Está disponível a partir desta sexta-feira o novo disco de Stereoboy. Kung Fu marca o regresso de Luís Salgado às edições desde 2013, sete anos depois do último OPO, e recebe o selo da editora portuguesa O Cão da Garagem.
Stereoboy é, nas palavras do próprio, "o projecto de um gajo". "É o projeto formado pelas ideias que, na cabeça de Luís Salgado, marcham a galope de um toque e de uma batida… de um zumbido aparentemente inofensivo e ramificado em selva bruta, que transforma o projecto de um gajo na estância “krautural” a que baptizou de Kung Fu", acrescenta o atual programador do Maus Hábitos sobre o seu novo trabalho, onde explora as tessituras fabricadas da música industrial e o frenesim cósmico da escola de Berlim através de colagens digitais de recorte ambiental.
O álbum conta com a participação de João Pimenta (10000 Russos) na bateria e José Marrucho na percussão e é composto por quatro canções que podem ser escutadas agora em todas as plataformas digitais.
Já se encontra disponível, em vídeo e em streaming, o segundo dos quatro temas que compõem Kung Fu, o novo tomo editorial no universo de Stereoboy com edição marcada para dia 17 de abril.
Praticante de Bajiquan, de Li Shuwen dizia-se ter a destreza suficiente para não ter que golpear o mesmo oponente duas vezes. "Li Shuwen" é também o nome desta segunda música gravada por Luís Salgado com as colaborações, à bateria, de João Pimenta, e nas percussões, de José Marrucho, e a segunda marca de um disco marcial, que se constrói na conquista constante da experimentação. Batida a batida, zumbido a zumbido, som a som, Kung Fu evolui numa marcha krautural onde cada novo espaço transcende o que lhe antecede.
O LP será editado via O Cão da Garagem e Dirty Filthy Records e pode ser adquirido em pré-venda aqui. O vídeo para o novo tema foi gravado numa sessão ao vivo, Casota Sessions #3, da autoria do colectivo com o mesmo nome.
Serão cerca de 30 propostas e mais de 40 artistas que, entre 28 e 30 de março, ocuparão o Maus Hábitos, Cinema Passos Manuel, Ateneu Comercial e Reitoria da Universidade do Porto - Biblioteca do Fundo Antigo. Sob o título “Inteligência Natural, o que as Inteligências Artificiais (IA) ainda não podem fazer?”, a segunda edição do Vivarium Festival pretende questionar as convergências e divergências entre Inteligência Natural e Inteligência Artificial. Numa época em que se especula intensamente sobre as capacidades das IA criarem, Maus Hábitos e Saco Azul convidam artistas e pensadores a questionarem o que é realmente específico do vivo. Integrando eventos que vão da música à performance, do pensamento às artes visuais e new media, o festival assinala ainda uma programação especial de celebração dos 18 anos do Maus Hábitos.
Na programação musical, aos já anunciados Tim Hecker, Elizabeth Brown e Proc Fiskal junta-se o brasileiro Ricardo Dias Gomes, membro da banda de Caetano Veloso que apresentará o seu mais recente disco, Aa; A cantora lírica Magna Ferreira, que apresentará uma nova obra coral a capella, de nome Tempus fugit, aqui habitada pelas palavras de Monteverdi e Álvaro de Campos; Yannick Hofmann, artista que opera nas áreas de intersecção entre sound art e codificação criativa e curador no ZKM, Center for Art and Media, em Karlsruhe (Alemanha) e, no contigente nacional, Stereoboy e BLEID.
As artes visuais e new media ocuparão todo o espaço do Maus Hábitos, num conjunto de propostas que respondem a dois eixos programáticos. O primeiro eixo: a memória do Maus Hábitos com o projeto Picture Generation, que revela pela primeira vez o arquivo fotográfico de 18 anos do espaço, com as fotografias de Daniel Pires expostas na Galeria Portátil da editora Pierrot le Fou. Múltiplas reinterpretações inéditas em formato de vídeo-instalações serão também apresentadas com o projeto Arquivo Mau(s) que resulta de um workshop com os associados da Saco Azul e os artistas multimédia do grupo Openfield Creativelab. O escultor Isaque Pinheiro, apresenta Paisagem, uma nova obra site-specific em referência às composições de Mondrian que ressoam com a arquitetura do edifício Art-Déco da Garagem Passos Manuel. As memórias do espaço cultural irreverente e independente dialogam com imagens da exposição Mala Noche - Encontros da Imagens do fotógrafo Antoine d’Agata. O segundo eixo reúne propostas de diversos artistas sobre o tema geral do festival, numa vontade de ultrapassar uma oposição simplista entre natureza livre e criativa de um lado, e máquinas ou instituições alienantes do outro. Haverá obras de Justine Emard, Pedro Bandeira & 18:25, Catarina Rangel Pereira e Inês Castanheira. Integradas também nesta linha, TYRO, um Chatbot de IA desenvolvido pelo grupo new-media CADA conversará com o público e Thoughts on Artificial Intelligence, um vídeo da autoria do Canal 180 e Art & Tech Days será exibido.
O programa de Performances intitula-se “Uma corda estendida entre o animal e o super-homem, uma corda sobre o abismo” em referência a Nietzsche para ilustrar a especificidade da inteligência da espécie humana, que se distingue das IA por ser uma consciência viva, entre a animalidade que a constitui e as representações que constrói. Em Velvet Carpet, de Pedro Prazeres, o performer tenta levantar-se num ambiente instável. Nun on the Moon, de Dasniya Sommer, explora a milenar arte do shibari (bondage japonês). Yuko Kominami apresenta Iwa-kagami, peça homenagem a seu pai. O título é o nome de uma flor rosa que floresce em certas montanhas japonesa, e que o seu pai queria ver antes de morrer. Poetic Corner(s), de Jung In Jung, é uma performance interdisciplinar que cruza o som, o corpo e o espaço com tecnologia interativa e que ilustra o poder dos constrangimentos.
Da arte ao pensamento, o Vivarium integrará ainda duas conferências: E—X—S—I - Encontro Expressões entre o Som e a Imagem, e a Conferência: Criar conceitos - Seguir regras: Um diálogo improvável entre Deleuze e Wittgenstein, com participações de Charles Travis (USA/PT); Jean-Claude Dumoncel (FR); Catarina Pombo (PT); João Ribas (PT); Francisco Santos (PT) e moderação de Sofia Miguens. A programação conta também com o workshop Enraizar para Virtualizar, de Isabel Valverde e Senses Places, uma oportunidade para os participantes dançarem com avatares e que culmina numa Performance Participativa em Realidade Mista. No âmbito das celebrações do 18º aniversário do Maus Hábitos, reunir-se-ão os DJ’s das festas emblemáticas da casa, a encerrar a segunda edição do Vivarium.
Mais informações sobre o preço de bilhetes para cada um dos blocos programáticos e os horários podem ser consultados no site do evento em www.vivariumfest.com.