Os YawningMan regressam a Portugal depois de um jejum de dois anos (a última vez que nos visitaram foi na edição de 2016 do Reverence Valada) para apresentar ao vivo o seu vindouro LP. Apesar desse disco ainda não ter um título definitivo, espera-se que os Yawning Man continuem a explorar os domínios do desert rock psicadélico. A banda irá apresentar-se ao vivo numa data única que terá lugar no Porto, no dia 11 de setembro, no Woodstock 69.
Deixamo-vos com "Ghost Beach", o single do vindouro disco, bem como as datas da tour que podem ser consultadas abaixo.
Volkan Caner e Doruk Öztürkcan são, atualmente, os She Past Away. Depois da sua estreia no Entremuralhas do ano passado, os turcos regressaram a Portugal numa tour com duas datas: 29 de setembro em Lisboa e 28 de setembro no Porto. Foi no Porto, num concerto com o toque da MIMO que a Threshold assistiu ao concerto da dupla.
Apesar da recente alteração de alinhamento da banda — dada a saída do baixista e membro fundador da banda İdris Akbulut, os She Past Away ficaram reduzidos ao formato duo — a banda não perdeu o seu traço sonoro. O tom monocórdico da voz de Caner perdura. A parte instrumental continua a invocar os melhores tempos de uns anos 80 vividos à base de copiosas audições dos trabalhos dos Cure, Joy Division, New Order e Bauhaus. A título de curiosidade, poderíamos dizer que Caner se assemelha a um Robert Smith nos seus anos de juventude (o seu cabelo eriçado e cara maquilhada ajudam a manter essa ilusão) e que Öztürkcan poderia passar por um dos membros dos Kraftwerk dado o seu uniforme de palco (camisa e calças pretas) e predileção pela ocupação parte eletrónica da instrumentação dos She Past Sway. Öztürkcan é também o produtor dos álbuns dos She Past Away.
Por todos os motivos acima enunciados, um crítico poderia argumentar que os She Past Away não passam de um pastiche de todas estas influências, não acrescentando nada de novo ao género do Post-punk/Goth-wave. E, na verdade. assim é.
Nada do que possam ouvir editado pelos She Past Away vos soará a novo. Mas digam-me, porque é que isso é mau?
Será que os She Past Away ou qualquer banda precisam necessariamente de acrescentar alguma coisa ao seu género musical? Não era o outro dizia que os maus imitam e que os grandes roubam?
É um facto que os She Past Away nada acrescentam ao Post-punk nem ao Goth-wave. Mas também é um facto de que a dupla é, atualmente, das bandas que melhor mesclam ambos os géneros. Os seus álbuns são repletos de memórias sonoras dos anos 80 — essa época dourada para o Post-punk e Goth-wave em que todas as grandes bandas que dão nome a ambos os movimentos existiram —e as suas performances ao vivo não desiludem.
Apesar das alterações no colectivo e perda de um dos membros fundadores — Akbulut — os She Past Away enquanto banda estão no ativo desde 2006 e lançaram este ano o seu mais recente LP, Narin Yalnızlık. O novo álbum foi o leitmotiv desta digressão.
Com o Narin Yalnızlık ainda fresco, escutaram-se mesmo assim malhas antigas como a "Sanrı" e a "Rituel". O calor português comoveu os turcos, que não arredaram pé do palco sem um triplo encore e um agradecimento pela oportunidade de, mais uma vez, mostrarem o que valem em território nacional.
A primeira parte do certame esteve a cargo do Homem em Catarse, esse portento do folk nacional que esteve também a apresentar o seu mais recente trabalho, o Guarda-Rios.
No passado dia 3 de setembro, a lisboeta Filho Único organizou mais um concerto no edifício da Culturgest no Porto. Desta vez, foi a estreia de Bill Kouligas — o mentor da PAN — em Portugal.
A PAN, para aqueles que não a conhecem, é uma das labels que mais tem apostado em artistas emergentes da cena IDM. Lee Gamble, Heatsick e Helm são alguns dos figurões que viram o seu trabalho editado pela PAN. A edição mais recente da label é o LP de estreia de M.E.S.H., o Piteous Gate. Mas falemos do homem que está por trás da PAN.
Bill Kouligas — por vezes também conhecido pelo pseudónimo Family Battle Snake — é um artista sonoro radicado em Berlim, a partir de onde tem comandado a PAN e colaborado com numerosos artistas como Sudden Infant, Christian Weber, RLW e Destroy All Monsters. Ao longo deste percurso que teve início mais ou menos no ano de 2007, Kouligas lançou alguns EPs e Splits, remixou algumas faixas e participou em duas sessões da prestigiada Boiler Room no formato DJ Set.
Agora, em 2015, Bill Kouligas decidiu finalmente editar o seu primeiro LP em nome próprio.
A apresentação desse LP — que, para já, ainda não tem título nem data de lançamento prevista — dá mote a esta tour. Em Portugal, Kouligas passou pela sede da Culturgest no Porto e pelo Museu do Chiado. Foi na Culturgest que a Threshold assistiu à performance do produtor helénico.
Ao longo de sensivelmente uma hora, escutámos aquele que será o novo álbum de Kouligas. E, ao longo de uma hora, a forma do som que Kouligas produziu variou entre o monolítico — com a exaltação de um único elemento sonoro — a repetição — através da sobreposição e multiplicação até à exaustão de um ou mais fragmentos sonoros — e o noise — a mistura de todos os elementos sonoros e sua uniformização através da adição de uma camada suja e corrupta da distorção sonora. A convergência de todas estas linguagens sonoras produziram uma viagem chocante e variada nas suas paisagens. Uma viagem que nos surpreende a cada esquina, que poderíamos perfeitamente confundir com os universos criados por grandes mestres da IDM tais como Tim Hecker, William Basinski e até Andy Stott. Mas Kouligas não se identifica a 100% com apenas uma destas personagens. Diríamos sim que esta viagem acrescenta mais um ponto a esses universos, destacando e convergindo o que de melhor eles contém.
Decisão acertada por parte da Filho Único em escolher uma sala mais acolhedora como é a da Culturgest para esta performance: um momento emotivo de Kouligas no qual apresentaria pela primeira vez ao público o seu vindouro LP.
Mas agora que está feita a primeira amostra deste belíssimo LP, impõe-se uma sala maior para acolher Bill Kouligas no seu regresso. Uma sala com dimensões proporcionalmente ajustadas às sonoridades deste LP: épicas.
A cantautora que editou o ano passado o Burn Your Fire For No Witness já confirmou a sua presença no Manta, em Guimarães, para o dia 5 de Setembro e, no dia 8, no Trienal de Arquitectura de Lisboa, num evento que é promovido pela Zé dos Bois.