado pela própria em colaboração com Sara Graça e Duarte Coimbra. 

“Chove na Sala, Água nos Olhos” encontra-se disponível em todas as plataformas streaming principais, assim como na sua edição física em vinil no Bandcamp da Cafetra e na Flur Discos, em Lisboa. 





+

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

Maria Reis partilha novo single, Odeio-te



Maria Reis, cantora-compositora lisboeta e vocalista da dupla de culto Pega Monstro, lançou hoje o primeiro avanço de Chove na Sala, Água nos Olhos, o primeiro disco a solo e em nome próprio que será editado a 15 de novembro pela Cafetra Records.

"Odeio-te" é o nome do single, escrito por Reis e produzido em colaboração com B Fachada. O tema, que se encontra agora disponível em todas as plataformas streaming, conta ainda com um teledisco realizado pela própria em colaboração com Sara Graça e Duarte Coimbra.

Em junho, Maria Reis editou Live Performance, 2018, que a juntou ao baterista e percussionista Gabriel Ferrandini e ao artista visual André Cepeda para uma performance ao vivo no Blues Photography Studio, em Lisboa.

Em baixo, fiquem com o vídeo para "Odeio-te". 


+

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Os melhores álbuns nacionais de 2017


Em 2017 assistimos a um ecletismo musical a invadir os nossos ouvidos. O panorama musical nacional não fugiu à regra com as experimentações eletrónicas de Surma e Ermo, o ruído e distorção psicadélicos de 10 000 Russos e o afrobeat de Nídia e DJ Lycox. Chegou a altura de publicar os vinte cinco melhores álbuns nacionais que mais se destacaram no ano passado. 



25. 800 Gondomar - Linhas de Baixo


24. Império Pacífico - Império Pacífico


23. Éme - Domingo à Tarde


22. Stone Dead - Good Boys


21. Jasmim - Oitavo Mar


20. Pás de Probleme - Silence Is Gold


19. Lula Pena - Archivo Pitoresco


18. Ulnar - Dreaming of Sailing Further West


17. Cat Soup - Cat Soup


16. Hitchpop - Hitchpop


15. Berlau & AM Ramos - Monte da Lua


14. Grandfather's House - Diving


13. Dear Telephone - Cut 


12. Gonçalo - Boavista


11. Marco Franco - Mudra


10. Iguana Garcia - Cabaret Aleatório


9. ATILA - body


8. PZ - Império Auto-Mano


7. Luís Severo - Luís Severo 


6. Pega Monstro - Casa de Cima


5. DJ Lycox - Sonhos & Pesadelos


A fervilhante cena musical luso-africana da lisboeta Príncipe já não passa despercebida a ninguém, e a crítica internacional que o diga. Nomes como DJ Marfox, DJ Firmeza e Nídia (que lançou em junho o fabuloso Nídia é má, Nídia é fudida) encontram-se na dianteira de um dos movimentos culturais mais progressistas e refrescantes do momento, aliando música de dança a sonoridades influenciadas pela cultura africana que vão do kuduro à tarraxinha. A juntar-se a estes está também DJ Lycox, que nos surpreendeu este ano com o viciante Sonhos & Pesadelos. Na sua estreia nos longas-duração, DJ Lycox traz um descomplexado disco rico em melodias contagiantes e ecléticas que peca apenas pela curta duração das suas faixas (à exceção de “Solteiro”, nenhum dos temas ultrapassa os 4 minutos). São 27 minutos (33 na versão digital) de um disco que desejamos que nunca acabe.

4. Nídia - Nídia É Má, Nídia É Fudida


Nídia (ex-Nídia Minaj) não é um nome novo no panorama nacional. Já conhecida bem antes de entrar para a Príncipe, com o EP Danger, a artista cabo-verdiana continua a surpreender. Com o mais recente disco Nídia é Má, Nídia é Fodida, Nídia prova que é um dos nomes importantes a ser seguidos no paradigma da música eletrónica portuguesa. O seu afro-house influenciado pelo kuduro, tarraxinha e batida (sem nunca perder a sua identidade própria) tem vindo a ser bem aceite tanto no nosso país como lá fora, como se provou ao ser convidada para estar presente no festival Linecheck, em Milão, ao pé de nomes como Thundercat, Perfume Genius, Freddie Gibbs, entre muitos outros. Apesar da tenra idade, Nídia demonstra que este último trabalho é um dos grandes álbuns de 2017.  

3. 10 000 Russos - Distress Distress


Muito pode ser dito acerca do mais recente trabalho da banda portuense 10 000 Russos, mas é muito mais fácil explicar ao simplesmente entregar uns headphones ao leitor e colocá-lo numa sala escura enquanto ouve o álbum de inicio ao fim. Esta mistura de rock psicadélico, industrial e krautrock resulta num drone que abre um bizarro apetite para mover o corpo, ora num discreto a bater o pé ou numa dança pouco ortodoxa. Muito se pode louvar pelo trabalho dos músicos, desde o baixo de André Couto que oscila entre os ritmos mais mecânicos e repetitivos, à guitarra de Pedro Pestana carregada de deliciosos e minuciosas distorções e a batida contínua de João Pimenta que nos acompanha ao longo desta viagem. Os arranjos vocais soturnos e carregados de reverb são colocados de forma estratégica na construção das músicas de forma a criar um contraste com o instrumental e proporcionar um ambiente mais sinistro. Distress Distress é mais do que um álbum. É uma viagem, uma experiência, um ritual. A vontade de fechar os olhos e ouvir a música é muito, mas vontade de dormir nem vê-la.

2. Ermo - Lo-fi Moda


Lo-Fi Moda traz um novo e revolucionário capítulo ao duo bracarense Ermo, que confronta a vaidade e a presunção dos portugueses através de uma atitude de crítica presente numa lírica consciente e bem aguçada. A voz abafada por boas doses de auto-tune e os instrumentais essencialmente digitais contribuem para um organismo alienígena e viciante desprovido de humanidade, executado de modo magistral ao longo dos seus nove temas. Ao segundo disco, os Ermo viram costas ao passado e superam-se com um dos discos mais viscerais do ano, uma obra do presente com olhos postos no futuro e que se demonstra mais vital e necessário do que nunca.

1. Surma - Antwerpen


A jovem Débora Umbelino, mais conhecida por Surma, deu os seus primeiros passos a sério nestas andanças há apenas um par de anos, com o lançamento do single “Maasai”, e desde então tem feito por reivindicar o seu destaque por direito na cena musical nacional, reivindicação essa que ganhou outro argumento de peso com o lançamento do álbum de estreia Antwerpen. Surma é uma aventureira sonora, a entrar em demandas espaciais e agridoces que passam por vários géneros musicais. Ela é pop, é electrónica noisy, é post-rock, é o que lhe dá na real gana, e é essa mesma gana que culmina numa identidade própria peculiar como poucas no panorama nacional. Com músicas como “Plass”, “Hemma” e “Voyager”, o ouvinte consegue captar o imaginário devaneador e contemplativo que Surma lhe transmite através das suas experimentações e da sua voz gentilmente áspera. Esperemos ansiosamente o próximo capítulo desse imaginário.

+

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Portugal Alive leva Gala Drop, Sensible Soccers e Pega Monstro a Espanha


A internacionalização da nova música portuguesa tem sido cada vez mais falada dentro e fora de portas, com artistas portugueses a serem foco de atenção da imprensa e de promotores internacionais. Deste modo, a quarta edição do Portugal Alive promete, mais uma vez, levar o melhor da música portuguesa a Espanha. Gala Drop, Sensible Soccers e Pega Monstro são as escolhas para a edição deste ano do evento apoiado pelo Cultura Portugal em Espanha. Durante os dias 22 e 23 de setembro, estes três grupos irão apresentar-se ao vivo nas cidades de Madrid e Barcelona, respetivamente, com o objetivo de promover a cultura portuguesa contemporânea junto do público espanhol e ainda a aproximação à comunidade portuguesa residente em Espanha. 

O festival Portugal Alive apresentou já concertos de alguns dos nomes mais respeitados da atualidade da música portuguesa como Dead Combo e B Fachada, que abriram as hostes da primeira edição do evento em 2014, seguindo-se Noiserv, Capicua e Linda Martini em 2015 e peixe:avião, Da Chick e X-Wife em 2016. O festival tem-se apresentando sempre em Madrid e Barcelona, proporcionando uma dupla oportunidade a artistas portugueses para se darem a conhecer ao público português e espanhol. 

A admissão ao evento é gratuita.


+

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

TRC ZigurFest anuncia últimos nomes do cartaz

TRC-zigurfest-17

A sétima edição do TRC ZigurFest decorre já nos próximos dias 30 de agosto a 2 de setembro. O festival que invade Lamego conta no seu cartaz com nomes como Alek Rein, Pega Monstro, Live Low, Stone DeadGalgoLAmANice Weather For DucksCoelho RadioactivoCalcutáAcid Acid WhalesThe Twist ConnectionMaria, P A L M I E R S, Chalo Correia, The Rite of Trio, , The Nancy Spungen X, Harmonies (Joana Gama, Ricardo Jacinto e Luís Fernandes), BLEID, MolochMadrasta, LYFE, GPU Panic e Nils Meisel.

No dia zero há SallimPrimeira Dama, Talea Jacta e Luca Argel

Os bilhetes estão à venda no Teatro Ribeiro Conceição e na Ticketea e têm um preço de 3 euros (bilhete diário) ou 5 euros (bilhete geral). Vale a pena relembrar que todos os concertos do dia 30 e 31 de agosto e nos espaços exteriores nos dias 1 e 2 de Setembro são gratuitos.

Consultem em baixo a programação do TRC ZigurFest 17.

+

domingo, 30 de abril de 2017

Vira Pop'17 regresa a 16 e 17 de Junho


De 16 a 17 de Junho todos os trilhos voltam a dar ao Vira Pop '17, a decorrer uma vez mais nas Termas de Caldelas. Os nomes confirmados até ao momento são Gobi BearLuís SeveroMirror People, Puto Márcio, SallimSensible Soccers, Pega Monstro, White Haus, Aeromoças e Tenistas Russas, Lourenço Crespo, Toulouse e Nice Weather for Ducks

Este ano o Vira Pop apresenta algumas novidades como a inclusão da piscina no festival e o Vira Copo!. Este copo, se adquirido antecipadamente, dará acesso gratuito à piscina num dos dias do festival e oferta de um fino. A entrada no evento é gratuita.

+

terça-feira, 21 de março de 2017

Pega Monstro anunciam novo disco

© Sara Rafael
As Pega Monstro anunciaram hoje Casa de Cima, aquele que vem a ser o seu terceiro disco de estúdio e que dá sucessão a Alfarroba (2015). O disco foi gravado em setembro do ano passado por Leonardo Bindilatti, na Praia Grande, na serra de Sintra , na casa de um amigo chamada Casa de Cima, daí o título do álbum. 

Como primeiro avanço as irmãs Maria e Júlia Reis apresentam agora o single "Partir a Loiça", música que contém a expressão "Eu vou partir a loiça toda!!", e que segundo Maria Reis é o termo que resume aquilo que Casa de Clima é para as Pega Monstro. Além da música foi ainda revelado o alinhamento do disco. Ambos seguem abaixo.

Casa de Clima tem data de lançamento prevista para 2 de junho via Upset the Rhythm/ Cafetra Records (PT).




Casa de Clima Tracklist:

01. Ó Miguel 
02. Partir a Loiça 
03. Fado da Estrela do Ouro 
04. Cachupa 
05. Pouca Terra 
06. Sensação 
07. Odemira

+

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Festival Rescaldo de 10 a 18 de fevereiro na Culturgest


O Festival Rescaldo está de regresso à Culturgest neste mês de fevereiro, cumprindo a sua 10ª edição. Sempre com a missão de apresentar os projetos que mais se evidenciaram nos mundos da eletrónica, da livre improvisação, tanto no rock como no jazz, esta edição vai decorrer uma vez mais no Pequeno Auditório da Fundação e na Garagem. A grande novidade é a inclusão do Panteão Nacional, com a atuação a solo da trompetista Susana Santos Silva.

No programa constam nomes como Marco Franco, baterista dos Memória de Peixe, que agora se aventura a solo no piano, a colaboração entre o dinamarquês Paal Nilssen-Love e o histórico David MaranhaBruno Pernadas em formato quarteto.

Live LowÄlforjsOndnessLuís LopesAna Deus, Jejuno e Pega Monstro são os nomes que compõe a restante programação. Podem consultá-la aqui em baixo.

Sex 10 fevereiro
Marco Franco
Bruno Pernadas Quarteto

Sáb 11 fevereiro
Luís Lopes
Ana Deus

Dom 12 fevereiro - Panteão Nacional
Susana Santos Silva

Sex 17 fevereiro
Live Low
JEJUNO
David Maranha + Paal Nilssen-Love

Sáb 18 fevereiro
Älforjs
Ondness
Pega Monstro

Os bilhetes têm o custo de 6€ para cada noite do evento. 

 

+

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Reportagem: Bons Sons 2016 [Cem Soldos, Tomar]


Nos passados dias 12, 13, 14 e 15 de agosto fomos até Cem Soldos, Tomar, onde se realizou a sétima edição do Bons Sons. O festival que em 2016 celebrou o seu 10º aniversário contou com grandes nomes da música portuguesa como Keep Razors Sharp, White Haus, Sensible Soccers, Best Youth. Saibam como correu a festa na Aldeia mais cultural e acolhedora de Portugal.

11 de agosto

O Festival começou com uma enorme agitação no parque de campismo, com centenas de pessoas a tentar, simultaneamente, montar as suas tendas. À noite, quando a poeira já tinha assentado e os campistas já tinham jantado, Quem és tu Laura Santos? abriu o festival num palco montado junto à saída do campismo. O DJ fez toda a gente presente dançar e saltar, levando até a um “comboio” com mais de 50 pessoas. O espetáculo ajudou a firmar o ambiente pelo qual o festival é conhecido. Se, há 20 minutos atrás o público só tinha desconhecidos, agora já consiste de vários novos amigos, que dançam ao som de hits pop dos anos 70 e 80, sendo eles portugueses, franceses ou ingleses.

Após o final do espetáculo, explorou-se a aldeia e tentou-se dormir, ato que se viu dificultado com a quantidade de instrumentos musicais a ser tocados pelo parque de campismo.

12 de agosto

Os concertos (para nós) começaram no Palco MPAGDP (Igreja), onde João e a Sombra, o projeto músical do ator e músico João Tempera, apresentava o seu novo álbum Outra Coisa Qualquer. O concerto foi agradável, embora achemos que tenha sido mais forte no início, tendo perdido um pouco a nossa adesão nas últimas músicas.

Um pouco depois, abrindo o Palco Giacometti (Coreto) estavam as irmãs Pega Monstro, que deram um dos concertos mais explosivos e barulhentos do festival. Tocaram grande parte do álbum que considerámos o melhor álbum nacional do ano passado, Alfarroba. O que mais impressionou neste concerto foi a entrega das irmãs, que nem por um segundo pareceram pensar noutra coisa senão a sua música, tocando-a com uma enorme violência, obrigando o público a render-se.


Mais ao final da tarde, Birds are Indie, trio de Coimbra, deram um dos concertos mais agradáveis de todo o festival. O grupo não se limitou a apresentar o seu novo álbum, tocando temas de todos os seus registos e até covers. A verdadeira magia aconteceu enquanto as músicas eram tocadas, num daqueles momentos em que parece que todas as estrelas se alinham, a temperatura estava agradável, o sol já não bate tão fortemente e a banda cantava e tocava as suas músicas suavemente. Instaurou-se um ambiente em que toda a gente se sentia bem e se divertia, especialmente durante os maiores hits da banda, em que boa parte do público sabia a letra (pelo menos o refrão) e a cantava com o trio.


À noite, ouvimos Best Youth a abrir o palco Eira, começando a marcar o registo positivo que este palco teve ao longo dos quatro dias, tendo dado casa a alguns dos melhores concertos deste festival. O concerto do duo Portuense foi algo diferente do que já tinha visto no resto do dia. Enquanto que o concerto anterior foi íntimo, este passou a outro nível, em que toda a cumplicidade do duo em palco se transferiu para o público, que não parou de dançar ao som do indie pop sensual que vinha do palco.



13 de agosto

Começamos o dia com Grutera no palco Giacometti. O guitarrista oriundo da Nazaré, sendo apenas acompanhado por uma violinista e um dos guitarristas dos Indignu [lat.] (em algumas música), deu a todo o público presente uma experiência quase surreal, embora só estivesse uma guitarra acústica em palco. Podia-se jurar que estava uma orquestra inteira a tocar para nós. No final do concerto, o guitarrista afirmou que este tinha sido o seu concerto de “despedida” e que se ia afastar dos palcos por agora.


A tarde continuou com Few Fingers, no Palco Tarde ao Sol. O duo fortemente inspirado pelo indie/folk foi acompanhado em palco por membros dos Nice Weather For Ducks, Les Crazy Coconuts e da banda que acompanha David Fonseca, formando assim um quinteto. O concerto em si foi algo mais “leve”, em comparação ao anterior, não deixando assim de agradar o público, captando a nossa atenção até ao fim. A banda tocou músicas de todo o seu repertório, com especial atenção ao seu novo álbum Burning Hands.


Logo de seguida regressámos ao Giacometti para assistir ao concerto dos Lavoisier. Munidos apenas duma guitarra elétrica e da voz, levaram o público de volta às nossas raízes enquanto portugueses, cantando temas da música popular portuguesa e algumas adaptações de poemas, de autores como Fernando Pessoa, por exemplo. O concerto foi muito teátrico, com danças e usos poucos comuns da voz.

A começar a noite, Cristina Branco cantou o seu fado, num dos concertos que, infelizmente, teve a menor adesão do público de todos os que assistimos durante o festival. Toda a sua banda tocou excepcionalmente bem, e mesmo a voz não ficou atrás. Apenas foi um pouco mais recolhida do público que o resto das bandas do festival, e talvez por isso, também o público não tenha aderido tão bem ao seu concerto.

Em seguida corremos até ao Palco Eira para assistir a Da Chick. A cantora trouxe até Cem Soldos o funk old-school americano, obrigando toda a gente a dançar. Não tendo medo de responder a insultos do público, a Chick acordou a aldeia depois do concerto mais calmo de Cristina Branco e obrigou toda a gente a fazer barulho e saltar de um lado para outro, enquanto cantava com toda a sua alma os seus temas.


Fechando a noite, os Deolinda atuaram no palco Lopes Graça. A banda que dispensa introduções foi possivelmente a que puxou mais pelo público, tendo posto toda a gente a cantar durante 5 minutos seguidos. O concerto destacou-se também pela enorme presença em palco de Ana Bacalhau, que sempre com grande alegria, dançava e puxava pelo público melhor que ninguém. Sempre em altas, este foi um dos concertos mais divertidos de todo o festival.

14 de agosto

O dia começa com Madalena Palmeirim, no palco MPAGDP. A cantautora faz-se acompanhar por uma guitarra, bateria e um violino enquanto toca no seu piano (ou ukelele), temas dentro do espectro do indie/folk. Utilizando este concerto para começar a apresentar inéditos do seu futuro álbum, Madalena e a sua banda apresentaram um concerto bastante sólido, pecando apenas por não ter nenhum momento que chamasse mais à atenção do público.

Após uma curta pausa para explorar o que a aldeia tinha a oferecer, sentamo-nos junto ao Giacometti para assistir ao concerto de Dear Telephone. O quarteto inspirado pela sonoridade do rock alternativo mais pesado e pelo shoegaze, tocou na aldeia o seu primeiro concerto de 2016, vindo fresquinhos do estúdio com vários inéditos para apresentar. Não se ficando por aí, o grupo tocou músicas de todos os seus registos num concerto repleto de enormes solos.

Ao início da noite Keep Razors Sharp, arrasaram o palco Eira num concerto que só pode ser explicado como uma explosão sonora. O quarteto composto por elementos de várias bandas (Sean Riley & The Slowriders, The Poppers, entre outras) tocaram temas inspirados pelo shoegaze e pelo neo-psicadelismo. Arrebatando todas as espetativas deram o único concerto do festival onde conseguimos observar crowdsurf. Dando um concerto super energético, ninguém conseguiu ficar indiferente ao barulho que vinha do palco.

SETLIST KEEP RAZORS SHARP
5 Miles
Groove
9th
Brian
By The Sea
Intro
Cold Feet
Lioness
See Yr Face
Sure Thing
Kylie
África


Servindo como um momento para descansar, Carminho tocou no palco Lopes-Graça, desta vez para um público mais amigável do que o que se apresentou à outra fadista que atuou no festival. Apresentando um concerto muito agradável, ficamos com pena de não conseguirmos ouvir do início ao fim o seu concerto.


Saindo de Carminho, partimos para o palco Garagem, onde tocava para um público com cerca de 20 pessoas um duo de um guitarrista e um vocalista (visitantes do festival) que re-imaginavam vários clássicos, como “Knocking on Heaven’s Door”. Não se acanhando, deram-nos uma das maiores surpresas do festival.

Depois do concerto, corremos para o Eira para tentar ainda apanhar White Haus. Embora tenhamos chegado atrasados, o concerto foi extremamente agradável, dando uma continuação às danças já iniciadas em Da Chick, havendo mesmo várias rodas de gente a dançar. O quarteto liderado por João Vieira (X-Wife) deu outro dos concertos mais divertidos do festival, fechando em grande o palco Eira pela noite.



15 de agosto

Como já era costume, o dia começou no palco MPAGDP, desta vez ao som de Diego Armés. O antigo vocalista e guitarrista dos Feromona e atualmente dos Chibazqui, deu na igreja um grande concerto apenas usando uma guitarra acústica e a sua voz. O concerto foi muito agradável, tendo sido repleto de inéditos e de várias ocasiões onde Diego se reinventou a si mesmo, tocando temas escritos por ele, quando ainda se encontrava nos Feromonas.

Logo após o concerto de Diego, a igreja encheu-se de gente, tendo até pessoas sentadas no chão. Flak, mais conhecido como o mega guitarrista dos Rádio Macau. Deu um concerto de outro mundo, transformando a igreja no palco principal do festival. Especialmente no encore, onde não havia ninguém sentado dentro da igreja, estando todos a gritar as letras dos clássicos dos Rádio Macau. O guitarrista tocou em cima do seu amplificador, andou aos saltos em cima do palco e trabalhou o público de uma maneira extremamente cativante, não deixando ninguém indiferente. Sem dúvida um dos pontos altos do festival.

Abrindo o palco Giacometti pela última vez neste festival estiveram as irmãs Falcão, melhor conhecidas como Golden Slumbers. O concerto começou duma forma semelhante a todos os concertos no Giacometti, o público sentado no chão a ouvir a música e a cantar, mas rapidamente inverteram essa situação, pois nem 5 minutos depois grande parte das pessoas presentes já estavam em pé a ajudar a cantar os refrões de todos os temas inspirados pelo folk das irmãs. Com toda a gente a cantar e a dançar, tivemos então mais um grande concerto no palco Giacometti, num dia que desde o início prometia grandes coisas.

Para nós a maior surpesa do festival revelou-se no concerto seguinte: Desbundixie. A banda de jazz (fortemente inspirada pelo movimento do Dixieland, mais facilmente caracterizado pelos temas oriundos de Nova Orleães nos anos 20 do século passado), fechou o palco Tarde ao Sol, num concerto tão cheio que até se viam pessoas a dançar no andar de cima da igreja. O conjunto de sete elementos deu um concerto fantástico, tocando clássicos como “Royal Garden Blues” e “All of Me”. Ninguém parou de dançar, havendo até dois casais seguidores da banda que deslumbraram todo o público com os seus passos de dança no meio da multidão.

Após Desbundixie sentimos que precisávamos de descansar, por isso descemos ao Auditório, onde infelizmente não conseguimos assistir a nenhum concerto. Dor acentuada pela quantidade de vezes que passamos por Joana Sá neste quarto dia, mas aproveitamos para assistir a algumas Curtas em Flagrante, projeto onde são mostradas algumas curtas realizadas independentemente, por criadores lusófonos.

Já jantados, fomos assistir a Les Crazy Coconuts, que se preparavam para obrigar o público a dançar ao ritmo do sapateado do trio. De origem leiriense, este grupo deu um concerto que foi desde os ritmos mais simples do rock até alguns de dança um pouco mais complexos. Nunca tirando o pé do acelerador, o concerto fez toda a gente saltar de um lado para o outro até ser (infelizmente) hora de acabar.

Embora tenhamos ficado tristes por Les Crazy Coconuts ter terminado, não foi durante muito tempo, visto que em seguida veio o concerto de Jorge Palma. O músico de renome, atualmente faz-se acompanhar por um grupo de jovens e cremos que isto seja pelo melhor. Parece que deram uma nova energia ao músico e origem a uma maior dinâmica em palco. O concerto começou com alguns clássicos, seguidos de dois temas a solo no piano, que serviram para mostrar que mesmo com 66 anos o músico não está perto de parar, continuando tão genial como há 20 anos. O concerto continuou sempre animado e culminou num encore onde o artista fez o público gritar do fundo dos seus pulmões ao som de “Jeremias o Fora-da-Lei”, “A Gente Vai Continuar” e “Picado Pelas Abelhas”.

SETLIST JORGE PALMA
O Fim
Dormia Tão Sossegada
Eternamente Tu
Cara D’Anjo Mau
Quarteto da Corda
Dá-me Lume
Escuridão
Estrela Do Mar
Terra dos Sonhos
Frágil
Deixa-me Rir
Encosta-te a Mim
Portugal, Portugal
Jeremias, o Fora-da-Lei
A Gente Vai Continuar
Picado Pelas Abelhas

Fechando os palcos principais do festival, os D’Alva trouxeram a sua boa disposição habitual à aldeia, obrigando todo o público a fazer barulho e a cantar os parabéns. Embora não tenha sido um dos nossos concertos favoritos do festival, reconhecemos o seu mérito e aplaudimos a energia do grupo em palco, que conseguiram fazer todo o público rir e saltar, enquanto a banda mostrava o seu amor pelo pop.

Chegamos ao festival sem saber muito bem o que esperar, mas em retrospetiva, podemos dizer que era tudo o que poderíamos pedir e mais.

Sem dúvida que este festival tem um ambiente muito especial, mágico de experienciar durante os 4 / 5 dias que durou. Toda a gente tinha sorrisos na cara, ninguém resmungava, sempre prontos a ajudar os outros. Tal como diz o slogan do festival, parecia que estávamos mesmo a viver a aldeia e não apenas a visitá-la.

Além da qualidade do ambiente, os concertos em si também foram, no geral, geniais. Finalmente, queremos também agradecer à organização do festival que nos recebeu de maneira excelente e sempre dispostos a ajudar.


Fotos dia 12 de agosto

Bons Sons '16 (1º dia)

Fotos dia 13 de agosto

Bons Sons '16 (2º dia)

Fotos dia 14 de agosto

Bons Sons '16 (3º dia)

Texto: Bernardo Sequeira
Fotografia: Rafaela Suzano

+