sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

[Review] Ben Chisholm & Felix Skinner - Burgeoning Verse


Burgeoning Verse | Weyrd Son Records | abril de 2018
8.5 / 10

Há discos que só captam a atenção dos ouvintes um bom tempo após terem sido lançados. Burgeoning Verse, o álbum colaborativo de Ben Chisholm (Chelsea Wolfe) e Felix Skinner (Wreck & Reference), é um desses casos e, talvez, a história por trás de todo o processo que o levou até se tornar uma obra materializada explique porque este disco navegou no mar de lançamentos de 2018 mas nunca alcançou a costa, até agora. 

Burgeoning Verse começou a ser idealizado há cerca de seis anos atrás, no início de 2013, quando a decadência acelerada do mundo e dos seus próprios corpos levou a que Ben Chisholm e Felix Skinner criassem um estúdio simulado que não apresentasse as limitações físicas e financeiras experienciadas pelos artistas na vida real. Num prazo de 36 horas os músicos produziram 10 músicas com as quais se identificavam, mas cuja qualidade digital das gravações consideravam insatisfatória. Para contornar este facto ambos os músicos voltaram a regravar o disco com recurso a uma instrumentação 100% analógica, processo que lhes tomou mais uns quatro anos. Já com o trabalho na fase final, foi quando enviaram os press tests para a Bélgica que a história de Burgeoning Verse se tornou realmente intensa. O trabalho nunca chegou ao destino e ficou perdido entre as correntes do Oceano Atlântico (pelo menos é esta a história que os músicos querem que nos seja contada). 



Trabalhar durante quatro anos para materializar uma obra extremamente ambiciosa, detalhada e avant-garde como parece ter sido o caso de Burgeoning Verse e ainda ter de lidar com a sua perda para eternidade, sem visualizar o efetivo sucesso, é naturalmente uma história trágica, ainda mais nefasta nos dias que correm. Depois do seu desvanecimento no Oceano Atlântico, Burgeoning Verse chega agora aos nossos ouvidos, colocando-nos perante um universo sonoro intemporal e clássico com paisagens de uma poesia instrumental muito rica. 

A abrir com uma atmosfera de tons sinistros e estética soturna, na faixa "I", as camadas sintetizadas e o piano irrequieto afagam o ouvinte projetando-o para um ambiente tipicamente desconfortável, mas incrivelmente belo. No tema "II" os órgãos tornam-se ainda mais obscuros, interiorizam-se sonoridades de correntes e Ben Chisholm e Felix Skinner criam um caos contido na efemeridade musical. O disco, que contou ainda com a participação de Andrew Clinco (Drab Majesty e Marriages) na percussão da faixa "IV" – uma das mais magistrais peças deste registo – explora ainda os efeitos da inevitável celeridade do ser, bem como certos pontos de emotividade humana, pela sua abrangência sonora. O primeiro lado do disco termina com "V", um tema de música ambiente construído por sobre camadas dreamy. 



No lado B voltamos a poder ouvir mais uma das céleres faixas de Burgeoning Verse, "VI", single que recorre a tons orquestrais e intensos, facilmente estimulantes a uma imersão quase instantânea por parte do ouvinte. Música psicologicamente densa e altamente bonita. Os mares do disco levam-nos ainda a "VII", tema onde conseguimos ouvir a simulação de vocais etéreos sobrepostos a uma sonoridade imperativa, "VIII" - que volta a trazer os ambientes contemplativos e de reflexão já presentes em "II" -, "IX" já a deixar aquela nostalgia eminente e, por fim, "X" a marcha fúnebre de despedida. 

Em suma, Burgeoning Verse pode definir-se como um conjunto de dez registos sonoros que ilustram ambientes cinematográficos e atmosferas de suspense. Além da trágica história que esteve na base do seu processo de composição e produção, este novo trabalho – um disco extremamente desafiante - projeta o ouvinte para um ambiente sonicamente opulento, mas que pode ser lido, numa primeira instância, como um lugar de desconforto pelo desenvolvimento moroso que lhe está associado, bem como pelas atmosferas pesarosas que aporta. Claramente que Burgeoning Verse não é um disco que caia nas boas graças dos ouvintes mais impacientes, mas certamente fará os requintes dos mais apaixonados melómanos do panorama da música instrumental.



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quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

[Review] LOBBY - Fragrance


Fragrance | Solange Endormie Records | dezembro de 2018
9.0/10

Os LOBBY estrearam-se no último mês do ano com um dos mais brilhantes discos de post-punk de 2018, Fragrance. Chegaram tarde mas ainda a tempo de conquistar o pódio para o melhor disco de estreia dentro das estéticas mais sonhadoras e nostálgicas. O quarteto francês, nascido em Pessac e atualmente sediado entre Lyon e Paris, formou-se em maio de 2017 e desde então tem trabalhado num objetivo simples: sintetizar o rock dos anos 2000 - que os acompanhou no ensino médio - com as sonoridades marcantes dos anos 80, que eles descobriram no ensino secundário. O resultado é um disco que reflete a melancolia de uma era que a banda não viveu, mas que ainda assim idealiza e muito bem. 

O primeiro tema de avanço "Collapse" surgiu em fevereiro de 2018 e é entre o ritmo marcado do baixo de Tom Déjeans, a potência dos sintetizadores de Nabil Bourdareau, a guitarra estridente de Lino Etchegaray e a voz doce, carinhosa e reverberada de Timothée Roze Des Ordons, que a fórmula de sucesso deste novo Fragrance começa a ganhar forma. É impossível não ficar colado e surpreendentemente entusiasmado com o poder que os LOBBY emanam. 


Nove meses depois surge cá para fora o segundo tema de avanço, "Violence In You Eyes" e a notícia de que vamos poder finalmente ver a obra dos LOBBY materializada em formato CD e vinil pelo novo selo do movimento underground, a Solange Endormie Records. Se em "Collapse" o resultado era uma faixa altamente aditiva e dançável, em "Violence In Your Eyes" os LOBBY mostram que conseguem ir mais além, explorando sonoridades que rejuvenescem a aura de quem as ouve. 

A 17 de dezembro de 2018 é editado para todo o mundo o disco de estreia da banda, um conjunto de 10 canções altamente mágicas, belas, profundas e deliciosas. A abrir com a faixa homónima "Fragrance", os franceses mostram uma emotividade intangível mas altamente experienciada e sentida. É como se voltássemos atrás no tempo e todas aquelas sensações da adolescência e as borboletas na barriga fossem reais. Além disso, a constante "I need someone to move it in", volta a renovar a visão utópica e altamente apaixonada sobre o amor. Destaque logo à primeira vista para o tema "Your Jail" - a fazer lembrar as paisagens de bandas como The Strokes - e claro está, para o grande hino do disco, "Chimeras". "Chimeras" é definitivamente uma das melhores malhas a ser descoberta neste trabalho. Há um poder absoluto neste tema, uma hipnotização do ouvinte, uma angústia contida pelos sintetizadores cintilantes, mas rebuscada nas guitarras frutíferas. Há a mudança de ritmos, sons e sensações e toda uma confusão que se instala de início ao fim. (Ao tempo que um single não se entranhava tão bem como este!) 



Antes de rodar o disco, tempo ainda para conhecer uma faceta mais melancólica dos LOBBY com "Heat", tema que também se destaca pela mudança de génio que acontece por volta dos três minutos de avanço. Os LOBBY até podem ser novitos de idade mas não são uns meninos a fazer música. 

O Lado B do disco, que explora uma atmosfera de sintetizadores mais densos, é inaugurado pelo tema "Taking Down" que, juntamente com "1881" e "Somewhere", se apresentam como as faixas de ritmo mais lento e prolongado do disco, a explorarem diversos elementos da synth-wave, dream-pop e shoegaze e a mostrarem que os LOBBY também sabem fazer baladas. Integram ainda o alinhamento a já referida "Violence In Your Eyes" e "Upside Down", tema que encerra o disco. 

Com as audições repetidas de Fragrance algo que se torna evidente é que são claras as influências que contribuem para a sonoridade resultante desta estreia, mas também é óbvio que as experimentações de áudio deste grandioso disco são muito próprias e exclusivas, além de juntarem uma aura mais fofinha e colorida às tendências monocromáticas a que o post-punk, coldwave e a darkwave estão associadas. Os LOBBY foram definitivamente uma das melhores descobertas do ano de 2018: uma banda jovem, ambiciosa, apaixonada, muito madura e cheia de potencial para conquistar o mundo. Fragrance é um disco de excelência para inaugurar a discografia de uma banda que tem tudo para se tornar um ícone dos atos post-punk da nova geração.


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domingo, 16 de dezembro de 2018

[Review] Dear Deer - Chew-Chew


Chew-Chew // Manic Depression Records / Swiss Dark Nights // outubro de 2018
8.0/10

Dois anos após a estreia com Oh my… (2016) a dupla francesa Dear Deer regressou este ano às edições com Chew-Chew, um daqueles discos bomba relógio perfeitos para fazer explodir as pistas de dança. Formados em 2015 por Federico Iovino e Claudine Sabatel, a sonoridade dos Dear Deer tem-se tornado marcante dentro do novo panorama da música underground ao conjugar elementos do post-punk, noise, no-wave e algum charme da música disco, o que lhes garante uma aura marcante além de sensual. O novo disco, anunciado no final de agosto deste ano, chegou às prateleiras a 11 de outubro, pela Swiss Dark Nights e Manic Depression Records, permanecendo ainda como uma das edições mais potentes do ano. 

Através de sintetizadores e caixas de ritmos desorientadas, um baixo rítmico e uma guitarra abrasiva os Dear Deer abrem este Chew-Chew com a faixa "Nadia Comaneci", um tema com cerca de três minutos de duração que prepara o ouvinte para os territórios explorativos e inovadores da sua música monocromática e igualmente reluzente. Se existe algo que se torna óbvio após as reproduções consecutivas deste Chew-Chew é o facto dos Dear Deer agarrarem em compassos simples e os apetrecharem de elementos que destilam o melhor da música industrial, noise e post-punk em faixas rítmicas, de aura vibrante e extremamente divertidas. A amostra disso deu-se logo antes do lançamento álbum, quando a banda natural de Lille lançou os temas "Disco-Discord" – a projetar-nos para os territórios sonoros de bandas como Alien Sex Fiend e Sex Gang Children - e "Stracilla" – a apresentar a sensualidade da música disco cantada na língua polaca. 




Se ouvirmos, por exemplo, temas como "Jog, chat, work & gula-gula" (single que a dupla apresentou em Portugal, em 2017 no último Entremuralhas), "Deadline" ou até mesmo "Ozozooz" torna-se evidente que a sonoridade da dupla francesa é um convite inegável para uma dança coordenada ao ritmo da eletrónica contemporânea inspirada por elementos que contemplam várias décadas da música mais negra e propelente. O disco conta ainda com a participação de Loto Ball na faixa "Earworm" que se encontra mais focada no experimentalismo noise e industrial. 




Mas nem só de música se faz o novo disco dos Dear Deer. Toda a estética envolvente caracteriza-se pela imagética provocativa que Federico Iovino e Claudine Sabatel têm deixado implícita desde o primeiro registo. Nesta nova edição as purpurinas vermelhas ganham o plano de foco na capa e, no formato CD, os Dear Deer apresentam ainda um livrete com uma fotografia de um homem e mulher perante o fogo (elemento inerente à sua sonoridade) que, aberto, apresenta as letras das nove músicas que compõem este novo trabalho. Além disso há ainda uma imagem provocante quando se retira o CD da caixa, o que permite enraizar melhor o conceito visual, antes de ser explorada a sua música. 



Se já em Oh my… os Dear Deer tinham ganho destaque pela sua mistura bombástica de música eletrónica completamente fustigante com rasgos dos anos 80, neste Chew-Chew a dupla francesa aumenta a qualidade de produção e equaciona uma fórmula viciante que conjuga diversos elementos na concretização de uma sonoridade singular. Ao esticar as sonoridades que chamaram a atenção no primeiro disco (e que pudemos ouvir em faixas como "Statement", "Claudine in Berlin", "Clamsa" ou "Czekaj na nas") para um terreno ainda mais seu, os Dear Deer continuam a crescer no panorama underground e a surpreender os ouvintes a cada minuto. Mais uma edição altamente aditiva.



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terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Cinco Discos, Cinco Críticas #42


Na última edição do ano do Cinco Discos, Cinco Críticas fazemos uma pequena retrospetiva de alguns trabalhos que sairam ao longo do ano e aos quais demos alguma atenção. Falamos de Cease The Day, o novo disco dos In The Woods...; Queen of Golden Dogs, a mais recente edição de VesselAnother Shape of Psychadelic Music o disco que serviu de apresentação aos Mythic Sunship na passagem por Portugal; XI e XII as mais recentes edições do projeto de 18 narrativas de Vlimmer e, por fim, Blue Poles, o novo trabalho de Jack Ladder & The Dreamlanders.

As opiniões sobre os respetivos trabalhos podem ler-se abaixo.


Cease The Day // Debemur Morti Productions // novembro de 2018 

6.7/10 

Depois da inesperada reunião em 2014 e do lançamento de um novo álbum, os In The Woods… estiveram novamente perto de implodir com a saída dos membros fundadores Christopher e Christian Botteri no final de 2016. Ainda assim, o baterista Anders Kobro e o novo vocalista James Foggarty não desistiram e, com a ajuda de Bernt Sørensen e Kåre Sletteberg, voltam a tentar renascer das cinzas com Cease The Day. Com composições mais inspiradas e dinâmicas que as de Pure, Cease The Day mostra também uma maior aposta em vocais ríspidos e elementos típicos de black metal, fugindo à atmosfera quase inteiramente prog doom do seu antecessor, mas sem regressar à veia psicadélica e avant-garde de Omnio ou Strange In Stereo. O disco inicia-se com "Empty Streets", onde James Foggarty demonstra a versatilidade dos seus vocais e com uma atmosfera menos melancólica do que seria de esperar da banda, sendo facilmente comparável aos trabalhos mais recentes dos também noruegueses Enslaved ou Borknagar. Seguem-se a mais extrema "Substance Vortex" e a memorável "Respect My Solitude", com influências dos Swallow the Sun. Contudo, o álbum perde fulgor nos restantes temas ao deambular exageradamente em certas passagens e pela tentativa de englobar demasiadas ideias, que acabam por não ser devidamente exploradas ou não se enquadrarem. Em suma, Cease The Day demonstra que os In The Woods… têm capacidade para não viver à custa do passado mas peca pela sua inconsistência.
João Barata





Queen of Golden Dogs // Triangle Records // novembro de 2018

8.5/10

Os últimos anos têm vindo a verificar um aparente rejuvenescimento por parte da norte-americana Triangle Records. A editora que em tempos nos trouxe trabalhos de Balam Acab, Lotic e The Haxan Cloak aposta agora numa direção algo diferente do habitual, mas que se destaca pelo seu carácter subversivo e emergente (é o caso de Serpentwithfeet), mas também através de uma constante redefinição por parte dos nomes que integram o catálogo da editora desde a sua génese. O produtor britânico Serge Gainsborough enquadra-se na última categoria. Queen of Golden Dogs, o mais recente longa-duração de Gainsborough como Vessel, marca um novo capítulo na carreira do natural de Bristol. Depois da rave industrial de Order of Noise (2012) e do tormento psicológico de Punish, Honey (2014), Gainsborough reinventa-se com um exercício contemporâneo que desafia as leis do maximalismo. Complementando a força bruta das batidas descontruídas com a delicadeza dos arranjos de câmara, o produtor cruza clássico e moderno de modo magistral, onde coros e secções de cordas se juntam a texturas de uma eletrónica sem rótulos. O resultado é uma obra de proporções barrocas pelos terrenos da música de dança mais versátil e fora da caixa, materializada através das composições cortantes de "Argo (For Maggie)", o cantar quase-gregoriano de "Torno-me eles e nau-e (For Remedios)" (uma ode ao poema "Não sei quantas almas tenho", de Fernando Pessoa) ou a natureza eufórica de "Paplu (Love That Moves The Sun)". Produzido durante um período de dezoito meses nos campos verdejantes do País de Gales, Queen of Golden Dogs representa a quintissência de Gainsborough como artesão sonoro, fazendo deste o seu melhor registo até à data.
Filipe Costa






Another Shape of Psychadelic Music // El Paraiso // outubro de 2018

8.0/10

Uma das viagens mais conturbadas deste ano fez-se ao som dos dinamarqueses Mythic Sunship, cujo incrível nome deriva da amalgama de duas obras-primas do Jazz: o Of Mythic Worlds de Sun Ra e Sun Ship de John Coltrane. Another Shape of Psychadelic Music é não só o quarto album da banda e o segundo que estes lançaram em 2018, como também é o mais ambicioso do quarteto composto por Rasmus Christensen (baixo), Fredrick Denning (bateria), Emil Thorenfeldt (guitarra) e Kasper Anderson (guitarra). Com a ajuda de Jonas Munk (guitarrista de Causa Sui) na produção, e a contribuir também na guitarra na segunda e quinta faixa "Backyard Ritual" e "Out There", respetivamente, e Soren Skov que contribui no saxofone ao longo do álbum. O conjunto de músicos propõe-se a levar a música psicadélica onde esta nunca foi antes, com uma mistura free jazz com space rock que convidam o ouvinte a passear por diversas paisagens inesperadas onde a improvisação da banda faz com que nunca saibam o que está ao virar da esquina. A primeira faixa, "Resolution", que abre com um solo de saxofone e umas discretas linhas de baixo, marca a identidade e deixa a fasquia definida para as restantes músicas. Um crescendo que resulta numa cacofonia caótica de sons e texturas que promete deixar o recetor num autêntico estado de êxtase. 
Apesar de achar este álbum incrível, compreendo que não é algo para todas as audiências, muitos podem não estar com paciência para se entregarem ao desenrolar da construção dos instrumentais, podem achar que ao longo do álbum exista pouca diversidade e por vezes caia um pouco na repetição. Contudo, se se entregarem de abraços abertos, Another Shape of Psychadelic Music promete ser uma experiência inesperada repleta de caos controlado por habilidosos artífices musicalmente completos. Um lançamento que irá deixar uma marca para as futuras bandas que tentarem replicar este género de rock psicadélico instrumental.
Hugo Geada





XI/XII // Blackjack Illuminist Records // novembro de 2018

7.0/10


Vlimmer, o projeto a solo de Alexander Leonard Donat (que é como diz o big boss da Blackjack Illuminist Records, além do mentor de outra mão cheia de projetos), voltou a lançar este ano mais dois trabalhos curta duração, XI e XII, integrados no seu objetivo de lançar um capítulo de narrativas composto por 18 EP’s, iniciado em 2015. Através de um total de 10 canções, que aborda ritmos ora calmos e dentro das ondas ambiente (como "Wärm"), ora tempestivos e de tonalidades mais vívidas (como por exemplo "Leben", "Lösung", "Asphaltdecke" ou "Farblosigkeit"), ora sinistros e de desenvolvimento tenso (como é o caso de "Licht” ou “Regen") Vlimmer segue consistentemente a sua paixão pelas sonoridades mais negras já trabalhadas no antecessor X. Com caixas de ritmos e sintetizadores a fazer lembrar os saudosos anos 80, Vlimmer cria a sua própria parede atmosférica onde conjuga uma infâmia de géneros, em canções essencialmente nostálgicas e de aura dançante. Se em XI vemos um Vlimmer mais nos campos da synthpop, em XII conseguimos reconhecer um produtor com uma veia mais industrial, de desenvolvimento poderoso e de ritmos a trazerem à memória nomes como Perturbator, Iceage ou The Soft Moon, numa melodia claramente alemã. Estes novos XI e XII (editados numa edição conjunta em CD dentro de uma caixa de madeira e limitados a 30 cópias) refletem o preciosismo e a criatividade musical excêntrica que circunda o ambiente de Alexander Leonard Donat, afirmando-o cada vez mais como um dos mais multifacetados artistas do panorama atual. Vale a pena ouvir.
Sónia Felizardo





Blue Poles // Interscope Records // maio 2018 

6.0/10 

Jack Ladder, sendo um artista australiano da mesma "escola" de Alex Cameron, Kirin J Callinan e Donny Benét, fazendo parte da sua banda The Dreamlanders os dois últimos, é autor de um dos discos que eu mais esperava em 2018 assim como um dos que mais me desiludiu. O lançamento do single "White Flag", que na minha opinião remanece um dos melhores singles de 2018, cimentou todo o meu hype para este disco. Após uma primeira audição do álbum não consegui destacar nenhuma canção para além da que já conhecia, coloquei o álbum, outra vez, na lista de “para ouvir” e aí ficou até há umas semanas. Voltando a ouvir o disco com mais tempo e atenção gostei de alguns outros temas (acredito que seria um EP excelente só com "Susan", "White Flag", "Feel Brand New" e "Merciful Reply") e como pontos positivos tem de ser de ser destacada a voz grave de Jack, alguns refrões catchy (ainda que não o suficiente para o ser à primeira) e a vibe Alex Cameron ainda que numa versão muito mais sóbria. Em suma, Blue Poles é um disco que, na minha opinião e infelizmente, se perde por ter um single demasiado bom.
Francisco Ávila



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terça-feira, 20 de novembro de 2018

[Review] SUIR - SOMA


SOMA // Manic Depression Records // outubro de 2018
9.0/10

A dupla alemã SUIR regressou este ano aos discos longa-duração com SOMA o segundo registo de estúdio que chega um ano depois da estreia com Ater e que projeta um crescimento na abrangência sonora do mundo de Denis Wanic e Lucia Seiss. SOMA foi idealizado e composto após uma tour pela Europa Oriental, quando Denis Wanic e Lucia Seiss se mudaram para Warsaw durante o inverno de 2017 para uma pausa dedicada ao processo criativo. Foi esta cidade fria e cinzenta que influenciou as toadas densas e gélidas de SOMA que se apoiam nos pilares do art-rock e nas paisagens mais sombrias, deixando em certa parte os rasgos psicadélicos que acompanharam Ater

Os SUIR formaram-se em 2016 e rapidamente construíram o seu mundo interativo entre guitarras e sintetizadores, apoiado em batidas industriais, letras melancólicas e uma atmosfera psicologicamente densa. O primeiro disco chegou ao mundo pela mão da editora alemã Black Verb Records - um dos selos que tem aberto o mundo às portas da música underground de qualidade - e criou um certo murmurinho na imprensa mais atenta. Cerca de um ano depois Wanic e Seiss saem-se com este novíssimo SOMA e conduzem-nos a várias camadas sonoras de desenvolvimento arrastado que conjugam um shoegaze envolto em reverb, art-rock e alguns elementos do post-punk e da coldwave. Tudo isto, enquadrado numa natureza de estrutura essencialmente minimal. 



Lançado no passado dia 18 de outubro, SOMA abre com "Calamity" um tema com letra bastante negra ("come close and dissolve / restrain who you are / terminate all your thoughts / restrain who you are / calamity calamity") que encaixa na perfeição relativamente à cover art do disco que traz a assinatura da artista Saskia April Kluge, e é simplesmente maravilhosa. Segue-se "Gewalt", uma das faixas que serviu de avanço ao novo álbum e que volta a absorver-se desta atmosfera misteriosa e sinistra com batidas poderosas e riffs de guitarra absolutamente envolventes e cativantes. A cada progressão no álbum novas canções incrivelmente encantadoras. A poderosa "Warsaw" onde podemos ouvir que "there’s no change, there’s only rage / I guess all will stay the same", a apaixonante "As I Lay Down", cheia de nuances sonoras, sons sintetizados predispostos em camadas e uma guitarra tão melancólica que a torna tão triste, mas tristemente bela e poética. Enfim, música para sentir. 



"5113" apresenta o registo mais experimental deste SOMA. O seu início composto por reverb, estruturas repetitivas e sons metalizados faz quase lembrar um retrato do vazio do existencialismo e da dissolvência do eu. É a música mais curta do disco mas também é aquela que traz uma maior abertura para a exploração do seu sentido e mensagem. Este experimentalismo e onda existencialista volta a ser abordado em "Hyperion", outro dos temas do disco que recorre exclusivamente aos instrumentos como ponto de comunicação. A encerrar este magnífico trabalho com "Atonement", os SUIR despedem-se com "it ends / it falls apart / it all ends / when we both fall into the dark". 

Masterizado por Philipp Läufer e gravado e produzido pelos SUIR em Frankfurt, SOMA representa uma evolução muito positiva face ao seu antecessor, Ater, sendo um disco altamente recomendado para ouvir em loop. A cada nova audição descobre-se um novo pormenor e o resultado final soa cada vez melhor. Existe a quantidade de experimentalismo certa, as explorações vocais em sonância com toda a instrumentação envolvente e uma mensagem translinear completamente adaptada ao ouvinte. Um disco que tem tudo para integrar as tabelas dos melhores lançamentos de 2018: audaz, construtivo, emotivo e marcante.



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sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Cinco Discos, Cinco Críticas #41


Já com o ano a chegar à reta final começa também a altura de fazer as listas das melhores edições do ano. Para vos pouparmos trabalho e garantirmos que não se esquecem de algumas edições escrevemos sobre cinco novos discos que têm rodado bastante deste lado e que, esperamos, passem agora a rodar dessa lado aí. 

Em mais uma edição do Cinco Discos, Cinco Críticas fiquem então com as análises aos mais recentes trabalhos de Ele Ypsis - Linga Dei; SUSS - Ghost Box; KEN Mode - Loved; Tropa Magica - Tropa Magica e o muito aguardado disco de estreia dos RENDEZ-VOUS, Superior State.



Linga Dei // self-released // setembro de 2018

9.0/10

Depois de um ostentável Meiosis, os Ele Ypsis, dupla que reúne a produção ambiciosa de Stélian Derenne aos vocais etéreos de Laure Le Prunenec, regressaram este ano às edições com mais oito músicas inéditas colecionadas em Linga Dei, o quarto disco de estúdio da dupla que saiu no passado mês de setembro. Através deste novo trabalho, conduzido pelo desejo do seu resultado final ser tão temido quanto a música de Igor Stranvinsky, os Ele Ypsis absorvem-nos até a um limite onde a música clássica entrelaça as mãos com a música contemporânea e a lírica, que sobrepõe esta ato num estrangeirismo irreconhecível, soa à poesia mais vanguardista dos dias atuais. É através de composições encantadoras, de ritmos tão depressa exóticos como expansivos e dos vocais ora apoteóticos, ora celestiais, que os Ele Ypsis criam estruturas harmoniosas difíceis de não fazer tremer quem as ouve. Temas como "Oro" e "Chaoskra” começam por ser construídos sobre paisagens calmas que, no desenvolvimento sofrem mudanças caóticas, envolvendo temporais sonoros e um nível de exigência extremamente exímio. Por outro lado, músicas como "Turmali" ou "Linga Dei" emanam toda uma energia que não consegue parar de se ouvir em loop. Se Meiosis já nos tinha mostrado que não há limites de eras na música, este Linga Dei funciona como uma epopeia ainda mais gloriosa aos períodos da música barroca com um toque de vanguardismo abissal.
Sónia Felizardo





Ghost Box // E.V.P. Recordings // fevereiro de 2018 

7.6/10

Os SUSS são um quinteto de Nova Iorque que lançou o seu primeiro álbum no início deste ano. É um grupo de músicos experientes que aproveitam este projeto para misturar a música ambiente com o country, criando o que pode ser a banda sonora para westerns imaginados, com personagens misteriosas e um ritmo lento. As guitarras, sintetizadores, assobios e outros instrumentos criam atmosferas suaves que fazem pensar nos sons e melodias de Morricone filtrados por Brian Eno. Seguindo os títulos das músicas, Ghost Box é uma roadtrip que vai de "Wichita" a "Laredo" e dá a volta para regressar ao ponto de partida, com "Canyonlands (Return to Wichita)". Uma viagem musical que nem sempre pára em locais tão fascinantes como "Wichita" e "Late Night Call", mas que prossegue sempre interessante. Em novembro esta aventura solitária pelo velho oeste vai tornar-se mais longa, quando sair a versão expandida do álbum com quatro faixas novas.
Rui Santos






Loved // Season of Mist // agosto de 2018

8.0/10

Os canadianos KEN Mode regressam com Loved, a sua oitava coleção de faixas contundentes e com o noise a mil à hora. Apesar do facto de os KEN Mode contarem vinte anos de carreira, só recentemente, pela altura do lançamento de Entrench e com a crescente popularidade da nova vaga de noise rock multifacetado, é que eles conseguiram ganhar algum reconhecimento pelo seu percurso consistente em termos de registos e performances ao vivo, apesar da ligeira recaída na forma de Success. Posto isto, é seguro dizer que a banda está de volta ao topo de forma com o lançamento de Loved, que conta com um alinhamento de nove faixas cujo objetivo é tomar de assalto o ouvinte. Durante os cerca de 35 minutos que cobrem o disco, a banda apresenta o seu som habitual caracterizado por um poderio lamacento e ruidoso de forma coesa. No entanto há certas faixas a quebrar um bocado o molde, como "Illusion of Dignity" - em que aparece um saxofone a rasgar -, "Very Small Men" - a ser mais apunkalhado e frenético que o resto - e a faixa de encerramento "No Gentle Art" que evolui gradualmente, de uma relativa amenidade para uma brusca investida sonora.
Ruben Leite



Tropa Magica // Tropi Records // setembro de 2018

7.5/10 

O projeto de tropicalia psicadélica, Tropa Magica, composto pelos irmãos David e Rene Pacheco lançou o seu primeiro álbum longa duração depois de ao longo do ano estrearem um EP (Y La Muerte de Los Commons) e diversos singles. Desde 2012 a espremer as influências psicadélicas californianas na sua banda Thee Commons, neste novo projeto os irmãos tiveram a liberdade para polvilhar o seu cocktail musical com um pouco de tropicalia brasileira e ritmos de cumbia colombiana. Produzido por Cesar Mejia (Herbie Hancock, Brian Eno, Los Lobos), o som de Tropa Magica é uma autêntica festa, um dos discos mais animados e dançáveis do ano. A introdução surge com um piano romântico em "Ya Viejo" e abre as portas para o baile, seguida pela apropriadamente chamada "Disco Queen". A música que melhor identifique a personalidade da banda é "Morena", onde os irmãos Pacheco convidam "todos a bailar" por cima de uma secção rítmica contagiante. Outro destaque do álbum vai para a satírica "Primus Sucks", referencia à banda californiana liderada pelo icónico baixista Les Claypool, enquanto utilizam algumas linhas de baixo inspirados na técnica do mesmo. Apesar de lançado no final de setembro, a Tropa Magica aproveitou os resquícios do verão para lançar um disco inspirado com inúmeros rasgos de genialidade. Atenção a estes meninos que mostram um enorme potencial para o futuro.
Hugo Geada





Superior State // Artefact / Crybaby //outubro de 2018

8.0/10

Os RENDEZ-VOUS editaram este ano o seu muito aguardado disco de estreia, Superior State, que vem dar sucessão aos bastantes aclamados EPs Rendez-Vous (2014) e Distance (2016). Quatro anos depois do primeiro EP a banda parisiense - que se destacou rapidamente dentro do panorama underground após o lançamento do single "Distance" - regressa agora aos holofotes com o novo disco Superior State, uma coleção de novas sonoridades, além do post-punk abrasivo a que nos têm vindo a habituar. Apresentado através de "Double Zero”, que teve direito a um vídeo marcante, numa sonoridade aproximada aos ritmos de The Soft Moon foi, mais recentemente, em "Sentimental Animal" que os RENDEZ-VOUS nos mostraram que Superior State não é um disco para meninos, mas o reflexo de uma banda matura e pronta a exibir o seu enorme potencial. Nesta estreia os RENDEZ-VOUS mostram que rótulos não lhes fazem jus e que a sua música transmite o que tem de transmitir com eles bem a querem e condicionam. Uma coleção de dez canções da vanguarda com temas como "Exuviæ" e "Superior State" a atirá-los para os campos da música industrial dos anos 2000, "Midle Classe" - a fazer lembrar a synthpop influenciada pelos 80’s de bandas como M83 - e ainda a balada "Last Stop", a refletir as malhas mais depressivas do post-punk contemporâneo. Um disco prontinho para arrasar as pistas de dança mais arrojadas.
Sónia Felizardo



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sexta-feira, 12 de outubro de 2018

[Review] HHY & The Macumbas - Beheaded Totem


Beheaded Totem // House Of Mythology // setembro de 2018
9.0/10

Há álbuns que nos fazem questionar a própria definição de jazz. Outros, aquilo que é esse chavão distante e impossível de concretizar que é a música do mundo. Ainda outros ousam em quebrar para lá das barreiras da conotação experimental. Beheaded Totem, novo álbum dos HHY & The Macumbas editado pela House of Mythologyé um compacto vitamínico que praticamente sem se esforçar expande o conceito da música de dança experimental do século XXI. A verdade, é que os rótulos existentes não chegam para enquadrar este trabalho no panorama da arte sonora contemporânea. 

Enquanto que muitos dos trabalhos que têm saído dentro do mundo do jazz de fusão ou de forma livre são edificados nos moldes que já tinham sido construídos, o grupo liderado por Jonathan Uliel Saldanha - discutivelmente um dos artistas portugueses mais interessantes da atualidade - desconstrói o jazz, a música electrónica, a "world music" e a música de dança e a partir destes destroços edifica um ritual único e estranhamente dissociado das suas origens. Beheaded Totem existe não só enquanto álbum, mas também como um exercício de arte pós-moderna bem sucedido.

As secções de sopro são quase nobres e sacrilégios em simultâneo - a sua dimensão em faixas como Deep Sleep Routine e Danbala Propagada tornam-nas quase adequadas a um enquadramento clássico, não fossem os elementos de improvisação e ecos que quebram a previsibilidade. Os ritmos de dança latinos e africanos preenchem o espaço que rodeia a improvisação e condução de Jonathan Uliel Saldanha graças aos quatro percussionistas que integram a banda. Nos intervalos desta sonoridade e graças ao mesmo quarteto, faixas como Deep Sleep Routine, Ergot Glitter e Swisid Mekanize Rejiman reformulam a música electrónica de club numa versão electro-acústica pós-tribal. Será ainda impossível esquecer os momentos de maior liberdade musical como A Scar in the Skull e A Scar in the Bone

Talvez o melhor ponto de equivalência para este álbum será um intermédio entre o seminal Bitches Brew de Miles Davis, um álbum que ficou conhecido pela maneira como revolucionou o jazz ao integrar ritmos repetitivos facilmente associados a processos ritualísticos e instrumentos eléctricos neste cenário, e os ritmos electrónicos de editoras como a Príncipe Discos. É óbvio que HHY & The Macumbas não é igual a Miles Davis, Chick Corea ou Dave Holland, tal como não é DJ Nigga Fox ou Niagara; é apenas o produto de séculos de música a convergirem num transe ritualístico de jazz de dança. É só, e apenas isso.

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sábado, 29 de setembro de 2018

[Review] Alpha Strategy - The Gurgler


The Gurgler // Antena Krzyku // agosto de 2018
8.0/10


The Gurgler é o mais recente disco de estúdio dos canadianos Alpha Strategy, uma daquelas bandas que vocês têm de apontar aí no bloco de notas se são fãs de música desafiante dentro dos panoramas do rock experimental, art-rock e noise. Este novo disco, lançado no último dia de agosto pela Antena Krzyku, vem dar sucessão a Drink the Brine, Get Scarce (2016) e, além de desafiador – pelas suas quebras, transformações de ritmo e lírica – The Gurgler mostra-se ainda como um álbum provocativo, com músicas que nos conquistam ao mesmo tempo que desamparam. 

Além do art-rock que é definitivamente uma das grandes bases deste The Gurgler, os Alpha Strategy vão ainda beber influências ao post-punk, como é notório em malhas como "The Gargler", tema feito de guitarras rasgadas, ritmos monocromáticos e o sentimento nostálgico carregado na evocação vocal de Rory Hinchey. Ainda neste campo de misturas do rock artístico e do post-punk experimental dos anos 80, os Alpha Strategy avançam com "To the Woods That I Know", que é um daqueles temas muito bem concebido, com uma introdução, desenvolvimento e conclusão completamente em sintonia, apesar da sua personalidade arrastada.


Mas se é para falarmos de boas malhas deste disco podemos começar logo pela frenética música de abertura "I Smell Like a Went Tent", que entre intervalos rítmicos, uma voz desesperada e um ambiente tipicamente caótico apresenta a sofreguidão de se ser humano. Além desta também nunca esquecer de referir "Pissed Out The Fire" que abre com os jeitos da spoken-word contemporânea, aquelas guitarras cintilantes e uma percussão tipicamente calma, conduzindo-nos lentamente a um ambiente de confronto. "Parada" também segue as mesmas pisadas, apresentando-nos uma banda com uma evolução clara face ao trabalho antecessor.


Em suma, The Gurgler é um disco difícil. Difícil no sentido em que meia dúzia de audições não são suficientes para perceber todo o conceito que lhe está envolto. Difícil no sentido em que as regras da composição musical são mudadas e conduzidas como o quarteto de Toronto quer. Difícil também porque se apresenta como um trabalho sonoro bastante diferente daquilo que se tem feito, além de difícil de rotular. The Gurgler é claramente um disco da vanguarda para ouvintes que querem o som da frente.
 

Os Alpha Strategy são Rory Hinchey (voz, lírica), James McAdams (guitarra), Evan Sidawi (bateria e percussão) e Dan Edwards (baixo/guitarra). Aproveitem para conhecer melhor a banda através da sua página do Facebook, ou se preferirem pela página do Bandcamp.



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