domingo, 24 de fevereiro de 2019

[Review] Sydney Valette - How Many Lives


How Many Lives | Icy Cold Records | fevereiro de 2018
7.5/10

Anunciado em janeiro - e após a recente edição do EP de curta-duração Space And Time - Sydney Valette regressou este ano às edições com o seu quinto disco longa-duração de carreira, How Many Lives, trabalho que celebra também o 10º aniversário de carreira do produtor francês enquanto explora algumas vertentes da darkwave e minimal wave aliadas à nova vaga de post-punk contemporâneo. Ao longo de 11 músicas – quatro das quais já editadas anteriormente com o EP Space and Time - Sydney Valette apresenta uma coleção de músicas onde podemos ouvir de tudo um pouco desde que o produtor iniciou o seu percurso na música: do mais childish synth-pop punk até aos ritmos mais destrutivos, mas igualmente poéticos. Uma coleção de temas que enchem a alma para quem se encontra no negrume do existencialismo. 

A abrir com o tema "How Many Lives", single que dá título ao álbum, Sydney Valette começa por questionar o ouvinte "How many years How many nights Will you shout? Not Being heard Crying out (…) Here I am // With all the troubles in the world Is it real or is it fake? // Such a mess in my head In my head // In my head" e contextualizá-lo sobre a complexidade do existencialismo humano. Este tema, juntamente com o dream-poppy "Space and Time", a incorporação sonoro-explorativa "Back From Mexico" e a incendiária "I Can't" tinham já anteriormente sido editados em formato curta-duração no final do ano passado e, neste disco, representam o finalizar da primeira década de um projeto que se aguentou firme nos cenários da música underground e que se espera que perdure por mais anos fora. 



Das sete restantes músicas a primeira novidade encontra-se em "Lies", terceiro tema do alinhamento do disco e umas das mais potentes e poderosas faixas, daquelas que transmite uma energia inesgotável ao ouvinte. Outra das grandes surpresas do disco pode encontrar-se em "New Pictures", tema que é iniciado num ritmo mais lento e obscuro, com grande foco à introspeção pessoal do ouvinte, sendo prosseguido por uma onda eletrónico-minimalista de sintetizadores em camadas aos quais Sydney Valette acrescenta elementos sonoros altamente cativantes, além da sua voz que aqui surge mais afagada e reconfortável que nos temas mais abrasivos. Falta ainda mencionar "Rzurekt", outro caótico e pirómano tema que explora os elementos da darkwave, new wave, electropunk e derivados, que certamente se fará ouvir entre as setlists dos DJ's mais atentos do panorama underground



Um ponto de foco que é encontrado em How Many Lives está diretamente relacionado com a recriação sonora que Sydney Valette executou do icónico tema "Anarchy in the UK" original dos Sex Pistols - a sétima canção deste disco comemorativo que acaba por surpreender pelo tratamento dream-punk e os apetrechos "fofinhos" que a rodeiam. Além desta nova roupagem na sonoridade, Sydney Valette também incorpora algumas experimentações vocais o que acaba por surtir um efeito positivo relativamente à música original. 

Antes de se despedir, o músico apresenta ainda duas faixas bónus datadas de 2013 e 2014. A primeira, "My Pride" (2014), a integrar a estética da dream-pop numa eletrónica pegajosa e completamente viciante (um daqueles temas que ficam obrigatoriamente em loop após uma primeira audição). A segunda, "Polished Mirrors" (2013), a apresentar-se do tipo balada em formato eletrónica explorativa e num desenvolvimento arrastado que, não sendo um dos mais apelativos temas do disco, representa uma parte da história na carreira de Sydney Valette, à semelhança de todo este How Many Lives. Um disco que vale a pena explorar.


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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

STREAM: Sydney Valette - How Many Lives


Sydney Valette celebra este ano 10 anos de carreira que são agora marcados pela edição de How Many Lives, disco de reflexões de uma alma jovem cuja sonoridade se situa algures entre o electro-goth, o synthpunk e as tendências da EBM. Neste novo disco, o quinto na carreira do produtor, somos convidados a uma viagem pelos sintetizadores estimulantes de Sydney Vallete com direito a duas faixas bónus e ainda uma cover bastante característica do icónico tema dos Sex Pistols "Anarchy In The UK".

Do disco já tinham sido anteriormente apresentados os temas "How Many Lifes", "I Can't", "Back From Mexico" e "Space and Time", anteriormente lançados no EP Space And Time, que foi editado no passado dia 28 de novembro de 2018 pela Oráculo Records. Agora, na nova casa Icy Cold Records, Sydney Vallete brinda os seus 10 anos de carreira com um disco abrasivo e muito badass. É ouvir na íntegra, abaixo.

How Many Lives foi editado esta sexta-feira (15 de fevereiro) pelo selo Icy Cold Records. Podem comprar o disco aqui.


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sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Novo disco de Sydney Valette chega às prateleiras em fevereiro


Sydney Valette lançou em 2018 um novo EP, Space and Time, trabalho que é reeditado em formato longa-duração sob o epíteto How Many Lives já no próximo mês de fevereiro. O novo disco, que será o quinto na discografia do produtor, contará com três músicas inéditas, um cover do grande hit dos Sex Pistols e ainda três faixas bónus, além dos já conhecidos quatro temas do mais recente EP. O disco é o primeiro registo do artista a ter o carimbo da Icy Cold Records, uma das novas labels revolucionárias da cena underground.

Segundo nota de imprensa neste novo trabalho é visível um Sydney Valette a explorar as vertentes mais pecaminosas da EBM com os ritmos monocórdicos do post-punk e as sombras da darkwave, através de canções unificadas por uma produção mais sensata e forte. Do disco já se podem ouvir as quatro faixas integradas em Space and Time.


How Many Lives tem data de lançamento previsto para 15 de fevereiro, em formato CD pelo selo Icy Cold Records.

How Many Lives Tracklist:

01. How Many Lives 
02. I Can't 
03. Lies 
04. Back from Mexico 
05. New Pictures 
06. Space and Time 
07. Anarchy in the UK (cover Sex Pistols) 
08. Rzurekt 
09. My Pride (2014) (Bonus Track) 
10. Polished Mirrors (2013) (Bonus Track) 
11. Some Letters (2013) (Bonus Track)

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Sydney Valette regressa no tempo e no espaço


O francês Sydney Valette regressou na passada semana aos trabalhos de estúdio com Space & Time, um EP de quatro canções que junta as cores da synthpop à simplicidade eletrónica da minimal wave e aos tons monocromáticos da darkwave. O produtor, que espelhou o seu talento na segunda edição do festival MONITOR, regressa agora em curta-duração para um trabalho coerente, preciso e altamente aliciante.

Este novo disco, que vem dar sucessão a Fight Back editado ainda este ano, foi disponibilizado para escuta integral na íntegra e, do seu alinhamento, recomenda-se a audição de temas como "Space and Time", "How Many Lifes" e grande finale "I Can't".

Space & Time foi editado no passado dia 28 de novembro, e estará disponível em vinil pelo selo Oráculo Records, a partir de dia 10 de janeiro. Podem comprar o disco aqui.



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domingo, 4 de junho de 2017

Reportagem: MONITOR 2017 [Teatro José Lúcio da Silva, Leiria]

PLutôt Mourrir Que Crever

Nesta segunda edição do Monitor, a Fade In viu-se obrigada a procurar novo espaço. O Palco do Teatro José Lúcio da Silva, que tantas alegrias nos deu num passado mais ou menos recente, serviu desta vez como palco e sala tornando assim o público em atores, neste recente mas já tão delicioso evento. A fasquia era alta, tendo em conta o sucesso da primeira edição, mas o cartaz de 2017 prometia não ficar atrás, já que todos os nomes anunciados tinham trabalhos de estúdio irrepreensíveis. A mudança de espaço, já referida anteriormente, trouxe alguns problemas de som que se fizeram notar em alguns dos concertos, talvez aquela cortina aberta para um espaço imenso vazio tenha dificultado a vida aos técnicos, mas certo é que a maioria das bandas conseguiu tornear os problemas e as suas prestações não foram afetadas. 


Poison Point

Os primeiros a subir ao palco foram os Poison Point, naquela que foi a segunda visita ao nosso país, já que no ano passado haviam feito parte do cartaz do Mini Festival Post Punk Strikes Again na edição do Porto. Poderia parecer cedo para tão densa música soar, mas nada disso foi problema, tão energéticos como se estivessem a fechar a noite Timothée Gainet e Arnaud Derochefort destilaram uma “cold mais próxima do punk do que do wave” que preenche o primeiro e único registo da banda até então, Motorpsychold. Os 30 minutos pareceram pouco. 


Paradox Obscur

De seguida, e antes do jantar, havia o público presente de ver mais 2 que na realidade seriam 3 concertos, isto porque Kriistal Ann viajou com Toxic Razor, tornando possível um dois em um. Não me poderei alongar muito sobre a prestação de Kriistall Ann nem de Paradox Obscur porque não assisti na íntegra a estes dois concertos. Depois da descarga energética de Poison Point, a voz melodiosa de Kriistal não me agarrou, fui-me gradualmente afastando da primeira fila até que acabei a beber uma cerveja na banca da Fade In que se encontrava junto ao recinto.


QUAL

A prestação que haveria de encerrar o primeiro ato era da responsabilidade de Qual, projeto a solo de William Maybeline já conhecido dos portugueses como baixista dos Lebannon Hannover, banda que em 2013 marcou presença no Entremuralhas. Se em Lebannon Hannover tudo é frio, doce como a synthwave deve ser, em Qual tudo é bruto, industrializado, exarcebado, um punk sem crista mas com as correntes que haviam de martirizar o chão aquando de Benevolent Technologies. Ao longo de meia hora William percorreu as músicas de Sable e de Cupio Dissolvi, EP lançado este ano. Acabava assim em grande o primeiro ato, deixando o público sedento pelo segundo. 

Já de barriga cheia, mas ainda com espaço para a sobremesa, voltamos ao local do crime para nos deleitarmos com o que nos faltava. À hora certa começa o segundo ato com os Londrinos The Agnes Circle, notórios problemas de som forçam-me a mudar várias vezes de lugar e inevitavelmente, a abandonar a sala e a procurar consolo na banca da Fade In


Sydney Valette

Eis que chegava Sydney Valette, o interesse crescente pela música deste francês nos últimos tempos, fazia com que esta prestação fosse uma das mais esperadas da noite e ele não dececionou. Ora atrás dos teclados, ora a cantar, ora a pular a correr pelo palco, Sydney Valette suou e fez-nos suar, saltitando entre os dois álbuns editados tornou-se, na minha opinião numa das atuações da noite. Saciado e orgulhoso por perceber que este músico com um reportório tão vasto em termos de géneros musicais, alguns nem sempre bem aceites em meios mais sombrios, consegue ter espaço num evento deste e deixar o público presente, não “preparado para morrer” mas sim para aquele que seria o momento mais aguardado da noite: o último concerto. 


Rendez-Vous

Os franceses Rendez-Vous apresentaram-se em Leiria com dois EPs editados e com um guitarrista a menos (Simon Dubourg), mas a banda mostrou-se madura o suficiente para construir o seu set de modo a que a atuação não sofresse por isso. Senhores de um synth punk como não se via faz algum tempo, o trio carregou o público com tudo o que tinha e este deu em troca tudo o que podia, não houve moche como foi pedido por Elliot Berthault antes de "Euroshima", mas podia ter havido em "Distance" ou "The Others", canção que havia de ser repetida no encore. O Monitor 2017 fechou com chave de ouro e não são as pequenas questões referidas que o põem em causa, que venha o 2018, Leiria é uma boa cidade e a Fade In uma bela família.


MONITOR @ Teatro José Lúcio da Silva


Texto: Bruno Cordeiro
Fotografia: Virgílio Santos

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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Faltam 10 dias para o MONITOR


O Festival MONITOR - Minimal Wave & Post-Punk International Rendez-Vous - acontece dentro de 10 dias, na Black Box do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria, pelas mãos da conceituada Fade In. O cartaz do festival de dia único é composto por um total de 6 bandas, das quais 5 fazem a sua estreia em território nacional.

Os Poison Point, dupla constituída por Timothée Gainet e Arnaud Derochefort são os responsáveis pela abertura da segunda edição do festival e a única banda que não atua pela primeira vez em Portugal.


Segue-se Kriistal Ann e Paradox Obscur, numa espécie de concerto 2 em 1, uma vez que o repertório será equitativamente dividido entre os temas mais emblemáticos da artista e alguns dos melhores que podemos encontrar nos dois álbuns da banda Paradox Obscur, projeto paralelo de Kriistal Ann.


A Fechar a primeira parte QUAL, o prjeto a solo de synthwave do emblemático William Maybelline, membro dos Lebanon Hanover. O artista traz na bagagem o álbum Sable(2015) e o EP Cupio Dissolvi(2017).


A segunda parte da noite abre com a dupla The Agnes Circle, que vêm apresentar as suas influências do post-punk britânico da altura que na 4AD fervilhavam nomes como Clan Of Xymox ou Cocteau Twins. A banda apresenta o LP Some Vague Desire.


Sydney Valette, o primeiro nome revelado para a segunda edição do festival, sobe a palco por volta da meia noite para aventurar-se numa sonoridade electrónica que tanto evoca uma certa energia punk e trashy como se acerca de uma costela romântica, dando origem a algumas das mais empolgantes e belas canções que já se fizeram no século XXI.


A fechar o festival, os franceses Rendez-Vous que vêm apresentar novos temas, trazendo ainda na bagagem o muito aclamado EP Distance. A banda que se destacou desde cedo com o primeiro EP homónimo em 2014 já foi convidada a tocar com bandas como Motorama, Frustration, The Soft Moon ou M83.


Os bilhetes para o evento têm um preço de 25€ em compra antecipada e de 30€, no próprio dia. Os concertos têm início marcado para as 18h00. Todas as informações do evento aqui.

Horários de atuação:
18h00 – Poison Point
19h00 – Kriistal Ann / Paradox Obscur
20h00 – QUAL
23h00 – The Agnes Circle
00h00 – Sydney Valette
01h00 – Rendez-Vous

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sydney Valette é o primeiro confirmado no MONITOR


O francês Sydney Valette é o primeiro nome a juntar-se ao cartaz da segunda edição do MONITOR, mais um dos eventos da Fade In que faz a cultura alternativa musical movimentar-se em Leiria.  O festival de Minimal Wave & Post-Punk International Rendez-Vous, que acontece a 27 de maio, garante assim uma "voz à Crooner do século XXI, em canções que tanto agitam o corpo como elevam a alma".

Sydney Valette tem vindo a grangear uma sólida e fiel horda de admiradores entre os melómanos mais ávidos pela descoberta e de mente mais aberta. Talvez porque ele encerre em si mesmo um espírito que o faz aventurar-se por uma sonoridade electrónica que tanto evoca uma certa energia punk e trashy como se acerca de uma costela romântica, dando origem a algumas das mais empolgantes e belas canções que já se fizeram no século XXI.* 

Temas como "Mother", "White City", "Please", "Run", "Prêt à Mourir" e "Life", retirados do seu mais recente disco de estúdio, Other Side (2016), deverão fazer parte da setlist do concerto na Black Box.




O Monitor acontece a 27 de maio na Black Box do Teatro José Lúcio da Silva, em Leiria. Ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes. Informações adicionais aqui.

*Fonte: Fade In

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