O muito aguardado Amplifest regressou no passado dia 12 de outubro, três anos depois da sua última edição. O Hard Club abriu mais uma vez as portas ao "melhor fim de semana do ano", que contou com casa cheia em ambos os dias. Esta edição contou com grandes nomes que exaltaram o ecletismo, a vanguarda e o talento num fim-de-semana onde todos foram cabeças-de-cartaz. Alguns nomes foram repetentes nestas andanças, como Amenra e Deafheaven, enquanto outros foram novidades no festival, como Touché Amoré, Daughters ou Birds in Row. Nós marcámos presença neste memorável fim de semana organizado pela Amplificasom, que pode ser revisitado através das fotogalerias em baixo ou aquieaqui.
Portrayal of Guilt is an american hardcore punk/screamo band formed in Austin (Texas). Right now they are in a tour with Touché Amoré and Deafheaven, with whom they will play at Amplifest next weekend
They make their Portugal debut on the Amplifest stage, still in the aftermath of the buzz and admiration generated by their debut album Let Pain Be Your Guide - a record that, paying a nostalgic tribute to the nineties screamo, rejuvenates it influenced by post-punk, industrial, among others. This debut, which is expected to be memorable, is scheduled for October 13, on the Oitava Colina Stage.
We had the opportunity to ask them a few quick questions between shows ahead of the festival (via e-mail), and here is the result.
Threshold Magazine (TM) - Hello there! It's a pleasure to talk with you guys. Have any of you ever been to Portugal? Do you know any bands/musicians from here?
Portrayal of Guilt (PoG) - No, this is our first time in Portugal. We’re happy to finally make it out there. And we do not know much about the portuguese music scene.
TM - Are you guys looking foward to Amplifest? Did you already know the festival?
PoG - Absolutely. It’s an honor to be a part of this festival. We’d only learned about it this year, but are very excited and appreciative nonetheless.
TM - Which bands are you most curious to play with/see at the festival?
PoG - We’re stoked to see Inter Arma and Pelican on the date we play.
TM - You've got a new EP and a brand new split with Soft Kill. What else can we expect this year?
PoG - We have another split in the works and will be writing for another full-length once we return from this tour.
TM - Which bands/artists have influenced you guys the most?
PoG - Countless. Hard to name one.
TM - You are currently on an European tour with Touché Amoré and Deafheaven. What's it like sharing the stage with these two great bands?
PoG - It’s incredible. We’ve been fans of both bands for years, so it is very cool to be able to tour with them, especially here in Europe.
TM - Do you think the screamo scene is getting more and more fans?
PoG - Hopefully.
TM - Can you tell us which albums have you enjoyed the most the were released this year?
PoG - Cloud Rat’s Pollinator is probably my favorite album to come out this year so far.
TM - Any emerging bands from Texas that you can recommend us?
A pouco mais de duas semanas do arranque da edição de 2019 do Amplifest, são já públicos os alinhamentos diários e horários para a décima-primeira edição do evento.
Revelados ficam também os filmes em exibição a 12 e 13 de Outubro. Where does a Body End, de Marco Porsia, um retrato íntimo do percurso dos Swans, desde a sua génese e raízes até aos tempos contemporâneos, e Syrian Metal is War, de Monzer Darwish, uma jornada pela forma como as bandas de metal sírias sobreviveram aos tempos de guerra. Fechados estão também os temas para as Amplitalks deste ano: We're the alternative to the alternative, a acontecer no sábado dia 12 pelas 16h00, e Let us entertain you, a ter lugar pelas 15h30 de domingo dia 13.
Já falta menos de um mês para todos os caminhos irem dar ao Hard Club. O Amplifest regressa nos dias 12 e 13 de outubro e já se encontra esgotadíssimo, depois dos últimos bilhetes diários terem voado numa manhã.
Assim que se abrirem as portas do próxima edição do Amplifest, terão passado pouco mais de três anos desde a última edição. Mais do que um festival, o Amplifest é o evento que reune toda a filosofia da Amplificasom num fim-de-semana que se pretende único e irrepetível; onde é assumido um compromisso inquebrável com a arte e com o enriquecimento cultural, sendo todo o alinhamento seleccionado nesse sentido: eliminando o que é supérfluo e exaltando o ecletismo, a vanguarda e o talento num fim-de-semana onde todos são cabeças-de-cartaz.
Em jeito de antevisão e apesar de considerarmos que todos os concertos desta edição são imperdíveis, iremos falar sobre cinco nomes que vão ajudar a tornar esta edição do Amplifest um dos melhores eventos do ano.
Amenra
Os belgas Amenra já são bem conhecidos para quem segue o Amplifest desde a sua origem. Depois de terem participado nas edições de 2012 e 2015, eis que a banda de Colin H. van Eeckhout, Mathieu Vandekerckhove, Bjorn Lebon, Lennart Bossu e Levy Seynaeve regressa uma vez mais para nos trazer a sua missa, onde a liturgia é acompanhada por um sludge/doom inigualável, caracterizado por atmosferas sombrias e intensidade espiritual. Fundadores do colectivo Church of Ra (onde também se incluem os Oathbreaker ou os The Black Heart Rebellion, bandas conhecidas pelos seguidores do festival), os Amenra são liderados por Colin H. van Eeckhout (que também já passou pelo Amplifest com o seu projeto a solo - CHVE) que, juntamente com as projeções e os sons em seu redor, criam uma experiência de uma intensidade imensurável, enfiando os seus tentáculos na alma de quem presenceia, quase forçando um qualquer tipo de emoção coletiva e incapacidade de desviar o olhar do desespero no palco. Um ponto importante para a banda foi o seu ingresso na Neurot Records, uma editora fundada por membros de Neurosis, onde lançaram o seu álbum Mass V. Agora, celebrando os vinte anos como banda e apresentando pela primeira vez em Portugal o aclamado Mass VI, os Amenra têm regresso marcado ao Amplifest, o seu lar espiritual no nosso país, no dia 12 de outubro.
Deafheaven
Os americanos Deafheaven foram,
nesta década, a banda mais popular do blackgaze. Misturando elementos de black
metal com as texturas etéreas do shoegaze e do pós-rock, alcançaram uma grande
popularidade dentro dos fãs de música alternativa com o seu segundo álbum, Sunbather.
Foram e ainda são alvo de alguma controvérsia por não abraçarem completamente o
metal, mas ao mesmo tempo é isso que atrai os seus fãs.
A banda tem vindo a desenvolver a
sua sonoridade ao longo dos anos e o álbum mais recente, Ordinary Corrupt Human
Love, é aquele em que mais se afastam das convenções do black metal. A voz
continua agressiva e a bateria rápida e explosiva, mas são integrados melodias
e solos de guitarra que parecem saídos do rock alternativo dos anos 90. Surge
uma mistura de géneros musicais surpreendente, mas eficaz, como se pode notar
nos singles “Honeycomb” e “Canary Yellow”. Em contrapartida, o seu lançamento
mais recente, o single “Black Brick”, é provavelmente a música mais pesada
e direta da sua discografia. Uma faixa de black metal opressivo e brutal que revela
uma nova faceta da banda.
Os Deafheaven vão tocar pela
terceira vez no Hard Club no dia 13 de outubro. Será a sua segunda passagem
pelo Amplifest, após a estreia na edição de 2013.
Touché Amoré
Oriundos da sempre diversa cena
de Los Angeles, California, a banda Touché Amoré, acarinhada pelos fãs das
sonoridades post-hardcore e screamo, não é estranha do público português. Com
um culto intenso ao redor da banda desde a estreia da banda, e depois de há
dois anos terem vindo em conjunto com outro nome grande desta mais recente vaga
americana de sonoridades agressivas, Code Orange, ao RCA Club em Lisboa e ao
Hard Club no Porto, os Touché Amoré regressam para se juntarem aos flancos da
mais recente edição do Amplifest, trazendo a sua sonoridade sempre emergente de
riffs dissonantes, vocais emocionais e ritmos angulares. Na mala, trazem motivos
de celebração, devido ao primeiro álbum de estúdio ...To the Beat a Dead Horse
contar dez anos de existência em 2019 e servir de mote para a regravação do
mesmo com nova roupagem e uma produção mais atual (apropriadamente chamado Dead
Horse X), mas certamente também se pode esperar a presença do resto da
discografia no alinhamento. Os Touché Amoré marcarão presença no Hard Club no dia 13 de outubro.
Bliss Signal
Bliss Signal é o resultado da
comunhão entre James Kelly e Jack Adams. O primeiro, figura conhecida nas
lides da música de extrema com os saudosos Altar of Plagues, é também um
agitador das tendências electrónicas enquanto WIFE, o seu projeto a solo com um
foco nos subs e nas batidas. Já o segundo assina produções enquanto Mumdance,
que ao lado do conterrâneo Logos se assume como nome charneira do weightless,
estilo musical desenvolvido durante o início da presente década que interseta
as batidas viperinas do grime com as texturas envolventes da música ambiente.
Juntos, ladeiam uma cúmplice relação de companheirismo, conciliando peso e
atmosfera em igual medida. Drift, primeiro, e o álbum de estreia homónimo, logo
depois, marcaram os primeiros trabalhos dos britânicos enquanto duo, forjando
um interessante meio termo entre o shoegaze o black metal. Os elementos estão
todos lá: paredes opulentas de som implacável, ambientes cintilantes e riffs
crus de baixa fidelidade, tudo envolto numa nuvem de texturas atmosféricas. As
suas composições são ruídosas, mas a progressão dos acordes é leve e
inspiradora, balançando entre o lúgubre e o eufórico, o caos e o assombro. A estreia em Portugal acontece no dia 12 de outubro, esperando-se um espetáculo intenso, cáustico e inebriante por parte desta dupla imporvável.
Daughters
Oito anos após o seu último lançamento, os experimentalistas post-hardcore Daughtersregressaram com um novo disco, You Won’t Get What You Want (considerado pela equipa da Threshold Magazine como o melhor álbum do ano passado), que desconstrói o seu próprio som e o reanima num novo “monstro” sonoro. Partindo do seu autointitulado álbum de 2010, o quarteto liderado por Alexis S.F. Marshall expande e escurece a tonalidade, utilizando efeitos de guitarra e teclados que soam ainda mais esquizofrénicos do que antes. O ritmo desenfreado continua a ser um elemento comum, conseguindo mesmo assim obter alguns ritmos mais moderados, uma instrumentação industrial minimalista e um trabalho de bateria inigualável. Os sons que o guitarrista Nicholas Andrew Sadler tira dos seus instrumentos são incomparáveis, e o seu estilo frenético tem poucos contemporâneos. Os americanos ainda se mantêm difíceis de definir, mas com You Won’t Get What You Want reinventaram-se e passaram para algo mais inquietante e catártico, porém mais arrebatador e brilhante que nunca. Para a sua muito aguardada estreia em Portugal, a banda promete trazer o seu caos controlado ao Amplifest no dia 12 de outubro.
Assim que se abrirem as portas do próximo Amplifest, terão passado pouco mais de três anos desde a última edição. Mais do que um festival, o Amplifest é o evento que resume toda a filosofia da Amplificasom num fim-de-semana que se pretende único e irrepetível; onde é assumido um compromisso inquebrável com a arte e com o enriquecimento cultural, sendo todo o alinhamento seleccionado nesse sentido: eliminando o que é supérfluo e exaltando o ecletismo, a vanguarda e o talento num fim-de-semana onde todos são cabeças-de-cartaz. Pretende-se apresentar uma alternativa a um mundo saturado de festivais, propondo uma experiência imersiva e exploratória, relaxada e sem sobreposições de concertos. A selecção de filmes, exposições e Amplitalks será anunciada em breve, mas o alinhamento musical está agora revelado na íntegra: Amenra, Author & Punisher, Birds in Row, Bliss Signal, Candura, Daughters, Deafheaven, Emma Ruth Rundle (a solo), Gaerea, Ingrina, Inter Arma, JK Flesh, Pelican, Portrayal of Guilt, Some Became Hollow Tubes e Touché Amoré.
Os bilhetes estão já à venda em amplificasom.com/amplistore, passando a estar também disponíveis em alguns pontos físicos brevemente.
Depois de uma pausa de três anos, o Amplifest está de regresso. O festival portuense irá decorrer dias 12 e 13 de outubro e os bilhetes já estão disponíveis. A Amplificasom acompanhou a notícia com o seguinte texto:
"Saudades? Nós também, muitas! Assim que se abram as portas do próximo Amplifest, terão passado pouco mais de três anos desde a última edição (2016). A pausa fez-nos bem e regressamos este ano com mais força e vontade de encarar o Amplifest como uma peregrinação anual. Prometemos anunciar todo o cartaz nas próximas semanas, mas podem desde já garantir a vossa presença – os bilhetes já se encontram à venda.
Contamos convosco, como sempre contámos. Até já"
Nós já estamos a contar os dias até outubro. E vocês?
Os japoneses Melt-Banana estreiam-se em palcos portugueses já esta semana. A banda agora composta apenas por Yasuku Onuki e Agata visita-nos pela primeira vez com duas datas a decorrer no Porto e em Lisboa, respetivamente. A primeira decorre no Maus Hábitos, dia 28, seguindo-se o concerto naGaleria Zé dos Bois no dia 29. A curadoria do concerto a decorrer no Porto é repartida entre a Lovers & Lollypops e a Amplificasom.
Formados em 1992, a banda ficou conhecida pela sua sonoridade grindcore com estruturas da pop experimental, eletrónicas e noise que garantiram álbuns de culto como Cell-Scape (2003) ou mais recentemente Fetch (2013). A loucura noise avant-garde aterra, então, esta semana e deverá contar com novos temas na setlist.
Os bilhetes para o concerto do Porto têm um preço único de 10€ e estão disponíveis para compra aqui. Em Lisboa os bilhetes possuem o mesmo preço e encontram-se disponíveis na Flur Discos, Tabacaria Martins e na própria ZDB.
Os Wovenhand, projeto liderado por David Eugene Edwards, regressaram ao nosso país depois da assombrosa atuação na edição de 2014 do Amplifest. A banda foi até ao Hard Club, Porto, no dia 4 de maio apresentar o seu oitavo disco de estúdio, Star Treatment, editado no ano passado com o selo da Sargent House. A foto-reportagem do evento organizado pela Amplificasom segue abaixo, pela lente de Ana Carvalho dos Santos.
Os Wovenhand estão de regresso a Portugal em Maio. O projeto liderado por David Eugene Edwards volta ao nosso país depois da assombrosa atuação na edição de 2014 do Amplifest. Com uma carreira a rondar década e meia de existência, os Wovenhand voltaram às edições em setembro do ano passado com Star Treatment, o oitavo disco do grupo de alt-country que recebe o selo da Sargent House. Os Wovenhand irão apresentar o seu mais recente trabalho com dose dupla no nosso país, passando pelo Hard Club (Porto) no dia 4 de maio, e dia 5 no RCA Club (Lisboa). A banda encarregue da primeira parte do concerto ainda não foi anunciada.
Os bilhetes podem ser adquiridos no site da Amplificasom e encontram-se disponíveis pelo preço de 17 euros, limitado aos primeiros 100, subindo depois para 22 euros.
Bilhetes disponíveis em lojas:
Porto: Hard Club, Louie Louie, Piranha, Black Mamba e Bunker Store.
Lisboa: RCA Club, Flur, Glamorama e Vinilexperience.
Há mais novidades no cartaz do Amplifest 2016. Os nova-iorquinos Kayo Dot e The Leaving juntam-se agora aos já confirmados Altarage, Aluk Todolo, Anna Von Hausswolf, Caspian, Downfall of Gaia, Hope Drone, Kowloon Walled City, Minsk, Mono, Neurosis, Névoa, Oathbreaker, Prurient, Roly Porter, Sinistro, Steve Von Till e Tiny Fingers.
O regresso dos Kayo Dot a Portugal acontece a 20 de agosto, sábado, no palco do Amplifest. Por sua vez, The Leaving, projeto a solo de Frederyk Rotter, tem concerto marcado para a noite de encerramento da Extended Experience do Amplifest, a ter lugar no Passos Manuel no dia 22 de agosto.
Do black metal à música clássica contemporânea, ao jazz, ao gótico e a tantas outras linguagens – nunca os Kayo Dot trilharam duas vezes o mesmo caminho em todo um percurso que sempre se mostrou tão ambicioso quanto multifacetado. Mas cada mudança de direcção e cada contraste estético são, para o colectivo nova-iorquino liderado por Toby Driver, parte de uma visão artística que lhes está inscrita no código genético: um olhar focado no futuro e na procura de geografias musicais inexploradas. Com obras lançadas, entre outros selos, pela Tzadik de John Zorn, pela Hydra Head e pela Flenser Records, os Kayo Dot têm um novo elemento na discografia: o futurista e labiríntico Plastic House on Base of Sky.
Frederyk Rotter, o vocalista, guitarrista e principal compositor dos suíços Zatokrev, encontra em The Leaving, o seu projecto a solo, um espaço onde deixa de lado o peso e a carga decibélica da sua principal banda para se aventurar por composições contemplativas, de raiz acústica, que segundo o próprio são “reminiscentes de um rio silencioso e inexplorado”.
O Amplifest decorre entre 20 e 21 de agosto no Hard Club, Porto. Ainda em modo festival dia 19 de agosto há warm-up com Aluk Todolo, na Cave 45 e, dia 22 de agosto, a festa de despedida com Steve Von Till e o anunciado The Leaving, no Passos Manuel, tudo no Porto. O passe para os quatro dias pode ser adquirido por 89€. O bilhete para 21 e 22 de agosto custa 75€. Os bilhetes diários ainda não têm preço divulgado. Informações adicionais aqui.
No passado dia 26 de Abril, teve lugar no Cave 45 mais uma das sessões que antecede o Amplifest, um festival que é cada vez mais uma referência no que toca a ilustrar o que de melhor se faz/fez no panorama do metal. Nesse serão, os Full of Hell voltaram até à cidade do Porto e fizeram-se acompanhar dos the body.
E como correu essa noite?
Bem…primeiro subiram a palco os Full of Hell. Os norte-americanos incorporam na sua arte todas as características da santíssima trindade do grind: tocam rápido, alto e carregam na distorção. Os vocals, esses não enganam: são roubados ao death metal. E nesta digressão, trazem um novo álbum na bagagem — o Amber Mote in the Black Vault — que é exactamente igual a todos os restantes álbuns anteriores dos Full of Hell: um gajo aos berros sobre cenas angustiantes, uma instrumentação furiosa e uma sensação de profundo niilismo a acompanhar tudo isto. Tudo coisas de que nos gostamos, portanto. E, sem surpresas, devo dizer que foi um concerto do caralho. Para mim, foram melhores que no Amplifest 2015 e a porrada foi maior, sem sombra de dúvidas. Uma coisa é ver Full of Hell da plateia, outra completamente diferente é vê-los ao nosso nível, separados apenas pelas colunas que debitam a sua grotesca mensagem.
Mas os Full of Hell nós já conhecíamos O que dizer dos body?
Chip King e Lee Buford são os body, uma das maiores instituições do noise atual. Em 17 anos de carreira, eles já colaboraram com alguns dos maiores nomes do metal atual — aliás, a sua colaboração mais recente é precisamente com os Full of Hell — e somam entre EPs LPs e álbum colaborativos mais do que uma quinzena de trabalhos. Eles eram a grande surpresa da noite: primeiro, por serem uma estreia absoluta; segundo, porque as expectativas eram altas. Queríamos todos nós — os fãs — testemunhar quanta daquela energia que está presente nos trabalhos de estúdio se mantém num concerto. Qual seria a expressão dos the body sobre a pressão do cumprimento das expectativas dos fãs que estão perante deles naquele momento à espera de ficarem surdos — no mínimo dos mínimos.
A realidade ficou muito além das expectativas.
Esqueçam qualquer comparação ou qualquer tipo de fantasia que possam conceber nas vossas mentes acerca daquilo que, de facto é, assistir um concerto dos body. Se são ignorantes ao ponto de achar que são capazes de imaginar essa experiência, o vosso cérebro está a pregar-vos uma grande partida. Em CD, os body são brilhantes. Ao vermos um vídeo deles, ficamos impressionados. Ao vivo, somos esmagados. Não só fiquei quase surdo, como também boquiaberto: the body ao vivo é uma experiência em nada igual a ouvirmos um cd deles. Somos envolvidos pelo som até ao ponto de não conseguirmos raciocinar. Uma espécie de nirvana alcançado através do ruído, um estado superior de consciência no qual não conseguimos pensar em mais nada porque, pura e simplesmente, o ruído não nos deixa pensar em nada. Mas o ruído dos body não é uma massa amorfa. São címbalos gigantes, a voz desesperada do Chip e a sua guitarra que ora toca notas claras, ora é transfigurada pelos seus moduladores sonoros.
Ao fecho desta redacção saiu nos media a notícia da próxima Amplifest Session, na qual vão atuar Mark Kozelek com o seu projeto Sun Kil Moon, Sumac e Mamiffer, estes dois últimos em estreia absoluta em Portugal. Por esta noite que aqui se relatou, por essa que se adivinha grandiosa e por muitas outras que entretanto já passaram, ficam as memórias e o desejo de mais uma vez agradecer à Amplificasom por continuar a proporcionar-nos noites como estas. Noites dedicadas aos fãs de música por oposição ao mercantilismo dos espetáculos musicais baseados em tabelas.
Deixo-vos apenas, em jeito de despedida, uma pergunta: