quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Swans de regresso ao Hard Club em 2020

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Numa ocasião única em território nacional, a banda veterana do movimento no-wave Swans, liderada pelo sempre enigmático Michael Gira, irá regressar no dia 10 de maio do próximo ano ao Hard Club no Porto. O pretexto para tal ocasião será o novo álbum do projeto leaving meaning, a ser lançado no dia 25 de outubro, mas também haverá certamente espaço para outros temas populares da longa carreira da banda. Gira irá ter consigo neste alinhamento do coletivo os membros Christoph Hahn, Phil Puleo e Christopher Pravdica, para além de Dana Schecter (Insect Ark e ex-Angels of Frost) e um dos nomes maiores da eletrónica experimental atual Ben Frost.

A primeira parte estará a cargo do ex-membro da banda Norman Westberg, e os bilhetes já podem ser adquiridos por este link.

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domingo, 15 de outubro de 2017

Reportagem: Swans + Baby Dee [Hard Club, Porto]




Foi exatamente há uma semana (domingo, 8 de outubro) que os norte-americanos Swans marcaram presença no Hard Club, Porto para o derradeiro concerto de despedida em terras do norte. À Invicta regressavam cerca de quatro meses depois da passagem pelo NOS Primavera Sound e, como previsto, casa quase esgotada, para ouvir na íntegra Deliquescence (2017), o álbum ao vivo que documenta os singles do concertos desta tour de despedida. A abertura do concerto ficou a cargo de Baby Dee, a artista transgénero que já colaborou com nomes como Antony Hegarty/Anohni, Current 93, entre outros.

Baby Dee

Baby Dee

Com início marcado para as 20h15, o concerto de Baby Dee arrancou pelas 20h25 com "The Early King" a fazer ecoar-se pela sala 1 do Hard Club, que lentamente se ia enchendo de público. Baby Dee substitui o piano pelo acordeão e fez-se acompanhar de guitarrista acústico, músico que mais tarde apresentou como Bill ("We are a family act, here’s Bill"), tendo sido sempre muito interactiva com o público com o volver do concerto. Depois de uns "Now this next song is a little bit tricky", "well, he broke his string" e "I’m american, I have a song about how fucked up our country is. So, this is what happens in America", Baby Dee tocou o single de abertura, homónimo, do seu mais recente disco de estúdio I Am A Stick (2015), período entre o qual aproveitou para perguntar à audiência por Bill, que acabou por regressar a palco. Baby Dee foi apresentando ao público, direta e indiretamente, um pouco da sua vida ("This is a song about when daddy beated me") - o ponto focal das composições da artista -, enquanto as luzes no palco se iam mantendo muito estáveis durante toda a performance.

Baby Dee

O concerto de Baby Dee teve muitos aplausos e, mesmo apesar de não ter sido uma escolha certeira de abertura (no final do concerto já várias eram as conversas entre os elementos do público), soube chegar aos corações daqueles que compreenderam o panorama histórico e pessoal experienciado e expressado por Baby Dee, naquela noite. O concerto teve fim por volta das 21h06.

Baby Dee

SWANS

SWANS

O espetáculo dos Swans estava marcado para as 21h30, mas a euforia já se fazia sentir na sala assim que o concerto de Baby Dee teve fim. Foi instantânea a massa de público que se acumulou junto às primeiras filas durante o intervalo para reservar lugar para a icónica banda liderada por Michael Gira. Em formato sexteto a banda iniciou o concerto a horas, com "The Knot" e os decibéis da sala foram aumentando gradualmente. Quando não intervinham, os elementos dos Swans mantinham-se quietos em palco, tal como acontece nas reproduções de peças clássicas com orquestras (o guitarrista Norman Westberg, inclusivamente, saía da área de palco quando não estava a tocar). E se os Swans eram apenas seis elementos, a verdade é que conduziram todo o concerto como se fossem mais. Para Michael Gira, também o público fazia parte daquela peça (daí as suas tantas elevações de braços ora voltado para o público, ora de costas) e, mesmo com escassos recursos à comunicação vocal - para além das letras da própria música - o frontman dos Swans transmitiu isso na perfeição.

SWANS

Numa opinião totalmente pessoal, acho que esse foi um dos pontos que mais me fez apreciar este concerto: a energia imparável que os Swans traziam a palco e que fizeram sentir-se entre todos os metros quadrados da sala. (Eu tenho menos umas quatro décadas de idade que o Michael Gira e não me consigo imaginar com 63 anos a manter a postura e performance de um espetáculo tão psicologicamente denso como foi Swans no Hard Club). Acho que foi isso que fez o espectáculo de Swans tão especial. Aquele amor que o artista tem, tão forte à música, que o faz suportar as linhas do desconforto e do teoricamente formulado como impossível, durante vários anos.

Voltando ao concerto, e com o relógio a marcar 22h17, Michael Gira teve de fazer um soundcheck ao micro, motivo que o levou a pedir prontamente desculpas ao público. A pausa preparava o público para os primeiros acordes da "Screen Shot" e, claro está, um público em delírio aumentado e energicamente frenético, e um ambiente com os decibéis no máximo, bastante ruído e distorção à mistura. A segunda e mais curta música do espetáculo foi também a que fez várias pessoas ficarem de braços no ar do início ao fim, sempre com uma energia inesgotável, tal como a que os Swans apresentavam em palco.

SWANS

Já com "Cloud Of Unknowing" a soar, o concerto foi adquirindo, progressivamente, uma aura ainda mais experimental, com um ambiente de peso. Normalmente, ao finalizar cada canção Michael Gira ia soltando uns "thank you" que de algum modo serviam para preparar o público para mais uma execução densa. De uma forma geral, Michael Gira foi definitivamente um grande maestro. Sempre que não tocava, coordenava os restantes elementos da banda ou elevava os braços ao público para também estes entrarem no ritmo e contribuirem à performance da música. A acabar concerto pelas 00h00, choveram palmas na sala e ouviram-se muitas vozes a gritar de alegria. Michael Gira aproveitou para apresentar os restantes elementos que o acompanham em Swans e agradecer ao público presente.

SWANS

Os Swans são extremamente poderosos ao vivo (basicamente uns animais em palco) e toda a sua performance e execução têm um valor inquantificável no setor musical. O veredicto disso foi este concerto de despedida dado no Hard Club que, mesmo apresentando músicas de uma duração desproporcional ao panorama comum, souberam comover quem os viu e ouviu ali.

SWANS

Fotogaleria completa aqui.

Texto: Sónia Felizardo
Fotografias: David Madeira

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domingo, 1 de outubro de 2017

Falta uma semana para este cenário de despedida: SWANS


Os norte-americanos Swans despedem-se de Portugal para sempre nos próximos dias 8 e 9 de outubro. É o aclamado fim definitivo, após  o cantor, compositor e multi-instrumentalista Michael Gira, os ter reencarnado em 2010, datando 13 anos de ausência. A banda de rock experimental, com influências da no-wave traz a solo português, Deliquescence (2017), o álbum ao vivo que documenta a tour de despedida dos Swans e que servirá de mote às canções apresentadas no Porto e Lisboa. A julgar pela setlist dos últimos concertos, o público que se dirigir ao Porto (Hard Club - 8 de outubro) e Lisboa (Lisboa ao Vivo - 9 de outubro) ouvirá ecoar singles como "The Knot", "Screen Shot", "Cloud Of Unknowing", "The Man Who Refused to Be Unhappy" e "The Glowing Man".


A abertura de ambos os concertos (Porto e Lisboa) ficam a cargo da artista e performer norte-americana Baby Dee, que já colaborou com nomes como Antony Hegarty, Current 93, Will Oldham ou Andrew W.K. e apresentará o mais recente disco I Am Stick (2015).



Os bilhetes, com o preço único de 25€, estão já à venda em amplificasom.com/amplistore e na Ticketline. A edição física pode ser comprada na Louie Louie (Porto), Hard Club (Porto), Piranha (Porto), Black Mamba (Porto), Bunker Store (Porto), Flur (Lisboa), Glamorama (Lisboa) e Vinilexperience (Lisboa).Os concertos contam com o selo Amplificasom.

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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Estão quase à porta os últimos concertos de Swans em Portugal


Porto e Lisboa recebem nos próximos dias 8 e 9 de outubro os últimos concertos de sempre, dos norte-americanos Swans, em território nacional. A banda liderada pelo cantor, compositor e multi-instrumentalista Michael Gira, que os fez reencarnar em 2010 após 13 anos de ausência, regressa agora ao país meses depois da passagem pelo Primavera Sound, para apresentar o mais recente disco Deliquescence (2017) - álbum da tour de despedida - , entre outros temas de álbuns como The Glowing Man (2016) e To Be Kind (2014). A banda toca no Porto, no Hard Club a 8 de outubro, e no Lisboa Ao Vivo, a 9 de outubro.

As primeiras partes, em ambas as datas, estarão nas mãos de Baby Dee. A artista e performer norte-americana, que já colaborou com nomes como Antony Hegarty, Current 93, Will Oldham ou Andrew W.K., apresentará uma obra que tem tanto de excêntrico como de desconcertante. 



Os bilhetes, com o preço único de 25€, estão já à venda em amplificasom.com/amplistore e na Ticketline. A edição física pode ser comprada na Louie Louie (Porto), Hard Club (Porto), Piranha (Porto), Black Mamba (Porto), Bunker Store (Porto), Flur (Lisboa), Glamorama (Lisboa) e Vinilexperience (Lisboa).Os concertos contam com o selo Amplificasom.

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domingo, 25 de junho de 2017

Reportagem: NOS Primavera Soud - 9 de junho [Parque da Cidade, Porto]

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Com o aquecimento proporcionado por bandas como Justice e Run the Jewels, a maioria dos festivaleiros já estavam com os músculos prontos para as correrias que iriam ter que fazer para o segundo dia do festival. Correr do Palco. para o Palco NOS, decidir se preferem ficar no Palco Super Bock ou ir para o Palco Pitchfork. 

Este era um dia de escolhas difíceis. “Será que quero ir ver Bon Iver ou prefiro ver o concerto de duas horas dos Swans na íntegra?” foi um dos maiores dilemas do festival. Contudo antes de chegarmos a esta parte da noite ainda havia muitos concertos para desfrutar nesta bela tarde de sol.

 A chegada ao recinto mostrou-se mais complicada do que estávamos à espera devido às inúmeras estradas interrompidas por causa das celebrações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o que levou a que os meus planos saíssem furados e o primeiro concerto do dia em vez de ser First Breath After Coma fosse Pond.

Pond



Apesar de ficar com pena de perder uma das mais promissoras e interessantes bandas portuguesas da atualidade, fiquei satisfeito por saber que ia chegar a tempo de ver os uma das melhores bandas que o rock psicadélico tem para oferecer. Os australianos Pond, apesar de tocarem a uma hora que não faz justiça ao seu já considerável estatuto (17h55), proporcionaram um dos melhores concertos do segundo dia do festival.

A primeira música do concerto foi a inevitável "30.000 Megatons", uma vez que a banda estava a apresentar o seu sétimo álbum, The Weather. O sentimento teatral da música, não fosse esta uma critica à administração do governo norte-americano, é claramente transmitido pela postura de Nick Allbrook, vocalista e guitarrista dos Pond, que quase parecia implodir de tanta raiva e frustração enquanto cantava.

O registo contudo não se manteve apenas por The Weather, passeando ainda por Man It Feels Like Space Again, Psychedelic Mango ou Hobo Rocket. Sempre animados, energéticos e bem dispostos, a banda executou um concerto bastante competente, apesar de a audiência se queixar que estes provavelmente estavam “alterados” demais. Pessoalmente, desde que uma banda ofereça um concerto inesquecível e que não comprometa a performance, estes podem estar “alterados” à vontade.

Depois de terem oferecido os primeiros momentos de moche em "Giant Tortoise", ou de dança, em "Sweep Me Of My Feet", era hora de estes se despedirem. Foi com a música homónima do mais recente álbum que estes abandonaram os fãs portugueses. Esperemos que da próxima vez que eles voltarem lhes seja proporcionado um lugar mais cimeiro no cartaz e ainda mais tempo para tocarem.



Royal Trux



Os Royal Trux abriram as hostes do Palco., ou como os mais saudosistas preferem chamar, o (antigo) Palco ATP. O culto à volta deste palco é compreensível, já que por lá passaram diversos grupos influentes e por onde passariam, mais tarde, os Swans de Michael Gira e companhia. Os Royal Trux encontram-se nesta mesma categoria - a da banda de culto - e vieram ao Porto para marcar a sua estreia em terras lusas. Depois da épica/desastrosa performance de Neil Michael Hagarty no mesmo espaço no ano anterior, eis que Neil regressou ao Palco., desta vez acompanhado pela sua ex-companheira Jennifer Herrema para apresentar alguns temas do icónico grupo.

Formados no fim da década de 80, os Royal Trux lançaram diversos discos com o selo Drag City, destacando-se pela sua atitude irreverente e por uma sonoridade fortemente conotada pelo uso de drogas, dissolvendo-se em 2001 após a separação de Neil e Jennifer. Em 2017, uma ainda pequena plateia teve a honra de receber o icónico grupo na sua estreia em Portugal. Mais do que ouvir os temas da sua influente discografia, sobressaía uma curiosidade em ver a interação entre os seus membros e com o público.

A performance, essa, foi o expectável: rock embriagado e arrastado, e não poderíamos exigir mais do que isto. Temas obrigatórios como “The Banana Question”, “Ice Cream” e “I’m Ready” não faltaram, para deleite de melómanos e fãs acérrimos do grupo que de tudo fizeram para que a banda regressasse ao palco para tocar mais uns temas após terminado o concerto. A vontade de Neil e Jennifer de voltar para um pequeno encore era notória, sendo apenas impossibilitados devido a questões regulamentares de gestão de horários por parte da organização.

O amor foi mútuo e a satisfação após o concerto também, marcando assim um belo início de tarde que nos faz já aguardar por um novo regresso dos Royal Trux a Portugal.

Filipe Costa



Whitney




Os Whitney regressaram a Portugal após duas passagens pelo país durante o ano passado e estrearam-se no Porto. Da setlist fizeram parte canções do álbum de estreia da banda, Light Upon the Lake, e também dois covers, de “You've Got a Woman”, dos holandeses Lion, e de “Magnet”, dos NRBQ. Julien Ehrlich, baterista e vocalista da banda, interagiu com o público durante os tempos mortos, falando sobre as músicas e sobre a banda, comentando que gosta mais de Lisboa do que do Porto, mas podemos perdoar essas palavras pelo bom concerto. 

Max Kakacek, guitarrista, fez um bom trabalho e demonstrou ser uma parte importante da sonoridade dos Whitney, com as suas melodias muito características. Entre as canções melhor recebidas estiveram a sempre excecional “Golden Days” e “No Woman”, a fechar o concerto. “No Matter Where We Go” também foi também um ponto positivo, ficando a faltar “Light Upon the Lake” para que se ouvissem as quatro melhores do disco.
Rui Santos



Angel Olsen




Neste concerto o palco principal preparava-se para receber uma das maiores enchentes que alguma vez viu durante a tarde, não estaria ele prestes a ser pisado por uma das mais adoradas personalidades da cena indie, Angel Olsen.

Antes da mulher que toda a gente queria ver aparecer diante da gigantesca audiência que se estendia pela colina a cima, a sua banda de apoio subiu ao palco vestida a rigor e a condizer com fatos cinzentos. Pegaram nos instrumentos, tornando assim a chegado de Angel, num vestido verde, bastante mais irreverente. A sua voz única, apesar de acompanhada por um belo sorriso, revela uma dor, intensidade e ao mesmo tempo conforto, uma canção de embalar que perde o seu sentido uma vez que queremos ouvir cada vez mais.

Apesar das temáticas íntimas das suas musicas, “Shut Up Kiss Me”, “Give It Up”, e “Not Gonna Kill You”, do seu mais recente álbum My Woman, fez com que a maioria dos corpos irrompesse em danças animadas e casais trocassem afetos, gerando um ambiente muito afectivo. Contudo o álbum mais recente não foi o único a ser explorado, uma vez que Angel também apresentou temas de Burn Your Fire for No Witness e Half Way Home.

Deste último saiu a faixa “Acrobat”, mostrando a flexão que os seus músculos musicais conseguem alcançar, com um momento algo Pink Floydesco, hipnotizando a audiência tanto graças ao instrumental como à sua voz. Este canto de sereia deixou-nos em pleno silêncio. À exceção da música apenas se ouvia a brisa do vento, o mar da praia de Matosinhos ao longe e a máquina de vento junto ao palco.

Sob uma chuva de aplausos, Angel Olsen e a sua talentosa banda despedem-se do Porto, mais uma vez provando que é um valor de peso no mundo da música alternativa. Apesar de gostarmos muito de a ver no Instagram a passear pelas ruas portuguesas, o que esperamos mesmo é que o seu regresso aos palcos não demore muito mais tempo.



Sleaford Mods




Depois da música amorosa ouvida no palco NOS era hora de subir para a colina e ir para o Palco. onde podíamos ouvir a musica de intervenção dos ingleses Sleaford Mods.

Era dia de eleições na Grã-Bretanha e tínhamos acabado de saber no dia anterior que Theresa May iria manter os atuais ministros no governo que irá formar com o apoio dos Unionistas da Irlanda do Norte. Esta controvérsia resultou numa citação de Jason Williamson (responsável pela parte falada do duo) que sugeriu “Um dia mau para Inglaterra, um dia bom para o Porto”. Toda esta controvérsia resultou numa energia única soltada pelo frontman enquanto esbracejava, cuspia e lutava pelos direitos dos trabalhadores ingleses.

A eletrónica minimalista (não confundir com preguiçosa) de Andrew Fearn serviu para animar os fãs do grupo que cada vez mais tem ganho um culto precioso em Portugal.



Teenage Fanclub




Um dos maiores elogios que o Primavera tem recebido é o facto de trazerem muitas bandas de culto que normalmente não temos oportunidade de ver nos principais circuitos dos festivais. Se por estes terrenos já passaram Slint, Dinosaur Jr., Television ou Mudhoney, este ano foi a vez de Teenage Fanclub.

Aproveitando a afluência dos nossos vizinhos britânicos, esta edição do festival apostou numa banda que conta com uma enorme influência nos territórios de sua majestade. Estes escoceses, que contam na bagagem influentes álbuns como Bandwagonesque ou Grand Prix, ajudaram na criação do termo “Power Pop” e foram citados por músicos como Kurt Cobain ou os irmãos Gallagher como uma das principais bandas da sua geração.

Contudo, em Portugal a sua influência esmoreceu, facto notável pela falta de afluência no Palco Super Bock. Tirando os turistas britânicos, muito pouca gente compareceu a este concerto, também dado o complicado horário de jantar, situado entre as pérolas indie (Angel Olsen e Sleaford Mods) e os gigantes do cartaz (Bon Iver e Swans). 

Apesar destes contratempos a banda não atirou a toalha ao chão e tirou poeira a grandes êxitos da sua discografia como “The Concept” (que ouvi ao meu lado a pedir para tocarem com um sotaque tipicamente inglês pelo menos três vezes no inicio do concerto) ou “Sparky’s Dream”. Também tiveram tempo de mostrar algumas músicas do seu novo álbum Here (aquela assustadora frase “agora vamos tocar material novo” levou a que muita gente evadisse do palco nesse momento).



Swans




Já com mais de 30 anos de carreira em cima, foi com grande entusiasmo que muitos fãs portugueses da banda notaram que estes iam marcar o seu regresso a terras lusitanas no NOS Primavera Sound. Muitos preferiram optar pelas sonoridades extremas do Palco. porque pensavam que esta seria uma oportunidade única para ver a banda, mas outros (especialmente aqueles que preferiram encostar-se o mais perto possível das grades) foram ver o concerto porque se tratavam de lendas que estavam perante as suas caras.

Michael Gira não é estranho a um fã de música alternativa. O fundador e único membro constante no alinhamento dos Swans. A sua presença é não só intimidante mas também transmite confiança, dado o seu palmarés. Sabemos que em termos musicais podemos confiar em Michael Gira, que se apresenta no centro do palco, munido com uma guitarra Gibson B.B. King Lucille. Mais que um guitarrista, é o maestro de uma orquestra movida por volumes esmagadores.

A primeira música com que se atiram nesta viagem de mais de duas horas é “The Knot”, numa espécie de aviso à audiência de como seria o resto do concerto. Guitarras com um ritmo a roçar o drone e volumes impróprios para seres humanos. Da bateria, espancada por Phil Puleo, são retirados sons tribais e agressivos impossibilitando qualquer corpo de permanecer imóvel e os cânticos de Michael Gira assemelham-se mais a uma missa satânica do que a qualquer outro concerto que alguma vez tenhamos visto do NOS Primavera Sound.

“Run your hands through my soul“




Cada sílaba proferida por Michael Gira é um arrepio na espinha que nos vai atormentar e perseguir até ao final da nossa vida. Mesmo de olhos fechado, enquanto contemplamos a música que parece surgir de uma dimensão paralela, a cara de Michael Gira continua presente na nossa mente.

Ao fim de duas horas (e tal) de concerto a banda despede-se com Michael Gira a assumir literalmente o papel de maestro e a controlar as intensidades da banda à sua frente apenas com movimento dos braços. Esta brincadeira prolonga-se nuns belos minutos onde a banda percorre uns crescendos que deixam a audiência não só embasbacada mas também com noção daquilo que a banda é capaz de fazer.

Após abandonarem o palco, é bonito ver-se os olhares eufóricos, emocionais mas também de felicidade de todos os que acabaram de presenciar, não só porque acabaram de assistir a um dos melhores concertos da edição, mas também porque não sabem quando é que vão voltar a ter esta oportunidade. Agora já sabem - 8 e 9 de outubro no Hard Club, Porto, e em Lisboa, no Lisboa ao Vivo, respetivamente.

Este exorcismo limpou a alma a muitos atormentados, que após toda a porrada sónica que levaram sentem que vão muito mais leves para casa.

Ideia: em vez de fazer peregrinações a pé para Fátima, devia-se organizar peregrinações a pé para concertos de Swans, porque estes são autênticas experiências religiosas.



Bon Iver


Apesar dos Swans estarem a tocar ao mesmo tempo, o Palco NOS encheu-se de uma multidão para ver Bon Iver. A banda de Justin Vernon veio a Portugal para apresentar 22, A Million, 5 anos depois da passagem pelo Campo Pequeno. Esta setlist passou principalmente pelo último álbum, cheia de músicas novas que pareciam duvidosas em estúdio, mas com uma vida completamente diferente ao vivo. 

Na segunda parte houve também espaço para algumas malhas antigas, como “Beach Baby” e “Creature Fear”, que fizeram escorrer algumas lágrimas. Infelizmente não tocaram a “For Emma”, mas no encore compensaram com aquela música que muita gente estava à espera. Muitas pessoas ali só conheciam essa, vocês sabem qual é. Foi o final de um concerto que surpreendeu muito pela positiva. De certeza que ninguém saiu insatisfeito daqui.

Tiago Farinha



Skepta



Logo a seguir a Bon Iver e ainda com Swans como fundo eram horas do concerto de Skepta, o concerto mais esperado pelos fãs de grime e um dos mais esperados pelos presentes no festival. A entrada em palco foi em tudo semelhante ao início do disco Konnichiwa, não só pela música inicial mas também por toda a calma entre o público à qual se seguiu uma explosão de energia com a duração de cerca de uma hora. 

No público todas as letras do artista eram conhecidas mesmo aquelas das canções não pertencentes ao novo disco e êxitos como "Shutdown", "Numbers" (que ficou na cabeça durante dias e dias) e "Lyrics" não foram recebidas de maneira diferente, sendo esta reacção uniformizada do público fantástica. Resumidamente: Skepta tem de voltar a Portugal mais e vezes e todos os presentes fizeram questão de mostrar e dar razões para isto ao artista.

Francisco Lobo de Ávila



Nicolas jaar




Nicolas Jaar encerrou o palco NOS numa hora complicada, já que ao mesmo tempo tocavam Cymbals Eat Guitars e os australianos King Gizzard & The Lizard Wizard. No entanto, o culto à volta do produtor de descendência chilena tem crescido mais do que nunca em Portugal, tendo já atuado em diversas ocasiões pelo nosso país, o que lhe garantiu uma atuação em horário nobre diante de uma plateia cheia e entusiasmada.

O set de Nicolas Jaar iniciou-se de modo mais introspetivo e enigmático, apostando num lado mais ambiente e explorações glitch que poderá ter confundido aqueles que contavam com algo mais animado e expansivo. Os ritmos quentes e dançáveis surgiriam mais tarde, ao som de “Three Sides of Nazareth”, do mais recente disco Sirens. Começam a ouvir-se mais aplausos e energia entre o público, ansioso por uma noite que se queria longa e com muita dança, até porque logo a seguir teríamos dois portentos da música techno para terminar a noite.

A escolha musical de Nicolas debateu-se essencialmente nos temas de Sirens, onde se ouviu também “The Governor” e “No No No”. O momento alto da noite foi reservado para o fim, ao som de “Space Is Only Noise If You Can See”, um dos temas mais celebrados do repertório do produtor. Assim se encerrou um concerto que surpreendeu pela positiva, distanciando-se de um mero DJ set e trazendo antes momentos únicos e de improvisação alternados entre temas da sua discografia, aliado de uma componente visual forte e enegrecida, energética mas discreta.
Filipe Costa



King Gizzard and the Lizard Wizard


Depois dos gigantescos concertos de Swans e Bon Iver, os organizadores do festival não regalavam descanso aos festivaleiros, ainda com pouco tempo para digerir o concerto seguia-se aquele que seria um dos maiores furacões do festival, o conjunto formado por sete australianos chamado King Gizzard and the Lizard Wizard estava a preparar-se para entrar em palco.

Depois de em 2016 terem dado um dos melhores concertos do festival Vodafone Paredes de Coura, agora vinham (apesar de nem um ano ter passo entre concertos) com mais dois álbuns fresquinhos para mostrar aos fãs portugueses, sendo o primeiro lançado no inicio do ano, Flying Microtonal Banana e o segundo editado na passada sexta-feira, Murder of the Universe. O concerto seria dedicado a estes dois álbuns, sendo a primeira parte ao Banana tocado apenas utilizando instrumentos com afinações microtonais e a segunda parte a algumas faixas do álbum que na altura ainda estava para sair e outras aventuras com mais de um ano de vida.

A sede pelo garage rock fervilhava por todos os lados e mal Stu Mckenzie (líder da banda) solta as rédeas de “Rattlesnake” todo o povo no Palco. entrou numa dança/moche que apenas findaria quando os senhores em cima de palco se despedissem.

O crowdsurf, o moche e as cantorias iriam continuar durante “Doom City”, “Sleep Drifer” e “Nuclear Fusion”. A guitarra amarela personalizada de Stu, mais conhecida por “Banana”, com as suas melodias inspiradas no oriente, parecia encantar os jovens repletos de suor como se fossem cobras. Contudo nem tudo o que é bom dura para sempre, e estes trocaram as afinações orientais pelas ocidentais e atiraram-se a “Altered Beast”. Apesar de ser a única faixa que ainda não foi revelada do novo álbum, dada a sua simples letra no refrão, esta era acompanhada em geral por todos em frente ao palco. As 6 partes diferentes que a constituem, apesar de proporcionarem momentos divertidos, ocuparam demasiado tempo no set para uma banda que tinha músicas bastante mais interessantes para apresentar.

A revisita ao álbum Nonagon Infinity, álbum este que se estende infinitamente, foi bastante bem vinda, originando um dos maiores moche pits da edição. Contudo um dos maiores destaques do concerto terá sido a nova faixa épica “Lord Of Lightining”, com alguns riffs a lembrar os momentos mais hard rocker dos Led Zeppelin.

A porrada estava muito boa, mas os corpos repletos de mazelas já não aguentavam muito mais tempo. A banda deve ter também reparado neste fator, uma vez que para último deixaram uma das suas melhores músicas e também das mais relaxadas, “The River”. Este titã que se estende por volta dos 10 minutos foi um bom momento para trocar o moche por um passo de dança tranquilo e deixar as influências jazz levar os ouvintes a alargar a sua mente. Acompanhada por um vídeo de animação inspirada na capa de álbum de Quarters (onde podemos encontrar "The River"), com crocodilos e aviões e aparecer por todo o lado.

Apesar de muitos terem pedido pelo encore (ainda faltava visitar o I’m In Your Mind Fuzz) foi com algum alívio que vi os australianos abandonarem o palco, uma vez que o meu corpo não aguentava nem mais um segundo de adrenalina.



Richie Hawtin




A encerrar a noite e a tocar para os que se esperavam poucos presentes (em comparação com os outros concertos), Richie Hawtin trouxe o seu espectáculo Close ao Parque da Cidade. Ao contrário do esperado para um concerto quase às 3 da manhã, o Palco Pitchfork estava quase completo para assistir a algo único deste canadiano mestre do "techno de Detroit". Um dos melhores concertos destes 3(4) dias, onde Hawtin aliou a sua música de dança à componente visual.

Em todos os momentos podíamos observar tudo o que o artista fazia nas suas duas mesas, que por vezes eram operadas em simultâneo (ainda que de vez em quando fossem aplicados efeitos que o tornavam imperceptível). A cortina enorme, que abriu no início e fechou no fim, e os momentos em que operava as duas mesas em simultâneo voltado para o público foram os elementos que contribuíram para uma espécie de sensação apoteótica. Uma coisa é certa, ninguém parou de dançar até às 4 da manhã.
Francisco Lobo de Ávila


Reportagem por: Hugo Geada
Fotografia por: Hugo Lima

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quarta-feira, 21 de junho de 2017

Swans regressam a Lisboa e ao Porto em outubro

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© Jens Wassmuth
Afinal o concerto titânico dos Swans no NOS Primavera Sound não foi a despedida da banda de Michael Gira e companhia de territórios lusos. 

Os Swans, uma das bandas mais respeitadas e influentes no campo da música experimental, vêm ao nosso país dizer adeus uma vez mais, depois de em 2010 se terem reunido após treze anos de ausência.

A banda nova-iorquina, que percorreu ao longo da sua carreira os caminhos abrasivos do noise, da folk sombria e, por fim, do rock mais hipnótico e experimental de The Seer, To Be Kind e The Glowing Man, vai atuar a 8 de outubro no Porto, Hard Club, e a 9 de outubro em Lisboa, no Lisboa ao vivo

As primeiras partes de ambos os concertos ficam a cargo de Baby Dee, artista e performer norte-americana, que já colaborou com nomes como Antony Hegarty, Current 93, Will Oldham ou Andrew W.K..

Os bilhetes têm o custo de 25€ e podem ser adquiridos em amplificasom.com/amplistore e na Ticketline. Os eventos têm assinatura da Amplificasom.



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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Xiu Xiu lançam novo álbum FORGET em fevereiro


Depois do lançamento do excelente Plays The Music Of Twin Peaks, um álbum composto por diversas interpretações das músicas que figuraram a banda sonora da série de culto de David Lynch, a banda de Jamie Stewart regressa no próximo álbum com mais um disco. FORGET sai dia 24 de fevereiro pela Polyvinyl e recebe a produção de Greg Saunier, baterista dos Deerhoof, John Congleton e Angelo Seo dos próprios Xiu Xiu, contando ainda com a participação de Kristof Hahn dos Swans. "Wondering" é o primeiro avanço de FORGET, e pode ser escutado em baixo. Também foram reveladas a capa do disco e a respetiva tracklist.



FORGET

The Call
Queen Of The Losers
Wondering
Get Up
Hay Choco Bananas
Jenny GoGo
At Last, At Last
Forget
Petite
Faith, Torn Apart





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quarta-feira, 6 de abril de 2016

Swans a editar sucessor de "To Be Kind" em Junho


Swans, os Titãs do No Wave, avançarão dia 17 de Junho com o sucessor do galardoado de 2014 To Be Kind, via Young God Records. De título The Glowing Man este álbum é agora visto, não anteriormente como o fim definitivo de Swans, mas sim como o fim desta era que Michael Gira começou em 2010 com My Father Will Guide Me Up Rope To The Sky. O álbum já se encontra em pré-venda para os fãs que não querem perder o último gosto a estes Swans no bom vinil aqui (onde poderão também ler notas que Gira escreveu em relação ao seu próximo longa duração, o futuro da banda e tours que estarão para vir) em três formatos diferentes. Gira também partilhou connosco um excerto da faixa que dá o nome ao álbum, "The Glowing Man" e tracklist de 8 faixas que constarão neste álbum vindouro.


Tracklist:

1. Cloud of Forgetting
2. Cloud of Unknowing
3. The World Looks Red/The World Looks Black
4. People Like Us
5. Frankie M.
6. When Will I Return?
7. The Glowing Man
8. Finally, Peace.

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quinta-feira, 23 de julho de 2015

Michael Gira parte corações com um presente


Michael Gira, o frontman da lendária banda no wave novaiorquina, esta madrugada anunciou o término da tour do conceituado álbum lançado no ano passado, To Be Kind. Gira não ficou por aí e também disse que dia 1 de Setembro, os Swans voltavam ao estúdio para gravar o seu último álbum e consequentemente a sua última tour. Para além disso também foi dito que um álbum ao vivo chamado The Gate como fonte de angariação fundos para terminar o seu último álbum irá ser lançado também em breve. Gira promete que o novo álbum de estúdio está destinado a ser uma besta insáciavel. Ainda, o porta-voz de Swans não sabe o que será da banda depois deste último álbum e tour mas que gosta da sensação de incerteza.

Será então caso para dizer Swans Are Dead? Ou apenas mais um hiatus de 10 anos?


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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Swans começam a gravar novo álbum em Setembro


Os Swans anunciaram no Facebook que vão começar a gravar o seu próximo álbum em Setembro. A banda partilhou no Youtube vídeos de versões ao vivo das músicas "Just a Boy" e "A Little God in My Hands".


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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Os melhores álbuns internacionais de 2014

Muitos foram os álbuns que ouvimos neste ano de 2014, mas nem todos podem figurar nas listas de final de ano. Desta forma, e tendo em conta os gostos díspares e comuns, fica em baixo a lista dos 30 melhores álbuns no geral para a redacção da Threshold Magazine.

30- Thee Silver Mt- Zion Memorial Orchestra - Fuck Off Get Free We Pour Light On Everything
29- The Drums – Encyclopedia
28- Julian Casablancas + The Voidz – Tyranny
27- La Dispute - The Rooms of the House
26- Thee Oh Sees – Drop
25- Future Islands – Singles
24- L'Orange - The Orchid Days
23- Owen Pallet – In Conflict
22- St-Vincent - St-Vincent
21- Sun Kil Moon – Benji
20- King Gizzard and The Lizard Wizard - I'm In Your Mind Fuzz
19- The Wytches - Annabel Dream Reader
18- Run The Jewels – Run The Jewels 2
17- Aphex Twin – Syro
16- Timber Timbre – Hot Dreams
15- Liars - Mess
14- Perfume Genius – Too Bright
13- Have a Nice Life - The Unnatural World
12- Ariel Pink – Pom Pom
11- Sharon Van Etten – Are We There
10- Ought - More than Any Other Day
9- Angel Olsen - Burn Your Fire For No Witness
8-Mac DeMarco - Salad Days
7-Goat - Commune
6- Ty Segall - Manipulator
5- Iceage - Plowing Into the Field of Love
Depois de lançarem dois dos álbuns mais agressivos da década, em Plowing Into The Field Of Love, os Iceage conseguiram não só manter toda essa agressividade como também elevá-lo uns patamares acima, adicionando arranjos de piano, orgão, trompetes, entre outros instrumentos. Ao alargar o leque de influências da banda, indo buscar elementos da música country, folk e rockabilly, este álbum é uma prova da maturidade que os Iceage foram ganhando desde o lançamento de New Brigade em 2011 e é sem dúvida um enorme passo em frente na carreira dos dinamarqueses.
Helder Lemos

4- Flying Lotus - You're Dead!
Este novo trabalho de Steven Ellison AKA Flying Lotus (produtor, MC e o fundador da Brainfeeder, label incontornável no panorama musical que mistura o dançável, o Hip Hop, o EDM e o IDM) é pautado por algumas mudanças em relação aos seus anteriores. Mudanças que o autor considera frutíferas e positivas, o que não significa que os anteriores 1983, Cosmogramma e Los Angeles não sejam álbuns de mão cheia, porque o são (o Until The Quiet Comes nem tanto). Mas o que aqui está em questão é a evolução notória da complexidade no som de Fly Lo. E isso é evidente. Vamos aos factos.
O universo até então relativamente calmo de Fly Lo surge neste You’re Dead! contaminado por Captain Murphy (o seu narcisista alter-ego MC) cuja influência directa surge em duas faixas e, indirectamente, parece pairar sobre o restante álbum.
Isto faz com que por vezes haja uma aproximação ao hip hop mais “comum” chamemos-lhe assim, no qual há um MC a rimar sobre uma faixa sonora. Essa aproximação ao “comum” — no caso deste You’re Dead! — sai recompensada pela qualidade do elenco convidado para rimar (o prodigioso Kendrick Lamar, o supracitado Captain Murphy e o veterano Snoop Dogg) mas também pela mestria de produção de Ellison.
Em certos aspectos, também se nota uma aproximação ao universo do cartoon: a capa do álbum; a distorção e sobreposição de vozes; o contributo sonoro de Fly Lo na série Adventure Time; a sua participação como radialista no videojogo GTAV. Tudo isto sugere uma aproximação cada vez maior da personagem real (Ellison) a estes universos irreais, onde personagens como o seu alter ego Captain Murphy são livres de deambular e de fazer o que bem entendem, sem reais limites.
Ellison também se parece sentir assim: livre e descomprometido na sua estética, prestando homenagem a este Universo e ao outro — o plano astral mencionado na faixa “Dead Man’s Tetris” é uma homenagem á faixa “Do The Astral Plane” do Cosmogramma, aqui usada como metáfora para o espaço do pós-vida, no qual Murphy convive com Freddie Mercury e J Dilla, outra influência assumida de Ellison.
Metafisicismos à parte, Fly Lo não esquece as suas raízes de Jazz (não tivesse Ellison sangue dos Coltrane) prestando uma homenagem às mesmas com samples de saxofones, percussão e baixos espalhados e organizados em arranjos minuciosos em várias das suas faixas. Há aqui um género de reinterpretação do Jazz de improvisação, no qual se subtrai a banda mas se multiplica a criatividade no único músico presente (Ellison). A participação de Herbie Hancock na “Moment of Hesitation” é um dos momentos mais felizes de You’re Dead! e uma homenagem maior ao universo do Jazz.
Os risos de Captain Murphy — a sua mão é omnipresente, por inevitáveis circunstancias — ao longo deste You’re Dead!, os samples de saxofones, percussão, algumas linhas de baixo que fazem lembrar Amon Tobin, uma dose q.b. de psicadelismo e a aproximação ao soul — por força dos baixos e das graves vozes femininas — em algumas faixas constroem uma parede sonora muito particular para este You’re Dead!, muito distinta dos anteriores álbuns de Ellison.
No entanto, é nesta distinção que encontramos um ponto em comum: a complexidade do som. Esta característica faz com que, à imagem dos álbuns anteriores de Ellison, a audição do mesmo deva ser feita na integra, do início ao fim. Os álbuns de Flying Lotus não foram projectados para serem decompostos e ouvidos faixa a faixa. Estes devem ser entendidos como um todo e pelo todo, por forma a serem entendidos de todo.

Edu Silva

3- BadBadNotGood – III
III é o retrato de uns BadBadNotGood bastante maduros, onde a fórmula utilizada na produção deste terceiro trabalho de estúdio apresenta uma banda mais confiante e madura, talvez por se tratar do primeiro disco composto por músicas inéditas e sob a assinatura da Innovative Leisure.
Singles como “Since You Asked Kindly” e “CS60” mostram a inocência dos canadianos através das suas introduções numa percussão bastante suave, embora com um fim bastante mais poderoso. III é em suma um álbum onde a nostalgia e a pressão do trabalho dão as mãos e o resultado é tecido em dez músicas cobertas de jazz de fusão.
Sónia Felizardo

2- Swans – To Be Kind
Muitos avaliam o décimo terceiro álbum dos Swans – eu aceito parcialmente – como uma espécie de continuação sucessora do The Seer, com as pouco mais de duas horas a que a banda já nos tem vindo a habituar. Embora, numa primeira audição diagonal, pareça mais leve e acessível, as faixas submetem-nos a uma tensão constante, pautada de melodias com energias obscuras e ritualescas, tecidas numa simbiose entre o transcendente sonoro e a narrativa desejosa de ser expelida, profunda e inquietante. Consideramos To Be Kind um dos melhores álbuns do ano pela inteligência com que nos concede um estado de espírito distintamente elevado e nos submerge numa dualidade de músicas cruas, agressivas e nervosas, bem como ritmos mais pausadas, ascéticas e minimais, sem nunca por em causa a coesão do todo – "Bring The Sun/ Toussaint L’Ouverture" e "Oxygen" ilustram bem este sentimento dual.
Joana Pardal

1- Cloud Nothings – Here and Nowhere Else
Here and Nowhere Else é o quarto álbum do projecto de Dylan Baldi e até à data o melhor já editado sob o nome de Cloud Nothings.  A verdade é que pouco mudou desde Attack On Memory,  com um sonoridade que funde mais uma vez indie rock e post-hardcore. São 31 minutos de quase apneia, raiva, noise e vocais que nos lembram os tempos do Grunge.  O sobrerbo malhão de 7 minutos “Pattern Walks” representa  o clímax deste novo álbum e a prova disso foi a sua interpretação no NOS Primavera Sound. O disco fecha com a mais introspectiva “I’m Not Part of Me”, com a sua sonoridade mais pop punk, e mostra-nos que Dylan finalmente se encontrou. Isto é notório pela maior maturidade apresentada neste novo trabalho.
P.S: “Wasted Days” do anterior Attack on Memory assentaria que nem uma luva em Here and Nowhere Else
Rui Gameiro

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