quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Reportagem: GOLD [Cave 45, Porto]


Na passada sexta-feira (1 de dezembro) os holandeses GOLD brilharam no palco da Cave 45 para abrir em altas o último mês de atividades da Home of Rock’n’Roll no Porto. O concerto do sexteto holandês era o primeiro dos dois em Portugal e na bagagem a banda trazia o mais recente e terceiro disco de estúdio Optmist – que contou com a produção de Randall Dunn (Sun O))), Earth, Ash Borer, Marissa Nadler) - e, consequentemente, uma performance que se esperava ser bastante intensa. Acompanhados de toda a instrumentação a que recorreram, os GOLD subiram a palco pelas 23h55 com "Images" de Nina Simon a fazer-se ouvir como hino de enquanto os músicos permaneciam parados e silenciosos em palco, escutando. Com a guitarra de Thomas Sciarone (ex-The Devil's Blood) a rasgar começamos a ouvir os primeiros acordes de "Sunder Thunder" que instalam na Cave 45 o ambiente do "post-everything" de trama negro, que a banda tem vindo a explorar ao longo dos últimos álbuns. 


GOLD

Formados em 2011, os GOLD começaram a destacar-se entre a comunidade da música underground com a edição de No Image, o segundo disco de estúdio, do qual apresentariam a enorme faixa "Old Habits", com Milena Eva a fazer ecoar sua voz vulnerável, dobrando as texturas obscuras de cada música consoante a sua vontade. Apesar da voz soar um pouco oprimida no meio de tanta instrumentação, a performance dos músicos em palco foi bastante notória e conduziu várias pessoas a soltarem os primeiros gestos de envolvimento com a música que os GOLD nos estavam a mostrar. Este novo disco, Optimist, foi lançado no mês de fevereiro pela Ván Records e para quem explorava ali as suas primeiras impressões tornou-se automaticamente um dos discos referência de 2017. Como diria a banda "A escuridão é o contexto da luz, portanto, há absolutamente luz no núcleo deste álbum", e o concerto soube transmitir esse conceito como já era espectável: música psicologicamente densa de toada sombria a iluminar todos os presentes na sala. 

Com "I Do My Own Stunts" a fazer escutar-se, os GOLD pilotaram o concerto para o grandioso momento de adrenalina que tanto se esperava e mantiveram os ânimos em auge com a evolução para singles como o icónico tema de abertura do disco "You Too Must Die", o brilhante e encantador "White Noise" e o cativante "No Shadow", completamente difícil de ignorar devido ao refrão que fica facilmente preso na cabeça. A verdade é que o concerto dos GOLD foi definitivamente um concerto de uma "post-everything dark rock band", ouviu-se post-rock, post-metal, post-punk e no fundo também post-nothing. O sexteto holandês soube mostrar que merece ser ouvido e, os aplausos e gritos calorosos vindo do público fizeram sentir isso mesmo, sempre que cada música tinha fim. 


GOLD

Os GOLD foram enormes e foi essa a sensação com que o público ficou pós-concerto, já com "Tear" a ouvir-se na despedida. Um concerto poderoso com cerca de 55 minutos de duração e já com um trago a saudades, uma vez que não houve encore. Milena Eva e companhia souberam matar as tentações como meio de sobrevivência e mostrar claramente que são uma das grandes bandas a destacar-se no panorama underground da atualidade. Foi absolutamente incrível. 

Mais uma vez um obrigado enorme ao pessoal da Cave 45 que nos últimos três anos deixou definitivamente uma marca na música alternativa ao vivo, no Porto. Até sempre.

GOLD [Cave 45, Porto]

Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Edu Silva

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terça-feira, 28 de novembro de 2017

GOLD + Soul Of Anubis esta sexta no Cave 45


Os holandeses GOLD vão marcar um dos últimos concertos do Cave 45 e é aquela oportunidade para poderem dizer aos vossos amigos que são fixes e que passaram pela sala (pelo menos uma vez) nos últimos três anos. Os GOLD têm a música adequada (uma banda de post-everything dark nunca desilude) e se forem mesmo darkwavers ainda podem ver os Soul Of Anubis que trazem metal progressivo à mistura. É assim uma noite dark underground mas toda a gente sabe que essas são as melhores noites.

É o seguinte, os GOLD trazem na bagagem o mais recente disco Optimist (2017) que é excelente para todos aqueles que procuram motivação para encarar a vida de uma forma mais positiva (lol, mas é verdade). Já os Soul Of Anubis trazem na bagagem o LP The Monsters Among Us e prometem quel momento de purga. A festa vai ser bonita pá. Venham todos.

O evento oficial é este aqui e os bilhetes custam 8€. Os concertos têm início às 22h30 com abertura de portas às 22h00.




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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Band Of Holy Joy de regresso a Portugal


É já nos próximos dias 3 e 4 de novembro que os Band Of HolyJoy regressam a Portugal para dois concertos (Lisboa e Porto). Com o lançamento do EP Brutalism Begins At Home, janeiro 2017, e o longa duração Funambulist We Love You, outubro 2017, muitas aparentam ser as novidades que a banda vai trazer a terras lusitanas. A tarefa de abrir o palco para a banda de Johnny Brown compete aos Quiet Afair.

O primeiro concerto realiza-se dia 3 de novembro no Sabotage em Lisboa, no dia seguinte (4 de novembro) a atuação será no Porto, na Cave 45. Ambos os concertos são promovidos pela Ilha dos Flamingos e têm como preço 10€ em compra antecipada e 12€ no próprio dia.



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sexta-feira, 30 de junho de 2017

Brant Bjork de regresso a Portugal com data dupla

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O californiano Brant Bjork, uma das principais figuras da cena de Desert Rock e ex-membro de influentes bandas como Kyuss, Fu Manchu, Che ou Mondo Generator, anunciou o seu regresso a Portugal em outubro com uma data dupla no Porto, na Cave 45, e em Lisboa, no RCA Club.
Estes concertos fazem parte da nova tour europeia do musico denominada Green Heen, que tem como objetivo apresentar o seu novo album, Tao Of The Devil, lançado em 2016 através da editora Napalm Records.
Para além da banda que acompanha o músico, podemos ainda esperar pela participação especial do músico convidado Sean Wheeler. Além das música do novo album, é esperado que o músico explore álbuns mais antigos como Jalamanta ou Gods and Goddess.
As datas do evento ficaram marcadas a 12 de outubro, no Porto, e no dia 13 de outubro, em Lisboa. Este concerto é promovido pela Garboyl Lives que brevemente irá anunciar mais informações sobre o concerto, como o preço dos bilhetes e as bandas de abertura dos respetivos concertos.

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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Foto-reportagem: Greenleaf + Stone Dead [Cave 45, Porto]

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No passado dia 2 de maio os Greenleaf passaram pela Cave 45, Porto, para promovoer o seu mais recente disco, Rise Above The Meadow, editado em 2016. Os suecos do stoner rock fecharam a noite depois de terem tocado anteriormente os portugueses Stone Dead com o seu álbum de estreia, Good Boys. A foto-reportagem do evento segue abaixo, pela lente de Ana Carvalho dos Santos. 

Greenleaf + The Stone Dead @ Cave 45

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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Foto-reportagem: 1000mods + Glowsun [Cave 45, Porto]

1000mods-glowsun-cave45

No passado dia 19 de abril fomos até à Cave 45, no Porto, assistir à atuação dos 1000mods, banda responsável por épicos álbuns como Super Van Vacation e Vultures. O concerto inseriu-se na tour europeia de apresentação do seu mais recente trabalho editado em 2016, Repeated exposure to...Os franceses Glowsun também passaram pela Cave. 

Fiquem com o registo fotográfico de Pedro Campos Pereira.

1000mods + Glowsun @ Cave 45

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Bob Log III começa esta semana a sua digressão nacional


Bob Log III, "One Man Show" que mistura delta blues com a rapidez do punk, vai iniciar amanhã a digressão nacional de apresentação do seu último álbum editado em 2016, Guitar Party Power

Os concertos do norte americano são considerados momentos de perfeita loucura, involvendo quase sempre a participação do público. A percussão, a slide guitar, o fato de homem-bala, o microfone no capacete, tudo se conjuga na perfeição para um concerto que ficará na memória dos presentes.

 

Consultem em baixo todas as datas da digressão nacional:

8 de fevereiro - Cave 45, Porto
9 de fevereiro - Stairway Club, Cascais
10 e 11 de fevereiro - Raiz Bar, Ponta Delgada
13 de fevereiro - Salão Brazil, Coimbra
14 de fevereiro - Bafo de Baco, Loulé

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sábado, 28 de janeiro de 2017

1000mods regressam a Portugal



Os gregos 1000mods estão de regresso a Portugal com duas datas: 19 de abril, na Cave 45, Porto, e no dia 20 de abril, RCA Club, Lisboa.

A banda responsável por épicos álbuns como Super Van Vacation e Vultures regressou recentemente à estrada com uma tour europeia planeada para apresentar o seu novo álbum Repeated exposure to.... Neste novo álbum a banda continua a utilizar riffs pesadões, uma bateria feroz e as epopeicas construções musicais que tão bem os carateriza.

Os bilhetes ainda não se encontram disponíveis para venda.


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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Os melhores concertos de 2016


Iggy Pop, Brian Wilson himself, Kendrick Lamar, Radiohead, LCD Soundsystem, dose dupla de Thee Oh Sees, entre tantos outros concertos memoráveis. Enfim, um ano para todos os gostos. A nossa redação elegeu aqui os concertos com os quais mais vibrámos ao longo de 2016.


Duarte Fortuna
1. Goat @ Milhões de Festa
2. The Heads @ Milhões de Festa/ Islam Chipsy @ FMM Sines
3. Maranha e Ferrandini @ Garagem Nova IMS
4. Ho99o9 @ Milhões de Festa/ Dan Deacon @ Milhões de Festa
5. Sun Araw @ Milhões de Festa / Fumaça Preta @ FMM Sines
6. Nicola Cruz @ Milhões de Festa / Filho da Mãe @ Casa da Avenida Setúbal
7. My Expansive Awarness @ Milhões de Festa
8. Los Pirañas @ FMM Sines
9. David Murray and The Infinity Quartet featuring Saul Williams @ FMM Sines
10. Sallim @ Casa da Cultura Setúbal

Edu Silva
1. LCD Soundsystem @ Vodafone Paredes de Coura
2. Nothing @ Cave 45
3. Kamasi Washington @ Casa da Música
4. Drive Like Jehu @ NOS Primavera Sound
5. Brian Wilson @ NOS Primavera Sound
6. Moderat @ NOS Primavera Sound
7. The Body @ Cave 45
8. Puce Mary @ Understage
9. Wrekmeister Harmonies @ Passos Manuel
10. Death in June @ Hard Club

Filipe Costa
1. Thee Oh Sees @ Vodafone Paredes de Coura 
2. Car Seat Headrest @ NOS Primavera Sound
3. Holly Herndon @ NOS Primavera Sound
4. Anohni @ Coliseu do Porto
5. LCD Soundsystem @ Vodafone Paredes de Coura 
6. Drive Like Jehu @ NOS Primavera Sound
7. Crystal Castles @ Hard Club
8. Kamasi Washington @ Casa da Música
9. Fat White Family @ Reverence Valada
10. Kaytlin Aurelia Smith @ Semibreve

Francisco Lobo de Ávila
1. Anohni @ Coliseu Porto
2. The Cure @ MEO Arena
3. PJ Harvey @ NOS Primavera Sound
4. Preoccupations @ Musicbox Lisboa
5. The Waterboys @ Festival Vilar de Mouros
6. Alex Cameron @ Café Au Lait
7. Alex Zhang Hungtai + Ferrandini + Maranha @ Café Au Lait
8. Iggy Pop @ Super Bock Super Rock
9. Steve Vai @ Hard Club
10. Mueran Humanos @ NOS Primavera Sound

Hugo Geada
1. Brian Jonestown Massacre @ Reverence Valada
2. Iggy Pop @ Super Bock Super Rock
3. Fat White Family @ Reverence Valada
4. Thee oh Sees @ Vodafone Paredes de Coura
5. Ty Segall/Dinosaur Jr @ NOS Primavera Sound
6. King Gizzard & The Lizard Wizard @ Vodafone Paredes de Coura
7. All Them Witches @ Sonic Blast Moledo
8. LCD Soundsystem @ Vodafone Paredes de Coura
9. Deafheaven @ Hard Club
10. Stoned Jesus @ Sonic Blast Moledo

Rui Gameiro
1. Floating Points @ NOS Primavera Sound
2. Protomartyr @ NOS Primavera Sound
3. LCD Soundsystem @ Vodafone Paredes de Coura
4. Thee Oh Sees @ Vodafone Paredes de Coura
5. Car Seat Headrest @ NOS Primavera Sound
6. Cass McCombs @ NOS Primavera Sound
7. Angel Olsen @ ZDB
8. Galgo @ Musicbox Lisboa
9. Soft Moon @ Musicbox Lisboa
10. Radiohead @ NOS Alive

Rui Santos
1. Arcade Fire @ NOS Alive
2. Brian Wilson @ NOS Primavera Sound
3. LCD Soundsystem @ Vodafone Paredes de Coura
4. The National @ Super Bock Super Rock
5. Radiohead @ NOS Alive
6. The Pretty Things @ Cave 45
7. Sigur Rós @ NOS Primavera Sound
8. Grimes @ NOS Alive
9. FIDLAR @ Super Bock Super Rock
10. Ty Segall @ NOS Primavera Sound

Sónia Felizardo
1. Corpo-Mente @ Entremuralhas
2. And Also The Trees @ Hard Club
3. Agent Side Grinder @ Hard Club
4. King Dude @ Entremuralhas
5. O.Children @ Hard Club

Tiago Farinha
1. Thee Oh Sees @ Vodafone Paredes de Coura
2. FIDLAR @ Super Bock Super Rock
3. A Place to Bury Strangers @ Reverence Valada
4. Ty Segall @ NOS Primavera Sound
5. Fat White Family @ Reverence Valada
6. Meatbodies @ Musicbox Lisboa
7. Rolando Bruno Y Su Orquesta MIDI @ Barreiro Rocks
8. White Fang @ Cave 45
9. Kikagaku Moyo @ ZDB
10. Angel Olsen @ ZDB

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sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Reportagem: Flyying Colours [Cave 45 - Porto]

Foi numa chuvosa noite de domingo (16 de outubro de 2016) que os australianos Flyying Colours subiram ao palco do Cave 45, naquela que foi a sua absoluta estreia em Portugal. Os Grainy Detours foram a primeira banda a subir ao palco com a sua mistura de pop rock jovial, uma doce pastilha elástica já mascámos demasiadas vezes antes. Um projeto com pernas para andar, mas que precisa de amadurecer e de se libertar das suas raízes.


Depois, foi a vez dos Flyying Colours. Os australianos que se encontram no roster da Club AC30, a casa de algumas das bandas que melhor figura têm feito na interpretação dessa tendência estilística que é o shoegaze. Destacamos do seu catálogo os Air Formation, os Ringo Deathstarr (ambos actuaram na primeira edição do Reverence Valada), os Pinkshinyultrablast e, é claro, os Flyying Colours. O percurso destes começou em 2013 com um EP — mais uma das bandas que surgiu nos anos da (re-)descoberta do shoegaze — e deste então editaram mais um EP, um LP este ano (o Mindfulness) e fizeram tours com os Pinkshinyultrablast, Brian Jonestown Massacre, A Place To Bury Strangers e o Johnny Marr. Serve esta resenha para mostrar que, no seu curto percurso enquanto banda, os Flyying Colours pouco ou nada têm a provar às massas em matéria de exposição mediática. 


Musicalmente, as comparações com as Lush, os Medicine e os My Bloody Valentine são um exercício inevitável. Quer em palco quer em estúdio, atestamos que os Flyying Colours usam os instrumentos para produzir camadas de ruído — por vezes a sua música em palco resume-se a ruído — o Brodie e a Gemma cantam a lírica saída de um qualquer período de escrita febril de um adolescente desajeitado e, no final, tudo resulta numa mistura homogénea entre voz e instrumentação. Homem e máquina trabalham em perfeita harmonia para produzir a derradeira camada de ruído. Esta é a base do shoegaze e é a partir dela que todas as explorações sonoras dos Flyying Colours derivam.


Apesar da música ser brilhante e da sua actuação no Cave 45 ter sido boa, a estreia dos Flyying Colours em Portugal não foi das mais positivas. A afluência ao concerto foi pouca, até mesmo para o evento de que se tratava: a estreia absoluta em Portugal de uma banda de shoegaze emergente (mais uma vez, um grande obrigado à MIMO por continuar a apostar na novidade e a manter os padrões de qualidade). Depois, a jovialidade de grande parte da audiência e a complexidade da mensagem que lhes estava a ser passada impediu que a banda conseguisse estabelecer com esta um diálogo, culminando no tal efeito de distanciamento cunhado por Brecht. Isto porque o shoegaze — um movimento envolvido e por vezes confundido com “a cena que se celebra a si mesma— continua a ser, à sua maneira, um sub-género controverso. Alguns esforços já estão a ser feitos para tentar cartografar o shoegaze, mas os limites deste movimento ainda não se encontram definidos. Mas para quê perdermo-nos em ruidosas discussões, quando podemos simplesmente perder-nos no ruído?


Flyying Colours @ Cave 45 - Porto

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quinta-feira, 7 de julho de 2016

Reportagem: Karma To Burn + Sun Mammuth [Cave 45 - Porto]


Na noite de 3 de julho de 2016 a Cave 45 decidiu prendar os seus visitantes com um serão dedicado a todos os apreciadores de stoner metal. 

Depois de ter sido o pior co-piloto da zona de Aveiro e ter feito o meu condutor perder-se pelo menos três vezes antes de chegarmos ao Porto e de ter tornado uma viagem que podia ter sido feita em quarenta minutos em pelo menos meia hora mais longa, foi um alívio quando entrei na Cave e dei de caras com uns amplificadores gigantes já montados e com os instrumentos espalhados em cima do palco.

O espaço não se encontrava com um grande número de pessoas, o completo oposto de uma lata de sardinhas, mas os indivíduos que estavam apresentavam boa disposição e vontade de ouvir musica. É isto que a Cave 45 oferece às pessoas.

Após um pequeno atraso (“Eles atrasaram-se a jantar”, explicava o senhor que nos entregava os bilhetes) os Sun Mammuth foram os primeiros a subir ao palco. António Magalhães (baixista), João Ferreira (baterista), Nuno Henriques (guitarrista solo) e Mário Fonseca (guitarrista ritmo) são quatro músicos de Lousada que prometem ter um grande futuro na cena stoner portuguesa.

Estes jovens que fazem parte da editora Pointlist, destacam-se do restante arsenal da editora pelo peso dos seus instrumentais e foram sem dúvida uma das surpresas da noite. Apesar de ainda não terem nada do seu trabalho disponível no spotify podem sempre dirigir-se à página de facebook deles ou ao seu bandcamp e comprovarem como é ficar agradável ao som deste quarteto português. Com uma postura humilde e simples (não tão simples como a pedaleira que apresentavam aos seus pés) estes subiram ao palco e deram início à festa.

Apesar de terem “Sun” no nome o astro que melhor os descreve é o planeta Vénus. A música deles apresenta uma aura mística e cósmica nas partes mais calmas. O público questiona-se sobre o que está a ouvir mas quer ainda mais. Mas claro que, como Vénus, a banda não é feita só de paisagens psicadélicas para serem apreciadas de olhos fechados pois quando menos esperamos e são ligadas as distorções, vulcões entram em erupção e sismos são sentidos no Japão.

Depois de uma atuação que não durou mais de uma hora, onde a banda apresentou o seu LP de estreia, Cosmo, estes despediram-se e agradeceram ao público, saindo de palco (depois de arrumarem os seus instrumentos). Missão bem sucedida. Grandes feitos esperam estes Mamutes de Lousada.


A Cave da casa já estava mais composta quando os Karma to Burn ainda montavam o seu estaminé. Era com água na boca e com um fino na mão que aguardava por um concerto que prometia ter tudo para ser memorável.

Karma to Burn é uma banda de Morgantown que fica em West Virginia, sendo das mais influentes da cena instrumental do Stoner Metal. Eles contam com William Mecum como único membro de origem da banda e como seu líder. Após acabar de afinar a última corda desafinada da sua guitarra, mandou uma cabeçada numa coluna que estava afixada no tecto, e saiu do palco para ir pedir um fino. Esta postura despreocupada e descontraída verificou-se durante todo o concerto. Sem grandes aparatos, merdas ou pedaleiras gigantes, tive oportunidade de assistir a uma hora e meia de um recital de música pesada.

Robert Mechum é um gigante no palco. Sem os maneirismos típicos de um exibicionista vocalista mas com uma inabalável confiança, todos os olhos estavam postos na sua guitarra. A primeira música que a banda tocou foi “Eight” e foi acompanhado por um headbang geral. O trio não precisou de pedir permissão a ninguém para meter a casa abaixo. Durante todo o concerto este dominou as hostes. Com um estilo simples e pratico, contudo efectivo, Robert Mechum certamente não deixou ninguém decepcionado.

Durante o concerto tivemos oportunidade de ouvir grande parte da discografia da banda desde os primeiros três álbuns da banda, homónimo (1997), Wild Wonderful Purgatory (1999) e Almost Heathen (2001) mas também houve tempo para os dois mais recentes trabalhos, Arch Station (2014) e Mountain Czar (2016).


A secção rítmica da banda, apesar de não ser tão extrovertida como o guitarrista, compensava com a mestria de como dominavam os seus instrumentos. A sincronização era uma beleza de ser apreciada. É sempre bom assistir a concertos onde os músicos que estão em cima do palco dominam a sua arte.

Após acabarem de beber as suas Super Bock e as bebidas brancas oferecidas por um dedicado fã a banda decidiu retirar-se de palco, contudo perante uma plateia efusiva de fãs que aclamavam por mais estes acabaram por ceder e tocaram ainda mais uma música para os fãs. Tanto os fãs como os músicos acabaram por ficar satisfeitos com este encore.

Após o concerto tive oportunidade de agradecer à banda de West Virginia (de uma forma um pouco atabalhoada dado o facto de ainda estar a processar o concerto que tinha acabado de ouvir) pelo enorme concerto e elogiar a sua performance. De forma rápida mas sentida este apertou-me a mão. Atitude de um músico de verdade.

Texto: Hugo Geada

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sábado, 4 de junho de 2016

Karma to Burn com duas datas em Portugal


Karma to Burn, a experiente banda de stoner/desert rock irá estar presente em Portugal nos dias 3 e 4 de julho, respectivamente, no Porto na Cave 45 e em Lisboa no Stairway Club.

A banda americana natural de Hicksville, West Virgínia, formada em 1997 conta já com sete álbuns em estúdio, incluindo Mountain Czar lançado a 26 de Fevereiro deste ano. Estes homens são conhecidos pela sua abordagem direta e bruta de fazer música inteiramente instrumental.

O preço dos bilhetes no Starway Club se forem comprados de forma antecipada ficam a 9€, à porta ficam a 12€, todavia, o preço dos bilhetes para a Cave 45 ainda não foram divulgados.

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segunda-feira, 23 de maio de 2016

White Fang + Tomorrows Tulips + Sunflowers + 800 Gondomar - 25 de maio


A próxima quarta-feira vai ser épica para os lados da Invicta. Isto Porquê?

Temos os californianos Tomorrows Tulips, banda que esteve presente em 2013 no país e traz assim na bagagem o LP When e o mais recente EP, iNdy rock royalty comb, até ao Café au Lait, onde a primeira parte ficará a cargo de Sunflowers.


Temos os também americanos White Fang, que no ano passado lançaram Chunks via Gnar Tapes, na CAVE 45 no Porto, acompanhados pelos portuenses 800 Gondomar, que vão abrir a noite com o seu habitual garage cru. 


Isto é ainda mais incrível pois, por apenas 10€, podemos ver estas 4 bandas a atuarem. Esta expedição L&L/Revolve tem início no Café Au Lait e termina no CAVE 45. Os horários das atuações estão disponíveis abaixo:

22:00 The Sunflowers @ Café Au Lait
23:00 Tomorrow's Tulips @ Café Au Lait
00:00 800 Gondomar @ Cave 45
00:45 White Fang @ Cave 45

O bilhete único (10€) está disponível na BOL e o referente a cada concerto no dia, à porta.

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quarta-feira, 11 de maio de 2016

Reportagem: Full of Hell + the body [Cave 45 - Porto]

No passado dia 26 de Abril, teve lugar no Cave 45 mais uma das sessões que antecede o Amplifest, um festival que é cada vez mais uma referência no que toca a ilustrar o que de melhor se faz/fez no panorama do metal. Nesse serão, os Full of Hell voltaram até à cidade do Porto e fizeram-se acompanhar dos the body.

E como correu essa noite? 


Bem…primeiro subiram a palco os Full of Hell. Os norte-americanos incorporam na sua arte todas as características da santíssima trindade do grind: tocam rápido, alto e carregam na distorção. Os vocals, esses não enganam: são roubados ao death metal. E nesta digressão, trazem um novo álbum na bagagem — o Amber Mote in the Black Vault — que é exactamente igual a todos os restantes álbuns anteriores dos Full of Hell: um gajo aos berros sobre cenas angustiantes, uma instrumentação furiosa e uma sensação de profundo niilismo a acompanhar tudo isto. Tudo coisas de que nos gostamos, portanto. E, sem surpresas, devo dizer que foi um concerto do caralho. Para mim, foram melhores que no Amplifest 2015 e a porrada foi maior, sem sombra de dúvidas. Uma coisa é ver Full of Hell da plateia, outra completamente diferente é vê-los ao nosso nível, separados apenas pelas colunas que debitam a sua grotesca mensagem.



Mas os Full of Hell nós já conhecíamos O que dizer dos body?


Chip King e Lee Buford são os body, uma das maiores instituições do noise atual. Em 17 anos de carreira, eles já colaboraram com alguns dos maiores nomes do metal atual — aliás, a sua colaboração mais recente é precisamente com os Full of Hell — e somam entre EPs LPs e álbum colaborativos mais do que uma quinzena de trabalhos. Eles eram a grande surpresa da noite: primeiro, por serem uma estreia absoluta; segundo, porque as expectativas eram altas. Queríamos todos nós — os fãs — testemunhar quanta daquela energia que está presente nos trabalhos de estúdio se mantém num concerto. Qual seria a expressão dos the body sobre a pressão do cumprimento das expectativas dos fãs que estão perante deles naquele momento à espera de ficarem surdos — no mínimo dos mínimos.

A realidade ficou muito além das expectativas. 


Esqueçam qualquer comparação ou qualquer tipo de fantasia que possam conceber nas vossas mentes acerca daquilo que, de facto é, assistir um concerto dos body. Se são ignorantes ao ponto de achar que são capazes de imaginar essa experiência, o vosso cérebro está a pregar-vos uma grande partida. Em CD, os body são brilhantes. Ao vermos um vídeo deles, ficamos impressionados. Ao vivo, somos esmagados. Não só fiquei quase surdo, como também boquiaberto: the body ao vivo é uma experiência em nada igual a ouvirmos um cd deles. Somos envolvidos pelo som até ao ponto de não conseguirmos raciocinar. Uma espécie de nirvana alcançado através do ruído, um estado superior de consciência no qual não conseguimos pensar em mais nada porque, pura e simplesmente, o ruído não nos deixa pensar em nada. Mas o ruído dos body não é uma massa amorfa. São címbalos gigantes, a voz desesperada do Chip e a sua guitarra que ora toca notas claras, ora é transfigurada pelos seus moduladores sonoros.

Ao fecho desta redacção saiu nos media a notícia da próxima Amplifest Session, na qual vão atuar Mark Kozelek com o seu projeto Sun Kil Moon, Sumac e Mamiffer, estes dois últimos em estreia absoluta em Portugal. Por esta noite que aqui se relatou, por essa que se adivinha grandiosa e por muitas outras que entretanto já passaram, ficam as memórias e o desejo de mais uma vez agradecer à Amplificasom por continuar a proporcionar-nos noites como estas. Noites dedicadas aos fãs de música por oposição ao mercantilismo dos espetáculos musicais baseados em tabelas. 

Deixo-vos apenas, em jeito de despedida, uma pergunta:

Para quando os Thou?

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sábado, 23 de abril de 2016

White Fang e 800 Gondomar no CAVE 45


Os americanos White Fang, que no ano passado lançaram Chunks via Gnar Tapes, vão passar pelo CAVE 45 no Porto, a 25 de maio. A acompanhar a banda de Portland vão estar os portuenses 800 Gondomar, que vão abrir a noite com o seu habitual garage cru neste evento curado pela Lovers & Lollypops.

Os bilhetes estarão disponíveis brevemente nos sítios habituais, pelo preço de 8€. As portas do CAVE 45 abrirão às 22h00, com os 800 Gondomar a iniciar as celebrações do Corpo de Deus às 22h30.


White Fang



800 Gondomar

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sexta-feira, 22 de abril de 2016

Passatempo: Ganha bilhetes para The Body e Full of Hell na Cave 45, Porto



Os norte-americanos The Body e os compatriotas Full of Hell ficaram responsáveis pelo aquecimento para o Amplifest, festival que ocorre no fim de semana de 20 e 21 de agosto, marcado pela estreia dos históricos Neurosis em Portugal. Este aquecimento dá pelo nome de Sessions, mais concretamente Amplifest Sessions, as quais vão decorrer de 25 e 26 de Abril, em Lisboa, Musicbox, e no Porto, Cave 45, respectivamente.

Estamos perante duas das bandas que mais têm alargado fronteiras na música extrema, explorando de forma aventureira as zonas cinzentas dos géneros por onde rasgam e explodem, e que se preparam para editar o primeiro álbum colaborativo One Day You Will Ache Like I Ache, sob a égide da Neurot Records.

Cada banda actuará separadamente, para atestar a demolição sonora a ser erigida no álbum que assinarão conjuntamente. Os bilhetes para os concertos custam 10€ para quem apresentar ingresso para o Amplifest na altura da compra e à porta, e 15€ para os demais.

Em parceria com a Amplificasom, temos duas entradas simples para oferecer para o concerto na Cave 45, Porto. Por isso se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:

1- Seguir a Threshold Magazine e o Amplifest no facebook.



2- Partilhar o passatempo no facebook em modo público e identificar dois amigos na publicação. Utilizem o botão de baixo para facilitar a partilha.

O passatempo acaba no dia 25 de Abril,às 23:59 e os prémios serão sorteados de forma aleatória através da plataforma https://www.random.org/.

Actualização:

Os vencedores do passatempo são Nuno Jordão e Rui P. Andrade.


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