quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

[Review] Shame - Songs of Praise


Songs of Praise // Dead Oceans // janeiro de 2018
7.5/10

Os Shame são Eddie Green, Charlie Forbes, Josh Finerty, Sean Coyle-Smith e Charlie Steen. Cinco jovens oriundos da parte sul de Londres que, em 2014, decidiram formar uma banda. Um momento de clarividência que surgiu depois de um longo período de ensaios no Queen’s Head, um espaço que à data os Shame partilhavam com os Fat White Family. Nessa altura, eles eram perfeitos desconhecidos. Segundo a Forbes, até mesmo os Fat White Family só começaram a reparar nos Shame quando notaram que estes usavam os seus instrumentos para ensaiar. Entretanto, quatro anos passaram e os Shame já tocaram inúmeros concertos dentro e fora do Reino Unido (à data da publicação deste artigo o coletivo encontra-se em plena digressão pelos EUA) abriram para bandas como as Warpaint e os Fat White Family e editaram o seu primeiro LP, Songs of Praise (cujo título é inspirado numa série da BBC), o qual conta com a assinatura da prestigiada Dead Oceans.


Os Shame ao vivo em 2015. Fotografia de Lou Smith

Songs of Praise foi gravado no ano passado, no espaço de 10 dias num estúdio no País de Gales. Um espaço de tempo bastante curto, que vai de encontro ao que os Shame pretendiam para o seu primeiro álbum: um disco depurado, conciso e sem tretas. 

"None of these stories are fabricated.

They are all, unfortunately, true." 
Charlie Steen, referindo-se à origem das letras das músicas dos Shame.
Encontramos o post-punk dos Shame entre uns jovens Mekons, os Gang of Four e os Modern Lovers. A sua estética oscila entre fúria instrumental e momentos de tensão, todos eles designados para a amplificação das mensagens vociferadas por Charlie Steen. E liricamente, encontramos neste disco uma colectânea de narrativas trágicas sobre o amor, a insegurança e a acepção do facto de que a nossa existência  é, em última instância, absurda. Estas são proferidas alto e bom som por Steen elevando-se em relação à componente instrumental, resultando num exercício coletivo de catarse sónica. Aliás, Steen é indubitavelmente o elemento com maior presença no coletivo. É ele quem dá voz e corpo às trágicas narrativas, transformando-se num feroz animal de palco durante os concertos – tirar a camisola e entrar pelo público adentro são práticas comuns – evocando comparações inevitáveis com Mark E. Smith (um orador nato) e Jeffrey Lee Pierce (um explosivo animal de palco). Steen é um pouco de ambos, mesmo repudiando o estereótipo de "rock-star". 

"I think the idea of the leather jacket-wearing, womanising, drug-fuelled rock star should be burned…That lifestyle could only exist because of money. Bands can’t go out now and get a kilo of coke or drive to Las Vegas in a Ferrari. Now it’s get a gram of speed and sit in a Travelodge. That’s the reality of it…I’d just like a house with a pool table".
Charlie Steen em entrevista ao Guardian
Songs of Praise é mais do que um disco sólido: é um marco no percurso dos ShameApesar de todos os membros da banda terem 20 e poucos anos, eles já não são os cinco miúdos desconhecidos que ensaiavam após as aulas no Queen's Head. Quatro anos passaram e os tempos mudaram. O Queen's Head foi transformado num pub gourmet e o Reino Unido encontra-se em pleno processo de Brexit. Processos distintos que fazem parte da mesma realidade: um mundo que nos afasta cada vez mais uns dos outros com ilusões de "grandes oportunidades profissionais", entretenimento inócuo e grandes oportunidades de investimento em coisas fúteis que nem sabíamos que precisávamos até termos visto um anúncio publicitário. 

Não encontramos em Songs of Praise a mais abrasiva crítica ao panorama contemporâneo. E em bom nome do rigor que rege esta análise crítica, a verdade é que não encontramos neste álbum nada que já não tenha sido dito antes. Afinal, Songs of Praise fala-nos do absurdo da condição humana e de todas as suas chagas. Das NOSSAS chagas. É um terreno fértil, mas comum. Porém, ser comum não o torna menos valioso ou menos meritório de inúmeras observações e análises. Ainda que, em última instância, este seja um exercício fútil. A condição humana é, como sabemos, fatal.
Nós sabemos disso e os Shame sabem disso. Assim como C
amus, que em tempos escreveu que a única forma de lidar com a fatalidade da condição humana era viver uma vida de revolta, paixão e liberdade, os Shame escolhem rir-se na face deste absurdo e fatal espetáculo que é a vida. Songs of Praise é o culminar de um exercício de purga coletivo de toda a fúria que temos acumulada. A fúria deles é a nossa fúria e vice-versa. Assim como o Shame, nos aceitamos que nem todos os grandes discos deste mundo nos vão salvar da morte. Então, porque não fazermos das nossas vidas um acto de revolução, ao divertirmo-nos um bocado enquanto cá andamos?


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domingo, 23 de julho de 2017

Faltam dois meses para o Post-Punk invadir a Invicta

Cover-art de Lows EP  dos Bleib Modern


O Post-Punk Strikes (Back) Again está de regresso à Invicta a 23 de setembro, repetindo a fórmula de sucesso do ano anterior, ao apostar em seis projetos da vertente noir - cinco internacionais e um nacional - que sobem ao palco do Hard Club, num mini-festival que promove e perpetua a cultura musical underground na cidade do Porto.

Para quem não teve a oportunidade de viver a experiência no passado ano, o conceito mantém-se e nesta edição estreiam-se no festival os argentinos Mueran Humanos, o inglês M!R!M, os portugueses Ghost Hunt, os franceses Tisiphone e os belgas Charnier. A repetir a dose estão os alemães Bleib Modern, que regressam um ano depois para apresentar o novo disco Antagonism, editado em abril deste ano. É portanto um evento aberto ao pluralismo cultural, a não perder.
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Mueran Humanos

Os Mueran Humanos são Carmen Burguess (voz, caixas de ritmos, sintetizadores) e Tomas Nochteff (voz, baixo, tambores). Juntos fazem músicas propulsivas e inesquecíveis cantadas em espanhol e com recurso a métodos experimentais, punk e vanguardistas. Atualmente sediados em Berlim e, depois da passagem pelo NOS Primavera Sound (2016), encabeçam esta edição do Post-Punk Strikes Back Again para apresentar o seu mais recente trabalho homónimo Miseress, editado em 2015.

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Bleib Modern 

Os Bleib Modern são um quinteto alemão fundado por Philipp Läufer, por volta de 2014, e mais tarde juntaram-se à banda Vinz Eberlein, Leo, Pete e Tommy.  A sua música é categorizada essencialmente dentro dos géneros post-punk, cold wave e shoegaze, embora também se encontrem alguns espetros do psychedelic-rock.
São os únicos repetentes do mini festival e este ano trazem na bagagem o disco Antagonism que molda uma nova sonoridade pronta a ser assimilada por uma audiência maior.



M!R!M
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M!R!M, projeto a solo do engenheiro de som Jack Milwaukee, é a aventura musical do italiano convertido em londrino que passa por sons carregados de melancolia e escuridão, mas nos quais se misturam sons ambient e eletrónicos. O artista é fortemente inspirado pela década de 80, tanto por uma vertente old school do hip-hop, mas também industrial e post-punk. M!R!M faz agora nova passagem em Portugal para a sua estreia no Post-Punk Strikes Back Again, onde apresenta o seu segundo álbum de estúdio, Iuvenis, lançado este ano.


  
Ghost Hunt
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Pedro Chau (The Parkinsons) e Pedro Oliveira (ex-Spider/ Blarmino) são as caras por trás de Ghost Hunt, projeto de sintetizadores, guitarra e baixo iniciado no final de  2014. Com Kraftwerk, Klaus Schulze, Cluster, Cabaret Voltaire, The Human League, Juan Atkins, Drexciya e 808 State como principais referências, os Ghost Hunt produzem música instrumental nos campos da eletrónica. A dupla sobe ao palco do Hard Club para apresentar o disco de estreia homónimo, editado pela Lux Records, em 2016, entre outros temas.


Tisiphone

Os gauleses Tisiphone são uma das grandes surpresas desta edição do Post-Punk Strikes Back Again. O trio é detentor de uma sonoridade rítmica peculiar (a vocalista toca, em pé - uma bateria desprovida de bombo - que é tocado, ao lado, pela baixista) onde podemos encontrar influências da cold wave de uns Clair Obscur, da dicotomia masculina/feminina com nuances que evocam uns Sleeping Dogs Wake, ou do revivalismo post-punk de umas Savages. Ao Porto o trio traz o seu LP de estreia homónimo editado o ano passado.



Charnier
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Vindos diretamente do coração da Europa, mais precisamente de Bruxelas, os Charnier estreiam-se nesta segunda edição do mini-festival para cumprir a sua estreia absoluta em terras lusas. O quarteto belga traz na bagagem o seu primeiro trabalho de estúdio, editado em maio deste ano. Apesar da acentuada bateria e o uso de riffs de guitarra sujos mas incisivos, os vocais sobrepõem-se e dominam os temas da banda, numa sonoridade tipicamente post-punk, agressiva e crua.



Os concertos têm início marcado para as 18h00 e os bilhetes já se encontram à venda no Hard Club, Piranha, Louie Louie e Bunkerstore, tendo um custo de 20€. Todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui.

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segunda-feira, 3 de julho de 2017

Mueran Humanos, M!R!M, Tisiphone e mais no Post-Punk Strikes (Back) Again


O mini-festival Post-Punk Strikes Again está de regresso em 2017, para data única no Porto, depois de no ano passado ter trazido até Portugal nomes como Poison Point, Japan Suicide, Whispering Sons, Bleib Modern e Brandenburg.

Este ano os alemães Bleib Mordern estão de regresso mas as novidades vão para os Mueran Humanos (AG), M!R!M (UK), Tisiphone (FR), Charnier (BE) e os portugueses Ghost Hunt, que sobem ao palco do Hard Club, Porto, a 23 de setembro. Mais uma vez o evento conta com o selo da promotora Muzik Is My Oyster/Rollercoaster, que nos últimos anos tem feito mexer a cultura alternativa e underground pelo norte do país.

Para já ainda não são conhecidos os preços dos bilhetes mas todas as informações adicionais podem ser encontradas aqui







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terça-feira, 27 de junho de 2017

Gold Class lançam novo disco em agosto

© Paige Clark
Os post-punkers australianos Gold Class vão lançar, em agosto, o seu segundo disco de estúdio - Drum - que vem dar sucessão à aclamada estreia It's You (2015). A música dos Gold Class apresenta-se, tipicamente, como post-punk de traços revivalistas cantada numa voz saudosa à la Morissey, sendo fortemente recomendada para fãs de bandas como Iceage e The Smiths. "Twist In The Dark", o primeiro single de avanço oficial, já tinha sido mostrado em maio e segue agora apresentado em formato audiovisual. 

Drum tem data de lançamento prevista para 18 de agosto. Podem fazer pre-order do álbum aqui.

Drum Tracklist:

1.Twist In The Dark
2.Rose Blind
3.Get Yours
4.Trouble Fun
5.Bully
6.Thinking Of Strangers
7.We Were Never Too Much
8.Mercurian
9.Place We Go
10.Lux 

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segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

[Review] Cave Story - West

West // Lovers & Lollipops // outubro de 2016
6.5/10


Depois do Spider Tracks, eis que surge West, o primeiro longa-duração dos Cave Story, o trio que pediu o seu nome emprestado a um jogo de vídeo. Em West, os Cave Story procuram, à sua maneira despretensiosa e jovial que tanto me faz lembrar as primeiras expressões sonoras dos Wire (e depois os gajos envelheceram e decidiram começar a falar da pós-internet) homenagear o “Oeste”. A terra-natal do trio — Caldas da Rainha, a terra mais fálica de Portugal — situa-se no oeste do país; o rock que se produz no ocidente e a sua expressão na língua inglesa (a tal globalização/americanização); e, por último este belo e por vezes deprimente país de onde vos escrevo chamado Portugal. Nunca esquecer que Portugal é, afinal de contas, a "Europe's West Coast". Mas não vou perder tempo a falar-vos desse projeto falhado. Tampouco me adiantarei muito mais a falar-vos deste West que é, em suma, um bom disco rock. Isso, e a prova de que os Cave Story continuam a fazer o que querem, quando querem, sem agendas secundárias. Continuam a usar os instrumentos para destilar a sua angústia e raiva millenial-juvenil — os Pavement começaram assim, tirando a parte do millenial. Continuam a guiar-se pelo seu próprio compasso. West é um marco incontornável do rock nacional deste ano de 2016 e uma etapa importante no caminho dos Cave Story: é aqui que o coletivo decide se se dão contentes com o que têm, ou seu continuam a percorrer a estrada para oeste e ver onde isso os leva. 

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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Divulgados os horários do Post-Punk Strikes Again, no Porto


Já são conhecidos os horários para a primeira edição, no Porto, do mini-festival Post-Punk Strikes Again. O mini-festival que decorre a 16 de setembro, em Lisboa, na Caixa Económica Operária - Inserido nas "Another Night At The Box" -, e a 17 de setembro no Hard Club, Porto tem a assinatura das promotoras A Comissão e Muzik Is My Oyster.

A Invicta recebe assim seis concertos das bandas Poison Point, Alma Mater Society, Japan Suicide, Whispering Sons, Bleib Modern e Brandenburg. Será um excelente after para que passar já esta semana pelo EntremuralhasOs bilhetes para o Porto têm um preço de 15€ até 16 de setembro, no dia passam a custar 17€. Os horários seguem detalhados abaixo.

Início dos concertos - 1ª parte: 
18h30 - Poison Point (FR) (40 minutos); 
19h20 - Alma Mater Society (PT) (40 minutos); 
20h10 - Japan Suicide (IT) (40 minutos); 

20h50 - intervalo para Jantar 

Início dos concertos - 2ª parte:
22h00 - Whispering Sons (BE) - (40 minutos); 
22h50 - Bleib Modern (DE) - (40 minutos); 
23h40 - Brandenburg (RU - (40 minutos). 
00h20 - Fim

Reservas e outras informações adicionais via email para: muzikismyoyster@gmail.com


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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Reportagem: Sad Lovers and Giants [Hard Club - Porto]

Do conjunto de bandas que marcaram a sonoridade do post-punk dos anos 80, os Sad Lovers and Giants não é o primeiro nome que ocorre imediatamente à cabeça da maioria de nós. Titãs como os Joy Division, os Bauhaus ou os Killing Joke seriam a nossa primeira escolha. Afinal, foram estas bandas que marcaram a génese do post-punk e que inspiraram as tendências estilísticas de movimentos que entretanto surgiram — o rock industrial e a synthpop são dois exemplos disso — bem como uma muito recente vaga de post-punk.

Os ecos dos Bauhaus são bem audíveis na obra dos Viet Cong.

No entanto, a história também é feita de Gigantes. Gigantes como os Sound, como os Chameleons e como os Sad Lovers and Giants. Porém, estes últimos são um dos mais antigos bastiões dos bons velhos tempos do post-punk que ainda permanecem em atividade nos dias de hoje (não descurando a grande forma em que Mark Burgess e os seus ChameleonsVox se encontram). 
A mesma forma aliás em que Garce Allard e os restantes dos Sad Lovers and Giants se encontram, como nos mostraram na passada sexta-feira, no Hard Club.

O regresso dos Sad Lovers and Giants à estrada começou precisamente no Porto — num concerto que contou com o apoio dos Malcontent na 1ª Parte — face a uma audiência ansiosa que, ao contrário de mim, esperou mais de 30 anos por esta data (eu tenho 25 anos). Apesar da minha idade e do meu parco conhecimento empírico sobre a vida e obra dos Sad Lovers and Giants, a minha consciência ditou-me desde logo que estava perante grandeza musical, a elite do post-punk, um movimento com muitos imitadores — alguns deles exímios, outros deploráveis — do qual raras vezes temos a honra de presenciar um dos pioneiros do movimento em palco. 



Durante cerca de uma hora e meia, o concerto dos Sad Lovers and Giants oscilou entre canções novas, grandes malhas de sempre e experiências com instrumentos de sopro com duas constantes sempre presentes: um sentimento de segurança por sabermos que estávamos a ver veteranos a fazer aquilo que sabiam fazer melhor; a boa disposição em palco e fora dele. 





O encore trouxe a tão pedida “Imagination”, uma espécie de hino dos Sad Lovers and Giants


Apesar das saídas de elementos da banda — da formação original dos Sad Lovers and Giants apenas permanecem o percussionista Nigel Pollard e Garce Allard, o seu eterno vocalista —e sucessivas separações e reuniões, tudo indica para que 2016 seja o ano de regresso dos Sad Lovers and Giants. Até se fala que um novo álbum pode estar na calha…




Agradecemos mais uma vez à MIMO — de quem somos mui orgulhosos media partners — por terem os tomates de ousarem marcar a diferença num mercado cultural que se polariza cada vez mais entre a oferta da novidade VS mediatismo. Num ano que começou trágico para a música com o desaparecimento de vários ícones, cabe-nos a nós — aos fãs — prestar a devida homenagem aos nossos ídolos em vida. E os Sad Lovers and Giants são espécies em vias de extinção, sobreviventes de uma outra era. Uma era em que os baixos soavam melhor, as vozes eram mais melancólicas, as letras eram mais intimistas e as roupas e os penteados eram mais estranhos. Uma era que já passou e que não volta mais. Cabe-nos a nós passar o testemunho dos Sad Lovers and Giants e escutar a sua mensagem enquanto podemos. Agradecemos à MIMO por nos aproximar cada vez mais dos nossos ídolos e nos dar — a alguns de nós — aquele que foi o concerto de uma vida. Mesmo que a sala estivesse apenas meio cheia — um optimista diria que apenas esteve metade da sala vazia — o que importa para a MIMO não é encher salas, mas sim corações e isso para nós, faz toda a diferença. 


Mais uma vez, Obrigado.

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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Reportagem: She Past Away [Hard Club, Porto]


Volkan Caner e Doruk Öztürkcan são, atualmente, os She Past Away. Depois da sua estreia no Entremuralhas do ano passado, os turcos regressaram a Portugal numa tour com duas datas: 29 de setembro em Lisboa e 28 de setembro no Porto. Foi no Porto, num concerto com o toque da MIMO que a Threshold assistiu ao concerto da dupla.



Apesar da recente alteração de alinhamento da banda — dada a saída do baixista e membro fundador da banda İdris Akbulut, os She Past Away ficaram reduzidos ao formato duo — a banda não perdeu o seu traço sonoro. O tom monocórdico da voz de Caner perdura. A parte instrumental continua a invocar os melhores tempos de uns anos 80 vividos à base de copiosas audições dos trabalhos dos CureJoy Division, New Order e Bauhaus. A título de curiosidade, poderíamos dizer que Caner se assemelha a um Robert Smith nos seus anos de juventude (o seu cabelo eriçado e cara maquilhada ajudam a manter essa ilusão) e que Öztürkcan poderia passar por um dos membros dos Kraftwerk dado o seu uniforme de palco (camisa e calças pretas) e predileção pela ocupação parte eletrónica da instrumentação dos She Past SwayÖztürkcan é também o produtor dos álbuns dos She Past Away.



Por todos os motivos acima enunciados, um crítico poderia argumentar que os She Past Away não passam de um pastiche de todas estas influências, não acrescentando nada de novo ao género do Post-punk/Goth-wave. E, na verdade. assim é. 
Nada do que possam ouvir editado pelos She Past Away vos soará a novo. Mas digam-me, porque é que isso é mau? 
Será que os She Past Away ou qualquer banda precisam necessariamente de acrescentar alguma coisa ao seu género musical? Não era o outro dizia que os maus imitam e que os grandes roubam?


É um facto que os She Past Away nada acrescentam ao Post-punk nem ao Goth-wave. Mas também é um facto de que a dupla é, atualmente, das bandas que melhor mesclam ambos os géneros. Os seus álbuns são repletos de memórias sonoras dos anos 80 — essa época dourada para o Post-punk e Goth-wave em que todas as grandes bandas que dão nome a ambos os movimentos existiram —e as suas performances ao vivo não desiludem. 



Apesar das alterações no colectivo e perda de um dos membros fundadores — Akbulut — os She Past Away enquanto banda estão no ativo desde 2006 e lançaram este ano o seu mais recente LP, Narin Yalnızlık. O novo álbum foi o leitmotiv desta digressão.


Com o Narin Yalnızlık ainda fresco, escutaram-se mesmo assim malhas antigas como a "Sanrı" e a "Rituel". O calor português comoveu os turcos, que não arredaram pé do palco sem um triplo encore e um agradecimento pela oportunidade de, mais uma vez, mostrarem o que valem em território nacional.

A primeira parte do certame esteve a cargo do Homem em Catarse, esse portento do folk nacional que esteve também a apresentar o seu mais recente trabalho, o Guarda-Rios.

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