segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Hermetic Brotherhood of Lux-Or - "Ruins and shell casings" (video) [Threshold Premiere]


Hermetic Brotherhood of Lux-Orthe Sardinian duo from Macomer - is back this year with the eighth studio album Sex and Dead Cities which, conceptually speaking, is both a reflection, a meditation and a testimony of an area left to itself to rust, where living it's difficult, if not unbearable. In an environment like this survival becomes a necessity and Hermetic Brotherhood of Lux-Or makes it clear in the five tracks that compose Sex and Dead Cities, including industrial reminiscences, feral screams and psychotropic paranoia.

In order to present this new full-length, Laura Dem and Mirko Santoru are now premiering "Ruins and shell casings", the first single from Sex and Dead Cities that will project you to an atmosphere full of uncomfortable sound explorations, in a rite manifested through obsessive repetition and daze"Ruins and shell casings" - one of those challenging singles including a deep artistic mindset - is now available to explore. The single comes with a new music video bringing some lo-fi footages really intense. You can now watch it first-hand below.


Sex and Dead Cities is out on October 25th through the unflagging Italian label Boring Machines. Pre-order the album here.


Sex and Dead Cities Tracklist:

01. To die in a decayed country
02. The river flows from the incinerator
03. Ruins and shell casings
04. Seven minutes of nausea 

05. Fear of the living

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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

STREAM: The Day I Lost My Shadow - The Traveler [Threshold Premiere]


The Day I Lost My Shadow é o novo projeto a solo de André Gonçalves, atual baterista da banda Ulfberth (que em breve lançará o seu primeiro disco) e ex-membro da banda Mother Abyss. Recentemente criou o seu próprio estúdio, de nome Adrift Studio, que se localiza em Viana do Castelo. André divide o seu tempo entre Viana do Castelo e Porto, sendo que foi no seu estúdio que teve a ideia para este projeto.

The Traveler foi o nome escolhido para o primeiro disco de The Day I Lost My Shadow. Aqui notam-se influências desde Cult Of Luna a Perturbator, onde André combina vocais mais pesados com sintetizadores distorcidos de forma a obter um casamento perfeito, vagueando pelos campos da escuridão, esperança e melancolia.

Depois do lançamento em agosto do single "A Stranger's Dream" e do lançamento há poucos dias do single "Pale Horse" (que inclui videoclip), The Traveler vê hoje a luz do dia. Um projeto que vale a pena manter debaixo de olho e que vai rodar muito por estes lados.

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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Førest Fires - "Strong Winds" (João Vairinhos Remix) [Threshold Premiere]


Førest Fires, o novo projeto criativo de Pedro Barceló (Löbo) e um dos nomes promissores na eletrónica dark, juntou-se a João Vairinhos (The Youths, WildnortheLöbo, Ricardo Remédio) para dar uma nova roupagem a dois dos temas que fazem parte do seu EP I, editado em junho deste ano - "Strong Winds" e "Climate Change". Os temas estão inseridos na primeira edição física de Førest Fires que chega às prateleiras este ano em formato vinil e inclui a reedição de dois temas do EP I, juntamente com os dois remixes de João Vairinhos para esses temas.

Se na versão original de "Strong Winds" Førest Fires nos apresentava um ambiente sinistro desenvolvido em ritmos mais tensos, na versão remix, João Vairinhos consegue criar um ambiente ainda mais poderoso e altamente abrasivo com uma eletrónica tingida a negro e um convite aberto à ação. É que (para quem não sabe) Pedro Barceló procura abordar a temática das alterações climáticas e suas consequências e, neste novo remix, João Vairinhos consegue criar uma eletrónica incessante que incita ao comportamento efetivo e não apenas à tomada de atitude. 

O vinil tem edição prevista para dezembro com o selo da Regulator Records e Ring Leader pensada em duas versões, uma regular e outra com uma capa criada por CVSPE, artista lisboeta que já trabalhou com artistas como UNIFORM, Nancy Knox, entre outros

"Strong Winds (João Vairinhos Remix)" chega às plataformas de streaming na próxima quarta-feira. Aproveitem para o ouvir em primeira mão aqui: 


Tracklist edição regular:

Side A 
01. Strong Winds 
02. Climate Change

Side B 
01. Strong Winds ( João Vairinhos Remix) 
02. Climate Change ( João Vairinhos Remix)

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sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Affet Robot - "Fırtına" (video) [Threshold Premiere]


Affet Robot (meaning Forgive Robot) - the solo project of the Istanbul based musician Eren Günsan - is releasing today a new music video for the track "Fırtına", included in his new EP Huzursuz Seyirler that is out this Friday. This new release comes out two years after his debut in the music industry with the LP Röntgen, a collection of eight songs that combines some darkwave/new-wave characteristics with a synth-pop ambiance. Within this world, Affet Robot creates his own atmosphere by gathering some influences from the obscure side of the 80's and creating something that puts the past and the present hand in hand.

Huzursuz Seyirler EP was recorded at Red Bull Studios in Amsterdam and brings together compositions that include analog synthesizers, drum machines, reverbed vocals, chorus laden 80's iconic guitars and melancholic Turkish lyrics. To celebrate the release of this new material Affet Robot is premiering a new music video for the theme "Fırtına" - directed and edited by Yağmur Akın Karagöz. You can now watch first-hand the vídeo for "Fırtına" below.


Huzursuz Seyirler EP is being released today, September 27th, through Audioban Records.

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De Marion - "Frown" (video) [Threshold Premiere]

© Maria Vittoria Trovato

De Marion é o apelido do italiano Dario Serra, guitarrista dos Suzanne'Silver. Caracterizando-se como um compositor de quarto apaixonado por Syd Barrett que atua no espectro sonoro a englobar sinistras melodias folclóricas de blues, De Marion não esconde o seu amor pelo fuzz, samples inúteis e erros de performance. É pois, neste cenário de paixão imperecível, que o cantautor regressa aos noticiários do underground com o primeiro tema de avanço do novo trabalho, "Frown".

Down The Road Of Mainstream I Saw You, Canzone é o terceiro trabalho de carreira de De Marion e chega 11 anos após My Kingdom For A Couch (2008, Noja Recordings). Nos últimos dez anos, o projeto evoluiu e tornou-se numa dupla que é atualmente composta por Dario (voz, guitarra, sampler) e Danilo Garro dos Mashrooms (bateria, sintetizadores). O novo tema colaborativo entre os dois, "Frown" - uma música liricamente focada na violência - engloba as auras criativas e experimentais do folk-rock e é apresentado em formato audiovisual, num trabalho que se pode ver abaixo.


Down The Road Of Mainstream I Saw You, Canzone tem data de lançamento prevista para 25 de outubro pelo selo Noja Recordings.

Down The Road Of Mainstream I Saw You, Canzone Tracklist:

01. Frown 
02. God Put A Blind Flange In His Path 
03. Sun Distorted You 
04. Sburramento Fulmineo In La Minore 
05. Danny Boy 
06. Matthew 
07. Spoon 
08. Grains 
09. Gibbous 
10. Gangbang Disco White 
11. Wasted Time With Nonchalance

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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Inutili - "Space Time Bubble" (video) [Threshold Premiere]


Os Inutili são uma banda baseada na comuna de Téramo, Itália. Se tivéssemos que os definir em termos da sua sonoridade, poderíamos dizer que eles se encontram algures entre os Butthole Surfers, os Ween e os Flipper. Tão dissonantes quanto explosivos sem nunca se levarem demasiado a sério. E depois do LP Elves, Red Sprites, Blues Jets (2016) e do split Defects / We Don't Play que partilharam com os seus conterrâneos HALLELUJAH! (2017), eis que os Inutili regressam às edições com o longa-duração New Sex Society, o seu mais trabalho que saí hoje mesmo em formato digital, CD e LP, e conta com edição da norte-americana Aagoo Records

O tema que avança o disco chama-se "Space Time Bubble" e discursa sobre a natureza das relações amorosas. Este tema teve ainda direito a uma rendição audiovisual completamente NSFW que simultaneamente repudia os bombardeamentos de anúncios e entretenimento estéril que todos sofremos diariamente e promove a luta pela defesa das liberdades individuais de cada um de nós nestes tempos de ódio, fobia e apatia pelo próximo em que vivemos. 

Abaixo fica o vídeo de "Space Time Bubble". 
Podem encontrar o link para adquirir New Sex Society AQUI.



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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Spiralist - "Nihilus (Ricardo Remédio Remix)" [Threshold Premiere]


Em antevisão do novo EP The Church Dyed Black - a ser editado já no final desta semana - Spiralist estreia hoje o segundo tema de avanço que incorpora a tracklist deste novo trabalho, "Nihilus (Ricardo Remédio Remix)". O EP, anunciado em julho de 2019 será composto por um total de duas músicas, a homónima "The Church Dyed Black" e o remix para "Nihilus" que é hoje disponibilizado publicamente. Num trabalho que explora novas vertentes na sua carreira musical Spiralist mostra a sua abrangência em explorar auras mais experimentais, tanto nos arranjos eletrónicos, como na própria voz.

The Church Dyed Black chega às prateleiras aproximadamente um ano após a edição do disco de estreia Nihilus, do qual foi extraída originalmente a faixa à qual Ricardo Remédio decidiu dar uma nova roupagem. Afastando os guturais da composição o produtor português recria a faixa numa versão puramente instrumental e que engloba texturas que vão desde o atmospheric metal à synthwave mais sorumbática.

The Church Dyed Black EP tem data de lançamento previsto para 20 de setembro pelo selo Microfome.



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terça-feira, 17 de setembro de 2019

7 ao mês com LOLA LOLA


Os LOLA LOLA são uma banda oriunda da cidade do Porto. Formaram-se em 2014 por Tiago Gil (Guitarra), Miguel Lourenço (Baixo) e Hélder Coelho (Bateria), todos eles vindos d’Os Tornados, a quem se juntaram mais tarde a voz desconcertante de Carla Capela, conhecida da noite portuense como DJ Just Honey e um pujante sax barítono, atualmente nas mãos do mestre Rui Teixeira.

Alimentados pelo universo musical das décadas de 50 e 60 e inspirados pelo R&B/Popcorn, 60´s Beat e Rock n’ Roll, os LOLA LOLA percorrem estradas ibéricas na pista de clubes e festivais, inflamando públicos e deixando pelo caminho sapatos gastos e ouvidos enamorados. Editaram entre 2015 e 2018 três singles pela prestigiada editora independente Sleazy Records e, este mês (20 de setembro), chega-nos o quarto registo fonográfico dos LOLA LOLA, “Killed a man in a field”, a sua estreia pela reputada Chaputa! Records. Este novo single conta também com uma interpretação fulminante do tema de Joy Byers “Somebody’s always trying”.

Para a edição de setembro do 7 ao mês convidámos os LOLA LOLA para elegerem sete artistas que de alguma forma influenciaram o seu percurso como banda. Disfrutem das suas escolhas e oiçam-nas em baixo.

Lavern Baker - "Bumble Bee" 


Esta é a nossa primeira escolha desta lista porque, quando convidamos a Carla para vir experimentar um ensaio connosco, foi a música que ela escolheu para cantar. De algum modo, esta é a nossa música de abertura, representando o início do que viriam a ser os LOLA LOLA. Não chegamos a tocá-la ao vivo. A música foi escrita por Leroy Fullylove e LaVern Baker, foi produzida por Jesse Stone e editada pela Atlantic em outubro de 1960. É uma bomba de R&B.

Billie Davis and The Leroys – "Whatcha’ Gonna Do"


Esta música também fez parte das nossas primeiras jam sessions. Chegamos a tocá-la ao vivo nos primeiros concertos e até em rapsódia com a "Ev’ry Day", também cantada por Billie Davis. É provável que regresse ao alinhamento, com outras roupagens, numa outra versão. A música foi editada pela Columbia em setembro de 1964 e exemplifica na plenitude o som beat britânico, emergente no início da década.

Willie West – "Willie Knows How"


Com o Soul/R&B certo de quem cresceu nos arredores de New Orleans, Lousiana, cantada por Willie West, é um dos covers preferidos da banda para concertos. A música foi editada pela Rustone em março de 1961. Willie West rosnou-nos esta mensagem, com as amígdalas desgastadas de uísque, convincente de que ele sabe melhor do que nós. Simplesmente ouçam-na e imaginem o efeito que isso terá numa pista de dança cheia. Não irão precisar de pensar muito… e isso é raro!

King Solomon – "Separation"


"Separation", ao contrário da letra, costuma ser a nossa música de união. É perfeita para olear a banda em ensaio ou sound-check, mas também funciona com o público, pois é um hit reconhecido que faz dançar e cantar. A música foi escrita por Mary Solomon, produzida por King Solomon e editada pela Mader em 1967.

Curtis Knight - "Voodoo Woman"


"Voodoo Woman" é uma das canções do double-sider e terceiro single dos LOLA LOLA. É uma magnífica e sentida prece de uma alma em apuros. A música foi escrita por Curtis Knight e Samson Horton, editada pela Gulf em 1961.

Ernestine Matchett - "You Dropped Me"


A primeira vez que a Carla tentou cantar esta música, não conseguiu. Desgostos de amor não são com ela. Hoje em dia, é um dos covers que prefere cantar. A música foi escrita por M. Scott e editada pela York.

Ted Taylor - "Somebody’s Always Trying"


Esta música fez parte de muitas sessões noturnas de partilhas musicais, surgindo espontaneamente nas desgarradas dos ensaios, tornando-se repetente. Com pulsação para mexer a pista de dança, é hoje o lado B do nosso quarto sete polegadas, a sair este mês pela Chaputa! Records, sendo a nossa homenagem à enorme compositora americana, mais conhecida pelo seu trabalho com Elvis Presley, tendo assinado sucessos, tais como "Please Don´t Stop Loving Me" do filme Frankie and Johnny de 1966, "C'mon Everybody" do musical Viva Las Vegas de 1963 e "Let Yourself Go" do filme Speedway de 1968. A música foi escrita por J. Byers, produzida por Billy Sherill e editada pela Okeh.



Os LOLA LOLA aproveitam o lançamento do seu quarto 7’ para regressar aos concertos. Os locais escolhidos para apresentação e lançamento de Killed a man in a field são o Sabotage Club, no dia 18 de Outubro, e o Barracuda Clube de Roque, no dia 19 de Outubro.

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segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Cinco Discos, Cinco Críticas #49


Quase a chegar à meia centena de edições regressamos com mais cinco críticas a cinco discos que se têm realçado nossa playlist. Num ano que começa lentamente a aproximar-se do seu fim, destaque então para as novas edições de Black Mass - Animated Violence Mild (2019, Sacred Bones Records); Silent EM - The Abscence (2019, Disko Obscura); Glass Beach - The First Glass Beach Album (2019, self-released); The Black Furs - Stereophonic Freak Out Vol.1 (2019, self-released) e drowse - Light Mirror (2019, The Flenser).

Podem ler a 49ª edição do Cinco Discos, Cinco Críticas, bem como ouvir os mencionados discos, na íntegra, abaixo.

Animated Violence Mild | Sacred Bones Records | agosto de 2019

8.0/10

Animated Violence Mild é o título do mais recente trabalho de Benjamin John Power, um dos membros fundadores da banda Fuck Buttons, mais conhecido por Blanck Mass. Depois do sucesso de álbuns como Dumb Flesh ou World Eater, Power reformulou o seu estilo e tornou a sua eletrónica mais poderosa e catártica, criando assim uma torrente viciante de ruído apocalíptico que culminou neste seu último trabalho.
Neste álbum, Power cria uma espécie de pista de dança onde se alia uma evisceração industrial a um techno que já é habitual em Fuck Buttons. Talvez arrisque dizer que este álbum é uma espécie de "música de carrinhos de choque" com uma dose avassaladora de música electro-industrial e gritos viscerantes, tornando-o único e extremamente viciante. Fica claro que Benjamin John Power poderia facilmente optar por um género musical mais dançante se assim o entendesse. Não obstante, parece não ter interesse nisso, já que cada música é mais uma experiência sonora inigualável. 
Um trabalho surpreendente, abrasivo e incandescente. Pode muito bem ser o melhor disco a solo de Power, congruente com a última década e meia de exploração por novos domínios no mundo da música. Nos últimos oito anos, Blanck Mass avançou lentamente para se tornar um dos produtores experimentais mais empolgantes do Reino Unido. Animated Violence Mild é uma experiência sonora fantástica e delirante, que estará certamente nos tops musicais de 2019.
David Madeira





The Abscence | Disko Obscura | julho de 2019

7.5/10

Jean Lorenzo, o artista por trás da identidade Silent EM lançou em julho deste ano mais um longa duração pronto para arrasar as pistas de dança mais góticas mundo fora. Com um historial por trás de bandas de post-punk desde a tenra idade foi, em 2010, com a mudança para uma nova cidade que as caixas de ritmos e os sintetizadores construíram o seu caminho a solo no mundo da música. Cinco anos mais tarde, depois de alguns EP's e 7'' singles surge então o primeiro trabalho em colaboração com Ortrotasce, Common Loss (2015) que o leva a algum reconhecimento pela América. Em janeiro do ano passado, na alçada da Detriti Records, Silent EM lançou o LP Foreign States e chega um ano depois para se afirmar na Europa com The Abscence, um disco recheado de hits altamente energéticos e aliciantes para os fãs da eletrónica mais gravativa e obscura.
A explorar temas como desilusão, guerras e utopias de amor perdido, Silent EM cria uma sonoridade que vai beber influências ao industrial, EBM, synth-punk e alguma coldwave francesa. Neste The Abscence destaque para temas como "Machine" - altamente recomendado a fãs de QUAL e Lebanon Hanover; "Last Rites" - a explorar a interseção entre synthwave e techno; a grande malha do álbum "No Rest" e, ainda, "Wraith" a fazer lembrar nomes icónicos da EBM como Nitzer Ebb e Front 242 e ainda as paisagens mais contemporâneas de nomes como Poison Point
Numa eletrónica contextualmente negra e pesada Silent EM constrói um disco que - sem acrescentar algo novo ao que já se tem vindo a produzir dentro destas atmosferas eletrónicas mais sombrias - consegue surpreender e proporcionar uma certa reação no ouvinte. Sem dúvida, o trabalho mais coeso de Jean Lorenzo até à data.
Sónia Felizardo





The First Glass Beach Album | self-released | maio de 2019

8.5/10

Nas suas músicas mais diretas, os Glass Beach apresentam um power pop e pop punk moderno, mas a banda parte dessa essência para múltiplas direções, fundindo várias sonoridades. As fronteiras entre a música pop e géneros como o midwest emo, a indietronica e o pop mais progressivo são desafiadas em faixas que ultrapassam os seis minutos de duração ou curtos interlúdios eletrónicos. Entre os refrões emotivos e as guitarras energéticas - que evocam artistas como Jeff Rosenstock - há espaço para sintetizadores ("Bone Skull"), pianos jazzy ("Bedroom Community"), baterias digitais ("Dallas") e, ainda, auto-tune ("Soft!!!!!!"). 
The First Glass Beach Album é bastante dinâmico e equilibra músicas bombásticas e calmas, guitarras distorcidas e sintetizadores limpos, composições simples e complexas. Esta diversidade torna-o ocasionalmente confuso, mas a ambição e versatilidade da banda dão um encanto especial ao disco. As linhas de baixo são funky, algumas melodias de voz catchy (como nas primeiras duas faixas) e a produção e mistura de J McClendon, líder do projeto, são excecionais. As letras agridoces, cantadas de forma sincera e impetuosa, retratam temas como amor, solidão e alienação. 
Os Glass Beach estreiam-se em grande, com uma coleção de canções imprevisível, eclética e muito peculiar, onde se destacam as enormes "Bedroom Community" e "Dallas". É um álbum longo, mas que nunca se torna cansativo. Não o deixem passar despercebido.
Rui Santos





Stereophonic Freak Out Vol​.​1 LP | self-released | agosto de 2019


8.0/10

É da Argentina que nos chega um dos melhores álbuns de stoner (e de qualquer tipo género de música que envolva distorções e fuzz em instrumentos de cordas) do ano. Stereophonic Freak Out Vol.1 LP é o segundo álbum de longa duração dos The Black Furs e apresenta-se com tal pujança que os argentinos já parecem uns veteranos nesta cena musical. Um casamento perfeito entre o mais sujo dos blues e os punitivos graves do doom metal, com uma narrativa colada através de emissões de rádio (recordar o Songs For the Deaf dos Queens of the Stone Age) este álbum vai certamente revelar-se um grande deleite para todos os fãs deste som descendente dos Black Sabbath
Apesar de ser fácil etiquetar esta banda como stoner ou doom, os The Black Furs têm uma personalidade e identidade muito forte. As raízes latinas não são esquecidas com ritmos exóticos nas percussões, algo que ajuda a banda a conseguir o seu distintivo som, auxiliado também pela utilização de instrumentos pouco convencionais como o mandolim, o berimbau, shakers e guitarras slide. Algo que os afasta do esterótipo stoner, é a ritmada cavalgada com muito groove e mais acelerada do que é mais frequentemente associado a este género. O único problema que este afastamento pode acarretar é agravar o risco de um torcicolo provocado pelo headbang descontrolado. 
Na introdução da música "Black Limousine Blues", um dos interlúdios radiofónicos do álbum, uma apresentadora pede aos ouvintes para ouvirem a nova música da banda "mais pesada, mais suja, e mais maléfica da Argentina, os The Black Furs" e, sem qualquer tipo de bazófia, ela é capaz de ter acertado por completo na sua descrição.
Hugo Geada





Light Mirror | The Flenser | junho de 2019 

8.0/10 

O sucessor do LP Cold Air (2018) é o terceiro disco lançado por Kyle Bates sob o pseudónimo drowse e o segundo que conta com a chancela da Flenser, uma casa que se dedica à oferta e curadoria de música extrema e experimental, na qual podemos também encontrar os Have a Nice Life, o Planning for Burial, os Wreck and Reference, entre outros. Light Mirror é, à imagem do que sucede em Cold Air, um trabalho extremamente pessoal, marcado pelo extenso período em que Bates permaneceu na residência artística NES, que teve lugar em Skagaströnd, uma região localizada no norte da Islândia. Ainda que tenha desenvolvido durante essa residência o projeto Fog Storm, grande parte do tempo de Bates foi passado em isolamento forçado durante o qual ocorreram largos períodos de introspeção e contemplação acerca da natureza humana e de como esta reage à solidão. 
De regresso aos EUA, seguiu-se um trabalho quase ininterrupto e obsessivo de gravação de um disco que refletisse o seu estado de espírito emocional. Bates foi diagnosticado com Transtorno Bipolar Tipo I, o que o obrigou simultaneamente a lidar e a aceitar não só a sua condição de saúde, mas também o forçou a lidar com a sua postura introspetiva em relação a tudo o que o rodeia, encontrando na sua música um escape e uma forma de conectar com essas diferentes realidades. Desse confronto interno resulta um álbum extremamente pessoal, que trespassa o seu recente diagnóstico no tema "Bipolar 1" - Bipolar 1 / Definition is a mirror / So I’ve been running half my life / Alone with voices in the night / Can you feel their floating warmth in the night sky? / All the fields are swelling up, giving new - a sua introversão crónica em "Between Fence Posts" - Fence in Winter / Overgrown / And closed / Four sides / Nothing enters / Just silent snow / Trust that it won’t open up; / Seasons change and it remains untouched - e a perda de entes queridos em "Betty" - You never pictured you'd live to watch / Your own body giving up / Your hands shake too much to paint; / Alone at 93, all thoughts and memories / Know that I found love / She’s an artist too; / She faces the world openly / Shining through / Just like you
Lírica à parte, a sonoridade é complexa, com várias camadas que compreendem vocals, instrumentação, field recordings de elementos naturais e gravações de conversas antigas entre Bates e amigos seus. Fãs de Grouper, Slowdive e Mount Eerie irão encontrar aqui motivos de alegria ou talvez, melhor dizendo, algum consolo e conforto emocional ao saber que alguém algures a tentar transformar alguma da tristeza desta existência terrena em algo belo.
Edu Silva



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segunda-feira, 29 de julho de 2019

Oiçam: Moon RA



Moon RA é Marie le Rose, compositora, multi-instrumentista e terapeuta musical sediada em Florença. A artista pluridisciplinar conta edições por selos como a Chemical Tapes, Laverna ou a No Problema Tapes, e as suas performances foram palco para eventos como o festival Sons Libérés, em Bruxelas, o Festival La Centrale, em Bordéus ou o FreeQ, em Génova. 

O seu último disco, GCT, recebeu edição pela lendária editora The Tapeworm e nasce após um doloroso hiatus de um ano, fruto de uma recaída que a obrigou a alternar entre vários hospitais e clínicas. As gravações de campo retiradas desses mesmos espaços acabariam por integrar as composições do anterior disco Promenade Magnétique, lançado em maio último pela Czaszka Records, mas podemos escutá-las com maior detalhe nas dez peças que compõem o seu mais recente esforço, descrito pela própria como “uma pequena ópera” que procura comunicar, através da sinestesia, as mesmas sensações sentidas nos momentos de maior dificuldade e sofrimento. Um disco inspirado pelos conceitos da dor física e que retira o seu título de uma teoria sobre a mesma (Gate Control Theory). O disco contém ainda instrumentação acústica, fita, Walkmans e um sintetizador modular Buchla, que usa para forjar composições da mais abstrata música concreta. 

GCT encontra-se disponível via The Tapeworm em edição física (cassete, 100 cópias) no Bandcamp da editora. 

Em baixo, fiquem com Promenade Magnétique, um conjunto de seis composições eletroacústicas disponíveis para audição online.


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sábado, 27 de julho de 2019

Oiçam: Førest Fires


Førest Fires é o novo projeto criativo de Pedro Barceló - um nome que se tem destacado no panorama musical underground em Portugal essencialmente pelo seu papel como guitarrista na banda de sludge/doom metal de Lisboa, Löbo e ainda como engenheiro de som. Num caminho fomentado desde cedo nos mais divergentes ramos da produção musical, Pedro Barceló identificaria mais tarde a necessidade de esculpir elementos e efeitos sonoros que funcionassem dentro do contexto de filme e/ou publicidade. Para responder ao problema criou Førest Fires e um conceito musical que é capaz de vos intrigar às primeiras audições.

Os problemas climáticos posicionam-se cada vez mais no epicentro de potenciais ameaçadores à sobrevivência e Pedro Barceló percebeu que conseguiria intercalar estas questões ambientais entre as unidades eletrónicas que tecem os primeiros dois EP's do produtor, I e II. Focado neste fenómeno e nas suas consequências para o meio ambiente, Førest Fires emerge para aludir a este flagelo em forma de som e, pontualmente, vídeo (como é o caso do tema "Climate Change" que tem direito a um trabalho audiovisual disponível aqui).

Neste âmbito surgem então os primeiros EP's do produtor lançados em maio passado. Assim, em I - disco que de uma forma geral aborda as causas da mudança climática - Førest Fires inclui uma experiência sonora que compreende os emaranhados e crescendos da música eletrónica num som ambiente profundamente denso e imune de voz. Com recurso a uma comunicação tão simples como o título das canções e um desenvolvimento, tipicamente lento com algumas mudanças de rotina é em temas como "Wildfires", "Climate Changes" ou "Strog Winds" (o vento mais poderoso deste primeiro EP) que Førest Fires nos começa por cativar a entrar nesta viagem bastante hipnótica.


Como nem só de causas se faz um fenómeno climático, Førest Fires não deixa, portanto, inertes as consequências nefastas que advêm deste problema ambiental. Numa segunda visão com II, o produtor sediado em Lisboa inflama a emergência de uma mudança, não de atitude mas de comportamento. Temas como "Radiation" - um atentado de monotonia industrial e sinistra - "Air Quality" - a incutir a dificuldade na respiração de um oxigénio puro - ou o tema de encerramento "Ozone Depletion" - a sintetizar o efeito das tempestades e a destruição do nosso escudo protetor - mostram o incrível potencial imagético da eletrónica confrontativa de Førest Fires.


Ambas as edições estão disponíveis em formato digital na plataforma Bandcamp do artista. Podem comprá-las aqui e já sabem, podendo é ouvir.

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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Cinco Discos, Cinco Críticas #47



Antes de partir para o segundo semestre de 2019 relembramos as edições que foram editadas nos primeiros seis meses do ano, entre as quais se incluem o disco de estreia das Otoboke Beaver - Itekoma Hits (Damnably, 2019); o segundo EP de estúdio de Sierra - Gone (Lazerdiscs Records, 2019); o disco de estreia dos aveirenses Troll's Troy - 18:05 (FLOP Records, 2019); o EP de estreia de Panther Modern - Los Angeles 2020 (self-released, 2019) e o também LP de estreia da dupla 100 Gecs - 1000 Gecs (Dog Show Records, 2019).

As opiniões aos referidos discos podem agora ser lidas abaixo, integradas na 47ª edição do Cinco Discos, Cinco Críticas.


Itekoma Hits | Damnably | abril de 2019 

8.3/10 

Otoboke Beaver é um quarteto de punk japonês com origem em Kyoto. Dez anos após a sua formação apresentam-nos o seu primeiro álbum de longa-duração, Itekoma Hits. O disco inclui, para além de novas músicas, temas dos últimos dois EPs, Love is Short e Bakuro Book, e novas gravações de faixas lançadas anteriormente. O culminar desta combinação é um álbum surpreendentemente coerente, composto por uma rajada de curtas doses de punk agressivo e divertido. Os temas não ultrapassam os três minutos de duração e quase não dão tempo para respirar, mas no fim fica a vontade de repetir a experiência. 
O baixo e a bateria são incansáveis e as guitarras trazem muitas vezes riffs viciantes a que nos podemos agarrar no meio do caos. As quatro vozes brilham quando respondem umas às outras ou complementam-se em partes cantadas em grupo, transmitindo muita personalidade e energia. Em alguns dos momentos mais caóticos perde-se a originalidade das composições, privilegiando-se a agressividade e rapidez, mas a banda mostra-se totalmente competente a tocar em ritmos mais acelerados. Há que destacar também a inclusão de secções imprevisíveis, que são lufadas de ar fresco no meio de canções como "Bad Luck" e "Anata Watashi Daita Ato Yome No Meshi". As transições entre diferentes abordagens são rápidas e fluídas, fazendo com que os momentos mais variados estejam integrados de forma homogénea. 
Entre as faixas a destacar estão "S'il Vous Plait", com as suas melodias instrumentais contagiantes que obrigam qualquer um a abanar a cabeça, e "Bakuro Book", cujo refrão é especialmente melódico e pop. Itekoma Hits são 27 minutos de punk barulhento e criativo que valem bem a pena. 
Rui Santos





Gone | Lazerdiscs Records | maio de 2019 

7.5/10 

Sierra, a produtora sediada em Paris, regressou este ano aos holofotes das paradas musicais com novo trabalho, o EP Gone que chega às prateleiras dois anos após a edição de Strange Valley EP (Lazerdiscs Records, 2017). Desde a estreia que Sierra nos tem vindo a mostrar que a synthwave, darkwave, eletrónica poderosa e com um toque francês lhe são bastante familiares, mas é com este Gone que esta se afirma mais longe. Através de um ritmo caleidoscópico, uma aura altamente abrasiva e um charme sensual Sierra apresenta em Gone um disco que vai muito mais além do que já tinha sido explorado em Strange Valley, abraçando mais concretamente géneros como a EBM, techno e darksynth
Sierra soube bem escolher o primeiro tema de avanço do disco, o homónimo "Gone" que, além de uma faixa facilmente aditiva e propícia a uma dança imediata é daqueles temas que dá uma vontade imediata de se fazer ouvir em loop. O disco prossegue com "Unbroken", um tema cujo início traz alguns alicerces dentro das paisagens da retrowave que rapidamente se desenvolvem entre ritmos do techno e camadas sintetizadas da synthwave. Segue-se "Leftover" (cujo início relembra a estética dos comparsas franceses Potochkine no tema "Jumeaux"), que avança para uma marcha de exploração experimental; a balada "A Matter Of Time" e, para finalizar, um tema que vai beber influências à minimal-wave, "She". 
Num disco com uma duração aproximada a 21 minutos Sierra oferece-nos uma viagem de aprendizagem e exploração aos vastos mundos da música eletrónica. Um disco que vale a pena explorar.
Sónia Felizardo





18:05 | FLOP Records | abril de 2019 

8.2/10 

O saxofonista Gabriel Neves, o guitarrista Jorge Loura e o baterista João Martins, o trio veterano com origem em Aveiro e que forma o conjunto Troll's Toy, lançou este ano o seu primeiro longa-duração de seu nome 18:05. A identidade sonora do grupo é descrita como se - e passa-se a citar - "Frank Zappa, Wayne Shorter, Richard Wagner e Egberto Gismonti se encontrassem num concerto de Tool e formassem uma banda"; ou seja, espera-se uma exibição de instrumentação jazzy com tendências experimentais e progressivas, nunca descurando os imensos desvarios virtuosos que se querem sempre de bom gosto. 
Quanto ao conceito do álbum em si, esse tende a explorar o sentimento de desordem e impotência pela qual uma pessoa pode passar durante um simples minuto - talvez um episódio aleatório de ansiedade, ou um acontecimento traumático - sendo que esse mesmo sentimento é transmitido pela banda por via de passagens em que o espírito de jam improvisada é rei e senhor, com trabalho rítmico esquizofrénico - ora mais ortodoxo, ora completamente caótico - e melodias que refletem ambientes que têm tanto de tenebroso como de atmosférico. No entanto, ao longo das nove faixas deste registo, não há como negar as conotações sonoras que se revelam de cariz elegante, e com uns motifs mais leftfield misturados aqui e ali para dar aquela textura mais peculiar. Há espaço para faixas mais tropicais como a "Khat", músicas mais eletrizantes como "Neurotransmissor", sons mais espaciais como "Derrota" ou "Azrail", tudo aglomerado numa só unidade de forma a dar corpo a uma experiência dinamicamente avolumada como a que 18:05 proporciona.
Ruben Leite





Los Angeles 2020 | self-released | maio de 2019

7.0/10 

O antigo vocalista e guitarrista dos agora extintos Sextile Brady Keehn – lançou-se este ano a solo sob o alter-ego Panther Modern, do qual emergiu em maio a primeira amostra desta introspeção a solo, Los Angeles 2020. Despindo-se de preconceitos e do post-punk revolucionário e de teor político que desenvolveu enquanto membro dos Sextile, Panther Modern é, de facto, uma pantera moderna dos sintetizadores e das caixas de ritmos. Se a eletrónica fica cada vez mais em voga Brady Keehn faz questão de o sublinhar, apostando em quatro malhas que se interligam entre si, mas que são criativamente distintas e bastante individuais em termos de personalidade (se o pudermos definir assim). 
Mas atenção que nem tudo é uma novidade, alguma da aura punk electro que já tínhamos sido convidados a ouvir no último EP que os Sextile editaram - 3 - volta aqui a ser consultada, mas num trabalho que a integra com o desenvolvimento monocórdico do techno, os beats da house music e alguns traços ligeiros da EBM. O disco, que abre com a quebra pistas de dança "Tasting Static", vai-se tornando mais orelhudo em temas como o incendiário "Take Me Of" e a industrial inspired "Creep" até chegar a "Body//reaction", tema que dá encerramento a esta estreia e que será talvez o mais propício a uma divergência de opiniões. 
Dono das pistas de dança ao invés dos clubes de punk Panther Modern pode vir a mostrar um futuro promissor. Los Angeles 2020 é um bom pontapé de avanço para um novo capítulo na carreira de Brady Keehn. A ver o que o futuro reserva.
Sónia Felizardo





1000 Gecs | Dog Show Records | maio de 2019

8.5/10

100 Gecs é o duo composto por Laura Les (aka Osno1) e Dylan Brady, produtor frequente de Night Lovell que remisturou o mais recente single da super estrela pop Charli XCX. A união entre os naturais de St. Louis é já de longa data e os primeiros trabalhos como duo começaram a circular em 2016, ano em que editaram o EP de estreia homónimo. O falatório a nível global chegaria este ano e de rompante, com um estonteante longa-duração a desafiar todas as leis possíveis do maximalismo. 
1000 gecs, assim se chama o disco, é detentor de um som grande, de produção berrante e vozes deformadas que nos cantam num tom vibrante e apoteótico. A abordagem bruta e caótica, por vezes desengonçada, com que se atiram aos 10 temas que compõem o disco pode aproximar-se, por vezes, às produções do coletivo britânico PC Music, com Sophie a remeter de imediato para os trabalhos dos americanos. No entanto, onde as músicas da escocesa se apresentam pristinas, as do duo aventuram-se por terrenos mais desalinhados. São orgulhosamente felizes com o erro, e é na incoerência que se encontra o verdadeiro encanto do disco, assim como a coragem e ousadia com que fundem estilos sem critério aparente. Há aqui guitarras, distorção, batidas arrítmicas, grindcore regurgitado, aventuras pelo ska, um rasgo imprevisível de brostep e baixos, muitos baixos. Pensem no Adoro Bolos e acrescentem-lhe mais dez estilos. 
1000 gecs é, talvez, a audição mais contagiante do presente ano, um disco peculiar produzido por um grupo que só sabe jogar pelas suas próprias regras e que só poderia existir numa época como esta.
Filipe Costa



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