Ainda estamos em recuperação do álbum colaborativo dos The Body + Uniform, -Everything That Dies Someday Comes Back - mas sabemos que em outubro já chegam à playlist mais malhas com a assinatura primeiros, os The Body. Apesar de não serem propriamente temas inéditos este disco apresenta uma peculiaridade: Remixed inclui uma nova roupagem às faixas do catálogo da dupla assinadas por vários amigos e colaboradores da dupla, com destaque para Lingua Ignota, Moor Mother, Container, Moss of Aura (Gerrit Welmers of Future Islands), Peter Rehberg (KTL, Pita), Mark Solotroff (Anatomy of Habit), Andrew Nolan (Intensive Care) e muitos mais.
A faltar cerca de um mês para o lançamento oficial já podemos ouvir o primeiro tema "Hallow Hollow", que conta com os vocais etéreos de uma das musas do black metal e colaboradora do duo norte-americano, Lingua Ignota.
Remixed tem data de lançamento prevista para 11 de outubro em formato vinil pelo selo Thrill Jockey Records, já se encontrando esgotado. Podem fazer pre-order do álbum digital aqui.
Remixed Tracklist:
01. A Curse (Remixed by Moss Of Aura)
02. Adamah (Rimixed by OAA)
03. Ten Times A Day Everyday A Stranger (Remixed by Container)
04. Denial Of The Species (Remixed by Mark Solotroff)
05. Off Script (Remixed by Moor Mother)
06. Wanderings (Remixed by Andrew Nolan)
07. An Urn (Remixed by Sow Discord)
08. Can Carry No Weight (Remixed by Peter Rehberg)
Aproximadamente um ano após a edição de Mental Wounds Not Healing - o disco que marca a estreia na colaboração entre dois dos mais conceituados nomes do post-everything - os Uniform & The Body regressam com uma segunda entrada, Everything That Dies Someday Comes Back. Comprimido numa amálgama sonora de influência abrasiva com destaque dentro de géneros como post-industrial, experimental electronics e noise e algumas batidas emotivas, o novo disco dos Uniform & The Body engloba um total de oito novos temas. Juntamente com o anúncio do álbum foi ainda revelado o primeiro tema de avanço, "Penance", disponível para escuta abaixo.
Auto descrito pela banda como "o meio termo entre Robyn e Corrupted, mas mais estranho", Everything That Dies Someday Comes Back apresenta um conceito especificamente extraído de uma longa linha de referências literárias e cinematográficas que estimulam o álbum. O resultado são nove faixas de fúria e confronto com momentos de beleza sonora que trazem à memória nomes como No Trend, Merzbow e Information Society, num caminho claramente característico.
Everything That Dies Someday Comes Back tem data de lançamento prevista para 16 de agosto pelo selo Sacred Bones Records. Podem fazer pre-order do disco aqui.
Everything That Dies Someday Comes Back Tracklist:
É difícil fazer um top que represente da melhor maneira os gostos musicais de todos os membros da redação da Threshold Magazine. É por isso que decidimos compilar as dez preferências de cada um num só artigo. Vejam aqui as escolhas de cada um de nós para os melhores álbuns editados em 2018.
David Madeira
1. Daughters –You Won’t Get What You Want 2. Anna von Hausswolff –Dead Magic 3. Anguish –Anguish 4. Bosse-de-Nage –Further Still 5. Mount Eerie –Now Only 6. Jon Hopkins –Singularity 7. Deafheaven –Ordinary Corrupt Human Love 8. Thou –Magus 9. KEN Mode –Loved 10. HHY & The Macumbas –Beheaded Totem Duarte Fortuna
1. Yves Tumor –Safe In The Hands of Love 2. Dedekind Cut – Tahoe 3. Earl Sweatshirt –Some Rap Songs 4. Skee Mask –Compro 5. Dean Blunt – Soul on Fire 6. Spiritualized –And Nothing Hurt 7. Kamaal Williams – The Return 8. HHY & The Macumbas –Beheaded Totem 9. Julia Holter –Aviary 10. Nils Frahm –All Melody Edu Silva
1. Ovlov –TRU 2. John Coltrane –Both Directions at Once: The Lost Album 3. Conduit –Drowning World 4. HHY & The Macumbas –Beheaded Totem 5. Earl Sweatshirt – Some Rap Songs 6. IDLES –Joy as an Act of Resistance 7. Vile Gash –Nightmare in a Damaged Brain 8. Shame –Songs of Praise 9. Camarão –The Imaginary Soundtrack to a Brazilian Western Movie 10. Fire! –The Hands
Filipe Costa
1. Amnesia Scanner –AS Another Life 2. Yves Tumor – Safe In The Hands of Love 3. SOPHIE –OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES 4. Vessel – Queen of Golden Dogs 5. Tim Hecker –Konoyo 6. Gazelle Twin – Pastoral 7. Varg –Crush 8. Julia Holter –Aviary 9. Daughters –You Won´t Get What You Want 10. Bad Gyal –Worldwide Angel Francisco Lobo de Ávila
1. Daughters –You Won't Get What You Want 2. Lotic –Power 3. A Perfect Circle –Eat The Elephant 4. Zeal & Ardor –Stranger Fruit 5. Spiritualized –And Nothing Hurt 6. Oshun –bittersweet vol. 1 7. Tommy Cash –¥€$ 8. Preoccupations –New Material 9. David Byrne –American Utopia 10. Superorganism –Superorganism Hugo Geada
1. Sleep –The Sciences 2. Spiritualized –And Nothing Hurt 3. Earthless –Black Heaven 4. IDLES –Joy as an Act Of Resistance 5. YOB –Our Raw Heart 6. Superorganism –Superorganism 7. Daughters –You Won’t Get What You Want 8. Mythic Sunship –Another Shape of Psychadelic Music 9. Kikagaku Moyo –Masana Temples 10. Confidence Man –Confidence Music for Confidence People João Barata
1. MGMT –Little Dark Age 2. IDLES –Joy as an Act of Resistance 3. Anna von Hausswolff –Dead Magic 4. Wiegedood –De Doden Hebben Het Goed III 5. A.A.L. (Against All Logic) –2012-2017 6. Conjurer –Mire 7. The Beths –Future Me Hates Me 8. Deafheaven –Ordinary Corrupt Human Love 9. Sleep – The Sciences 10. YOB –Our Raw Heart José Guilherme Almeida
1. Julia Holter –Aviary 2. serpentwithfeet – soil 3. Anna Calvi –Hunter 4. Black Dresses –WASTEISOLATION 5. Marie Davidson –Working Class Woman 6. Elza Soares –Deus é mulher 7. Anguish –Anguish 8. Kelly Moran –Ultraviolet 9. Félix Blume –Death in Haiti: Funeral Brass Bands & Sounds From Port au Prince 10. Gazelle Twin –Pastoral Ruben Leite
1. Julia Holter –Aviary 2. The Armed –Only Love 3. Haru Nemuri –Haru to Shura 4. Earl Sweatshirt –Some Rap Songs 5. Yamantaka // Sonic Titan –Dirt 6. Spiritualized –And Nothing Hurt 7. Daughters –You Won’t Get What You Want 8. Avantdale Bowling Club – Avantdale Bowling Club 9. IDLES –Joy as an Act of Resistance 10. Elza Soares –Deus é Mulher Rui Gameiro
1. Anna von Hausswolff –Dead Magic 2. Ovlov – TRU 3. HHY & The Macumbas –Beheaded Totem 4. Julia Holter – Aviary 5. Laurel Halo –Raw Silk Uncut Wood 6. Dedekind Cut –Tahoe 7. Mount Eerie –Now Only 8. Haley Henderickx –I Need to Start a Garden 9. Earl Sweatshirt –Some Rap Songs 10. Alex Zhang Hungtai –Divine Weight Rui Santos
1. Julia Holter –Aviary 2. Kero Kero Bonito –Time 'n' Place 3. Mitski – Be the Cowboy 4. Daughters – You Won't Get What You Want 5. IDLES –Joy as an Act of Resistance 6. The Garden –Mirror Might Steal Your Charm 7. Ichiko Aoba –qp 8. MGMT –Little Dark Age 9. SOPHIE –OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES 10. Laurel Halo –Raw Silk Uncut Wood Sónia Felizardo
1. the body –I Have Fought Against It, But I Can't Any Longer. 2. Them Are Us Too –Amends 3. TWINS –That Which Is Not Said 4. Anna Von Hausswolf – Dead Magic 5. SUIR –SOMA 6. LOBBY –Fragrance 7. QUAL –The Ultimate Climax 8. Hollywood Burns –Invaders 9. Lebanon Hanover –Let Them Be Allien 10. Rendez-Vous –Superior State
Os the body - dupla formada por Lee Buford e Chip King e conhecida pelos seus concertos intensos e abrasivos - regressaram este ano aos discos com I Have Fought Against It, But I Can't Any Longer., álbum de dez temas onde toda a instrumentação é composta na íntegra pelos the body. O disco apresenta ainda performances de Kristin Hayter (Lingua Ignota) e Michael Berdan (Uniform), além dos habituais colaboradores Chrissy Wolpert (Assembly of Light Choir) and Ben Eberle (Sandworm).
Como já era de esperar este é mais um disco muito bem conseguido na carreira dos the body que voltam a denotar a sua criatividade ambiciosa, transmitida numa visão sombria do mundo, através de uma música estimulante, afetiva e encharcada em distorção. Do disco já se conhecia o tema "Nothing Stirs". Recomenda-se ainda a audição de "Can Carry No Weight", "Off Script", "An Urn" e "Blessed, Alone" e bem, podendo, todas as outras.
I Have Fought Against It, But I Can't Any Longer. foi editado na passada sexta-feira (11 de maio) pelo selo Thrill Jockey.
Dois anos depois de lançarem o No One Deserves Happiness e um depois de A Home on Earth, os the body estão de regresso com I Have Fought Against It, But I Can't Any Longer, disco de dez temas onde se inclui o primeiro single de avanço, "Nothing Stirs", lançado esta semana. Este novo trabalho é descrito como o mais ambicioso da banda até à data, dado que toda a instrumentação incluída é composta pelas suas próprias samples. I Have Fought Against It, But I Can't Any Longer apresenta performances de Kristin Hayter (Lingua Ignota) e Michael Berdan (Uniform), além dos habituais colaboradores Chrissy Wolpert (Assembly of Light Choir) and Ben Eberle (Sandworm). "Nothing Stirs" pode ser ouvido na íntegra abaixo.
I Have Fought Against It, But I Can't Any Longer tem data de lançamento prevista para 11 de maio pelo selo Thrill Jockey. Podem fazer pre-order do álbum aqui.
I Have Fought Against It, But I Can't Any Longer Tracklist:
No passado dia 26 de Abril, teve lugar no Cave 45 mais uma das sessões que antecede o Amplifest, um festival que é cada vez mais uma referência no que toca a ilustrar o que de melhor se faz/fez no panorama do metal. Nesse serão, os Full of Hell voltaram até à cidade do Porto e fizeram-se acompanhar dos the body.
E como correu essa noite?
Bem…primeiro subiram a palco os Full of Hell. Os norte-americanos incorporam na sua arte todas as características da santíssima trindade do grind: tocam rápido, alto e carregam na distorção. Os vocals, esses não enganam: são roubados ao death metal. E nesta digressão, trazem um novo álbum na bagagem — o Amber Mote in the Black Vault — que é exactamente igual a todos os restantes álbuns anteriores dos Full of Hell: um gajo aos berros sobre cenas angustiantes, uma instrumentação furiosa e uma sensação de profundo niilismo a acompanhar tudo isto. Tudo coisas de que nos gostamos, portanto. E, sem surpresas, devo dizer que foi um concerto do caralho. Para mim, foram melhores que no Amplifest 2015 e a porrada foi maior, sem sombra de dúvidas. Uma coisa é ver Full of Hell da plateia, outra completamente diferente é vê-los ao nosso nível, separados apenas pelas colunas que debitam a sua grotesca mensagem.
Mas os Full of Hell nós já conhecíamos O que dizer dos body?
Chip King e Lee Buford são os body, uma das maiores instituições do noise atual. Em 17 anos de carreira, eles já colaboraram com alguns dos maiores nomes do metal atual — aliás, a sua colaboração mais recente é precisamente com os Full of Hell — e somam entre EPs LPs e álbum colaborativos mais do que uma quinzena de trabalhos. Eles eram a grande surpresa da noite: primeiro, por serem uma estreia absoluta; segundo, porque as expectativas eram altas. Queríamos todos nós — os fãs — testemunhar quanta daquela energia que está presente nos trabalhos de estúdio se mantém num concerto. Qual seria a expressão dos the body sobre a pressão do cumprimento das expectativas dos fãs que estão perante deles naquele momento à espera de ficarem surdos — no mínimo dos mínimos.
A realidade ficou muito além das expectativas.
Esqueçam qualquer comparação ou qualquer tipo de fantasia que possam conceber nas vossas mentes acerca daquilo que, de facto é, assistir um concerto dos body. Se são ignorantes ao ponto de achar que são capazes de imaginar essa experiência, o vosso cérebro está a pregar-vos uma grande partida. Em CD, os body são brilhantes. Ao vermos um vídeo deles, ficamos impressionados. Ao vivo, somos esmagados. Não só fiquei quase surdo, como também boquiaberto: the body ao vivo é uma experiência em nada igual a ouvirmos um cd deles. Somos envolvidos pelo som até ao ponto de não conseguirmos raciocinar. Uma espécie de nirvana alcançado através do ruído, um estado superior de consciência no qual não conseguimos pensar em mais nada porque, pura e simplesmente, o ruído não nos deixa pensar em nada. Mas o ruído dos body não é uma massa amorfa. São címbalos gigantes, a voz desesperada do Chip e a sua guitarra que ora toca notas claras, ora é transfigurada pelos seus moduladores sonoros.
Ao fecho desta redacção saiu nos media a notícia da próxima Amplifest Session, na qual vão atuar Mark Kozelek com o seu projeto Sun Kil Moon, Sumac e Mamiffer, estes dois últimos em estreia absoluta em Portugal. Por esta noite que aqui se relatou, por essa que se adivinha grandiosa e por muitas outras que entretanto já passaram, ficam as memórias e o desejo de mais uma vez agradecer à Amplificasom por continuar a proporcionar-nos noites como estas. Noites dedicadas aos fãs de música por oposição ao mercantilismo dos espetáculos musicais baseados em tabelas.
Deixo-vos apenas, em jeito de despedida, uma pergunta:
Os norte-americanos The Body e os compatriotasFull of Hellficaram responsáveis pelo aquecimento para o Amplifest, festival que ocorre no fim de semana de 20 e 21 de agosto, marcado pela estreia dos históricos Neurosis em Portugal. Este aquecimento dá pelo nome de Sessions, mais concretamente Amplifest Sessions, as quais vão decorrer de 25 e 26 de Abril, em Lisboa, Musicbox, e no Porto, Cave 45, respectivamente.
Estamos perante duas das bandas que mais têm alargado fronteiras na música extrema, explorando de forma aventureira as zonas cinzentas dos géneros por onde rasgam e explodem, e que se preparam para editar o primeiro álbum colaborativo One Day You Will Ache Like I Ache, sob a égide da Neurot Records.
Cada banda actuará separadamente, para atestar a demolição sonora a ser erigida no álbum que assinarão conjuntamente. Os bilhetes para os concertos custam 10€ para quem apresentar ingresso para o Amplifest na altura da compra e à porta, e 15€ para os demais.
Em parceria com a Amplificasom, temos duas entradas simples para oferecer para o concerto na Cave 45, Porto. Por isso se queres ser um dos contemplados só tens de participar neste passatempo e seguir as instruções em baixo:
2- Partilhar o passatempo no facebook em modo público e identificar dois amigos na publicação. Utilizem o botão de baixo para facilitar a partilha.
O passatempo acaba no dia 25 de Abril,às 23:59 e os prémios serão sorteados de forma aleatória através da plataforma https://www.random.org/. Actualização: Os vencedores do passatempo são Nuno Jordão e Rui P. Andrade.
No One Deserves Happiness // Thrill Jockey // 18 Março 2016
8.0/10
Quando
os The Body anunciaram No One Deserves Happiness como o “álbum pop mais
nojento”, obviamente não significava que a banda ia entrar realmente pelos
caminhos da música pop. Por outro lado, No One Deserves Happiness é, de facto,
um álbum extremamente grosseiro e doentio até, fundindo a sua sonoridade pesada
e agressiva a novos elementos menos comuns na sua discografia, com a utilização
de drum machine e beats a fazer relembrar as novas tendências da música pop,
com linhas de baixo muito pronunciadas. Numa entrevista à Fact Magazine, Buford
Lee fez mesmo referência a artistas como Beyoncé como influência para o seu
novo trabalho. Mas não se assustem, os The Body não perderam de todo a sua
identidade e som que tão bem os carateriza. “No One Deserves Happiness” é mesmo
um álbum doentio e que leva o metal para além dos seus parâmetros mais
convencionais.
A
carreira dos The Body já caminha para as duas décadas de existência onde se
contam cinco álbuns de originais e inúmeros EPs e álbuns colaborativos com artistas
como Thou e Full of Hell, os quais acompanharão na próxima passagem pelo nosso
país. Ao longo dos anos, a banda americana tem nos vindo a surpreender com a
sua consistência e constante quebra de barreiras, transcendendo o metal de tal
modo a tornar-se difícil enquadrá-los num género musical tão vasto. O próprio
Lee Buford assume este novo trabalho como uma tentativa de fuga ao estilo,
assumindo o metal atual como algo obsoleto e pouco interessante, pelo que a
busca e a experimentação de novos estilos e abordagens está mais do que
presente neste novo registo. “Two Snakes”, um dos singles de avanço do disco,
apresenta um dos beats mais doentios do disco, com baixos muito densos e
claustrofóbicos a fazer relembrar os instrumentais industriais dos Death Grips,
fazendo sobressaltar a agonia e o desespero de uma banda que parece não
encontrar a paz.
Num
álbum quase niilista e que se debate sobre a depressão e o desespero, onde a
felicidade parece não existir (o nome do álbum que o diga), destacam-se mais
uma vez os vocals agoniantes de Chip King, que contribuem para esta ideia de
sofrimento e desespero. No
entanto, não é só de escuridão que se trata este álbum. A epicidade de temas
como “Wanderings” e “Shelter Is Illusory”, que contam mais uma vez com a forte
presença de voz feminina, sempre firme e confiante, assim como os coros
presentes em “Hollow/ Hallow”, resultam nalguns dos temas mais interessantes
deste disco.
Depois
de um grande álbum colaborativo com os Thou, os The Body regressaram então em
força com mais um excelente novo trabalho que eleva a banda aos patamares do
melhor metal alternativo que se faz de momento, num disco cheio de força e
agressividade que poderá ser comprovado ao vivo nos próximos dias 25 e 26 de
Abril, em Lisboa e no Porto, respetivamente.
Os norte-americanos The Body e os compatriotasFull of Hellficaram responsáveis pelo aquecimento para o Amplifest, festival que ocorre no fim de semana de 20 e 21 de agosto, marcado pela estreia dos históricos Neurosis em Portugal. Este aquecimento dá pelo nome de Sessions, mais concretamente Amplifest Sessions, as quais vão decorrer de 25 e 26 de Abril, em Lisboa, Musicbox, e no Porto, Cave 45, respectivamente.
Estamos perante duas das bandas que mais têm alargado fronteiras na música extrema, explorando de forma aventureira as zonas cinzentas dos géneros por onde rasgam e explodem, e que se preparam para editar o primeiro álbum colaborativo One Day You Will Ache Like I Ache, sob a égide da Neurot Records.
Cada banda actuará separadamente, para atestar a demolição sonora a ser erigida no álbum que assinarão conjuntamente. Os bilhetes para os concertos custam 10€ para quem apresentar ingresso para o Amplifest na altura da compra e à porta, e 15€ para os demais.
De recordar que o Amplifest regressa ao Hard Club, no Porto, a 20 e 21 de Agosto. A experiência terá prequela e continuação a 19 e 22 de Agosto. Os bilhetes já estão à venda na AMPLISTORE: para a Weekend Experience de 20 e 21 de Agosto, por 75€; e para a Extended Experience, de 19 a 22 de Agosto, da qual estarão apenas 200 bilhetes à venda por 89€.
The Body, Andy Stott, Noveller, Essaie Pas e Steve Gunn lançaram, no volver da semana, trabalhos audiovisuais em promoção dos seus novos singles. Os respetivos trabalhos encontram-se disponíveis em baixo. 1 - The Body - "The Fall and the Guilt"
Os Börn foram uma das melhores descobertas na imprensa neste último mês, essencialmente por virem de terras de nomes como Björk e Sigur Rós. Apesar de não serem novos nos discos, com este homónimo, de curta duração, o quarteto vem trazer algo de refrescante e igualmente bem feito dentro do género do revivalismo do post-punk actual.Börn EP é mais que uma viagem aos finais dos anos 70, quando os Siouxsie and The Banshees começavam a dar que falar, é uma marca contemporânea que conjuga a distorção com a abertura na guitarra, à la de The Sound, baixos com influências de Joy Division e uma voz marcante que traz uma exploração do melhor da punk feminina nos vocais. "Einskis virði" é o registo de um dos melhores tracks dos últimos tempos, há shoegaze e uma guitarra que regista um loop infinito de sensações.
Sónia Felizardo
☺ // Self-Released // Abril de 2015
7.3/10
Há muito tempo que não ouvia lo-fi fresco tão bom. ☺, o álbum de estreia de BOOSEGUMPS, o projeto da artista de New Jersey, Heeyoon Won, está cheio de melodias marcantes como "MARCH SADNESS" e "FADEAWAY". Nele conseguimos sentir toda aquela atmosfera etérea que é caracterizada pelo lo-fi com as melodias quase que, flutuantes no espaço, e as letras depressivas. Neste álbum conseguimos ouvir aquele som de amadorismo que recebíamos quando ouvimos Crazy For You de Best Coast pela primeira vez, mas não é para menos, este álbum foi gravado no quarto do artista! No geral, o álbum faz-nos sentir como se estivéssemos debaixo da sombra de uma árvore num dia quente de Primavera enquanto apreciamos os bonitos sons da Natura. Um óptimo começo para um artista pequeno em crescimento.
Júlio de Lucena
If You're Reading This It's Too Late // Cash Money Records // Fevereiro de 2015
7.6/10
O rapper canadiano não pára de nos surpreender. Depois do galardoado Nothing Was The Same (2013) ninguém estava à espera de uma mixtape tão forte como esta, que, sem quaisquer avisos, foi posta para compra no iTunes; e sim, disse certo, é uma mixtape, não um álbum. O criador do YOLO (ninguém quer saber de Strokes), nesta mixtape não faz nada à temática das letras que não tenha feito antes, mas é a maneira como ele as aborda de uma maneira mais matura que nos conquista, nunca esquecendo a espécie de corrente que se prega durante toda a mixtape que é o 6 como vemos em "6 God", "Star67", "6 Man", "You & The 6", "6PM in New York" e a minha favorita, "Know Yourself", que é acompanhada com um "Running through the 6 with my woes" como hook. Os instrumentais para a mixtape são sem qualquer dúvida um Drake diferente mas um Drake mais capaz de fazer o que quer fazer com a sua música e com isto supostamente quer preparar-nos para o que vai ser o seu novo álbum de estúdio, dando-nos uma espécie de aperitivo do que está para vir. Eu não sei em relação a vocês, mas eu estou a adorar o aperitivo.
Júlio de Lucena
Like So // Self-Released // Março de 2015
7.3/10
shindigs é o projecto a solo de Beejay Buduan, um músico californiano que vive na Coreia do Sul, iniciado após o fim da sua antiga banda, Clockarts. Like So é o 3º EP em 2 anos e mantém a sonoridade dos trabalhos anteriores, um pop lo-fi simples e agradável, com reverb na voz e som limpo nas guitarras. Apesar de ter uma duração inferior a 20 minutos, há tempo para frases catchy, boas melodias, ritmos dançáveis e canções descontraídas apropriadas para aliviar a tensão após um dia cansativo. shindigs não traz nada de novo ao género musical em que se insere, mas não é esse o seu objectivo, e músicas como "Like So" e "Durum Durum" fazem com este seja um disco que merece ser ouvido. Para quem gostar, recomendo também os EP's anteriores. Está tudo disponível para streaming e download gratuito aqui.
Rui Santos
You, Whom I Always Hated // Thrill Jockey // Janeiro de 2015
7.9/10
Os Thou e os Body, duas da maiores instituições do metal norte-americano actual juntaram-se para nos trazer o LP You, Whom I Always Hated. A anterior empreitada desta dupla — o EP Released From Love — deu-nos uma amostra daquilo que You, Whom I Always Hated nos reservaria. Temos neste LP mais da mesma mágica fórmula: a letra niilista dos Thou, o industrial dos Body, a distorção, sujidade e groove de uma das principais bandas da cena do slugde do Louisiana — Há outro tipo de sludge? — e muito barulho. Tal facto não é surpreendente, dado que ambas as bandas são, a título individual, das mais ruidosas no seu campeonato. E quem bem que soa o ruído. A tendência para atribuir títulos às faixas ao estilo de Damien Hirst perdura. Porém, a complexidade não se mede em palavras, mas sim naquilo que estas comunicam. E estas letras niilistas, transportadas pelas cordas vocais de Bryan Funck e com tempo para homenagear os escritos de Trent Reznor numa cover à "Terrible Lie", tornam esta peça sonora uma das mais negras do ano.
Esperemos que alguém tenha o bom senso de trazer os Thou e os Body a Portugal este ano, para concertos a solo e enquanto dupla.