segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Reportagem: ENTREMURALHAS 2017 [Castelo de Leiria] - 3º dia


O terceiro dia de Entremuralhas (sábado, 26 de agosto) veio encerrar a oitava edição do festival gótico que este ano teve de enfrentar três cancelamentos, dois deles mesmo muito em cima da hora. À semelhança do dia anterior (sexta-feira, 25 de agosto) este último dia também foi um sucesso, tendo as atuações de Paulo Bragança e Atari Teenage Riot superado as expectativas dos muitos visitantes que sofreram com a retirada de nomes como Tuxedomoon e Darkher. Este dia de encerramento ficou igualmente marcado pelas despedidas de um público que eventualmente só se voltará a ver na próxima edição de festival gótico. O início estava marcado para as 18h00, como habitual e, além das exposições nos Paços Novos, havia concertos de estreia da sueca Nicole Sabouné (que tão elevadas expectativas deixou com a reedição de Miman (2017)) e dos canadianos e cabeças de cartaz Front Line Assembly, como principais atrações do dia. Na Igreja da Pena estava preparado ainda um ritual de abertura, a cargo dos catalães Àrnica, e um cocktail de encerramento, com os gregos Selofan

A minha mãe bem me dizia que o que é bom não dura para sempre. Tão boa que foi esta oitava edição de Entremuralhas e tão depressa se chegou ao fim.

Àrnica

ÀRNICA

Os catalães Àrnica ficaram responsáveis pela abertura do terceiro dia do Entremuralhas, na Igreja da Pena, para apresentarem a público o seu "ritual sonoro de reminiscências tribalistas" e fazer os expectadores ingressar numa viagem às tradições puristas do folclore primordial. No palco, a horas, e em formato trio os Àrnica fizeram ecoar por entre as ruínas da Igreja da Pena o seu "¡Leukade! ¡Leukade! ¡Leukade!" (retirado do novo Cabeza de Lobo (2017)), como tema de abertura. Através de um vestuário muito característico (camisas brancas + calças esverdeadas/vestido branco e um lenço/manta vermelho) e alguns "apetrechos" nos instrumentos utilizados, os Àrnica conseguiram criar uma sonoridade pura e orgânica e prender a atenção de todos os curiosos. Antes de "Monte Nublado", os dois membros masculinos dos Àrnica, que se apresentaram com máscaras retiraram-nas, para dar um trago de uma bebida "espirituosa" que guardavam nas suas garrafas ancestrais. Aproveitando a pausa para trocar de instrumentos, ouviram-se na Pena "Monte Nublado" e "Alzada Pétrea", enquanto se iam evocando desde os espíritos do "Castelo", dos bosques, as lendas licantrópicas e perpetuando as práticas ancestrais e pagãs.

ÀRNICA

Não sei se estava programado, ou não, mas no início de "Una Bestia Astada" juro que senti um cheiro muito característico  a surgir pela Igreja da Pena (e não era a drogas). Pelo que, até então, a banda estava a apresentar ao público do Entremuralhas, fazia todo o sentido que aquele elemento sensorial fizesse parte do seu espetáculo ritualístico, contudo acabei por não confirmar se mais alguém o tinha sentido ou não. De qualquer das formas foi curioso e decidi reportar. Além desta experiência olfactiva os Àrnica também passaram para o público uma das garrafas que trouxeram consigo e que continha a tal "bebida espiritual", (com a qual se hidrataram ao longo da sua performance), para um aumento da experiência retirada do seu ritual (não cheguei a provar a bebida, não vos sei dizer ao que sabia). Recorrendo a  algumas samples sonoras para complementar o seu som, os Àrnica foram enfeitiçado o Palco Igreja da Pena com o medieval "Caballos Solares", trazendo ainda a palco os novíssimo single homónimo "Cabeza De Lobo", o já conhecido "Cuerno Roto" e o tema de encerramento do novo álbum e concerto, "Ataan". 

ÀRNICA

Os Àrnica fizeram uma excelente abertura deste último dia de festival, alcançado notórios aplausos do lado do público, e surpreendendo o público pela sua sonoridade extremamente enriquecida, ao nível instrumental e composicional. A banda foi igualmente uma enorme surpresa para aqueles que, tal como eu, nunca antes os tinham visto ao vivo.


ÀRNICA

Selofan

SELOFAN

Os Selofan, dupla composta por Dimitris Pavlidis e Joanna Badtrip, estavam de regresso ao país depois de em 2014 se terem estreado em Lisboa, na Caixa Económica Operária pel'A Comissão. Com novo disco na bagagem, Cine Romance (2017), além dos já lançados Στο Σκοτάδι (In The Darkness) (2016) e Tristesse (2015), os Selofan subiram a palco, já doze minutos depois da hora prevista, tendo recebido palmas de boas-vindas do público, que foram agradecidas com um simpático "thank you". A abrir concerto com "Schwarz" a performance dos Selofan prendeu, desde o início, a atenção dos espetadores pelo look irreverente e atitude teatral de Joanna Badtrip. Ainda a apresentar o disco Στο Σκοτάδι (In The Darkness), os gregos fazem "Nightclub" ecoar pelas ruínas do Castelo, enquanto Joanna Badtrip, além da voz, agarra num turíbulo com sininhos para complementar a prestação da música ao vivo (Afinal não foram só os Àrnica a apostar nos apetrechos instrumentais).

SELOFAN

"Romance" foi a primeira música de Cine Romance a ser apresentada no Castelo de Leiria, tendo-se seguido as já mais antigas "Fosforizo" e "A Whimper". Um dos grandes momentos do concerto ficou marcado pelo single "La industria del sexo", retirado do mais recente disco da banda. Após dizer que este seria o próximo tema a ouvir-se na Pena, Joanna Badtrip perguntou a nós, público, se já conhecíamos a referida música. Retórica ou não, Joanna deixou as interações de lado e dirigiu-se para perto do microfone colocando, à volta do seu pescoço, as luzes vermelhas que o enfeitavam. Dando uns passos de dança aqui e ali, a vocalista encerrou o tema com o pormenor "te quiero Portugal". Ouvem-se vários aplausos no palco e, de regresso ao xilofone, começam a tocar o já hit "Love Is a Mental Suicide". Ainda em apresentação de Cine Romance, Joanna Badtrip fez-se acompanhar do baixo de Dimitris Pavlidis e de uma peça de arte em forma de lagosta em "Shadowmen". Com o concerto já a aproximar-se do fim ouviram-se ainda no Castelo, "Snakes" (com o pessoal a delirar lá à frente), "The One You Wanted" e "Στο Σκοτάδι (In The Darkness)" que serviu de mote para Joanna Badtrip dar uns golos na bebida espirituosa dos Àrnica (cedida pelo público), sentar-se no chão, tocar o seu instrumento e deixar Dimitris Pavlidis conduzir os timbres.

SELOFAN

A fechar a sua performance em grande os Selofan despediram-se com "The Wheels Of Love", que serviu para mandarem flores vermelhas para o público, como demonstração do seu amor pelo nosso Portugal. Joanna Badtrip acabou o concerto de sorriso rasgado na cara, avançando ainda com um "thanks a lot, enjoy the rest of this Castle's festival". Muitos aplausos no fim e estava assim encerrado o concerto e a temporada de música na Pena. Finalizado às 20h00 em ponto, entramos na hora de jantar.

SELOFAN

Paulo Bragança

PAULO BRAGANÇA

O cancelamento do concerto de Darkher no Entremuralhas foi uma das baixas mais custosas de toda esta edição de festival, ainda por cima tão em cima da hora, como aconteceu. Apesar de no dia 26 de agosto já vários dos festivaleiros se terem consciencializado que não ia haver ethereal dark no Alma, mas sim fado negro, o concerto do português Paulo Bragança, icónica figura do fado português nos anos 90 foi, ainda assim, recebido com muitos aplausos, apesar de pouco atendido. 

PAULO BRAGANÇA

Uma vez, numa entrevista ao Carlos Matos, que li na Ultraje (podem aceder aqui) o presidente da Fade In afirmou que o Fado era um dos géneros que em breve poderia vir a ingressar o cartaz do Entremuralhas. Aconteceu este ano, embora inesperadamente, e acabou por ser muito bem recebido pelo público. Afinal e, citando o presidente, "Existe sonoridade mais gótica que o Fado?".

PAULO BRAGANÇA

Com início previsto para as 21h00, só às 21h15 cheguei ao Palco Alma para ver a endeusada e arrojada figura do fado underground português, Paulo Bragança. Acompanhado pela banda, que aproveitou para tocar a introdução do hino em formato guitarra, Paulo Bragança apresentava-se em palco descalço e vestido a rigor, para uma performance, por vezes teatral. A revisitar antigos temas, com destaque para "Mistérios do Fado" (já com um total de cinco músicos em palco), "Descalço" e "Soldado" e ainda  a apresentar novos temas, nomeadamente "Lume Lume" - cujo fim foi aproveitado para a apresentação dos músicos que o acompanhavam -  "Entre Dois Cigarros", "A Névoa", "Ultimatum" (nome ainda temporário) e as sucessivas canções que foram interpretadas até ao fim do concerto - Paulo Bragança conquistou quem o viu e soube surpreender todos aqueles que não conheciam bem a discografia, roubando ainda vários "Ah Fadista" do público, ao longo de todo o concerto. A fechar com "Dark Horse", Paulo Bragança despediu-se do público com vários "obrigado", um deles muito especial e dirigido à Fade In e ao seu presidente. Palmas ao alto e o concerto estava encerrado. Apontavam 22h10 no relógio.

PAULO BRAGANÇA

Nicole Sabouné

NICOLE SABOUNÉ

A espera por Nicole Sabouné foi longa. Após a atuação de Paulo Bragança muitos mantiveram-se nos lugares da frente para poder ver a sueca mais de perto e, portanto,  arranjar um lugar de luxo tornou-se uma tarefa hercúlea. Com concerto agendado para as 22h30 a banda de Nicole Sabouné subiu a palco já pelas 22h37 para iniciar o concerto com "The Body", malhão de abertura do reeditado Miman(2017). Com dois microfones, um casaco vermelho, saltos altos e um ar tímido,  Nicole Sabouné mostrou ao público do Entremuralhas que a sua voz de timbre camaleónico não se fica pelo formato em estúdio. E que voz incrível caros leitores, não tem como esquecer o amor que se sente quando se a ouve cantar. A pegar na sua guitarra acústica Nicole Sabouné e banda fazem ouvir-se "Right Track" pelo Alma, começando também a surgir os primeiros braços no ar e os vocais secundários da baixista e do guitarrista Niklas Stenemo (vocalista dos Kite, que o ano passaram também tiveram a sua dose de Entremuralhas).

NICOLE SABOUNÉ

Entretanto (e eu já toda entusiasmada) começam a tocar a "Win This Life" e pronto, foi sentir a introdução e elevar os braços naquele refrão que é tão fofinho como a Nicole é em palco (ela é mesmo fofa, genuinamente fofa, só apetece dar abracinhos). E depois há aquelas guitarradas do Niklas Steno, que entram sempre no ponto certo e contagiam todo o público que os rodeia (e que se voltaram a repetir em "We Are No Losers", por exemplo). A fechar a "primeira parte" de concerto, Nicole Sabouné e companhia fazem ouvir-se "Under Stars (For The Lovers)", uma das baladas do seu Miman. Muitas palmas de ouvem no Alma. "For Us" (a música precedente) foi apresentada por Nicole Sabouné como uma nova música (possivelmente a integrar um futuro registo). Com a sua voz de boneca, a sueca de ascendência libanesa aproveitou também para agradecer ao público e avançou que ao contrário de "For Us" a próxima música era bastante "velhinha". Sabem o que me passou pela cabeça? (Ainda bem que não foi a Nicole Sabouné a cancelar) Estavam mesmo a dar as batidas da "Unseen Footage from a Forthcoming Funeral"! Caramba aquilo é que foi ver o público a balançar. E depois entrou ali mesmo bem a "Rip This World" para o pessoal poder beber o resto da bebida mais descontraidamente e por aqui e ali um braço no ar.

NICOLE SABOUNÉ

Curiosamente não estava à espera que a Nicole Sabouné e banda tocassem a cover da "Frozen" da Madonna ao vivo, mas acabou mesmo por acontecer. Então assim já podia descartar certamente alguns dos singles que eu queria tanto que tocassem ao vivo como a "Haters Don't Dance" e possivelmente a "Conquer or Suffer". Mas música que não poderia faltar na setlist era a "Bleeding Faster" (OMG a música que eu mostrei a todos os meus amigos para os persuadir a ouvir a Nicole) que acabou por ser a décima música que a sueca e companhia apresentaram em palco. Agarrando novamente na guitarra acústica, para tocar a introdução e o refrão, Nicole Sabouné fez-nos viajar até aquelas caixinhas de música, só que num ambiente gótico e de tanto amor conjunto. A fechar um enorme concerto, o também enorme "Withdraw". Ai Nicole, Nicole, como não te amar? E à tua banda? E à Fade In que vos trouxe cá?

NICOLE SABOUNÉ

Atari Teenage Riot

ATARI TEENAGE RIOT

Prontísismos para rebentar com o sistema de som do Entremuralhas, os Atari Teengae Riot entraram em palco, a horas, para prepararem o público para a sua filosofia revolucionária sobre a vida. Ainda estava eu cá atrás, perto da bancada da Fade In, quando se começou a ouvir o single "J1M1", bem amplificado, no Palco Corpo. A substituir os Tuxedomoon e em apresentação do mais recente trabalho de estúdio, Reset (2015) os Atari Teenage Riot trouxeram o seu digital hardcore até Leiria prontos para fazer história no Castelo. Com "Reset" a fazer-se ouvir nas colunas era tempo de avançar mais para a frente para dar uso à voz e ao corpo. Sempre a saltar (aqueles pulos de Alec Empire não passaram despercebidos) e a pedir ao público para meter os braços no ar, bater palmas e cantar com eles, Alec Empire e Nic Endo (membros formadores), foram os responsáveis pela interação com o público ao longo do concerto e fizeram deste "Reset" um bom aperitivo para começar a partir a loiça toda. Antes de "Death Machine", Alec Empire perguntou algumas vezes "Is anybody out there"? para colocar o pessoal a dar os primeiros gritos, apesar de ainda ser notória alguma inibição entre as centenas de pessoas que se encontravam pelo recinto do Palco Corpo. 

ATARI TEENAGE RIOT

Um dos momentos altos e icónicos deste concerto no Entremuralhas aconteceu com "Transducer". Os ânimos estavam tão elevados no Castelo de Leiria que aconteceu ali, durante uns segundos, um pré-mosh entre o público central das filas da frente. (Nunca tinha experienciado nada assim no Entremuralhas, mas lá está, este é um festival que surpreende sempre a cada edição). Era notória a diferença da adesão do público no início do concerto face àquela que se verificou neste "Tranducer" e na sucessora "Blood In My Eyes", onde já meia multidão estava de braços no ar a dar pulos e gritar. Viva à adolescência, à fase de revolta, da energia infindável e de partir tudo. Os ânimos permaneciam em altas no Castelo e a setlist ainda prometia muitos saltos e gritos, ouvia-se então "No Remorse (I Wanna Die)" - a versão cover dos Slayer com os Atari Teenage Riot -, e já estava todo o público a adaptar um estilo de dança diferente, mas sem nunca esquecer uns movimentos corporais aqui e ali. Depois de "Speed" (e além das letras de apelo à revoluçã), Alec Empire  insistiu em relembrar que é importante que nos unamos para erradicar ideologias nazistas ("neo-nazis remarched in the streets of Germany and now they are marching again in the streets of Europe and the US. We have to keep up the fight!" (...) "their ideology existed, you know, in the 30's the 20's, things built up to that shit in Germany, but (..) thousands of years before, it did not exist. So we've got to fight until this fucking violence is erradicated for this fucking planet"). Um diálogo (monólogo) que se estendeu um pouco demais para um público que já só pedia mais música, por favor. 

ATARI TEENAGE RIOT

Ouve-se "Activate!" entre o Palco Corpo e volta a sentir-se aquela energia contaminante entre o recinto. É para arrebentar tudo, afinal é o último dia do festival gótico que agora só se volta a repetir para o ano. Pena já só faltarem "Collapse Of History" e "We Are From The Internet" para se chegar ao fim do concerto. Muitos foram os gritos, palmas, assobios e todas as formas possíveis de chamar a atenção que os elementos do público usaram como argumento para tentar convencer os Atari Teenage Riot a voltar ao palco para o derradeiro final, com direito a encore. Nunca chegou a acontecer (chorando por você). Uma pena.

ATARI TEENAGE RIOT

Front Line Assembly

FRONT LINE ASSEMBLY

A fechar o dia (e também a contagem das estreias em Portugal) os canadianos Front Line Assembly traziam ao Palco Corpo 31 anos de carreira e os seus também quase 30 discos de estúdio. Em palco às 01h33 e a abrir concerto com "Resist", os Front Line Assembly foram conseguindo, aos poucos, atrair o pessoal que se encontrava sentado nas laterais do Castelo (possivelmente a repor as energias de Atari Teenage Riot) para a zona central do palco. Os Front Line Assembly foram também o cabeça de cartaz diário que definitivamente conseguiu atrair um maior número de público no espaço junto ao palco. Dedicados ao industrial desde 1986 e em formato trio, a estreia dos canadianos em território nacional era uma das mais aguardadas do festival. A convencer os mais indecisos com "Killing Grounds", Bill Leeb e companhia começaram por meter o público a dançar, através de uma performance dominadora em formato aquecimento. Agradando e captando a atenção dos espectadores com "Neological Sppasm" que, após o seu término, levou Bill Leeb a uma pequena interação com o público ("I just want to say hello Portugal!!! This is our first time here and what a beautiful place, what a beautiful venue and thanks for having us, thank you") os Front Line Assembly arrasaram em "Blood". 

FRONT LINE ASSEMBLY

A pedir ao público para bater palmas e levantar os braços, os Front Line Assembly alcançaram um enorme envolvimento dos espectadores em retorno, com vários assobios e gritos de "curtição", palmas e braços no ar durante a icónica "Plasticity" e a mais recente "Exhale". Depois de um concerto com imensa interação (e incontáveis thank you) os Front Line Assembly deram por fim à sua performance com "Prophecy", retirada do álbum Implode (1999). O público pedia por mais. Eram muitas as palmas e as emoções que se sentiam ali, no já saudoso Castelo de Leiria, os Front Line Assembly tinham de voltar porque não dava para fechar a oitava edição do Entremuralhas sem encore. Em coro, todo o público pedia mais. E houve mesmo mais! Bill Leeb e companhia regressaram ao Corpo para entreter um público por mais uns escassos minutos, os últimos minutos de música ao vivo desta oitava e surpreendente edição de festival gótico. Para encerrar em altas e até para o ano, ouviram-se no Corpo "Gun" e "Mindphaser" retirados do clássico Tactical Neural Implant (1992). 

FRONT LINE ASSEMBLY

Ainda assim, ficaram muitos singles por ouvir (quem nos dera que houvesse música ao vivo até às 04h00 da manhã no Castelo). Contudo, não faz mal nenhum, até porque foi um concerto memorável e igualmente imperdível, dado que só após 31 anos da formação dos Front Line Assembly os conseguimos ver ao vivo por terras lusas e que, muito possivelmente, não os voltaremos a ver por cá, tão cedo. Incrível, e sem dúvida que para muitos o melhor do último dia.

FRONT LINE ASSEMBLY

O terceiro e último dia desta oitava edição do festival Entremuralhas teve um total de seis concertos, e levou a palco 21 músicos. Foi o dia mais atendido dos três de festival e também o dia que serviu para fechar em grande o festival, com performances arrasadoras de Atari Teenage Riot e Front Line Assembly no Palco Corpo. Apesar dos cancelamentos que assolaram esta edição, como nunca antes tinha acontecido, o Entremuralhas 2017 foi, à semelhança das edições passadas, um sucesso e definitivamente melhor em termos de resultado final do que a edição anterior. A Fade In voltou, mais uma vez, a sublinhar que o seu profissionalismo é exímio e que, acima de tudo, nunca desilude os mais fiéis fãs. 
Obrigada a todas as bandas que fizeram isto possível e a todo o público que veio e que, mesmo tendo de aguentar as intermináveis filas para as escassas wc's existentes, não perdeu as oportunidades de se afirmar. Foi lindo. Até para o ano!

ENTREMURALHAS 2017 - DIA 3

Fotogaleria completa aqui.
Texto: Sónia Felizardo
Fotografia: Virgílio Santos

+

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Bärlin e Selofan juntam-se ao cartaz do Entremuralhas

Ano novo, novas confirmações.



Os franceses Bärlin e os gregos Selofan são os dois novos nomes a ingressarem o cartaz da oitava edição do Entremuralhas. A revelação foi feita pela  organização do festival, a Fade In - Associação de Ação Cultural, na sua página oficial do facebook. As duas bandas juntam-se assim aos já confirmados Dear Deer e Vox Low.


Bärlin


Os Bärlin são um trio francês que explora diversas sonoridades post-rock e as conjuga num som fortemente influenciado pelo jazz fusion, incorporando o clarinete e algumas samples. Formados em 2007, os Bärlin editaram apenas dois discos - Bärlin (2012) e Emerald Sky (2015) - os quais trazem até ao Entremuralhas numa estreia em território nacional.

Para fãs de: Tuxedomoon, Morphine, Tom Waits, And Also The Trees, Nick Cave.




Selofan


Os Selofan são uma dupla grega de minimal wave/ darkwave e fundadores do selo Fabrika Records (Die Selektion, Lebanon Hanover, She Past Away). Formados por Dimitris Pavlidis e Joanna Badtrip, em 2011, a banda estreou-se em Portugal em 2014, na altura em apresentação do disco de estreia homónimo. Com três discos na bagagem, a dupla regressa ao país para atuar no Palco Igreja da Pena onde apresentará Στο Σκοτάδι (In The Darkness), o mais recente trabalho editado em fevereiro de 2016.

Para fãs de: Lebanon Hanover, Visage, The Cure, Xmal Deutschland.




A oitava edição do festival Entremuralhas toma lugar no fim-de-semana de 24, 25 e 26 de agosto no habitual e icónico Castelo de Leiria. Ainda não há informações relativas ao preço dos bilhetes nem às atuações das bandas por dia. 

Bandas Confirmadas: 
Bärlin
Dear Deer 
Vox Low
Selofan

+

sábado, 1 de dezembro de 2018

Reportagem: Fabrika Records Fest [Stereogun, Leiria]


O passado dia 16 de novembro garantiu mais uma das memoráveis noites alternativas do ano, com a aterragem do Fabrika Records Fest em Leiria que, nessa convidativa noite, trazia a palco nacional três grandes nomes dentro do revivalismo das ondas mais negras: She Past Away, Lebanon Hanover e Selofan. Numa Stereogun completamente esgotada, a Fade In garantiu que o último episódio relâmpago do Fade In Festival anunciado para 2018 se tornasse inesquecível, permanecendo nos nossos corações como uma das noites mais quentes deste outono. 

Pelas 22h30 os Selofan (que é como quem diz, os big bosses da Fabrika Records) subiram a palco em apresentação do seu mais recente disco de estúdio Vitrioli (2018). A dupla grega regressava a Portugal, um ano após ter tocado na Igreja da Pena, para nos brindar com um espetáculo que trazia à mistura os habituais elementos cénicos pelo qual Joanna Pavlidou se faz acompanhar, além das sonoridades frias, monótonas, mas altamente dançáveis. Além dos temas mais vibrantes de Vitrioli, como "Black Box" – cujo fim foi utilizado para que Joanna Pavlidou agradecesse à maravilhosa audiência -, "Billie Was a Vampire" e "Give Me a Reason" os Selofan apresentaram uma setlist que foi repescar ainda os temas mais conhecidos como "Shadowmen" e "La Industria del Sexo" e as grandes pérolas como "Masoleum" e "In The Darkness", para uma sala que aquecia a cada minuto que passava. Apesar de se terem notado algumas desafinações ao nível vocal, os Selofan apresentaram uma instrumentação bastante fiel àquela que ouvimos no conforto das nossas casas, mas que na Stereogun se proporcionou num ambiente muito mais apaixonante, altamente festivo e com incontáveis aplausos à mistura. Uma abertura bem à medida. 


Selofan

Com o relógio a marcar as 23h45 já podíamos visualizar "Lebanon Hanover" projetado no ecrã e visualizar a silhueta de Larissa Iceglass, vestida de um negro preto, juntamente com a luz irradiada pelo branco de William Maybelline, numa abertura com o mais recente tema "Alien". Os Lebanon Hanover eram uma das bandas mais aguardadas nesta edição do Fabrika Records. Depois de terem feito a sua estreia no Entremuralhas 2013, a dupla chegou a anunciar dois concertos em Portugal, em maio de 2016, que foram tristemente cancelados. Cinco anos depois da estreia e, com uma história cada vez maior e relevante no panorama da minimal wave, os Lebanon Hanover regressavam a Leiria para apresentar a sua nostalgia poética apresentada em formato áudio.  Já com "Die World II" a fazer escutar-se, rapidamente se percebe que os Lebanon Hanover até podem nem ser a melhor banda ao vivo, mas a mensagem que transmitem é completamente além de uma simples canção. É um antagonismo existencialista, uma cura para a depressão, uma luz ao fundo do poço. Presenciar a mesma sala que alguém que compreende as frustrações, a angústia, a acidez e o conforto da solidão de um ser racional é simplesmente algo magnífico que, mesmo que as tonalidades e os instrumentos ao vivo não tenham dado tréguas, ou inclusivé o resultado tenha diferido do idealizado, o sentimento é igualmente mágico. 


Lebanon Hanover

Poetas revolucionários da nova geração, os Lebanon Hanover apresentaram em Leiria, e numa setlist bastante rica, as suas ondas de resistência. De Let Them Be Alien, ouvimos "Gravity Sucks", "Favourite Black Cat" e a poderosa "Petals" - que gerou um surto de aplausos e gritos de felicidade após o seu fim. De Why Not Just Be Solo (2012) deu para relembrar "No One Holds Hands" – cujo fim serviu para que William dissesse um tímido "thank you e "Northern Lights". De Tomb For Two (2013) os Lebanon Hanover tocaram "Hall Of Ice" e "Midnight Creature" e claro está, o hit da carreira "Gallowdance", com a pista de dança completamente ao rubro. A cereja no topo do bolo foi mesmo "Totally Tot", uma das primeiras malhas da carreira dos Lebanon Hanover que fechou em grande a performance dos nossos queridinhos. Uma voz industrial, um ritmo monocórdico, um palco em caus, um público em êxtase e muitos sonhos realizados por volta das 00h30 (obrigada Fade In!). Tudo preto no branco.


Lebanon Hanover

Cerca de 20 minutos para repor as emoções, depois de um concerto em que deu para chorar sem ninguém ver, foi por volta das 00h50 que entrou em palco a banda turca mais conhecida pelo habitual público das noites da Fade In, os She Past Away. A dupla composta por Volkan Caner e Doruk Ozturkcan regressava a Leiria quatro anos depois de ter tocado no Entremuralhas 2014 (e três depois do último concerto em Portugal) para fechar o Fabrika Records com bonitas recordações. Foi com "Belirdi Gece", a fazer escutar-se bem alto para uma audiência de sorriso rasgado, seguido pelos bastante conhecidos "Sanrı" e "Katarsis" que a pista de dança da Stereogun se foi tornando cada vez mais quente e fugosa. Neste cenário, a banda aproveitou para nos dar um carinhoso "thank you", antes de fazer soar as primeiras batidas dos temas que lhes deram o nome que têm dentro do revivalismo de géneros como o post-punk e dark wave: a energética "Asimilasyon", a dançável "Rituel" e a rítmica "Kasvetli Kutlama". 


She Past Away

Com o concerto a aproximar-se a passos largos do fim (para infortúnio da audiência), os She Past Away moldavam naquela noite um concerto que certamente marcará a lista dos melhores do ano. Apresentando ainda temas como "RUH" e já em modo nostalgia do adeus, os She Past Away agradeceram novamente ao público, do qual se despediram com a energia contagiante com que entraram em palco. Sem margem para dúvidas, o melhor concerto desta edição do Fabrika Records em Portugal, que se deu por encerrada por volta das 01h40. 


She Past Away

Pela noite fora ainda nos aguardava um rigoroso DJ set de Carlos Matos onde foi possível dançar ao som de BragolinSextileRendez-VousTRAITRSShe Wants RevengeACTORSBauhausThe CureLight AsylumShortparis, e vários outros nomes. O último episódio do Fade In Festival agendado para 2018 foi mesmo muito bonito e mais uma prova de que a Fade In está um passo à frente e a revolucionar a nova Leiria. Um bem-haja!

FABRIKA RECORDS FEST [Stereogun, Leiria]

Texto: Sónia Felizardo
Fotografias: Miguel Silva

+

sábado, 28 de março de 2015

[Review] Selofan - Tristesse


Tristesse // Fabrika Records // Março de 2015
7.9/10

Tristesse é o segundo registo de estúdio do duo grego de electro-minimal Selofan, que chega aproximadamente dois anos depois de Verboten, disco pelo qual mostraram os seus primeiros singles ao mundo. Fundadores da Fabrika Records, editora pela qual apresentam agora este novo registo, os Selofan voltam novamente a apostar nas sonoridades minimalistas dos sintetizadores à anos 80, mas numa produção bastante contemporânea. "Microwave Lovers", um dos singles de avanço deste segundo trabalho de estúdio, e uma das melhores faixas de Tristesse, é apresentado num ambiente sombrio, recheado de sintetizadores à post-punk. A voz, essencialmente falada, é acompanhada por pequenos gritos que se afirmam como um dos pontos de maior impacto na audição consecutiva da referida faixa. No geral, todo este trabalho, em análise, se revela como um conjunto de doze canções embebidas num universo de experimentação que contemplam desde uma simples composição em piano, apenas acompanhada de voz ("Der Steppenwolf"), a singles mais luxuosos na produção ("Allein").

Para além da Farbrika Records, os Selofan trazem ainda no currículo um single colaborativo com Larissa Iceglass, "Behind The Dunes", que ficou de fora de Tristesse mas que merece destaque pelo excelente instrumental adaptado a uma das vozes  mais marcantes da actualidade na cena da colwave. E de facto "Tristesse", single homónimo, e posteriormente "Napthalini", apresentam algumas similaridades interessantes face aos trabalhos do também duo Lebanon Hanover: há uma utilização tanto da voz masculina, como feminina por sobre uma perscussão post-punkiana com traços nostálgicos. O que não é de todo mau avance-se desde já. Afinal os Selofan conjugam sonoridades electrónicas ao lado de um som produzido analogamente. "We Care For You" e "Fotografikes Michanes" são dois bons exemplos para verificar como este revivalismo das sonoridades dos anos 80, na cena dark, são uma influência comum para ambas as bandas, onde as diferenças se notam essencialmente na aplicação do mesmo conceito. 

Tristesse é um um disco que volta a frisar que o o post-punk se está efectivamente a tornar num género cada vez mais explorado na actualidade, e que, conjugado com os sintetizadores e alguns elementos da música concreta, afirma-se perante uma sociedade perdida no capitalismo e falta de valores morais. Numa representação incrivelmente bem conseguida da mente humana, e suas questões existencialistas, Tristesse apresenta singularidades, essencialmente a níveis das conjugações de díspares instrumentos, que o destacam de se tornar apenas em mais um álbum dentro da coldwave. Há emoção e revolta sentidas na voz tanto de Joanna como Dimitris, e há ainda o medo, um dos sentimentos que a tecnologia tenta resolver, mas ainda com pouca eficácia. Tristesse pode ser uma resposta, embora necessite ainda de afincar algum do contraste verificado entre as sonoridades das suas composições.


+

quinta-feira, 5 de abril de 2018

Selofan - "Give Me a Reason" (video) [Threshold Premiere]


Dimitris Pavlidis and Joanna Badtrip formed Selofan in 2011 and since then, they have already released four studio albums through Fabrika Records, the label that they also founded together and that has released bands like Lebanon Hanover, Die Selektion or She Past Away, over the past years. Now, on April 13th, the Greek duo will be launching their fifth record, Vitrioli, whose tracks "Give Me a Reason" and "Βιτριολι (Vitriol)" had already been shown. According to the press release, "The sound of Vitrioli is intense, inflammatory and (...) Selofan creates an unpopulated dramatic realm where sad lovers shapeshift into a destructive, obsessive and ambitious persona":

Today we are premiering the new music video for "Give Me a Reason", an astonishing darkwave song about a desire to hold onto a relationship, with audiovisual work signed by Dimitris Chaz Lee. The video depicts the fragile nature and the conflicts in the emotional demands and vulnerability of each person in the relationship and can be watched below.

Vitrioli is out on April 13th via Fabrika Records. You can pre-order the album here.



Selofan will be on tour in April and May 2018 supporting their label mates Lebanon Hanover.

April 13 | Oberhausen – DE | Kulttempel 
April 14 | Leipzig – DE | Conne Island 
April 20 | Frankfurt – DE | Das Bett
April 21 | Strasbourg – FR | La Laiterie 
April 26 | London – UK | Academy Islington 
April 27 | Barcelona – ES | Sala Upload 
April 28 | Paris – FR | La Machine du Moulin Rouge (Fabrika Fest) 
May 11 | Athens – GR | Gagarin 205 
May 12 | Thessaloniki – GR | 8Ball

Vitrioli Tracklist: 

01. Give Me a Reason 
02. Billie Was a Vampire 
03. Black Box 
04. I’m Addicted 
05. Ist Die Liebe Tot? 
06. Un Amor Eterno 
07. The Language Of Love 
08. Living Scandal 
09. Βιτριολι 
10. Φουξια Χαμελαιων 
11. Η Μοναξια ΕΙναι Της Μοδας 
12. Υστερια

+

sábado, 25 de abril de 2020

"There Must Be Somebody" avança novo disco dos Selofan


Partners In Hell é o nome do disco que vem dar sucessão a Vitrioli (2018), o conceituado último esforço longa-duração de um dos maiores nomes do revivalismo gótico da atualidade, os Selofan. Ainda sem detalhes revelados o disco viu esta semana ser apresentado o primeiro tema de avanço, o fustigante e fervoroso "There Must Be Somebody". Quase dez anos depois de terem formado o projeto, Dimitris Pavlidis e Joanna Badtrip conduzem-nos a uma temática sinistra, através de uma plataforma sonora que suporta um forte cunho na utilização de sintetizadores prepotentes e ricos em vida, contrastados por uma voz quase sem vida e altamente absorta por uma certa indiferença.

"There Must Be Somebody" foi apresentado esta semana através de um trabalho audiovisual gravado entre a calma da floresta e agraciado pelo contraste entre o cisne branco e a presença marasmática dos Selofan. Num vídeo cuja data de gravação se posiciona há cerca de um ano atrás, a dupla grega arrisca agora, entre outros, na exploração do conceito de voodoo, ritualismo e uma imagética a aportar um certo surrealismo na essência. De Partners In Hell sabe-se ainda que é um disco com produção a cargo de Serafim Tsotsonis e masterização por Doruk Ozturkcan (She Past Away). O disco deverá chegar às prateleiras no outono deste ano na alçada da Fabrika Records.


Enquanto os pormenores adicionais do sucessor de Vitrioli (2018) não são revelados, aproveitem para ir ouvindo este sinistro "There Must Be Somebody" em loop. Se quiserem apoiar a banda é comprar a faixa no formato digital aqui.

+

domingo, 15 de abril de 2018

STREAM: Selofan - Vitrioli


Desde 2011 que os Selofan, dupla constituída por Joanna Badtrip e Dimitris Pavlidis gravam as suas histórias através da conjugação de diversos subgéneros, línguas e da poesia, com o objetivo de expressar uma música profundamente emocional e fatalista. Com já quatro álbuns de estúdio aclamados, 2018 vê chegar às prateleiras o quinto trabalho da dupla, Vitrioli, um disco cujo conceito se baseia na história de dois amantes tristes que ingressam numa personagem destrutiva, obsessiva e ambiciosa pelo desejo impulsionado.

Deste novo álbum já tinham anteriormente sido divulgados os temas "Give Me a Reason" (podem ver o vídeo aqui) e "Βιτριολι (Vitriol)". Além destes temas recomenda-se ainda a audição de "Black Box", "Ist Die Liebe Tot?" e "Φουξια Χαμελαιων (Fouchsia Chameleon)". O disco pode agora ouvir-se na íntegra abaixo.

Vitrioli foi editado na passada sexta-feira (13 de abril) pelo selo Fabrika Records.


+

quinta-feira, 1 de março de 2018

Selofan lançam novo disco, Vitrioli, em abril


Com 4 álbuns de estúdio aclamados, a dupla de synth-wave de Atenas, Selofan, anuncia agora o lançamento do seu quinto disco de estúdio Vitrioli, esperado para abril. Segundo a nota de imprensa, o som deste novo disco é intenso, inflamatório e, por vezes, angustiante ao tocar nas profundezas da loucura. 

Famosamente provocativos, os Selofan criam  em Vitrioli um reino dramático e despovoado, onde os amantes tristes ingressam numa personagem destrutiva, obsessiva e ambiciosa pelo desejo impulsionado. O novo disco segue ainda sem nenhum single de avanço.

Vitrioli tem data de lançamento prevista para 13 de abril pelo selo Fabrika Records.

Vitrioli Tracklist:

01. Give Me a Reason 
02. Billie Was a Vampire 
03. Black Box 
04. I’m Addicted 
05. Ist Die Liebe Tot? 
06. Un Amor Eterno 
07. The Language Of Love 
08. Living Scandal 
09. Βιτριολι 
10. Φουξια Χαμελαιων 
11. Η Μοναξια ΕΙναι Της Μοδας 
12. Υστερια

+