domingo, 26 de abril de 2020

'Love Lives Where Rules Die' é o álbum de estreia de Suzanne Vallie


Suzanne Vallie é uma poeta e compositora americana oriunda de Big Sur na Califórnia, que irá lançar o seu álbum de estreia, Love Lives Where Rules Die, no dia 3 de julho via Night Bloom. Este registo foi gravado por uma banda de 11 músicos californianos e fala sobre relações desastrosas, invocando o espírito folk da era pré-sintetizadores de Sharon Von Etten, e do country eufórico de Karon O na trilha sonora de Where The Wild Thing Are.

Love Lives Where Rules Die, que já tivemos a oportunidade de ouvir, é composto por 11 faixas de puro relaxamento, como se estivéssemos a conduzir no meio do deserto americano ao por do sol. Se fechássemos os olhos a ouvir este álbum e nos deixássemos levar pelas suas doces melodias, é como se fosse ansiolíticos em formato de música. Um excelente disco para ouvir neste período stressante que estamos todos a viver. O primeiro single está disponível para audição em baixo.


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sábado, 25 de abril de 2020

"Dice of Tenors" é o novo trabalho de César Cardoso

© David Sineiro
César Cardoso é um artista leiriense e professor de saxofone, teoria, combo e Big Band na Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal e Saxofone Jazz na Universidade de Évora. No seu percurso apresenta 3 álbuns, todos com música original – Half Step (2010), Bottom Shelf (2015) e Interchange (2018) –, mais de 100 arranjos para Orquestras e Big Bands – escritos sobretudo para a Orquestra Jazz de Leiria e para a Orquestra Jazz do Hot Clube de Portugal – e ainda 2 livros sobre a teoria no Jazz – Teoria do Jazz (2016) e Teoria do Jazz – Exercícios (2018).

Tendo já vários projectos com formações em Quarteto e Quinteto e tendo escrito muitos arranjos para Big Band, César Cardoso procurou novas abordagens, caminhos e ideias de composição e arranjo, através de uma formação alargada. Desta formação constituída por 8 elementos, distribuídos por sopros – saxofone tenor (César Cardoso) , saxofone alto (Miguel Zenón), trompete (Jason Palmer) e trombone (Massimo Morganti) – e secção rítmica – vibrafone (Jeffery Davis), piano (Óscar Graça), contrabaixo (Demian Cabaud) e bateria (Marcos Cavaleiro), resultou o disco Dice of  Tenors.


Para este disco, César Cardoso escolheu 8 temas, 6 dos quais são standards do Jazz celebrizados por alguns dos maiores saxofonistas tenores – Hank Mobley, Benny Golson, John Coltrane, Dexter Gordon, Sonny Rollins e Joe Hendersone –, e compôs ainda 2 temas a completar o disco. Estes arranjos contêm abordagens e técnicas novas, recentemente estudadas, havendo a intenção de criar algo como se fosse um novo tema mas ao mesmo tempo sem perder a essência do original. Além disso, um dos pressupostos é o de elevar o nível musical através da sua complexidade harmónica, rítmica e métrica, sem perder o lado musical, tornando tudo o mais orgânico possível.

Dice of Tenors foi editado a 17 de abril e está disponível em baixo para escuta integral.
 

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"There Must Be Somebody" avança novo disco dos Selofan


Partners In Hell é o nome do disco que vem dar sucessão a Vitrioli (2018), o conceituado último esforço longa-duração de um dos maiores nomes do revivalismo gótico da atualidade, os Selofan. Ainda sem detalhes revelados o disco viu esta semana ser apresentado o primeiro tema de avanço, o fustigante e fervoroso "There Must Be Somebody". Quase dez anos depois de terem formado o projeto, Dimitris Pavlidis e Joanna Badtrip conduzem-nos a uma temática sinistra, através de uma plataforma sonora que suporta um forte cunho na utilização de sintetizadores prepotentes e ricos em vida, contrastados por uma voz quase sem vida e altamente absorta por uma certa indiferença.

"There Must Be Somebody" foi apresentado esta semana através de um trabalho audiovisual gravado entre a calma da floresta e agraciado pelo contraste entre o cisne branco e a presença marasmática dos Selofan. Num vídeo cuja data de gravação se posiciona há cerca de um ano atrás, a dupla grega arrisca agora, entre outros, na exploração do conceito de voodoo, ritualismo e uma imagética a aportar um certo surrealismo na essência. De Partners In Hell sabe-se ainda que é um disco com produção a cargo de Serafim Tsotsonis e masterização por Doruk Ozturkcan (She Past Away). O disco deverá chegar às prateleiras no outono deste ano na alçada da Fabrika Records.


Enquanto os pormenores adicionais do sucessor de Vitrioli (2018) não são revelados, aproveitem para ir ouvindo este sinistro "There Must Be Somebody" em loop. Se quiserem apoiar a banda é comprar a faixa no formato digital aqui.

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Christine Plays Viola têm novo álbum a caminho

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Os italianos Christine Plays Viola regressam este ano às edições de estúdio com o quarto disco de originais que recebe o nome de Fading e vem dar sucessão a Spooky Obsessions (2016). A chegar às prateleiras dois anos após a edição do The bonds should be only silver threads (2018), o EP que marcou o aniversário de celebração de 10 anos como banda, Fading marca um novo capítulo no rumo da carreira dos Christine Plays Viola. Num registo mais intimista - no qual é evidente o uso de sons menos angulares e tenuemente mais acústicos do que os utilizados nos anteriores trabalhos - os Christine Plays Viola nunca distorcem o ritmo evolutivo e mais maturo que, a cada ano, esculpem numa maior sintonia.

A trabalhar entre ambiências revivalistas com os 80's a surgirem como plano de foco, os Christine Plays Viola voltam a apostar nas atmosferas nostálgicas do som que tão bem os caracteriza, através de camadas densas, soturnas e tingidas entre um rock-gótico e um post-punk místico. Em jeito de antecipação do novo disco o quarteto italiano apresentou esta semana os dois primeiros temas de avanço "Still" e "You're No One", que podem agora reproduzir-se na íntegra abaixo.


Fading tem data de lançamento prevista para 18 de maio em formato CD e digital numa co-edição entre os selos Icy Cold Records e Manic Depression Records. Podem fazer a pre-oder do disco aqui.


Fading Tracklist:

01. The Earth Is Definitely Doomed 
02. Suicidal Cabaret 
03. Showdown At The Mirror 
04. Still 
05. Through The Night 
06. Run 
07. In The Dark 
08. I Belong 
09. You're No One

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STREAM: LUNACY - The Search For Fallen Field

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Ainda nem um ano se passou desde que LUNACY colocou cá para fora o marcante Age Of Truth, mas o produtor da Pensilvânia já está de regresso ao radar com mais um incendiário registo. Desta vez, em formato curta-duração, LUNACY compõem-nos quatro faixas altamente abrasivas, com foco na exploração do ruído como meio de difusão de uma mensagem. Com a reverberação a fazer sentir-se bem forte é, contudo, nos sintetizadores que uma das figuras mais sombrias do novo cenário underground nos tece uma narrativa altamente nebulada, mas grandiosamente enriquecida em emoções. Em The Search For Fallen Field, LUNACY apresenta ao ouvinte um lado mais suave nas suas composições de energia brusca, proporcionando um retrato sonoro denso e abrangente num universo abertamente explorativo.

Depois de nos ter dado a boa nova em março foi em abril que vimos os primeiros traços esculturais deste novo The Search For Fallen Field através de um vídeo para o primeiro tema de avanço "Clarity (Of Subconscious)". É certo e sabido que LUNACY, mais que um projeto musical, engloba toda uma metamorfose multimédia expansiva, com forte core na estética que aporta. Num trabalho onde a voz é deixada de parte para comunicar essencialmente através de elementos maquinizados, LUNACY oferece-nos uma excelente sobremesa depois do rico prato principal que experimentámos em Age Of Truth. Do EP - que pode agora reproduzir-se na íntegra abaixo - destaque para temas como o espesso "Crossing Of Malice" e o futurista "Past Present Future", a mostrar as novas tendências para o futuro da música eletrónica.

The Search For Fallen Field foi editado esta sexta-feira (24 de março) em formato cassete e digital pelos selos Somatic Records e Cold Moon Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui.

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STREAM: First - First

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Depois de terem colocado cá para fora "To Long", a primeira extração do novo EP que agora apresentam a público, os belgas First tornaram-se rapidamente numa das novas atrações do cenário da nova música eletrónica. A banda, que se já tinha feito chegar ao radar aquando a edição de "Losing" - o primeiro single de carreira incorporando na primeira compilação da editora belga sentimental - compõe no cenário atual o primeiro aperitivo curta-duração de uma carreira que certamente virá a marcar o panorama da eletrónica escura de vanguarda. Como ferramentas de sucesso destaca-se em pano de foco a voz celestial da cantora Jasmin Smolders que é tão bem acompanhada pela eletrónica desafiante e condutora de Pieter Vochten

Deste novo EP já tinham sido anteriormente apresentados os temas "Losing" - o primeiro comprimido efervescente a denotar o contraste entre a beleza insípida vocal e a eletrónica assertiva tão presente no trabalho - e ainda "To Long", uma balada eletrónica enriquecida por uma carga emotiva altamente densa e bela, pronta para conquistar corações. Através de ambiências sonoras tipicamente inseridas no movimento minimalista, os First criam um trabalho altamente puro e dócil, ao qual incluem tenuemente traços de angústia, elementos de deceção e toda uma fragilidade inerte. Além das referidas faixas forte destaque para "You Lie", a grande surpresa do álbum: uma faixa esteticamente pomposa a incluir ritmos altamente aditivos e uma voz altamente honesta e rica em esperança. Um EP que não deve ficar fora do radar.

First EP foi editado esta sexta-feira (24 de abril) em formato self-released e digital. Podem comprar a vossa edição física aqui.


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sexta-feira, 24 de abril de 2020

Tri Angle Records chega ao fim



A Tri Angle Records chegou ao fim esta sexta-feira, após 10 anos de atividade e mais de duas dezenas de discos editados. O anúncio foi avançado pelo seu fundador, Robin Carolan, na sua conta de Twitter. “No passado, tomei uma decisão sobre o futuro da editora e demorou um pouco para resolver os aspectos práticos, mas queria que todos soubessem que hoje marca o fim da Tri Angle”, escreveu.  

Criada em 2010, entre Londres e Nova Iorque, a Tri Angle Records foi um importante catalisador das tendências eletrónicas da década passada. Robin Carolan, que chegou a escrever para o blog independente 20jazzfunkgreats, abriu a década com um projeto curatorial no mínimo imprevisível – Tri Angle Records Presents: Let Me Shine For You, uma compilação de covers experimentais de Lindsay Lohan, reúniu versões de Autre Ne Veut, Oneohtrix Point NeverLaurel Halo OoOoO. Desde então, a editora lançou trabalhos de The Haxan Cloak, Vessel, Evian Christ, serpentwithfeet, Balam Acab, Forest Swords, Holy Other, Lotic, Clams Casino entre outros.   

Apesar do foco nos terrenos mais desalinhados da música eletrónica, nomeadamente os campos da witch house (Balam Acab, OoOoO e Holy Hother foram porta-vozes de um género nem sempre bem recebido), a música da editora assistiu a um curioso crescimento para lá do “nicho” em que se especializou – Evian Christ assina créditos na produção de Yeezus, de Kanye West, The Haxan Cloak co-produziu Vulnicura, de Björk, e Clams Casino colaborou com artistas como FKA twigs, A$AP Rocky, The Weeknd e Lil Peep.    

Para assinalar o fim da editora, Carolan compilou 28 temas dos vários artistas que fizeram parte da história da Tri Angle numa playlist que pode agora ser escutada no Spotify.



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Músicos contornam quarentena e celebram a liberdade em tempos de pandemia


O tricicloum ciclo de concertos produzido pelo Município de Barcelos com a melhor música nacional e internacional, promoveu ligações inéditas entre artistas para criarem à distância canções sobre a liberdade. A iniciativa “Em cada casa um amigo” juntou 16 músicos para criarem seis canções originais, que foram compostas e gravadas de forma caseira. As músicas vão ser lançadas a partir de 25 de abril nas redes sociais na iniciativa. 

Para assinalar o 25 de abril, o triciclo desafiou vários artistas que já passaram pela sua programação para se juntarem e criarem canções sobre liberdade. A partir de casa, os artistas trocaram ideias, tocaram e gravaram músicas inéditas para celebrar a liberdade em tempos de pandemia. 

O resultado vai ser lançado a partir de 25 de abril nas redes sociais, através do lançamento de um videoclipe por dia, que incluirá uma canção original criada por dois diferentes projetos. As músicas são lançadas entre 25 de abril e 30 de abril, sempre às 21h00. 


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STREAM: The Love Coffin - Second Skin

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A fazer efervescer o cenário da música rock dinamarquesa nos últimos anos, os The Love Coffin regressam agora às edições com um disco tenro em reverberação e caracterizado por uma atitude marcante. Second Skin é o nome que identifica o segundo registo longa-duração do ensemble e que chega esta sexta-feira às prateleiras depois de cinco anos focados a agitar o panorama da cena rock underground pela Europa, num percurso iniciado com a edição do EP de estreia Veranda (2015). Depois seguiu-se Buffalo Thunder (2016), a emancipá-los entre o cenário dinamarquês e, posteriormente, Cloudlands (2018), a integrar elementos não só descontraídos, mas igualmente emotivos. Agora com este novo Second Skin os The Love Coffin tornam-se mais nostálgicos, oferecendo ao ouvinte um cocktail tingindo entre o arrojo do rock e os traços emotivos das vibrações voláteis.

Deste novo Second Skin já tinham sido anteriormente apresentados os temas "Nothing At All" - uma canção fortemente inspirada pelos traços calorosos de verão: onde ganham destaque os riffs de guitarra de estética sonhadora, batidas vigorosas e altamente cativantes e o revivalismo clássico entre o som do violino altamente esmagador - e "Mortalized" - malha progressiva entre os espectros do rock psicadélico de acordes carinhosos. Além dos referidos temas forte destaque para "A Shrinking Thing", a sétima canção do alinhamento que se foca na exploração de uma nova abordagem clássica, onde o piano e os sintetizadores dão aos mãos para criarem uma narrativa altamente envolvente. Num registo mais dinâmico surpreendem também temas como "Fall", "Seasick" e o tema de encerramento "Heaven Sent". Second Skin pode agora ouvir-se na íntegra abaixo.

Second Skin é editado esta sexta-feira (24 de abril) em formato digital e vinil numa co-edição entre os selos Third Coming Records e Bad Afro Records. Podem comprar a vossa cópia física aqui (Third Coming Records) ou aqui (Bad Afro Records).


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STREAM: João Pais Filipe - Sun Oddly Quiet


Fica hoje disponível, online, o segundo disco de originais do percussionista e escultor sonoro João Pais Filipe. Sun Oddly Quiet terá ainda edição em formato CD numa parceria entre a Lovers & Lollypops e a Holuzam. O novo longa duração já pode ser ouvido online no bandcamp da editora, onde está também já disponível a opção de encomenda do CD. Para assinalar o lançamento, o músico dará um concerto online hoje, pelas 18h00, onde apresenta pela primeira vez os 4 temas que compõem o disco. O mesmo estreará no YouTube da Lovers & Lollypops, com um apelo para o donativo consciente dos espectadores.

Ao longo das quatro composições de Sun Oddly Quiet, João Pais Filipe abre um diálogo com o ouvinte. Seja ele um regressado do álbum homónimo (Lovers & Lollypops, 2018), um conhecedor do envolvimento com os HHY & The Macumbas, CZN ou das colaborações com Evan Parker, Rafael Toral, Black Bombaim e Burnt Friedman. Ou mesmo alguém que se cruze pela primeira vez com os ritmos do músico nascido no Porto em 1980. A conversa entre o músico e o outro lado existe para João Pais Filipe abrir o portal do seu domínio e desafiar quem entrar a entender a singularidade dos intrincados ritmos que dão vida a XV, XIII, XI e V.

No primeiro álbum inspirou-se na electrónica/dança/techno que evoluiu da percussão do krautrock para espernear à vontade o talento. Em Sun Oddly Quiet, logo em "XV", abandona, com todo o voluntarismo, as preconcepções que existem e aventura-se por numa nova estrada sem qualquer mapa. Está a tactear terreno novo na carreira a solo, evidenciado que não quer uma única associação ao seu trabalho, e que o ouvinte o perceba como um compositor/percussionista e não apenas como uma só dessas partes. Só que João Pais Filipe sabe para onde vai esse novo e desconhecido, porque já fez esse caminho vezes e vezes sem conta. É um músico sem medo do que está além.

Essa expansão criativa – e também motivacional – é empurrada por outra relação que João Pais Filipe tem com os seus instrumentos, enquanto construtor de gongos e pratos. Um conhecedor da sua matéria-prima que ousa a que o instrumento soe mais do que o seu propósito e que possa cantar mantras através de ritmos.

Maturado pelas diferentes experiências que João Pais Filipe viveu ao longo dos últimos três anos, as colaborações que desenvolveu com outros músicos, a descoberta regular de enfrentar um público a solo e viagens a África, Ásia e América Latina que permitiram os seus músculos colaborar com outras linguagens percussivas, Sun Oddly Quiet ouve-se com a sensação de um álbum idealizado com a certeza de quem sabe o hoje e o amanhã. Para o ouvinte é um mapa de um lugar incerto; um, dois, três ou quatro mantras com coordenadas exactas sobre como fazer música percussiva em 2020.

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quarta-feira, 22 de abril de 2020

Superalma Project e Sofía Bertomeu juntam-se em novo EP, Universal Observer Device



Igor Almeida, conhecido pelos seus projetos enquanto Superalma Project e como fundador da editora "pós-género" The Spiritual Triangle, juntou-se pela primeira vez à produtora espanhola Sofía Bertomeu para um curto EP de apenas seis minutos. 

Universal Observer Device, lançado no passado dia 20 de abril pela italiana Brainstorm Lab, é composto por dois momentos distintos: "We’re Tiny Against The Towers And Brightly-Lit Flashing Advertising Hoardings”, a primeira peça do disco, foi composta por Superalma Project e destaca-se pelo recorte distorcido com que explora a música hipnagógica, descontruindo os lugares-comuns das composições escutadas em trabalhos de James Ferraro ou Daniel Lopatin; "At Your House, Don’t You Remember?", de Sofía Bertomeu, encerra o EP com um contraste direcional mais obtuso, denso e opaco, explorando melodias e timbres ominosos que acompanham um diálogo sinuoso entre duas figuras não identificadas.

Produzido à distância entre novembro e dezembro de 2019, o EP nasceu a partir do arquivo sonoro de ambos os artistas, que se serviram dos restos e esboços inacabados enquanto matéria basilar para a construção das composições.

Universal Observer Device encontra-se disponível em todas as plataformas digitais e pode ser escutado desde já em baixo.


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STREAM: Neon Lies - Loveless Adventures

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A minimal wave e o post-punk revival estão no pano de foco de Loveless Adventures, o terceiro disco de estúdio de Neon Lies. Dois anos depois de II (2018), o projeto do croata Goran Lautar volta agora ao ativo para amenizar os pensamentos menos felizes que avassalam as mentes mais frágeis com uma mescla de sons altamente dóceis. Ao longo de nove temas - onde os sintetizadores analógicos fantasiam um mundo envolto em vida, de aura apaixonante -, Neon Lies cria uma narrativa cativante e bastante próxima aos ambientes espectrais da dream-pop, sem nunca perder o apoio dos ritmos monocromáticos e acelerados do saudoso post-punk dos 80's.

Composto após um período extensivo em tour com prazo temporal aproximado a um ano, Neon Lies ganhou uma nova experiência que explora com afinco neste Loveless Adventures. Ao juntar a abordagem synth-punk iniciada com o disco de estreia Neon Lies (2016) com a inibição experimental de camadas de ruído e sons eletrónicos, Neon Lies apresenta um disco coerente, ritmado e facilmente assimilável por uma audiência alargada de fãs de diferentes backgrounds. Deste Loveless Adventures já tinham anteriormente sido apresentados o batcave "Drugz" e o cocktail de lo-fi "Insecurity". Além dos referidos temas forte destaque para a divertida "Down", a ritmada "Alone" e a ironicamente obscura "Light". O disco pode reproduzir-se na íntegra abaixo.

Loveless Adventures foi editado na passada segunda-feira (20 de abril) em formato vinil numa co-edição entre os selos Black Verb Records, Wave Tension Records, Cosmic Brood e Cut Surface. O álbum também foi lançado em cassete numa versão limitada com selo Mental Healing (podem comprar aqui) e em CD pela Periphyla (disponível aqui).


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