domingo, 3 de março de 2019

Cinco Discos, Cinco Críticas #43


De regresso a mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas desta feita com análises aos mais recentes discos dos norte-americanos Conduit, com o seu Drowning World (Kitschy Spirit, 2018); ao britânico QUAL com o EP Cyber Care (Avant! Records, 2019); ao norte-americano Panda Bear com o mais recente Buoys (Domino Records, 2019); aos estado-unidenses Monobody com o disco Raytracing (Soft Greens Music/ASCAP, 2018) e, para finalizar ao split entre Hirotika e Das Monstrvm - Sound Ov Machinas (Favela Discos, 2019). As críticas às referidas edições podem ler-se abaixo.


Drowning World | Kitschy Spirit | setembro de 2018 
8.5/10 

Os Conduit são um quarteto baseado em Nova Iorque, composto por membros e ex-membros dos Twin Stumps, Pop. 1280, White Suns, e Squad Car e, no ano passado lançaram o seu LP de estreia, o Drowning. A carreira discográfica dos Conduit é ainda marcada por um álbum gravado durante uma atuação ao vivo na estação de rádio WFMU e pela sua Demo (ambos estes trabalhos são de 2016). Destes dois trabalhos prévios, sobreviveram os temas "Hypnagog", "End Times" e "Reducer", sendo que estes dois se encontram em Drowning World na mesma sequência em que na Demo - o trabalho de onde foram resgatados/repescados. Em dois anos, é visível a maturação do projeto. Os Conduit saíram da garagem e poliram a sua sonoridade, mantendo-se ainda assim dedicados à exploração das fronteiras do noise experimental e da sua intersecção com o universo do punk visceral e sujo, o que os enquadra no mesmo plano sonoro dos Anxiety e dos Uniform. É também notável a melhoria substancial dos valores de produção em Drowning World quando comparado com os esforços anteriores da banda. O tempo dispendido na produção do disco traduz-se num output nítido que acrescenta definição (podemos discerner as várias camadas de vocais e instrumentação) sem retirar força à parede sonora que por vezes se abate sobre nós (basta compararem as versões mais datadas de "Reducer" e "End Times" com as versões do Drowning World). 
Em todos os sentidos, este é o primeiro disco "a sério" dos Conduit. Um testemunho do quanto a banda evoluiu e mais uma prova (como se fossem precisas mais) de que a música niilista feita com guitarras está viva. Para fãs dos Anxiety e dos Uniform.
Edu Silva



Cyber Care | Avant! Records | fevereiro de 2019 
8.0/10 

Cerca de um ano após a edição do EP Cupio Dissolvi e do vanguardismo estético do segundo longa-duração The Ultimate Climax, QUAL está de regresso às edições de estúdio com Cyber Care EP, o novo rebento de William Maybelline (Lebanon Hanover) que se estrutura ao redor de quatro potentes faixas. Se já nas edições anteriores QUAL se mostrava cada vez mais distante de géneros como o post-punk ou a coldwave, neste Cyber Care o produtor abraça em finito géneros como a EBM, o techno e a eletrónica mais obscura. É a nova evolução do ressuscitado movimento gótico que se está a fazer ouvir cada vez forte nas tendências. Num registo completamente incendiário QUAL inaugura o conceito deste novo EP através do tema homónimo "Cyber Care", um reflexo poderoso sobre a nova era digital e os contratempos associados, a funcionar como uma descarga rítmica de música altamente cybergoth. A estagnação significa a morte para William Maybelline e é por isso que a cada disco lançado, surge associada uma nova perspetiva musical. Agora a explorar bem forte o techno e a música industrial QUAL mostra ainda a ironia da vida contemporânea com a necro "Inject Your Mind" e, essencialmente, com os versos e a voz de "I Have To Return Some Video Tapes". A fechar com "Motherblood" (que vem retomar a estética musical de temas como “Rape Me On The Parthenon”) QUAL apresenta mais um trabalho que prima pelo resultado final.
Sónia Felizardo


Buoys | Domino Records | fevereiro de 2019
7.0/10

O regresso de Panda Bear às edições vem na forma de Buoys, o quinto (sexto se contarmos o disco homónimo, de 1999) longa-duração a solo do percussionista/ teclista/guitarrista dos norte-americanos Animal Collective. O sucessor do excelente Panda Bear Meets the Grim Reaper volta a contar com a produção de Rusty Santos, o mesmo que produziu Person Pitch no já distante ano de 2007 e que levou Noah Lennox para o estrelato da esfera indie
Naquele que pode ser considerado o seu álbum mais despido até à data, o músico residente em Lisboa explora novas estratégias formais num exercício de constante exploração que é tão satisfatório quanto polémico e divisivo. Como que uma versão moderna de Young Prayer, menos cacofónica é certo, Buoys aproxima-se das propriedades pastorais do disco de 2004. Menos cru e rudimentar que o supracitado, Buoys apoia-se numa forte componente instrumental, rica em texturas e efeitos subaquáticos que se complementam por uma forte linha de sub-graves. O fascínio de Noah pelas produções da música dub e, mais recentemente, do trap, levaram-no a explorar o potencial dos sons de baixa frequência, assim como o uso invulgar de auto-tune que lhe traz um caracter versátil e de grande plasticidade vocal. A tudo isto junta-se a constante dos acordes de guitarra, em repetições circulares e hipnóticas que são tão puras quanto alienadas. Acima de tudo, há uma sensação de conforto e de regresso a um porto que nos é, e sempre será, familiar e seguro.
Filipe Costa



Raytracing | Soft Greens Music/ASCAP | novembro de 2018 
8.4/10 

O segundo álbum da banda de Chicago Monobody é seguramente interessante, sinceramente até dir-se-ia mesmo que o registo - ou porque não, até mesmo a banda em si - é um hidden gem negligenciado por vários audiófilos no decorrer da reta final do ano que findou. A direção sonora da banda é de certo modo ambiciosa, nem que seja só no que toca a termos técnicos, pois propõe-se a cruzar o minimalismo provocador do math rock com a vivacidade contagiosa do jazz de fusão, duas estéticas tão díspares e que ao mesmo tempo, mantêm alguma similaridade devido ao facto de que partilham a tendência insistente em enveredar por riffs desafiantes e cativantes e por ritmos propícios a mudanças abruptas e alucinantes. Então conclui-se de que falamos aqui essencialmente de um pequeno behemoth que tanto bebe influências de bandas como Weather Report como de Don Caballero, e os resultados têm sido gradualmente estimulantes devido à mestria notável dos instrumentistas da banda e às imensas camadas sonoras dispostas de forma bem executada e bastante complexo. O tema-título, "Former Islands" e "Opalescent Edges" são exemplos do espírito aventureiro refletido no ADN musical destes meninos.
Ruben Leite



Sovnd ov Machinas | Favela Discos | janeiro de 2019 
6.5/10 

Sovnd ov Machinas é o primeiro lançamento do ano com o selo da portuguesa Favela Discos e surge da colaboração entre o português Das Monstrvm (um entusiasta dos campos D.I.Y.) e o artista japonês Hirotika (um anarquista autoproclamado). O disco surgiu devido ao grupo de Facebook Synthesizers and Drum Machines e conta com um total de nove faixas, cinco de Hirotika e quatro de Das Monstrvm, onde ambos partilham os mesmos métodos de produção e a visão de uma pista de dança a sentir forte e feio. Este split, que trabalha ao redor de géneros como o techno, a eletrónica e/ou industrial, foca-se numa música inibida de voz, a qual conduz o ouvinte a viajar pelas intermitências do seu pensamento e o convida a pensar na possibilidade de humanização das máquinas. De Hirotika os grandes destaques vão para temas como "Mundus Imaginalis" – com os sintetizadores iniciais a soar em jeito darkwave e posteriormente a avançar para territórios mais retro e techno - e ainda para a chapada sonora experimental "The Needle". Já de Das Monstrvm, as "jams" mais apelativas encontram-se em "What is left after" e no witch-house experimental de "and decadence". 
Em suma Sovnd ov Machinas é um disco que peca pelas suas músicas de desenvolvimento extremamente extenso mas que, contudo, surpreende pela imagética, conceito e história envolventes. Para os fãs destas andanças eletrónicas, o resultado será certamente positivo.
Sónia Felizardo

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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

STREAM: QUAL - Cyber Care


O enigmático William Maybelline regressou esta sexta-feira às edições de estúdio com o seu mais recente curta-duração sob o moniker QUAL, Cyber Care, o EP que vem dar sucessão ao bastante aclamado The Ultimate Climax e do qual já tinha sido anteriormente mostrada a poderosa faixa "Cyber Care", tema a explorar géneros como a EBM, música industrial, techno e dark electronics que têm sido o novo ponto de foco de William, como tão bem mostrou em The Ultimate Climax.

No novo EP, composto por um total de quatro faixas torna-se óbvia a evolução progressiva que William Maybelline se encontra a trabalhar. Sem nunca cair no precipício da monotonia e aliado às novas tendências que a música gótica está a sofrer no panorama atual, QUAL mostra um EP cheio de power pronto para incendiar as pistas de dança. Além do já lançado tema homónimo recomenda-se ainda a audição de "Inject Your Mind" e "I Have To Return Some Video Tapes".

Cyber Care foi editado esta sexta-feira (15 de fevereiro) pelo selo Avant! Records. Podem comprar o disco aqui.


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quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

Novo EP de QUAL chega às lojas em fevereiro


QUAL, o projeto a solo do enigmático William Maybelline (Lebanon Hanover) regressa este ano às edições com Cyber Care, um EP de quatro faixas que vem dar sucessão a The Ultimate Climax que chega às prateleiras já no próximo mês. Cyber Care explora a fase sempre sombria presente nos trabalhos antecessores, mas apresenta uma veia que vai beber influências a géneros como a EBM, música industrial, techno e dark electronics que têm sido o novo ponto de foco de William, como tão bem mostrou em The Ultimate Climax

Deste novo Cyber Care foi apresentada esta quarta-feira (23 de janeiro) a primeira faixa de avanço do disco, "Cyber Care", uma malha que chega mesmo no auge do novo movimento de ressurreição da música gótica e que explora as novas tendências da música eletrónica nas sonoridades de tonalidades monocromáticas. Ora oiçam: 


Cyber Care tem data de lançamento prevista para 15 de fevereiro pelo selo Avant! Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

Cyber Care Tracklist:

01. Cyber Care 
02. Inject Your Mind 
03. I Have To Return Some Video Tapes 
04. Motherblood


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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

[Review] QUAL - The Ultimate Climax


The Ultimate Climax // Avant! Records // fevereiro de 2018
8.5/10

The Ultimate Climax é a segunda marca do enigmático projeto (QUAL) de William Maybelline dos Lebanon Hanover, disponível ao público desde 28 de fevereiro sobre a mão da Avant! Records. A mesma que tem ganhado uma enorme influência nas sonoridades vanguardistas como diz bem o seu moto "Record Label for the Last Vanguard” e a responsável por outras gemas, como: H ø R D, Semiotics Department of HeteronymsRendez-Vous entre outros. 

Ao contrário de Lebanon Hanover neste registo temos o privilégio de conhecer, na minha opinião, a verdadeira parte obscura de William que o mesmo faz questão de nos mostrar em músicas como "Above Thee Below Thee" ou até "How Many Graves", mostrando que a sua crueldade sonora e sua catatónica emocional veio até nós para deixar a pista de dança em ruínas, na forma de New Age Brutalism, como o mesmo, autointitula. 


QUAL começa de um jeito ritualista com "Black Crown", como eu esperaria de William. Neste prelúdio, um cântico omino preenche o silêncio e o vazio, com uma evocação ou talvez, eu diria, uma ode, às profundezas de um ser. "Sea of Agony" narra a tortura existencial humana e é, no meio desta batida monocromática sem ideias de ir a algum lado, que sentimos o lado confuso e talvez desolado de William, que se revela em sequências rítmicas estranhas e naufrágios emocionais, num mar agoniante. Mas, depois da tempestade vem a bonança. Reminiscente de batidas de 80's, New Wave, chega a prece "Take Me Higher". Nesta malha, um senso de descontração, invade o clima, com uma linha de baixo bem slick e um ritmo contagiante, que tem o poder para puxar até mesmo as velhas guardas.



Depois de "Disease X", o lado mais experimental desta viagem. Seguem-se "How Many Graves" e "Above Thee Below Thee". Em "How Many Graves" - um hino obrigatório das mentes mais necromânticas - William deixa o seu existencialismo tomar parte da cena, insurgindo-se nesta tempestade sonora, onde elementos EBM, Industrial e Eletrónica convergem num só. QUAL mantém assim a tocha acesa de projetos tais como: Skinny Puppy, Das Ich e até SPK. Em "Above Thee Below Thee", o Homem sentimental que conhecemos de William é totalmente assimilado pelo seu alter ego, pelo seu animal interior. E é segurando carne crua, adagas e um grande senso de humor e sarcasmo que o mesmo deixa a sua máscara da sanidade cair. Aqui William dá tenebrosidade à sua voz com distorção e efeitos na voz. Rugindo como um demónio, finalmente solto. 

Para terminar "On My Death Bed" e "Existential Nihilism". Na primeira conseguimos sentir ainda a vibe de um espírito de rave que desvanece lentamente, sendo substituída por uma vontade de desaparecer, notada pelos seus suspiros e lamentos. Existe um provérbio antigo que fala bem desta situação "Na cama que farás, nela te deitarás". Concluindo com "Existenctial Nihilism", despedimo-nos desta viagem que é The Ultimate Climax, com desdém que vai desde experimentalismo com filtros, com loops, samples vocais da poesia da autoria de William. Dar uma amostra desta última música, seria fugir totalmente da visão niilista que o mesmo quer projetar, seria limitar a nossa visão e abandonar a minha e a vossa liberdade de interpretar por vocês mesmos. 

Quase duma forma pagã, William fecha o seu set, distorcendo a experiência completa...

Texto: Milton




-------------------- ENGLISH VERSION --------------------




The Ultimate Climax // Avant! Records // February 2018

8.5/10

The Ultimate Climax is the second release from the enigmatic project (QUAL) from Lebanon Hannover member William Maybelline, available since February, 28th under the label Avant! Records. That same label has garnered a lot of influence when it comes to avant-garde sounds, just like its motto says - "Record Label for the Last Vanguard” - and it’s also responsible for other gems, such as: H ø R D, Semiotics Department of Heteronyms, Rendez-Vous, among others. 

Unlike the case of Lebanon Hanover, in this record we have the privilege of getting to know, in my opinion, the true obscure side of William, and that same side reveals itself in tracks such as "Above Thee Below Thee" or even "How Many Graves", proving that his sonic cruelty and his emotional catatonia came to us to turn the dancefloor in ruins, in the form of New Age Brutalism, as the same entitles. 

QUAL begins performing in a ritualistic way with "Black Crown", as I would have expected from William. In this prelude, an ominous chant fills the silence and the void, with an evocation, or dare I say, an ode, to the depths of a being. "Sea of Agony" narrates the human existential torture and is, in the middle of this monochromatic beat with no intentions of going anywhere, that we feel the confused, maybe even desolate side of William, which reveals itself in weird rhythmical sequences and emotional wrecks, in an agonizing sea. However, soon enough the storm eventually fades. Next up, reminiscent of the sounds from New Wave and 80’s, comes "Take Me Higher". In this wonder of a track, a sense of relaxation invades the climate, with a pretty slick bassline and a contagious rhythm, that even has the power to pull the old-school crowd. 

After "Disease X", the most experimental side of this journey kicks in. Next up, there’s "How Many Graves" and "Above Thee Below Thee". In "How Many Graves" - a mandatory hymn for the necromantic minds - William lets his existentialism take part of the scene, rebelling in this sonorous storm, where elements from EBM, Industrial and Electronic converge into a single entity. QUAL keeps the torch previously lighted by projects such as Skinny Puppy, Das Ich and even SPK. In "Above Thee Below Thee", the sentimental Man that we know as William is totally assimilated by his alter ego, by his inner beast. And it is by holding raw meat, daggers and a great sense of humor and sarcasm that said Man lets his mask of sanity fall down. Here, William gives tenebrosity to his voice with distortion and voice effects. Roaring as a demon, finally let loose. 

To top it off "On My Death Bed" and "Existential Nihilism". In the former, we can still feel the vibe of a rave spirit that slowly faints, being replaced by a will to disappear, noted by his sighs and laments. There is an ancient saying that quite fits this situation: "You reap what you sow". Lastly, this journey that is The Ultimate Climax concludes with "Existential Nihilism", that shows disdain in the form of experimentalism with filters, loops, vocal samples of poetry written by William himself. Giving a sample of this last song would be to run away totally from the nihilistic vision that he wants to project, limiting your vision and abandoning my freedom of interpreting it, as well as yours. 

In an almost paganistic way, William closes his set, distorting the whole experience...

Words by: Milton

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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

STREAM: QUAL - The Ultimate Climax


QUAL edita esta quarta-feira o seu novo disco de estúdio The Ultimate Climax que vem dar sucessão ao EP Cupio Dissolvi editado o ano passado. Este novo trabalho a solo do baixista e co-vocalista dos Lebanon Hanover explora elementos da música industrial, minimal-wave, doom e techno, que se encerram com a voz grave de William Maybelline.

Do disco já tinham anteriormente sido apresentados o industrial-ish "Black Crown", o dançável "How Many Graves?" e a faixa de encerramento "Existential Nihilism". The Ultimate Climax pode agora ser ouvido na íntegra abaixo ou pelo Bandcamp.

The Ultimate Climax é editado hoje (quarta-feira, 28 de fevereiro) pelo selo italiano AVANT! Records.


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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

QUAL mostra mais um single de The Ultimate Climax

© Martin Erik Lennartsson
QUAL anunciou o seu novo disco de estúdio, The Ultimate Climax, no passado mês de janeiro tendo divulgado juntamente com a notícia a capa do disco e o primeiro single de avanço o industrial-ish "Black Crown". Hoje (quinta-feira, 8 de fevereiro) William Maybelline - mentor do projeto e metade dos Lebanon Hanover - avançou com uma nova faixa "How Many Graves?" que é apresentada em formato audiovisual e um show de dança para todos os que clicarem no play.

Este novo disco será o segundo longa-duração de QUAL e vem dar sucessão a Cupio Dissolvi, editado o ano passado pela italiana AVANT! Records"How Many Graves?" pode ouvir-se abaixo.


The Ultimate Climax tem data de lançamento prevista para 28 de fevereiro pelo selo AVANT! Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.

The Ultimate Climax Tracklist:

01. Black Crown 
02. Sea Of Agony 
03. Take Me Higher 
04. Disease X 
05. How Many Graves? 
06. Above Thee Below Thee 
07. On My Death Bed 
08. Existential Nihilism

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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

QUAL regressa aos discos com The Ultimate Climax


William Maybelline (Lebanon Hanover) regressa este ano aos longa-duração com o seu projeto a solo - QUAL - através do novo The Ultimate Climax. Composto por um total de oito canções este trabalho vem dar sucessão ao EP Cupio Dissolvi editado o ano passado pela italiana Avant! Records e vê como primeiro avanço a faixa de abertura do disco, a electro-industrial "Black Crown", disponível para audição abaixo.

Segundo a editora, neste novo disco William Maybelline utilizou a sua fórmula sulfurosa e apresenta oito faixas que distorcem os padrões tradicionais da música gótica para novas e bizarras sonoridades.

Ainda não é conhecida a data de lançamento oficial de The Ultimate Climax, que terá o selo da Avant! Records.

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domingo, 4 de junho de 2017

Reportagem: MONITOR 2017 [Teatro José Lúcio da Silva, Leiria]

PLutôt Mourrir Que Crever

Nesta segunda edição do Monitor, a Fade In viu-se obrigada a procurar novo espaço. O Palco do Teatro José Lúcio da Silva, que tantas alegrias nos deu num passado mais ou menos recente, serviu desta vez como palco e sala tornando assim o público em atores, neste recente mas já tão delicioso evento. A fasquia era alta, tendo em conta o sucesso da primeira edição, mas o cartaz de 2017 prometia não ficar atrás, já que todos os nomes anunciados tinham trabalhos de estúdio irrepreensíveis. A mudança de espaço, já referida anteriormente, trouxe alguns problemas de som que se fizeram notar em alguns dos concertos, talvez aquela cortina aberta para um espaço imenso vazio tenha dificultado a vida aos técnicos, mas certo é que a maioria das bandas conseguiu tornear os problemas e as suas prestações não foram afetadas. 


Poison Point

Os primeiros a subir ao palco foram os Poison Point, naquela que foi a segunda visita ao nosso país, já que no ano passado haviam feito parte do cartaz do Mini Festival Post Punk Strikes Again na edição do Porto. Poderia parecer cedo para tão densa música soar, mas nada disso foi problema, tão energéticos como se estivessem a fechar a noite Timothée Gainet e Arnaud Derochefort destilaram uma “cold mais próxima do punk do que do wave” que preenche o primeiro e único registo da banda até então, Motorpsychold. Os 30 minutos pareceram pouco. 


Paradox Obscur

De seguida, e antes do jantar, havia o público presente de ver mais 2 que na realidade seriam 3 concertos, isto porque Kriistal Ann viajou com Toxic Razor, tornando possível um dois em um. Não me poderei alongar muito sobre a prestação de Kriistall Ann nem de Paradox Obscur porque não assisti na íntegra a estes dois concertos. Depois da descarga energética de Poison Point, a voz melodiosa de Kriistal não me agarrou, fui-me gradualmente afastando da primeira fila até que acabei a beber uma cerveja na banca da Fade In que se encontrava junto ao recinto.


QUAL

A prestação que haveria de encerrar o primeiro ato era da responsabilidade de Qual, projeto a solo de William Maybeline já conhecido dos portugueses como baixista dos Lebannon Hannover, banda que em 2013 marcou presença no Entremuralhas. Se em Lebannon Hannover tudo é frio, doce como a synthwave deve ser, em Qual tudo é bruto, industrializado, exarcebado, um punk sem crista mas com as correntes que haviam de martirizar o chão aquando de Benevolent Technologies. Ao longo de meia hora William percorreu as músicas de Sable e de Cupio Dissolvi, EP lançado este ano. Acabava assim em grande o primeiro ato, deixando o público sedento pelo segundo. 

Já de barriga cheia, mas ainda com espaço para a sobremesa, voltamos ao local do crime para nos deleitarmos com o que nos faltava. À hora certa começa o segundo ato com os Londrinos The Agnes Circle, notórios problemas de som forçam-me a mudar várias vezes de lugar e inevitavelmente, a abandonar a sala e a procurar consolo na banca da Fade In


Sydney Valette

Eis que chegava Sydney Valette, o interesse crescente pela música deste francês nos últimos tempos, fazia com que esta prestação fosse uma das mais esperadas da noite e ele não dececionou. Ora atrás dos teclados, ora a cantar, ora a pular a correr pelo palco, Sydney Valette suou e fez-nos suar, saltitando entre os dois álbuns editados tornou-se, na minha opinião numa das atuações da noite. Saciado e orgulhoso por perceber que este músico com um reportório tão vasto em termos de géneros musicais, alguns nem sempre bem aceites em meios mais sombrios, consegue ter espaço num evento deste e deixar o público presente, não “preparado para morrer” mas sim para aquele que seria o momento mais aguardado da noite: o último concerto. 


Rendez-Vous

Os franceses Rendez-Vous apresentaram-se em Leiria com dois EPs editados e com um guitarrista a menos (Simon Dubourg), mas a banda mostrou-se madura o suficiente para construir o seu set de modo a que a atuação não sofresse por isso. Senhores de um synth punk como não se via faz algum tempo, o trio carregou o público com tudo o que tinha e este deu em troca tudo o que podia, não houve moche como foi pedido por Elliot Berthault antes de "Euroshima", mas podia ter havido em "Distance" ou "The Others", canção que havia de ser repetida no encore. O Monitor 2017 fechou com chave de ouro e não são as pequenas questões referidas que o põem em causa, que venha o 2018, Leiria é uma boa cidade e a Fade In uma bela família.


MONITOR @ Teatro José Lúcio da Silva


Texto: Bruno Cordeiro
Fotografia: Virgílio Santos

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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Faltam 10 dias para o MONITOR


O Festival MONITOR - Minimal Wave & Post-Punk International Rendez-Vous - acontece dentro de 10 dias, na Black Box do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, pelas mãos da conceituada Fade In. O cartaz do festival de dia único é composto por um total de 6 bandas, das quais 5 fazem a sua estreia em território nacional.

Os Poison Point, dupla constituída por Timothée Gainet e Arnaud Derochefort são os responsáveis pela abertura da segunda edição do festival e a única banda que não atua pela primeira vez em Portugal.


Segue-se Kriistal Ann e Paradox Obscur, numa espécie de concerto 2 em 1, uma vez que o repertório será equitativamente dividido entre os temas mais emblemáticos da artista e alguns dos melhores que podemos encontrar nos dois álbuns da banda Paradox Obscur, projeto paralelo de Kriistal Ann.


A Fechar a primeira parte QUAL, o prjeto a solo de synthwave do emblemático William Maybelline, membro dos Lebanon Hanover. O artista traz na bagagem o álbum Sable(2015) e o EP Cupio Dissolvi(2017).


A segunda parte da noite abre com a dupla The Agnes Circle, que vêm apresentar as suas influências do post-punk britânico da altura que na 4AD fervilhavam nomes como Clan Of Xymox ou Cocteau Twins. A banda apresenta o LP Some Vague Desire.


Sydney Valette, o primeiro nome revelado para a segunda edição do festival, sobe a palco por volta da meia noite para aventurar-se numa sonoridade electrónica que tanto evoca uma certa energia punk e trashy como se acerca de uma costela romântica, dando origem a algumas das mais empolgantes e belas canções que já se fizeram no século XXI.


A fechar o festival, os franceses Rendez-Vous que vêm apresentar novos temas, trazendo ainda na bagagem o muito aclamado EP Distance. A banda que se destacou desde cedo com o primeiro EP homónimo em 2014 já foi convidada a tocar com bandas como Motorama, Frustration, The Soft Moon ou M83.


Os bilhetes para o evento têm um preço de 25€ em compra antecipada e de 30€, no próprio dia. Os concertos têm início marcado para as 18h00. Todas as informações do evento aqui.

Horários de atuação:
18h00 – Poison Point
19h00 – Kriistal Ann / Paradox Obscur
20h00 – QUAL
23h00 – The Agnes Circle
00h00 – Sydney Valette
01h00 – Rendez-Vous

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segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

QUAL junta-se ao cartaz do MONITOR


O Monitor - festival de Minimal Wave & Post-Punk International Rendez-Vous - viu hoje ser divulgado o segundo nome a ingressar o cartaz desta também segunda edição: QUAL - o projeto a solo de synthwave de William Maybelline, membro dos Lebanon Hanover, que se estrearam no Entremuralhas em Portugal em agosto de 2013.

Quatro anos depois, William Maybelline volta a Leiria, onde se estreia desta vez em nome próprio para apresentar a sua música eletrónica envolvida em cenários de dor, desespero, morbidez, putrefação, isolamento e outras temáticas de índole sinistra. O mais recente trabalho de QUAL data de 2015 sob o nome Sable.


O Monitor acontece a 27 de maio na Black Box do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes. Informações adicionais aqui.

Nomes já confirmados:

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