quinta-feira, 28 de março de 2019

Reportagem: The Zeros + Dumbowax [Barracuda - Clube de Roque, Porto]


Na passada quarta-feira, dia 20 de março, fomos ao Barracuda - Clube de Roque para assistir ao concerto dos The Zeros, uma das bandas pioneiras do punk da Costa Oeste dos Estados Unidos, que, apesar da sua longa carreira, faziam a sua estreia em Portugal.

Os Dumbowax, banda do Porto e ainda sem nenhum trabalho editado, aqueceram o público e prepararam o mesmo para o concerto tão esperado que se seguiria. Durante cerca de meia hora e para uma sala ainda muito vazia, o duo composto por um baixista/vocalista e um baterista oscilou entre o punk e o stoner rock num concerto bastante competente.

Apresentando-se em formato trio e com o guitarrista e o baterista originais (Javier Escovedo e Baba Chenelle), cerca de 15 minutos após o final do concerto dos Dumbowax, os The Zeros subiram ao palco iniciando o concerto com um tema instrumental que demonstrou, rapidamente, a sua experiência em palco, contrastando totalmente com a atuação anterior. Sem grandes conversas (até porque sempre que a banda tentava comunicar membros do público quase que o impediam pedindo mais sendo “are you here to talk or to sing?” a citação mais memorável) o concerto durou cerca de um hora e ouviram-se clássicos como "Wimp", "Main Street Brat", "Don't Push Me Around" (música presente na eclética banda sonora do jogo Grand Theft Auto V) e a bastante pedida "Wild Weekend".

A banda apresentou “Spotlight” como sendo uma canção nova e ainda houve tempo para uma “punk love song”, “She's Just A Girl On The Block”. Perto do final do concerto Javier Escovedo revelou ao público os seus 3 maiores "Guitar Heroes" sendo o primeiro Jeff Beck (The Yardbirds), o segundo Mick Ronson (The Spiders from Mars) e o terceiro Johnny Thunders (The New York Dolls) terminando a atuação com uma cover de “Chatterbox” deste último

Infelizmente, a sala não estava completa, como um concerto deste calibre mereceria, ficando a lotação apenas pela meia sala. Porém, contrariamente às expetativas os The Zeros conservam a energia de outrora à qual adiciona a experiência e maturidade fazendo com que o resultado final ao vivo seja provavelmente um dos melhores concertos que verei em 2019. O punk não envelheceu, amadureceu!


Texto: Francisco Lobo de Ávila 
Fotografia: Eduardo Silva

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domingo, 17 de março de 2019

Os Zeros estreiam-se em Portugal esta semana

© Ruby Ray

Os Zeros formaram-se em Chula Vista nos meados dos anos 70 e são umas das bandas que ajudaram a consolidar o movimento punk da costa oeste dos EUA, lado a lado com os Germs, os Agent Orange, os Vandals, os Dead Kennedys, os Descendents (etc …).
 

Muitas vezes apelidados dos “Ramones Mexicanos”, a música dos Zeros é — como todo o punk o deveria ser — marcada pela sua faceta activista e "anti-gabacho", promovendo a integração e a defesa das comunidades latinas a viver nos EUA. 

A dissolução dos Zeros aconteceu no ano de 1981, cinco anos após a sua formação. Durante esse período, partilharam palcos com Grandes tais como os Black Flag e os X e devido à sua curta mas sólida discografia (a qual é composta maioritariamente por singles) angariaram para si mesmos uma extensa lista de fãs na qual podemos encontrar o Tom Waits e a Patti Smith, deixando dessa forma uma marca indelével na história do punk rock californiano dos meados dos anos 70 — um milieu que pariu um número tão elevado de bandas relevantes ainda nos dias de hoje que para nos darmos ao luxo de fazer uma leitura pormenorizada, teríamos que dedicar a essa resenha um artigo próprio. 

Desde a sua separação, os Zeros têm-se reunido esporadicamente para interpretar ao vivo os seus hits (não lançam material novo desde a década de 90). Actualmente, a banda actua em formato trio, preservando dois membros do seu alinhamento original: Javier Escovedo e Baba Chenelle (contando ainda com Victor Penalosa no baixo). E finalmente, em 2019, estes pioneiros do punk visitam o nosso país pela primeira vez. No dia 20 de março tocam no Porto — mais precisamente no Barracuda - Clube de Roque (bilhetes a 10€ com direito a aquecimento por conta dos portuenses Dumbowax) — e no dia seguinte descem até Lisboa para um concerto no Sabotage Club (bilhetes 12€ pré-venda / 15€ no dia).


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