sábado, 9 de março de 2019

Oiçam: Dullmea

© José Caldeira
Dullmea é o projeto de música a solo de Sofia Faria Fernandes que faz uso da voz e de um circuito electrónico de pedais, improvisando sobre estruturas previamente compostas. A artista formou-se em música como violinista na Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, sob a orientação da professora Amandine Beyer e fez parte de várias orquestras clássicas sob a direcção de inúmeros maestros relevantes. A juntar ao seu leque de atividades, Sofia também compõe música para teatro e outros tipos de performance.

Foi em abril de 2016 que Sofia Faria Fernandes criou o pseudónimo Dullmea, tendo produzido e editado nessa mesma altura o seu álbum de estreia, Keter, calorosamente recebido por rádios internacionais (Alemanha, Suíça) e críticos como Jonathan Levitt (Nova Zelândia). Dona de uma sonoridade minimalista e bastante experimental, Dullmea procura envolver os ouvintes numa escuta mais participativa e menos passiva. Em 2018 atuou em vários países como Espanha, Holanda, Brasil, Alemanha e Dinamarca, tendo passado também pelo nosso tão querido ZigurFest (Lamego).



Após dois anos de laboratório, surgiu em janeiro deste ano Hemisphaeria, um mundo que se criou a si próprio e se transformou em narrativa.


Produzido e editado com o apoio da fundação GDA, Hemisphaeria está organizado em dois hemisférios: um políptico de seis andamentos e um tríptico. Composto por camadas e espirais que se acrescentam, se modificam e chegam a um sítio que quer chegar a outro sítio, onde a presença de luz é intermitente. Uma 'canção sem palavras' feita de fragmentos de uma língua perdida, de uma multidão.

Este novo trabalho de Dullmea foi recentemente apresentado em São Paulo e Berlim, e poderá ser escutado em Copenhagajá no próximo dia 18. Entretanto, podem também ouvir na íntegra Hemisphaeria, disponível no Bandcamp da artista.

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segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Oiçam: ADW


ADW é composto pelos produtores portugueses João Rochinha (UNITEDSTATESOF, PURGA e Monkey Flag) e David Ferreira (Stury B. e ex-Monkey Flag). Com génese em julho de 2018, o duo tem uma abordagem única ao beatmaking hip-hop combinando sampling inventivo, paletes de som loucamente variadas, bass que não perdoa e um sentido de ritmo a roçar o esquizofrénico. A junção destes elementos com o enorme leque de influências de ambos, levam à criação de bangers energéticos, imprevisiveis e com poucos similares em Portugal.

Mixtape I é a "mixtape que mais sampla avant-garde dos anos 80 de sempre. Pelo menos vinda do Seixal". É assim que os ADW descrevem o seu trabalho de estreia em entrevista ao Rimas e Batidas. Recorrem ao DAW (Digital audio workstation) para compor tudo apenas com instrumentos virtuais, usando também samples do Rochinha a tocar guitarra e de alguns amigos a cantar. Sentem que em Portugal há pouco espaço para o hip hop de vertentes mais experimentais, pretendendo suprimir essa lacuna.

Mixtape I foi editado a 28 de novembro e é composto por sete faixas. "DYEF" foi o primeiro single e até teve direito a um videoclip, o qual pode ser visualizado em baixo.


Se gostam de Jpegmafia, Death Grips, Earl Sweatshirt, Kendrick Lamar, Machine Girl, Danny Brown, Skepta, DJ Rashad, MF DOOM e Sporting Life, oiçam então Mixtape I, disponível para audição gratuita no bandcamp dos ADW.

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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Oiçam: Orbel


Foi em maio deste ano que os dinamarqueses Orbel lançaram o seu primeiro EP de carreira, Beyond There, disco que navega entre dois mundos escuros, impulsionado pelo lirismo e emoções trágicas. Em Beyond There os Orbel vão buscar influências ao rock clássico às quais juntam, de forma ténue, por vezes a brutalidade do doom, por vezes as paisagens calmas e densas do post-rock, por vezes apenas uma atmosfera imersiva.

Depois dos vídeos para os temas "Half" e "The Coward", além de uma primeira tour pela Europa, os Orbel apresentam-nos agora uma versão ao vivo do tema "Gorputzak", uma malha de desenvolvimento lento e baseado na repetição que é vocalizada num tom de voz ritualístico e hipnotizante. Se são fãs de nomes como Chelsea Wolfe, Emma Ruth Rundle, Shannon Wright, THOT, entre outros, certamente que os Orbel terão espaço na vossa playlist. Ora vejam:


A banda encontra-se neste momento a trabalhar no disco longa-duração de estreia que deverá sair para o próximo ano. Até lá aproveitem para ouvir Beyond There na íntegra, abaixo. Se quiserem podem também fazer download do disco digital no Bandcamp, através da modalidade name your own price.




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quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Os They Called Him Zone querem amor

A banda britânica de electro-rock, They Called Him Zone lançou recentemente o seu novo single "I Want Love", o primeiro de uma série de temas que serão disponibilizados para venda exclusiva em formato digital. Este novo "I Want Love", composto pelas guitarras rasgadas do rock da década passada e a aura fuzz mais contemporânea, conduz-nos até aos territórios de bandas como Black Rebel Motorcycle Club, juntando-lhes ainda um toque sombrio bastante característico.

"I Want Love", lançado no passado dia 15 de outubro é o primeiro lançamento dos They Called Him Zone em cerca de doze meses. Podem aproveitar para ouvir o novo tema abaixo.


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domingo, 28 de outubro de 2018

Oiçam: Cosmic Mass

oicam-cosmic-mass

Oriundos de Aveiro e com o rock como segunda natureza, os Cosmic Mass emergem de Aveiro com doses substanciais de psicadélia a rasgar, por via de, segundo os próprios, "riffs pesados e melodias hipnotizantes". Para além das influências que partem tanto da golden age do rock psicadélico (Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Cream), como da "nova" guarda (Queens of the Stone Age, King Gizzard and The Lizard Wizard), os membros da banda também possuem uma destreza instrumental que resulta em trips sonoras igualmente alucinantes e cativantes, e uma química significativa entre os mesmos, tanto em estúdio como ao vivo. No seu percurso, destacam-se as presenças em eventos como o Festival À Porta (Leiria) e a primeira parte de concerto de bandas como os Boogarins.

Estando prestes a lançar o seu álbum de estreia, de seu nome Vice Blooms, os Cosmic Mass lançaram há pouco tempo o seu novo single com o mesmo nome, que podem ouvir no vídeo em baixo.




"Vice Blooms" revela-se desde o início como uma tremenda introdução ao som da banda, levando o ouvinte a uma viagem vertiginosa, intercalada com mudanças de dinâmicas, riffs poderosos, solos frenéticos, e vocais de impor respeito, tudo moldado numa mistura muito catchy. Mais importante, estes meninos revelam um tremendo potencial dentro dos cânones da música psicadélica atual feita por cá. Esperemos para ver se as previsões acerca da banda se tornarão realidade na hora de ouvir Vice Blooms na íntegra, a ser lançado em breve.

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sábado, 28 de julho de 2018

Oiçam: Lascaille's Shroud


Basear o conceito de um álbum numa história de ficção científica não é algo revolucionário e mesmo no mundo do heavy metal existem inúmeros exemplos notórios, como os Vektor ou Ayreon. Ainda assim, a forma como Brett Windnagle o realiza, através do seu projeto Lascaille’s Shroud, merece ser destacada.

O multi-instrumentista americano é o cérebro de toda a operação, tratando não só de todos os instrumentos e trabalho de produção mas também das narrativas abordadas nos seus discos. O nome do projeto deriva de uma anomalia espacial construída por seres alienígenas nos livros da saga Revelation Space, do autor galês Alastair Reynolds, e Brett acaba por se inspirar não só nestas obras mas também nos videojogos Mass Effect e outros livros, como Ring de Stephen Baxter, abordando diversas temáticas como nanotecnologia e inteligência alienígena. Quanto à sonoridade explorada, podemos classificar a música como death metal progressivo e, acima de tudo, épico, com composições habitualmente longas e repletas de detalhes.


Em 2012 lançou o primeiro EP, Leaving Earth Behind, com 5 faixas e uma duração de 45 minutos, demonstrando de imediato a sua incrível capacidade em criar mundos futuristas. No ano seguinte editou Interval 01: Parallel Infinities - The Inner Universe, o primeiro capítulo de uma história que viria a ser terminada em 2014 com Interval 02: Parallel Infinities - The Abscinded Universe


Ambos os álbuns podem ser uma audição pesada para a maioria dos ouvintes devido à sua extensiva duração (72 e 123 minutos), mas a consistência de cada uma das composições e o facto de nunca deixarem de ser desafiantes e envolventes ajudam a ultrapassar esta barreira. A tensão de cada peça é desenvolvida com um ritmo apropriado e a manipulação da sua dinâmica é outra característica forte de Brett. Os seus vocais ríspidos são ocasionalmente acompanhados por vozes mais melódicas de convidados do músico e, além de todos os riffs e solos presentes em abundância, existem também secções com piano e orquestrações mais clássicas. A produção é outro ponto essencial do projeto, conseguindo criar um ambiente spacey que facilmente nos envolve no universo das suas aventuras através de guitarras consistentes, samples de videojogos e uma clareza vocal inesperada para uma produção “caseira”. Ambos os álbuns podem ser descarregados gratuitamente no Bandcamp do projeto.

Em 2016 foi editado The Roads Leading North, com dois discos, cerca de 128 minutos de duração e voltando a abordar uma história original de Brett. O músico conseguiu desta vez editar uma versão física do álbum e produzir algum merchandising através de uma campanha de crowdfunding, demonstrando que o projeto tem uma pequena legião de fãs acérrimos. Este ano promete ser um dos mais produtivos do grupo com o prometido lançamento do quarto longa-duração, desta vez baseado num livro e composto por uma única peça de cerca de 40 minutos, mas também com o anúncio de planos para um quinto e sexto álbuns.

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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Oiçam: Lagüna

© Dorien Buys

A Bélgica tem ganho uma comunidade musical bastante ativa na cena do post-punk, nos últimos anos (com bandas como Whispering Sons, Charnier, Fornet, Animal Youth, entre outros, a alcançarem renome a nível internacional). Hoje tiramos tempo para vos apresentar mais uma das bandas que nasce no seio do país, igualmente inseridos no panorama underground da cena post-punk/shoegaze, os Lagüna

O quinteto belga segue em destaque no nosso radar pelo lançamento do primeiro single oficial de carreira, "Amber Hands", que chegou às plataformas digitais a 25 de maio. Nascido entre a combinação de uma voz de luto, sintetizadores monumentais, um ritmo propulsante e guitarras estridentes a servirem como melodias de esperança, é entre as paisagens e atmosferas sombrias que a sonoridade dos Lagüna nos conduz. "Amber Hands" é uma mistura entre as guitarras dos Viet Cong, as melodias dream-pop dos DIIV e a própria identidade da banda. Para perceberem melhor este conceito é só clicar no play abaixo.


Formados em 2017, inicialmente em formato trio, os Lagüna são atualmente compostos pela voz de Niels Elsermans (ex-Melting Time), o baixo de Naomi Bentein (ex-Melting Time), a guitarra e sintetizadores de Xavier De Clercq (Ivy Falls, Poolside Studio), a bateria de Alfredo Bravo Ebner (Flying Horseman, Slumberland) e a guitarra de Mauro Bentein (ex-Melting Time).

Quanto a novidades, além deste mais recente single, o quinteto belga encontra-se neste momento a trabalhar no primeiro EP da carreira - que é esperado chegar às prateleiras entre os meses de setembro e outubro, cerca de um ano depois de terem dado o seu primeiro live showOs Lagüna têm para já agendados concertos na Bélgica e na Holanda para apresentar o EP de estreia, percorrendo o resto da Europa em 2019. Todas as informações adicionais serão divulgadas adiante na página de Facebook da banda

Fiquem sintonizados.




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sábado, 31 de março de 2018

Oiçam: O Lendário Homem do Trigo


O Lendário Homem do Trigo é o projeto fruto da mente irrequieta de Hugo Correia, multi-instrumentalista nascido em Trás os Montes e com carreira firmada com passagens como compositor em vários nomes como Fadomorse e Só Vicente. No seu portefólio também se contam uma parceria com a Orquestra das Beiras, e colaborações com a companhia de Teatro de Aveiro Efémero e com o GrETUA - Grupo Experimental de Teatro Universitário de Aveiro, como compositor de bandas sonoras de vários espectáculos.

No papel d'O Lendário Homem do Trigo, Hugo Correia pega numa palete com várias influências, da Música Académica ao Folclore passando pela Música Popular Urbana e Jazz, e faz uma fusão interessante com música ambient e eletrónica, tendo vários instrumentos tradicionais e eléctricos que são então usados em conjunto com sintetizadores e samplers para criar texturas sonoras que se sobrepõem gradualmente, até formarem um som uno e coeso. Tudo isso em prol de uma atmosfera muito própria que, no geral, tem tanto de campestre como de espacial.



Neste momento, o projeto conta com dois registos: Ninho, de 2015, e O Futuro Tem Mais de Cem Anos, editado este ano e o pretexto para uma série de concertos. Em jeito de cartão de visita, deixamo-vos com a faixa vencedora do concurso Carlos Paredes Revisitado 2015 em cima, assim como as canções do primeiro álbum.


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terça-feira, 20 de março de 2018

Oiçam: The Lost End


Fãs de Interpol, Editors e do rock mais obscuro? Então o som dos norte-americanos The Lost End é capaz de ser uma boa surpresa para vocês. O quarteto composto por Ryan Taylor (voz), Scott Jones (guitarra), Brian Daniel (baixo) e Trevor Helm (bateria) formou-se no início do Inverno de 2016 e começou a dar agora os primeiros passos no mercado da música com a primeira edição, o homónimo The Lost End que chegou à prateleiras no passado dia 17 de fevereiro.

Fãs assumidos de bandas como Siouxsie and the Banshees, Joy Division, Bauhaus, entre outros, os The Lost End aplicam nesta estreia um rock camaleónico que apresenta algumas influências do post-punk claramente audíveis em músicas como "Viking Attack" ou "Bending Minds". Além destas recomenda-se ainda a audição de temas como "Signs That Guide" e o poderoso tema de encerramento "As a Ghost".

The Lost End foi gravado e misturado por Trent Bell no Bell Labs e o processo de composição deu-se entre dezembro de 2016 e junho de 2017. O disco pode ser ouvido na íntegra abaixo.



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sábado, 10 de fevereiro de 2018

Oiçam: Moon Hooch

© Kenneth Kearney


Ativos desde 2010, os norte-americanos Moon Hooch, compostos por James Muschler (bateria e percussão), Mike Wilbur (vocais, saxofone tenor, clarinete e flauta) e Wenzl McGowen (saxofone tenor e barítono, clarinete contrabaixo e EWI), apresentam uma vertente extremamente enérgica de nu jazz repleta de influências da cena eletrónica e que deverá agradar a fãs de Snarky Puppy, Pink Freud, Jaga Jazzist ou Too Many Zooz.

Após se conhecerem na The New School for Jazz and Contemporary Music de Nova Iorque em 2010, os elementos que viriam a dar origem ao grupo começaram a realizar apresentações improvisadas em frente do Metropolitan Musem of Art e em estações do metro de Nova Iorque. A energia das suas atuações levou a que fossem proibidos de tocar na estação de Bedford pela NYPD, devido à enorme afluência de pessoas que acabavam por entupir a zona de espera e também pelo risco associado a imensas pessoas a dançar junto às linhas das carruagens.


A banda acaba por conseguir lançar o seu primeiro disco em 2013, sendo esta obra homónima uma bela demonstração da vontade do grupo em se distanciar do jazz mais convencional, com uma sonoridade baseada no saxofone e a percussão muito orientada para a dança. Ainda assim, apenas no ano seguinte, com a edição do seu segundo disco This Is Cave Music, é que vemos o grupo a verdadeiramente criar o seu nicho estilístico, com a adição de sintetizadores, vocais e trabalho de pós-produção às suas composições, conseguindo ainda distinguir-se leves influências de metal e hip-hop. Em 2016, o seu terceiro disco intitulado Red Sky continuou a desenvolver esta fórmula única.

No ano passado a banda lançou o seu primeiro registo gravado ao vivo (Live At The Cathedral) e ainda um EP (The Joshua Tree) que pode ser descarregado gratuitamente no site do grupo, sendo uma introdução apropriada à sua sonoridade. De destacar também o trabalho dos seus membros relacionado com causas ambientais, como o seu blogue Cooking in the Cave ou os seus esforços para serem uma banda carbon neutral aquando das suas viagens em tour.

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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Oiçam: Chevalier de Pas


Simão Reis, mais conhecido pelo seu projecto Chevalier de Pas (nome adoptado do primeiríssimo pseudónimo de Fernando Pessoa), é um promissor talento a dar passos para singrar no panorama musical nacional, já a contar com experiência enquanto membro dos Just the Tip e dos Sid. Com uma predileção pelas sonoridades mais psicadélicas, ele admira e tem como referência para o seu estilo próprio músicos como Jimi HendrixJohn Frusciante (ex-guitarrista dos Red Hot Chili Peppers), Connan Mockasin e AIR.




O seu estilo é uma ode às guitarras e sintetizadores com queda para as vibrações psicadélicas, com espaço para passagens de electrónica, jazz e pop, e do ponto de vista conceptual, as suas músicas revelam uma queda para o storytelling, com as suas letras a abordar temas como amor, sorte, sexo e a vida no geral. Só no ano passado, Chevalier de Pas contou com dois EPs (Naked Knight e Sad Guru) e dois álbuns (Getting Eye e Captain Love and Other Stuff). 




O jovem músico mantém essa rotina de trabalho bastante atarefada, lançando faixas não só do seu projecto a solo (como a que se pode ouvir em cima no vídeo), mas também das suas outras bandas, e planeando ainda outro álbum a solo, de nome Jasmin. Para fãs de projectos como Ariel Pink e John Maus, Chevalier de Pas é um nome a ter em conta.

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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Oiçam: NU

© Ita Cardoso

Os NU lançaram em setembro de 2016 o seu primeiro registo de estúdio, o curta-duração Sala de Operação nº338, tendo surgido como resultado do projeto colaborativo Concertos Públicos, um coletivo informal que organizou uma série de concertos cujo principal objetivo era criar a oportunidade dos músicos de Santo Tirso - cidade de onde são oriundos - se juntarem e colaborarem num concerto único de abertura à banda principal. Apontando como principais influências na sua sonoridade bandas como Swans, Einstürzende Neubauten, Mão Morta, entre outros, além de todo o movimento surrealista e construtivismo russo, os NU definem-se como "uma banda de rock experimental com um trabalho multidisciplinar que funde na música elementos de outros medium, como a literatura, o vídeo e a performance"

O primeiro registo Sala de Operação nº338, vem já denotar este engenho em explorar elementos como a spoken word e o caos, entre outros, dentro de um ambiente essencialmente rock de características por vezes stoner, ora artísticas e avant-garde. Composto por uma faixa única, com cerca de 17 minutos de duração, os NU tão depressa soam a Ermo (resultado da voz dramática de Rui Almeida), como a uns Black Sabbath na sonoridade resultante, uma mistura um quanto promissora. 



Mais recentemente, em outubro de 2017 a banda de Santo Tirso lançou cá para fora um novo single, "Lunar Caustic", desta vez encurtado a cerca de cinco minutos e com uma componente jazzística bastante mais denotada. O saxofone de Manuel Neto passa a pano central e as guitarras ecoam uma sonoridade completamente aditiva. Os NU até podem ter ficado um bocadinho de fora dos holofotes da música nacional nos últimos tempos, mas se há coisa que "Lunar Caustic" mostra é que merecem ser falados e, acima de tudo, ouvidos.



Até à data não são conhecidas informações sobre um novo registo de estúdio. Os NU vão dar um concerto no próximo dia 9 de fevereiro no Will's Rock Club em Lousada. As informações adicionais podem ser encontradas aqui.

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sexta-feira, 21 de julho de 2017

Other States lançam vídeo oficial para "My Beau"


Oriundos de Brighton os Other States são um sexteto que começa agora a dar as primeiras pisadas na sua discografia. Depois de terem lançado o primeiro single oficial em junho, "My Beau", que traz semelhanças a algum do trabalho de Nick Cave a banda que une Mark. S. Aaron (voz principal) Mike Lord (piano, voz secundária) Cameron Dawson (baixo) Max Numajiri (guitarra) Chris Boot (bateria) e Lb - (percussão, voz secundária) apresenta agora o trabalho audiovisual para o lado B do single de 7'' "Make Amends/My Beau".

O projeto teve início durante uma viagem de 10 horas entre Dallas e El Paso, enquanto o teclista Mike Lord estava a a trabalhar como engenheiro de som numa tour mundial para as lendas post-punk The Cure. Ao juntar-se a Mark Aaron, os Other States ganharam vida enquanto as ideias das músicas preenchiam um bloco de notas  numa viagem de autocarro ao exterior americano, que inspirou as visões pecaminosas e contos góticos, agora apresentados neste primeiro tema da banda. O vídeo de "My Beau" simula as sensações sentidas durante essa viagem, por forma a colocar o ouvinte no mesmo processo e patamar dos músicos. Podem ver o resultado ali em baixo.




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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Oiçam: El Señor


Os El Señor são um trio nortenho de surf rock, a mais recente aquisição da Pointlist para a sua família. Compostos por Guilherme (guitarra e voz), Michel (baixo) e Vitor (bateria), a banda fafense já conta com uma mão cheia de concertos, espalhados um pouco por todo o nosso pequeno país. O seu primeiro registo, Alvorada Beat, foi editado oficialmente esta semana. Este EP está disponível em baixo para audição via Bandcamp, onde também o podem comprar por uma quantia simbólica. 

Alvorada Beat são 5 faixas de uma sonoridade solarenga, o típico rock dedicado ao verão, que dá para ouvir bem na praia enquanto se bebe uma bebida fresquinha. Nesta lista podemos destacar as músicas "Dragging Smiles" e "Alvorada Girl", que se sobressaem um pouco do resto do EP (mas não muito). O video da última faixa mencionada está disponível em baixo. Vejam e oiçam.





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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Oiçam: GNU VAI NU


Se procuram por novos projetos no panorama português e por acaso até são fãs de música eletrónica, então experimentem ingressar pelas ondas sonoras de Platronic, o disco de estreia do trio lisboeta GNU VAI NU. Através de uma filosofia muito Do It Yourself, que engloba desde a composição até ao mix final, a banda apresenta um disco completamente instrumental e dotado de uma electrónica com certos traços minimalistas.

Composto por seis faixas, nesta estreia sobressaem ao ouvido sobretudo os singles "Tangerine Tree" e "Skeletons in the 5th Floor". Platronic foi editado oficialmente a 7 de fevereiro e encontra-se disponível para download gratuito via bandcamp ou aqui. Oiçam o disco completo ali em baixo.

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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Oiçam: Sierpien


Os Sierpien, banda oriunda de Moscovo, na Rússia, tem apenas editado um álbum, mas apresentam já uma energia invejável e uma música recheada de ritmos do post-punk que não são assim tão facilmente explorados pelas bandas da atualidade. Formados em 2014 pelo músico Artyom Burtsev (que faz parte de projetos paralelos nomeadamente Pora Konchat, Ozhog e Santim), os Sierpien são atualmente uma banda completa que, curiosamente, conquistou mais público pela Europa e Estados Unidos do que na sua terra natal.

No mesmo ano de formação os Sierpien editaram Zawsze Nasze o seu primeiro e único disco de estúdio de longa-duração, até à data, e um disco que funciona como uma ode ao post-punk polaco e soviético com veias góticas, que foi feito e se fez sentir no final dos anos 80, um pouco por toda a Europa. É ainda verificada uma influência do anarcho-punk britânico, na sonoridade resultante desta estreia.




Músicas como "Новое Средневековье", têm uma tonalidade muito característica da banda que consegue misturar alguns riffs de bandas contemporâneas, nomeadamente Iceage, e conjugá-las com grandes marcos da cena post-punk como The Sound, The Fall, Television, entre outros. Quem refere esta sexta canção, refere outros temas como "Поход", "Корреспонденты Информагенств" e "Дагон Любит Серф", por exemplo. 

Em suma Zawsze Nasze é um disco que tem potencial para convencer os fãs mais ortodoxos da cena underground, apresentando-se como um álbum intemporal e sempre fácil de voltar a ouvir. As suas nove músicas funcionam, no todo, como uma só e acabam por conseguir prender o ouvinte até ao finalizar do álbum. Zawsze Nasze foi editado em agosto de 2014 pelo selo Издательство Сияние.

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domingo, 15 de janeiro de 2017

Oiçam: Lode Runner


Os russos Lode Runner estrearam-se em 2014 nos discos longa-duração com You Don't Deserve My Drum Machine!, um álbum recheado de ritmos do post-punk e camadas de sintetizadores. Formados por três amigos da cidade de Perm (que também tocam em bandas de punk-rock/hardcore como Hellspin, Degenerative Behaviour, Zaryad Nasiliya, Noon Saibot, Spasibo) os Lorde Runner trazem na sua estreia em estúdio, nove canções curtinhas que exploram vários subgéneros musicais e são construídas sobre uma base post-punk.

You Don't Deserve My Machine foi editado a 1 de julho pelo selo Издательство Сияние (Siyanie). Singles como "It's Not You, It's Me", "I Don't Believe This Guy" e "No Time To Explain", podem ser ouvidos abaixo.



Além de You Don't Deserve My Machine os Lode Runner lançaram Ты выглядишь так несовременно, o segundo disco de estúdio, em julho de 2015, pela mesma editora. Este segundo trabalho, composto por seis canções, mostra uma banda reformulada, agora com quatro elementos e um instrumento fudamental, o trompete. O resultado é um álbum muito interessante, coeso e com composições que de facto inovam, dentro da cena post-punk.




Os Lode Runner editaram ainda os singles "No time to explain" e "Под тяжестью лавины". A discografia completa da banda pode ser escutada aqui. Infelizmente a banda já não se encontra em atividade.


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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Oiçam: Far Warmth


Far Warmth é o nome a que se dá ao projeto experimental ambiente de Afonso Ferreira, lisboeta que de tenra idade já lança o seu primeiro longa duração sobre nome próprio, Beneath The Pulse. Quando perguntado ao artista o que lhe levava a fazer isto tipo de música tão veemente ele responde sem muitos rodeios que pensa ser uma forma de limpeza, é-lhe instintivo. Este álbum é de facto uma luta intensa de 50 minutos e 14 faixas que se liga muito a estados de agonia, melancolia, solidão e raiva; um disco que é caracterizado por crescendos e erupções de energia em forma de zunidos e synths calmos que quando menos esperamos explodem em flor, como se pode ouvir com mais clareza nas terceira e quarta faixas do álbum "Years II" e "Years III". Se tivesse que descrever Beneath The Pulse em apenas uma metáfora usaria o ciclo das rochas, momentos em que a melodia parece que se derrete por entre os nossos dedos como uma  reluzente camada de lava mas que a intimidade com ela corrói o que nos faz ser, momentos de puro deleite em que a música é água e vento que lentamente nos leva a sítios onde sedimentar e desfrutar da nova junção de sons. O álbum é dividido por 3 sagas que se destacam sonicamente intercaladas por faixas mais quentes, são a mantinha daquela noite gelada que são "Years", "The Shore" e "Breath". Uma experiência drone/ambient que vale a pena ouvir se estam interessados em artistas como Tim Hecker
Para além de Beneath The Pulse, o artista no seu BandCamp, tem também um EP, Event Horizon, disponibilizado para stream e download gratuito, mas é claro que não custa nada dar uns trocos a artistas em ascensão. 


Afonso é um rapaz multifacetado de apenas 17 anos que sonha alto e não tem medo de olhar para baixo começando agora também, com um colega seu, a sua própria editora, Alienação. Alienação é a editora que parte de Afonso Ferreira e João Melgueira nascendo da imperiosa vontade de fazer emergir novos talentos ligados à música eletrónica, experimental e dança. Têm como princípios a transgressão e a alienação entre a resposta física do corpo - o movimento, assim, é oferecida uma escapatória metafísica da realidade atual. A editora diz pretender fechar novos projetos em breve disponibilizando no seu Soundcloud oficial já algumas coisas como este EP de t.204 que vos deixo aqui em baixo:


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